quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

CORRUPÇÃO. A PONTA DO ICEBERG?


Poucos minutos após as treze horas de hoje, 25, em frente aos Paços do Concelho de Lisboa, encontrava-se grande quantidade de carrinhas com antenas parabólicas e, mais próximo das portas da Câmara, havia várias máquinas de vídeo devidamente montadas em tripés, com os seus operadores atrás. Saltou-me ao espírito aquela velha frase de que «os jornalistas são como as moscas, quando lhes cheira a m..., são mais do que as mães».
Mas já não é apenas uma questão de cheiro, pois segundo as notícias, a porcaria já é bem visível e os principais visados já estão a abandonar o local (a cadeira) do crime. Parece que a corrupção, esse cancro da sociedade, aliado ao abuso do poder, e ambos proporcionados e apoiados por uma burocracia paralisante, constituem, talvez, o maior inimigo de um País em que a ética e o civismo primam pela ausência ou por um cinzentismo tímido e excepcional, com vergonha de se manifestar, sendo ultrapassados pela ganância de dinheiro e de sinais de opulência e ostentação.

Em quantas câmaras, em maior ou menor grau, haverá casos semelhantes aos detectados em Lisboa? A pergunta talvez devesse ser formulada adoptando um outro prisma: quantos autarcas estão inteiramente resguardados deste labéu? Quantos já foram indiciados e o processo morreu por «falta de provas» ou por prescrever ou por...?

Curiosamente, em simultâneo com estas notícias foi ontem abordado de passagem, na AR, a corrupção e a recusa das propostas de Cravinho para a luta contra o enriquecimento ilegítimo e a corrupção, por conterem «asneiras». Mas quem recusou e fala em «asneiras» estará a preparar legislação mais perfeita e eficaz para combater esses cancros sociais, para fazer face a esta emergência nacional, para criar, regras de transparência viáveis? Ou considera que a maior asneira é visar tais objectivos e o mais correcto será não tocar no assunto e deixar que tudo continue como dantes (quartel em Abrantes!)?

Isto traz à memória um julgamento de crime de tráfico de droga que foi anulado por as provas terem sido obtidas por meio de escutas consideradas ilegais. Mas o crime existiu e, dessa forma, ficou impune. Ironias da vida real. O que interessa não é o crime, nem as provas, mas apenas a forma como estas foram obtidas!!! Lembra a forma como as notícias são redigidas «foi autuado por ser detectado em contravenção» não por ter infringido a lei. O crime é ser detectado!

1 comentário:

MRelvas disse...

"ERRARE HUMANUM EST"

Caros amigos,nestes últimos tempos muito se tem falado sobre o sargento Luís. O homem que levou seis anos de pena de prisão (diminuidos hoje para quatro) por não entregar a fiha "adoptiva" (ainda não o é) ao pai biológico.Fui o primeiro aqui a tomar posição solidária com ele ao não entregar a menina ao pai biológico.Dizia-se que este nunca tinha querido saber da filha.Que queria era dinheiro,etc..etc!Claro que me pus ao lado do casal "sequestrador" reagindo emocionalmente dizendo que pai é aquele ama os seus filhos, que os acarinha e não aqueles que sómente o são por laços sanguíneos.
Mas ao ler o acordo do Tribunal da comarca que o julgou verifiquei que a mãe biológica já tinha tentado reatar a custódia da filha em 2003...o que não conseguiu pois eles não a devolveram.Também verifiquei que o pai biológico anda nesta "aventura" de recuperação da filha desde há 4 anos...sim 4 anos, sem qualquer sucesso!Fiquei emocionado ao contrário.Agora a mãe diz que está bem entregue...mas que é isto?Aqui algo não cheira bem e sou obrigado a dar razão ao pai biológico que só não pegou de início na criança...porque não sabia que era sua,nem queria acreditar.Ele lá sabe porquê!
Mas desde que fez os testes de ADN de imediato solicitou no local certo a sua custódia.
Agora o sargento Luís diz que aceita o que o tribunal decidir e se decidir que deverá entregar a menina o fará.Afinal...
Eu errei,tal como o amigo A. João Soares disse;-não gostar de tomar posição sem saber em concreto toda a verdade e não só parte.
Aqui peço desculpa ao pai biológico pela minha precepitação, embuído de um espírito solidário, mas sem dados firmes.
Gostava que agora as personalidades públicas que deram a cara pelo sargento Luís tenham a mesma actitude que eu aqui tenho neste momento.Pedir desculpas.Para quê o "habeas corpus"?
"Errare humanum est"!