quinta-feira, 22 de agosto de 2019

ÁGUA ATÉ QUANDO?

Água até quando?
(Publicado no DIABO nº 2225 de 23-08-2019 pág 16)

Estudo internacional, nos 154 países analisados, coloca Portugal entre os 44 que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água. Isto coloca-nos numa situação de elevado risco de escassez de água. Há também outros 17 países, que representam um quarto da população mundial, em risco extremamente elevado. A pressão que os leva a consumir 80% das suas reservas de água por ano são a agricultura, as indústrias e os municípios.

A escassez deste produto vital coloca sérias ameaças ao ser humano, à sua subsistência e à estabilidade económica. Para que esta ameaça não se concretize com brevidade, os países devem tomar medidas adequadas, controlando o crescimento da população, o desenvolvimento socioeconómico e a urbanização, factores que estão a provocar uma maior procura de água. Por outro lado, as alterações climáticas podem tornar mais imprevisto o agravamento.

Há que evitar desperdícios de água e aumentar o armazenamento da existente em barragens adequadas, e deve ser encarada a reutilização de águas residuais como uma solução adicional, podendo, com tratamento aperfeiçoado, gerar uma nova fonte de água potável. Nos países com maior carência, esta solução será importante porque 82% das suas águas residuais não são reutilizadas.

A pressão de falta de água não é necessariamente uma fatalidade e pode ser reduzida através do aperfeiçoamento da gestão dos recursos existentes. Evitar desperdício no consumo doméstico, apostar em técnicas de rega eficientes e económicas, fazendo com que cada gota de água conte, investir em infraestruturas mais amigas do ambiente e intensificar a reutilização das águas residuais, em jardins, agricultura, limpezas urbanas e até nas sanitas domésticas.

Sem dúvida que poupar, enquanto a há, deve ser um cuidado a ter por todos os consumidores, mas deve ter apoio didáctico nas escolas e em contactos com a população, a fim de ser obtida boa melhoria dos comportamentos, embora isso, só por si, não evite o esgotamento.

É difícil pensar como será a nossa vida quando deixar de haver água. Por isso, além da redução de consumo nos factores atrás referidos, agricultura, indústrias e municípios, há que cuidar do armazenamento, evitando que corra para o mar sem ter o devido aproveitamento prévio, que se construam mais barragens e que as existentes tenham adequado aumento de capacidade, dentro do possível pelo aprofundamento das encostas submersas. Muitas das barragens existentes carecem desse trabalho porque a sua criação resumiu-se à construção do muro de sustentação da água. E pode ser obtido grande aumento da capacidade de armazenagem sem entrar nos terrenos particulares vizinhos.

E Portugal tem a grande benesse de uma extensa ligação ao mar, dando-nos uma larga possibilidade de preparar, desde já e antes que seja tarde demais, o aproveitamento da dessalinização da sua água. É certo que a água proveniente do mar não tem as qualidades a que estamos habituados, recolhida de nascentes nas nossas serras menos poluídas. Mas, à falta de melhor, há muita gente a viver dela em Cabo Verde, e em países com territórios áridos próximos do mar.

Uma fábrica de dessalinização não é uma obra fácil nem de rápida construção, pelo que não podemos adiar a ideia até ao momento em que ela seja realmente necessária. Então, pode ser demasiado tarde. No Verão de 2018 a Cidade de Viseu, perante a seca da barragem de Fagilde, no rio Dão, viu-se na necessidade de abastecer o seu depósito central com colunas de autotanques que se deslocavam a 40Km de distância. Na próxima seca, quantas cidades terão de usar a mesma solução e a que distância encontrarão o desejado maná? Com uma dessalinizadora na costa, passando a água pelas canalizações existentes dispensaria o dispêndio dos muitos autotanques. E, depois de construída a primeira, ela servirá de modelo e ensinamento para construir as necessárias.

Não hesitemos. Estamos entre os 44 Estados mundiais com maior perigo. Não fiquemos à espera de milagres, como tem acontecido com a prevenção de incêndios florestais. ■

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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

GREVES POLÍTICAS?

Greves políticas?
(Publicado em (O DIABO nº 2224 de 16-08-2019, pág 16)

Nos últimos anos, têm sido noticiadas, e sentidos os seus piores efeitos, greves nos mais diversos sectores públicos, inclusivamente num dos três poderes da soberania, o Poder Judicial.

Por definição, “greve é a cessação colectiva e voluntária do trabalho realizado por trabalhadores com o propósito de obter direitos ou benefícios, como aumento de salário, melhoria de condições de trabalho ou direitos laborais, ou para evitar a perda de benefícios”. Portanto, o direito à greve deve ser uma ferramenta da luta entre trabalhadores e seus patrões, sempre que não conseguirem acordo através de conversações amigáveis. Mas não é aceitável nem justo, no caso de serviços públicos como saúde, transportes, ensino e outros, que, por interesse de poucos, se causem sacrifícios e prejuízos a todos os cidadãos que sejam utentes ou clientes de tais serviços públicos, que existem para servir a população.

Tem sido tolerado pelo Governo que pessoas morram por falta de cirurgias ou outros tratamentos urgentes que deviam ter sido efectuados com oportunidade, que outras pessoas faltem aos empregos ou cheguem muito atrasadas, devido a greve do transporte que habitualmente utilizam. Se há desentendimento entre trabalhadores e patrões de serviços ou de empresas, não é justo que sejam prejudicadas pessoas que são apenas utentes e clientes e não têm culpa de irregularidades que existam entre patrões e empregados, nem têm possibilidade de contribuir para solucionar tais diferendos.

Para isso, os trabalhadores, além do diálogo ou negociação, dispõem da greve de zelo que em nada prejudica utentes e clientes e até os pode beneficiar. Apenas visam a administração do serviço ou empresa que, além de receber menos, tem mais despesas pelas exigências de melhores condições de trabalho e insatisfação no serviço, incitando a exigências que antes eram toleradas.

Como se nota que, na vida pública actual, tudo o que acontece tem uma intenção inconfessada na luta interpartidária e hoje estão na berra novas teorias sociais, demasiado fantasiosas e desajustadas das tradicionais, não deve ser posta de lado a hipótese de pressão de oposicionistas que, manipulando os sindicatos, procurem prejudicar e criar mal-estar na imagem do Governo frente às próximas eleições. Perante isso, o Governo deve, nos serviços públicos favorecer o relacionamento entre os diferentes graus de funcionários, criando harmonia que gere esperança de breve aumento da justiça social e da equidade, reduzindo o leque salarial, em muitos casos demasiado injusto e irritante.

Com a exagerada prioridade que muitas teorias recentes dão aos direitos, em detrimento dos deveres, nesta época em que o tema mais falado é o da greve dos motoristas dos transportes de matérias perigosas, aparecem umas virgens míopes que defendem os grevistas com termos como estes “eu digo Força Motoristas, estivadores e outros camionistas e povo em geral unam-se numa só voz... mostrem a esta corja de ladrões e corruptos que quem manda na Nação ainda é o povo...”. Pobre povo, dependente desta gente.

Mas a realidade no sector laboral leva a considerar urgente a revisão da situação de muitos trabalhadores que funcionam como autênticos escravos que, com o seu trabalho pago apenas com o salário mínimo, alimentam empresas com bons lucros pagando desproporcionadamente a gestores, incluindo prémios de desempenho em anos em que os lucros “fiscais” foram mínimos ou mesmo negativos. A ética recomenda mais justiça social e menos discrepância salarial e que entre os vários degraus haja melhor relacionamento, até para fins didácticos, melhorando a eficiência dos menos aptos.

Quanto à substituição da greve por soluções que não afectem a população, há a solução do Movimento Zero de agentes da Segurança Pública que aqui foi referida e a atitude do CEMGFA perante o MDN.

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sábado, 10 de agosto de 2019

FOGOS INEVITÁVEIS?

Fogos inevitáveis?
(Publicado no DIABO nº 2223 de 09-08-2019, pág 16)

Em 2017, após os incêndios florestais de Pedrógão Grande que alastraram por enorme área onde causaram imensos prejuízos em instalações de habitação e agrícolas e em terrenos cultivados, bem como perdas de vidas, o Governo, através de palavras muito sonoras e largamente repetidas, criou na população a convicção de que não voltaria a sofrer efeitos de tragédias semelhantes.

Mas passados dois anos houve, além de outros, o caso de Mação, que abrangeu uma área assustadora, o que nos faz interrogar sobre as medidas concretas resultantes das intenções governamentais prometidas pelas palavras de esperança tão badaladas. Mas de tais promessas começou por se ver uma medida legal tão inadequada que teve de ser alterada nos prazos muito curtos que impunha para a limpeza nas vizinhanças de habitações e de povoações. Mas, apesar de terem surgido nos jornais opiniões de técnicos conceituados para se fazer uma reestruturação da floresta por forma a circunscrever a área de cada incêndio e outras medidas concretas já aplicadas noutras áreas próximas da nossa fronteira, o Governo teimou nas suas ideias e a intenção não faz milagres. Não se lembrou que seria útil pedir a colaboração de técnicos competentes para uma reunião de análise a fim de ser decidida uma solução, com pés e cabeça.

Acerca do fracasso da prevenção prometida, o Sr. Ministro da Administração Interna devia explicar as medidas que tomou para prevenir incêndios tão dramáticos. Quais as razões por que não foram eficazes para evitar os incêndios de agora? Porque não foram tomadas medidas melhores? Possivelmente, alguns dos seus colaboradores deram lhe um apoio menos conveniente ou pressionaram a adopção de medidas ineficazes? Que colaboradores despediu por o não terem ajudado a ter êxito?... Mas a fantochada continua. E a responsabilidade é toda atribuída ao povo que atura, sem reagir de forma eficaz e definitiva, os que agem em nome do governo.

E, na denominada limpeza da floresta, por melhor que se rape toda a vegetação rasteira, a Primavera seguinte faz cobrir o terreno de nova camada vegetal que seca no Verão, ficando pronta para as criminosas intenções de pirómanos a mando de bandidos com capacidade para lhes pagar. E, perante os pirómanos, havia que preparar a Justiça para aplicar penas que desencorajassem novos incendiários e seus apoiantes.

E, na limpeza das matas, é preciso bom senso e cautela para não destruir miniaturas de futuras grandes árvores, a fim de não transformar o interior num extenso campo desportivo para golf, futebol, etc. Limpeza radical dessa forma deve ser reservada aos aceiros que transformem as encostas numa quadrícula que impede fogos extensos e que tem sido sugerida em escritos de vários técnicos, atrás referidos.

Outra medida muito estranha, ainda não explicada, foi a aquisição de 70 mil golas compradas pela Protecção Civil não para usar em protecção individual, em incêndios, mas para sensibilização de boas práticas, mas que foram comprados com tal urgência que, sendo o “valor de mercado de 74 cêntimos cada”, o Jornal de Notícias garante que o Estado “deu 1,80 euros” na compra feita a marido de autarca do PS.

Com a anunciada subida de temperatura e a relacionada alteração climática, o País ficará transformado num monte de cinzas e de destroços, em pouco tempo, se não forem utilizados processos eficazes de detecção e de combate rápido. Há poucos anos, conheci um jovem que esteve em Barcelona a tirar um curso de pós-graduação e que, na tese, apresentou um sistema de detecção de um fósforo aceso, comunicada automaticamente aos bombeiros os quais accionam o carro de prevenção que, com pouca água, apaga a chama antes de ela se propagar. Em pontos altos bem escolhidos do terreno, montam postes com sensor que indica a direcção da chama e, por triangulação, dão aos bombeiros o seu local exacto para a eliminar. O custo disto resulta da quantidade de postes a instalar e dos aparelhos de detecção e de comunicação por satélite. ■

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domingo, 4 de agosto de 2019

FOGOS FLORESTAIS OU IRRACIONALIDADE POLÍTICA



  Fogos florestais ou irracionalidade política

Havia um corpo de Guarda Florestal que foi extinto por políticos de reduzida compreensão das realidades e sem preocupação com o futuro, isto é, sem visão estratégica. Quando a GF existia, podia haver mentes não esclarecidas sobre as realidades do interior que a consideravam desnecessária mas, no momento em que foi extinta, já se estava num processo de mudança da vida rural e os detentores do poder tinham obrigação de pensar nos dias do porvir, pois já eram visíveis as alterações que se anunciavam na agricultura. Daí a necessidade de uma maior vigilância da área florestal por forma a ser exercido um esforço sistemático de prevenção de incêndios e de rápida acção de combate de algum que surgisse. Além da detecção oportuna de incendiários.

Da minha vida durante mais de 18 anos na zona do pinhal, nunca vi um fogo. E a razão derivava de a agricultura precisar de limpar sistematicamente o pinhal para apanhar a caruma para a cama do gado e o mato para curtir para ser utilizado como adubo das terras, os pinheiros eram aparados para dar madeira para segurar as videiras, o feijão, as ervilhas e os tomates e para lenha para a lareira e o forno do pão. Com isso, obtinha-se uma limpeza tal que, durante os trabalhos na mata, não era necessário muito cuidado para acender uma fogueira para preparar o almoço. Depois, a evolução criou materiais para segurar as videiras, as ervilhas, o feijão etc, e deixou de ser necessário aparar as hastes dos pinheiros. Estas também deixaram de ser utilizadas como lenha da lareira, por haver fogões a gás. O forno do pão também deixou de usado como até aí. Também, o mato deixou de servir como fertilizante das terras por se passar a usar adubo. Também os bois deixaram de ser necessários para puxar a charrua, por passar a haver tractores, deixando de ser preciso o mato para as camas nos currais. E, assim, a mata passou a viver em paz sem a intervenção do homem que a limpava e, daí, a ocorrência de fogos impulsionados por madeireiros que pagam a pirómanos, etc.

Com esta mudança, é de lamentar a falta da Guarda florestal e a generalizada ignorância das condições em que vive o interior e dos cuidados de que este carece quanto a fogos e não só. E, para quem conhece o interior, é muito chocante ouvir os governantes dizer que não têm responsabilidade do que se passa no interior (a maior parte do território nacional), que a responsabilidade da prevenção é dos seus habitantes, etc. etc.

E fecham os olhos aos danos incalculáveis dos incêndios de Vila de Rei, Sertã e Mação, Tomar-Abrantes, Sabugal, etc ao ponto de haver um ministro com grande responsabilidade por omissão de medidas eficazes dizer «Época de incêndios ‘está a correr bem’». Não tenho palavras para exprimir a minha sensação ao ler isto no jornal. Tanta insensatez!!!

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quinta-feira, 1 de agosto de 2019

MOVIMENTO ZERO

Movimento zero
(Publicado em O DIABO nº 2222 de 02.07.2019. pág 16)

A sociedade precisa de viver em segurança, paz e harmonia, o que não é totalmente possível, por haver pessoas subjugadas por egoísmo, ambição, inveja, ódio ou outras moléstias sociais. Para fazer face a tais maleitas, são indispensáveis forças de segurança que garantam a prevenção e a eliminação de ocorrências de comportamentos menos correctos. Tais agentes da ordem pública, devem ter preparação adequada para cumprirem a sua missão, por vezes difícil, mas sempre de vital importância para a população ordeira.

Por isso, os agentes são respeitados e acatados pelos cidadãos educados e apreciadores da sua acção socialmente benéfica. Os seus chefes, a todos os níveis, devem reconhecer o apreço que a população lhes dedica, pelo que devem dar ao pessoal activo a indispensável preparação e instrução para o, por vezes difícil, cumprimento da missão, por forma a daí resultar prestígio e respeito.

Em 10 de Julho, no Cacém, um jovem de 23 anos, com antecedentes criminosos, foi detido depois de ter agredido um agente da PSP que o tentava deter por ter sido chamado pela avó quando ele ameaçou a mãe com um martelo, tendo esta uma criança ao colo. Quando os agentes chegaram ao local, o rapaz mostrou-se violento. Insultou os polícias e ameaçou-os, chegando mesmo a agredir um deles antes de ser manietado e detido. O polícia agredido - que está na PSP há cerca de três anos - sofreu algumas escoriações num dos braços, mas não foi necessário receber tratamento hospitalar.

Também em 19 de Julho, por iniciativa do “Movimento Zero”, dezenas de polícias concentraram-se em frente ao Hospital de Braga, onde estava internado um comissário da PSP que tentara o suicídio com a arma de serviço, no seu gabinete na esquadra bracarense. A manifestação tinha o intuito de alertar para a falta de condições de trabalho na Polícia que, segundo afirmaram, desde o início do ano, já levou três agentes ao suicídio.

Infelizmente, ocorrem situações em que os mais altos responsáveis se alheiam das dificuldades do trabalho dos seus subordinados e os desprezam e desprestigiam, não lhes dando condições para o bom desempenho da missão, o que pode prejudicar a forma como o povo a acata e suporta. Mas chega a acontecer que o povo que muitos governantes consideram pacóvio, se levanta espontaneamente em manifestação de apoio aos agentes a quem devem paz e segurança pública e de quem esperam a continuação dessa garantia. Esta reacção do povo é significativa como ocorreu recentemente em Massamá, quando a associação de moradores se concentrou em frente da esquadra local da PSP a manifestar o seu apoio aos seus agentes, a condenar as agressões e ofensas de que são alvo e prometendo o seu auxílio concreto no terreno contra actos de marginais. “O povo é sereno” e sabe reagir de forma positiva e sensata, dando com isso aos governantes uma magistral lição.

~ Em sintonia, com o sentimento dos moradores de Massamá, nas Forças de Segurança (PSP e GNR) foi criado o “Movimento Zero”, no qual é zero o número de participantes que, no seu serviço, tenham tido qualquer acto menos correcto. Este pormenor dá-lhes direito a reclamar dos seus superiores adequadas condições de trabalho e correcta apreciação das suas actividades, como é o caso do uso de indispensável violência no tratamento de infractores, independentemente de etnia ou cor.

Assim se compreende que em 12 de Julho, na Praça do Império, em Lisboa, durante a comemoração dos 152 anos de PSP, agentes do Movimento Zero da PSP e militares da GNR, vestidos com camisolas brancas, manifestaram-se silenciosamente, voltando-se de costas quando o director nacional da PSP, Luís Farinha, começou a falar na cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, António Costa, mantendo-se nessa posição até ao final do discurso. E, quando o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, começou a discursar, os polícias saíram em silêncio e de forma ordeira, levantando os braços e fazendo o gesto do zero com os dedos. ■

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quinta-feira, 25 de julho de 2019

TEMPESTADES DE GRANIZO

Tempestades de granizo
DIABO nº 2221 de 26-07-2019. Pág 16, Por António João Soares

Existe, actualmente, a obsessão de citar as alterações climáticas quando se deseja apenas referir os cuidados com a eliminação da poluição do ar, dos mares, dos rios e da área terrestre. Tive oportunidade de procurar contribuir para esclarecer o assunto no texto ‘Alteração climática é fenómeno natural’, publicado em O DIABO nº 2218, de 05-07-2019, pág 16. Depois disso, veio a notícia da saraivada ocorrida em Mogadouro do distrito de Bragança, em 13 de Julho corrente, provocando danos avultados principalmente na agricultura em vinhas, olivais e soutos, numa área alargada em vários pontos do concelho; e houve quem se referisse ao caso como se se tratasse de efeito de alteração climática.

Recordei-me de uma saraivada num mês de Maio da década de 1940 ocorrida na área circundante da minha aldeia, causando elevados estragos na agricultura, casas e pessoas, ao longo de uma larga faixa. Tive sorte, porque ocorreu poucos minutos depois de ter percorrido 7km a pé desde o Liceu. Esta vivência fez-me valorizar a notícia e soube que em 1 de Julho em Guadalajara, México, caiu uma saraivada que deixou uma camada de 2 m de gelo. No dia 11 caiu na praia de Tortoreto, Itália, granizo de grandes dimensões que provocou 18 feridos. Também nesse dia, o norte da Grécia foi atingido por forte tempestade de granizo que causou a morte de seis pessoas, incluindo duas crianças, e fazendo centenas de feridos.

Isto levou-me a procurar explicação para o fenómeno e fiquei sabendo que se trata de fenómenos naturais, que ocorrem em circunstâncias meteorológicas muito especiais, e que são objecto de estudo desde há séculos, principalmente depois de o seu poder destruidor ter intrigado o pensador grego Aristóteles que, no ano 340 AC, escreveu sobre eles na obra Meteorologia. A explicação actual traduz a convicção de que as tempestades de granizo, sobretudo as violentas e com pedras de grande tamanho, são fenómenos raros, que acontecem em circunstâncias meteorológicas excepcionais. Para se formarem estas nuvens especiais de granizo, é preciso que o ar esteja muito quente e húmido. Elas surgem entre 15 e 25 km de altitude, onde a temperatura não atinge os 80ºC. E que ventos fortes de direcção vertical entre 50 e 100 km/h que sopram para cima onde a temperatura é baixa e transforma a sua humidade em gelo, que, por ter maior densidade cai verticalmente, normalmente como chuva e, em condições especiais, como granizo.

Mas quando o ar está excessivamente quente e húmido, como aconteceu nos dias destas tempestades, grandes massas de ar cheias de vapor de água elevam-se na atmosfera puxadas por ventos tipo furacão, verticais, para grandes altitudes, chegando mesmo aos 25 Km. Logo a partir dos 5 Km (linha isotérmica), a temperatura fica abaixo de zero. E é a partir daí que o vapor passa a água e depois a gelo e, por ficar com mais densidade, consegue vencer o ar quente que o sopra para cima, e as pedras caem a grande velocidade e de forma destruidora. Os sucessivos movimentos de ventos muito velozes, quer na subida quer na descida, provocam o congelamento e descongelamento da água e a aglomeração de blocos de gelo que podem assumir volumes imprevisíveis. Um dos piores exemplos recentes de que há registo aconteceu em 1986, no Bangladesh, quando uma saraivada de pedras de gelo de cerca de um quilo fez 92 mortos.

Devido a esta sucessão do sentido do vento, das altitudes e das consequentes temperaturas, as tempestades de granizo nunca aconteceram nas regiões polares. E são mais frequentes no interior dos continentes, dentro de latitudes médias da Terra, nas regiões mais quentes e não muito distantes da zona inter-tropical. Será que os cientistas encontrarão na frequência do granizo, nos recentes abalos sísmicos e no aquecimento da água do mar, indícios de próxima alteração climática? ■

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sexta-feira, 19 de julho de 2019

UMA INSTITUIÇÃO NÃO FUNCIONA POR LOTARIA

Uma instituição não funciona por lotaria
(Publ em O Diabo nº2220, de 19 de Julho de 2019, pá 16)

Há pouco menos de três anos, publiquei aqui o texto “Preparar a Decisão”, que depois foi transcrito para https://domirante.blogspot.com/2016/09/ preparar-decisao.html, onde pode ser consultado. O assunto insere-se nos cuidados a ter na gestão de instituições com maior ou menor dimensão e grau de responsabilidade e até nos assuntos pessoais diários. As decisões de maior ou menor importância não podem ser tomadas de ânimo leve, por capricho, palpite, suposição ou esperança de que tudo venha a correr da melhor maneira, por graça divina.

É basilar que, em qualquer instituição, haja organização, com o respectivo quadro orgânico, com estrutura clara lógica e bem definida com vista ao objectivo principal e aos seus objectivos intermédios, convergentes para a finalidade pretendida e os resultados mais desejados. Deve haver regras bem definidas e cada pirâmide além das tarefas a concretizar, deve ter responsabilidades para os chefes de cada grau até ao mais baixo dos colaboradores. Organização e liderança são duas forças que não podem deixar de estar sempre presentes.

A liderança deve acompanhar a actividade de forma regular para esclarecer pormenores, reforçar o espírito de equipa, controlar e, em caso de necessidade urgente, determinar ajustamentos indispensáveis às regras estabelecidas por forma a adaptar a acção a eventuais mudanças de circunstâncias a fim de serem obtidos os melhores resultados. Destas mudanças deve se dado conhecimento ao grau hierárquico imediatamente superior.

Se houvesse este espírito de liderança e de organização, provavelmente não estaríamos constantemente a ouvir que há ex-governantes e autarcas suspeitos de corrupção, abusos do dinheiro público, etc. empréstimos bancários sem segurança de garantia de reembolso, desvios de dinheiro oferecido para apoio de vítimas de incêndios etc. Certamente, nestes casos, houve participação de instituições em que não estava bem definida a organização e a liderança, com espírito de responsabilidade.

No dia 10 do corrente, houve manifestação em Lisboa contra a revisão da legislação laboral, o que faz pensar que esta não foi elaborada com a preocupação de ser adequada às características nacionais e com vista a tornar a administração, nos diferentes sectores, mais eficaz para a produtividade, a exportação e o crescimento da economia nacional, e obter a máxima harmonia social e laboral. Ao tomar-se a decisão de publicar legislação, devem ser respeitados os procedimentos mais conceituados para a tomada de decisões, analisando com bom senso as diversas hipóteses de modalidade de solução para o assunto em causa e acabando por escolher a mais aconselhável, do ponto de vista da eficácia, sem querer impor-lhe um cariz vincadamente partidário. As revisões frequentes de uma tal decisão podem acarretar desobediências às leis, por pura ignorância ou distracção e, consequentemente, uma disfunção social que pode ser grave. A tendência para inserir nas leis cariz partidário sem justificação especial pode originar revisões mais ou menos profundas, e até acintosas, em caso de mudança de governo.

As decisões devem ser bem ponderadas, mesmo na vida privada. Por exemplo as despesas devem limitar-se ao dinheiro disponível e não deve exagerar-se em jogos de azar que, só excepcionalmente, dão bom resultado. E recentemente a Santa Casa da Misericórdia disse que os portugueses, em 2018, jogaram 3,093 milhões de euros, a maioria em “raspadinha”. Paralelamente, o relatório do Serviço de Regulação e Inspecção de Jogos referente aos primeiros três meses do ano disse que os portugueses apostaram online 740 milhões de euros em três meses. Estas duas notícias mostram bem os disparates que se fazem e, provavelmente não são os mais ricos, mas sim remediados ambiciosos que, de tal forma, acabam por agravar a injustiça social de que se queixam. ■

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sexta-feira, 12 de julho de 2019

ARMADILHAS DO POLITICAMENTE CORRECTO

Armadilhas do “politicamente correcto”
DIABO nº 2219 de 12-07-2019, pág 16

O ensino das crianças tem início logo que o bébé nasce e começa a observar à sua volta e a pensar naquilo que vê, suas causas, efeitos e circunstâncias em que ocorre. Aquilo que vê fazer gera vontade de imitar ou de rejeitar. E as interferências da mãe, de outras pessoas de família ou de ama ou educadora complementam a aprendizagem e constituem, com sensibilidade adequada, prémio ou castigo de actos correctos ou errados. E, desta forma, os contactos com os mais crescidos, nas mais variadas circunstâncias, são fontes de aprendizagem.

A propósito, num dos almoços semanais, com amigos, recordei as aulas de um professor, pai de um deles, no ano lectivo de 1946-47, no Liceu Nacional Alves Martins (que, no ano seguinte foi substituído pelo novo Liceu Nacional de Viseu), ao lado de uma calçada muito inclinada em que, do lado oposto à janela da nossa turma, havia um ferrador que tratava do calçado (ferraduras) de cavalos dos clientes e que passava grande parte do tempo a martelar ‘pic-pic’ a ferradura, junto à forja, para a ajustar à forma e dimensão do casco. Um dia, a meio de uma aula, perante dois ou três alunos distraídos e a conversar, o professor chamou-lhes a atenção de forma didáctica e socialmente educativa, dizendo “está o ferrador a trabalhar continuamente ‘pic-pic’ e os meninos sem prestarem atenção ao colega que está no quadro a tentar resolver o problema”.

Aprendi que a observação da realidade que nos circunda e o pensamento acerca dela constituem um factor de aprendizagem e de cultura. E as palavras tinham lógica, foram coerentes com o momento e ditas de forma correcta e didáctica. A lição estava adequada à disciplina escolar e à formação de meninos que estavam a iniciar a vida e englobava a noção da prioridade merecida pelo assunto da lição e foi útil por mostrar que, na vida, devemos estar atentos a tudo o que se passa à nossa volta para sermos cidadãos responsáveis agindo de forma moralmente correcta. Passados mais de setenta anos ainda recordo positivamente esta lição simples mas eficaz.

E este pensamento não foi rememorado por acaso, mas porque, na conversa, foi referida a alusão do nosso PR, a um caso actual, em que reagiu por impulso e sem a devida análise e meditação ponderada, fazendo pressão limitativa sobre juízes italianos no julgamento de um jovem português que, talvez pouco esclarecido, esteve comprometido em acções de tráfego de pessoas, ao serviço de organização ligada à transferência de migrantes para a Europa, provavelmente às ordens de milionários internacionais que, com isso, pretenderiam desequilibrar a vida dos países europeus para fins de estratégia internacional não confessada.

Com o pretexto de que o português estivesse movido por fins humanitários de salvamento de pessoas em perigo de afogamento, o PR, sem procurar melhor informação, deixou-se arrastar para um acto que classificou de heroísmo, como “politicamente correcto”. Mas a realidade, baseada em testemunhos apoiados em várias fotos, mostra que, na maior parte dos casos, não chegou a haver perigo de vidas, mas apenas mudança de meio naval de pequenas embarcações pneumáticas, cujo combustível dava até ali, para embarcações de maior capacidade, onde estava o nosso “herói”, que ali estavam preparadas para esta transferência e levar os falsos “náufragos” a porto italiano.

Todos esses barcos estão controlados pelas ONG ao serviço de capitalista internacional que as financia e paga. Na origem, os traficantes de pessoas também recebem destas o pagamento da viagem. Este é um caso que exige boa investigação e não deve ser condenada à priori a posição do Governo Italiano nem o tribunal que age perante migração ilegal. Do outro lado estão ocultos interesses políticos e financeiros contra os direitos de pessoas que vêem ameaçada, por ingerência de estranhos, a sua cultura tradicional, a sua história, a sua religião, os seus hábitos, etc. ■

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quinta-feira, 4 de julho de 2019

ALTERAÇÃO CLIMÁTICA É FENÓMENO NATURAL

Alteração climática é fenómeno natural
DIABO nº 2218 de 05-07-2019, pág 16. Por António João Soares

A preservação e defesa do ambiente através de medidas de higiene, na qualidade do ar, do mar, das cidades e dos campos, é uma atitude altamente conveniente para vivermos com mais comodidade e saúde. Por exemplo, a quantidade brutal de micro-partículas de plástico no mar que, através dos peixes, acaba por lesar a nossa saúde é uma realidade que está a consciencializar os países da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), que assinaram um compromisso, sem precedentes, para lutarem, em conjunto, contra a poluição dos oceanos. Será bom que a Humanidade os ajude neste objectivo e que lhes dê indispensáveis informações científicas e técnicas que lhes facilitem a definição de acções eficazes para concretizar o seu intento benéfico para o Planeta.

E será oportuno e relevante que, por todo o lado, haja repetição e concretização destas boas intenções quanto à luta contra a degradação do ambiente, em qualquer dos seus aspectos e locais do planeta, pois não basta falar do perigo dos plásticos que infectam os mares, é preciso evitá-los, sem demora e de forma definitiva, assim como aos outros perigos para o ambiente.

Mas não devemos continuar na ilusão, como está a verificar-se em muitos políticos, de acreditar que, com isso, estamos a “lutar contra as alterações climáticas”. Estas são devidas a pequenas alterações cósmicas que sempre ocorreram e continuarão a ocorrer e são independentes da qualidade da atmosfera terrestre e da água do mar. Há conhecimento de mudanças de clima desde a mais longínqua antiguidade e, nessa altura, não se queimava petróleo nem carvão e não havia meios de transporte nem instalações industriais a poluírem os ares, com óxido de carbono e outros gases.

Os milhares de corpos astrais estão em perpétuo movimento e vão sofrendo alterações nas suas rotas, com pequenos choques e alterações do poder de atracção das massas. Esses choques astrais são traduzidos pelas chuvas de meteoritos várias vezes avistados pelos observatórios; e alguns têm caído no nosso solo. Tem sido alertado, por cientistas astrónomos, o caso de o eixo da Terra estar a inclinar-se e já havendo quem preveja que, dentro de alguns séculos, ele ficará perpendicular aos raios solares e o efeito daí resultante será que cada local do Planeta terá um clima imutável ao longo do ano, com efeitos imprevisíveis na vida de todos os seres animais e vegetais, isto é, a vida terrestre passará a ser muito diferente da de hoje. Por outro lado, há previsões de que a radiação do Sol está a sofrer alterações, o que significa que a temperatura da Terra será progressivamente diferente da actual.

Após a explosão cambriana, há cerca de 535 milhões de anos, ocorreram cinco extinções em massa. Há 65 milhões de anos, o impacto de um asteróide desencadeou a extinção dos dinossauros, não voadores, e de outros grandes répteis, mas poupou alguns animais pequenos como os mamíferos, que se assemelhavam a musaranhos. Ao longo dos últimos 65 milhões de anos a vida mamífera diversificou-se, e há vários milhões de anos um animal semelhante a um humano adquiriu a capacidade de manter o corpo erecto.

Estes fenómenos cósmicos provocarão alterações climáticas que não podem ser evitadas pelo ser humano, e não pode haver ilusões quanto ao êxito de intenções de luta contra elas. O homem nada pode contra estas forças da Natureza. O que pode ser positivo é uma boa defesa da qualidade do ambiente e uma eficaz preparação para oportuna adaptação às novas condições climáticas, quanto a qualidade das habitações, ao afastamento de urbanizações do perigo da subida do nível do mar, etc. Isto exige esforço de previsão das alterações e, aos primeiros sinais, a tomada de medidas para lhes sobrevivermos o melhor possível.

É impressionante que os políticos, nossos e de outros países, e outras pessoas ousem falar em público sobre fenómenos da Natureza de que não procuraram obter previamente algum conhecimento científico, mesmo que apenas rudimentar. ■

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quinta-feira, 27 de junho de 2019

PRIVACIDADE PODE SERVIR SUSPEITOS DE CRIMES

Privacidade pode servir suspeitos de crimes
DIABO nº 2217 de 190628, pág 16

Quando se defende que os deputados, ao serviço do povo que os elege, devem usar de transparência como prova e prestação de contas aos seus mandantes, aparecem agora em notícia como alvos de processo crime movido por José Berardo se publicarem as suas declarações quando foi ouvido na Assembleia da República por uma comissão de representantes dos portugueses, por isso lesar o seu direito a privacidade.

Tal não é original, pois já houve ilustres advogados que, quanto ao crime de corrupção, afirmaram que este não dará origem a penalização porque se trata de um negócio entre duas pessoas, sem testemunhas que o comprovem. Mesmo um dos dois intervenientes não tem interesse em o denunciar, porque ambos cometem o crime, ou activa ou passivamente. Por outro lado, diz o causídico que não é crime receber dinheiro de um amigo e viver à custa da amizade dele. Devido à complexidade do problema e à dificuldade de o tribunal dispor de provas irrecusáveis, a defesa, usando de habilidade de argumentação, pode impossibilitar a condenação. E desta forma se conhecem inúmeros casos de suspeitas referentes a famosos da “elite” nacional, com possibilidade de pagar aos mais famosos advogados e com a vantagem de os ocupantes do poder não estarem muito interessados em ver os seus amigos, com quem trocam amabilidades ou favores, incriminados por terem lesado o dinheiro público. Parece uma realidade como as que deram origem ao ditado “quem tem telhados de vidro…”.

Porém, mesmo assim, estão a cumprir pena Armando Vara e Duarte Lima e, como suspeitos em processo, José Pinto de Sousa, José Berardo, entre muitos outros. Um sinal de dignidade e sentido de responsabilidade parte da Polícia Judiciária, que se dignifica resistindo a “supostas” pressões quando, como foi noticiado recentemente, deteve, no âmbito de operação com título “Teia”, o presidente do Instituto Português de Oncologia do Porto, um autarca de Santo Tirso e outro de Barcelos, e uma empresária, por corrupção, tráfico de influência e participação económica em negócio.

A voz do povo tem tendência para o alarmismo e o exagero, pelo que pode não haver tanto malandro a abusar do dinheiro público, no exercício da sua função. Mas isso torna mais indispensável a função da justiça de forma minuciosa e sistemática para detectar os prevaricadores e salvaguardar aqueles que estavam injustamente na boca do povo, se bem que, como diz o ditado, “não há fumo sem fogo”. Mas é mais saudável que a Justiça funcione célere e de forma correcta, do que ser praticada por multidão “maldizente”. E nos dias actuais, com a tecnologia digital muito generalizada, não é exagerado pedir aos milionários a proveniência do seu capital, principalmente quando ostentam elevado poder de compra e dizem que não devem nada a ninguém e nada têm a pagar porque nada têm de seu!

A Polícia Judiciária deve ser respeitada e estimulada para exercer a sua função com dedicação ao interesse nacional, colectivo, independente de pressões de interesses ilegítimos. Para isso, os seus relatórios não devem ser metidos na gaveta e esquecidos, mas sim averiguados e submetidos a julgamento dentro de prazo aceitável. O castigo para ser compreendido e ter efeito dissuasor, deve demorar pouco depois do acto ilícito que lhe deu origem.

Em tudo isto, a privacidade deve ser um direito privado respeitado de forma inteligente sem prejuízo para outros e, principalmente, para o direito público, caso contrário pode ser uma blindagem que protege criminosos que lesam os interesses de outros e do próprio Estado. ■

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sexta-feira, 21 de junho de 2019

A VIDA É UM CAMPEONATO

A vida é como um campeonato
(Publicado em O DIABO nº 2216 de 21-06-2019, pág 16)

Agora que muita gente não fala senão de futebol, escolhi este título para o texto que esboço após mais uma leitura do livro de Hermann Hesse, “Siddhartha”, cuja personagem diz ter escolhido, como resumo dos seus interesses culturais e de vida, “saber pensar, saber esperar e saber jejuar”.

Na vida, como no futebol, vivemos a esperança de êxito, cada um segundo o seu conceito, mas, a cada momento, podem surgir percalços que podem constar de pequenas falhas ou acidentes maiores, e precisamos de esperar alcançar o melhor resultado, pensando e praticando as acções mais adequadas para regularizar as situações em função do objectivo desejado. Este não é garantido nem imutável e temos que pensar sem nos deixarmos iludir por escritos ou palavras, principalmente quando são intencionalmente apresentadas de forma aliciante, como promessas de dias melhores, de futuro risonho, de acerto no euromilhões. Promessas leva-as o vento e, em vez de palavras, mesmo muito bonitas, devemos preferir esperar pelos resultados de acções concretas.

O nosso diálogo permanente com a nossa consciência, com base na experiência já vivida, permite-nos pensar na melhor interpretação elaborada sobre as realidades que vêm ao nosso conhecimento e que devemos vivenciar de forma aberta para melhor as interpretarmos e inserirmos no nosso “guia prático”. Desta forma, nunca nos afastamos da parte positiva do jovem que fomos e nunca nos deixaremos envelhecer por um fracasso ocorrido. Qualquer derrota, como tudo na realidade, não é definitiva e os nossos valores mais significativos imporão ao espírito a esperança e a vontade de recuperar energias e as linhas estratégicas mais desejáveis e adequadas.

O símbolo mais citado no referido livro é o rio de água corrente e cristalina que procura o seu caminho, contornando obstáculos, sem parar a lamentar-se de derrota ou de dificuldade e não desiste de procurar alterar a via e persistir no objectivo de seguir sempre para a menor altitude, torneando o obstáculo, as pedras que surgem no percurso ou, no caso de barragem, para esperar, obter mais força para lhe passar por cima. O “cantar” da água do rio constitui um exemplo para o ser humano se sentir feliz quando consegue avançar na realização dos seus desejos positivos e contemplar os bons resultados da sua acção.

Apesar da variedade das margens, o rio e a sua água corrente mantêm persistência em relação à sua missão desde a nascente à foz, sempre com as mesmas características funcionais. As pessoas bem formadas e preparadas não param agarradas ao passado nem ficam obcecadas pelo futuro sonhado, que ainda não veio e é uma incógnita por desconhecermos todos os pormenores que o definirão. É ausência de respeito pelos direitos dos outros convencê-los de um futuro incerto mas explicado com demasiado pormenor como se fosse uma realidade confirmada, levando-os a investir energias sem garantia de rendibilidade.

O tempo não existe, pouco conta. O presente, o agora, deve ser aproveitado da forma mais racional, no apreço pela Natureza, pelos outros, com afeição e gratidão, para melhorarmos a colectividade na sua beleza e grandeza. Perder muito tempo a pensar no passado não dá felicidade: quando recordamos tempos difíceis recordamos as dificuldades de então e revivemos sofrimentos que já passaram; quando recordamos tempos que foram maravilhosos, sofremos porque as realidades actuais não são tão prazerosas. É preferível considerar que o tempo não existe e que se deve viver o presente da forma mais agradável com esperança em bons resultados e alterando pormenores que garantam melhoria e desenvolvimento. ■

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quinta-feira, 13 de junho de 2019

NOMEAÇÕES POR SIMPATIA

Nomeações por simpatia
DIABO nº 2215 de 14-06-2019, pág 16, por António João Soares

Errar é humano e ninguém está isento de erros e de imperfeições. Porém, as consequências dos erros podem ser insignificantes ou podem ser tragicamente lesivas de interesses de Estados ou até da Humanidade.

Parece ser uso corrente nas partidocracias o critério de avaliação dos valores das pessoas assentar prioritariamente na estima, amizade e anteriores trocas de favores e, assim, serem muitas vezes nomeadas para dirigir instituições públicas pessoas sem a capacidade suficiente para as fazerem funcionar satisfatoriamente e sem terem a desejada competência para as aperfeiçoarem e fazerem evoluir as suas finalidades para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos delas beneficiários e, assim, fazerem desenvolver o País nos seus sectores fundamentais.

A formação ética e cívica dos cidadãos hoje acima da meia idade foi obtida nas famílias, nas escolas com a ajuda da Mocidade Portuguesa e no Serviço Militar em que se aprendia, além de servir a Pátria, por todas as formas práticas, o respeito pelos outros e o sistema de colaboração em que se baseava o trabalho em equipa, qualidades que faziam parte de um conjunto que era útil e imprescindível na generalidade das profissões e nos contactos sociais. Hoje, tudo isso foi posto de lado e vê-se a violência no desporto e em casa e, por outro lado, o alheamento em relação aos utilizadores de transportes públicos e das ruas, por pessoas cegamente entregues a tecnologias internáuticas, com jogos e passatempos que nada contribuem para a evolução do saber e da cultura que contribuam para melhorar o futuro da sociedade. Chega ao ponto de interrogatórios a estudante do secundário mostrarem que é grande a percentagem dos que não sabem qual a capital do seu país.

E é desta população, em que alguns conseguiram ler umas páginas e saber papagueá-las, conseguindo assim ter diplomas universitários, mas desconhecem as realidades do País e os porquês dos acontecimentos, por não terem aprendido a observar e a raciocinar, que são formadas as juventudes partidárias aproveitadas como alfobres de deputados, governantes e altos quadros de instituições públicas. As nomeações para cargos públicos não se baseiam em avaliações das qualidades de saber e de experiência específicas para o cargo a desempenhar, mas por simpatia, compadrio, troca de favores, indiferentemente do cargo a ocupar.

E daí resulta que tenha havido as tragédias dos incêndios, derrocadas de estradas, de pontes, desaparecimento de quantidades de obras de arte património nacional, etc, etc. Daí que haja tanta greve e não tenham sido tomadas decisões ajustadas à melhoria e normalização do funcionamento dos respectivos serviços públicos. Porque não funcionam bem as diversas instituições da saúde? E, se não funcionam bem, porque não foram reparadas de imediato após ter sido referida a deficiência? A resposta é lógica: porque os responsáveis pelos diversos graus do problema não são pessoas com saber e experiência para o seu desempenho, desde o mais baixo grau até ao ministério.

Mas os ministérios estão pejados de gente que consta das folhas de pagamento e recebem regularmente o vencimento, os subsídios e todas as frivolidades a que podem ter acesso. Fica muito caro aos contribuintes este superpovoamento da máquina do Estado, porque a simplicidade seria mais económica e mais eficiente, sem o peso paralisante da burocracia. É uma forma doentia de combater o desemprego de gente inútil sem capacidade para fazer algo de válido, nem sequer guardar os ornamentos das paredes, como se viu com os quadros desaparecidos.

Que dizer da nomeação dos últimos ministros da Defesa, pessoas que não cumpriram o serviço militar? Este nem sequer parece ter frequentado o CDN (Curso de Defesa Nacional) no IDN. Depois de não gostar do desequilíbrio entre machos e fêmeas nos alunos da Academia Militar, põe em questão a viabilidade do subsistema de Assistência na Doença dos Militares (ADM). Que ideia faz da vida militar em combate? Nomeações por amizade, simpatia ou compadrio dão estes resultados. ■

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quinta-feira, 6 de junho de 2019

UM PASSO PARA UM PORTUGAL MELHOR

Um passo para um Portugal melhor
DIABO nº 2211 de 17-05-2019, pág 16 por António João Soares

Em ano de eleições, num povo em que todos os que não pertencemos à elite de corruptos e tachistas somos considerados parvos e insignificantes, devemos fazer um esforço hercúleo a fim de votarmos com o desejo de darmos um passo para construir um Portugal melhor. Em vez de perdermos tempo a lastimar os descontentamentos generalizados que foram tornados evidentes com inúmeras greves de diversos sectores, desde os estivadores do Porto de Setúbal a altos funcionários públicos da Justiça, passando por enfermeiros, professores e muitos outros, devemos orientar os nossos esforços para a construção de um País sem dívida e com índices económicos comparáveis à média europeia.

Não há condições para colocarmos à frente dos destinos nacionais alguém com a capacidade da Presidente da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovic, que vendeu o avião presidencial, vendeu os 35 Mercedes Benz que estavam atribuídos aos ministros e outros funcionários e devolveu o dinheiro aos cofres do Estado, baixou o seu salário e o dos ministros ao meio, baixou as despesas e o salário dos embaixadores e cônsules a 60 %, aumentou o salário mínimo para o sector privado, eliminou a aposentadoria para senadores e congressistas, etc.

Mas seria bom reduzirmos a quantidade de deputados para uma percentagem da população semelhante à média dos parceiros europeus, baixar os gastos do Parlamento para valores iguais aos de outros países, o mesmo para as despesas da Presidência, que são mais elevadas do que as do Rei de Espanha, que tem maior superfície e mais população. Reduzir o pessoal dos gabinetes do Governo, de Instituições Públicas e de Autarquias que não geram melhores resultados e apenas aumentam as despesas que pesam nos bolsos dos contribuintes. Simplificar as burocracias ao mínimo possível aliviando as demoras exageradas de coisas simples. Eliminar observatórios, fundações, institutos e instituições e outras “modernices” recém-criadas para dar tacho a elementos da família socialista e seus amigos, desde que não produzam benefício para o País superior aos seus custos.

Um exemplo de ostentação imprópria de um País pequeno e endividado é a atribuição de carro de luxo a cada juiz do Tribunal Constitucional cujas funções não obrigam a deslocações pelo País e, como qualquer cidadão normal, apenas se têm de deslocar entre a casa e o local de trabalho. E, como este, há mais exemplos de ostentação sem justificação lógica.

Alguns obcecados da área da Geringonça costumam fazer referências à época do regime anterior, em termos exagerados impossíveis de reflexão séria. Para tais comparações, será bom que uma pequena equipa de gente séria elabore uma relação das obras públicas e benfeitorias em benefício da população realizadas nos 45 anos após o 25 de Abril e outra relação de obras e benfeitorias realizadas nos 45 anos anteriores. É que “palavras leva-as o vento” e só servem para enganar quem as ouve, se não forem concretizadas por factos concretos indiscutíveis. Por exemplo: a construção de palácios de Justiça e tribunais, de Liceus, de escolas primárias em centenas de aldeias, de instalações para Forças de Segurança, bombeiros, GNR, PSP, Forças Armadas, penso que não têm nada comparável construído depois, apesar de nesse período ter havido as dificuldades da II Guerra Mundial e da Guerra nas Províncias ultramarinas.

Também, para modernizar o País e elevar a sua posição perante os outros parceiros comunitários, é indispensável melhorar o nível ético geral e a competência e seriedade dos agentes do poder, tornando a Justiça mais rápida e aplicada a todos sem excepção, por forma a condenar os crimes de corrupção, de desvios de dinheiro, dos depósitos em paraísos fiscais, de erros de administração que causem prejuízos graves, etc. ■

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O «MOTOR» DA HUMANIDADE

O “motor” da humanidade?
DIABO nº 2214 de 07-06-2019, pág 16. Por António João Soares

Embora, muito ocasionalmente, ainda se fale em valores éticos e sociais, a Humanidade degradou-se e parece movida apenas pelo dinheiro, traduzindo a sua actividade na ambição, na competição, na vil ganância, na aparência de prosperidade, no luxo. Em geral, o ser humano, em vez de se preocupar com o “ser” prende-se com o “ter”; em vez de dar prioridade à competência e à capacidade de realizar trabalho perfeito, excelente, limita-se a aparentar valor, com palavras sonantes e promessas balofas, muitas vezes imitando palhaços de circo. Até já desapareceu o desporto “por desporto”, tendo-se transformado em somas impressionantes de dinheiro, pago aos jogadores de futebol e pago aos clubes pelas vitórias nas altas competições.

Nas relações internacionais, o interesse económico é a mola real das posições assumidas pelas maiores potências, em que as vendas de armamento e de outro material militar estão em primeiro lugar. Para isso, fomentam-se guerras para consumir o armamento produzido pela sua indústria. Poucos grandes países se preocupam em evitar tais gastos desumanos e ajudar os mais pequenos, com problemas nacionais ou internacionais, a encontrar solução pacífica através do diálogo e da negociação, evitando mortes e destruições com a solução violenta.

Neste aspecto, ressalta o exemplo brilhante da Noruega, que recebe em Oslo representantes do governo de Nicolas Maduro e da oposição venezuelana, liderando o processo de mediação para encontrar uma solução negociada para a crise na Venezuela. Como referiu a chefe da diplomacia norueguesa, a Noruega “saúda as partes pelos esforços e valoriza a disposição” de procurarem uma saída para a crise que tanto tem lesado a população e a economia do país. Este país europeu, anfitrião do Nobel da Paz, tem uma longa tradição de mediação, tendo acolhido, por exemplo, a negociação dos acordos de paz israelo- -palestinianos.

Também a Rússia defende a necessidade de todas as partes interessadas respeitarem a soberania da Venezuela, a não interferência nos seus assuntos internos e o repúdio pelo uso da força, quer entre as partes quer por interferência de poderes exteriores. Também o Irão, num contexto de guerras de palavras, sanções económicas e agravamento das tensões com os EUA, pretende que seja possível que o país realize um referendo sobre o programa nuclear, na sequência do anterior, para permitir o aproveitamento da tecnologia nuclear para produção de energia para fins pacíficos. Em paz, usando de bom relacionamento e diálogo será possível um bom entendimento, devidamente controlado, sem o perigo de desvios para fins violentos.

Mas os interesses económicos dificilmente se ausentam das relações internacionais. Por exemplo, foi noticiado que os EUA vão vender ao Japão 105 caças F-35 para apoiar os esforços do Japão na melhoria das suas capacidades de defesa, tendo-lhe, nos últimos meses, enviado uma grande quantidade de equipamentos militares. O Japão é o primeiro cliente internacional para este tipo de caças de quinta geração, tendo já, no final de 2011, comprado 42 caças F-35.

Mas de Angola chega uma notícia muito interessante do aproveitamento do lixo para dele se produzirem peças de escultura, roupa, pasta, fios, colares e muitas coisas. O jovem Manuel Francisco Fabiano Samuel, aos 18 anos, com o apelido artístico ‘Samuelarte’, está a conseguir um sustento mensal “relativamente desafogado” a partir do lixo, sobretudo ferro, que recicla. Está a aliciar uma quantidade de jovens que contribuem para a limpeza urbana e produzem utilidades muito apreciadas pelos compradores. Com movimentos como este, contribui-se para a ecologia, defesa do ambiente, e obtém-se recursos financeiros indispensáveis à vida. Oxalá seja um passo bem aproveitado para a recuperação dos valores da civilização. ■

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terça-feira, 4 de junho de 2019

UE EM VIAS DE AUTO-DESTRUIÇÃO

Opinião de um professor chinês de economia, sobre a Europa
(Recebido por e-mail)
(O Prof. Kuing Yamang, viveu em França)

1. A sociedade europeia está em vias de se auto-destruir.
O seu modelo social é muito exigente em meios financeiros.
Mas, ao mesmo tempo, os europeus não querem trabalhar.
Vivem, portanto, bem acima dos seus meios, porque é preciso pagar estes sonhos ...

2. Os industriais Europeus deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seus impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.

3. Portanto endividam-se, vivem a crédito.
Mas os seus filhos não poderão pagar 'a conta'.

4. Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo.
Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-la.

5. Mas, para além de se endividar, têm outro vício: os seus governos 'sangram' os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal.
É um verdadeiro 'inferno fiscal' para aqueles que criam riqueza.

6. Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando, mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.

7. Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação.
A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do... da China!

8. Dentro de uma ou duas gerações, 'nós' (chineses) iremos ultrapassá-los.
Eles tornar-se-ão os nossos pobres. Dar-lhes-emos sacos de arroz...

9. Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia, querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um desempregado...

10. (Os europeus) vão-se desintegrar directos a um muro e a alta velocidade...

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sexta-feira, 31 de maio de 2019

MORALIZAR A HUMANIDADE É IMPERIOSO

Moralizar a Humanidade é imperioso
DIABO nº 2213 de 31-05-2019, Por António João Soares, pág 16.

Deparamos repetidamente com actos de violência como, por exemplo, na Indonésia, onde, após saber que nas eleições o seu candidato perdera, uma quantidade de eleitores desencadeou desordens em que morreram seis pessoas e ficaram feridas 200. Infelizmente, acções violentas com resultados trágicos têm ocorrido por todo o mundo a pretexto de pequenos desgostos, como encontros desportivos, outras competições, etc. Estas ocorrências mostram que a Humanidade está enfurecida, por insatisfação descontrolada e por falta de respeito pelos outros. Há quem diga que não é de agora e que já na antiguidade havia violência. Parece uma posição demasiado conformista e submissa à tradição negativa do passado e desadaptada à evolução civilizacional que deve traduzir-se não apenas nas tecnologias mas, também, nos comportamentos das pessoas. O ser humano de hoje tem obrigação de ser mais sociologicamente perfeito do que o de há milhares de anos.

Mas, ao contrário da evolução que se considera lógica, a humanidade está num estado acelerado de degradação que justifica os piores receios de que, num futuro não muito distante, os egoísmos, prepotências e abuso da força a façam entrar em processo de extinção.

A quantidade de acidentes rodoviários e de aviação demonstram falta de cuidado e de respeito pelos passageiros, quer quanto ao estado de funcionamento das máquinas quer quanto aos cuidados na sua utilização. A utilização de telemóveis em andamento obriga as pessoas a desviarem-se para não serem abalroadas por utilizadores destas máquinas que anulam o seu poder de visão e de audição. Estes aparelhos, de pequena dimensão, são autênticas drogas que impedem contactos pessoais e fecham as pessoas em “redomas” que as isolam de tudo que as cerca. Quanto mais se desenvolvem as tecnologias, mais se deteriora a comunicabilidade entre as pessoas.

E, com os maus exemplos que vêm das elites que deviam ser modelos a imitar, a degradação está a sentir-se verticalmente em todas as idades, havendo, nas escolas, casos de desobediência a professores e mesmo de agressões a estes, quer por alunos quer pelos pais destes. Não é por acaso que hoje apenas se fala de direitos e ninguém considera que tem deveres, para consigo próprio, para familiares, para amigos e para todos os seres vivos, sejam humanos, animais ou vegetais.

Para fazer face a esta necessidade de evolução para um grau mais moral, ético e civilizacional, impõe-se que o sistema de educação seja reorganizado por forma a que as pessoas se desenvolvam, desde a infância, no culto do respeito pelos outros e no cumprimento de valores morais que evitem a violência e desenvolvam relações tendentes ao bom entendimento, diálogo, negociação, a fim se passar a viver em boa harmonia, tolerância e paz. Para benefício de todos.

Recordo-me de há muitas dezenas de anos, na minha aldeia, perante uns miúdos que tinham feito traquinice, um homem, talvez cinquentão, disse-lhes “estão a precisar de ir à tropa para aprenderem a ser homens”. Era o tempo do Serviço Militar Obrigatório e da Mocidade Portuguesa, em que se aprendia educação e espírito de equipa para trabalho de colaboração. Hoje não há nada disso e, em sentido oposto, a Comunicação Social apenas mostra exemplos de atitudes negativas e destrutivas de algo de bom que ainda possa haver nos comportamentos.

Se olharmos para imagens que nos chegam da vida de animais da selva, a que o Homem, arrogantemente, chama de irracionais, vemos neles mais sensibilidade, respeito pelos outros, espírito de equipa e de ajuda mútua e afectividade do que nos que se consideram racionais. ■

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sexta-feira, 24 de maio de 2019

DEMOCRACIA É EXPLORAÇÃO DA MAIORIA POR ALGUNS

Democracia não é exploração da maioria por alguns 
DIABO nº 2212 de 24-05-2019, pág 16. Por António João Soares

Vivemos enganados, submetidos a uma lei constitucional cozinhada em ambiente condicionado, numa Assembleia cercada e submetida à vontade de um poder amordaçante. Os anos passaram e as poucas e pequenas alterações ao papel inicial serviram para aumentar as mordomias e ostentações de poder de tiranos, por vezes, sem apoio claro e indiscutível da vontade dos eleitores, que têm beneficiado familiares, amigos, cúmplices e coniventes de forma não submetida à vontade popular por eleições ou por referendo.

 A quantidade de beneficiados, isto é de funcionários no Governo e Instituições dele dependentes tem subido nos últimos anos de cerca de um por cento anual e a admissão não tem sido feita com base na capacidade, competência ou dedicação à melhoria das condições de vida da população, pois o funcionamento dos serviços mais significativos não tem melhorado, antes pelo contrário, como demonstram as generalizadas greves que têm ocorrido. A Saúde, a Educação, Justiça têm sido alvos de tais descontentamentos. E estes não têm sido tão visíveis nas Forças Armadas e nas Forças de Segurança, porque a sua formação disciplinada e regulamentação as têm impedido de se manifestar, mas os sinais das suas dificuldades têm saído para fora dos seus muros.

E as carências que afectam os principais serviços públicos e a vida nacional não se devem a menos dinheiro sacado aos contribuintes, pois os impostos, adicionados de taxas e taxinhas têm aumentado, o que evidencia que ele tem sido mal gerido para fins que não devem ser priorizados, com pagamentos a mais ‘boys’ e ‘girls’ encabidados em gabinetes sem serem necessários e sem irem contribuir para melhorar a eficácia da governação. E, dessa forma, dizem reduzir o desemprego, mas parece não se ter conseguido um aumento da economia nacional nem do bem-estar dos portugueses e, pelo contrário, criou- -se motivo para o povo criticar o regime de “república familiar” com concentração de benefícios de vária ordem na elite com seus familiares, amigos, cúmplices e coniventes e com resultado de agravar a injustiça social, aumentando dívidas e despesas não produtivas, e prolongando o período em que não são visíveis melhorias do património nacional, agravando a comparação da evolução deste nos 45 anos mais recentes com a sua evolução em igual período anterior, apesar de então ter havido efeitos muito pesados da segunda guerra mundial e da guerra do Ultramar.

A falta de lógica e de racionalidade da gestão governativa, contra tudo o que é ética e democracia é manifesta no adiamento das aconselhadas reformas de estrutura e da regulamentação das actividades públicas, o que tem sido notório nas reflexões anteriores e nos gastos do dinheiro público (dos contribuintes) em apoio de empresas privadas, Novo Banco por exemplo, e para outras actividades não prioritárias e de forma pouco inteligente como a contagem de tempo serviço de professores, desprezando os funcionários públicos de outros sectores que se encontram em semelhante situação de injustiça.

A “Democracia” em Portugal apenas conheceu três referendos e nenhum tendo sido vinculativo, mas outros assuntos mereciam ser debatidos, de forma o mais independente possível, para que a população se sentisse interessada na gestão do seu dinheiro e dos interesses nacionais. E, quanto à gestão do dinheiro, muito deve ser feito a começar por serem publicitadas, em termos compreensíveis pelos cidadãos mais simples, como, por exemplo, o valor das parcelas da despesa pública, isto é, saber qual o destino do dinheiro que lhes foi sacado.

Em termos de valor do PIB, convém comparar a quantidade de deputados, de gente constante de folhas de pagamento de Presidência, de Governo, de Parlamento, de autarquias, bem como das verbas gastas com carros, viagens e outras coisas não essenciais. ■

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sexta-feira, 10 de maio de 2019

TV, ESCOLA DE CRIME

TV, escola de crime?
DIABO nº 2210 de 10-05-2019, pág. 16

Quando, em 5 de Agosto de 1962, morreu a actriz, modelo e cantora norte-americana Marilyn Monroe, com 36 anos, em consequência de overdose de barbitúricos, na sua casa, em Los Angeles, dado o seu grande prestígio de artista e ela ser ídolo de muita gente, principalmente jovens, surgiu o risco de haver muitas fãs a decidir pôr fim à vida para lhe seguirem o exemplo. Realmente, apesar das medidas recomendadas por psicólogos e sociólogos para que o assunto não fosse demasiado focado na Comunicação Social, segundo a autora Lois Banner, “a taxa de suicídio em Los Angeles dobrou após a confirmação de sua morte, bem como a circulação da maioria dos jornais naquele mês”.

O poder da comunicação social é terrivelmente assustador, influenciando, normalmente pelos aspectos mais nefastos, pessoas ainda não formadas ou com uma formação ténue e mal consolidada, que desejam imitar as pessoas mais focadas na TV e outros meios de comunicação social, no desejo de obterem uma notoriedade semelhante. Infelizmente, essa debilidade mental não é devidamente encarada pela TV no sentido de não dar alimento aos instintos dos mais débeis mentais que procuram imitar aqueles a quem, ocasionalmente, é dado mais tempo de antena.

Por isso, sem olhar ao valor ético dos telespectadores, nem aos possíveis efeitos sociais, e procurando apenas ter audiência, exploram acontecimentos de que apenas se devia dar uma rápida notícia sem pormenores nocivos. Passar muito tempo várias horas por dia, repetidamente, a mostrar um criminoso e a falar de pormenores da sua má acção, pode servir de estímulo para um tipo mal formado aprender pormenores a evitar para levar o crime ao fim que deseja e sem ser identificado pela autoridade. Não parece socialmente correcto idolatrar alguém que comete uma acção repelente.

Essa visão deturpada da função da Comunicação Social não pode ser alheia ao aumento da violência doméstica, da violência no futebol, do desmazelo e irresponsabilidade que está na origem da quantidade de mortos nas estradas, da pedofilia, etc. Quem aparece na TV funciona como chamariz, como modelo para pessoas sem formação moral, com índole parecida. Não foi por acaso que aumentou a taxa de suicídios após a morte de Marilyn, apresar de a Comunicação Social ter sido aconselhada a evitar referências muito visíveis.

No campo oposto, sabemos que os nossos cientistas têm tido reduzida publicidade entre nós, embora sejam um indicador do impacto na ciência no Mundo. No entanto, de ano para ano, cresce o número de portugueses constantes em artigos “altamente citados” internacionalmente. Parece que devia ser poupado tempo com os criminosos para ser dedicada mais atenção aos nossos cientistas que merecem ter fãs e seguidores. Por exemplo, Nuno Peres, físico da Universidade do Minho, foi em 2018 o cientista a trabalhar em Portugal mais citado no mundo por outros investigadores. Também José Teixeira, o segundo mais citado dos investigadores a trabalhar em Portugal, merece bom destaque e, a seguir, António Vicente e Miguel Cerqueira, ambos na área das ciências agrárias.

Mas há muitos outros nomes a quem a Comunicação Social devia dar mais atenção, como Isabel Ferreira, Lillian Barros, Letícia Estevinho, Luís Santos Pereira, Mário Figueiredo, José Bioucas-Dias, Miguel Araújo, Pedro Areias... e haverá muitos mais cujos nomes deixo ao cuidado dos nossos jornalistas que se interessem pelo que há de mais meritório em Portugal e que possa servir de incentivo a jovens que desejam êxito na vida.

Se as nossas TVs preferem continuar focadas no crime e dar tempo de antena a criminosos, então merecem aquilo que muita gente já diz: que a TV é uma escola de criminosos. ■

António João Soares
03-3-2019

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sexta-feira, 3 de maio de 2019

CUIDADO E PRECAUÇÃO, SEMPRE

Cuidado e precaução, sempre
(publicado no semanário O DIABO nº 2209 de 03-05-2019, pág 16?

São imensos os acidentes de várias espécies que têm vindo a público, com perdas de vidas, de bens materiais e de danos para o meio ambiente que podiam e deviam ser evitados com práticas sistemáticas de cuidado e precaução com a manutenção e a utilização de equipamentos. Pessoas menos conscienciosas dirão que os cuidados e as medidas de precaução de que é exemplo a manutenção de materiais, têm custos. Mas, em sentido contrário, não podemos tentar esquecer que as vidas perdidas os haveres estragados por acidentes evitáveis têm um preço muito mais elevado, por vezes incalculável e com efeitos demasiado dolorosos para as vítimas e suas famílias, além da emotividade desagradável da população em geral.

Há poucas dezenas de anos, em meios próximos da educação e da formação profissional era defendida e aconselhada a excelência dos resultados do trabalho, mas o aparecimento de uma onda juvenil de falsos filósofos, ainda imberbes nas artes profissionais e convencidos de que estavam dentro do conhecimento da digitalização, lançaram a ideia de que o que era necessário era chegar ao fim sem olhar para a qualidade do trabalho, afastaram o culto da excelência no trabalho e deixaram lugar vago para o desmazelo e o desleixo generalizado que está a minar o desenvolvimento das indústrias e dos países.

O incêndio que deflagrou na catedral de Notre Dame de Paris em 15-04-2019 e que a podia ter deixado irrecuperável, deve ter sido gerado por material tratado com menos cuidado, menor precaução ou inconveniente desleixo, desmazelo ou desprezo, por pessoas não totalmente conscientes do possível perigo.

A queda do autocarro cheio de turistas, na Madeira, em 17-04-2019, que se despistou e capotou pela encosta, matando 29 turistas e ferindo 28, segundo suspeitas, pode ter perdido os travões durante o percurso, pouco tempo depois de abandonar o hotel. E isso poderia não ter sucedido se a viatura tivesse sido cuidadosamente vistoriada antes da sua utilização, ou se o motorista a tivesse imobilizado logo que detectou que algo não estava a funcionar correctamente.

Em Agosto de 2010, o despiste de um autocarro dos Transportes Colectivos do Barreiro, em frente da estação do terminal rodo-fluvial, causou um morto e quatro feridos ligeiros. O acidente ocorreu quando o autocarro se despistou e embateu noutro autocarro da mesma empresa municipal de transportes públicos. Uma melhor concentração do motorista naquilo que estava a fazer teria evitado o morto e os feridos.

Em Outubro de 2010, quatro pessoas morreram num acidente de viação no Itinerário Principal 4 (IP4). Ao quilómetro 93, uma colisão entre um ligeiro e um mini-autocarro provocou quatro mortos, três alunos polacos e um residente de São Cibrão, e 10 feridos ligeiros, todos jovens do Abambres Sport Club. A que se terá devido a falta de concentração do motorista no trabalho que ia a realizar?

Em 10 de Março último caiu na Etiópia um avião, seis minutos depois de descolar, tendo morrido todos os 149 passageiros e 8 tripulantes. Provavelmente, antes da descolagem não teria sido devidamente inspeccionado. E, possivelmente, o piloto do voo anterior não deve ter informado sobre qualquer deficiência detectada.

Em 29 de Outubro passado, um Boeing caiu no Mar de Java, devido a uma causa desconhecida, o piloto entrou em contacto com a torre de controle e pediu para retornar ao aeroporto, porém a aeronave perdeu o sinal 13 minutos depois, o avião que transportava 189 passageiros entre eles uma criança e dois bebés, caiu ao mar, tendo morrido todos os seus ocupantes. Em 11-12-2018, fiz em O DIABO um apelo para se tomarem medidas preventivas a fim de “Reduzir os acidentes rodoviários”.

As vidas assim perdidas e os ferimentos podiam provavelmente ter sido evitados se tivesse havido o culto da excelência quer dos mecânicos quer dos motoristas e pilotos.

Vale mais prevenir do que remediar. ■

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quinta-feira, 25 de abril de 2019

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E DEFESA DO AMBIENTE

Alterações climáticas e defesa do ambiente
(Publicado no DIABO nº 2208 de 26-04-2019, pág 16)

Vi há dias uma imagem de crianças arregimentadas em quantidade por algum grupo de falsos filósofos, pretendendo talvez obter um ambiente mais limpo e saudável, e a exigirem ao Governo uma luta activa contra as alterações climáticas, como se estas dependessem da poluição ambiental ou da limpeza das ruas e do termo do uso do carvão e do petróleo nos meios de transporte e nas indústrias. Se estivessem atentos nas escolas e tivessem bons professores, sabiam que, muito antes da revolução industrial, houve climas muito diferentes dos actuais devido a evoluções naturais do planeta e do ambiente cósmico em que este se move. Para não nos prendermos com o caso da arca de Noé e da extinção de muitas espécies, quero referir um caso que me surpreendeu há menos de 30 anos. Quando me encontrava em Loures a criar o Serviço Municipal de Protecção Civil, fiz uma caminhada à serra entre Bucelas e a Via Longa e, já no cimo, vi conchas de ostras no chão; e quando começava a pensar que devia ter havido ali um piquenique com muita gente, tomei consciência de que a área com tais materiais era demasiado extensa, era toda a serra, sinal de que há muitos séculos aquele terreno esteve submerso.

Como a Natureza é viva e sempre a movimentar-se, tão lentamente que não nos apercebemos, só com muita atenção compreenderemos os fenómenos naturais, para os quais nada influiu a acção do ser humano. Por exemplo, ao olharmos para um mapa ou um globo terrestre, vemos que o oceano Atlântico se localiza numa fenda que cortou o continente africano e separou dele a América do Sul. A costa do Brasil tem um contorno que mostra bem ter-se deslocado da costa africana onde agora é o Golfo da Guiné. E já há sinais de que o mesmo Continente irá ter uma nova fenda no Vale do Rift na área onde se encontra o Lago Niassa e parte do vale do rio Nilo.

O sistema climático terrestre resulta de desequilíbrios energéticos, factores climáticos e, na história geológica do planeta, vários factores já induziram significativas mudanças de clima, como as várias transições entre Eras do Gelo e Interglaciares ocorridas no Quaternário. As suas causas só podem ter sido naturais, porque o homem primitivo não tinha capacidade nem ferramentas que o tornassem perigoso para o Planeta.

Actualmente, com a ciência mais evoluída do que noutras eras, já se fazem previsões ou se alinham receios de alterações climáticas devidas a causas exteriores ao globo terrestre, por exemplo de origens solares, que vão desde a variação da energia solar que chega à Terra e podem consistir na variação da própria órbita terrestre. E quanto a esta, já se fala que o eixo da Terra está a inclinar-se e há quem preveja que ele ficará perpendicular à trajectória dos raios solares; e, se isto se concretizar, deixará de haver as quatro estações do ano. Ficará apenas uma, sem alteração.

Todas estas possibilidades de alteração do clima serão naturais e não podem ser evitadas pela acção humana. Mas a manifestação das crianças, depois de bem orientada e explicada, nas escolas, é muito válida para tornar o ambiente mais saudável para termos uma vida mais agradável: a higiene corporal e do ambiente que nos cerca, os cuidados com a alimentação, a eliminação de materiais nocivos como o dióxido de carbono e muitos produtos químicos, produtores de fumos tóxicos e geradores de poeiras, o tratamento de águas residuais, etc, etc.. Trump, ao retirar o seu país do acordo de Paris, não foi tão inconsciente como dele foi dito: mostrou que estava bem informado sobre o facto de o clima não depender da acção humana. ■

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