terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

REGIONALISMO À FRENTE DO GLOBALISMO

Regionalismo à frente do Globalismo
(Publicado no semanário O Diabo em 20-02-2018)

A União Europeia, como qualquer iniciativa de regionalismo, poderá ser início de uma alternativa à fracassada intenção de um globalismo de todo o planeta. Para isso será necessário definir um conceito estratégico que supere as fracturas maiores mas não despreze a tarefa de conseguir um futuro desejável para os habitantes dos países membros e para as estruturas do poder em cada um destes.

É necessário definir a conjugação, ou mesmo centralização de poderes nas áreas da defesa, das finanças, da segurança, das relações externas, por forma a fortalecer-se perante eventuais ameaças internacionais. Mas, com base numa estratégia bem preparada e assumida, deverá resolver todos os conflitos pela via diplomática usando o diálogo e a negociação, evitando a violência catastrófica que ainda se pratica em várias partes do mundo, apenas com benefício dos fabricantes de armamento.

Com tal estratégia, esta iniciativa de regionalismo poderá ser seguida, com mais ou menos variantes, por povos vizinhos entre si, em todos os continentes, contribuindo para uma Humanidade mais harmoniosa e integrada em procedimentos éticos de conjugação de esforços para um futuro mais risonho.

Convém respeitar as tradições de cada Estado que não dificultem o crescimento do bom entendimento, a fim de as regiões poderem criar condições de harmonia e boa cooperação de forma à criação de um futuro auspicioso para toda a região e, em consequência, para toda a humanidade.
Esta perspectiva contraria as intenções do Club Bilderberg que pretende organizar o mundo numa ditadura única, mundial, utilizando as novas tecnologias de controlo de comportamentos, à nascença, para submeter a maior parte da população à total submissão de trabalho repetitivo e alguns poucos selecionados para tarefas de direcção e chefia.

O regionalismo, com uma boa estratégia, fomentará a inovação, a mudança e o desenvolvimento tecnológico, com incidência na economia e nos sistemas sociais. A mudança, à semelhança da Natureza, será uma constante, com vista à sustentabilidade, progressivamente, sem roturas nem sobressaltos. Para isso, as finanças evitam o défice, dando prioridade ao rigor e sensatez nas contas públicas e visando com persistência o crescimento da economia mas, sem deixar de dar atenção a problemas imediatos e conjunturais, dar prioridade à estabilidade e sustentabilidade. Em tudo isso, deve reforçar os incentivos à iniciativa privada, mentalizando os cidadãos de que a riqueza de um país é o resultado da cooperação de todos.

A mudança é permanente, como a das estações do ano, mas mais ou menos rápida, mais ou menos duradoura, mais ou menos justa e sempre adequada aos fins em vista, para criar a melhor qualidade de vida possível. Deve planear-se com os olhos num horizonte com alguns anos de distância, adequando o sistema financeiro, estimulando a inovação, o saber, a segurança, a defesa e exercendo uma pedagogia eficaz para estimular os mais jovens a prepararem o seu futuro.

É fundamental que todas as instituições e serviços públicos funcionem de molde a merecer a confiança dos cidadãos. Estes devem encontrar motivos bem fundamentados para confiar nas componentes da máquina do Estado. A transparência dos serviços públicos é indispensável, a verdade, a franqueza e a transparência devem ser constantes para inspirar o respeito dos cidadãos. A omissão de informações úteis e confiáveis gera a incredibilidade sobre o que os responsáveis dizem e prometem e impossibilita o crescimento desejável da economia. O segredo e Estado não deve baixar a assuntos de menor importância que não precisam de ser ocultados à população nem ser extensivo ao controlo da comunicação social, mas limitar-se a casos excepcionais que exijam segurança especial, perante graves riscos de perigo para os interesses nacionais ou regionais.

António João Soares
13 de Fevereiro de 2018

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sábado, 17 de fevereiro de 2018

DINHEIRO É DEMÓNIO COM MUITOS FANÁTICOS


Dinheiro é demónio com muitos fanáticos
(Publicado no DIABO em 13-02-2018)

Portugal, por tradição, era um país que, sem ter religião de Estado, tinha a maioria da população católica. Mas a sociedade modificou-se ou degradou-se  e, hoje, os locais de culto  mais frequentados são os estádios de futebol. E, em vez o Deus dos católicos, grande parte da população está loucamente fanatizada pelo dinheiro, uma coisa demoníaca que, de objecto necessário e indispensável, passou a ser cobiçado, sem limites, por qualquer forma, sem olhar a respeito pela própria função, nem pelo dinheiro público nem pela própria reputação.

Já acontece haver juízes suspeitos de sujar as mãos, por pressão de pessoas amigas que os fazem esquecer a sua condição de dignidade, liberdade e independência, com valores éticos e desejos de perfeição. Também tem havido elementos de governo e de sectores da administração pública que se deixam tentar pela adoração de tal ídolo, como se diz da compra de submarinos, de vistos dourados, etc. O BPN e outros Bancos entraram em dificuldade por créditos concedidos a amigalhaços que não pagaram. Em IPSS e outras instituições houve problemas graves.O futebol deixou de ser um desporto para ser praticado com prazer e pelo prazer para movimentar monstruosas somas de dinheiro.

Os negócios já não têm por objectivo a eficiência e a vantagem na concorrência para beneficiar clientes e atrair mais, mas apenas para aumentar os lucros da sua contabilidade. Um exemplo disto é referido num texto que refere a dessalinização da água salgada dos mares que viria resolver os graves problemas de seca que ameaçam continuar a agravar-se, assim como o desenvolvimento das energias renováveis, mas que está condenada a não sair do estado das intenções por os potenciais investidores estarem mais interessados em continuar com a utilização dos produtos derivados do petróleo para as indústrias que dele se servem. Essa obsessão dos lucros e medo de arriscar ousar eventuais iniciativas de novação e desenvolvimento de melhores tecnologias que facilitariam a vida das pessoas e a preservação do ambiente contrariam a evolução. O jogo de interesses imediatos, para garantir os mais fabulosos lucros é imparável e não olha para os sacrifícios evitáveis das pessoas a quem são privadas soluções inovadoras e mais vantajosas.
Também o desenvolvimento dos automóveis eléctricos e de outros meios inovadores de transportes está a ser boicotado pela associação de comerciantes do ramo amarrada, sem imaginação, à antiquada dependência dos produtos petrolíferos.

Em muitos campos, os fanáticos pela moeda acabarão por falir, agarrados à sua teimosia sem criatividade, impedindo as pessoas de beneficiar de uma evolução apoiada nas mais modernas tecnologias mas, entretanto, vão resistindo. Apetece perguntar: porque não usam a inteligência e o seu poder financeiro para se dedicarem a novas modalidades, estimulando a investigação e a inovação com finalidade idêntica e alternativa à que agora têm mas mais vocacionada para o futuro? Porque preferem continuar na mesma rotina obsoleta até sucumbirem sendo vencidos pela previsível concorrência da inovação? Enfim, são fanáticos, obstinados carentes de capacidade para procurar estratégias modernas, inovadoras, e nem pensam em dar aos seus sucessores maior probabilidade de sucesso.
O fanatismo do dinheiro transforma-o num produto altamente tóxico gerador de guerras e outras tragédias e obrigando os seus detentores a uma vida de escravatura mascarada de pompa e fausto de exibicionismo. Mas há excepções como o milionário Bill Gates que distribui para fins de benefício social, grane parte dos seus rendimentos. E o nosso Cristiano Ronaldo que vai ajudando a família e pessoas com necessidade de apoio financeiro. A revista Exame publicou a lista de 15 milionários mais caridosos e filantropos, com Mark Zuckenberg no topo. Há quem se arrependa do erro da toxicodependência do dinheiro.

António João Soares
6 de Fevereiro de 2018

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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

PERSPECTIVAS DE A VIOLÊNCIA DIMINUIR !!!

Perspectivas de a violência diminuir!
(Publicado no semanário O DIABO em 6 de Fevereiro de 2018)

Eisenhower, em Janeiro de 1961, alertou para o perigo que o complexo industrial militar representaria como elemento de pressão sobre governantes, por forma a manter as suas fábricas de armamento a funcionar. Ele, com a sua vasta experiência dos altos cargos que desempenhou, tinha a noção de que o negócio de armas pode conduzir a situações dramáticas. Mas os governantes em geral e os altos cargos militares comungam a debilidade de considerar as armas como a solução eficaz e definitiva para os grandes problemas internacionais, de que é muito citado o caso da segunda invasão do Iraque, em 20 de março de 2003, realizada com o pretexto de eliminar as armas nucleares que ali existiam e que depois não foram encontradas, mas que causou dramáticos resultados na população e no património histórico de importância incalculável e deu início a um conflito que ainda continua a fazer trágicos estragos.

Além de muitos casos, entre os quais, a controvérsia entre a Coreia do Norte e os EUA, a propósito de armas nucleares, o chefe do Estado-Maior da Defesa da Grã-Bretanha, Sir Nick Carter, pressiona o gabinete das Finanças para investir mais meios no departamento de Defesa, para evitar que o Reino Unido não venha a ser ultrapassado pela Rússia, que se está a tornar um inimigo muito poderoso.

Entretanto, surgem indícios de que os conflitos internacionais poderão passar a ser resolvidos com meios electomagnéticos, cibernéticos, que podem produzir efeitos nocivos na vida das pessoas mas não causam o pavor das armas de destruição maciça. Em 10 de Abril de 2016 um bombardeiro da frente russo Su-24 equipado com um o sistema de neutralização radioelectrónica de última geração paralisou no mar Negro, sem qualquer tiro convencional, o mais sofisticado sistema americano de combate Aegis instalado a bordo do destroier americano Donald Cook, armado com mísseis cruzeiro Tomahawk.

O destroier participava em manobras americano-romenas com missão de intimidar e de demonstrar força aos russos que estavam em acção na Ucrânia e na Crimeia.

O Donald Cook entrara em águas neutras do mar Negro, onde a entrada de navios militares americanos contraria a convenção sobre o caráter e os prazos de permanência no mar Negro de vasos de guerra dos países não banhados por este mar.

Por seu lado, Rússia enviou um avião Su-24 desarmado, mas equipado com um sistema russo de luta radioeletrónica de última geração para sobrevoar o destroier americano… O Aegis do destroier, ainda de longe, teria interceptado a aproximação do avião dando alerta de combate. Tudo decorria normalmente, tendo os radares destroier calculado a distância até o alvo. Mas, de repente todos os telas se apagaram, o Aegis deixou de funcionar e os mísseis não receberam a indicação do alvo. Entretanto, o SU-24 sobrevoou a coberta do destroier, fez uma viragem de combate e imitou um ataque de mísseis. Depois fez uma volta e repetiu a manobra 12 vezes consecutivos. Perante a inacção do sistema, o navio teve de se deslocar em direcção à costa e depois à vista seguir para o porto mais próximo.

Isto é um sinal muito significativo de que a Rússia está a levar a cabo "uma guerra não convencional", desenvolvendo a possibilidade de danificar as ligações electromagnéticas. Quanto a guerras, este caso mostra que será vantajoso procurar solucionar conflitos com negociação, em vez de guerra e o mundo passar a ser mais harmonioso e pacífico. Mas, por outro lado, os meios da cibernética levantam outros perigos que exigem prevenção e formas de defesa adequadas, não só em guerra como na própria vida diária. E para essa evolução ou inovação, justifica-se o desejo de a Defesa britânica investir em novos equipamentos e formação de técnicos para não perder pontos na concorrência internacional.

António João Soares
30 de Janeiro de 2018

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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

RESPEITO E AMIZADE GERAM PAZ E HARMONIA

Respeito e amizade geram paz e harmonia
(Publicado no semanário O DIABO em 30 de Janeiro de 2018)

A importância do respeito pelos outros e do bom entendimento com eles é fundamental em todos os sectores e escalões da vida social. Sem a aplicação destes valores éticos, a vida dos humanos apresentará condições mais baixas e perversas do que aquilo que acontece com muitos grupos de animais ditos irracionais (por decisão de homens primitivos que repeliam tudo o que se lhes aparentava diferente).

Mas, se a frase do título se apresenta lógica e indiscutível a pessoas bem pensantes e serenas, a realidade mostra exemplos demasiado abundantes de que há muita gente, inclusivamente «responsáveis» por estados soberanos, que recusam tal verdade e preferem resolver as suas «desavenças» pela violência, sem olhar a consequências dramáticas, mesmo em pessoas inocentes e alheias ao problema.

Vi, há dias, a notícia de que na Síria, após a derrota dos terroristas do Estado Islâmico, em que houve apoios de vários Estados soberanos de grande destaque mundial, alguns de forma disfarçada por negócios de armamento, tem havido recentes actos de violência com pesadas baixas, entre facções oposicionistas do Estado Sírio. De acordo com a teoria da Democracia, as pessoas são livres de ter os seus pensamentos e opiniões, mas os valores colocados em relevo no título deste texto não retiram tais direitos mas defendem o dever de dialogar com os seus parceiros para, com eles, serem definidos os objectivos colectivos a procurar atingir, com espírito de equipa, para uma vida de melhor qualidade, extensiva a todos os cidadãos inseridos no mesmo Estado soberano.

Como se pode conseguir tal espírito de equipa? Ao encarar uma situação significativa que seja necessário resolver, deve ser evitado que a procura de solução seja efectuada por uma das partes mas, sim, obtê-la através de uma reunião com pessoas de opiniões diferentes, mas de olhos postos no objectivo do interesse colectivo a prosseguir, procurando uma solução com que todos acabem por concordar, depois de sucessivos retoques, com cedências de parte a parte. Tais negociações podem demorar algum tempo mas os resultados, pacíficos e agregadores, compensam e evitam os custos, de vária ordem, a que poderiam levar as discórdias e suas complicações.

Há vários Estados que estão e seguir esta modalidade, como se tem visto na Colômbia, em que foi conseguido um grupo oposicionista ter decidido pôr termo à luta armada e passar a cooperar com os superiores destinos da população a qual fica com condições de segurança e de entrega ao desenvolvimento de um futuro melhor para si e para os seus vindouros.

Seria bom para a Humanidade que as grandes potências, a nível da estratégia global seguissem métodos semelhantes, em vez de gastarem energias e capital em jogos de força de que, muitas vezes, os benefícios da vitória não cobrem os custos das campanhas de amedrontação que os precederam. A história tem demonstrado que, o vencedor de uma guerra, raramente colhe benefícios compensadores dos gastos havidos, das vidas perdidas e dos danos sofridos.

Por exemplo, ocaso entre os EUA e a Coreia do Norte, tem dado muito desgaste à economia coreana e prejuízo à evolução da qualidade de vida das populações, principalmente, das mais desfavorecidas. E pergunta-se que resultados espera o governo norte coreano que compensem tais sacrifícios suportados desde há demasiado tempo?

Para concluir, pode dizer-se que a procura dos valores éticos, cívicos e morais deve ser tentada para eliminar a loucura paranóica de tudo querer resolver pela imposição de soluções unilaterais à custa da mais cruel e incontrolada violência. A Coreia do Norte caiu nesse tipo de paranoia. Ao nível do Conselho de Segurança, mais parece haver ditadura do que democracia. Se a utilização de armas nucleares é brutalmente demolidora, como se compreende a intenção discriminatória de proibir a sua disseminação, favorecendo os cinco que as possuem, em vez de estes decidirem desmontar as que possuem e, depois, proibir que qualquer estado se dê à loucura de construir uma. Os técnicos ficariam libertos para se dedicarem a inovações benéficas para melhorar a qualidade de vida das populações, a sanidade, a defesa do ambiente, etc.

Haja respeito pelos direitos humanos de todos os povos e pelo bom entendimento que ultrapasse todas as diferenças.

António João Soares
23 de Janeiro de 2018

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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

DEPUTADOS, PARTIDOS E SISTEMA ELEITORAL

Deputados, partidos e sistema eleitoral
(Publicado no semanário O DIABO em 23 de Janeiro de 2018)

A palavra Democracia tem gerado muita confusão por ter sido utilizada para finalidades e interesses díspares. Umas vezes é ligada à transparência e intenção de nada ser feito nas costas dos eleitores ou cidadãos, outras vezes é «servida» com decisões preparadas durante meses no «quarto escuro», como foi o caso da lei de financiamento dos partidos.

Afinal para que falar de transparência e de instalar no Parlamento um sistema de TV, pago com o dinheiro dos contribuintes, se ele apenas funciona para transmitir palavras vazias de real intenção e, muitas vezes, insultuosas para os partidos rivais?

A maior parte das actividades no Parlamento são meras perdas de tempo, para cidadão ver, com futilidades ou assuntos sem real interesse nacional e que servem para desviar as atenções dos problemas essenciais para a vida dos cidadãos, sendo deixados debaixo das cadeiras dossiers importantes para o debate dos urgentes interesses nacionais. Por exemplo, há meio ano, houve uma catástrofe devida a fogos florestais onde se evidenciaram carências de organização, de treino e de equipamento de bombeiros, de protecção civil, de comunicações eficientes e de má coordenação com a GNR para cortar, com oportunidade, o trânsito em estradas em risco, acabando por lá morrer dezenas de cidadãos. Mas meio ano é passado sem a AR debater as medidas a tomar para evitar desastre semelhante e, dentro de cinco meses, inicia--se nova temporada de perigo de incêndios e os senhores deputados esperam sentados à espera de milagre que evite os fogos. O enquadramento de instituições públicas é deficiente, com pessoas familiares ou amigas mas inexperientes e em treino adequado, do que resultam desastres como o de Pedrógão Grande.

Mas a partidocracia conseguiu, sem ofensas às mãesinhas do rival, preparar com unanimidade, fora do alcance das objectivas da TV e sem o habitual recurso aos jornalistas, uma lei para os partidos ficarem mais abonados financeiramente. Não são totalmente burros e têm habilidade de sobra para manobrar, com sigilo e segurança, e conseguindo que os colegas votem, sem saber o significado do voto que lhes é encomendado. Perfeita imagem do poder da partidocracia para agir em seu próprio proveito, sem olhar a meios.

Embora se queira convencer o povinho que os deputados foram eleitos pelos seus votos, que são os seus representantes e seus defensores, essa balela serve apenas para enganar os incautos, pois quem os escolheu foi o capataz do club que selecionou, a título de recompensa ou favor, os que lhe têm sido mais úteis e prestáveis, como arautos dos slogans de que são encarregados. São escolhidos os que mais contam para os interesses partidários, mesmo que não conheçam as realidades do país ou da região de que vão ser «representantes». Para eles, interesses nacionais são conceitos bíblicos para citar ocasionalmente por palavras que são esquecidas no minuto seguinte. No entanto, o povo vai despertando e acaba por perceber a malha com que o pretendem envolver e o resultado é o aumento da abstenção.

Mas o sistema eleitoral está preparado para isso e não existe vontade real para o alterar, para que, por exemplo, a escolha seja feita pelos eleitores de entre as pessoas em quem têm confiança e que tenham dado provas de seriedade e dedicação à causa nacional, como se passa na Grã-Bretanha. Entre nós, o eleitor vota às cegas confiante na escolha feita pelo líder do partido que é o todo-poderoso para tal votação e para o voto dentro da AR. E com tais ocultações de currículo e ausência de debates sobre as qualidades dos candidatos, têm sido eleitos assassinos, ladrões – um deputado após uma entrevista roubou os gravadores dos dois jornalistas – e muitos que misturam os interesses nacionais com os das firmas para que trabalham e jogam com a corrupção com completo à-vontade sem sentirem a vergonha e o receio de uma denúncia, aceitando ou pedindo ofertas de viagens ou de bilhetes para o futebol, etc.

António João Soares
16 de Janeiro de 2018

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sábado, 20 de janeiro de 2018

HÁ CENSURA EM PORTUGAL !

Os "jornaleiros" NÃO ELEITOS - e o seu PODER EXCESSIVO
Por Miguel Mattos Chaves, 180119, recebido por e-mail do autor

Exemplo da "agenda" dos "jornalistas":

Ontem na Sociedade de Geografia, com 143 anos de existência, e que tantos contributos científicos tem dado a Portugal, o anterior Presidente da República falou durante 65 minutos, a convite da Comissão Europeia da Sociedade de Geografia, sobre a sua experiência de 1985 a 1995 de contactos com as Comunidades Europeias.

Contou alguns episódios muito interessantes, do que se passou na altura.

Descreveu passos importantes para a compreensão das Decisões então tomadas e nas quais participou, enquanto 1º Ministro de Portugal;

Concorde-se ou não com elas, e eu não concordo com algumas, como é público, tinha sido interessante que os Jornalistas (se ainda existem) lhe perguntassem algo sobre o tema, que influencia a vida de todos ainda nos dias de hoje;

… Seria interessante que o público soubesse o que ele disse;
Seria interessante, pois isso contribuiria para uma melhor Informação dos Portugueses;

MAS …
- Quando eu pensava que o iriam fazer, ou seja, questionar sobre esse período e seus episódios, decisões e razões que a elas presidiram no seu espírito;

- Quando eu esperava que, pelo menos, lhe perguntassem algo sobre a complexa Actualidade europeia;

Fui surpreendido com o facto de os "jornalistas" presentes quererem apenas saber da "mercearia do dia";
- Isto é, sobre o que ele achava da nova liderança do PSD.
Esperavam com certeza que ele dissesse algo contra ou a favor, para depois explorarem isso até à exaustão. E só!

Dever de Informar? … Onde está?

Por estas, e por outras, eles, “os jornaleiros”, estão tão nervosos e incomodados com as Redes Sociais onde a Informaão realmente se faz e lhes passa ao lado, sem o seu “filtro”;

- e ainda bem acrescento eu, pois dispenso a sua “filtragem”!
(Isto embora nas redes sociais aconteçam também notícias falsas ou parciais;
MAS … é bom que saibam que isso não é diferente do que acontece nos órgãos onde eles trabalham).

Por estes factos, e por outros que um dia destes relatarei:
(1).- Era bom começarmos a pensar ... SE alguém elegeu esses "jornalistas"!

(2).- Era bom percebermos que (a maioria deles) ... querem (ou são obrigados) é defender os "interesses" dos seus patrões (também eles Não Eleitos)!

Na verdade, em vez de Informação, temos cada vez mais a dita Pós-Verdade (forma elegante de dizer: - Mentiras) - nos ditos Órgãos de Comunicação Social - ao serviço de Interesses estranhos á maioria dos cidadãos;

Ao Serviço sim dos seus patrões, ou das “Agendas” dos “jornaleiros”, que querem impor o Seu (deles) modelo de sociedade, sob a aparência de informarem.

Por mim sou muito claro!
(Os meus amigos e leitores, bem como os meus alunos sabem-no bem)

- É tempo de Regular Severamente este Poder … Não Eleito por ninguém!

Eu não os elegi e Não Lhes Reconheço o Poder de Decidir o que querem impingir às pessoas!

Eu não os elegi e Não lhes Reconheço o Poder de escamotearem a Verdade, em favor das suas opiniões pessoais.

Por agora digo só isto, embora tenha muito mais para dizer sobre este tema.

MAS … Uma coisa é certa:
- Há Censura Grave em Portugal, ... pois só passa o que Eles querem!

- Há Censura Grave em Portugal, ... pois só passam as opiniões das pessoas que lhes interessa promover!

- Há Censura Grave em Portugal, ... pois só passam, mesmo das Pessoas de quem eles gostam, as Opiniões que estão de Acordo com o que Eles “jornaleiros”, e seus Patrões, pensam ou querem impôr!

É tempo de dizer, também nesta matéria, que … o Rei Vai Nu!
Até quando?

Melhores cumprimentos
Miguel Mattos Chaves

NOTA:
«HÁ CENSURA EM PORTUGAL», pela mão de jornaleiros que, ao serviço dos patrões, passam ao lado da verdade, para impor as opiniões que querem. Este texto deve ser lido e relido para sabermos o emaranhado de acções de «guerra psicológica» com que estamos a ser intoxicados, por pessoas mal intencionadas.
https://domirante.blogspot.pt/2018/01/ha-censura-em-portugal.html

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PARTIDOS, FAMÍLIAS, FUTURO

Que partidos, que famílias e que futuro?
(Publicado no semanário O DIABO em 16 de Janeiro de 2018)

É muito desagradável que uma grande parte dos cidadãos eleitores, ao emitirem uma opinião sobre os políticos portugueses, usem palavras curtas mas de significado demasiado contundente.

É, por isso, urgente que os partidos comecem a preocupar-se com a imagem que apresentam publicamente, a fim de conquistarem a confiança dos eleitores e melhorarem a esperança que cada português deve ter no futuro do país onde, provavelmente, viverão os seus descendentes. Seria bom a que a acção didáctica exercida sobre os cidadãos – dos menos aos mais cultos – lhes criasse o desejo de imitar os bons exemplos vindos de cima, do alto da hierarquia político-administrativa. Isso levaria os eleitores a escolher, com mais fundamento e consciência, os seus representantes e defensores, com base nas qualidades que lhes reconhecem e admiram e, também, lhes orientaria os comportamentos, de forma mais condizente com os valores éticos e cívicos que infelizmente, parecem estar esquecidos de quem devia dar exemplo.

Os próprios partidos também estão a ser objecto de tais opiniões negativas mas, perante a actual lei fundamental, não se pode passar sem eles. Porém, cada um deve investir algum tempo e reflexão de equipa sobre os interesses nacionais, dos cidadãos, a fim de passar a dar primeira prioridade aos grandes assuntos nacionais aos quais devem ser subordinados os interesses privados do partido e dos seus familiares e amigalhaços.

Os exemplos vindos a público sobre algumas IPSS, subsidiadas abundantemente por dinheiro público, com dirigentes das famílias de políticos com ordenados principescos, e dando «emprego» a políticos, com o aval partidário, do governo e de autarquias são objecto de apreciações pouco abonatórias. E a sucessiva aparição de mais casos torna conveniente uma investigação rigorosa para aplicação de medidas correctivas e preventivas de repetição de escândalos. E, provavelmente, também haverá serviços públicos de que não se conhecem efeitos positivos para a vida colectica, a Nação, e que funcionam como palcos bem remunerados para indivíduos da partidocracia em que predominam familiares e amigalhaços, exigindo mais atenção talvez ao ponto de lhes ser aplicada a solução dada às três instituições que foram extintas para dar origem à ASAE.

Há muitos escoadouros, sem controlo, dos dinheiros sacados aos cidadãos através de impostos directos e indirectos, taxas e taxinhas. Uma boa análise da estrutura organizativa da máquina pública levaria ao encerramento de muita chafarica inútil e dispendiosa e a um melhor critério de nomeação de pessoal que deve ser selecionado pela sua preparação, experiência, competência, dedicação à causa pública, capacidade, sentido de responsabilidade, etc. A nomeação de familiares ou amigos para a função pública deve ser precedida de cuidados especiais, com garantia de que dispõem de visível superioridade em relação com os melhores concorrentes, para evitar posteriores crítica desagradáveis à imagem de quem nomeou. E, depois, todos devem ser avaliados pelos resultados do seu trabalho, que deve ser perfeito e útil ao país. As instituições para inspecções, auditorias e fiscalizações citadas pelo PM a quando dum caso ocorrido com uma IPSS devem ser também vigiadas para haver garantia da independência, do rigor e da honestidade como desempenham as suas funções.

Enfim, na partidocracia em que os portugueses vivem, há que definir as regras com deveres e direitos dos partidos, não imitar a aristocracia familiar destituída em 1910, mas construir um futuro ao nível dos tempos mais gloriosos da nossa História.

António João Soares
9 de Janeiro de 2018

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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

OLHAR PARA O FUTURO É IMPERIOSO

Olhar para o futuro é imperioso
(Publicado no semanário O DIABO em 9 de Janeiro de 2018)


A vida é uma escola em que devemos estar sempre atentos para aprender coisas novas e para reforçar conhecimentos anteriores. Viver é como fazer um percurso a corta-mato em que, ao dar um passo, devemos estar certos do ponto em que vamos colocar o pé, a fim de não cairmos e termos ferimentos graves. Devemos estar sempre com os olhos no futuro, no resultado de cada acção, para termos a noção de que estamos no bom caminho para atingir o objectivo pretendido. Este conceito tem sido aqui referido em diversos textos publicados sobre a preparação da decisão, o planeamento, etc. E foi com agrado que deparei com a notícia da inauguração da sede da Associação de Vítimas de Incêndios de Pedrógão Grande, AVIPG, em que o Chefe do Estado realçou o facto de esta «possuir uma dinâmica de futuro, que sublinhou como sendo caso “muito novo” no cenário português.

Perante a memória de uma situação trágica, em vez de pararem em lamúria, decidiram preparar um futuro melhor e iniciar já um desenvolvimento para o conseguir que, segundo ele, são “três dimensões juntas” e “muito raras” que destacam a AVIPG como um exemplo modelar de um novo caminho a seguir pelas populações e pelos seus responsáveis - autarquias e governos.

E o mais significativo é que o futuro pretendido não tem limite de tempo, sendo indeterminado e recebendo adaptações às evoluções de situações que, entretanto, ocorrerem. É uma filosofia para orientar a evolução para uma «nova era» em que o objectivo é conseguir a melhor qualidade de vida para os habitantes, seus animais de estimação, suas propriedades rurais e industriais e o seu património privado e público.

Quem cai deve levantar-se e continuar a vida. É assim que as crianças iniciam a sua capacidade para andar. Chorar um fracasso nada resolve, e o que interessa é analisar aquilo que originou o acidente e pensar inteligentemente no futuro para que não volte a acontecer a mesma desgraça ou outra. Assim, uma tragédia pode ser um estímulo útil para preparar um caminho mais eficiente para um futuro melhor. O PR frisa muito bem que este caso da AVIPG deve ser tomado como modelo a seguir por todos os que têm responsabilidades pelo povo, pelo património de hoje e de sempre. Já houve em Portugal situação semelhante, mas que não serviu de modelo durante muito tempo. Após o terramoto de 1775 surgiu um urbanismo que ainda é exemplar: a baixa pombalina de Lisboa e a cidade de Vila Real de Santo António. Mas, agora, não é preciso que se copiem as práticas da AVIPG mas, sim, o seu raciocínio que conduz a aproveitar a situação real e, em vez de reerguer o passado, pensar num futuro mais adequado às necessidades e às conveniências colectivas e preparar um futuro melhor, tudo devidamente ponderado a fim de ter continuidade, atendendo a custos e benefícios.

Se os governantes assumissem este exemplo, não ficariam parados tantos projectos válidos para a ferrovia, o aproveitamento e conservação da água fluvial e outras coisas da vida dos cidadãos, principalmente do interior.

E não esqueçamos que a catástrofe de Pedrógão foi há meio ano. E daqui a meio ano pode ocorrer, em qualquer local, incêndio de graves dimensões. E não podemos deixar de perguntar: o que foi feito, nestes seis meses para evitar mais fogos graves? Que medidas preventivas estão em marcha, para evitar e para combater com mais eficácia os que não forem evitados? Que sentido de futuro existe no Poder Executivo? E o que tem saído do Poder Legislativo, nesse sentido? Tem-se ocupado com aquilo que considera mais urgente: as finanças dos partidos, lesando o erário público, dos cidadãos. E aquilo que interessa à melhoria da qualidade de vida deste?

António João Soares
2 de Janeiro de 2018

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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

RARÍSSIMAS OU A VASTA REALIDADE

Raríssimas ou vasta realidade!
(Publicado no semanário O DIABO em 3 de Janeiro de 2018)

 O caso da Raríssimas foi muito badalado na comunicação e nas redes sociais, o que faz pensar que não se passou apenas um simples caso, mas talvez um alerta para complexo problema nacional que exige muita reflexão e procura urgente de medidas preventivas eficazes. Segundo o PM, o governo está consciente do seu dever e exercer poderes de inspecção, auditoria e fiscalização, através de instituição adequada, mas não parece ter garantias de que tal tipo de instituições seja constituído por pessoas competentes, experientes, sensatas com noção de responsabilidade e de honestidade e, por isso, neste caso falhou. Se as IPSS e outras organizações que têm fins sociais e dependem de dinheiro dos cidadãos, quer através do Governo quer através de dádivas de empresas, estivessem a ser devidamente inspeccionadas e sujeitas a multas ou coimas ou julgamentos judiciais quando fossem detectadas irregularidades de gestão ou desvios de dinheiro, o caso da Raríssimas não teria chegado ao ponto actual, apenas tendo sido conhecido por denúncia anónima de algum bom português movido pelo culto de valores éticos que têm caído no desprezo de muita gente ligada ao Poder.

Tais inspecções, quando competentes, não demoram a detectar em associações bem intencionadas e com fins humanitários que estão a ser dirigidas por pessoas sem adequada formação moral que colocam em primeiro prioridade os interesses próprios, de familiares e amigos e não têm rebuço em conquistar amizade e colaboração de políticos «ingénuos» que lhes dêm aspecto de prestígio e sirvam de alibi e camuflagem para não serem punidas pelos desmandos e abusos que correntemente praticam. Mas, parece que as inspecções, como tem acontecido com vários serviços públicos não assentam em pessoal escolhido com sério rigor de forma a não se deixarem cair em ciladas e saberem diferenciar a fantasia da propaganda, da realidade mais ou menos habilmente oculta e dissimulada. Não foi por acaso que os fogos ocorridos no último verão deram origem a substituição de alguns dirigentes de serviços públicos. Mas será que os novos dirigentes possuem a independência partidária, a formação, a capacidade, a competência indispensável para o correcto desempenho das funções? Ou trata-se apenas de dar «emprego» a amigalhaços para terem agasalho financeiro e aumentarem o currículo? Quando as razões são apenas de «tachos para boys», nada se melhora e o pantanal torna-se mais fétido e impermeável ao progresso de que o país precisa para construir um futuro digno e sair da crise em que andamos enterrados, apesar de alguém ter dito que o ano que agora termina foi muito saboroso, perante a ocorrência de mais de uma centena de mortos, por não ter havido uma eficaz campanha de prevenção de segurança nas florestas, deficiente organização dos serviços de combate aos fogos e carência de treino eficaz dos operadores dos serviços.

E, a depositar confiança na actuação de tais instituições de inspecção, auditoria e fiscalização, casos mais ou menos como o da Raríssimas poderão ser uma vasta realidade e continuarem a polvilhar o exagerado optimismo de quem considera o ano de 2017 muito saboroso. Se não houver uma reforma estrutural profunda que altere sadiamente os procedimentos do Poder, este pode perder totalmente os poucos motivos de optimismo com que se tem agradado. Sem essa reforma estrutural e sem fortes alterações nos comportamentos das chefias, o caso Raríssimas será apenas uma ponta da meada que irá trazer para conhecimento público a miséria moral em estamos a viver e a imagem do País sairá demasiado chamuscada com sérias dificuldades de recuperação.

António João Soares
26 de Dezembro de 2017

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

MUDANÇA DO INFARMED PARA O PORTO É ÚTIL PARA OS PORTUGUESES ?

O Infarmed no Porto trará vantagens para os portugueses?
(Publicado no semanário O DIABO em 26 de Dezembro de 2017)

Perante as considerações apresentadas nos artigos sobre a preparação de decisões publicados no DIABO em 27Set2016 e em 12Dez2017, surgem algumas dúvidas sobre se a decisão de transferir a sede do Infarmed para o Porto, foi suportada por estudo apropriado, atendendo aos interesses nacionais encarados por diferentes ópticas.

Os interesses nacionais (dos cidadãos) beneficiam da mudança do Infarmed de Lisboa para o Porto? De que forma? O Infarmed desempenhará no Porto as suas tarefas funcionais melhor do que se continuasse em Lisboa? O conceito de desconcentração dos serviços públicos assenta simplesmente em mudar os locais de trabalho da capital para outro ponto do território nacional? Que novas atribuições são dadas ao Infarmed, estando no Porto em vez de continuar em Lisboa? Quais os custos que derivam de a sede do Infarmed ficar no Porto enquanto alguns dos seus departamentos permanecerem em Lisboa? Como contabilizar os sacrifícios que os funcionários do Infarmed vão ter de suportar com a mudança? De que forma a mudança «vai contribuir para um desenvolvimento harmonioso do país»? Quais os factores tomados em conta quando se fala de tal desenvolvimento? Como se explica que será mesmo uma decisão "técnica e estrategicamente muito inteligente»? Como está a ser encarada a reprovação dos trabalhadores relativa a uma eventual transferência e como se faz face ao “risco da continuidade da missão do Infarmed”? Se o Infarmed for dividido com direcção no Porto e os serviços em Lisboa, como pode continuar a cumprir a missão se costuma haver reuniões diárias com muitos dos dirigentes, pois as propostas para decisão da tutela significam milhões de despesa do serviço nacional de saúde»? Como substituir os funcionários que foram demitidos por não quererem ir para o Porto? Serão convidados para os substituir elementos amigalhaços, ex-jotinhas, sem experiência nem grau académico? E como corresponder à colaboração bilateral com instituições afins estrangeiras e que, segundo consta, são fonte importante de financiamento em troca de serviços altamente qualificados prestados pelo Infarmed? Enfim as dúvidas são infindáveis e, por isso, exigem boa análise, estudo e avaliação antes de ser tomada decisão ponderada e realmente inteligente.

Como o PR disse, a desconcentração ou descentralização dos serviços deve concretizar-se com vista a beneficiar os cidadãos em geral e não para suportar caprichos de políticos. Um tipo de descentralização desejável seria a de conceder às autarquias ou serviços regionais competência e responsabilidade por forma a que algumas decisões de interesse local fossem tomadas com menos demoras, não precisando de esperar muito tempo pelo desenrolar de burocracias demasiado pesadas e, por vezes, sem visão perfeita das circunstâncias locais ou regionais.

Já, em tempos, houve um governo que fez a brincadeira de transferir uma secretaria de Estado para Portalegre, chamando a isso descentralização. O resultado foi nocivo por apenas trazer demoras e incómodos, de que é exemplo a maçada e a despesa de o Secretário de Estado ter de, frequentemente, se deslocar a Lisboa a despacho e reuniões com o ministro. E quantos assuntos terão sido retardados para evitar um deslocamento por tão pouca coisa. Entretanto, houve um acto de lucidez e compreenderam que descentralizar um serviço não se resume a mudar a sua sede. Deve ser a reestruturação das suas atribuições de forma a apoiar melhor as pessoas que beneficiam do funcionamento do serviço.

António João Soares
19 de dezembro de 2017

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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

FALTA DE ÁGUA E O MAR TÃO PERTO

Falta de água e o mar tão perto!
(Publicado no semanário O DIABO em 19 de Dezembro de 2017)

Um país com extensa costa marítima não tem motivo para se queixar de falta água. Pode faltar outra coisa, nos titulares da autoridade. Como podem os governantes aceitar tal carência de água como irremediável? Por exemplo, Viseu está a viver com água transportada por autotanques a partir de origens distantes. Várias localidades do País enfrentam problema semelhante, com custos elevados.

Mas, no entanto, temos uma extensa área marítima que, não só, é inesgotável, como até ameaça elevar o nível e alagar várias áreas costeiras.

Perante tanta inacção das autoridades, como poderão viver os portugueses, nos próximos anos se o clima nos obrigar a suportar uma seca continuada como a que temos vindo a enfrentar há vários meses seguidos?

Porque teimam em ignorar a existência, em vário locais do planeta, de instalações de dessalinização da água do mar, tornando-a potável, após um tratamento de género do efectuado nos depósitos das redes de água dispersos pelo País. A partir de tais instalações, basta utilizar condutas e centrais de bombagem que a levem a casa dos consumidores. Nada disso é miragem. A distância do mar ao interior não constitui obstáculo difícil pois a grande Lisboa consome água vinda da barragem de Castelo de Bode, a uma distância superior à maior distância entre o mar e a fronteira com Espanha.

Mas o sistema não aparece do pé para a mão, quando algum «inteligente do poder» o julgar necessário. Desde que surge o pensamento e é tomada a decisão até à sua utilização, passando pelo planeamento e pela construção da instalação e da rede de condutas, vai um período de tempo não desprezível. Por isso, dadas muitas previsões de que iremos ter secas continuadas, a implantação do sistema deve ser iniciada desde já, ou já devia estar em obras. Se esperarmos por um momento de crise irrecuperável só nos safamos se pedirmos e merecermos o milagre da água. Não podemos ignorar que as obras a realizar os equipamentos a instalar não se tornam utilizáveis com a velocidade imaginada pelo optimista utópico António Costa ou outro governante.

Já deviam estar em construção algumas dessas instalações de dessalinização e a adequação da rede de distribuição pelo interior. De que estão à espera. Para bem dos portugueses, da próxima década, desejo que esta sugestão seja levada a sério.

Mas podem surgir soluções satisfatórias e menos dispendiosas. É uma questão de conhecer a probabilidade de a necessidade vir a concretizar-se num futuro, mais ou menos distante, e a hipótese de os caudais dos rios se normalizarem.

Nessa alternativa, o primeiro-ministro admitiu, a prazo, a possibilidade de interligação entre bacias hidrográficas, como em tempos esteve pensada entre o Douro e o Tejo e que foi impossibilitada pela decisão imprevista da não construção da barragem de Foz Coa. Esta, com outras ao longo do percurso do mesmo rio, permitiria bombear a água excedente de uma barragem para a mais a montante, sucessivamente, e, ao chegar à área da nascente, seria encaminhada para o rio que parte da mesma zona para o Tejo, permitindo fazer face à falta de água do Alentejo. A barragem do Alqueva veio em parte compensar o fracasso de tal projecto.

Na mesma data, o PM sugeriu o estudo da possibilidade de ser generalizada a interligação das grandes barragens e albufeiras de maior capacidade para a regularização, bem como o aumento da capacidade de armazenamento da maior parte das barragens, e a possibilidade de construção de novas barragens.

Esta alternativa será prioritária, apenas, se o clima não sofrer alterações extremas que aumente a necessidade da dessalinização. Mas, vale mais prevenir porque pode não haver possibilidade a de remediar, com oportunidade.

António João Soares
12 de Dezembro de 2017

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

SABER DECIDIR É INDISPENSÁVEL

Saber decidir é indispensável
(Publicado no semanário O DIABO em 12 de Dezembro de 2017)

Nas semanas mais recentes a comunicação social, usou persistentemente criticas a decisões que foram classificadas com adjectivos pouco agradáveis. Os termos menos duros foram de decisões que não foram «maduramente ponderadas e devidamente preparadas», que foram «tomadas sem debate ou sequer conhecimento prévio» e «condenadas à risota geral», de as posições terem sido tomadas em corrida sem preparação e um pouco em cima da hora», alguém afirmou que não consegue «identificar nenhuma razão válida que justifique» aquilo que define como o que «parece uma decisão irreflectida e mesmo irresponsável», juntou-se o alegre destrambelhamento a sublime incompetência», ignora-se «o que deve ser coesão nacional e o interesse estratégico para o país», «esquecendo o superior interesse de Portugal», «perante as eleições autárquicas, acharam necessário criar ilusões junto de um eleitorado igualmente tacanho e provinciano», esquecem que «os funcionários não são escravos do governo, «iludem as grandes questões nacionais, evitando o seu debate sério e consequente, adiando as decisões com sério prejuízos para o interesse nacional», «a ausência do debate estratégico interno obriga a andar a reboque dos acontecimentos», etc.

Isto magoa-me porque pretendo cumprir o dever de cidadão e dar a colaboração que me é possível para Bem de Portugal. É certo que ninguém é obrigado a ler os meus alertas e ainda menos em a aplicá-los, na vida corrente.

Mas recordo que no artigo publicado no Semanário O DIABO de 27 de Setembro de 2016, com o título «Preparar a decisão», apresentava uma metodologia que, como outras semelhantes, permite preparar decisões oportunas e eficientes para resolver qualquer problema do mais simples ao mais complexo. Usando o sistema indicado tem-se em vista a obtenção do resultado final e que se for concretizado será o mais adequado ao real interesse nacional. A preparação do futuro não pode deixar de ser uma preocupação persistente, permanente.

Basicamente, qualquer pessoa antes de agir deve colocar-se as interrogações O quê? Como? e para quê? Isto é, deve definir, com clareza e de forma que ninguém tenha dúvidas, o objectivo ou resultado pretendido. Deve descrever com rigor o ponto de partida, isto é, a situação vigente, com análise de todos os factores que devam ser considerados com influência na modalidade a seguir. Depois devem listar-se as diversas formas de solução possível a fim de, após judiciosa análise, ser escolhida a mais favorável.

Após ser tomada a decisão pela entidade responsável, há que organizar os recursos necessários à acção, elaborar o planeamento e programar as tarefas, com o máximo pormenor possível a fim de contribuir para a obtenção do sucesso.

Depois de iniciada a acção é indispensável uma supervisão, um controlo rigoroso e eficaz do qual pode resultar a necessidade de ajustamentos, para cuja decisão deve ser utilizada a metodologia atrás referida, por forma a não se perder a directriz que conduz à finalidade inicialmente pretendida e a ser obtido o resultado desejado.

A propósito de boas decisões, recordo as que foram tomadas por Jawaharial Nehru com apoio do pandita Mahatma Gandhi, após a independência da Índia, que eram decisões estratégicas, com olhos no futuro, com bom senso e grande inteligência que visavam objectivos que foram alcançados ao longo de boas práticas coerentes e persistentes, durante anos

Para obter mais pormenores sobre a metodologia referida deve ser lido o artigo publicado em O DIABO e, se não for fácil encontrar o jornal, poderá ser visto no blog onde foi postado após a publicação PREPARAR A DECISÃO http://domirante.blogspot.pt/2016/09/preparar-decisao.html

António João Soares
5 de Dezembro de 2017

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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A QUEDA DO IMPÉRIO E OS «REFUGIADOS»


Situação no Ocidente e a lição da queda do Império Romano
(Publicado no semanário O DIABO em 5 de Dezembro de 2017)

A vida da humanidade tem recebido muitas melhorias devidas aos avanços contínuos das tecnologias. Mas as mentes dos políticos responsáveis pelos governos continuam aperradas aos vícios e incapacidades que existiam séculos antes de Cristo. Não conseguem analisar e tirar conclusões úteis dos desastres ocorridos devido a ingenuidade ou estupidez de alguns detentores de cargos públicos, ao longo da história.

A queda do Império Romano chocou o mundo na época, mas o que geralmente não é conhecido, hoje em dia, é que o exército gótico que realizou a atrocidade entrou no Império, trinta anos antes, como refugiado. Depois de terem sido atacados pelos Hunos vindos da Ásia Central, os Godos fugiram para Ocidente e cerca de 100 mil foram ajudados a atravessar o Danúbio em barcaças por Valens, imperador do império Romano Oriental sedeado em Antióquia, travessia que demorou várias semanas em operação muito onerosa. Valens, ingenuamente, pretendia aproveitar esses jovens militares como um valioso conjunto de recrutas novos e baratos para suprir a baixíssima taxa de natalidade de Roma.

Mas, não surpreendentemente, dentro de algumas semanas após a sua entrada no Império, os primeiros confrontos com as autoridades romanas ocorreram e, no final do verão, os godos estavam em guerra com Roma. Após vários desastres militares, o imperador Valens fez um retorno precipitado a Constantinopla para assumir pessoalmente o comando da campanha defensiva e foi morto em batalha em Adrianópolis, em 378 - apenas dois anos depois de ter sancionado a imigração em massa.

Em 410 A.C, os muros de Roma foram violados e a cidade saqueada por um exército bárbaro sob a liderança de Alaric o Godo. A queda de Roma chocou o mundo na época, mas hoje esquecemos que o exército gótico que derrotou o Império, tinha nele entrado pacificamente trinta anos antes.

E hoje? Que esperamos dos refugiados? São muito poucos os políticos actuais que dão ouvidos ao que dizem pessoas previdentes como foi um filósofo político grego Synesius que publicou um tratado amplamente discutido sobre a emergência da época e as medidas que precisavam ser tomadas. Ele exortou o imperador romano a estimular a coragem de seus súbditos pelo exemplo da virtude masculina, a banir o luxo do tribunal e do povo, para evitar os mercenários bárbaros, criando um exército de homens para defesa das suas leis e da sua propriedade e para despertar o cidadão indolente de seu sonho de prazeres.

Pelo contrário, em Portugal até está prevista a construção de uma segunda mesquita no centro de Lisboa, a dois passos da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, ficando esta ameaçada de ser destruída a curto prazo por atentado jihadista. E formando um gueto em plena baixa lisboeta.

Porém, há países onde os conselhos do grego Synesius foram analisados e aproveitados, como o Japão que «não tem problemas com o Islão», a Rússia com «a resposta de Putin ao rei saudita que pediu para construir uma mesquita na Rússia», a Austrália, a Noruega e a Holanda.

O Japão encara o assunto frontalmente, mais do que a Rússia, e tem 19 «mandamentos» para repelir a lei sharia porque a lei constitucional é única e igual para todos os residentes. Será benéfico para a humanidade de cada país ter um comportamento preventivo para não cair na cilada em que caiu Roma e e grande parte do Ocidente actual, com guetos que desprezam a lei e os costumes nacionais. Quem se desloca para outro país deve gostar ou, pelo menos, cumprir os seus costumes e a sua lei. «Na terra para onde fores faz como vires fazer se não queres aborrecer» diz um ditado antigo.

António João Soares
28 de Novembro de 2017

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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

25 DE NOVEMBRO DE 1975

Há 42 anos, eles chegaram e precisavam de uma secretária com equipamentos de comunicação. Ofereci a minha que dispunha de boas ligações às redes do exército e dos TLP, quer directamente quer através das centrais do Palácio de Belém. Recordo Rocha Vieira, Melo Antunes, Carlos Gordalina, de entre outros ali presentes e de António Ramalho Eanes e Jaime Neves, na Amadora. Os contactos entre os dois locais eram frequentes assim como com o PR Francisco Costa Gomes do outro lado da porta da parede em frente da secretária.

Viveram-se momentos de grande concentração e análise da evolução da situação que se vivia. Foi pena que a acção posterior não correspondesse ao esperado e que, ainda hoje, o País viva numa espécie de PRAEC (Processo Revolucionário Ainda em Curso) e não se tenha saído da crise patológica, através de uma estratégia bem estruturada e sustentada conducente ao crescimento da Economia e do desenvolvimento Social, com bem-estar geral para todo o país.

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É O QUE ELES QUEREM!

É o que eles querem
(Publicado no semanário O DIABO em 28 de Novembro de 2017)

Nem tudo, na realidade, corresponde às esperanças que possam ser geradas pelo persistente optimismo do Governo. Os factos, muitas vezes, pelo contrário, mostram incapacidade para modernizar, organizar, controlar, remodelar os serviços de apoio aos cidadãos. E aquilo que não é alterado entra em estagnação, desactualiza-se, torna-se obsoleto e acaba por resultar em dificuldades acrescidas para as pessoas.

Há dias, um amigo referiu o caso de uma senhora com cerca de 60 anos, ainda a trabalhar, beneficiária da ADSE, para onde desconta desde há 32 anos, muito doente, que precisava de fazer uma cintigrafia, telefonou, há poucos dias, para um moderno Hospital de Lisboa em que costuma ser atendida, a fim de marcar esse exame. O funcionário que a atendeu, fez-lhe todas as perguntas para preencher a ficha e ela foi-lhe respondendo com todo o rigor. Depois de dispor de todos os dados que desejava, o funcionário disse-lhe que o exame seria no dia 3 de Março de 2018 às 10h00.

A senhora ficou chocada, tem que ser tratada, porque corre o risco de ficar tolhida numa cama, sem capacidade financeira para ter alguém que a assista. perguntou se havia possibilidade de conseguir uma data mais próxima porque a falta de tal exame, provavelmente, já não iria precisar dele por falecer antes. O funcionário disse que não era possível ser antes porque o Estado deve muito dinheiro ao Hospital e este, para ir amortizando a dívida, terá de adiar uns meses, esperando que ele possa ir pagando. Ela respondeu que, dessa forma, as pessoas com necessidade de cuidados de saúde, como era o seu caso, acabam por morrer por os não receberem. Por esse andar, morremos todos mais cedo. Ele respondeu: é o que eles querem.

A senhora, então, pergu ntou, como seria se ela pagasse o exame a pronto e a resposta foi imediata: se a senhora pude e desejar pagar a pronto o exame pode ser feito já amanhã às 10H00.

E, assim, o Hospital efectuou no dia seguinte a cintigrafia de que a senhora necessitava o que permitiu ao seu médico prescrever o tratamento adequado para a sua doença e ela ver a saúde melhorar.

Bem prega Frei Tomás, ouçam o que ele diz mas não olhem para o que faz. E assim vai este País, sem respeito pela defesa dos direitos das pessoas que não tenham meios para fazer face às suas necessidades básicas e tenham de esperar pelo apoio do Estado para o qual todos temos que pagar aquilo que nos queiram sacar sob os mais diversos títulos (impostos, taxas, etc).

E para estas dificuldades das pessoas e adiamentos de exames não parece ter solução com greves de enfermeiros e/ou de médicos. Isto precisa de uma profunda reforma da máquina do Estado no que toca a nomeação de pessoas competentes, com sentido de responsabilidade e com sensibilidade para melhor fazer face aos problemas das pessoas.

O meu amigo, pessoa bem informada, acrescentou que, quem está sindicalizado num sindicato ligado à Intersindical não tem problemas. Este governo, que passa os dias a publicitar as suas virtudes, não deixa de satisfazer as "justíssimas" revindicações dos trabalhadores ligados ao menor partido da Geringonça. Os outros, trabalhadores e reformados que não estejam sob protecção da Inter, podem morrer à vontade, até dando jeito às finanças (ao Centeno), aliviando os cofres de despesas obrigatórias. Nesta linha de raciocínio, o ideal era que os reformados desaparecessem, deixando de haver gastos com a "PESTE GRISALHA", como foi dito certa vez.

António João Soares
21 de Novembro de 2017

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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

MUITO ATENTO E SEM PRESSA

Devagar e muito atento
(Publicado no semanário O DIABO em 21 de Novembro de 2017)

Dizem os entendidos que o «fast-food» não é recomendável para a saúde, sendo preferível alimentação confeccionada com calma e mastigada vagarosamente para ser saboreada com prazer e exigir menos esforço ao estômago. Também, na circulação rodoviária, não devem ser ultrapassados os limites de velocidade estabelecidos, para evitar acidentes e ter possibilidade de reacção oportuna a circunstâncias imprevistas. Diziam os antigos que «devagar se vai ao longe».

Chegou-me há dias a apologia da lentidão que permita fazer o trabalho com perfeição, sem atrapalhação, sem erros de pormenor que originem perda de tempo em repetição ou reparação. A pressa é inimiga da perfeição. Com pressa, não teríamos as belas peças de arte de escultura, pintura, ourivesaria e outras que enchem os museus, não teríamos a beleza do mosteiro dos Jerónimos, da Batalha, de Alcobaça e tantos outros famosos monumentos nacionais.

Embora a tecnologia moderna facilite os trabalhos, devemos conjugar a ajuda por ela fornecida com a perfeição da qualidade de vida, com a excelência do trabalho concluído. Para obter os melhores resultados, em qualquer trabalho, industrial, cultural ou outro é indispensável ter a sensatez e a preocupação de fazer bem e sem pressa. Depressa e bem não faz ninguém. A ânsia do futuro impede agir com perfeição no presente, impede ser feliz hoje.

Isto aplica-se a qualquer aspecto da vida. Há pouco tempo, falava-se em leis publicadas há alguns anos para reduzir a possibilidade dos incêndios florestais, mas que não obtiveram os resultados desejados, por terem sido elaboradas à pressa p,or pessoas que não analisaram bem os factores que estavam presentes no assunto e pecaram por imperfeições diversas, entre as quais, a falta de guardas florestais, guarda-rios e cantoneiros, bem preparados e de um sistema de fiscalização adequado que garantisse o seu cumprimento, bem como a conveniência de adaptações que as tornassem totalmente eficazes.

Quantas decisões são tomadas sem a conveniente sensatez e preocupação de obter perfeição? Ainda há poucos dias, acerca de um jantar realizado no Panteão Nacional, se levantou a questão de o local não dever ter sido profanado por tal actividade, e a existência de lei que não foi cumprida por decisão da entidade que decidiu dar autorização, ou por falta de clareza da lei existente que pode ter deixado dúvidas a essa entidade. Pelos vistos, na elaboração da lei, houve pressa em na preparação da decisão sem preocupação de obter perfeição, o que se aplica a vários aspectos da ocorrência até às palavras do Primeiro Ministro que, depois de cerca de dois anos de cargo, permitiu que o assunto não tivesse sido bem definido e, agora, criticou o sucedido atribuindo culpas ao governo anterior.

É lamentável que os governos tenham criado a tradição de legislar sob pressão, sem o cuidado de aplicar o máximo de sensatez, boa reflexão e cuidado nos pormenores, porque a ânsia do futuro impede que se viva o presente e que, neste se faça trabalho perfeito para atingir em plenitude o resultado desejado e sem risco de vir a ser rejeitado no futuro que se esperava. E a actividade dos governos deve servir de exemplo aos cidadãos que dela tirarão os ensinamentos necessários para terem uma qualidade de vida o mais positiva possível. Depressa e bem não faz ninguém e, num momento, vive-se uma vida. Lento mas persistente ganha a corrida.

António João Soares
14 de Novembro de 2017

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

GOVERNO DO FUTURO

O Governo do futuro
(Publicado no semanário O DIABO em 14 de Novembro de 2017)

Em época evolutiva, inovadora, ao pensarmos em reformas estruturais, não devemos ficar por pequenos retoques mas, sim, visar medidas com profundidade que lhes permita uma continuidade com foco em objectivos de longo prazo. Por isso, mais do que pensar no futuro do Governo, é mais adequado reflectir no Governo do futuro.

O Governo deve ser constituído com a finalidade de dar a Portugal um futuro melhor para uma mais conveniente qualidade de vida dos cidadãos, através da sua defesa e segurança, garantindo a redução de riscos variados, desenvolvendo a economia, melhorando a qualidade da saúde, do ensino, da Justiça, e de outros sectores essenciais, com continuidade que permita um conhecimento consolidado da vertente social da Nação, sem necessidade de alterações frequentes ao sabor de caprichos, imprevisíveis e de consequências pouco edificantes. Esse objectivo definido para um prazo distante deve ter por base um sólido conhecimento das características do País, quer geográficas, quer sociais quer económicas.

Deve ser evitada, a cada momento, a queda na tentação de tender para a inacção, com submissão cega a rotinas anteriores com validade já ultrapassada pelas circunstâncias recentes devidas a novas tecnologias e outros factores originados pela evolução da humanidade.

Para fazer face às características reais, são necessários governantes de boa formação, não apenas técnica, mas também humanística, com facilidade de contacto directo com os cidadãos, com respeito pelos pontos de vista destes, os quais, muitas vezes, podem conter opiniões e sugestões muito válidas como pontos de partida para reflexões com utilidade na definição e concretização de estratégias úteis para criar um futuro mais favorável às finalidades do Estado.

A escolha de governantes deve ultrapassar o vício das preferências familiares e de amizade e assentar na análise das qualidades da preparação técnica e da experiência curricular que garanta um desempenho correcto e positivo e na posse de uma consolidada imagem pública que inspire confiança e respeito nos cidadãos. O artigo de Pedro Soares Martinez no DIABO de 31 de Outubro contém aspectos de muito interesse a ter em consideração na análise deste assunto. Por exemplo o problema tão badalado dos incêndios florestais, não deve ficar por medidas de curto alcance, mas ir a uma profunda investigação para identificar os interessados na destruição do interior do País e na sua desertificação e de detectar quais os objectivos que, com isso, pretendem atingir. E combater a estrutura oculta que fomenta os fogos e o plano terrorista em que se integra. Simultaneamente, desenvolver o interior com uma agricultura moderna e indústrias a ela ligadas, do que resultaria o repovoamento do interior, com a atracção de pessoas, e terminar a tendência já demasiado acentuada de a economia nacional estar concentrada na estreita faixa litoral. E, com isso, justificava-se o dinheiro anteriormente gasto na construção da boa linha de rodovias que percorrem o interior de Norte a Sul.

A audição da voz da população deve constituir uma preocupação permanente e, através da comunicação social, vê-se que vários pensadores alertam para que a classe política não tem evidenciado competência para pôr dentro de limites razoáveis os impostos cobrados sob variadíssimos pretextos e que se destinam a pagar despesas do Estado, sempre crescentes, com vários exageros, entre os quais a contratação de pessoas sem experiência que enchem os gabinetes, sem contribuírem para a melhor governação e com o inconveniente de aumentarem a burocracia que entrava a economia nacional, desde pequenas a grandes realizações da vida dos cidadãos. A população sente na carne esses abusos que resultam, em grande parte do amiguismo partidário e só servem para dar tacho a boys sem capacidade para viver de um trabalho e produtivo.

António João Soares
7 de Novembro de 2017

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terça-feira, 7 de novembro de 2017

PARA GOVERNAR O PAÍS REAL

Para governar o País real
(Publicado no semanário O DIABO em 7 de Novembro de 2017)

Governo é o supremo executante ou responsável pela execução de todas as medidas que contribuam para melhorar as condições de vida e de segurança da população e para desenvolver o País em todos os diversos sectores. Para isso não pode deixar de difundir pelas pessoas a informação, o saber, mais conveniente. E terá que dar o melhor exemplo nas áreas em que a máquina do Estado reserva para si a responsabilidade directa. Muitas sugestões e alertas têm vindo a público da parte de cidadãos amigos do País que gostam de o dar passos mais convenientes para evitar situações catastróficas como foram os incêndios deste verão.

Mas os altos responsáveis não podem querer tomar medidas acertadas se desconhecerem as realidades das diversas regiões, dos diferentes locais, se se mantiverem sentados às suas secretárias e partirem de ideias teóricas gerais e de palpites, por melhor intencionados que possam ser. E a realidade demonstra que o Governo, nesse aspecto, não merece confiança, não dá bons exemplos, como se evidenciou com a destruição pelo fogo do Pinhal do Rei, em Leiria que, como mata pública, devia ser objecto de cuidados exemplares. Se não cuida eficientemente daquilo que está directamente sob a sua responsabilidade, não pode nem sabe exigir que os privados cuidem bem dos seus haveres.

Para que servem as inúmeras viaturas, pagas com o dinheiro dos contribuintes, que estão ao serviço de entidades públicas? Será apenas para lever as suas famílias irem às compras e ao esteticista? Melhor seria que fossem utilizadas para visitar os diferentes locais do interior do País e, aí, ouvir os residentes acerca das condições reais, em que vivem, conhecer as suas dificuldades e as suas ideias acerca da forma de melhorar a participação no engrandecimento o País. Com base em dados assim obtidos e na leitura de sugestões que têm surgido na Comunicação Social, menos comprometida na propaganda partidária, e conversas serenas e livres com técnicos mais experientes e conhecedores dos assuntos locais, da vida e actividade rural, com pormenor sobre a vegetação, a agricultura, a água e o seu armazenamento para fazer face a períodos de seca, etc. etc.

Experimentem conhecer o território nacional, um pilar fundamental do Estado, experimentem nomear colaboradores, oriundos do interior do País e que ali tenham visto de perto os factores de desenvolvimento e os aspectos positivos e negativos da situação rural, quer agrícola quer florestal. Devem falar com o povo, sem soberba nem arrogância, mas sim, com a humidade de quem tem vontade de ouvir para aprender, para compreender as realidades nacionais e de, assim, obter bases para tomar decisões correctas e orientadas para o longo prazo.

Mais do que discutir as dificuldades não solucionadas pelo governo, por incapacidade ou coragem de enfrentar pressões diversas desde os partidos, às eleições, passando pelas sondagens de popularidade, pelos interesses privados sempre na penumbra, há que preparar e efectuar reformas estruturais que permitam aos governos do futuro agir de forma organizada e coerente em defesa dos interesses nacionais e na melhoria da economia e da qualidade de vida da população. A utilização das tecnologias modernas permite reduzir efectivos de gabinetes, hoje esmagadas por favores a familiares, amigos e «boys» do que resultará redução da burocracia, em benefício dos cidadãos e da redução de impostos e da dívida pública.

Seria bom que governantes e líderes de partidos lessem atentamente o livro «Governar Melhor», de Fernando Teigão dos Santos, especialista em planeamento, prospectiva e desenvolvimento sustentável. A reflexão sobre os temas ali abordados poderá trazer grandes benefícios para Portugal e os portugueses e para o desempenho de políticos que pretendam mostrar-se realizadores inovadores e modernizadores.

31 de Outubro de 2017
António João Soares

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terça-feira, 31 de outubro de 2017

PARA AS NAUS A HAVER

«Para as naus a haver»
(Publicado no semanário O DIABO em 31 de Outubro de 2017)

É sobejamente sabido que a continuidade de um comportamento rotineiro sem lhe inserir alterações, actualizações ou adequações à evolução ambiental, provoca uma degradação persistente que conduz à anulação da intenção inicial. «Parar é morrer». No entanto, isto tem sido ignorado pelos governos e instituições públicas que justificam o acerto das suas atitudes por estarem inseridas naquilo que vinha do anterior. Isso foi notório no SIRESP e na ANPC.

Mas isto não significa que deva ser passada uma esponja que apague toda a experiência do passado, porque dele podemos, e devemos saber, tirar lições muito importantes, que nos ensinam a construir um futuro mais benéfico para o país. Agora foi recordado, com a notícia da destruição, pelo fogo, do célebre pinhal de Leiria que este foi plantado no reinado de D. Dinis para ter madeira «para as naus a haver» as quais permitiriam tirar proveito da nossa óptima localização geográfica com grande importância marítima. Representou olhos postos no longo prazo, indicação de inteligência e amor ao País, pensando nas gerações futuras. E a essa decisão com olhos postos no futuro proporcionou à equipa dirigida pelo Infante D. Henrique tomar decisões também focadas no longo prazo que conduziram aos descobrimentos que deram «novos mundos ao Mundo» e que foram a semente da globalização que veio a ser concretizada em anos recentes.

Seria bom que os actuais responsáveis pelo País imitassem estes pontos altos da história e se preocupassem mais com o futuro do que com os pequenos acontecimentos surgidas pela falta de prevenção, isto é, pela sua incompetência e inacção que os tem mantido a chafurdar no pântano da continuidade rotineira e demolidora, com a miopia que os não deixa olhar para o futuro com estruturas actualizadas e preventivas que evitem a repetição de erros demasiado velhos e repetidos, como os incêndios, que não foram evitados por medidas de protecção civil e de reforma da defesa das florestas, nem devidamente combatidos por falta de boa preparação dos agentes e por desajustada qualidade da comunicação.

O exposto no primeiro parágrafo foi confirmado pala atitude do PM que disse, há poucos dias, que seria «criancice» mudar de MAI. Mas o PR, com base no relatório da comissão de independentes sobre o ocorrido em Pedrógão Grande, incitou-o a fazer mudanças positivas para evitar desaires semelhantes e, então, o PM deixou de considerar «criancice» aquela e outras mudanças.

Nisto, como em muitos outros temas, as Forças Armadas dão exemplos a seguir, em que os factores da autoridade e da hierarquia não são os mais significativos. Qualquer decisão, táctica ou estratégica, é precedida por «estudo da situação» em que a missão é analisada, bem como as possibilidades do inimigo, as condições meteorológicas, o terreno, os meios e a sua utilização, e a comparação das possíveis modalidades de acção, para escolha da melhor. De decisão assim preparada, sai uma ordem de operações, e a posterior observação da «conduta da operação» a fim de, se necessário, serem introduzidas alterações adequadas a fazer face a aspectos novos dos factores da decisão, principalmente do inimigo. Nada é rígido e definitivo porque, se o fosse, aconteceria o que se referiu no primeiro parágrafo, como derrotas sucessivas até à definitiva. Não é «criancice» fazer retoques num plano inicial a fim de com ele se procurar atingir o objectivo final desejado.

O novo Secretário de Estado da Proteção Civil, engenheiro José Artur Neves, prefere a prevenção ao combate dos incêndios. e salienta que o investimento em meios de combate poderia "alimentar a ideia de que há aqui uma indústria de combate aos incêndios, que é perniciosa para todo este processo". Esperamos e desejamos que não se fique por estas palavras e as concretize, para os bons resultados «a haver».

António João Soares
24 de Outubro de 2017

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terça-feira, 24 de outubro de 2017

COMPETÊNCIA E IDONEIDADE SÃO INDISPENSÁVEIS

Competência e idoneidade são indispensáveis
(Publicado no semanário O DIABO em 24 de Outubro de 2017)

Há funções que, pela sua importância social, devem ser desempenadas por pessoas com personalidade, formação e vocação para a perfeição e que, a cada momento, evidenciem competência e seriedade, actuando de forma exemplar para prestigiarem a sua instituição aos olhos dos cidadãos que dela dependam por diversas formas ou com ela contactem. Para se conseguir tal finalidade, os candidatos ao seu desempenho devem ser devidamente avaliados quanto a habilitações, a saúde física e mental, actividades anteriores, etc.

Se tal cuidado tivesse sido instituído e utilizado com regularidade, talvez não tivessem sido empossados indivíduos como o presidente americano que decidiu a invasão do Iraque em 20 de março de 2003, a qual gerou uma guerra assente em pressupostos falsos e que, ainda em curso, tem causado a destruição de muitos monumentos pré-históricos, muitas perdas de vidas e muitos danos pessoais e em haveres nacionais e dos sobreviventes.

Também o actual Presidente dos EUA não estaria a perturbar a paz e a sensação de insegurança mundial, com as suas preocupações de vaidade e fanfarronice, convencido de ser dono do Planeta e que se entretém a jogar ténis atirando ameaçadoras palavras de provocação a líderes de países desde a Coreia do Norte ao México, passando pelo Irão e a Venezuela.

Também um nosso recente Primeiro Ministro hoje, por vezes, referido como psicopata e já classificado réu de 31 crimes (3 de corrupção passiva, 16 de branqueamento de capital, 9 de falsificação de documentos e 3 de fraude fiscal qualificada e, no seu processo estão incluídos 28 arguidos (9 pessoas colectivas e 9 pessoas singulares)), se tivesse passado pelo crivo de avaliação pessoal, não teria agora dado tanto trabalho à Justiça, nem causado a crise nacional, que quase levou o país à de falência.

A desmedida vaidade e ambição pessoal de enriquecimento próprio com benefício pessoal e desprezo dos seus clientes e dependentes leva ao esquecimento da grei que é a primeira a ser sacrificada e a última a receber quaisquer regalias ou compensações daquilo que lhe é sacado ou do muito que lhe é prometido em campanhas eleitorais, quando lhe querem o voto.

Nas instituições públicas, a começar pelo Governo, precisa-se de pessoas com dignidade, ética, sensibilidade social, competência técnica para a função, pondo de parte critérios de amizade e de trocas de favores. O relatório sobre os fogos de Pedrógão Grande refere que «um alerta precoce poderia ter evitado a maioria das 64 mortes registadas, que não foram mobilizados totalmente os meios disponíveis no combate inicial e houve falhas no comando dos bombeiros». «O documento aponta, ainda, falta de conhecimento técnico no sistema de defesa florestal e falta de preparação dos atuais sistemas de combate às chamas para as alterações climáticas, confirmando, por outro lado, as falhas de comunicação do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP)». Isto levou o PR a fazer a seguinte afirmação “Portugal aguarda, com legítima expectativa, as consequências que o governo irá retirar de uma tragédia sem precedentes na nossa história democrática”.

Em conclusão, nos critérios de nomeações para cargos de responsabilidade, não pode ser negligenciada a atenção a dar à competência e à idoneidade dos visados, e deve ser evitada submissão a pressões e caprichos pessoais em apoio de amigos, familiares, cúmplices ou coniventes.

António João Soares
17 de Outubro de 2017

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