terça-feira, 25 de setembro de 2018

PORTUGAL EM PERIGO!

Portugal em perigo!
(Publicada no Semanário O DIABO em 25 de Setembro de 2018)

O perigo faz parte da vida e é preciso evitá-lo, principalmente, quando nos apercebemos das suas causas possíveis ou já conhecidas de situações ocorridas. Qualquer acção tem vantagens e inconvenientes e há que ter cuidado para evitar estes, tomando medidas preventivas e desenrolando os planos de acção da forma menos arriscada. Isto é: escolher, de entre todas as acções possíveis para atingir o objectivo, aquela que mostrar melhor índice de vantagens/inconvenientes. Mas há perigos imprevistos que não podem ser evitados, e para os quais devemos estar preparados para, no momento, adoptar o comportamento mais adequado para reduzir os danos, como é o caso de inesperadas alterações meteorológicas, ou sismo, ou tufão, ou incêndio, etc. E, em assuntos sociais, há os perigos que se desenvolvem ao longo do tempo e, se não são encarados oportunamente, podem causar danos muito indesejáveis.

Um partido como, em maior escala, uma nação, não tem dono e todos devem ser incentivados a colaborar activamente na conquista de objectivos colectivos, destinados ao bem comum. Para isso, esses objectivos devem ser definidos após análise das estratégias a seguir, e auscultada, mesmo que discretamente, a opinião geral. E, assim as pessoas, tratadas com respeito pelas suas ideias, terão entusiasmo pela causa comum e dispõem-se a colaborar com eficiência no desempenho das tarefas indispensáveis para aquilo que é seu, para o seu objectivo.

Em democracia, os governantes e os líderes de partidos e de outras instituições de interesse público ou colectivo, ao serviço dos cidadãos, devem agir segundo a vontade destes com real espírito de equipa, sem jogos ocultos, e explicando ou dando contas dos seus actos. Desta forma, as pessoas sentem-se felizes e confiantes na preparação do seu futuro colectivo. Porque sentem a sua responsabilidade pelo que acontece. Imagine-se os efeitos desse espírito activo na prevenção de fogos florestais, na redução de acidentes rodoviários ou na segurança das localidades em que vivem. Com tal interpretação do conceito de democracia, deixaria de haver tantos crimes contra os interesses das pessoas, como a corrupção, o desvio do dinheiro público, a violência, etc.

Mas, além dos perigos internos, há um perigo europeu que se está a desenvolver, desde há muito, mas que está a tornar-se mais visível com as actuais migrações. Já num artigo aqui publicado em 5-12-2017, referi o exemplo histórico da queda do Império Romano às mãos dos Godos que tinham entrado trinta anos antes no Império, como refugiados, depois de derrotados pelos Hunos. Mais recentemente, o Kosovo, que era uma província da Sérvia (com 84,5% de cristãos ortodoxos), foi infiltrado por albaneses (Albânia com 61,9% muçulmanos) e a chegada de grandes massas de gente com religião, tradições e costumes antagónicos, trouxe problemas sociais e de integração entre duas culturas diferentes. Os sérvios iam saindo da sua terra, fugindo ao caos que se foi instalando. O Kosovo, em 17 de Fevereiro de 2008, fez a segunda declaração de independência (a primeira, em 1990, fora reconhecida apenas pela Albânia). E, assim, a Albânia muçulmana conseguiu mais um Estado aliado.

A história mostra a repetição de situações que muitos esquecem, mas a queda do Império Romano e a islamização do Kosovo devem ser meditadas para melhor se interpretar o que está a acontecer na Europa. Uma conquista muçulmana não militar. Inicialmente, de supostos refugiados de guerras no Médio Oriente, que evoluiu para uma invasão organizada, premeditada, planeada e promovida pelos Estados super-ricos do Médio Oriente e, agora, de povos africanos, especialmente sub-saharianos, com vista à islamização da Europa.

As confrontações, violações, raptos e outros crimes praticados por imigrantes, têm criado muita insegurança em vários Estados europeus. A Europa está em perigo. ■

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terça-feira, 18 de setembro de 2018

QUEM ESPERA DESESPERA

Esperar até quando?
(Publicada no Semanário O DIABO em 18 de Setembro de 12018)

 Segundo o que se vê, ouve e lê, há inúmeras deficiências em serviços públicos que tornam difícil a vida dos cidadãos vulgares, isto é, não ligados directamente aos detentores do Poder. É certo que se conhecem muitas promessas, algumas com prazos muito prolongados, e, de uma maneira geral, sem garantia que gere optimismo no cidadão contribuinte quanto à sua concretização e previsão de quando se verão resolvidas as deficiências mais preocupantes.

De uma maneira geral, algumas pessoas nem alimentam esperança de viver até verem cumpridas as promessas que, nesta data, vêm todas revestidas do “optimismo” político da desejada obtenção de bom resultado eleitoral.

Há quem se sinta movido a fazer um esforço para confiar que haverá concretização das promessas do PM quanto a serviços de saúde impecáveis, educação esmerada, salário mínimo igual ao europeu, creches espalhadas por todo o país, comboios pontuais e com horários bem cumpridos para benefício dos utentes, o desaparecimento da corrupção, etc. E quanto aos desvios do dinheiro oferecido, voluntariamente um e outro do erário, para reconstrução de casas de primeira ou única habitação, queimadas pelos incêndios do ano passado em Pedrógão grande, parece dependente de investigações tão lentas e adiadas que já parecem ter caído para o poço das imunidades e impunidades dos afilhados do regime.

As circunstâncias, no regime de partidocracia em que vivemos, podem levar pessoas, ocupando cargos de grande responsabilidade de, a cometer erros de difusão de promessas que “garantem” e “asseguram” mas que não são mais do que impulsos, caprichos, intenções, talvez porque a isso são levadas pela ansiedade de transmitir esperança, afecto, apoio espiritual e para colher melhor posição em sondagens ou actos eleitorais. Mas, como referi em artigo publicado em 18 de Outubro de 2016, não deve sair, precocemente, a público uma afirmação que prometa, assegure e garanta uma coisa que ainda não foi devidamente analisada e preparada para decisão, segundo metodologia semelhante à exposta em artigo de 27 de Setembro do mesmo ano. Sem tais cuidados de precaução e bom senso, pode criar-se uma aragem de descrédito que invalida posteriores intenções de informação considerada útil mas em que já ninguém acredita.

Convém evitar erros do timoneiro para a nau não ir dar à Costa, onde poderá encontrar-se com as confusões do Cabrito, as desordens dos leões, a águia a ser minada pela toupeira e a turba imensa, apática devido aos soníferos nela injectados, mas que espera despertar para o restabelecimento da rota desejada e a utilização de potente detergente para higiene social e eliminação de corruptos e outros males. Há quem consiga fazer grandes viagens com calhambeque que sabe conduzir com prudência sem desvios perniciosos, economizando combustível para as subidas que se aproximam e sem se distrair com tentações de sonhos inadequados às realidades, tentações de que gente sensata já se desviou e que causam estragos nos maduros que ainda as adoptam. Há países como a Rússia, a China e Cuba que se afastaram de sonhos que consideraram pesadelos e há países na Europa que já definiram o perigo que preocupa e ameaça a sobrevivência da cultura e civilização do continente. Ainda há bom senso.

Há que saber aproveitá-lo. Há que abrir os olhos para defender a boa rota a fim de não esperamos indefinidamente por um futuro agradável. A espera desespera e pode originar reacção de desespero. ■

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terça-feira, 11 de setembro de 2018

ACÇÕES INDISPENSÁVEIS E INADIÁVEIS

Acções indispensáveis e inadiáveis
(Publicada no Semanário O DIABO em 11 de Setembro de 12018)

Em vez da propaganda onírica que idiotiza o povo e lhe cria, quando despertar para as realidades, vontade de defender os interesses colectivos e agir de forma violenta contra quem o enganou, será conveniente informar lealmente e incitar à convergência em direcção ao desenvolvimento nacional de que todos beneficiem.

A propaganda e a oferta de ilusões irreais, fantasistas, não melhora a situação de idosos e reformados; não aumenta o rendimento médio das famílias, que se tem afastado negativamente da média europeia; não melhora o desenvolvimento económico; não evita que se caia numa crise semelhante às que estão a massacrar as populações venezuelanas ou sul-africanas. Porque será que a economia tem estagnado há vinte anos? Porque será que nos últimos 44 anos não se construiu nada que se pareça com o que aconteceu nos 44 anos anteriores ao 25 de Abril – escolas primárias em quase todas as aldeias, liceus, palácios da Justiça, hospitais, quartéis para as Forças Armadas e para as Forças e Segurança, etc. – e não se criou dívida pública, antes pelo contrário, foi deixada uma reserva volumosa?

Sem análises profundas e sérias dos factores que levaram à estagnação da economia e da sociedade nacional, e sem serem definidos objectivos de crescimento e elaborados os consequentes planos estratégicos para os atingir, de nada vale a propaganda nem as “verdades politicamente correctas”.

Antes pelo contrário, pois, quando o povo despertar da sonolência induzida pelas fantasias com que é sedado e se consciencializar das realidades, acabará por reagir de forma espontânea, descoordenada, o que pode ter resultados dramáticos principalmente contra os que considera culpados do seu mal-estar. Entretanto, os jovens, isto é, a geração melhor preparada, emigrará em massa, o que representará uma grave perda nacional, por tornar mais difícil a recuperação da economia que é indispensável para o desenvolvimento global do País, principalmente nos sectores mais significativos.

A análise cuidadosa e honesta, sem preconceitos, dos erros ocorridos na vida nacional nas décadas mais recentes, com a intenção de não voltarem a acontecer e de deles serem tiradas as melhores lições para os evitar, desenvolvendo estratégias eficientes de desenvolvimento e recuperação, é uma medida sensata para construir um futuro liberto do pântano actual.

Em democracia, as decisões devem se tomadas com o povo e em seu nome, que é mandante dos agentes do poder político que devem considerar-se seus servidores. O povo, sendo informado com verdade, de forma clara, com frontalidade e sem fantasias oníricas, dará a sua colaboração, se lhe forem criadas condições que o levem a compreender e a ter confiança nos seus mandatários.

Destas considerações ressalta a necessidade de definir tarefas indispensáveis e inadiáveis para preparar o futuro imediato e, depois, o prolongar persistentemente com a necessária adaptação aos condicionalismos que forem surgindo, sempre de forma sensata e inteligente.

Devem ser evitadas saídas infelizes como as do PM e do MAI relativamente aos incêndios de Monchique: «será a excepção que confirma a regra do sucesso», o fogo de Monchique não é como «a vela de um bolo de aniversário (que) todos apagamos com um sopro», «(...) Notável (...) Notável (...) Notável (...)» «notável» a actuação da Protecção Civil em Monchique)…

A propaganda deve evitar cedências a pretensos “intelectuais” que vestem a capa de fascistas leninistas estalinistas que se esforçam por seguir uma táctica já posta de lado pela Rússia, a China, Cuba e alguns estados do leste europeu, a qual está a causar sofrimentos dramáticos na Venezuela e na África do Sul.

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terça-feira, 4 de setembro de 2018

PERSPECTIVAS PARA AMANHÃ

Perspectivas para amanhã?
(Publicado no semanário O DIABO em 4 de Setembro de 2018)

Em democracia é curial haver liberdade de opinião e as decisões serem tomadas em nome do povo com o suposto consentimento da maioria, o que por vezes exige referendos mas, no mínimo, consultas informais aos sentimentos e vontade popular, por forma a que a decisão seja apoiada por maioria e corresponda aos desejos de serem o atingidos objectivos que contribuam para o desenvolvimento do país e a melhoria das condições de vida dos eleitores.

Isto concretiza opiniões que dizem que, em democracia, a governação, para tomar decisões, inspira-se nas pessoas e não lhes impõe nada que elas rejeitem. O poder é representante das pessoas e seu mandatário.

No artigo aqui publicado em 27 de Setembro de 2016, ao referir as fases da preparação da decisão dizia, a certa altura, que há necessidade de listar todas as possíveis soluções para o problema a fim de atingir a finalidade ou o objectivo pretendido, tendo o cuidado de incluir mesmo as que pareçam pouco adequadas ou aparentemente absurdas, sem preconceitos. Nesta fase não deve ser preterida nenhuma, por menos adequada que pareça.

A seguir, foca-se a atenção em cada modalidade listada e analisa-se à luz dos factores previamente considerados, para ponderar as respectivas vantagens e inconvenientes com intenção de prever como a acção iria decorrer se essa modalidade fosse a escolhida. Após essa análise faz-se a comparação entre elas, das suas vantagens e inconvenientes, com vista a escolher a melhor. Na escolha há modalidades rejeitadas de início por serem pouco adequadas e dedica-se a máxima atenção às melhores até se decidir pela que tiver uma boa cotação no balanço de vantagens e inconvenientes.

Recordo isto para salientar a conveniência de olhar para um problema por todos os lados e com todas as ópticas, independentemente de interesses particulares ou ideológicos. Portanto, a bronca de “desconvidar” uma oradora para a Web Summit, uma ‘cimeira’ tecnológica e empresarial que este ano se reunirá em Lisboa, parece que não se coaduna com a democracia nem com a metodologia de analisar problemas e procurar resolvê-los correctamente. Essa pessoa daria uma ideia que seria ouvida, sem imposição, e ampliaria a análise de assuntos. A opinião é livre e deve ser respeitada sem ter de ser colocada em prática, nem ser forçada a sua aceitação.

Mas este caso é uma aberração em democracia e tem sido alvo de comentários dizendo que se trata de um pequeno grupo de exóticos intelectuais inspirados em teorias fascistas-comunistas-estalinistas, que já foram rejeitadas pela Rússia, pela China e por Cuba e que, actualmente, estão a causar terrível crise social e económica na Venezuela. E tais comentários alertam para perigo nacional por o Governo não reagir e lhes tolerar tais aventuras arriscadas.

O nosso amanhã, com este afastamento da democracia, corre graves riscos de ficar caoticamente condicionado por aventureiros radicais extremistas que não respeitam os outros.

Curiosamente, a referida oradora que foi “desconvidado”, recebeu, em eleições livres na França, os votos de um terço dos eleitores. O caso de o seu convite ter sido rejeitado pela organização da cimeira internacional não vai deixar bem visto o nosso país na opinião pública europeia.

E assim se perde um evento com oradores diversificados que permitiria troca de ideias e mundividências com interesse para assistentes de qualquer parte do leque político-partidário. O bom senso e o respeito pelos outros, sem a troca aberta de ideias saem muito diminuídos desta gaffe. A troca de ideias, em conformidade com a metodologia para a preparação da decisão, atrás recordada, só traz vantagens para o momento seguinte, o da aplicação prática da decisão, do plano ou do programa a desenvolver.

António João Soares
28 de Agosto de 2018

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terça-feira, 28 de agosto de 2018

O FUTURO É UMA INCÓGNITA

O futuro é uma incógnita
(Publicado no semanário O DIABO em 28 de Agosto de 2018)

Na vida tudo muda e nem a Natureza nem o clima se mantêm imutáveis, mas a democracia surpreende-nos a cada passo. E o que não é agradável é que há grandes males que as mudanças não curam, parece que cada mudança é apenas um gesto enganador para que tudo continue na mesma.

Agora aparece um artista a usar a marca de um industrial de vinhos, Aliança, que, antes de criar o partido, já está a plagiar o programa de outro criado recentemente, Iniciativa Liberal. O seu objectivo parece ser o desejo de liderar um partido, e não ser propriamente melhorar a situação interna e externa do País. Pois, no partido a que pertencia e de que saiu voluntariamente, podia colaborar com o seu amigo Rio que está no topo, por forma a ser escolhida uma estratégia bem definida para avançar num rumo seguro para uma boa gestão dos interesses nacionais e criar uma melhor qualidade de vida para os portugueses, que tão abandonados têm sido.

A criação de mais um partido à direita do PS pode acabar por reforçar a vantagem eleitoral deste. Mesmo admitindo que todos os abstencionistas se convençam a ir às urnas e que a maioria deles vote na área da direita, se com dois partidos já era difícil um deles ter a maioria, quando houver divisão dos votos pelos quatro, dá a cada um uma fatia que pode ser menor do que a do PS. E lá vai continuar o País a viver num clima de soporífera realidade, numa atmosfera de sucesso ficcional, num marcar passo sem as decisões necessárias. Mas, nisso, pode surgir alternativa à actual geringonça em que haja um encosto à direita aproveitando a simpatia de Rio. Esta poderá ser uma consequência do aparecimento de mais um partido na área da social-democracia. E Portugal ganhará muito com isso? Serão dois indecisos a marcar passo mais ou menos juntos.

Será que veremos o pântano referido por Guterres, agora ficar a ser agitado por dois indecisos, em quem alguns portugueses depositaram esperança, a marcar passo sem avançar, e soprando palavras bem sonantes, com esperanças enganadoras, mas sem concretização real? Curiosamente, perante a opinião generalizada de que a pior doença de Portugal é a corrupção epidémica criadora de novos milionários à custa do Estado e da desvirtuação da função pública, não se vê intenções claras de a combater activamente, dando à Justiça legislação que permita aos tribunais julgar rápida e correctamente os casos mais gritantes, todos relacionados com os mais altos cargos do Serviço Público e que passam ao abrigo de imunidade a beneficiar de impunidade. Quem rouba uma carcaça para matar a fome é preso, mas quem se apodera de milhões fica em liberdade, como se vê em nomes bem conhecidos.

Atrás foram alinhavadas hipóteses possíveis, dentro das hipóteses permitidas pelos mistérios do futuro. Mas, com elas, perpassou o desejo de que os nossos eleitos, governantes e de outros altos cargos, se concentrem com alta prioridade, nos essenciais interesses nacionais, para melhorar a imagem de Portugal e a qualidade de vida dos cidadãos.

Os políticos não são apreciados pelos cidadãos mais atentos, não inspiram confiança e não geram esperança em melhor futuro. “Os actuais partidos na AR defendem mais o Estado a meter-se nas nossas vidas do que as nossas vidas a serem facilitadas pelo Estado”. Se a democracia é o poder do povo, as decisões devem partir das vontades e das necessidades dos cidadãos e não da política autoritariamente imposta aos cidadãos.

É desejável que o sistema político-partidário e o sistema eleitoral sejam revistos por forma a que o País entre numa rota de desenvolvimento com uma convergência de vontades obtida por consultas populares, para felicidade de todos e para que extremistas e radicais sejam contidos na proporção e na lógica que lhes é adequada.

António João soares
21 de Agosto de 2018

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terça-feira, 21 de agosto de 2018

APRENDER COM OS ERROS

Aprender com os erros
(Publicado no semanário O DIABO em 21 de Agosto de 2018)

Para viver a vida não é necessário conhecer grandes teorias e filosofias, bastando a simples sensatez de ir aprendendo com os pequenos erros e acidentes do dia-a-dia. Em criança aprendemos a andar, com os ensinamentos obtidos em cada queda. De cada erro devemos retirar lições para evitar a repetição de acidentes. A sensatez, a perspicácia e a persistência na procura de melhores soluções, constituem uma ferramenta essencial para a vida.

O que se tem aprendido com os grandes fogos florestais? Parece que foi aprendida alguma coisa, mas muito pouco. É gritante o caso do «plano de intervenção florestal por aprovar há sete meses» apresentado pela Associação dos Produtores Florestais do Barlavento Algarvio (Aspaflobal), com um projecto estruturante para a Zona de Intervenção Florestal de Perna Negra, em Monchique, onde começou precisamente o incêndio que durou vários dias com a destruição de grande área de floresta e o abandono das residências por muitas centenas de moradores.

Tal demora demonstra grande desleixo, inconsciência e ausência de sentido de responsabilidades de meninos burocratas do Instituto de Conservação da Natureza (ICNF) que não fazem ideia dos perigos que uma demora mesmo que pequena pode causar. Houve enorme falta de respeito pelos direitos da população que espera dos Poderes protecção e prevenção de grandes males. É grave uma organização como o ICNF, um pilar da Protecção Civil, sem ter capacidade de actuar na supervisão das medidas de prevenção e incêndios nas florestas do território nacional.

Antes que incêndio deflagre deve ter sido aplicada uma prevenção que deve ir do ordenamento do território ao tipo de árvores plantadas, passando por outros pormenores como a criação de faixas de descontinuidade ou asseiros (caminhos entre o arvoredo com largura adequada ao efeito desejado) que sirvam de corta-fogo, impedindo o seu alastramento por grandes áreas e facilitando o deslocamento dos meios motorizados de ataque. Principalmente, quando se trata de território de orografia complicada, deve ser evitada a todo o custo a continuidade de vegetação na serra, sendo indispensáveis as faixas de descontinuidade de largura adequada. Após um incêndio em Tavira em 2012, um técnico categorizado concluiu que, dos 120 quilómetros que deviam existir destas faixas de descontinuidade, apenas existiam 30 quilómetros. É um aspecto que deve ser corrigido com eficiência em todo o território nacional.

Quanto ao tipo de árvores, os eucaliptos têm sido alvos de muitas acusações. É certo que esta árvore, originária de climas muito diferentes tem tido bom comportamento quando plantada de forma muito regular pelas empresas de celulose, em condições que evitam incêndios graves. Mas tornou-se uma praga, expandida por forma completamente descontrolada, plantada sem os cuidados que lhe devem se inerentes. Para controlar e reduzir tal praga, é indispensável uma cuidadosa gestão do Estado com supervisão efectiva em todo o espaço rural nacional. A área de eucalipto deve sofrer uma diminuição acentuada e haver substituição por outras espécies como carvalhos, castanheiros, sobreiros, nogueiras, etc.

Quanto à necessidade da limpeza das matas que, pelos vistos, foi muito negligenciada e há pormenores que não podem ser deixados a desmaselos de pessoas sem preparação a fim de não contribuírem para que Portugal seja um deserto dentro de poucos anos, por não haver novas árvores que substituam as actuais quando a idade as derrubar. Sobre isto, já disse o que penso, no artigo «sem ponderação, a limpeza pode destruir o pinhal» publicado no semanário O DIABO em 3 de Abril.

Convém reflectir sobre esta assunto, com profundidade, a fim de se evitarem erros semelhantes aos anteriores.

António João Soares
14 de Agosto de 2018

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terça-feira, 14 de agosto de 2018

COMO VAI O MUNDO?

Como vai o Mundo!
(Publicado no semanário O DIABO em 14 de Agosto de 2018)

Há muito que venho criando a convicção de que a maior parte das palavras proferidas por políticos são para esquecer, pelo menos quando fazem propaganda que pretende iludir os ouvintes com promessas que asseguram, que garantem, que vão ser cumpridas mas que, na realidade, eles esquecem de imediato. Pretendem criar esperança e optimismo que não passa de ilusão. Com isso, esperam melhorar os resultados de sondagens e colher mais votos em eleições posteriores.

Mas agora aparece o conceito de “jogo de loucos” que, a princípio, considerei uma invenção desrespeitosa, mas que aparece demonstrada para ex-Presidentes americanos e com continuidade no presente. Trata-se de ameaças altamente belicosas feitas com divulgação pública, destinadas a amedrontar o rival, por forma a ele se dispor a aceitar negociação em condições que lhe sejam pouco convenientes.

Isso está sendo visível na situação actual entre EUA e Irão, com fanfarronices de ambos os lados. A pequena Coreia do Norte levou o jogo ao ponto de ameaçar com arma nuclear o gigante EUA e Trump prontificou-se a sentar-se à mesa com Kim Jong-un para o levar a desistir de tal acto insensato. Não desistiu de tomar a sua parte no jogo e, poucas horas antes da hora marcada, disse que a reunião não teria lugar. Mas não demorou a parar o jogo e a sentar-se à mesa.

Com o Irão, o jogo deve ser muito ponderado, para evitar que a guerra que foi iniciada no Iraque por um jogo mal jogado gerando uma guerra que ainda fere o Médio Oriente, não vá agora alargar-se ao centro da Ásia ou a todo o mundo. Outra partida deste jogo foi o lançamento da bomba “mãe de todas as bombas” (MOAB), em 12-04-2017 no Afeganistão, com a finalidade de calar o Estado Islâmico, mas que não resultou, pois os ataques e outros atentados terroristas continuaram.

Mas se o jogo de loucos pode gerar um conflito mundial, como Trump referiu a propósito de Montenegro, há o jogo nacional de procurar controlar a afectividade das pessoas através de promessas de projectos desejáveis e ilusórios impossíveis de realizar dadas as carências financeiras do Estado. É o caso, entre outros, da notícia acerca de obras de intervenções na rede ferroviária “Ministério anuncia 58 quilómetros de obra quando na verdade são apenas 16”, apenas 27% do prometido, e mesmo isso pode falhar. Mas há casos em que o prometido tem sido muito superior a 3,6 vezes do realizado. E assim, vemos o Ensino em carência, o Serviço Nacional de Saúde com muitas dificuldades, a Justiça sem condições para parar a epidemia da corrupção generalizada em todos os sectores, as forças de Defesa e de Segurança a perderem credibilidade e sem capacidade de obterem a eficiência que merecem e de que precisam com urgência.

E, perante estes jogos “habilidosos” praticados por políticos, das potências mundiais e dos Estados de qualquer dimensão, seria bom que os que se consideram líderes de regimes democráticos, reflitam serena e profundamente sobre a moralidade dos seus actos, em respeito pelos seus cidadãos, e revejam os valores éticos a que devem obedecer. Só com uma maior honestidade perante os que dependem das suas decisões, o Mundo em que vivemos será mais civilizado.

Mas, infelizmente, no nosso caso, as condições estão a ser melhores para imigrantes do que para quem trabalha seriamente, como se vê nas notícias “Mais de 14 mil enfermeiros pediram para emigrar nos últimos sete anos” e “Mais de 17 mil médicos e enfermeiros emigraram nos últimos oito anos”. “Emergências. Central 112 com menos de metade do número ideal de operadores”.

E o ensino deve ser melhorado por forma a deixar de haver razão para notícias como “gente que trabalha bem: uma espécie em extinção” em que é defendida a afirmação de que “vivemos na era do pacto da mediocridade”.

António João Soares
7 de Agosto de 2018

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terça-feira, 7 de agosto de 2018

ESTRATÉGIAS DIFERENTES

Estratégias diferentes
(Publicado no Semanário O DIABO em 7 de Agosto de 2018)

A Natureza, com as suas diferentes e variadas nuances, oferece beleza. Mas a Humanidade apresenta extremismos e radicalismos preocupantes e chocantes, muitas vezes, em consequência de caprichos, de desrespeito pelos direitos dos outros e de arrogâncias e autoritarismos indesejáveis.

Dois casos merecem a atenção dos poderosos. A China, sendo o maior país da Ásia Oriental e o mais populoso do mundo, com quase um quinto da população da Terra, desde os tempos históricos do «Império do Meio», tem usado de pacifismo e de respeito pelos outros povos. Com a intenção de impedir a invasão dos mongóis, iniciou antes de 221 a.C. a construção de uma forte muralha com 3.000 Km de extensão mas, mesmo assim, não evitou ser invadida pelos mongóis no início do séc. XIII, apenas os expulsando em meados do séc. XIV. Depois disso, sofreu a guerra do ópio e, mais recentemente, a invasão japonesa, durante a II Guerra mundial.

Nos tempos mais recentes, evidenciou de forma bem visível o seu pacifismo, no restabelecimento de relações amigáveis entre as duas Coreias, na desnuclearização da Coreia do Norte, no relacionamento desta com os EUA e no apaziguamento dos atritos no mar meridional.

Há dias, o Presidente chinês, Xi Jinping, fez uma visita de Estado ao Senegal para assinar dez acordos de cooperação e afirmou que o continente africano "promete um futuro radioso" pelo "grande dinamismo" que demonstra. Já antes tinha afirmado que a China está a preparar apoios ao desenvolvimento dos Estados africanos, respeitando as suas culturas e tradições. Pelos vistos, a promessa foi baseada em intenções devidamente ponderadas, como agora ficou claro.

No outro extremo, encontra-se Trump, a querer mostrar que é dono do mundo e, em cujas palavras, se encontra ódio e agressividade. Não respeita os acordos e tratados assinados pelo seu Estado, como o acordo de Paris, as posições do Grupo dos Sete, o acordo com o Irão. Usa modos pouco corteses com os seus dois vizinhos, México e Canadá e até já disse que a União Europeia, a Rússia e a China são inimigos da América.

Ao referir-se ao Montenegro, pequeno Estado europeu com apenas 640.000 habitantes disse que é um país pequeno com pessoas muito agressivas que podem iniciar a Terceira Guerra Mundial! «Diz coisas» que, por vezes, desmente de forma infantil. Quando do encontro com o Presidente da Coreia do Norte, desmentiu o local e a data poucas horas antes de o realizar como inicialmente tinha decidido.

A ameaça de empregar a força militar é quase constante e, por vezes, concretizada, como na explosão da «mãe de todas as bombas» no Afeganistão e o bombardeamento na Síria com um pretexto não comprovado. A «mãe de todas as bombas» lançada no Afeganistão em 13 de Abril era destinada a exterminar o EI, foi considerada muito eficaz pela propaganda americana, mas o seu efeito foi o oposto. Com efeito, 7 dias depois, militantes talibãs mataram 30 soldados afegãos e capturaram uma base militar, um atentado suicida causou 31 mortos e 54 feridos, 8 dias depois duas explosões na capital causaram 25 mortos e 45 feridos. Ainda não se convenceu de que a violência pode gerar mais violência, numa escalada incontrolável.

Não tem prudência, nem diplomacia, para negociar com frontalidade e franqueza qualquer ligeiro conflito. Além do caso de Montenegro, merece ser referido o modo como está a enfrentar o Irão com quem os EUA tinham um acordo sobre a energia nuclear que decidiu romper em desrespeito pelo compromisso aceite pelo seu País, fixou sanções económicas e ameaçou que reagiria com a máxima força a qualquer atitude hostil. Só conhece a força não gosta de diálogo.

António João Soares
31 de Julho de12018

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domingo, 5 de agosto de 2018

CHINA ASPIRA A PRIMEIRA POTÊNCIA...

A China está a aproveitar para comprar países europeus inteiros e, nalguns casos, a preço de saldo. Portugal é um bom exemplo desse tipo de investimento
Transcrição de entrevista de Pedro Baños, espanhol, Coronel, na reserva, especialista em Geopolítica e Terrorismo publicada na VISÃO de 2 de Agosto de 2018

Entre 2001 e 2004, foi chefe de Contrainteligência e Segurança do Eurocorps, em Estrasburgo. Recentemente, durante a formação do Governo de Pedro Sánchez, o nome do espanhol Pedro Baños, 58 anos, chegou a ser dado como certo para diretor da Segurança Nacional. No entanto, a oposição protestou, atribuindo a este militar simpatias pró-Putin. A editora Clube do Autor acaba de lançar, em Portugal, o seu livro Os Donos do Mundo.

Em Espanha, o Partido Popular e o Ciudadanos acusaram-no de simpatias pró-Rússia. A que atribui essa suspeita?

Tenho defendido, e continuo a defender, que a União Europeia (UE) deve fazer o possível por manter muito boas relações com a Rússia. Esta tem tudo o que nos falta, a nós, na UE: recursos, energia e minerais estratégicos. Acho um erro o atual clima de confronto que pode até desembocar, nem que seja por acidente, num conflito armado. Há que evitar isso a todo o custo. Devemos ter relações económicas e comerciais mais fluidas com a Rússia. É importante para a segurança europeia, do ponto de vista não só militar, mas também da prosperidade de que necessitamos.

Entre 2001 e 2004, foi chefe da Contrainteligência e Segurança do Eurocorps. Os problemas de segurança que se punham à Europa eram muito diferentes dos de hoje?

Estamos a viver situações muito complicadas, entre outras razões, porque dá a ideia de que os EUA estão, de certa forma, a abandonar a segurança europeia, que até aqui garantiam. Donald Trump enviou recentemente aos presidentes ou aos primeiros-ministros de vários países da UE uma carta, na qual dizia que terão de aumentar, no caso de Espanha mais do que duplicar, o orçamento da Defesa, se querem que os EUA continuem a defender a sua segurança. É uma mudança de paradigma muito importante.
A Europa devia estar a fazer um esforço para desenvolver a sua própria segurança. No entanto, os países têm perceções muito diferentes das ameaças, o que impede um exército único. Hoje pensa-se em criar uma Europa a duas velocidades em termos de Defesa, um sistema em que um conjunto de países aceite as regras do jogo, dotando-se de Forças Armadas comuns. Só que isso implicará que outro grupo de países fique à margem dessa defesa, o que também mostra a debilidade da UE atual.

Quais seriam as consequências dessa Europa a duas velocidades?

Há um risco evidente, porque incluiria os países mais poderosos, como se vê pelos que assinaram o acordo de princípio, mas deixaria à margem países importantes, que também terão o seu peso na UE. Quando se fala em exércitos, não se pode avaliar só a parte do PIB destinada à Defesa; tem de se ter em conta também a vontade política, as missões. E nisto há uma profunda disparidade dentro da UE.

Escreve, no livro, que a Europa já manda pouco e tenderá a mandar cada vez menos. Isso sente-se em quê?

Estamos a retroceder na capacidade de influenciar o contexto mundial. Em contrapartida, outros países afirmam-se, muito centrados na Ásia, sobretudo a China, mas não devemos esquecer a Índia, com os seus 1 300 milhões de habitantes, muito boa tecnologia, e onde as elites falam inglês, o que permite maior penetração nos mercados internacionais. Estamos numa guerra económica claríssima, em que a Europa perde competitividade. Até há pouco tempo representava 25% do PIB mundial, hoje anda pelos 17% e, por volta de 2030, prevê-se que não seja mais de 7% ou 8%. Se não formos capazes de reinventar a UE, teremos um futuro realmente incerto.

Até que ponto a vinda de refugiados levanta problemas reais de segurança à Europa?

Quando se fala em segurança, há novamente que ter em conta a nossa diversidade. A principal preocupação dos países do Leste ou do Centro da Europa é com a Rússia. Já na faixa mediterrânica, Itália, Malta, Espanha ou Grécia, o problema são os movimentos migratórios em massa descontrolados, até pelo perigo de terrorismo de recorte salafita e jihadista. Esta diversidade faz com que também não sejamos capazes de chegar a acordo quanto a políticas comuns para combater os riscos de segurança. É uma grande debilidade.

O declínio da Idade do Petróleo que consequências geoestratégicas trará?

Na Europa, somos absolutamente dependentes do exterior em energia, seja em gás ou em petróleo. Isto não vai mudar assim. Ainda que amanhã todos os automóveis particulares passassem a ser elétricos, o petróleo continuaria a ter muita importância, pois grande parte do que nos rodeia provém de derivados do petróleo. No Médio Oriente, coexistem vários fatores, mas um importante é obviamente o domínio dos poços de petróleo, porque na Arábia Saudita, no Kuwait ou no Iraque estão os poços mais rentáveis do mundo, tanto pela qualidade do crude como pela facilidade de extração.

Portanto, não influirá muito na evolução do Médio Oriente?

Todos os problemas do Médio Oriente se repercutem no conjunto da UE. O mesmo sucede com o Magrebe, os países do Sahel e, cada vez mais, com a África Ocidental. A intervenção na Líbia, absolutamente errada, trouxe grande desestabilização. Voltando ao Médio Oriente, travam-se ali guerras sobrepostas, como no caso da Síria, onde há uma guerra civil, uma guerra regional e uma guerra de política mundial, a do confronto entre a Rússia e os EUA.

Como perito em contrainteligência, de que forma prevê que evolua o terrorismo jihadista?

Continuará a existir, porque não se eliminaram as suas raízes. Porém, preocupa-me muito mais o fundamentalismo salafita que está a instalar-se na Europa, ao qual se presta menos atenção.

Surpreendeu-o o encontro entre Trump e Kim Jong-un?

Sim. Creio que se insere um pouco na política de Trump que chamo “a estratégia do louco”, para nos manter numa incerteza permanente. De repente, Jong-un passa de ser o mais monstruoso do planeta a quase candidato ao Nobel da Paz, por chegar a acordo com Trump. Falta saber muito do entendimento que terá realmente existido. Provavelmente, um dos fatores por detrás do secretismo será a quantidade de dinheiro que os EUA darão à Coreia do Norte para a contentar e para que abandone, ainda que só parcialmente, o projeto nuclear. Não estou nada otimista, pois creio que se tratou mais de um gesto do que de algo que vá frutificar. O resultado passará pela relação entre os EUA e a China. Esta não pode permitir que a Coreia do Norte passe a ser um país, não digo aliado, mas, ao menos, não inimigo dos EUA.

No livro, diz que a “estratégia do louco” se aplica também a Kim Jong-un.

É verdade. Porém, ele acabou por demonstrar que a arma nuclear funciona. Um país pequeno, e dos mais pobres da Terra, conseguiu sentar-se à mesa de negociações, pelo menos teoricamente, com o país mais poderoso do planeta. Ele bem dizia que os países não se invadem por terem armas de destruição massiva, como alegadamente o Iraque em 2003, mas por não terem. A Coreia do Norte conseguiu um grande êxito, sobretudo em termos de política interna.

Como vê a fase atual das relações entre os EUA e a Rússia?

Desde o desaparecimento da URSS, os EUA tornaram-se o país mais poderoso. A sua Marinha é maior do que todas as outras juntas, designadamente em número de submarinos nucleares. Mas desde 2000, quando Putin chegou ao poder, a Rússia quer recuperar, se não todo, pelo menos parte do peso político que tinha nos tempos da URSS. E os EUA não estão interessados, no mínimo, nessa partilha de poder.

No entanto, diz que Trump e Putin têm muita afinidade ideológica. É possível isso existir entre um magnata e um ex-quadro do KGB?

Tanto um como outro querem instaurar um novo conservadorismo, o regresso aos valores tradicionais que eles achavam corretos e que estariam a perder-se. Putin, que era tenente-coronel do KGB, é muito astuto e dá muita importância à economia, pois sabe que sem isso não é possível ter umas boas Forças Armadas, um bom serviço de Inteligência ou um bom serviço diplomático. E Trump, que vem do mundo dos negócios, quer recuperar a capacidade económica dos EUA, o domínio que estava a perder. Isto não significa que tenham o mesmo entendimento político. No entanto, como decisores têm grande afinidade ideológica.

Como vê a China na sua relação com os EUA e com a Europa?

A China, de forma mais astuta e a longo prazo, quer também dominar o mundo, e igualmente através da economia. Isto não é novo, pois, já em finais dos anos de 1970, Deng Xiaoping reinventara o país deixado por Mao, para poder reforçar a sua capacidade económica.
E a China está a aproveitar para comprar países europeus inteiros e, nalguns casos, a preços de saldo. Portugal é um bom exemplo do investimento chinês, seja no porto de Sines, nos transportes aéreos, na Banca ou na eletricidade estatal, seja através dos Vistos Gold, quase todos adquiridos por chineses.
A penetração da China em setores estratégicos do continente europeu é um dado relevante.

O embaixador norte-americano em Portugal disse recentemente que os EUA estão preocupados, sobretudo por os negócios envolverem empresas estatais chinesas. Assim, tratar-se-ia de uma parceria política e não económica.

É perfeitamente compreensível essa preocupação do embaixador. E poderíamos falar também de África ou da América Latina. Há alguns confrontos, como na Venezuela, a que não é alheia essa disputa política entre EUA e China. Quase toda a dívida externa da Venezuela está nas mãos da China, que não quer um governo que deixe de lhe pagar. Os EUA estão muito preocupados, veem a China cada vez mais como o principal inimigo. Claro que, quando esta se tiver consolidado do ponto de vista económico, o próximo passo será dotar-se de um exército mais poderoso, não só em número de efectivos mas também qualitativamente.

Dedica parte do livro à guerra pelo Espaço. Em que ponto estamos?

O domínio do Espaço é um novo campo de confronto entre as grandes potências. Não só porque, se a população continuar a crescer ao ritmo atual, serão necessários novos destinos para a Humanidade mas também pelos recursos naturais, a energia, os materiais que existem em asteroides e planetas. A China e a Índia também estão nesta corrida. Em janeiro, Trump deu ordens à NASA para tratar do regresso de seres humanos à Lua, seguindo depois dali pelo menos para Marte. E crê-se que se têm instalado armas a laser em alguns satélites.
O Espaço está de novo a ser militarizado.

Quais são as grandes evoluções geoestratégicas previsíveis para os próximos tempos?

Preocupam-me vários temas que são transversais. Os países, sobretudo os pequenos, devem estar atentos às tentativas de controlo económico por parte de grandes grupos investidores, de grupos de capital de risco ou de fundos soberanos de outros países. Senão, estaremos a vender os nossos países a preços muitos baixos, o que terá consequências no futuro.
Outro problema é a degradação do meio ambiente, incluindo as alterações climáticas. Recursos naturais como a água vão adquirir um valor enorme. Grandes multinacionais já estão a investir em água, o que se relaciona com outro desafio estratégico que é a demografia. Nalguns países, o problema será a baixa natalidade, como já acontece na Europa. Ao contrário, em África a população vai duplicar (até 2050). Outra ameaça importante é a disputa que se trava no ciberespaço, na internet e nas redes sociais, com toda a manipulação e todo o controlo dos meios de informação. Lamentavelmente, creio que os políticos não prestam a devida atenção a isto, que será uma grande vulnerabilidade para toda a Europa.

Mas há maneiras de conseguir realmente mais segurança no ciberespaço?

Muito mais. Um ataque importante no ciberespaço pode bloquear um país inteiro. Tudo é controlado pela informática, seja o fornecimento de água e de eletricidade seja o funcionamento dos bancos. Os grandes países têm verdadeiros exércitos neste tipo de tarefas.
Os EUA elevaram o seu comando de ciberguerra, já nem lhe chamam ciberdefesa, ao nível de comando estratégico, tal é a importância disto para a segurança dos cidadãos. Há que prestar toda a atenção a este tipo de risco.
visao@visao.pt

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terça-feira, 31 de julho de 2018

DECISÕES COERENTES COM ESTRATÉGIAS

Decisões coerentes com estratégias
(Publicado no Semanário O DIABO em 31 de Julho de 2018)

As decisões devem ser sempre integradas em estratégias gerais, abrangentes, globais, para não serem marginais e lesivas de prioridades correctas. A coerência deve ser sempre uma preocupação em qualquer decisão e, mesmo que pequena, deve ser bem preparada para não gerar desperdícios de tempo, de energia e de recursos. Há que evitar o desprestígio de anular uma decisão tomada e depois substituída por outra com diferente orientação.

Têm sido criticadas muitas promessas, ornadas de palavras como “garanto”, “asseguro”, mas que depois não são realizadas. Convém não abusar de tais erros. E antes de exteriorizar uma tendência deve-se fazer a listagem das possíveis modalidades de acção, com base na opinião de pessoas sérias, independentes e intimamente ligadas ao assunto.

Há alguns dias, o PM anunciou, num estaleiro do Norte, que nos próximos seis a oito anos irão ser construídos sete novos navios para a Marinha portuguesa, uma promessa que seria agradável para os marinheiros, se viesse a ser concretizada, se os problemas financeiros que o País atravessa não viessem a agravar-se. Será que isto se integra num estudo abrangente do desenvolvimento para Portugal? Será que o grupo que preparou a estratégia em que se insere esta decisão foi formado por pessoas competentes, apartidárias, com experiência que permita confiar na sua noção global dos interesses nacionais?

Ou foi uma promessa fantasiosa para iniciar a propaganda eleitoral das próximas eleições? Tal investimento e a possível estratégia nacional em que se integra, irá preocupar as pessoas dependentes do SNS, ao ponto de se recear a emotividade sentida pelos utentes, pelos médicos e pelos enfermeiros. Também não será muito positiva a reacção de pessoas ligadas ao ensino, para além de professores e de quem estuda as necessidades de reforma do ensino, para formar cidadãos válidos e produtivos na economia das próximas décadas. É que, para estes sectores, a austeridade, o défice e a dívida pública são o argumento usado para justificar as restrições e os apertos do cinto.

Mas os próprios marinheiros devem estar duvidosos de tal presente, até porque foi baptizado o Navio-Patrulha Oceânico Sines, o primeiro de dois em construção nos estaleiros de Viana e que apenas pode dispor de lanchas semi-rígidas temporárias para missões de busca e salvamento e não se prevê o tempo que irá demorar até que ele possa dispor do armamento adequado e do equipamento electrónico indispensável para cumprir as missões verdadeiramente militares para que foi concebido.

Mas além de muitas promessas, eventualmente justificadas por motivos políticos, tem havido muitas decisões tomadas levianamente e que foram engolidas em seco, como por exemplo a que impunha a limpeza de matas à beira das estradas e povoações até dia 1 de Março e que teve de ser alterada para uma data muito posterior. Também o problema da mudança do Infarmed parece ter sido estudado por um grupo de trabalho formado por iniciativa do Governo sem devida apreciação do método e isenção dos seus elementos. Mas estes erros vêm de longe. Quando Sócrates foi pressionado a mudar o aeroporto de Lisboa para a Ota, pediu pareceres confirmativos a amigos, gastando muitas centenas de milhar de euros e, quando o problema veio a público, foi tal a discussão, que em vez da Ota foi decidido mudar para Alcochete. Mas há poderes a que os políticos não conseguem resistir e esse aeroporto passará para Montijo, embora haja outra sugestão mais fácil, já com ligações internacionais e com melhores transportes para Lisboa, em Tires.

António João Soares
24 de Julho de 2018

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terça-feira, 24 de julho de 2018

SENSATEZ, LÓGICA E MÉTODO

Sensatez, lógica e método
 (Publicado no Semanário O DIABO em 24 de Julho de 2018)

 A vida real oferece lições que não devemos desperdiçar: casos como o dos rapazes bloqueados em gruta na Tailândia, o da crise do Sporting e a falhada tentativa de eliminar as touradas mostram que, ao decidir uma acção vistosa, é indispensável utilizar os ensinamentos da vida para a preparação da decisão. É conveniente não deixar de usar sensatez, uma finalidade bem ponderada, uma lógica assente na análise das vantagens e inconvenientes e uma estratégia correcta no percurso desde o ponto de partida até ao objectivo.

 Ser lunático, utópico ou sonhador, é aceitável quando se é coerente consigo próprio, com a natureza e com um futuro melhor. Foi com base em sonhos lunáticos que se realizaram grandes passos em frente ao longo da história da ciência, da tecnologia, da arte, etc., mas a concretização prática foi obtida por técnicos pragmáticos bons conhecedores das realidades e das ferramentas de trabalho para darem à ideia um plano e um projecto realista.

 Infelizmente, o mundo tem sofrido as consequências de aventuras fúteis e precipitadas por entusiasmos de pessoas, com poder, que se consideraram competentes e detentoras de toda a verdade e saber e cometeram erros graves cuja recuperação teve que ser demorada e com muitos danos para a Humanidade. O caso da gruta na Tailândia pode ter resultado de curiosidade, mais ou menos científica, ou colectiva ou apenas do treinador que induziu os seus discípulos a uma situação irreflectida e com riscos incompatíveis com as suas capacidades de solucionar. Felizmente para eles, tudo acabou bem, mas deixaram a lição de que aventuras deste género devem ser tomadas apenas por grupos de dois ou três, tendo atrás um apoio para socorro imediato no caso de dificuldade inesperada.

O caso do Sporting Club de Portugal foi grave e inconveniente, lesando a sua história relevante, não apenas na imagem, mas também nos próximos resultados. Estiveram em foco a falta de sensatez, de ponderação, de lógica, sem método nem finalidade racional e coerente, que alguns jornalistas apelidaram de loucura. Os conflitos geradores de hostilidades entre pessoas que devem usar convergência de esforços, são de evitar a todo o custo, para não estragar o espírito de equipa. O consenso deve ser a ferramenta a usar com lealdade e espírito construtivo para conseguir o maior êxito do trabalho conjunto. O respeito pelos outros e a vontade de obter vitórias devem ser desenvolvidos em permanência no espírito de todos os elementos de um clube.

Quanto à tentativa de acabar com o espectáculo das touradas, foi mais um exemplo da mentalidade de políticos que se consideram donos de todo o bom senso e querem impor ao povo as suas idiotices, custe a quem custar. A vida não pode ser gerida por caprichos. Tive animais domésticos e gosto de todos os animais, como se deduz do texto publicado recentemente, “Os ‘ditos irracionais’ e nós”, mas discordo que se faça a antropomorfização dos animais. Cada macaco em seu galho. Se se pretende chegar ao ponto de proibir as pessoas de se alimentarem de carne para não sacrificar a vida de animais, como se vai condenar o leão que come a zebra, ou outros animais carnívoros que seguem as forças da natureza para se alimentar? E qual é o bom senso de um político que quer proibir a tourada, divertimento do touro que nela mostra a sua valentia e combatividade, mas ignora o sacrifício de muitos desportistas que arriscam a vida para vencer uma prova? E que preocupação sente pelas pessoas que vivem com grandes dificuldades de subsistência? Devem ser escolhidos objectivos de VALOR, com SENSATEZ, e procurar concretizá-los com LÓGICA e MÉTODO. ■

António João Soares
17 de Julho de 2018

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terça-feira, 17 de julho de 2018

O DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO TERÁ CRESCIDO?

O desenvolvimento económico terá crescido?
(Publicado no Semanário O DIABO em 17 de Julho de 2018)

Tem havido palavras, em tom intencionalmente solene, a afirmar que o crescimento do desenvolvimento económico tem aumentado. Mas elas são, pouco depois, contrariadas por notícias de factos reais.

Na saúde, as dificuldades são conhecidas de muitos cidadãos que sentem no corpo a demora de consultas marcadas para datas muito distantes, por vezes tornadas desnecessárias por falecimento do doente. O mesmo se passa quanto a intervenções cirúrgicas e exames médicos. Esta deficiente capacidade de resposta está ligada a notícias de que “nos hospitais faltam coisas simples como compressas e fios de sutura”. Por carência de camas e do respectivo pessoal de enfermagem tem havido situações caóticas em serviços de urgência, por os médicos não terem onde internar os doentes.

Muito significativo o caso de os chefes de equipa de medicina interna e cirurgia geral do Centro Hospitalar de Lisboa Central terem apresentado a demissão por considerarem inaceitáveis os níveis de segurança das condições da urgência do hospital de São José. E, segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, esta situação pode acontecer noutros hospitais por as pessoas estarem a trabalhar no limite. É estranho que os mais altos responsáveis não queiram ver as realidades que afectam os portugueses.

É certo que o dinheiro é pouco e não dá para tudo. Nesse caso, é preciso ter o bom senso e sensibilidade para definir prioridades e colocar acima de tudo os interesses essenciais das pessoas. Mas, apesar de carências financeiras, “Portugal disponibiliza financiamento de 202 milhões de euros para Moçambique”, “Portugal vai cumprir exigências de Trump nos gastos com Defesa”. Mas quando as necessidades das pessoas estão em situação crítica, não deve haver prazer em saber os “EUA satisfeitos com o compromisso de Portugal na área da Defesa”.

É preciso prevenir o risco de recessão prolongada e do aumento do endividamento, pelo que são urgentes medidas racionais, sensatas e bem aplicadas.

E para fazer face aos riscos de recessão, já a troika, quando geria a nossa economia, propôs medidas que o Governo de então recusou mas que não devem ser esquecidas: redução das mordomias dos ex-Presidentes da República; redução do número de deputados da AR para 80, profissionalizando-os como noutros países; reforma das mordomias na AR, como almoços opíparos à custa do erário; acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas sem reconhecida utilidade; acabar com as empresas municipais que apenas servem para dilatar a folha de pagamentos; verificar as empresas de estacionamento e os seus aparelhos; redução drástica das Câmaras Municipais, Assembleias Municipais e Juntas de Freguesia; acabar com o financiamento aos partidos, que devem viver das quotas dos associados; acabar com a distribuição de carros a presidentes, assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc.; acabar com os motoristas particulares 20 h/dia; acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado; colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado; acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira; controlar a assiduidade do pessoal da função pública; acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos; acabar com os milhares de pareceres jurídicos; acabar com as várias reformas por pessoa; combater corrupção e desvios de dinheiro; acabar com os salários milionários da RTP; acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP; acabar com as PPP; criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito; controlar rigorosamente a actividade bancária; pôr os bancos a pagar impostos, etc.

António João Soares
10 de Julho de 2018

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terça-feira, 10 de julho de 2018

OS «DITOS IRRACIONAIS» E NÓS

Os «ditos irracionais» e nós
(Publicado no semanário O DIABO em 10-07-2018)

Numa conversa em que me referi ao egocentrismo de seres humanos da antiguidade que classificaram de racionais os seus semelhantes e de irracionais os outros seres vivos, alguém se referiu à conveniência de eliminar os quadrúpedes com cornos, por haver casos de graves agressões deles a humanos.

Quanto ao uso do raciocínio e da razão, há provas abundantes de que os «ditos irracionais» são mais racionais do que muitos humanos, no seu relacionamento familiar, de bando e com outros de espécie diferente.

Dos muitos vídeos que tenho visto, vou salientar dois que mostram o relacionamento de touros com homens. Um deles mostra uma arena com dezenas de pessoas alinhadas como se fosse formatura militar com intervalos entre si de dois ou três metros. Estavam imóveis quando do curro foi libertado um toiro que correu em direcção ao centro da arena, abrandou a marcha e avançou pelo meio das pessoas sem um gesto de agressão. Andou serenamente em várias direcções até que vim um indivíduo na borda da arena a agitar algo parecido com uma bandarilha e desatou a correr nessa direcção. O indivíduo parou a bandarilha e escondeu-a atrás das costas, o que fez parar o touro. Depois um outro jovem, noutro local, movimentou-se ostensivamente provocando igual reacção. O touro mostrou que teve a noção de que as pessoas paradas não constituíam ameaça mas que era preciso defender-se de quem aparentava querer agredi-lo. Outro vídeo mostrava a brutal violência dos touros numa largada em Espanha perante rapazes que os queriam enfrentar e tinham de fugir para não serem maltratados. Perante um touro em pleno desespero contra a rapaziada, um homem de média idade apareceu na rua, calmamente, parou e viu o touro passar ao lado sem lhe fazer qualquer mal, depois falou serenamente ao animal e este aproximou-se e permitiu que o homem lhe fizesse uma festa no cachaço.

Cenas como estas aparecem no mato africano entre pessoas e animais. Mas há outras imagens de amizade entre animais da mesma espécie e até entre animais de espécies diferentes, como cães e gatos. A forma como as mães cuidam das crias e estas as seguem em cada passo que dão, faz pensar no desleixo de muitas mulheres que abandonam e os filhos ou os maltratam até à morte. Depois de os verem crescidos afastam-nos para buscarem alimento e procurarem os seus pares. É admirável o procedimento de grupos organizados, disciplinados em deslocamentos ordenados com vigilância para ninguém se transviar, fazendo lembrar militares do SMO nos exercícios da recruta. Merece atenção a forma como procuram solução para problemas, principalmente quando o ambiente foi alterado e eles não sentem dificuldade em contornar os obstáculos e encontrar a estratégia para atingir o seu objectivo. É admirável como se servem da sua audição e do olfacto para se dirigirem onde lhes interessa, etc.

É remunerado o tempo que se utiliza para observar o formigueiro ou as abelhas na busca do pólen, ou o bando de patos em deslocação, de forma ordenada e com disciplina, ou o alinhamento de aves migratórias em voos bem alinhados no regresso à sua nova região, ou o regresso aos locais onde viveram no ano anterior.

Portanto, não me considero errado ao dizer que temos muito a aprender com aqueles que os nossos antepassados denominaram de «irracionais» e que são mais racionais do que muitos humanos, principalmente nos tempos actuais em que as normas éticas estão esquecidas e as pessoas não respeitam as outras e se concentram exageradamente nos smartfones.

António João Soares
3 de Julho de 2018

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terça-feira, 3 de julho de 2018

REFUGIADOS. APOIAR SEM FUGA OU DEPOIS DELA

Refugiados. Apoiar sem fuga ou depois dela?
(Publicado no semanário O DIABO em 03-07-2018)

O problema de refugiados, migrantes ou imigrantes está a dar origem a opiniões diversas e a discussão dentro da União Europeia e não só. Além do problema humanitário, há receios ligados à segurança e há a preocupação sensata de investigar as situações por forma a encontrar soluções na origem que evitem a incomodidade das deslocações de famílias para ambientes estranhos muito diferentes dos da sua naturalidade.

Quanto a problemas de segurança, nesta época de terrorismo e violência, há quem recorde que o Império Romano caiu sob a insubordinação dos Godos cuja entrada no Império se deveu à boa vontade de um Imperador que, para suprir a pouca quantidade de jovens para o exército, facilitou a entrada dos refugiados Godos que tinham sido vencidos em luta com os Hunos, tendo-lhes fornecido barcaças para atravessarem o rio durante vários dias.

Actualmente, devido ao facto de os refugiados, em vez de procurarem adaptar-se à cultura e aos costumes do país que escolheram, quererem impor ao país acolhedor os seus hábitos de origem, gerando conflitos sociais, alguns de brutal violência como tem acontecido na Grã-Bretanha e em França, têm resultado situações de prevenção, como na China, na Austrália, na Áustria, na Itália, nos Estados Unidos, etc.

Perante este complexo problema social, as atitudes de caridade começam a ser ponderadas no sentido de ser mais favorável, para todos, adoptar soluções de melhoria da qualidade de vida nos países de origem, evitando aos migrantes o sacrifício da mudança e a sua exploração pelos traficantes que lhes vendem viagens por alto preço e grave risco de vida, como se tem verificado no Mediterrâneo.

Para a hipótese da solução nos países de origem será conveniente a actuação da ONU, na sua missão de manter a paz mundial e contribuir para a melhor qualidade de vida das populações. Segundo opiniões de pensadores responsáveis, esta solução seria mais justa, humana, prática e cómoda para as pessoas, que não teriam de sofrer as dificuldades da viagem nem da inserção numa sociedade com cultura, idioma e usos diferentes. Por outro lado, os países de destino, em vez da despesa dos apoios diversos a darem aos imigrantes, utilizariam as verbas directamente nos países de origem com a superintendência de adequado organismo da ONU. Tal solução seria útil para os necessitados de mudança, para o ambiente geral do seu país e para a humanidade em geral. Só seriam prejudicados os traficantes que incitam os mais indefesos a migrar, lhes cobram somas avultadas que compensam largamente os barcos velhos e inseguros que se perdem nos naufrágios, sem o mínimo respeito pelas vítimas de tais acidentes que lhes provocam.

Essa ajuda financeira, aplicada adequadamente para a redução da pobreza, para diminuir a desigualdade social que mina o potencial de crescimento e gera conflitos internos, altamente nocivos. e para o aumento de emprego através do desenvolvimento económico assente em quatro vectores: apoio à agricultura, que é o caminho mais rápido para a industrialização, apoio no desenvolvimento de clusters industriais e zonas económicas especiais, apoio no desenvolvimento de políticas industriais e apoio no financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística. Isto seria baseado numa bem elaborada doutrinação conducente à eliminação da violência através de aperfeiçoar o bom entendimento, e na informação e análise do que tem funcionado bem e o que não funcionou, a fim de não repetir erros, com vista a investir correctamente na melhoria da qualidade de vida.

António João Soares
26 de Junho de 2018

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terça-feira, 26 de junho de 2018

O FUTURO EXIGE OBJECTIVOS E ESTRATÉGIAS

O futuro exige objectivos e estratégias
(Publicado no semanário O DIABO em 26-06-2018)

O passado terminou ontem. Dele devemos aproveitar a experiência e as lições que ajudem a evitar erros e proporcionar inovação positiva, ponderada e útil para se viver bem no momento actual e se preparar o futuro mais desejável do ponto de vista da qualidade de vida, individual e social.

O futuro deve ser preparado começando pela definição de objectivos bem definidos, de forma inteligente e lógica prática, com base em análises da previsão das condições ambientais e das capacidades disponíveis ou a preparar, etc. Os objectivos, após serem definidos transformam-se numa finalidade, ou etapa, a atingir com perseverança, persistência e determinação. Para isso, não devem partir de palpites ou de simples caprichos ou inspiração momentânea.

Definido um objectivo, há que procurar a estratégia adequada, isto é, a pista a seguir para o atingir, com etapas, obstáculos a vencer, etc. Sem este trabalho de definir objectivos e escolher a estratégia adequada para os atingir, o futuro não será famoso e não passará de um desejo de prémio de lotaria, com percurso incerto, e escolhos imprevistos que obrigam a paragens, recuos e avanços. Tais indecisões resultam em erros e emendas de custos inestimáveis e sem uma esperança chamada objectivo ou finalidade desejada, sendo o improviso uma arriscada solução de emergência.

Porém, todo este trabalho de planeamento do futuro desejável pode obrigar a mudanças da actividade rotineira, mais ou menos conflituosas com o passado recente. Por isso, é muito útil, mesmo indispensável, que se respeitem valores, tradições e costumes que forem considerados merecedores de continuidade, independentemente de alterações da situação social. Roturas estruturais podem ocasionar custos elevados, mesmo irreparáveis, pelo que devem ser devidamente analisadas em termos de custo/eficácia.

Esta metodologia, aplica-se, em termos gerais, a actos individuais e, principalmente, de empresas e de instituições públicas de que dependem vários aspectos da vida das pessoas delas dependentes. Os governantes devem reflectir sobre o assunto.

A propósito de objectivos, será que no recente acordo entre a Coreia do Norte e os EUA, o objectivo daquele Estado asiático será estimular todos os Estados membros da ONU a terem coragem de, tal como ele, mostrar aos privilegiados do Conselho de Segurança a conveniência de procederem também à sua desnuclearização porque o perigo do uso de armas nucleares depende da sua potência e capacidade de destruição e não do Estado que as lança? Portanto, a desnuclearização, deve ser geral e fiscalizada por órgão independente e democraticamente eleito em Assembleia Geral da ONU. E os Estados Membros devem ser iguais em deveres e direitos. A Coreia do Norte começou por defender o direito a ter arma nuclear, como outros têm e, depois, reconheceu o perigo de tal arma e desmontou-a, podendo agora exigir que o seu exemplo seja obrigatório para todos os Estados que a possuam. Mas o seu objectivo pode ser alargado à exigência de no CS deixar de haver Estados com assento permanente e direito a veto, como manda a democracia.

Há quem ache lógica e inteligente esta intenção e que, devido a isso, ao acordo com os EUA e ao bom relacionamento com a Coreia do Sul, lhe seja atribuído o Nobel da Paz.

Na forma como encarou o acordo, perante as hesitações e contradições do Presidente Trump, Kim Jong-un mostrou ser inteligente e não será de estranhar que o esquema exposto seja real.

António João Soares
19 de Junho de 2018

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terça-feira, 19 de junho de 2018

PARA UM FUTURO MELHOR

Para um futuro melhor
(Publicado no semanário O DIABO em 19-06-2018)

Felizmente, neste mundo de egoísmos e fanatismos pelo dinheiro, com desprezo pela qualidade de vida das pessoas, há sinais de entidades que se preocupam com planeamento a longo prazo para crescimento social e melhor qualidade de vida. Muito importante é a notícia agora recebida do acordo assinado por Tump e Kim Jong-un sbre a desnuclearização da península coreana, a criação de relações diplomáticas e os desejos de paz e prosperidade dos povos.

A China tem dado muitos sinais de desejar a paz e de evitar a guerra, havendo exemplos muito significativos: o apaziguamento da Coreia do Norte que levou a bom relacionamento com a Coreia do Sul e com os EUA e está a bom caminho de evitar uma guerra comercial com este Estado, fazendo com ele um acordo de que resultará para ele uma redução muito significativa do seu défice comercial.

Também a China está a dar um bom exemplo de reduzir o perigo da agressividade dos «imigrantes» islamitas, sem usar de violência, mas tonando medidas preventivas, sugerindo-lhes a integração nas tradições e na cultura chinesa. Para começar, todas as mesquitas na China deverão içar uma bandeira deste país e "estudar a Constituição, os valores socialistas e a cultura tradicional" chinesa. Com vista à integração social, Pequim decidiu banir ou controlar várias práticas muçulmanas, incluindo a de manter a barba longa e jejuar durante o mês do Ramadão, afirmando que são símbolos do "extremismo islâmico".

Na Síria, membros do grupo radical Estado Islâmico foram retirados de várias zonas do sul da capital síria, onde ocorreram violentos confrontos no final do mês de abril, e os membros do Estado Islâmico que permaneciam no local destruíram bases, quartéis e veículos e a situação no local "é calma" depois de ter sido alcançado um acordo para a retirada de combatentes do grupo extremista, o que "supõe na prática um acordo de rendição".

Na África, continente que tem sido mais explorado do que apoiado no crescimento, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), anunciou que vai investir até 35 mil milhões de dólares na industrialização do continente. E como a simples disponibilidade em dinheiro não chega para resolver o problema do futuro em economias de fraco crescimento, considera fundamental ajudar na capacidade de formação, e informar sobre o que funcionou e o que não funcionou e como evitar a repetição de erros o que é, muitas vezes, mais importante do que o dinheiro, para lançar o crescimento. O plano do BAD, nesta área, está assente em quatro pilares, apoio à agricultura, que é o caminho mais rápido para a industrialização, apoio ao desenvolvimento de clusters industriais e zonas económicas especiais, apoio ao desenvolvimento de políticas industriais e apoio ao financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística. Desta forma, a África poderá dar um salto em frente na rota do crescimento e desenvolvimento. Também a Coreia do Sul parece querer participar activamente no desenvolvimento de alguns países africanos, com apoios adequados a cada país, aproveitando a quarta revolução industrial para garantir aos cidadãos um salto tecnológico". Entretanto, continuam as conversações entre os EUA e a Coreia do Norte, com vontade de ultrapassar os atritos ocorridos e chegar a uma condição de amizade de que resultem melhores condições para a vida da população que tem vivido em dificuldades e carências de vária ordem.

Esperemos que estas intenções sejam realizadas e que surjam muitas semelhantes.

António João Soares
12 de Junho de 2018

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terça-feira, 12 de junho de 2018

CIÊNCIA MAIS FILOSOFIA HUMANÍSTICA

Ciência mais filosofia humanística
(Publicado no semanário O DIABO em 13-06-2018)

Tudo muda na vida, como na Natureza o que se torna evidente em cada dia. A Humanidade evolui impulsionada pelos progressos da ciência e da técnica e arrastada pelos valores económicos por elas proporcionados, desprezando, muitas vezes, os valores humanos que nunca devem ser esquecidos.

Na mais distante antiguidade, os mais graves conflitos entre grupos ou tribos eram resolvidos com flexas e lanças com fraco poder mortífero, mas hoje usam-se armas de grande poder letal, como dizem aa notícias.

Os cientistas e os técnicos industriais devem procurar que os resultados dos seus trabalhos e investigação tenham finalidade útil para melhor qualidade de vida das pessoas e não para o seu mal, sofrimento ou destruição. A mesma preocupação deve existir da parte dos governantes e outros responsáveis pela gestão pública. Mas a realidade mostra que, na base de todas as acções mais nocivas para a vida humana, está o fanatismo pela droga financeira que conduz aos mais atrozes actos contra a humanidade. Para obter mais poder, há muita gente que não olha aos resultados laterais que afectam muitas pessoas inocentes e alheias aos negócios em jogo.

O general Eisenhower, nos seus últimos anos de vida, alertou contra o perigo resultante do «complexo industrial militar» que tinha sido útil para a vitória da Segunda Guerra Mundial mas que não estava interessado em encerrar os laboratórios de investigação, as fábricas e oficinas e iria pressionar governantes para lhes consumirem as armas que produziam. E, além disso, a sua pressão passou também a incidir sobre líderes de grupos rebeldes que desenvolveram o terrorismo, contra tudo e todos, orgulhando-se dos mais atrozes atentados com dezenas de vítimas.

A segunda invasão do Iraque iniciada em 20 de Março de 2003, teve como pretexto que o Iraque «tinha vários laboratórios móveis de armas biológicas» e outros «dados de que Saddam havia tentado comprar equipamentos no exterior para construção de material nuclear». A invasão não detectou provas de qualquer das suspeitas. Quem lucrou com tal belicismo? Os construtores e fornecedores do armamento e munições consumidos na operação e durante já mais de 15 anos. Os resultados abrangem milhares de vidas perdidas da população e destruição em património algum classificado de interesse mundial.

Será bom para a humanidade que os resultados dos trabalhos da ciência sejam aplicados, segundo os melhores conselhos da filosofia humanística. Esta sugestão deve ser aplicada aos actos de gestores públicos, a todos os níveis, para o que devem ter boa informação do âmbito da filosofia humanística e evitarem deixar-se pressionar por interesses dos poderosos financeiros, económicos ou outros, que sejam lesivos das pessoas, principalmente das mais desprotegidas.

No dia 13-04-2017, os EUA lançaram no Afeganistão a «mãe de todas as bombas», com potência superior à de mil bombas de Hiroshima, para destruir rebeldes talibãs. Apesar desse potencial, nove dias depois, uma base militar afegã, à hora em que os militares estavam reunidos para rezar, foi atacada por rebeldes talibãs, causando 150 mortos e dezenas de feridos. A utilização de armamento por mais potente que seja causa demasiado mal às pessoas e não traz benefícios senão para os fornecedores ade armamento.

A Síria suporta os inconvenientes de uma guerra feroz desde 2011 com bombardeamentos de seus aviões, da Rússia, do Irão, da Turquia, da América, da França e da Grã-Bretanha produzindo cerca de 400.000 mortos, 1,5 milhões de feridos e 5 milhões de refugiados, além de destruições incalculáveis.

António João Soares
5 e Junho de 2018

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terça-feira, 5 de junho de 2018

DESCOBRIMENTOS E GLOBALIZAÇÂO

Descobrimentos e globalização
(Publicado no semanário O DIABO em 05-06-2018)

A História demonstra que a Humanidade, tal como qualquer sector da Natureza, não é rígida e imutável, antes está em mudança permanente embora, de forma imperceptível. Não é fácil navegar sensatamente nas ondas de tais mudanças e aparecem mitómanos ou egomaníacos que se enredam em críticas destrutivas geradoras de ódios e desejos de vinganças, alimentados por visões próprias de sociopatas, em vez de fazerem uma correcta descrição para as pessoas perceberem os principais factores de cada mudança.

É o caso da deturpação, por alguns «historiadores» que procuram denegrir os Descobrimentos que, segundo opiniões abalizadas de pensadores estrangeiros actuais, foram o arranque da actual GLOBALIZAÇÃO. A curiosidade, o desejo de saber o que está para lá do horizonte, próprio de cada cientista, levou a geração do Infante D. Henrique a percorrer as costas de África, a contornar o Cabo das Tormentas e fazer a ligação entre dois mundos, o Ocidente e o Oriente.

Tudo tem vantagens e inconvenientes, mas é insensato, enveredar por radicalismos, sobrevalorizar actos menos correctos, esquecendo o conjunto da questão.

A China que cresceu como Império do Meio, onde criou uma tecnologia florescente de que o mundo ainda beneficia e que procurou a defesa pacífica, bem traduzida na Grande Muralha para evitar a invasão pela Mongólia. Depois, aproveitou a abertura ao Ocidente, originada pelos portugueses, e conseguiu ser hoje uma potência comercial de grande importância em todo o mundo, sem ter necessidade de usar violência nem o poder de armas de grande poder destrutivo do agrado de outras potências.

Os descobrimentos procuraram conhecer novos mundos e transmitir-lhes conhecimentos, cultura, religião, procurando melhorar as condições de vida das suas gentes.

Hoje, o continente africano que, devido à sua geografia, tem poucos contactos com o mundo exterior o que lhe tem travado o desenvolvimento, está a atrair a generosidade de apoios como o do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) que pretende investir 35 mil milhões na industrialização do continente, usando de método inteligente que começa por ajudar a criar capacidade de formação e informação, analisando em cada sector o que o que foi bom ou não, para não repetir erros e para avançar para um desenvolvimento sustentável a longo prazo. A finalidade é as pessoas saírem da pobreza e disporem de empregos. O apoio do BAD será iniciado pela agricultura, como caminho mais rápido para a industrialização, o desenvolvimento de «clusters» industriais e zonas económicas especiais, o desenvolvimento de políticas industriais e o financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística.

Também a Coreia do Sul está a preparar cooperação com África que pretende efectuar através de apoios adequados às condições e características de cada país, assegurando um crescimento inclusivo e com infraestruturas 'inteligentes'.

Tanto as intenções do BAD como da Coreia do Sul fazem recordar aquilo que os portugueses fizeram em tempos anteriores, sem os recursos de tecnologia nem de poder financeiro hoje disponíveis. Qualquer bom historiador que analise o que ocorreu durante séculos, entre os portugueses e os povos africanos e asiáticos, onde trabalharam, encontrarão muitas semelhanças com os factos actuais, feitas as proporções entre as possibilidades de então e as de hoje. O mal é o de «historiadores», sem conhecimento das realidades e que, com arrogância e megalomania, querem aplicar as ideologias actuais a realidades antigas. Mas, dessa forma, não terão o êxito de filósofos como o seu ídolo Karl Marx, cujas ideias foram desvirtuadas.

António João Soares
29 de Maio de 2018

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terça-feira, 29 de maio de 2018

PREVENÇÃO, COMO?

Prevenção, como?
(Publicado no semanário O DIABO em 29-05-2018)

Estamos quase a entrar em nova época de fogos florestais, segundo o calendário da Protecção Civil. O PM já deu a sua directiva: não precisa de mais estímulos do PR e a solução reside na prevenção. Embora esta “directiva” não seja perfeita, porque no caso de a prevenção falhar, mesmo que pontualmente, é indispensável preparar sistema de combate a incêndios que, “eventualmente”, ocorram, por forma a não se repetirem as tragédias do ano passado.

E desta directiva tão “brilhante”, o que resulta? Como responsável por uma máquina administrativa, executiva, com uma hierarquia escalonada em diversos degraus, esperará que, em cada degrau, se repita “prevenção”, como tem sido bom estilo dos papagaios da política! Mas o desejável seria a especificação de medidas eficazes conducentes ao objectivo desejado, sucessivamente pormenorizadas e traduzidas em actos práticos e com capacidade de eficiência para evitar os fogos. Evitar deve ser o resultado da prevenção.

Para isso, a máquina executiva terá de esperar eficácia, nas áreas da Administração Interna, da Agricultura, do Ambiente, da Educação, das Finanças, etc. A Administração Interna já evidenciou ausência de conhecimento real do problema ao emitir uma ordem indicando um prazo que teve de ser anulado, por impossibilidade de ser cumprido. A limpeza das matas não pode constar do corte de toda a vegetação, em que se incluem pequenas árvores que viriam a substituir as árvores de hoje, dando natural continuidade à vegetação útil. Sem tal cuidado produz-se a desertificação.

Há que agilizar os vários degraus do poder, chegando até aos guardas florestais, guarda-rios e cantoneiros, passando pelas autarquias, regedores, etc., para consciencializar a população rural sobre os cuidados a ter para evitar os fogos. Não deve ser desprezada a análise dos diversos interesses nos fogos para aplicar uma Justiça rápida e rigorosa, dissuasora de incendiários e seus eventuais financiadores.

Para que o Sr. PM não venha a ser acusado pelos seus actuais colaboradores de ser “vergonhoso e desonroso”, como foi dito do seu antecessor, deve escolher para responsáveis por funções importantes nos diferentes graus da hierarquia pública, pessoas tecnicamente capazes, conhecedoras dos problemas a resolver e experientes na sua prática, a fim de ajudar a preparar as melhores directivas, a colocá-las em execução e a controlar os resultados, passo a passo, a fim de conseguir prevenção eficaz e o mais adequado combate a fogos que ocorram devido a eventuais falhas.

Nessa escolha convém evitar amigos, corruptos e opiniões interesseiras de “colaboradores” mais interessados nos seus próprios interesses e ambições do que na defesa dos interesses nacionais e na melhoria da qualidade de vida das pessoas que o Governo deve ter sempre em primeira prioridade.

A preocupação principal deve ser a resolução dos problemas actuais com soluções que contribuam para um futuro melhor com objectivos a longo prazo, bem definidos e convincentes que consigam convergência de esforços.

Para isso tem que haver ousadia de mudança, sem hesitações, mas também sem precipitações aventureiras que apenas produzam esperanças falhadas e sem bons resultados compensadores do esforço. A preparação da decisão deve seguir a metodologia referida no texto publicado n’O DIABO em 27-09-2016. Feita a escolha, deve seguir-se a execução, com planeamento, organização e programação, de forma muito realista, para ser obtido o melhor êxito, evitando falhas. E, após iniciada a acção, deve accionar-se um sistema de controlo para pôr em acção eventuais ajustamentos mais convenientes.

António João Soares

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terça-feira, 22 de maio de 2018

DIPLOMAS NÃO COMPENSAM FALTA DE INTELIGÊNCIA

Vale mais um analfabeto inteligente do que um doutor que só decorou teorias
(Publicado no semanário O DIABO em 22-05-2018)

O título deste texto, pode parecer polémico e irreal, mas a observação daquilo que se passa em nosso redor sugere profunda reflexão acerca de nomeações por amiguismo para funções consideradas de responsabilidade e dos actos daí resultantes e acerca do êxito de muitos iletrados inteligentes.

Comecemos por recordar algumas situações conhecidas. Na altura em que muito era dito dos fogos de Pedrógão Grande e dos muitos mortos numa estrada abrangida pelas chamas, veio a público que havia uma lei, desde há muitos anos que obrigava a limpar as orlas das estradas até 10 metros, mas que não foi cumprida. Porquê? Não era adequada, ou não foram indicados os que deviam fazer tal trabalho? E se estes foram devidamente referidos, houve falta da conveniente inspecção para que a lei fosse cumprida e fossem prevenidos incêndios ou outros perigos para a circulação.

Depois dos referidos fogos houve uma determinação apressada, irreflectida, de limpar as proximidades de habitações e povoações até 15 de março, após o que seriam aplicadas coimas a quem não cumprisse, a fim de se reduzir os danos de eventuais fogos florestais. A aplicação de tal ordem mostrou que ela era incumprível em tal prazo e este teve de ficar sem efeito. Isto evidenciou incompetência dos autores por inexperiência e desconhecimento das realidades visadas. Isto mostra haver falta de critério correcto na admissão de pessoal de gabinetes ministeriais, supostamente com estudos, mas sem conhecimento dos assuntos em que têm de tomar posição ou decisão e sem inteligência ou sensatez para reconhecer a sua ignorância e pedir apoio a conhecedores dos problemas. As teorias aprendidas nas licenciaturas não supriram a ausência de conhecimento das realidades. Agir, ao acaso, sem perfeito saber, é sinal de falta de inteligência, de consciência, de seriedade, de competência, de dedicação aos fins supremos do Estado, etc.

A inteligência é um atributo muito útil no comportamento diário. Há pessoas inteligentes que não estudaram ou estudaram pouco e que tiveram êxito na vida, obtendo felicidade e até abastança. Um caso muito conhecido é o de Rui Nabeiro que começou a trabalhar aos 12 anos e hoje possui uma empresa de muito nome e êxito, tendo colaboradores com elevado grau académico e com quem dialoga de forma eficiente. Tem beneficiado os habitantes de Campo Maior ao ponto de todas as pessoas o considerarem como pai. Foi Presidente da Câmara M de Campo Maior. Foi-lhe atribuído, por Mário Soares o grau de comendador da Ordem Civil do Mérito Agrícola, e, por Jorge Sampaio, o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique. A Universidade de Évora, criou, em 2009, a «Cátedra Rui Nabeiro, destinada à promoção da investigação, do ensino e da divulgação científica na área da biodiversidade». É cônsul regional honorário de Espanha, com sede na Vila de Campo Maior e jurisdição nos distritos de Castelo Branco, Beja, Portalegre e Évora.

Outro caso exemplar é de Artur Patrocínio, de Azueira, inicialmente trabalhador agrícola, e que com a sua inteligência e vontade de trabalhar conseguiu desempenhar funções de relevo, Membro do Conselho Municipal de Mafra e outras funções de responsabilidade em instituições profissionais e regionais e deu o seu nome a escola, a biblioteca, a associação de pais Artur Patrocínio. Ajudou pessoas como solicitador, angariou meios para construção de casas para necessitados, etc.

Alem destes cidadãos que constam na Internet, haverá muitas centenas que, com poucos ou nenhuns estudos tiveram êxito e foram de grande utilidade para os concidadãos, pela sua inteligência e dedicação ao trabalho.

António João Soares
15 de maio de 2018


Segue-se aditamento:

VALE MAIS A INTELIGÊNCIA E VONTADE DE TRABALHAR DO QUE ALGUNS DIPLOMAS

História de um homem com poucos estudos, mas inteligente e com vontade e trabalhar que teve uma vida de muita utilidade para si e para os outros.

Em conversa de amigos em que afirmei que tem mais valor um homem inteligente e trabalhador do que um doutor que apenas recita teorias, o meu amigo António Ribeiro referiu a vida de um tio que falecera poucos dias antes. Pedi-lhe para me dar um apontamento de caso com tanto interesse e enviou-me o seguinte a que não resisto a dar divulgação:

Caro amigo

Conforme prometido, passo a resumir alguns dos passos da vida do meu Tio Vasco.

Nasceu em Douro Calvo, Concelho de Sátão, Distrito de Viseu. Filho de agricultores rumou a Angola onde se estabelece no Norte como produtor de café, de que apenas tinha ouvido falar. Amanhou a terra, criou as infra-estruturas de irrigação e criou riqueza.

Em 1961, e com o advento da revolta dos movimentos de libertação, fugiu como pôde para salvar a família e a si próprio! Vai para Luanda apenas com a roupa do corpo e um velho Land Rover que lhe permitiu a fuga! Aqui chegado cria uma empresa de gelados, sendo que todas as arcas frigoríficas e carros frigorificados de venda foram concebidos e fabricados por si próprio! Este homem tinha apenas a 4ª classe e nunca ninguém lhe tinha ensinado o que quer que fosse sobre produção de frio! Nesta qualidade torna-se o fornecedor de gelados mais importante dos bairros da Terra Nova, São Paulo e Rangel, com 27 carros de venda na Rua, todos os dias da semana.

Neste período em que teve a fábrica de gelados, construiu ele próprio, com as suas próprias mãos, um condomínio fechado com várias casas que colocou no mercado de arrendamento.

Dá -se o 25 de Abril e volta a ficar sem nada, regressando a Portugal com meia dúzia de caixotes e 5 contos no bolso. Instala-se na terra da sua esposa em Trás -os-Montes e começa novamente do zero.

Dado que os emigrantes eram a principal fonte de dinheiro da terra, por via da construção das suas casas, decide erguer uma fábrica de blocos, cujas máquinas foram, mais uma vez, fabricadas por si próprio!

Vem a crise da construção e decide voltar a mudar de vida, estabelecendo-se na sua cidade Natal, Viseu, desta feita como serralheiro civil! Aqui foi desenvolvendo a sua actividade até à altura em que a sua idade avançada o foi impedindo de realizar trabalhos mais meticulosos em que a vista, por exemplo, era determinante!

Mas nem assim desistiu! Até aos 95 anos foi arranjando trabalho a cavar vinhas no Douro, ao lado de gente muito mais jovem, mas ao lado da qual nunca se sentiu diminuído! Sempre que estávamos juntos ia-lhe perguntando como é que corria a vida e lá me respondia no tom habitual: “está tudo bem Toninho, só sinto falta do trabalhito, que podia ser mais!”

Morreu com 96 anos sem nunca conhecer o conceito de reforma! Paz à sua alma!

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