quinta-feira, 18 de junho de 2020

É IMPERIOSO TERMINAR O TERRORISMO E OUTRAS VIOLÊNCIAS

É imperioso terminar o terrorismo e outras violências
(Public em O DIABO nº 2268 de 19-06-2020, pág 16 por A João Soares)

Fala-se de grandes alterações previsíveis para a vida humana no pós-pandemia com a vida social de todos os níveis a passar a ser diferente. Convém conjugar todos os esforços para que a mudança seja para melhor com a vida mais harmoniosa, mais solidária e com mais respeito pelos outros humanos; e uma coisa que há que terminar, sem demora, é o terrorismo gratuito, sem benefícios para os seus criminosos e sem consideração pelos seres inocentes cujas vidas ou terminam ou ficam a arrastar-se com sofrimentos atrozes.

Tenho visto muitas imagens de relacionamento pacífico e amigável entre animais ditos irracionais, de espécies e raças diferentes, que constituem lições de ética a seguir pelos humanos, principalmente pelos praticantes de actos agressivos contra pessoas inocentes sem disso tirarem benefício. A ONU e outras instituições internacionais, e a própria Justiça, devem ser dotadas de regras que lhes permitam exercer prevenção e repressão de actos que prejudiquem vidas inocentes.

Devemos aprender a compreender e a tolerar as outras pessoas, mesmo que pensem de forma muito diferente, e não devemos incitar à violência contra elas. Porém, a tolerância deve ser usada de parte a parte e ninguém que ofende os outros pode estar convencido de que está correcto e que não está livre de uma reacção violenta. Por isso, é fundamental que as pessoas aprendam a ser educadas e respeitadoras para evitarem atitudes racistas quer de uns quer dos seus contrários. Não há duas pessoas iguais e devemos respeitar as diferenças e aprender a conviver com todos que queiram conviver connosco. Isto é, devemos ser todos amigos, mas sabemos que a realidade tem tonalidades por vezes desagradáveis e não podemos perdoar a quem não procura merecer perdão. Mas não perdoar não significa agredir até à morte.

E assim, com falta de ética e de civismo, há pessoas mal formadas que alimentam ambições e interesses geradores de hostilidades inconfessadas e por vezes intoleráveis. Mas que alguém movido por interesses anti-sociais chegue ao ponto de cometer actos de terrorismo, isso deve ser motivo para aplicação de uma lei correspondente ao ditado “quem com ferros mata com ferros morre”. É certo que a pena de morte está fora de moda, mas parece que acabará por regressar às opções da Justiça. Para adiar tal regresso, deve ser iniciado um sistema de educação que contenha as pessoas dentro de normas de respeito pelos outros. Quem não tem respeito pela vida dos outros não pode exigir respeito pela sua.

Quanto a variações de terrorismo, há quem o agrupe em variados tipos, de que passo a citar alguns: “indiscriminado”, que atenta contra população civil, não especificada e provavelmente inocente; “selectivo”, assente na chantagem, em tortura, no terror psicológico, etc; “terrorismo de Estado”, acções policiais, etc; “comunal ou comunitário”, com manifestações violentas e atentados para debilitar a produtividade de população, ligados ao narcotráfico e outros interesses não confessados; “nacionalista”; “de organizações criminosas”, etc.

O esforço para eliminar a violência da vida da humanidade não pode deixar de começar pela preparação das pessoas para cada uma, no seu ambiente social, ser o mais civilizada possível, sabendo tolerar os outros, ser solidária, colaborar para uma vida melhor em todos os aspectos. E ao subir na escala social deve colaborar com as autoridades para impedir exaltações perigosas e denunciar pequenos ou grandes perigos que contrariem o objectivo de se criar uma sociedade harmoniosa e unida para os melhores objectivos de interesse colectivo. À Justiça deve ser fornecida legislação que permita uma autoridade e um prestígio que permita eliminar autores de actos atentatórios de vidas de pessoas, só por vil prazer ou por interesses não justificáveis. E essa acção judicial deve também visar quem se serve do terrorismo para fins anti-sociais financiando grupos de criminosos. Desta forma se colaborará na construção de uma Humanidade mais civilizada após terminada a pandemia que nos assustou. ■

Ler mais...

sexta-feira, 12 de junho de 2020

PARA SAIR DESTA CRISE PARA MELHOR

Para Sair desta crise para melhor
(Public em O DIABO nº 2267 de 12-06-2020, pág 16 por A João Soares)

Depois de ter lido vários textos acerca de mudanças que surgirão na vida da humanidade, quer nas famílias e em meios restritos, quer em sociedades mais vastas, quer mesmo nas relações internacionais, recebi agora a posição papal, expressa em mensagem de vídeo em espanhol por altura da festa de Pentecostes em que, em vez de aconselhar, como seria tradição, a pedir o milagre de as mudanças serem para aspectos mais positivos, alertou para a realidade natural. E disse: “Das grandes provações da humanidade, entre estas a da pandemia, nós sairemos melhores ou piores. Não é a mesma coisa. Pergunto-vos: como querem sair disto? Melhor ou pior?”.

Realmente, quando sairmos desta pandemia, tudo será diferente e não poderemos continuar a fazer o que estávamos a fazer, e da forma como o estávamos a fazer. E será desejável que a vida da Humanidade seja melhor do que tem sido. O que depende dos governantes, mas não apenas deles, é principalmente de todos os cidadãos, que devem mostrar-se activos e conscientes ao ponto de impedirem qualquer fantasia de que não resulte benefício para a vida da população, principalmente daquela que tem sido mais explorada e tratada com menos justiça social.

Uma mudança grande será na parte tecnológica ligada à informática, que foi aproveitada como novidade por muita gente quer no ensino à distância quer no trabalho em casa por muitos empregados que, assim, reduziram o risco de ser infectados nos transportes e também durante o trabalho em áreas reduzidas com muito pessoal sem poder usar o distanciamento social. Mas também a saúde foi obrigada a rever todo o seu funcionamento e irá daí retirar lições que alterarão o sistema. E aí será notável o resultado de avanços na parte científica, de forma a reduzir hesitações e tentativas de solução que lavaram pessoas de dentro do sistema a afirmar que mais do que a pandemia do vírus, foi muito grave e dolorosa a pandemia do medo.

Mas, no caso de novas crises difíceis, embora as soluções tenham de ser precoces e imediatas, não devem ser precipitadas pelos políticos não especializados no assunto e que devem ter o bom senso de recorrer a opiniões bem fundamentadas, a fim de evitar criar pânico, por vezes mais nocivo do que o vírus. Para as decisões importantes as palavras, mesmo muito sonantes, pouco contam, sendo fundamental a orientação de decisões que produzam resultados benéficos e duradouros.

Mas palavras sensatas e pedagógicas, como as do Papa, devem começar a ser divulgadas, porque a nova sociedade deve ser estruturada pelos cidadãos que a constituem, de forma solidária, harmoniosa, em colaboração completa desde o trabalho mais elementar até ao topo da administração. E esta deve remunerar todos os trabalhos em função dos resultados obtidos. Por exemplo, muitas vezes em serviços públicos, no fim do ano o administrador recebe volumoso prémio, mesmo que o resultado anual da empresa ou do serviço tenha sido insignificante, o que causa mal-estar nos trabalhadores de cujo suor foram produzidos os resultados. Uma empresa deve funcionar como uma equipa por forma a todos os que nela trabalham, desde a base ao topo sentirem prazer e algum benefício nos resultados alcançados.

O facto de a pandemia ter atingido indiscriminadamente, ricos e pobres deve levar as pessoas a comportarem-se sem preconceitos de classe ou de nível de conta bancária. As pessoas devem ser respeitadas como seres humanos e avaliadas pelas suas obras e acções e não pelo fato e ornamentos que transportam. Cada coisa no seu lugar e no momento adequado. E a Justiça deve ser rápida e eficaz, com isenção e sem se sujeitar a pressões de políticos ou de financeiros poderosos.

Se o povo se comportar como vivendo em verdadeira democracia e rejeitando restrições aos seus direitos e liberdades e votando segundo um são conceito de defesa dos interesses nacionais, constantes da Constituição, poderá responder à pergunta do Papa: “Queremos sair disto para melhor”. ■

Ler mais...

quinta-feira, 4 de junho de 2020

NÃO DEVEMOS REJEITAR INOVAÇÕES

Não devemos rejeitar inovações
(Public em O DIABO nº 2266 de 05-06-2020 pág 16. Por A João Soares)

As controvérsias fazem parte inerente da pesquisa científica. O filósofo francês Edgar Morin afirma que uma teoria só é científica ser for refutável e que em ciência nada deve ser considerado dogmático. Por isso, não devemos recusar inovações mas, ao tomar uma decisão estratégica, destinada a regular a vida futura, devemos ponderar com o maior cuidado e profundidade as suas vantagens e inconvenientes, tendo sempre em atenção os condicionamentos actuais e previsíveis que influenciarão a sua concretização. Se rejeitarmos, levianamente ou por receio excessivo, aquilo que nos parece ter riscos, podemos estar a aceitar a paralisia e a estagnação da vida, o que é grave, principalmente, quando se trata do futuro de um Estado. Assim, é preocupante quando se ouve um alto responsável afirmar, sem explicação cuidada e com ar aparentemente seguro, que a virtude está em prometer a continuidade dos assuntos socioeconómicos e a estabilização e recuperação das soluções que podem ter parecido boas durante a crise actual.

É imperioso não ter medo de fazer mudanças e verificar que grandes passos em frente, na História Nacional, foram devidos a decisões corajosas que podiam ser criticadas por demasiado ousadas e perigosas pela tradicional calma passiva do nosso povo. É aplicável a este conceito a posição do ‘Velho do Restelo’ que Luís de Camões descreve na sua obra épica. Porém, a coragem não deve ser confundida com inconsciência, capricho fantasioso ou atrevida ousadia, pois devem ser bem ponderadas as prováveis vantagens e inconvenientes a fim de serem obtidos os melhores resultados para o melhor futuro dos portugueses. É conveniente que, neste momento, com grandes perspectivas de evolução em variados aspectos da sociopolítica mundial, as decisões estratégicas não se confinem a recuperar a vida anterior à pandemia e, muito menos, não se agarrem à continuidade de algo que tivesse vantagens para um ou outro sector mas sem interesse para a globalidade dos portugueses. Tal visão estratégica de melhorar os interesses essenciais de Portugal deve contar com a colaboração de pensadores nacionais e especialistas dos temas a abordar e das soluções a procurar, e que sejam independentes sem ligações a partidos nem a grandes grupos económicos para não se perder esta oportunidade de procurar o melhor para o futuro dos portugueses e para o engrandecimento do nosso País.

Tem havido muita gente a apontar como exemplo países que reconheceram que as medidas de confinamento foram demasiado restritivas e sem tomarem em consideração aspectos peculiares que não deviam ser abrangidos por regras gerais, e olhando para indesejados resultados para a economia, os serviços fundamentais, etc., e que estão a alterar todo esse projecto, como o Japão e vários países europeus, controlando os resultados e não vendo inconveniente no abrandamento das restrições aplicadas. Das pessoas que se colocaram ao lado do alívio do isolamento exagerado destaca-se a médica Margarida Abreu, que afirmou que pior do que a pandemia do Covid-19 foi a pandemia do medo que tolheu muitos cérebros e criou consequências de difícil eliminação e os muitos crimes de violência doméstica que afectaram muitas famílias da pior maneira. Os inconvenientes de ordem psicológica foram muito notados. Embora não haja certezas e previsões dogmáticas, podemos abraçar a realidade dos “factos que acompanhamos diariamente: o despertar da solidariedade e a oportunidade de reforçar a consciência das verdades humanas que fazem a qualidade de vida: amor, amizade, comunhão e solidariedade”.

Muitos pensadores à semelhança de Edgar Morin, sem darem uma ideia clara do que será a vida social nos próximos meses e anos, confessam a incerteza mas admitem que surgirão soluções totalmente discordantes da vida anterior à pandemia. Será um mundo novo e imprevisível. Oxalá se caminhe para mais amizade e solidariedade, com mais respeito pelas pessoas e menos apego doentio ao dinheiro e que as sociedades sejam mais pacíficas e harmoniosas. A criação do futuro está nas mãos dos governantes que devem ter a honestidade de perscrutar os reais interesses da população em geral, sem privilegiar injustamente ‘elites’ alheias aos mais altos interesses da Nação, como conjunto de todos os cidadãos. ■

Ler mais...

sábado, 30 de maio de 2020

PREPARAR O COMBATE A REINCIDÊNCIA DO VÍRUS

Preparar o combate a reincidência do vírus
(Public em O DIABO nº 2265 de 29-05-2020, pág. 16).Por A João Soares)

Agora que está em curso o desconfinamento, sem agravamento da fúria do vírus, e está também a ser manifestado o receio de que ele volte a atacar, recordo a experiência das invasões francesas às quais a maior resistência foi concretizada nas Linhas de Torres, onde estou a residir e onde costuma haver algumas cerimónias de recordação de actos valentes de oposição às suas tentativas de avanço para Lisboa. A estratégia é a obtenção de objectivos para além dos actuais, sendo estes apenas etapas intermédias. Os franceses contornaram o forte de Almeida bem guarnecido e seguiram o vale do Mondego até ao Bussaco, que estava defendido por forte dispositivo, e seguiram para Lisboa pelo Oeste. Aqui, já estava uma força, apoiada por forças britânicas, disposta a tudo para impedir o avanço. Desde Alverca ao mar a linha estava bem instalada e bem preparada nas serras. A povoação de Matacães deve o seu nome à forma como tratava os “cães” que por ali apareciam, sob pretexto de pedirem alimentação, para procurar caminho para os invasores atravessarem a linha militar e chegarem a Lisboa.

Agora, perante o risco de o Covid regressar com mais força, é preciso pensar em termos de estratégia, preparando a prevenção e, se necessário, o ataque. Tudo deve ser feito em benefício das pessoas, da sua saúde e com o mínimo prejuízo para a economia. Se o desconfinamento não está a originar notáveis melhorias nas estatísticas, talvez seja porque o confinamento estava com restrições excessivas, o que exige analisar bem o que se passou em resultado do pânico inicial, para se planear com lógica, sensatez e eficiência a forma de combater a reincidência.

Sobre a pandemia iniciada no primeiro trimestre, há um caso de muita sensatez e bons resultados: a região de Kerala, na Índia, conseguiu um número de casos confirmados e detectados estranhamente baixo, cerca de um quarto do sucedido no resto do País. E isso é atribuído “à sua ministra da Saúde e Bem Estar Social, K. K. Shailaja, também conhecida como ‘professora’, ‘serial killer’ do coronavírus ou ‘rockstar’”. Segundo ela disse ao jornal britânico The Guardian, três dias depois de ler sobre o novo vírus na China e antes de surgir no estado de Kerala o primeiro caso confirmado de Covid-19, a ministra da Saúde convocou uma reunião com uma “equipa de resposta rápida”. No dia seguinte, foi criado uma espécie de “gabinete de controlo” em cada uma das 14 regiões deste estado indiano. A sua estratégia consistiu em “testar, rastrear, isolar e apoiar”.

“A quem chegava de Wuhan, o protocolo era o seguinte: aqueles que tinham febre eram isolados num hospital próximo, os que não tinham entravam em quarentena obrigatória domiciliária”. As medidas desta Senhora resultam da atenção com que meditou sobre um surto viral que ocorreu na Índia em 2018 chamado Nipah. Foi este surto que preparou Shailaja e o Estado de Kerala para esta nova pandemia, diz a ministra — foi aí, disse mesmo, que percebeu que “uma doença altamente contagiosa para a qual não existe vacina ou tratamento deve ser mesmo levada a sério”.

Isto também me leva a pensar que se deve aprender a cada momento e evitar tomar decisões levianas, por impulso ou capricho. Por exemplo, porque se obriga todas as pessoas a ficar em casa? Porque se impede de dar um pequeno passeio nas proximidades de sua casa ao homem que, pouco tempo depois, pode sair a passear o seu cão? Porque se impede a movimentação de pessoas e os grupos de mais de 10 pessoas e se autoriza o 1º de Maio e a festa do avante, com pessoas vindas de longas distâncias?

Ao tomar medidas contra o covid-19 ou a sua reincidência, convém também atender às palavras do Presidente da Alemanha quando apela a todos para que tentem «não ignorar» os factos que obrigaram à imposição de «restrições temporárias» de movimentos e rejeitem «teorias desfasadas da realidade». E defendeu que a discussão deve ser baseada em «factos e números» e «utilizar a razão» para ultrapassar a crise sanitária. ■

Ler mais...

quarta-feira, 27 de maio de 2020

CONVÍVIO DAS TERÇAS 200526

Parabéns a estes AMIGOS que são sempre jovens, apesar da experiência que têm acumulada. E cumprimentos especiais ao jovem que aparece em duas fotos depois de semanas de ausência. O afecto da AMIZADE constitui o principal factor de felicidade, que se sobrepões a qualquer atributo material. Desejo que possam repetir este acto «religioso» durante muitas terças-feiras, para o que tenham a melhor saúde e boa disposição. Que a sorte vos proteja.

Ler mais...

sábado, 23 de maio de 2020

PRECAUÇÃO NO DESCONFINAMENTO

Precauções no desconfinamento
(Public em O DIABO nº 2264 de 22-05-2020, pág. 16).Por A João Soares)

A pandemia gerada pelo Covid-19 apanhou desprevenidas as pessoas em geral e os governantes em especial, de tal forma que, para tentar evitar os contágios generalizados, impuseram regras drásticas que trouxeram grande paragem de sectores da economia. Mas há pessoas atentas que analisaram os elementos de que tiveram conhecimento e sugeriram o abrandamento das imposições mais lesivas dos direitos humanos, quer dos seus movimentos quer das suas actividades, e esboçou-se o fim do desconfinamento.

Por cá, as medidas de abrandamento foram generalizadas por todo o país, mas noutros países como a Espanha houve graduações entre as grandes cidades e regiões, onde as infecções foram mais numerosas e graves, e mais suaves para o interior, onde os casos ocorridos foram raros e episódicos. Durante as restrições mais rigorosas, houve casos que fizeram meditar. Por exemplo, o dono de um cão podia sair de casa para passear o animal de estimação, o que lhe tornava possível sair de casa quase durante todo o dia, acompanhado pelo cão, porque não era controlado quanto à quantidade de saídas e à duração de cada uma. Mas não lhe era permitido sair só, e se o fizesse e fosse interceptado por um polícia, seria multado. Ora com cão ou sem ele, devia ser permitido dar um pequeno passeio sem se afastar muito de casa sem se aproximar das pessoas que encontrasse e indo agasalhado; em piores circunstâncias devia ser obrigado a usar máscara, para evitar ser atingido pelos efeitos de uma tosse ou um espirro de pessoa infectada (que essa devia estar sempre em casa).

Devia haver uma mentalização geral de que a melhor defesa contra os efeitos do vírus deve ser levada a cabo por cada pessoa, devendo ter um comportamento adequado de higiene pessoal, manter o distanciamento social aconselhado, medir a temperatura e estar prevenido com analgésico para o caso de sentir pequeno mal-estar. E agir sem pânico mas sempre com calma e serenidade. Procurar conhecer as opiniões de pessoas credenciadas, sem a elas aderir obstinadamente, mas para compreender melhor a complexidade da situação que afinal não justificava pânico, mas sim prevenção, cuidado. E perante as medidas de abrandamento da quarentena, convém não embandeirar em arco, porque a falta de cuidados pode ser grave e trazer a agudização da situação geral. Na Alemanha, o Instituto Nacional de Virologia Robert Koch, responsável por monitorizar a evolução da pandemia, relatou pouco depois do desconfinamento um aumento na taxa de infeção (RO) - o número médio que uma pessoa infectada pode contaminar - que passou para níveis potencialmente perigosos, subindo de 0,7 para entre 1 e 1,1 em poucos dias. Isso, como tem sido dito por muitas autoridades internacionais, tem de ser assumido como uma situação cuja resolução depende todos nós mas, dadas as suas consequências sociais e económicas, convém ser encarada com muita sensatez e determinação pelas autoridades públicas com espírito de harmonia e de cooperação, e com sensibilidade e respeito pelos direitos das pessoas.

Na gestão do confinamento e da sua evolução não deve haver uma regra rígida aplicável a todos e em qualquer lugar da mesma forma, porque há, de norte a sul, grande variedade de situações de risco, devendo cada uma delas ser encarada de acordo com as vantagens e inconvenientes para as pessoas, a sociedade e a economia. Mas sem deixar de respeitar as precauções individuais convenientes para impedir o alastramento da infecção. É indispensável que cada cidadão esteja consciente do seu dever de colaborar para a extinção da pandemia, agindo da melhor forma para não se deixar contaminar nem ir infectar terceiros. Devemos ter consideração pelos outros, mantendo a distância, usando máscara a tapar a boca e o nariz, em lojas e locais onde tal é aconselhado. ■

Ler mais...

sexta-feira, 15 de maio de 2020

DEVEMOS RESPEITAR OS VELHOS

Devemos respeitar os velhos
(Public em O DIABO nº 2263 de 15-08-2020, pág 16)

Uso o termo “velho” porque não gosto de ser arrastado pelos caprichos que alteram a estrutura da nossa Língua e “idoso” não enriquece o substantivo e fazem-no rimar com mentiroso, horroroso e outras palavras abomináveis. Prefiro “velho” porque significa detentor de muito saber e experiência da vida, o que levou os sobas africanos a terem um Conselho de Velhos a que recorriam sempre que tinham de tomar uma decisão importante para a tribo.

Agora, por azar das nações, os governantes e seus assessores consideram os velhos como uma “peste grisalha” e preferem tomar decisões por palpite ou capricho, o que muitas vezes origina erros demasiado insensatos que os obriga a alterações e emendas, tornando as burocracias confusas e sem garantia de se aguentarem por muito tempo. Por isso as leis são duvidosas e deixaram de ser “sagradas”.

A condenação dos velhos ao confinamento forçado e sem qualquer hipótese de arejar leva um constitucionalista a afirmar que “os idosos não devem ser submetidos a medidas extremas de isolamento social. Ainda não é proibido ser velho”. O isolamento social, sem sequer poderem contactar os descendentes, é um exagero com excepções ilógicas. Um cidadão sem cão, tem que vegetar encerrado nas quatro paredes de casa, mas se tiver um cão pode passar o dia praticamente todo na rua, porque não é possível controlar quantas vezes passeia o cão e quanto tempo demora cada passeio. Sem cão, o velho pode ser condenado a morrer da cura da pandemia. A tal rigor têm sido reconhecidos inconvenientes de âmbito mental psicológico, de saúde pública, de economia, de justiça. Quantos doentes morreram por terem sido parados os tratamentos, as consultas e as cirurgias? E muitos dos que não morreram podem ter piorado e abreviado o fim da vida.

Não é por acaso que muitos países evoluídos reconheceram o erro de terem imitado outros com restrições exageradas e decidiram rever os seus sistemas de confinamento, permitindo aos seus cidadãos mais actividade em liberdade, mas com regras de higiene, protecção, tratamentos e distanciamento social adequados. Nisso há um ponto marcante que é a séria e consequente formação ética, por forma a evitar infectar outros ou ser por eles infectado, porque ninguém tem garantia de não estar a incubar a doença ou de os outros estarem nessas condições.

E há quem diga que não se percebe quem é inimigo do povo, se o covid-19 ou se as autoridades demasiado autoritárias e pouco sensatas e esclarecidas. Há quem diga que está a ser aproveitada a oportunidade para, depois do falhanço, se criar a eutanásia, se estar a obter resultado semelhante criando solução geradora de incapacidade mental… para reduzir o número de velhos e a quantidade de pensionistas, para superar a crise social, ultrapassar a crise sanitária e aliviar a crise económica do Estado; mas, com isso, o País sairá muito diminuído como comunidade, a nível internacional. Devemos respeitar os velhos porque constituem um valor social e porque cada cidadão deseja vir a ser velho. Ninguém quer envelhecer para morrer, mas para continuar a viver, aproveitando aquilo que a vida lhe ensinou.

A vida constitui o milagre mais espantoso, mais indescritível e pródigo que nos calhou em sorte e é pena que, a pretexto da pandemia, tenham surgido tantas restrições às liberdades que a Constituição nos confere. A vida, se bem aproveitada, constitui um laboratório, uma escola, em que se aprofunda o significado da esperança e do amor, não apenas o amor aos familiares mas a qualquer próximo. E se a esperança e o amor forem bem interpretados na humanidade, esta passará a ser mais pacífica e harmoniosa, sem guerras nem ódios. Nisso, seria bom que aprendêssemos o que tem circulado em vídeos da vida animal.

A crise que mina a sociedade mostra que os velhos estão a ser tratados como uma desprezada periferia, e isso foi agora mais salientado. Estamos num estado de degradação da sociedade em que as pessoas já não morrem fatigadas da vida, mas simplesmente cansadas com o estado da humanidade. ■

Ler mais...

quinta-feira, 7 de maio de 2020

PREPARAR O FIM DO «CONFINAMENTO»

Preparar o fim do “confinamento”
(Public em O DABO nº 2262 de 08-05-2020, pág 16, por A J Soares)

Chegam notícias de muitos países onde foi posta em prática a clausura das pessoas em casa, como medida de prevenção do Covid-19 e que cedo se aperceberam que tal cuidado foi exagerado e devia ter sido condicionado a alguns casos bem definidos; mas, agora, estão a normalizar cautelosamente tal condicionamento, para evitar as consequências em estabilidade mental das pessoas e na estagnação da economia e de outros aspectos sociais e religiosos. Psicólogos e psiquiatras apontam probabilidades de ocorrerem efeitos mais ou menos graves de frustração, ansiedade e medo, preocupação, angústia, incerteza, solidão, aborrecimento, tristeza, falta de esperança, etc. que acarretam riscos consideráveis para a saúde mental.

Entre nós, houve excepções à lei que obrigava à contenção em casa, como pessoas que tiveram de se deslocar para satisfazer serviços imprescindíveis, para passearem os cães domésticos e para efectuar a reunião na AR no dia 25 de Abril. Isto é, pessoas privilegiadas por quem a lei (que, como tal, devia ser geral) foi ignorada ou desrespeitada. Mas, tal como a conveniência assumida de os cães irem à rua, também seria positivo que as pessoas pudessem ou devessem, diariamente, dar pequenos passeios ao ar livre, cumprindo as regras de higiene e do distanciamento social, para exercício das pernas e para respirar ar puro, diferente daquele que, em recintos fechados, é respirado depois de ter sido expirado por outras pessoas.

O nosso Governo prometeu abrandar o rigor da “mumificação social colectiva”, movido mais pela consequência da paragem da economia do que por respeito às liberdades das pessoas. Os velhos (há quem prefira o termo idosos, cuja terminação é igual à de mentirosos, ranhosos, manhosos, etc), salvo raras excepções, são pessoas com muito saber acumulado quer pelo estudo quer pela experiência da vida, e que, em muitos casos, se encontram em perfeitas condições de autonomia, e de uso dos seus direitos (inclusive o direito a correr alguns riscos), não podem ser sonegados, embora pela sua saúde já debilitada fossem a maioria das vítimas do Covid-19. Por isso, não deviam ser colocados num mesmo conjunto e servir de pretexto para a contenção em restritos espaços fechados. Não foram beneficiados, mas sim, na maioria, desprezados sem poderem ver os familiares mais jovens.

Agora, há muitos países com tradições de avanço em civilidade e sensatez e com equipas governantes atentas às palavras de professores e pensadores, independentes de ideologias populistas, que reconheceram ser desumano o exagerado estado de emergência e preparam a abertura da economia de forma gradual e a libertação das pessoas para poderem usufruir as suas liberdades de viver em boas condições, mas usando de cuidados adequados de higiene pessoal e de distanciamento social que tornem mais segura a sua situação perante o malfadado vírus.

Perante esta situação, o progressivo abrandamento das condições desumanas da contenção deve ser orientado por objectivos estratégicos de grande prazo, para não se correrem riscos evitáveis e para se iniciar uma sociedade mais responsável defendendo a saúde de todos e preparando o país para uma recuperação da economia em moldes mais aceitáveis, de continuidade e rentabilidade. Há dias vi uns sinais de desenvolvimento da agricultura, actividade que, pela forma como ocorre ao ar livre, proporciona condições muito salutares e com boas imunidades. E a sua produtividade é essencial para a sobrevivência em casos de dificuldades de transporte para importação de produtos estrangeiros.

Também o turismo, que está muito afectado e com aspectos de difícil recuperação, pela perda de confiança no exterior, deve ser pensado de forma mais cultural, tornando-se mais enriquecedor do saber e da informação sobre o Mundo mais desejável que se pretende. Não basta mostrar monumentos a serem fotografados, mas ensinar as condições e as motivações da sua criação, enriquecendo, assim, a imagem que os turistas levam do nosso país.

E termino com palavras de apreço aos nossos profissionais da saúde que não olharam a esforço e risco para salvarem a saúde das pessoas. E também aos jovens artífices que iniciaram o fabrico de produtos variados, úteis aos que vivem mais em risco.

Ler mais...

domingo, 3 de maio de 2020

JÁ NÃO SE PEDEM MILAGRES

Já não se pedem milagres
(Public em O DIABO nº 2261 de 01-05-2020, pág 16)

Depois de ler o artigo “Ainda haverá fé sobre a terra?”, n’O DIABO nº 2259, de 17-04-2020, procurei um apontamento esboçado há algum tempo e apresento-o aos leitores depois de lhe acrescentar algumas considerações complementares. Não devemos estar à espera de milagres.

A Humanidade é composta de todos os seres humanos. E é imperioso que haja ética, moral, respeito pelo próximo e pela natureza, e que seja generalizada a instrução para que cada um saiba desempenhar o seu papel de forma a agir em conformidade com esta ideologia. As religiões foram criadas por pessoas eticamente bem formadas, autênticos filósofos ou sábios, quando ainda não havia ciência e saber que ajudasse a compreender a Natureza em que se vivia. O politeísmo foi uma solução para dar resposta aos curiosos sobre os fenómenos que observavam: Sol, Lua, Vento, etc. e foram criados inúmeros Deuses, um para cada fenómeno que ainda não tinha explicação por ainda não haver ciência devidamente desenvolvida e acessível às pessoas vulgares.

O tempo foi passando e a sociedade modificou-se. Surgiram diversos polos de atracção quer de aspectos políticos, quer desportivos, quer económicos, quer tecnológicos que desviam as pessoas da fé religiosa, sem que esta fosse substituída. Por exemplo, a política tem levado as pessoas a concluir que nada é seguro e não podemos acreditar em nada nem em ninguém, mesmo na escrita que, até alguns anos atrás, era segura e garantida, hoje nada vale nem significa porque aquilo que se apresenta como afirmação indiscutível da obra que veremos amanhã, é negada poucas horas depois.

Uma das invenções mais dramáticas foi o dinheiro, que foi criado como necessário para facilitar as compras, substituindo as trocas, mas tornou-se na pior droga que existe e que é mais perigosa que qualquer outra, porque não tem o perigo de overdose, o que origina ambição, ganância, roubo, corrupção, sem respeito por nada nem por ninguém, tudo sem limites.

A religião, embora muito tenha resistido, não podia escapar à onda de cepticismo e, muitas vezes, não passa de ilusão, panaceia. Há dias, numa conversa em que havia um beato fanático, perguntei-lhe quais são as quatro lições que devem ser extraídas da segunda parte da oração “Pai Nosso”. Tal como milhares de “crentes”, que papagueiam as orações sem compreenderem o significado das palavras que dizem, ele sabia dizer a oração mas não via ali senão pedidos ao Pai. Ora o Pai, amantíssimo e justo, não faz favores a quem se comporta mal, a quem faz asneiras, não premeia quem peca, embora perdoe. A oração, nas palavras “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, pede a Deus ajuda espiritual, saber, moral, para não sermos ambiciosos, gananciosos e contentarmo-nos com o necessário para viver; nas palavras “perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” ensinam que devemos perdoar as ofensas dos outros para sermos perdoados das nossas desobediências às lições que recebemos de Deus, perdoando os erros dos outros para podermos ser perdoados dos nossos; as palavras “não nos deixeis cair em tentação” significam que devemos ter bom comportamento e usar de moral para não cometermos erros de ambição, de inveja, de ódio, de violência, de droga, etc. de que resulte mal para nós ou para outros. Enfim, devemos ser cuidadosos, bem comportados, prevenidos, para nos “livrarmos do mal”, das doenças, dos acidentes, etc. É pena que muita gente papagueie as palavras das orações sem tirar delas as lições pretendidas pelo Mestre.

E estas considerações também mostram que a acção de formação e educação por parte de sacerdotes é deficiente quanto ao desenvolvimento da fé, bem fundamentada e praticada pelos crentes. As festividades tradicionais não são suficientes para o reforço da fé, como bem explica o autor (Águia da Beira) no artigo atrás referido. A fé, a esperança e o optimismo, próprio da consciência limpa, geram felicidade. ■

Ler mais...

sábado, 25 de abril de 2020

PARA QUÊ A ONU?

Para quê a ONU?
(Public em O DIABO nº 2260 de 24-04-2020, pág 16, por António João Soares)

A ONU pouco ou nada tem feito, praticamente, em favor da paz mundial, da segurança ou da qualidade de vida da humanidade. À custa dos Estados-membros, tem dado emprego a muita gente que gosta de “tacho” e de imagem, mas os cinco ditadores permanentes do Conselho de Segurança da ONU não chegam a acordo em assuntos de interesse global, usando do poder de veto que lhes é atribuído.

O caso da desnuclearização tem sido muito notado. Sendo indubitavelmente um assunto de interesse geral, nunca foi encarada frontalmente a sua aplicação de forma exemplar, pelo facto de qualquer desses cinco “donos do mundo” possuir armas de alta destruição e não mostrar interesse em se desfazer delas e, por outro lado, não a ONU, mas a América, tem procurado impor tal regra ao Irão e à Coreia do Norte, com sanções económicas. E fica-se a duvidar do papel real deste órgão, pretensamente poderoso, mas sujeito à vontade colectiva (raramente concretizada, devido aos interesses de cada um) dos cinco membros com direito a veto.

Perante as guerras que têm causado milhares de perdas de vidas no Médio Oriente, em alguns países como o Iraque, a Síria, o Afeganistão, etc. não se viu qualquer resultado da influência da ONU para restabelecer a paz e a segurança, para bem das pessoas.

Agora, perante a pandemia do Covid-19 que tem matado tanta gente, os membros do Conselho de Segurança nada têm feito porque, segundo eles, a perda das vidas de tantos milhares de pessoas não afecta a paz e a segurança. Porém a opinião de muitos pensadores mostra receio de que este fenómeno possa ser aproveitado para desencadear uma guerra entre os EUA e a China. E quem é o responsável pelas atitudes, ou falta delas, da ONU? António Guterres, que está limitado a “chefe de secretaria” e cercado de muitos burocratas que carecem de preparação e de regulamentação para agir em proporção da sua remuneração?

E quanto à China, ela pode não sair tão vencedora como parece, porque o fenómeno que originou a sua evolução muito eficaz em meados do século XVI pode agora acontecer a favor do Ocidente, que seja levado a meditar no fenómeno do Covid-19 e despertar da sua modorra de cinco séculos e definir novos rumos para a vida sócio-política e económica. Esta referência ao século XVI já aqui foi referida em artigo publicado em 1 de Novembro de 2019, citando o comentador político Kishore Mahbubaini. E nesse artigo era transcrita a frase de Napoleão Bonaparte “Deixem dormir a China, porque quando ela acordar, vai abalar o mundo”. Mas ela acordou e está já em competição com o Ocidente. Entretanto, o Ocidente adormeceu à sombra do sucesso antigo e, em vez de assumir e desenvolver a sua superioridade dos velhos tempos, procurou impor a superioridade militar, como acontece com os EUA que, ao menor pretexto, enviam tropas para pequenos países do terceiro mundo. Nisso, o Conselho de Segurança talvez devesse fomentar a estratégia dos 3M recordada no referido artigo – minimalista, multilateral e maquiavélica (com o significado de promover a virtude e evitar o mal).

Agora, com a crise gerada pela actual pandemia, o CS/ONU tem uma oportunidade de promover comportamentos de ética, sensatez e valorizando a virtude e evitando o mal, a fim de evitar que a China consiga abalar o mundo, com o seu sistema pacífico e insinuante que usa meios suaves de desenvolver a sua economia e sobrepondo os seus interesses económicos à generalidade dos países. É notória a preponderância do fornecimento de medicamentos e a produção de outros equipamentos de saúde além de muitos outros materiais de comunicação, de transporte, etc.

Embora estejamos em época com indícios de redução da globalização, parece imperioso que surjam estruturas de preparação de um futuro mais racional, solidário, respeitador das pessoas e da natureza, sem corrupção e sem apego doentio ao dinheiro. Governar deve ser pensar em melhorar a qualidade de vida da sociedade. A ONU devia ser uma escola de felicidade equilibrada entre todos os graus das sociedades. ■

Ler mais...

terça-feira, 21 de abril de 2020

GUERRA ECONÓMICA EM PERSPECTIVA

Guerra económica em perspectiva
(Public em O DIABO nº 2259 de 17-04-2020, pág 16, por António João Soares)

Já se fala em guerra económica entre Ocidente e Oriente há alguns anos, mas há sinais de que ela já existe de forma pacífica e dissimulada desde o início da globalização. Esta, segundo historiadores, foi iniciada com a passagem do cabo do sul de África que separa os oceanos Atlântico e Índico quando Vasco da Gama deu novos mundos ao mundo. Até essa data, as duas partes do Planeta viviam desligadas, desconhecendo-se. Por exemplo, a China vivia em estado muito primitivo e ficou extasiada com os sinais dados pelos navegadores portugueses acerca do mundo mais evoluído da Europa onde a cultura e a arte mostravam ser um exemplo daquilo que aos orientais parecia um paraíso. E, com o seu sentido prático e eficaz, logo procuraram desenvolver as suas capacidades para se aproximarem do avanço do Ocidente. E sem lutas, porque os chineses não gostam de violência, iniciaram a imitação do que o Ocidente tinha de melhor, evoluíram em muitos aspectos e, nessa evolução, nunca pararam tornando-se iguais ao Ocidente na ciência e na tecnologia, ultrapassando-o depois em quase tudo.

Isso foi-lhes facilitado porque o Ocidente abrandou o seu ritmo de desenvolvimento, canalizando as energias para guerras de colonialismo, de independência, de rivalidades entre vizinhos, etc. Nessas diferenças de realidades político-sociais, a China investindo pouco como potência militar ofensiva, embora não desprezando a sua defesa por questão de sobrevivência, deu preferência à ciência, à tecnologia e à competição económica e hoje, nestes aspectos, é uma potência que confronta sem complexo de inferioridade a maior potência do Ocidente.

A presente crise devida à pandemia do Covid-19 provocou a paragem completa de muitos países com a imposição de medidas rígidas de quarentena para travar a propagação do vírus e provocou um golpe fatal em várias empresas e sectores a nível mundial. Na China, a pandemia foi muito dura mas, embora enfrentada com serenidade e determinação, conduziu a que empresas de interesse ocidental como, por exemplo, fabricantes de peças de automóveis como a GM, a Fiat, a Chrysler e outras foram forçadas a encerrar operações, por falta de procura dos seus produtos. As dificuldades de empresas em que a China tinha alguma participação financeira podem, nesta fase de recuperação chinesa mas de quarentena no ocidente, vir a ser objecto de compra de acções baratas, aproveitando a queda das cotações devido a dificuldade em transaccionar os seus produtos. Mesmo na hipótese de a China, na fase de recuperação mundial, poder decidir vender parte dessas acções, obterá elevados lucros. O mesmo se passará em outras actividades, mesmo com oportuna e aparente generosidade a empresas estrangeiras que estejam com dificuldades, e o capital investido poderá elevar a cotação da China de segunda para primeira potência económica mundial.

A China, desde que iniciou o seu renascimento com a globalização, soube sempre decidir com fundamento estratégico e óptimo aproveitamento de toda e qualquer oportunidade vantajosa para os seus objectivos no futuro da economia global. Depois de ter vencido o ataque do Covid-19, e enquanto a crise esteja com força noutras potências, ela inicia uma “guerra económica” com sensibilidade e aparente generosidade, de que colherá certamente grandes benefícios, em relação às estruturas rivais na economia global. Não deixará de atrair empresas internacionais de diversos ramos e de incentivar a sua contribuição para a recuperação de empresas que foram muito afectadas no sector do turismo e noutros. Esta evolução estratégica da China, sem violências, é própria do país que, para se libertar da invasão dos povos do Norte, principalmente dos mongóis, construiu uma muralha de 21.196Km durante vários séculos, a qual não impediu ser invadida pela Mongólia em 1211 e que só foi expulsa em 1360. Por isso, chamar-se guerra económica à sua intensificação da economia externa pode ser exagero. Mas será uma terminologia do agrado de Trump e à qual ele irá certamente reagir duramente se, antes, não for neutralizado internamente. ■

Ler mais...

sábado, 11 de abril de 2020

A HUMANIDADE CAMINHA PARA O SUICÍDIO COLECTIVO

A Humanidade caminha persistentemente para o suicídio colectivo
(Public em O DIABO nº 2258, de 10-04-2020, pág 16)

Há milhares de anos, foram extintos os dinossauros; agora, segundo cientistas qualificados, parece que o ser humano está a preparar a sua exterminação. Não parecem fantasias de jovens extremistas que gostam de se mostrar, mas, sim, merecem ser ouvidos pelos responsáveis pelos Estados, a fim de serem evitados exageros de tecnologias que são demasiado perigosas para a saúde das pessoas.

Em 19 de Janeiro último, guardei um artigo em que o Dr. Martin Blank, do Departamento de Fisiologia Biofísica Celular da Universidade de Colúmbia, alertava para os perigos advindos do abuso dos telemóveis, questão muito notada na origem de cancros cerebrais e outras doenças graves, não apenas para os utilizadores, mas da multiplicidade de antenas em telhados de moradias e até de hospitais, onde se deve defender a saúde dos seus ocupantes. Perigos que estão a ser multiplicados pelo efeito do 5-G.

O abuso de equipamentos automáticos, accionado por radiações electromagnéticas, é notável. No regresso do refeitório onde almocei para o quarto, numa instituição que se queixa de falta de meios financeiros, passei por três portas que se abriam para eu passar, luzes que se acendiam e apagavam à medida que passava; nas casas de banho a luz acende-se automaticamente e, passado algum tempo, apaga-se mas, se uma pessoa se mexe, volta acender-se. Há muitos casos assim, o que torna o ar que respiramos totalmente pejado de radiações electromagnéticas, e isso é lesivo para a saúde, como explicou Martin Blanc.

E depois, passados mais de dois meses, recebi um vídeo em que o Dr. Thomas Cowan, médico, com muitas referências na Net, veio reavivar o meu interesse pelo tema da causalidade entre a electrificação da Terra e das radiações electromagnéticas em relação às grandes pandemias que temos sofrido. No vídeo, ele fazia uma prelecção a um grupo de pessoas em que focava, entre outras coisas, os seguintes casos:

Em 1918, houve uma pandemia de gripe espanhola, que considerou consequência de um salto quântico com a electrificação da Terra. Além da electrificação de cidades e algumas aldeias em 1917, houve a introdução de ondas de rádio em todo o mundo. Qualquer sistema biológico ficou envenenado por novos campos electromagnéticos, matando gente mais débil e tornando mais doentes os outros. Tais radiações empestaram o espaço dentro do Cinturão de Van Allen, que serve de protector do nosso Planeta e reage quando lhe chega tal poluição. Na sequência da II Guerra Mundial, o ar foi novamente agredido em força com a instalação de equipamentos de radar por todo o Planeta e verificou-se nova pandemia. Em 1968, ocorreu a gripe de Hong Kong, como reacção da camada protectora da Terra à colocação de diversos satélites emissores que emitiam frequências radioactivas no interior do seu espaço cósmico, e surgiu essa epidemia, fruto do envenenamento viral da fauna. Actualmente, com o 5G e a tara do electromagnetismo, há cerca de 20.000 satélites emissores de radiação, que activam milhões de equipamentos de que fazem parte telemóveis, sensores, alarmes, automatismos diversos, rádios, TVs, etc. Não foi por acaso que a pandemia do coronavírus foi difundida a partir da cidade de Wuhan, na China, que foi a primeira cidade do mundo a ser completa e densamente coberta por equipamentos de estilo 5 G.

Sempre que qualquer sistema biológico é exposto a um novo campo electromagnético, fica envenenado, morrem alguns, e os restantes entram numa espécie de vida suspensa, por pouco mais tempo e mais doentes. Depois destes alertas, será bom que os governantes e seus conselheiros procurem encontrar, sem demora, solução para reduzir significativamente a quantidade de instrumentos que funcionem com radiações electromagnéticas, a fim de travar a corrida para a extinção da espécie. ■

Ler mais...

sábado, 4 de abril de 2020

COREIA DO NORTE COM VAIDADE E ARROGÂNCIA

Coreia do Norte com vaidade e arrogância
(Public em O DIABO nº 2257 de 03-04-2020, pág 16)

A loucura da guerra e a vaidade de ter armas de grande poder destruidor são defeitos comuns a grandes potências que sonham com o domínio do Mundo, o que suscita comentários demolidores dos pensadores mais serenos. Mas, infelizmente, há países de reduzida dimensão que não resistem à tentação de mostrar a pior das vaidades e esquecem o bem-estar e a segurança do seu povo, para desbaratarem o pouco produto do trabalho dos cidadãos no fabrico de armas vistosas de que não obtêm resultados correspondentes ao custo.

O caso mais recentemente noticiado é o do lançamento pela Coreia do Norte de dois mísseis de curto alcance na manhã de dia 21 de Março que percorreram 410 quilómetros antes de caírem no mar do Japão. Segundo a Coreia do Sul e os seus militares do Serviço de Informações que estão em permanente observação das actividades do seu vizinho do Norte, este foi o terceiro lançamento neste mês de Março.

O governo norte-coreano, com vaidade e arrogância, justificou a produção de armas nucleares como uma resposta necessária contra a política externa agressiva dos Estados Unidos em oposição à Coreia do Norte. Mas não analisa correctamente tal posição que é absurda porque, numa guerra propriamente dita com os EUA, a Coreia do Norte ficaria reduzida a pó. Mesmo que os EUA não praticassem tal destruição, a Coreia, depois dos custos que já está a ter e dos danos que teria durante o conflito, mesmo que ligeiro e rápido, não obteria a mínima vantagem nesta arrogância. E, provavelmente, não encontraria qualquer potência que, para apoiar tal loucura, se levantasse contra a grande potência americana.

Na actual situação da pandemia do Covid-19, surgida na China e já espalhada por grande parte do globo em que as pessoas estão em quarentena, a fim de evitar as piores consequências, esta acção de preparação bélica constitui um “acto altamente inapropriado”, não só pela pandemia surgida no país seu vizinho e que, certamente, está a afligir o seu povo mas também por a sua população viver com dificuldades e ver o fruto do seu trabalho desperdiçado em fantasias de grandeza desnecessárias e completamente inúteis.

No início de 2019, houve uma cimeira com Trump em Hanói a fim de a Coreia do Norte parar com experiências nucleares, mas não houve cedências à América e esta recusou levantar as sanções económicas. Porém, Kim Jong-un, apesar das suas dificuldades económicas, quer ter o país preparado para combater qualquer guerra provocada pelos EUA e disse que “as suas Forças Armadas estão prontas para proteger o seu povo e o céu azul da sua pátria”. Trata-se de uma arrogância insensata, com a qual os responsáveis militares não concordam, mas a que não podem desobedecer por não desejarem ser assassinados.

Há quem manifeste esperança de a humanidade vir a ter grandes modificações, após ter sido habituada a novos comportamentos pela quarentena que lhe foi imposta para fazer frente à actual pandemia. Porém, tais esperanças terão de ser condicionadas pela péssima qualidade de grande parte dos “responsáveis” pelos Estados que colocam acima dos reais interesses dos seus povos, o vício da ambição pessoal, da vaidade, do orgulho, da arrogância e da ostentação de actos insensatos.

A actual pandemia do Covid-19 deve incitar à reflexão profunda ponderando que todas as pessoas, independentemente da riqueza e da posição social, estão sujeitas à doença e à morte, pois têm morrido médicos e foram afectados governantes que decidiram abandonar as funções e entrar no isolamento das quarentenas e até em cuidados intensivos. ■

Ler mais...

sexta-feira, 27 de março de 2020

POLÍCIA COMO PAU PARA TODA A OBRA

Polícia como pau para toda a obra
(Public em O DIABO nº 2256 de 27-03-2020, pág 17)

A Administração Interna mostra grande esperança no bom comportamento (boa eficiência) das Forças de Segurança na responsabilidade de controlar os comportamentos dos cidadãos e dos seus serviços públicos na adopção de medidas preconizadas para prevenir os danos o alastramento da pandemia do Covide-19.

Essa esperança na eficácia dos agentes da segurança pública é lógica e coerente com os seus princípios e deveres profissionais. Porém as palavras de esperança do MAI, são incongruentes em relação com as que pronunciou há pouco tempo a respeito das carências de condições com que os agentes se defrontam no cumprimento da sua missão em que chegam a ser gravemente agredidos, sem que os prevaricadores e agressores sejam justa e adequadamente punidos. Tal governante mostrou não reconhecer medianamente as condições de trabalho destes funcionários e o que eles representam para a segurança e eficiência dos governantes e da população em geral. Agora, esquecendo a atitude hostil em relação aos obreiros da solidez da sociedade, quer esperar deles um papel que ultrapassa as suas atribuições, um papel que devia resultar da preparação cultural, da ética e da moral social que devia nascer do ensino escolar, do exemplo das autoridades autárquicas, dos serviços públicos e da consciência adquirida com exemplos dados pelas classes governativas. Mas, realmente, quando não se tem consideração, respeito e admiração pelas pessoas que deviam dar bons exemplos a adopção de medidas de higiene e de prevenção da saúde, só pode conseguir-se mostrando o bastão da autoridade como confirmam as palavras mais recentes do MAI. E depois? Se baterem nos polícias e os chamarem racistas? Voltará tudo às palavras ditas pouco tempo antes.

Também não é lógico esperar dos cidadãos o rigoroso cumprimento dos desejos do Governo para a defesa da saúde e do funcionamento da economia, pois tem havido degradação do funcionamento do ensino, do respeito pelos professores por parte de alunos e familiares. Crianças e famílias têm sido mentalizadas por ideias anárquicas, com teorias insipientes e contrárias às boas tradições, aos bons conceitos éticos, e que conduzem à abolição do respeito pelas pessoas e pelos actos valiosos do passado histórico.

Toda esta degradação social é resultado da falta de uma estratégia da governação sem a qual o país tem que ir vivendo numa instabilidade permanente que desmotiva a aceitação de uma eventual boa ideia vinda do Governo.

Até porque a degradação geral traduzida na impunidade da corrupção, nas suspeições vindas a público de altos funcionários da Justiça, etc, etc, não estimula que haja confiança e respeito pelos altos responsáveis pela vida nacional.

A ausência de estratégia bem definida e actualizada é muito perigosa quando, de improviso, se quer esperar da PSP uma actuação para a qual não está preparada. A propósito de impreparação geral, vejamos a sucessão de frases ditas por duas altas personalidades ligadas à saúde, sobre o covid-19: Em Janeiro: «não temos que estar alarmados», «é um bocadinho excessiva a probabilidade de contágio entre humanos», «não há grande probabilidade de chegar um vírus destes a Portugal»; Em Fevereiro: «é inevitável que o novo coronavírus chegue a Portugal», «no cenário plausível cerca de 21 mil casos na semana mais crítica, dos quais 19 mil ligeiros», «Dir… admite 1 milhão de infectados em Portugal», «estamos preparados»; Em Março: «“não houve tempo para formação” de profissionais de saúde, como na gripe A», «pior do que o vírus é o alarme na sociedade portuguesa», «se for preciso, em última análise, podem sempre recorrer à horta de um amigo».

Estas frases, além de insensatas, dão uma péssima imagem da competência de uma elite que devia cultivar o sentido de responsabilidade. O que se pode esperar das Forças de Segurança, nesta situação indefinida? Como vai punir quem não lava as mãos, quem cumprimenta com um beijo ou aperta a mão? Isto é que vai uma crise!!! Não podemos deixar de estar preocupados.

Ler mais...

quinta-feira, 19 de março de 2020

A PROCURA DA VERDADE EXIGE SABER E SENSATEZ

A procura da verdade exige saber e sensatez
(Public em O DIABO nº 2255 de 20-03-2020, pág 16)

A difusão de palavras, de ideias, de doutrinas, não é suficiente para convencer pensadores ávidos do conhecimento e da verdade e, por maioria de razão, para esclarecer as pessoas menos sabedoras. É certo, porém, que os menos conhecedores e mais carecidos de inteligência podem ser enganados e iludidos, temporariamente, mas depressa se poderão mudar para outro propagandista ou falso profeta.

Ora, se não bastam palavras, ideias ou doutrinas para convencer as pessoas, de que maneira se devem conduzir estas a aderir a uma corrente de pensamento ou a uma doutrina científica ou social? Há argumentos imbatíveis: os da realidade, da verdade dos factos, das realizações claras e iniludíveis que não podem ser desmentidas. Perante isso, os nossos políticos, principalmente alguns jovens, pouco documentados de forma multifacetada, que procuram destruir os feitos dos nossos heróis históricos, os valores do nosso passado nacional, e pretendem baralhar os espíritos mal preparados sobre género, racismo, escravatura e sobre falácias “doutrinárias” sobre direitos, estão condenados ao insucesso e ao descrédito, sem o futuro que ambicionam.

Por exemplo, em vez de usar palavras, ideias e opiniões sobre a diferença entre os últimos 45 anos e igual período imediatamente anterior, será mais convincente preparar uma lista verdadeira das realizações concretizadas em cada um dos períodos, em obras públicas, de interesse nacional, das reformas efectuadas nos principais serviços públicos de defesa, de segurança, de saúde, de justiça, etc. E, depois, podem fazer-se comparações verdadeiras e honestas, com base em decisões, acções, realizações, e evitar palavras balofas e intencionalmente enganadoras.

Para se formarem opiniões bem estruturadas e fundamentadas é indispensável ter em consideração todos os aspectos reais, aceitando cada caso na sua individualidade, sem desprezar pormenores, porque cada facto tem a sua particularidade, devendo ser considerado diferente dos outros. Tal como cada pessoa tem o seu ADN próprio, também as realidades materiais e sociais são diferentes, e devem ser aceites tal como são, com vantagens e inconvenientes, embora as diferenças possam ser tomadas em apreço quando decidido o seu aproveitamento. Esta realidade é tida em consideração na preparação da decisão, no momento em que se faz a listagem de possíveis soluções, sem desprezar as que possam parecer disparatadas; como dizia um grande mestre aos seus instruendos e, depois, colaboradores, “durante 5 minutos a asneira é livre”. Mas ao analisar cada uma, respeitando as suas características, a maior parte das possíveis hipóteses é afastada para se escolher a que contém mais vantagens e menos inconvenientes, e que garanta a melhor eficiência na acção a desenvolver.

Na escolha da modalidade ou de qualquer das suas particularidades há que fazer um esforço para evitar cair na tentação da precipitação em defesa de um ou outro pormenor, porque tal imponderação é própria de ignorantes que se consideram possuidores da verdade. O sábio só tem dúvidas enquanto o ignorante só tem “certezas”, mesmo que ao ser perguntado por argumentos não vá além de “porque sim”. As dúvidas têm a força de exigir mais análise e estudo, aspectos que definem a busca de sabedoria que caracteriza o sábio. O comportamento mais positivo nos variados aspectos da vida ou da realidade assenta na ponderada procura da verdade, isto é, na atenção dada a todos os pormenores, não menosprezando nenhum, a fim de a decisão nada ter de casual e assentar em bases concretas. Mas, mesmo assim, nada deve ser considerado definitivo, porque na natureza tudo muda e, após a decisão, não se deve ficar surpreso quando surgir necessidade de pequenos ajustamentos, normalmente devidos a alterações ambientais que valorizam mais um factor do que outro. Enfim: penso, logo existo; observo, logo aprendo.

Ao meditarmos neste tema devemos recordar a “decisão” de mudar o Infarmed de Lisboa para o Porto, depois anulada, a decisão de construir o terminal de contentores no Barreiro, já anulada, as sucessivas tentativas de reforçar o aeroporto de Lisboa com solução na Ota, em Alcochete, em Alverca, no Montijo, em Beja. Se não houver uma decisão válida, ainda podemos ver a interdição do aeroporto de Lisboa que está a lesar seriamente os seus moradores por ser a 2ª cidade europeia martirizada pelos ruídos dos aviões nas descolagens. ■

Ler mais...

O ENSINO DAS NOVAS GERAÇÕES

O ensino das novas gerações
(Public em O DIABO nº 2254 de 13-03-2020, pág 16)

O ensino das crianças tem início logo que o bébé nasce e começa a observar à sua volta e a pensar naquilo que vê, suas causas, efeitos e circunstâncias em que ocorre. Aquilo que vê fazer gera vontade de imitar ou de rejeitar. E as interferências da mãe, de outras pessoas de família ou de ama ou educadora complementam a aprendizagem e constituem, com sensibilidade adequada, prémio ou castigo de actos correctos ou errados. E, desta forma, os contactos com os mais crescidos, nas mais variadas circunstâncias, são fontes de aprendizagem.

A propósito, num dos almoços semanais com amigos, recordei as aulas de um professor, pai de um deles, no ano lectivo de 1946- 47, no Liceu Nacional Alves Martins (que no ano seguinte foi substituído pelo novo Liceu Nacional de Viseu), ao lado de uma calçada muito inclinada em que, do lado oposto à janela da nossa turma, havia um ferrador que tratava do calçado (ferraduras) de cavalos dos clientes e que passava grande parte do tempo a martelar ‘pic-pic’ a ferradura, junto à forja, para a ajustar à forma e dimensão do casco. Um dia, a meio de uma aula, perante dois ou três alunos distraídos e a conversar, o professor chamou-lhes a atenção de forma didáctica e socialmente educativa, dizendo “está o ferrador a trabalhar continuamente ‘pic-pic’ e os meninos sem prestarem atenção ao colega que está no quadro a tentar resolver o problema”.

Aprendi que a observação da realidade que nos circunda e o pensamento acerca dela constituem um factor de aprendizagem e de cultura. E as palavras do professor tinham lógica, foram coerentes com o momento e ditas de forma correcta e didáctica. A lição estava adequada à disciplina escolar e à formação de meninos que estavam a iniciar a vida e englobava a noção da prioridade merecida pelo assunto da lição e foi útil por mostrar que, na vida, devemos estar atentos a tudo o que se passa à nossa volta para sermos cidadãos responsáveis agindo de forma moralmente correcta. Passados mais de setenta anos, ainda recordo positivamente esta lição simples mas eficaz.

E este pensamento não foi rememorado por acaso, mas porque, em conversa, foi referida a alusão do nosso PR a um caso actual, em que reagiu por impulso e sem a devida análise e meditação ponderada, fazendo pressão limitativa sobre juízes italianos no julgamento de um jovem português que, talvez pouco esclarecido, esteve comprometido em acções de tráfego de pessoas, ao serviço de organização ligada à transferência de migrantes para a Europa, provavelmente às ordens de milionários internacionais que, com isso, pretenderiam desequilibrar a vida dos países europeus para fins de estratégia internacional não confessada. Com o pretexto de que o português estivesse movido por fins humanitários de salvamento de pessoas em perigo de afogamento, o PR, sem procurar melhor informação, deixou-se arrastar para um acto que classificou de heroísmo. Mas a realidade, baseada em testemunhos apoiados em várias fotos, mostra que, na maior parte dos casos, não chegou a haver perigo de vidas, mas apenas mudança de meio naval, de pequenas embarcações pneumáticas, cujo combustível dava até ali, para embarcações de maior capacidade, onde se encontrava o nosso “herói”, que ali estavam preparadas para esta transferência e levar os falsos “náufragos” a porto italiano.

Todos os barcos estão controlados pela ONG, ao serviço de capitalista internacional que os financia e paga. Na origem, os traficantes de pessoas também recebem destas o pagamento da viagem. Este é um caso que exige boa investigação e não deve ser condenada ‘a priori’ a posição do Governo italiano nem o tribunal que age perante migração ilegal. Do outro lado, estão ocultos interesses políticos e financeiros contra os direitos de pessoas que vêm ameaçada a sua cultura tradicional, a sua história, a sua religião, os seus hábitos, etc. O Saber não ocupa lugar e surge de casos aparentemente insignificantes, que merecem ser bem ponderados. ■

Ler mais...

sexta-feira, 6 de março de 2020

UM NOVO NAPOLEÃO!!!

Um novo Napoleão!!!
(Public em O DIABO nº 2253 de 06-03-2020)

A CEE - Comunidade Económica Europeia - foi uma organização internacional criada por um dos dois Tratados de Roma de 1958 com a finalidade de estabelecer um mercado comum europeu para manter bom entendimento entre os maiores estados europeus cuja luta de interesses, principalmente entre a França e a Alemanha, tinha conduzido a guerras devastadoras como foram as de 1914-18 e da 1939-45. Depois, a CEE deu lugar à UE que prometia conduzir a algo como uma confederação de Estados que faria frente ao binómio EUA e Rússia e contribuiria para evitar novas guerras mundiais de efeitos tão destrutivos como as mais recentes.

Mas agora a França, dirigida por um jovem com mais ambição do que prudência, sensatez e experiência, quis imitar a grande figura histórica de Napoleão e está a defrontar o seu velho rival, Estado alemão, querendo impor a sua ideia de reformas na Europa e do ritmo da sua activação e manifesta a sua impaciência por a entidade correspondente da Alemanha não o acompanhar nesta iniciativa. Ora a União Europeia não foi criada para que o continente obedeça rápida e cegamente a caprichos de um país, mesmo que seja um dos cinco ditadores do Conselho de Segurança da ONU com assento permanente, direito de veto e detentor de arma nuclear.

A UE, mais do que um simples Estado soberano, deve tomar atitudes e decisões de forma muito cuidadosa, depois de estudar os temas e de os discutir com consultores idóneos e independentes, a fim de conseguir o objectivo de desenvolver a economia, o património e o prestígio do continente em todos os setores e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Para tal finalidade, interessa que todos os países membros estejam em concordância, sem imposições forçadas por qualquer deles.

Para isso, a imposição de estilos dominadores de tipo napoleónico, é desaconselhável. E devem ser bem controlados os perigos de atritos com a Alemanha, pois foi esse o motivo que levou à criação da União. A chanceler alemã tem divergências de Macron sobre o rumo da União Europeia e sobre as reformas políticas, económicas, sociais e militares de que a Europa precisa. E parece sensata ao discordar da sugestão do seu vizinho, nomeadamente quando ele refere interesse na parceria quanto a poder nuclear. Este poder, altamente perigoso, está a ser evitado para países que ainda o não possuem e os cinco poderosos da ONU deviam, com urgência, planear o seu desmantelamento sob a observação de uma equipa independente votada em Assembleia Geral da ONU e, depois, criar forma de controlo e de sanção para evitar a montagem de tais armas exageradamente destrutivas, em qualquer ponto do planeta.

A estratégia nuclear diz que o primeiro ataque é dirigido a locais de armazenamento de tais armas do inimigo e este responderá, com as que não forem destruídas, contra as principais cidades do adversário. Se uma arma actual já tem efeitos incalculáveis na humanidade, como ficará esta depois de um tal diálogo atómico?. Não se esqueçam os danos da explosão de uma pequena central eléctrica nuclear em Chernobil. E não se tratou de potente arma atómica.

E assim ficamos cientes de que Emmanuel Macron, ao querer transformar a Europa numa potência militar semelhante à dos EUA, está a destruir qualquer esperança de evitar no mundo uma guerra destruidora em vez de procurar que os Estados se mentalizem a resolver pacificamente as suas dificuldades, pelo diálogo e a negociação. Pois, se ele nem sequer é capaz de dialogar eficientemente com a sua vizinha Alemã!

Perante estas dificuldades de a UE chegar a um bom entendimento da gestão dos assuntos actuais e da preparação de um futuro bem estruturado, todos os europeus têm motivo para viver preocupados, impacientes e frustrados quanto ao futuro do Continente e da sua colaboração para um Mundo melhor. Com estas perspectivas, não admirará que mais Países comecem a seguir o exemplo da Inglaterra, com o seu Brexit. Calma Macron!

Ler mais...

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

CEGOS GUIADOS POR LOUCOS

Cegos guiados por loucos
(Public em O DIABO nº 2252 de 28-02-2020, pág 16)

Uma quadra do meu amigo José Caniné diz que a nossa vida está a ser dominada pelos fracos e os velhacos. Quanto a fraqueza, é maneira poética de esconder o vício da vaidade e da ambição, pois muitos dominadores são poderosos, sujeitos à pior droga que está a escravizar o mundo, tão forte e perigosa que nem exige cuidado para evitar a overdose, pois o dinheiro (como ela é conhecida) não implica esse perigo por poder ser consumida em quantidade ilimitada, havendo muitos drogados com ela que gostam de a acumular sem olhar ao montante.

Mas há também quem diga que o mundo é uma multidão de cegos guiados por loucos. E esta frase merece ser bem meditada e analisados os seus condicionamentos.

Comecemos pelos órgãos da Comunicação Social que, há cerca de 70 anos, eram um factor de instrução e cultura que ampliava o saber adquirido na família, nas escolas e na observação da vida real. Recordo, de entre muitos outros programas instrutivos; o do Engº Sousa Veloso que ensinava aspectos úteis e práticos da actividade agrícola de forma a tirar dela os melhores resultados conforme a ciência que ele bem dominava; o programa do professor doutor Vitorino Nemésio que, com os seus ensinamentos de história e cultura social, nos deixava convictos de ficamos mais elevados na categoria social; o programa de José Megre, que nos ensinava os cuidados a ter na condução automóvel de forma segura e cuidadosa, criando a esperança de regressarmos sãos e salvos e com o prazer de uma boa viagem; o programa de Edite Estrela, que ensinava ortografia e redacção e nos ajudava a interpretar o que líamos e a escrever de forma correcta as nossas ideias; etc, etc.

Mas tudo isso acabou. Já nada existe. E os próprios jornalistas são vítimas da falta de tais programas dedicados à cultura e ao uso do nosso idioma, como se vê em artigos publicados por jornais e empresas de rádio e de TV, em que se encontram erros de palmatória quer na estrutura das frases, quer na ortografia e palavras desconjuntadas com letras em falta ou trocadas, etc. Mas o que é mais grave é a qualidade dos programas que repetem as frases dos dias anteriores martelando coisas que se tornam maçadoras como eutanásia, coronavírus, racismo, nos intervalos de futebol, telenovelas e outras banalidades que servem apenas para evitar que os telespectadores ou ouvintes pensem nos problemas que os envolvem e que bem precisam de ser meditados, compreendidos e resolvidos.

Dá a impressão de que há uma intenção premeditada para tornar as pessoas estúpidas ou cegas e ignorarem os graves problemas sociais ligados à Saúde, Justiça, ensino e outros serviços públicos e, com tal guerra psicológica, deixem de reagir e reclamar. Mas a degradação mental dos portugueses nada traz de positivo para as gerações futuras e para o prestígio de Portugal no convívio internacional.

Acerca de tal degradação, em relação ao ensino, recordo um programa de quando ainda via alguma TV, em que as pessoas iam responder a uma pergunta e se habilitavam a um prémio. A candidata disse que era finalista de Direito na Universidade de Coimbra e que pretendia doutorar-se e ser catedrática. A pergunta era: qual o rio que passa em Leiria de entre os seguintes: Tejo, Lis e Ave. Ela, sem hesitar muito, disse que deve ser o Tejo. O apresentador tentou ajudar de várias formas. Uma foi dizer que o Tejo passa em Lisboa, Santarém e Abrantes. Ela continuava com a sua inclinação. Ele perguntou se já tinha ido a Leiria e ela respondeu que já lá tinha passado (talvez pela autoestrada). Acabou o diálogo a dizer que é o Tejo e não ganhou o prémio. No ensino de há 7 décadas saíamos da escola primária a saber todos os rios e seus afluentes e a conhecer as linhas férreas e todas as estações e apeadeiros.

Como sensibilizar a população para colaborar no desenvolvimento do País? Muitos políticos, tal como a candidata a catedrática de Direito, só conhecem o Terreiro do Paço e a TV já não ajuda. ■

Ler mais...

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O AMBIENTE DEVE SER RESPEITADO

O Ambiente deve ser respeitado
(DIABO nº 2251 de 21-02-2020, pag 16. Por AJS)

Gosto de apreciar uma boa ideia, bem intencionada para o engrandecimento de Portugal e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, mesmo que ela venha de pessoa com quem nem sempre se concorde. Mas ninguém é perfeito e toda a pessoa pode ter valores positivos que se sobreponham a defeitos mesmo que dificilmente toleráveis. E, assim, quando de tais cabeças sai uma boa sugestão para “bem da Nação”, não devemos deixar de lhe dar reconhecimento.

Vem isto a propósito do desconforto e até perigo de depósitos de lixo a céu aberto, por vezes, de forma difícil de compreender, vindo de países aparentemente mais civilizados e que abusam da nossa pobreza, não apenas económica mas também de espírito. As palavras de Catarina Martins não foram originais, nem inovadoras, porque já na semana anterior viera a promessa de que “Governo vai suspender e rever licenças de aterros” mas, pela sua influência no funcionamento da “geringonça”, espera-se que consiga que esta “intenção”, ou apenas promessa do Governo, venha a tornar-se realidade e que fiquem bem encaminhadas, quer a legislação que for criada quer as acções consequentes, abrangendo o ajustamento das taxas de gestão de resíduos, quer a melhor eficácia das formas de fiscalização tanto a nível municipal como, superiormente, na supervisão governamental.

Trata-se de um aspecto muito importante da vida nacional, pois o ambiente deve merecer o máximo respeito e cuidado dos poderes políticos, ao mais alto nível (Poder Executivo), nomeadamente no que respeita à gestão do lixo que, se não for devidamente tratado, provoca odores desagradáveis e poluição visual e infecciosa altamente incomodativa. Quem teve contacto estreito com regiões rurais conhece concretamente os incómodos do amontoado de resíduos quando excede volume chocante.

Por outro lado, os lixos arrastados pelas chuvas e pelas correntes fluviais, acabam por ir parar ao mar, criando ilhas de detritos que resistem muito tempo ao efeito destrutivo da água, são reduzidos a micropartículas, ingeridas por peixes que depois as trazem para a nossa alimentação, se eles não sucumbirem ao efeito delas nos seus organismos. A má localização dos montes de resíduos pode produzir a contaminação de veios aquíferos que sirvam de abastecimento de nascentes aproveitadas para água utilizada, directa ou indirectamente, para alimentação humana ou de animais que venham a ser destinados a esse fim.

O Ambiente, na realidade, constitui a visão que nós temos da Natureza em que vivemos e será sempre muito agradável gostarmos de apreciar as suas belezas espontâneas, deslocarmo-nos nelas e desenvolvermos actividades profissionais ou recreativas no seu espaço, ou cultivando jardins ou culturas de plantas ornamentais ou próprias para alimentação e devidamente isentas de matérias impróprias.

Não é necessário referir espécies de detritos impróprios para ficarem expostos à vista de cidadãos respeitáveis (que devem ser todos). Ninguém gosta de ter próximo de casa uma latrina mal cheirosa. Por isso, há que definir o que são “aterros sem condições” e “que prejudiquem a vida das populações vizinhas” e que efectuar fiscalizações, “a sério”, responsáveis e frequentes, dos aterros autorizados. Convém que o Governo cumpra rigorosamente esta sua promessa de que “vai rever as regras para estes aterros e para a importação de lixo”. E, quanto a esta, há que reavaliar o interesse de tal negócio e quais os seus benefícios para o crescimento da economia, para a melhoria da qualidade de vida das populações e para o prestígio internacional do nosso País. Talvez haja indústrias nacionais interessadas na importação de resíduos específicos que possam servir para reciclagem e construção de novos materiais mas, em tal caso, haverá que evitar que os resíduos úteis venham acompanhados de grande quantidade de outros que apenas tenham inconvenientes.

Nisto como em tudo o mais, qualquer decisão deve ser previamente bem analisada, para não acontecer, mais uma vez, a anulação de leis e directivas após poucos dias de existência, o que nada prestigia os governantes ou os directores de serviços públicos. ■

Ler mais...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

DESTINO DO DINHEIRO DOS IMPOSTOS

O destino do dinheiro dos impostos
(Public em O DIABO nº 2250 de 14-02-2020, pág 16. Por A J Soares)

No início do mês de Dezembro de 2013, o Governo anunciou que tinha necessidade de mais poder financeiro e que ia aumentar as percentagens de IRS e de IRC. Levantou-se logo a voz na TV e por escrito do grande empresário Alexandre Soares dos Santos, a defender que essa não seria a melhor solução e que seria mais correcto o aumento do IVA, visto que sairia do bolso das pessoas de forma menos sensível em pequenas fracções, de forma menos chocante.

Houve quem atacasse esta proposta – fi-lo em artigos de blog – porque os impostos directos são mais justos, racionais, morais, porque são proporcionais ao rendimento colectável dos contribuintes, enquanto que o IVA é calculado em função da despesa feita e de forma igual para qualquer cidadão, quer a compra seja feita por um milionário quer por uma pessoa pobre que apenas compra um pão para matar a fome ao filho.

Mas as pessoas bem pensantes e sensíveis às realidades das populações depararam com o facto de estar em jogo o aumento do dinheiro público à disposição dos políticos e com o interesse dos milionários existentes e daqueles que desejavam vir a sê-lo, isto é, que seguiam a carreira política com tal finalidade. E, para esse efeito, achavam mais eficaz a prioridade dada aos impostos directos generalizados a todos os cidadãos, mesmo aos de mínimo poder de compra. E isto começou a ser mais evidente com o fisco, usando de boa técnica de parasitas ou sanguessugas, com o aumento muito diversificado de novos e variados pretextos para criar mais taxas e taxinhas, sempre em quantidade crescente.

E para quê? Qual tem sido o efeito de tanto dinheiro sacado aos portugueses? Que aumentos tem havido no património nacional e na qualidade de vida dos cidadãos que não beneficiam do compadrio partidário? Tem havido sugestões para se criarem listas dos melhoramentos nos tempos do actual regime e em igual período imediatamente anterior, mas desistiram perante a diferença chocante entre as extensões das duas listas. Enquanto antes, com menos impostos, se construíram escolas em muitas aldeias, casas de cantoneiros, casas para guardas florestais, hospitais, palácios da Justiça, quartéis para militares e para forças de segurança, etc, etc, depois do 25-A deparamos com a degradação dos serviços públicos essenciais como, por exemplo, o da saúde, etc.

Mas temos uma multidão de deputados e de ministros e secretários de Estado, todos bem servidos de colaboradores, bem pagos com mordomias de estilo milionário, que desenvolvem actividade mais de aspecto turístico e de propaganda de imagem do que de efeito positivo para o desenvolvimento do país e da qualidade de vida dos cidadãos mais desprotegidos. Até os agentes das forças e segurança, indispensáveis para manter a paz e a ordem, no respeito pelos governantes, são por estes desprezados com abomináveis palavras pronunciadas publicamente.

Afinal, qual é o resultado do dinheiro que nos é sucessivamente sacado, cada vez em maior valor? Tomo a ousadia de transcrever esta pequena mas significativa frase extraída da pág 4 do nº 2248 deste semanário: “parto da realidade de que, ao longo das últimas duas décadas, Portugal sofreu um forte atraso no seu processo de desenvolvimento em relação aos outros países europeus, que a economia portuguesa estagnou com base num modelo económico errado de duas economias divergentes e no privilégio do mercado interno, os dois elementos que mais impedem o crescimento económico e o progresso social”.

Basta, chega de tanto sacrifício. Precisamos de mudança, de reformas que activem as energias dos portugueses e que elas sejam devidamente aproveitadas para a recuperação da imagem correspondente ao prestígio e ao valor que os nossos heróis deram a Portugal, durante séculos de indiscutível grandeza.■

Ler mais...