terça-feira, 19 de junho de 2018

PARA UM FUTURO MELHOR

Para um futuro melhor
(Publicado no semanário O DIABO em 19-06-2018)

Felizmente, neste mundo de egoísmos e fanatismos pelo dinheiro, com desprezo pela qualidade de vida das pessoas, há sinais de entidades que se preocupam com planeamento a longo prazo para crescimento social e melhor qualidade de vida. Muito importante é a notícia agora recebida do acordo assinado por Tump e Kim Jong-un sbre a desnuclearização da península coreana, a criação de relações diplomáticas e os desejos de paz e prosperidade dos povos.

A China tem dado muitos sinais de desejar a paz e de evitar a guerra, havendo exemplos muito significativos: o apaziguamento da Coreia do Norte que levou a bom relacionamento com a Coreia do Sul e com os EUA e está a bom caminho de evitar uma guerra comercial com este Estado, fazendo com ele um acordo de que resultará para ele uma redução muito significativa do seu défice comercial.

Também a China está a dar um bom exemplo de reduzir o perigo da agressividade dos «imigrantes» islamitas, sem usar de violência, mas tonando medidas preventivas, sugerindo-lhes a integração nas tradições e na cultura chinesa. Para começar, todas as mesquitas na China deverão içar uma bandeira deste país e "estudar a Constituição, os valores socialistas e a cultura tradicional" chinesa. Com vista à integração social, Pequim decidiu banir ou controlar várias práticas muçulmanas, incluindo a de manter a barba longa e jejuar durante o mês do Ramadão, afirmando que são símbolos do "extremismo islâmico".

Na Síria, membros do grupo radical Estado Islâmico foram retirados de várias zonas do sul da capital síria, onde ocorreram violentos confrontos no final do mês de abril, e os membros do Estado Islâmico que permaneciam no local destruíram bases, quartéis e veículos e a situação no local "é calma" depois de ter sido alcançado um acordo para a retirada de combatentes do grupo extremista, o que "supõe na prática um acordo de rendição".

Na África, continente que tem sido mais explorado do que apoiado no crescimento, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), anunciou que vai investir até 35 mil milhões de dólares na industrialização do continente. E como a simples disponibilidade em dinheiro não chega para resolver o problema do futuro em economias de fraco crescimento, considera fundamental ajudar na capacidade de formação, e informar sobre o que funcionou e o que não funcionou e como evitar a repetição de erros o que é, muitas vezes, mais importante do que o dinheiro, para lançar o crescimento. O plano do BAD, nesta área, está assente em quatro pilares, apoio à agricultura, que é o caminho mais rápido para a industrialização, apoio ao desenvolvimento de clusters industriais e zonas económicas especiais, apoio ao desenvolvimento de políticas industriais e apoio ao financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística. Desta forma, a África poderá dar um salto em frente na rota do crescimento e desenvolvimento. Também a Coreia do Sul parece querer participar activamente no desenvolvimento de alguns países africanos, com apoios adequados a cada país, aproveitando a quarta revolução industrial para garantir aos cidadãos um salto tecnológico". Entretanto, continuam as conversações entre os EUA e a Coreia do Norte, com vontade de ultrapassar os atritos ocorridos e chegar a uma condição de amizade de que resultem melhores condições para a vida da população que tem vivido em dificuldades e carências de vária ordem.

Esperemos que estas intenções sejam realizadas e que surjam muitas semelhantes.

António João Soares
12 de Junho de 2018

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terça-feira, 12 de junho de 2018

CIÊNCIA MAIS FILOSOFIA HUMANÍSTICA

Ciência mais filosofia humanística
(Publicado no semanário O DIABO em 13-06-2018)

Tudo muda na vida, como na Natureza o que se torna evidente em cada dia. A Humanidade evolui impulsionada pelos progressos da ciência e da técnica e arrastada pelos valores económicos por elas proporcionados, desprezando, muitas vezes, os valores humanos que nunca devem ser esquecidos.

Na mais distante antiguidade, os mais graves conflitos entre grupos ou tribos eram resolvidos com flexas e lanças com fraco poder mortífero, mas hoje usam-se armas de grande poder letal, como dizem aa notícias.

Os cientistas e os técnicos industriais devem procurar que os resultados dos seus trabalhos e investigação tenham finalidade útil para melhor qualidade de vida das pessoas e não para o seu mal, sofrimento ou destruição. A mesma preocupação deve existir da parte dos governantes e outros responsáveis pela gestão pública. Mas a realidade mostra que, na base de todas as acções mais nocivas para a vida humana, está o fanatismo pela droga financeira que conduz aos mais atrozes actos contra a humanidade. Para obter mais poder, há muita gente que não olha aos resultados laterais que afectam muitas pessoas inocentes e alheias aos negócios em jogo.

O general Eisenhower, nos seus últimos anos de vida, alertou contra o perigo resultante do «complexo industrial militar» que tinha sido útil para a vitória da Segunda Guerra Mundial mas que não estava interessado em encerrar os laboratórios de investigação, as fábricas e oficinas e iria pressionar governantes para lhes consumirem as armas que produziam. E, além disso, a sua pressão passou também a incidir sobre líderes de grupos rebeldes que desenvolveram o terrorismo, contra tudo e todos, orgulhando-se dos mais atrozes atentados com dezenas de vítimas.

A segunda invasão do Iraque iniciada em 20 de Março de 2003, teve como pretexto que o Iraque «tinha vários laboratórios móveis de armas biológicas» e outros «dados de que Saddam havia tentado comprar equipamentos no exterior para construção de material nuclear». A invasão não detectou provas de qualquer das suspeitas. Quem lucrou com tal belicismo? Os construtores e fornecedores do armamento e munições consumidos na operação e durante já mais de 15 anos. Os resultados abrangem milhares de vidas perdidas da população e destruição em património algum classificado de interesse mundial.

Será bom para a humanidade que os resultados dos trabalhos da ciência sejam aplicados, segundo os melhores conselhos da filosofia humanística. Esta sugestão deve ser aplicada aos actos de gestores públicos, a todos os níveis, para o que devem ter boa informação do âmbito da filosofia humanística e evitarem deixar-se pressionar por interesses dos poderosos financeiros, económicos ou outros, que sejam lesivos das pessoas, principalmente das mais desprotegidas.

No dia 13-04-2017, os EUA lançaram no Afeganistão a «mãe de todas as bombas», com potência superior à de mil bombas de Hiroshima, para destruir rebeldes talibãs. Apesar desse potencial, nove dias depois, uma base militar afegã, à hora em que os militares estavam reunidos para rezar, foi atacada por rebeldes talibãs, causando 150 mortos e dezenas de feridos. A utilização de armamento por mais potente que seja causa demasiado mal às pessoas e não traz benefícios senão para os fornecedores ade armamento.

A Síria suporta os inconvenientes de uma guerra feroz desde 2011 com bombardeamentos de seus aviões, da Rússia, do Irão, da Turquia, da América, da França e da Grã-Bretanha produzindo cerca de 400.000 mortos, 1,5 milhões de feridos e 5 milhões de refugiados, além de destruições incalculáveis.

António João Soares
5 e Junho de 2018

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terça-feira, 5 de junho de 2018

DESCOBRIMENTOS E GLOBALIZAÇÂO

Descobrimentos e globalização
(Publicado no semanário O DIABO em 05-06-2018)

A História demonstra que a Humanidade, tal como qualquer sector da Natureza, não é rígida e imutável, antes está em mudança permanente embora, de forma imperceptível. Não é fácil navegar sensatamente nas ondas de tais mudanças e aparecem mitómanos ou egomaníacos que se enredam em críticas destrutivas geradoras de ódios e desejos de vinganças, alimentados por visões próprias de sociopatas, em vez de fazerem uma correcta descrição para as pessoas perceberem os principais factores de cada mudança.

É o caso da deturpação, por alguns «historiadores» que procuram denegrir os Descobrimentos que, segundo opiniões abalizadas de pensadores estrangeiros actuais, foram o arranque da actual GLOBALIZAÇÃO. A curiosidade, o desejo de saber o que está para lá do horizonte, próprio de cada cientista, levou a geração do Infante D. Henrique a percorrer as costas de África, a contornar o Cabo das Tormentas e fazer a ligação entre dois mundos, o Ocidente e o Oriente.

Tudo tem vantagens e inconvenientes, mas é insensato, enveredar por radicalismos, sobrevalorizar actos menos correctos, esquecendo o conjunto da questão.

A China que cresceu como Império do Meio, onde criou uma tecnologia florescente de que o mundo ainda beneficia e que procurou a defesa pacífica, bem traduzida na Grande Muralha para evitar a invasão pela Mongólia. Depois, aproveitou a abertura ao Ocidente, originada pelos portugueses, e conseguiu ser hoje uma potência comercial de grande importância em todo o mundo, sem ter necessidade de usar violência nem o poder de armas de grande poder destrutivo do agrado de outras potências.

Os descobrimentos procuraram conhecer novos mundos e transmitir-lhes conhecimentos, cultura, religião, procurando melhorar as condições de vida das suas gentes.

Hoje, o continente africano que, devido à sua geografia, tem poucos contactos com o mundo exterior o que lhe tem travado o desenvolvimento, está a atrair a generosidade de apoios como o do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) que pretende investir 35 mil milhões na industrialização do continente, usando de método inteligente que começa por ajudar a criar capacidade de formação e informação, analisando em cada sector o que o que foi bom ou não, para não repetir erros e para avançar para um desenvolvimento sustentável a longo prazo. A finalidade é as pessoas saírem da pobreza e disporem de empregos. O apoio do BAD será iniciado pela agricultura, como caminho mais rápido para a industrialização, o desenvolvimento de «clusters» industriais e zonas económicas especiais, o desenvolvimento de políticas industriais e o financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística.

Também a Coreia do Sul está a preparar cooperação com África que pretende efectuar através de apoios adequados às condições e características de cada país, assegurando um crescimento inclusivo e com infraestruturas 'inteligentes'.

Tanto as intenções do BAD como da Coreia do Sul fazem recordar aquilo que os portugueses fizeram em tempos anteriores, sem os recursos de tecnologia nem de poder financeiro hoje disponíveis. Qualquer bom historiador que analise o que ocorreu durante séculos, entre os portugueses e os povos africanos e asiáticos, onde trabalharam, encontrarão muitas semelhanças com os factos actuais, feitas as proporções entre as possibilidades de então e as de hoje. O mal é o de «historiadores», sem conhecimento das realidades e que, com arrogância e megalomania, querem aplicar as ideologias actuais a realidades antigas. Mas, dessa forma, não terão o êxito de filósofos como o seu ídolo Karl Marx, cujas ideias foram desvirtuadas.

António João Soares
29 de Maio de 2018

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terça-feira, 29 de maio de 2018

PREVENÇÃO, COMO?

Prevenção, como?
(Publicado no semanário O DIABO em 29-05-2018)

Estamos quase a entrar em nova época de fogos florestais, segundo o calendário da Protecção Civil. O PM já deu a sua directiva: não precisa de mais estímulos do PR e a solução reside na prevenção. Embora esta “directiva” não seja perfeita, porque no caso de a prevenção falhar, mesmo que pontualmente, é indispensável preparar sistema de combate a incêndios que, “eventualmente”, ocorram, por forma a não se repetirem as tragédias do ano passado.

E desta directiva tão “brilhante”, o que resulta? Como responsável por uma máquina administrativa, executiva, com uma hierarquia escalonada em diversos degraus, esperará que, em cada degrau, se repita “prevenção”, como tem sido bom estilo dos papagaios da política! Mas o desejável seria a especificação de medidas eficazes conducentes ao objectivo desejado, sucessivamente pormenorizadas e traduzidas em actos práticos e com capacidade de eficiência para evitar os fogos. Evitar deve ser o resultado da prevenção.

Para isso, a máquina executiva terá de esperar eficácia, nas áreas da Administração Interna, da Agricultura, do Ambiente, da Educação, das Finanças, etc. A Administração Interna já evidenciou ausência de conhecimento real do problema ao emitir uma ordem indicando um prazo que teve de ser anulado, por impossibilidade de ser cumprido. A limpeza das matas não pode constar do corte de toda a vegetação, em que se incluem pequenas árvores que viriam a substituir as árvores de hoje, dando natural continuidade à vegetação útil. Sem tal cuidado produz-se a desertificação.

Há que agilizar os vários degraus do poder, chegando até aos guardas florestais, guarda-rios e cantoneiros, passando pelas autarquias, regedores, etc., para consciencializar a população rural sobre os cuidados a ter para evitar os fogos. Não deve ser desprezada a análise dos diversos interesses nos fogos para aplicar uma Justiça rápida e rigorosa, dissuasora de incendiários e seus eventuais financiadores.

Para que o Sr. PM não venha a ser acusado pelos seus actuais colaboradores de ser “vergonhoso e desonroso”, como foi dito do seu antecessor, deve escolher para responsáveis por funções importantes nos diferentes graus da hierarquia pública, pessoas tecnicamente capazes, conhecedoras dos problemas a resolver e experientes na sua prática, a fim de ajudar a preparar as melhores directivas, a colocá-las em execução e a controlar os resultados, passo a passo, a fim de conseguir prevenção eficaz e o mais adequado combate a fogos que ocorram devido a eventuais falhas.

Nessa escolha convém evitar amigos, corruptos e opiniões interesseiras de “colaboradores” mais interessados nos seus próprios interesses e ambições do que na defesa dos interesses nacionais e na melhoria da qualidade de vida das pessoas que o Governo deve ter sempre em primeira prioridade.

A preocupação principal deve ser a resolução dos problemas actuais com soluções que contribuam para um futuro melhor com objectivos a longo prazo, bem definidos e convincentes que consigam convergência de esforços.

Para isso tem que haver ousadia de mudança, sem hesitações, mas também sem precipitações aventureiras que apenas produzam esperanças falhadas e sem bons resultados compensadores do esforço. A preparação da decisão deve seguir a metodologia referida no texto publicado n’O DIABO em 27-09-2016. Feita a escolha, deve seguir-se a execução, com planeamento, organização e programação, de forma muito realista, para ser obtido o melhor êxito, evitando falhas. E, após iniciada a acção, deve accionar-se um sistema de controlo para pôr em acção eventuais ajustamentos mais convenientes.

António João Soares

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terça-feira, 22 de maio de 2018

DIPLOMAS NÃO COMPENSAM FALTA DE INTELIGÊNCIA

Vale mais um analfabeto inteligente do que um doutor que só decorou teorias
(Publicado no semanário O DIABO em 22-05-2018)

O título deste texto, pode parecer polémico e irreal, mas a observação daquilo que se passa em nosso redor sugere profunda reflexão acerca de nomeações por amiguismo para funções consideradas de responsabilidade e dos actos daí resultantes e acerca do êxito de muitos iletrados inteligentes.

Comecemos por recordar algumas situações conhecidas. Na altura em que muito era dito dos fogos de Pedrógão Grande e dos muitos mortos numa estrada abrangida pelas chamas, veio a público que havia uma lei, desde há muitos anos que obrigava a limpar as orlas das estradas até 10 metros, mas que não foi cumprida. Porquê? Não era adequada, ou não foram indicados os que deviam fazer tal trabalho? E se estes foram devidamente referidos, houve falta da conveniente inspecção para que a lei fosse cumprida e fossem prevenidos incêndios ou outros perigos para a circulação.

Depois dos referidos fogos houve uma determinação apressada, irreflectida, de limpar as proximidades de habitações e povoações até 15 de março, após o que seriam aplicadas coimas a quem não cumprisse, a fim de se reduzir os danos de eventuais fogos florestais. A aplicação de tal ordem mostrou que ela era incumprível em tal prazo e este teve de ficar sem efeito. Isto evidenciou incompetência dos autores por inexperiência e desconhecimento das realidades visadas. Isto mostra haver falta de critério correcto na admissão de pessoal de gabinetes ministeriais, supostamente com estudos, mas sem conhecimento dos assuntos em que têm de tomar posição ou decisão e sem inteligência ou sensatez para reconhecer a sua ignorância e pedir apoio a conhecedores dos problemas. As teorias aprendidas nas licenciaturas não supriram a ausência de conhecimento das realidades. Agir, ao acaso, sem perfeito saber, é sinal de falta de inteligência, de consciência, de seriedade, de competência, de dedicação aos fins supremos do Estado, etc.

A inteligência é um atributo muito útil no comportamento diário. Há pessoas inteligentes que não estudaram ou estudaram pouco e que tiveram êxito na vida, obtendo felicidade e até abastança. Um caso muito conhecido é o de Rui Nabeiro que começou a trabalhar aos 12 anos e hoje possui uma empresa de muito nome e êxito, tendo colaboradores com elevado grau académico e com quem dialoga de forma eficiente. Tem beneficiado os habitantes de Campo Maior ao ponto de todas as pessoas o considerarem como pai. Foi Presidente da Câmara M de Campo Maior. Foi-lhe atribuído, por Mário Soares o grau de comendador da Ordem Civil do Mérito Agrícola, e, por Jorge Sampaio, o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique. A Universidade de Évora, criou, em 2009, a «Cátedra Rui Nabeiro, destinada à promoção da investigação, do ensino e da divulgação científica na área da biodiversidade». É cônsul regional honorário de Espanha, com sede na Vila de Campo Maior e jurisdição nos distritos de Castelo Branco, Beja, Portalegre e Évora.

Outro caso exemplar é de Artur Patrocínio, de Azueira, inicialmente trabalhador agrícola, e que com a sua inteligência e vontade de trabalhar conseguiu desempenhar funções de relevo, Membro do Conselho Municipal de Mafra e outras funções de responsabilidade em instituições profissionais e regionais e deu o seu nome a escola, a biblioteca, a associação de pais Artur Patrocínio. Ajudou pessoas como solicitador, angariou meios para construção de casas para necessitados, etc.

Alem destes cidadãos que constam na Internet, haverá muitas centenas que, com poucos ou nenhuns estudos tiveram êxito e foram de grande utilidade para os concidadãos, pela sua inteligência e dedicação ao trabalho.

António João Soares
15 de maio de 2018


Segue-se aditamento:

VALE MAIS A INTELIGÊNCIA E VONTADE DE TRABALHAR DO QUE ALGUNS DIPLOMAS

História de um homem com poucos estudos, mas inteligente e com vontade e trabalhar que teve uma vida de muita utilidade para si e para os outros.

Em conversa de amigos em que afirmei que tem mais valor um homem inteligente e trabalhador do que um doutor que apenas recita teorias, o meu amigo António Ribeiro referiu a vida de um tio que falecera poucos dias antes. Pedi-lhe para me dar um apontamento de caso com tanto interesse e enviou-me o seguinte a que não resisto a dar divulgação:

Caro amigo

Conforme prometido, passo a resumir alguns dos passos da vida do meu Tio Vasco.

Nasceu em Douro Calvo, Concelho de Sátão, Distrito de Viseu. Filho de agricultores rumou a Angola onde se estabelece no Norte como produtor de café, de que apenas tinha ouvido falar. Amanhou a terra, criou as infra-estruturas de irrigação e criou riqueza.

Em 1961, e com o advento da revolta dos movimentos de libertação, fugiu como pôde para salvar a família e a si próprio! Vai para Luanda apenas com a roupa do corpo e um velho Land Rover que lhe permitiu a fuga! Aqui chegado cria uma empresa de gelados, sendo que todas as arcas frigoríficas e carros frigorificados de venda foram concebidos e fabricados por si próprio! Este homem tinha apenas a 4ª classe e nunca ninguém lhe tinha ensinado o que quer que fosse sobre produção de frio! Nesta qualidade torna-se o fornecedor de gelados mais importante dos bairros da Terra Nova, São Paulo e Rangel, com 27 carros de venda na Rua, todos os dias da semana.

Neste período em que teve a fábrica de gelados, construiu ele próprio, com as suas próprias mãos, um condomínio fechado com várias casas que colocou no mercado de arrendamento.

Dá -se o 25 de Abril e volta a ficar sem nada, regressando a Portugal com meia dúzia de caixotes e 5 contos no bolso. Instala-se na terra da sua esposa em Trás -os-Montes e começa novamente do zero.

Dado que os emigrantes eram a principal fonte de dinheiro da terra, por via da construção das suas casas, decide erguer uma fábrica de blocos, cujas máquinas foram, mais uma vez, fabricadas por si próprio!

Vem a crise da construção e decide voltar a mudar de vida, estabelecendo-se na sua cidade Natal, Viseu, desta feita como serralheiro civil! Aqui foi desenvolvendo a sua actividade até à altura em que a sua idade avançada o foi impedindo de realizar trabalhos mais meticulosos em que a vista, por exemplo, era determinante!

Mas nem assim desistiu! Até aos 95 anos foi arranjando trabalho a cavar vinhas no Douro, ao lado de gente muito mais jovem, mas ao lado da qual nunca se sentiu diminuído! Sempre que estávamos juntos ia-lhe perguntando como é que corria a vida e lá me respondia no tom habitual: “está tudo bem Toninho, só sinto falta do trabalhito, que podia ser mais!”

Morreu com 96 anos sem nunca conhecer o conceito de reforma! Paz à sua alma!

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terça-feira, 15 de maio de 2018

PASSOS PARA ELIMINAR A VIOLÊNCIA

Passos para a eliminação da violência
(Publicado no semanário O DIABO em 08-05-18)

Na última Páscoa fui presenteado com motivos de felicidade. Não posso dizer que foi um prémio, mas foi um estímulo para perseverar na utopia que teimei em expor em 8 artigos entre 01Nov20116 e 06Fev2018, de que irei escrevendo os títulos sublinhados. Comecei por afirmar que a paz é o bem maior e cheguei ao ponto de sentir que há perspectivas de a violência diminuir. De repente, chegaram notícias que me provam não estar errado, como a de que a China considera que o diálogo facilita a convergência e, para isso, «comprometeu-se com o Vietname a manter a paz no mar do Sul da China». E também defende que deve haver negociação em vez de guerra e, para isso, «propõe cedências à Coreia do Norte e ao EUA para amortecer a crise».

Também a Coreia do Norte se mostra consciente de que bom entendimento gera harmonia e paz e, nessa ordem de ideias, «Kim Jong-un deu passos decisivos para estabelecer a paz com o vizinho do Sul. E, por seu lado, a Coreia do Sul, aceitando que a paz é um bem apreciável, «propõe a contenção nos jogos de guerra anuais dos EUA e da Coreia do Sul», para terminar com provocações, ameaças de violência, e troca de ofensas pessoais entre Trump e Kim Jong-un e os riscos que daí poderiam advir.

Foi importante para as duas Coreias a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno na Coreia do Sul, que proporcionaram a participação do Norte e criaram um ambiente de apaziguamento entre as duas. No dia 27 de abril, houve o encontro histórico entre o líderes norte-coreano, Kim Jong-un, e sul-coreano, Moon Jae-in o primeiro em 11 anos, em que foi declarada a desnuclearização da península coreana.

Está previsto para breve o encontro entre o Presidente dos EUA e da Coreia do Norte. Este momento histórico será um grande passo em frente dadas as decisões já tomadas por este Estado.

E do Médio Oriente, onde a guerra tem sido persistente, veio a notícia de que a Síria, por acordo entre o Governo e uma fação islamita, tornou possível que «Mais de mil pessoas abandonassem Ghouta oriental nas últimas horas» poupando-as aos efeitos das operações seguintes. Foi um sinal de que a Síria consciente de que a violência gera mais violência, ódios e vinganças, procurou dar segurança a pessoas inocentes e criar condições mais adequadas a uma vida mais segura e salutar.

Estas referências a notícias recentes, não significam que são efeito dos meus artigos. Longe disso. Poucas pessoas os lerão e, quanto a políticos, não querem perder tempo que precisam para preparar a propaganda para as eleições seguintes. Mas a minha utopia pretende apenas contribuir para os cidadãos normais se convencerem de que a guerra e a violência devem ser evitadas, e a Humanidade (eu e os meus leitores) deve reagir a tais tentações mefistofélicas.

Um exemplo maravilhoso e encorajador veio há dias da América em que jovens estudantes reagiram, de forma muito ordeira, visível e convincente, contra a violência brutal sofrida nas escolas e vinda de pessoas mal-formadas portadoras de armas que usam de forma irracional. Dessas manifestações surgiu a iniciativa para a alteração da legislação de uso e porte de armas e já há notícias de que casas fornecedoras de tais meios de violência iam fechar por baixa do negócio. Será desejável que os detentores de cargos com funções ligadas à segurança dos cidadãos assumam a sua responsabilidade de acabar com tudo o que constitua perigo para as pessoas pacatas e sossegadas.

Gostava de ver mais «lunáticos» a defender esta ideia e a difundi-la à semelhança dos jovens estudantes americanos e do próprio Papa Francisco.

António João Soares
8 de Maio de 2018

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quarta-feira, 9 de maio de 2018

REGIME AUTORITÁRIO É PROPICIADOR DE GUERRA

Regime autoritário é propiciador de guerra
(Publicado no semanário O DIABO em 08-05-18)

O espaço aéreo israelita foi violado por um drone iraniano, o que provocou uma resposta contra alvos sírios e iranianos do outro lado da fronteira. No regresso, foi abatido um caça israelita e Israel alertou dizendo que «os sírios estão a brincar com o fogo quando permitem aos iranianos atacar Israel». A queda deste caça após a ofensiva, na Síria, contra alvos iranianos marca uma nova fase no envolvimento de Israel na guerra que, desde 2011, abalava o país vizinho.

Embora o Daesh que causou um número dramático de mortos e destruições, tenha sido vencido, a Síria continuou em guerra contra a oposição.

Na madrugada do dia 8 de Fevereiro forças norte-americanas na Síria atacaram uma grande formação de 500 homens ligados ao regime de Bashar al-Assad que, segundo Washington, atacava sem provocação, posições das milícias apoiadas pelos Estados Unidos, onde também se encontravam militares americanos. Depois houve o ataque com armas químicas a que se seguiu novo ataque por EUA, GB e França.

Porquê tanta violência neste país? A Síria é uma manta e retalhos com sete grupos étnicos e cinco religiões diferentes, sendo os árabes sunitas que constituem o maior grupo populacional do país. Tal situação exigia uma democracia dotada de capacidade diplomática adequada ao diálogo e à negociação, por forma a manter bom entendimento, harmonia e paz. Mas o actual presidente é mais orientado para o autoritarismo e a força.

Durante a actuação do Daesh houve o apoio da vizinha Turquia, do Irão e da Rússia para apoiar o seu aliado que lhe concede a passagem do gasoduto para a Europa, e a resistência dos Estados Unidos por não ter sido dada a passagem ao gasoduto de um seu aliado. Os interesses em jogo são complexos e pesados.

A Síria viveu sob uma lei de emergência entre 1963 e 2011, o que suspendeu a maioria das protecções constitucionais de seus cidadãos, sendo presidente Hafez al-Assad, que faleceu, em 10 de Julho de 2000, depois de ter governado a Síria desde 1970.

Bashar Al-Assad formou-se na Universidade de Damasco em 1988 e, quatro anos depois, iniciou estudos de pós-graduação do Hospital Ocidental Eye, em Londres, especializando-se em oftalmologia. Tinha poucas aspirações políticas porque seu pai educara seu irmão mais velho, Bassel al-Assad, para ser o futuro presidente. Mas, em 1994, este morreu num acidente de carro, pelo que Bashar foi chamado à Síria para assumir o papel de herdeiro. Sem vocação especial, entrou na academia militar e, em 1998, assumiu o comando da ocupação da Síria no Líbano.

Após a morte do pai, Bashar al-Assad tornou-se General e Chefe Supremo das Forças Armadas Sírias. Nomeado candidato pelo Partido Árabe Socialista Baath (único partido do regime) para a Presidência da República, foi eleito mediante referendo em 10 de julho de 2000, tomando posse em 17 de julho.

No começo de seu mandato, houve esperança de mudanças democráticas, a qual foi frustrada com a continuidade da política de seu antecessor. Ante a instabilidade do Líbano, e as constantes tensões com Israel, Bashar al-Assad procurou manter um discurso reformista que poderia satisfazer os anseios da União Europeia e dos EUA mas, na prática, não produziu nenhuma concessão aos movimentos da oposição.

Em Março de 2011, a forte repressão em massa e cercos militares contra manifestantes pró-rebeldes que se levantaram contra Assad e o governo baathista, originaram uma grave guerra civil, que tem criado grande perturbação. E, pelos vistos, ainda não há sinais credíveis de pacificação.

O autoritarismo provoca ou facilita a guerra.

António João Soares
1 de Maio de 2018

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quarta-feira, 2 de maio de 2018

VÍCIO DA DROGA FINANCEIRA, CORRUPÇÂO, ETC.

Vício da droga financeira, corrupção, etc.
(Publicado no semanário O DIABO em 01-05-18)

Não faltam promessas de medidas para combater crimes de corrupção, peculato, abuso do dinheiro público, crédito malparado, etc. Mas as notícias tornam evidente que, se foram tomadas medidas, elas foram ineficazes. Tais abusos dos valores do erário público traduzem-se em maiores saques aos bolsos dos cidadãos, principalmente os mais desfavorecidos, devido ao excesso crescente de impostos indirectos e às múltiplas taxas que sobrecarregam a generalidade das despesas.

Têm sido chocantes as notícias de ex-políticos que se tornaram milionários e que possuem diversas contas em «offshores», depois de terem tido ligações com grandes empresas, desde bancos a fornecedores de energia que, nas facturas dos seus clientes, adicionam taxas, com os mais diversos pretextos.

Expressivo foi o caso recente dos deputados e outros políticos que, vivendo em Lisboa há longos anos, dão como residência fiscal a terra onde nasceram, nas Ilhas ou no Continente, a fim de receberem subsídios de deslocação, por vezes em duplicado, que depois de muita controvérsia na Comunicação Social, foi objecto de palavras de altas entidades que procuraram fechar a polémica afirmando que não há ilegalidade. Ora o facto torna imperioso que a lei seja revista por forma a ser clara e rigorosa no seu conteúdo, a fim de não permitir tanta discussão que subentende a existência de texto mal elaborado e impreciso que se presta a duplas interpretações. Terá sido intenção do autor do texto? Convém ser averiguado por técnicos totalmente honestos e apartidários. A Justiça, que tem sofrido muitas críticas negativas, precisa de leis rigorosas para nelas basear as suas decisões.

E não parece aceitável que políticos servidores do Estado, que devem ser exemplos de honestidade para os cidadãos seus mandatários, tenham mordomias e benefícios demasiado elevados em relação ao nível de vida dos cidadãos e exijam excepções às leis, que, por definição devem ser aplicáveis de forma equitativa a todos os portugueses, ao ponto de os cálculos das pensões de reforma não serem elaborados pelo critério que a lei impõe aos portugueses e que, mesmo que se tenham tornado milionários na sequência dos seus cargos, recebem um subsídio vitalício, o que não sucedes aos mais qualificados funcionários públicos. Para que o assunto atrás referido seja correctamente esclarecido, será conveniente que a lei seja revista por uma equipa de legistas, independentes, apartidários, que façam a análise tendo em vista a dívida pública nacional e os crescentes encargos com impostos directos e indirectos com que são sobrecarregados os cidadãos, e as facilidades concedidas a deputados, a quantidade destes e o fruto dos seus trabalhos em benefício dos cidadãos.

Se toda a gente está de acordo que deve ser evitada a toxicodependência por produtos químicos ou de origem vegetal, parece recomendável que, para recuperação de valores sociais, hoje tão esquecidos ou desprezados, se procure reduzir o vício do «dinheiro pelo dinheiro», que esquece os valores humanos o respeito pelos outros e a preocupação de preparar o futuro com melhor qualidade de vida e mais justiça social.

E convém que os governantes não se preocupem apenas com os números financeiros, pensando que o erário é um poço sem fundo e que há sempre a solução de sacar mais umas taxas ou taxinhas. Não devem distrair-se porque as pessoas têm necessidades que as obrigam a reflectir sobre as realidades nacionais e, à semelhança daquilo que por vezes se passa lá fora, podem dizer «basta de tanto sofrer».

António João Soares
24 de Abril de 2018

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terça-feira, 24 de abril de 2018

EUTANÁSIA OU O FIM DA HUMANIDADE

Eutanásia ou o fim da humanidade
(Publicado no semanário O DIABO em 24-04-18)

Inicio este texto com a transcrição de desabafo do amigo JCM acerca da EUTANÁSIA:
«… assistimos agora a toda esta polémica no pseudo Serviço Nacional de Saúde! Isto são "tretas" para distrair o pagode. O chamado SNS não existe! Existe sim a execução deliberada, só não vê quem não quer, da política das Esquerdas, de pôr em execução, sem necessidade de legislação, a EUTANÁSIA.

«Quando há hospitais com listas de espera de 5 anos para consultas e intervenções cirúrgicas URGENTES, como classificar? Assassínio? Não podemos, porque o assassínio está muito rigorosamente identificado no Código Penal. Consequentemente, esta decisão de protelar consultas, exames, cirurgias, contratação de profissionais, liquidação de dívidas aos fornecedores e profissionais de saúde, cativação de verbas orçamentadas, etc. etc. vem ao encontro das políticas defendidas pelas Esquerdas que defendem a EUTANÁSIA para resolver os milhões de problemas da maior conquista do 25A (!)! O Serviço Nacional de Saúde que fica complementado com a EUTANÁSIA !!! Assim, sim! As pestes grisalhas são reduzidas à sua expressão mínima, as crianças de todas as idades são deixadas morrer sem assistência nos corredores dos hospitais, tal como se fazia em Esparta nos anos 500 AC !!! E os militares ? Idem idem, aspas aspas! O ministro da dita Saúde bem disse: "Somos todos Centenos!" E os …? Também são Centenos? Pelo andar da carruagem são. Eu não sou! Sou paciente da EUTANÁSIA mas sem intervenção dos Centenos.

«Ouve os comentários e pareceres dos profissionais de saúde vertidos nos canais tv e consegues um artigo de se tirar o chapéu. Tem que ser rápido. Para a semana já os temas serão outros. As Esquerdas são sábias nos disfarces e dissimulações.

«Os carrascos directos estão bem identificados: Os ministros das Finanças, da Saúde e da Segurança Social. Tem graça haver um ministro da Segurança Social quando os doentes morrem como tordos por não serem atendidos nos centros hospitalares e, os que conseguem ser atendidos, não dispõem de meios financeiros para adquirirem os medicamentos!

«Ainda tenho a acrescentar que os "carrascos" são apadrinhados pelos outros "esquerdofrénicos", encabeçados pelos "eleitos" 1º ministro e Presidente desta República!!!...»

A EUTANÁSIA exige legislação muito cuidada e rigoroso controlo para evitar interesses de familiares, Estado, hospitais, serviço de saúde, etc. Recordo o que ouvia na minha infância acerca do crime da poça das feiticeiras, em Ranhados, freguesia vizinha de Viseu, em que um rico proprietário agrícola, na tarde do dia da malha de centeio foi encontrado morto na represa do ribeiro recaindo as suspeitas sobre a filha e o genro que pretenderiam a antecipação da herança do velho.

Mesmo antes de sair lei sobre o assunto, já há procedimentos que podem ser inseridos nas finalidades laterais pretendidas por forças de pressão a favor da EUTANÁSIA, como refere o desabafo do amigo atrás citado.

Os apoiantes da EUTANÁSIA, se a sua filosofia anti-natura, com desprezo pela vida dos outros e sem sensibilidade, tiver aprovação pelo PODER, acabarão por ser eliminados todos os que não produzem riqueza económica nacional, e pesam no orçamento do Estado, por serem idosos, deficientes, desempregados, criminosos, etc. Este novo tipo de pena de morte irá desinfestar a sociedade de «inúteis» que, com a evolução rápida das novas tecnologias, serão a maioria da população.

E depois? Para que serve tal tecnologia avançada se deixa de haver consumidores? Para que servem médicos, porque deixa de haver doentes? Para que servem os hospitais? Para que servem os laboratórios de medicamentos? E para a população tão diminuta daí resultante, para que são necessários tantos deputados, um governo a ocupar tanta gente, tantas instituições, comissões, grupos de trabalho a ocupar tanta gente a consumir tanto dinheiro? Para quê tanto tacho para «boys» e «girls»?

Tal desinfestação acabará na extinção da vida humana no planeta. E ficarão apenas os robots isolados a efectuar os seus programas sem a mínima utilidade, por não haver utilizadores em quantidade adequada.

Afinal para que houve tanto interesse em terminar com a pena de morte? Se a que existia servia apenas para eliminar criminosos, e a que aí vem será aplicada a inocentes, apenas por que não são produtivos e são considerados pesados ao erário, numa sociedade escrava do vil metal e em que não se tem respeito pela vida, o bem-estar e a felicidade das pessoas.

António João Soares
17 de Abril de 2018

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terça-feira, 17 de abril de 2018

PLANEAR COM SENTIDO ESTRATÉGICO... PARA O FUTURO

Planear com sentido estratégico… para o futuro
(Publicado no semanário O DIABO em 17-04-18)

As alterações da ondulação do mar, devidas a condições climáticas, têm provocado a destruição de cordões dunares e deixado sem areia as praias da Costa de Caparica. As condições actuais testemunham a deficiente atenção dada ao problema quanto a planos eficientes, com sentido estratégico, para evitar riscos em pessoas e património, nos muitos equipamentos e habitações ali existentes. Segundo notícia recente do «Notícias ao Minuto», na Câmara Municipal de Almada pretende-se proceder à retirada da população, tendo os planos para relocalização que ser equacionados "num período sempre a 100 anos", para não fazer a deslocação forçada em pouco tempo, o que acarretaria custos e sacrifícios elevados.

Mas, segundo a mesma notícia, o Presidente da Junta de Freguesia mostra ser mais prático reforçar a proteção do litoral e evitar o recuo da zona urbanizada.

Ambas as modalidades têm vantagens e inconvenientes e não deve optar-se por qualquer delas sem uma análise muito cuidada de cada uma a fim de se investir na melhor delas, ou escolher outra que seja mais vantajosa. Será oportuno aplicar, na procura da solução, a metodologia referida no artigo «preparar a decisão» publicado no semanário DIABO em 27 de Setembro de 2016.

O recuo ou deslocação da população começará a ter efeito daqui a alguns anos e torna-se mais pequena a dimensão do país, ao contrário de alguns exemplos de outros países, como a conquista do mar para construir o aeroporto de Macau, a Holanda que tem lutado para o aproveitamento das zonas baixas que deram nome aos «Países Baixos», o Mónaco que está a alargar a sua pequena área para o Mediterrâneo, não apenas para instalações ligadas ao mar, mas para habitação e fins comerciais e industriais, o Kuwait e o Dubay que têm aumentado grandemente as suas áreas para fins turísticos e outros, com grandes avanços sobre o mar.

Quanto à Caparica, já li que houve a intenção de a ligar por uma larga avenida ao Farol do Bugio e o aproveitamento deste para finalidades turísticas, de bares e de recreio. Mas as obras de protecção do litoral não podem ser tão artesanais como as que têm sido usadas, devendo-se utilizar fundações adequadas para os «cordões dunares», bem como para equipamentos de bar, restaurantes, parques de campismo e habitações, etc, a fim de ondas mais altas não lhes retirarem o solo subjacente e as destruir.

Qualquer que seja a solução adoptada, deve merecer a concordância de Governo e oposição, a fim de ter continuidade depois da primeira legislatura, para não se anular o custo da obra já feita e a deixar ruir, como aconteceu com o plano do aeroporto de Lisboa na Ota, depois em Alcochete e agora em Montijo, ou o TGV Lisboa-Elvas, ou a rede ferroviária de bitola europeia, ou a limpeza das bermas das estradas legislada há muitos anos mas só agora objecto de atenção, a «proposta para fiscalizar indústria de pirotecnia na gaveta há dois anos», etc.

A Natureza tem muita força e não pode ser totalmente contrariada, mas a segurança do património e das populações é dever essencial dos Governos. Por isso, perante as previsíveis alterações ecológicas, convém estar preparado para o aumento de riscos, com planeamentos adequados e preparados para alterações correspondentes às previsões da mudança climática. Para isso, deve ir-se além do critério de decisões de emergência (do «agora vai ser assim e, depois, logo se verá»), e decidir planear a pensar num futuro distante, sem pôr de lado a conveniência de introduzir os indispensáveis ajustamentos aconselhados pela evolução das circunstâncias. E, depois, acima de tudo isto, é imperioso que os sucessores garantam a sustentabilidade. Estes devem ter sempre presente que as grandes obras de que Portugal se orgulha não podiam ter sido construídas numa legislatura de quatro anos, em que os sucessores anulassem a obra iniciada pelos antecessores. Os interesses nacionais devem constituir a primeira prioridade dos governantes e ser planeados, iniciados e realizados, com sentido estratégico e de responsabilidade perante Portugal e os portugueses.

António João Soares
10 de Abril de 2018

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terça-feira, 10 de abril de 2018

A FORÇA DA JUVENTUDE GERA ESPERANÇA

A força da juventude gera esperança
(Publicado no semanário O DIABO em 10-04-18)

O futuro pertence aos jovens e, por isso, eles devem começar cedo a ser optimistas, entusiastas e positivamente inconformados com o ambiente opressivo em que são criados. Devem abrir os olhos para aquilo que é positivo e que merece o seu esforço para conseguir o seu futuro de dignidade, com respeito pelos mais válidos valores éticos e combater corajosamente as amarras socialmente patológicas com que os querem impedir de sonhos e de desenvolvimento. Devem exigir condições para crescer em idade, saber e civismo. E, neste, enquadra-se o respeito pelos outros, a recusa de injustiças, prepotências, exigências inúteis, etc.

Não podem deixar de ser motivos de esperança casos como os dos quatro projectos de investigação inovadores, de jovens investigadoras que estão a abrir novas pistas, a desbravar, no estudo das ciências da saúde e do ambiente, que mereceram as Medalhas de Honra L’Óreal Portugal 2018. Além da honra de terem sido escolhidos, entre mais de 70 candidaturas, vão receber também 15 mil euros cada, para aplicarem na continuação dos seus projectos de investigação.

Cito-as por ordem alfabética: Carina Crucho, investigadora no Instituto Superior Técnico, em Lisboa; Dulce Oliveira, estuda o clima do passado, no Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA); Inês Bento, do Instituto de Medicina Molecular (IMM), da Universidade de Lisboa; Margarida Fernandes, bolseira de pós-doutoramento na Universidade do Minho.

Estas quatro jovens merecem mais publicidade na Comunicação Social do que a que lhes foi dada e deve ser-lhes demonstrado o orgulho que temos nelas. Merecem mais tempo de antena do que qualquer malandrim a quem as TV dedicam muitas horas por dia. Elas dão-nos esperança de que a imagem de Portugal será recuperada. Parabéns a estas estudantes e investigadoras entusiastas.

Além destes casos, tem havido outros de projecção internacional e continuará a haver muitos mais, o que prova que o real valor dos portugueses está a ser revitalizado pelos jovens. Felizmente, Portugal não se evidencia apenas pelo futebol!

Mas o caso mais focado nas notícias é o que ocorreu nos EUA, em que sobreviventes do ataque em Parkland, Florida, em 14 de Fevereiro, em que um ex-aluno promoveu um massacre na escola Marjory Stoneman Douglas, matando 17 pessoas e deixando vários feridos, organizaram uma manifestação geral em todos os EUA que chegou a mais de 800 localidades e, em Washington DC, juntou meio milhão de pessoas, em que os discursos foram reservados aos menores de idade e gerou protestos solidários de Londres a Sydney, de Genebra a Tóquio.

A chamada geração dos tiroteios na Marcha Pelas Nossas Vidas foi um protesto global contra as armas, contra a permissividade da concessão de licença de uso e porte de arma e pela alteração da lei, de forma a restringir esse direito.

A sociedade tem vindo a cair na falta de respeito pelos outros, na insegurança, no crime. Estes jovens querem um mundo sem armas. Não querem mais mortes nas escolas, manifestando-se contra as armas e outros perigos e exigindo ao governo que actualize a legislação e deixe de se submeter aos lobbies do armamento. E gritaram «Basta. Nunca mais».

É muito positivo que a juventude aja para ter um futuro melhor. Cabe às gerações mais novas preparar o seu futuro, eliminando muita coisa errada da sociedade. Devem lutar por mais civismo e menos prepotências e arrogâncias dos detentores dos Poderes político, económico e financeiro.

António João Soares
03 de Abril de 2018

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terça-feira, 3 de abril de 2018

SEM PONDERAÇÃO, A LIMPEZA PODE DESTRUIR O PINHAL

Sem ponderação, a limpeza pode destruir o pinhal
(Publicado no semanário O DIABO em 03-04-18)

A comunicação de um líder com os seus seguidores deve ser didáctica, sincera, afectiva, sem falsidades nem fantasias. Uma decisão ou determinação deve ser sempre baseada numa análise, mesmo que breve, da situação a resolver.

A actual preocupação com a limpeza das matas, querendo-a fazer em prazo muito limitado, vai destruir o pinhal do interior do país, embora a destruição seja feita de forma diferente da provocada pelos incêndios, mas que será de forma total e definitiva, no curto prazo.

A limpeza que vai ser feita usa máquinas que além de cortarem as plantas infestantes e indesejadas, corta os pinheiros pequenos, com pouca idade, que deviam ser deixados crescer para, naturalmente, substituírem os que, dentro de pouco tempo, serão cortados ou, por efeito da sua idade, morrerão, secarão. E quando os pinheiros actuais desaparecerem, a mata ficará transformada num terreno árido, desértico. É isso que resultará do sistema de limpeza com meios mecânicos, se não houver ponderação e cuidados adequados.

Limpar uma mata não é tão simples como limpar uma vinha, ou um olival ou um eucaliptal, em que basta arrastar a pá entre as fileiras das videiras, das oliveiras ou dos eucaliptos. Nasci e vivi 18 anos numa aldeia da zona do pinhal. Este estava normalmente limpo e não me recordo de ter havido qualquer incêndio em pinhais da região, embora neles, eventualmente, se cozinhasse almoço para os trabalhadores, se fizessem piqueniques e magustos. A sua limpeza resultava da conveniência de aproveitar o mato, a caruma e os ramos mais baixos dos pinheiros, para a cama do gado, para fertilizar as terras, para queimar nas cozinhas e nos fornos do pão para estacas de vinhas, feijoais, ervilhais, etc. Assim, o termo limpar a mata não era usado, por desnecessário.

Mas, ao roçar, cortar, o mato, os trabalhadores mais experientes ensinavam aos principiantes o cuidado a ter para não destruírem os minúsculos pinheiros, que deviam crescer para manter o pinhal.

Dessa forma, e com a sabedoria dos veteranos, todo o pinhal tinha pinheiros de todas as idades e tamanhos e, de tal forma, o pinhal se mantinha no decorrer dos tempos.

Agora, com a pressa definida pelos governantes e com as máquinas a rapar tudo indiscriminadamente, o interior do país, ou zona do pinhal, passará a ser um deserto, dentro de breves anos.

Deverá proceder-se a uma inovação na gestão do pinhal, que permita o uso da máquina sem afectar as árvore, de qualquer idade e tamanho. Isso poderá conseguir-se a pouco e pouco tornando o pinhal numa série de fileiras à semelhança dos eucaliptais, olivais, vinhas e pomares. Esse alinhamento deverá ser já projectado em cada mata por forma a ter especial cuidado com os pinheiros pequenos nessas linhas e rapando à vontade a vegetação no intervalo delas. Este sistema deveria começar já a ser implementado nas matas nacionais, para servir de exemplo. Para isso, não é preciso abater as árvores adultas que estejam fora do alinhamento, devendo aguardar o tempo adequado para o termo da sua vida e o seu devido aproveitamento.

Os governantes não estão a agir de forma didáctica e adequada e estão a contribuir para a criação de tal deserto, principalmente, quando estabelecem prazos curtos e criam sentido de urgência. O prazo inicial era tão desajustado que teve de ser alterado pouco tempo depois de ser estabelecido. Depressa e bem não faz ninguém.

Deviam, antes, procurar didacticamente esclarecer as populações rurais, os autarcas, os bombeiros e outros defensores da natureza para a necessidade dos cuidados a ter para a manutenção da floresta, evitando acções, mesmo que bem intencionadas, que possam contribuir para a sua destruição pela acção do homem com as máquinas, usadas descuidadamente.

António João Soares
26 de Março de 2018

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terça-feira, 27 de março de 2018

PORTUGAL PRECISA DE MAIS UM SALTO EM FRENTE

Portugal precisa de mais um salto em frente
(Publicado no semanário O DIABO em 27-03-2018)

A história de Portugal é rica em momentos de alto valor que devem ser recordados com orgulho dos nossos antepassados.

-O desenvolvimento do interior, da agricultura e da floresta, por D. Dinis, de que sobressai a criação do pinhal de Leiria com «vista às naus a haver» que fizeram os descobrimentos e deram novos mundos ao mundo;

-Guerra da Sucessão com a Espanha, com a Batalha de Aljubarrota e outras em que se dignificou o Santo Condestável Nuno Álvares Pereira, no Reinado de D. João I;

-O início dos descobrimentos para dar «novos mundos ao mundo» e que foram um gesto recentemente citado, como o primeiro passo da globalização, isto é, do relacionamento entre os vários continentes do Planeta. Foram o aproveitamento dos pinheiros do Pinhal de Leiria na sequência do desejo estratégico (com olhos no futuro) de D. Dinis e da vontade e espírito inovador do Infante D. Henrique e que tiveram o ponto alto no reinado de D. Manuel I;

-A restauração da independência, em 1640 e a acção de D. João IV e dos militares que venceram as batalhas subsequentes, contra a reacção espanhola;

-A gestão da causa pública pelo Marquês de Pombal, firmemente dedicado aos interesses nacionais e que reconstruiu Lisboa após as destruições causadas pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755, com vistas largas inovadoras, com uma urbanização exemplar;

-Ao longo da nossa história, construíram-se edifícios e monumentos como a Torre de Belém, Jerónimos, Alcobaça, Batalha, etc;

-E, mais recentemente, a estabilidade e o desenvolvimento do País, durante o Estado Novo que, em 28 de maio de 1926, acabou com a bagunça da primeira república e procurou fazer a recuperação desta «Nação Valente e Imortal». Realizou a construção de obras de grande significado e valor como as numerosas escolas primárias na maior parte das aldeias do interior, em luta contra o analfabetismo, as estradas nacionais que passaram a ligar o litoral ao interior e o Norte ao Sul, para facilitar o desenvolvimento do interior e melhorar a qualidade de vida das populações mais desprotegidas, a construção de pontes de que são exemplos bem visíveis as sobre o Tejo e o Douro, os diversos quartéis militares, em estilo próprio, ainda hoje muito válido, quartéis para a GNR, esquadras de polícia, instalações para bombeiros, construção de Liceus, construção de Hospitais, construção de Tribunais, etc, etc,

Em todos estes momentos e noutros mais, foi bem notório que os responsáveis pela governação do país não se confinavam a chapinhar no pântano, com soluções pontuais e de efeitos limitados e rápidos, mas a projectar para um futuro melhor em benefício de um Portugal exemplar. O sentido estratégico, de inovação com vista ao desenvolvimento e enriquecimento do país com uma qualidade de vida cada vez melhor para os portugueses.

Com tal patriotismo e sentido criativo, foi criada uma posição de Portugal no mundo que, nalguns aspectos, ainda é notada, apesar dos recentes erros sucessivos cometidos nas últimas quatro décadas, em que foi destruído o volumoso tesouro amealhado durante as quatro décadas anteriores e, actualmente, estamos sem esse dinheiro e com uma dívida que durará várias dezenas de anos a pagar pelos vindouros. O actual regime herdou um tesouro e deixa de herança uma dívida assustadora.

A história mostra bem que quando aquilo que se faz, mesmo que pouco, é vocacionado para as décadas vindouras cria-se um prestígio que perdura por muitos séculos, mesmo que, entretanto, decorram períodos de infantilidade e imaturidade dos gestores. O contrário acontece com governos que prometem e não cumprem, apenas para iludir o povo e ter benefício em eleições, em campanhas ilusórias de propaganda manhosa e egoísta com desprezo pelo suor do povo.

Por isso, apesar da crise que vimos sofrendo, há alguns anos, por vezes de forma muito dolorosa, devemos ter esperança no aparecimento de novos governantes que sejam merecedores do nosso passado brilhante e tenham ideias aproveitáveis, concretizadas por planos e projectos que marquem uma nova era de prestígio e progresso nacional. Temos indícios muito auspiciosos no sector científico com investigadores nacionais com projecção internacional devido a êxitos promissores. Seria bom que no âmbito da política acontecesse o mesmo, e fossem feitas reformas estruturais do regime, a fim de sairmos do pântano das promessas falaciosas sem viabilidade de concretização e da fixação de datas incumpríveis que têm de ser alteradas como agora aconteceu acerca da limpeza das matas.

António João Soares
20 de Março de 2018

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quarta-feira, 21 de março de 2018

A MENTIRA VESTIDA DE VERDADE

Conta-nos uma parábola que certo dia a mentira e a verdade se encontraram.

A mentira disse para a verdade:
- Bom dia, dona Verdade!

E a verdade foi conferir se realmente o dia estava bom. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, vários pássaros cantavam e assim, vendo que realmente era um dia bom, respondeu para a mentira:
- Bom dia, dona mentira!

- Está muito calor hoje, disse a mentira.
E a verdade, vendo que a mentira falava verdade, relaxou.
A mentira então convidou a verdade para se banhar no rio. Despiu-se das suas vestes, pulou para dentro de água e disse:
-Venha, dona Verdade, a água está uma delícia!
E assim que a verdade, sem duvidar da mentira, tirou as suas vestes e mergulhou, a mentira saiu da água, vestiu-se com as roupas da verdade e foi-se embora.
A verdade, por sua vez, recusou vestir-se com as vestes da mentira e, por não ter do que se envergonhar, foi nua que saiu, a caminhar na rua.
Constatou, porém, que, aos olhos das pessoas, era muito mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade crua e nua.

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terça-feira, 20 de março de 2018

ONU SEM PODER NEM CREDIBILIDADE

ONU sem poder nem credibilidade
(Publicado no semanário O DIABO em 20-03-2018)

O Secretário-geral da ONU, profundamente triste com o sofrimento da população civil em Ghouta Oriental", pediu a "suspensão imediata" de "todas as atividades de guerra" na região.

Em 18 de Fevereiro, o Conselho de Segurança da ONU, por votação unânime, aprovou a interrupção de combates. Em 26 as Nações Unidas denunciaram "matadouros de seres humanos".

Em 28 de Fevereiro, apesar da anunciada trégua humanitária, ainda não saíram civis de Ghouta oriental. E foram relatados confrontos. E como, agora, na Síria estão em confronto interesses de duas grandes potências, de forma mais ou menos visível, com assento permanente no Conselho de Segurança e com poder de veto, a situação, por pequeno atrito, pode agravar-se e acabar por levar o Mundo a nova grande guerra.

Este facto demonstra a incapacidade e a inutilidade da ONU, sem poder nem credibilidade, para impor a paz onde ela é urgentemente necessária. Quando há fortes interesses em jogo, a sua actuação tem sido um fracasso. Não impediu as duas invasões do Iraque, tendo a segunda sido feita por motivos inexistentes pois não foram encontradas as armas de destruição maciça que lhe serviram de pretexto e o Presidente foi morto e o país ficou em guerra que ainda não cessou completamente, com inúmeros mortos e a destruição de património histórico mundial. Também não impediu a destruição da Líbia que ainda não está recuperada do abalo que lhe matou o Presidente.

Isto é consequência de a ONU sofrer de uma doença congénita, pois, quando substituiu a Sociedade das Nações, tomou a forma de uma ditadura sem credibilidade e sem merecer o respeito dos países, ao criar o Conselho de Segurança com autoritarismo ditatorial, na mão de cinco membros permanentes e com direito a veto. Isso tem sido notado, nomeadamente, no facto de a não disseminação nuclear não ter sido respeitada porque nenhum desses cinco estados poderosos tem moral para evitar que um pequeno país se dê ao luxo de criar uma arma nuclear, como está a acontecer com a Coreia do Norte e já aconteceu com outros Estados. Deviam ter sido esses cinco a dar o exemplo, destruindo as que possuíam. Se o tivessem feito, comprovadamente e com a merecida publicidade, a partir daí, ficavam com poder moral para impedir a disseminação. Como não o fizeram, a ameaça de violência não pára, e que, a maior parte dos casos, tem o apoio visível ou dissimulado de um ou mais desses cinco poderosos. Com as novas armas em experiência, usando a inovação oferecida pelas modernas tecnologias, talvez decidam desmontar as armas nucleares e de produtos químicos, mas não deixarão de proibir aos outros Estados a posse de novas armas. A propósito, os nano-drones vão ser menos espectaculares e ruidosos, mas dispõem de poderosa capacidade de destruição selectiva, As próximas gerações terão problemas mais terríveis e complexos do que a nossa. E nada pode evitar asneiras de quem muito pode!

A Síria tem dado oportunidade para as potências se provocarem, porque o autoritarismo de Assad concretizado em Março de 2011 com forte repressão em massa e cercos militares contra manifestantes pró-rebeldes que se levantaram contra ele e o seu governo, aproveitando a Primavera Árabe,, originou uma grave guerra civil, que criou grande perturbação e, pelos vistos, ainda está longe da pacificação.

É estranho que os outros Estados se submetam obedientemente aos caprichos dos cinco e não exijam uma reforma da estrutura da ONU ou lhe dêem o destino que foi dado à Sociedade das Nações. Têm oportunidade para isso na Assembleia Geral a não ser que vão lá apenas para se mostrarem ou para fazer turismo.

Para terminar, aconselho a leitura do artigo do prof doutor Miguel Monjardino, "Tréguas na Síria baseiam-se num equívoco", publicado em 28 de fevereiro no Diário de Notícias.

António João Soares
13 de Março de 2018

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terça-feira, 13 de março de 2018

AS SOCIEDADES MUDAM

As sociedades mudam
(Publicado no semanário O DIABO em 13-03-2018)

Tudo na Natureza sofre ou beneficia de alterações, como o dia e a noite, as quatro estações, as marés, o clima, etc. Também as sociedades têm tido mudanças, embora lentas devido à resistência gerada por hábitos e tradições.

Na Arábia Saudita, o rei de 82 anos e o filho, Mohammed bin Salman, de 32, estão a fomentar grandes mudanças na sociedade, acabando com tradições muito arreigadas e que destoam no mundo actual. As mulheres passaram a poder mostrar a cara descoberta em público e a obter carta de condução de automóveis e estão em curso novas ideias mais ao tom de costumes ocidentais.

Também a África, para se defender das confusões das lutas político-partidárias, está a pôr fim à limitação de mandatos de presidentes da república, inspirados na solução histórica do Império do Meio em que a China, com tal sistema, teve grande poder internacional e um desenvolvimento da economia e da ciência da sua época, sendo uma referência histórica muito citada.

Em África, doze países, por circunstâncias diferentes, estão com condições propícias para os seus presidentes se perpetuarem no poder ao exemplo da China: Argélia, Camarões, Guiné Equatorial, Ruanda, Uganda, Burundi, Gabão, Congo, Togo, Zâmbia, Quénia e RDCongo. Estão inspirados no regime chinês e, porque não dizer, nas monarquias europeias.

A continuidade dos detentores do poder pode ser propícia a projectos e planos sustentáveis durante vários anos, com mais facilidade quando o poder não saltita, como uma caranguejola, segundo interesses oportunistas e variáveis por mero capricho. O mosteiro da Batalha que demorou 176 (1387 a 1563) anos a construir seria impossível no actual regime português. O mesmo quanto aos Jerónimos, cuja construção foi iniciada em 1501 e terminou em 1601.

Mas a continuidade, embora tenha vantagens para o desenvolvimento de estratégias sustentáveis, pode ter o inconveniente de o poder ser desempenhado por pessoa incapaz, fechada nas suas próprias ideias obsoletas, como aconteceu no Zimbabwé. Daí merecer divulgação o exemplo dado pela Arábia Saudita em que o regime do Rei Salman de 82 anos é mais aberto do que se pensa e, com o seu filho de 32, estão a mudar o país a velocidade surpreendente desenvolvendo projectos de modernização que superarão o fim da era do petróleo, que tem sido a principal riqueza nacional mas que está a perder valor. Este caso faz lembrar o nosso rei D. João I que, com o seu filho o infante D. Henrique, deram origem à época de maior esplendor de Portugal. Houve ideias estudos, planos, projectos e realizações consequentes e devidamente coordenadas que foram exemplares.

A democracia, contra toda a espectativa, em vez de ser o poder do povo, é na realidade o poder do chefe de partido que escolhe os candidatos a deputados de entre familiares, amigos, cúmplices e coniventes, os envolvem numa lista em que o povo, às cegas, coloca a cruz do seu próprio calvário, convencido de que é ele que elege os deputados, por pressão de promessas intencionalmente falaciosas que, só por mero acaso, algumas terão realização. E os que forem para o Parlamento, perdem a quase totalidade do tempo em jogos florais de mera propaganda, indiferentes aos interesses dos eleitores para o crescimento da economia e melhoria da qualidade de vida dos mais desfavorecidos.

Os pecados da democracia, tal como existe em muitos estados estão a levar ao regresso de regimes anteriores que se mostraram mais desejados. O Império Chinês está a ser inspirador de muitos países e, em Portugal, o Estado Novo está a ser recordado, com saudade, por muitas pessoas. Por exemplo, quando se fala da educação, muitos cidadãos recordam-se de que cada aldeia tinha uma escola primária com professor que dialogava com os pais dos alunos e, assim, fazia com que a proximidade contribuísse para um resultado benéfico para alunos e para as famílias.

António João Soares
6 de Março de 2018

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terça-feira, 6 de março de 2018

ACÇÕES PRECISAM-SE. PROMESSAS COM PALAVRAS BALOFAS DISPENSAM-SE

Acções precisam-se. Promessas com palavras balofas dispensam-se
(Publicado no semanário O DIABO em 6-03-2018)

Portugal precisa de acções concretas e não de promessas falaciosas, com palavras encantadoras mas vazias de conteúdo prático e concretizável.

Já em 18 de outubro de 2016, em Artigo no semanário O DIABO, referia os inconvenientes de «promessas e decisões anunciadas precocemente», mas a propaganda destinada a obscurecer as realidades e a enganar e iludir o povo continua a ser uma ferramenta diabólica nas mãos de governantes. Jogam com o adormecimento e a ilusão do povo, esquecendo que ele acabará por despertar da anestesia e modorra a que o submetem e, em consequência, perderá a confiança e o respeito por quem o governa.

A Comunicação Social vem colaborando com o Governo mas não pode evitar que as suas notícias sejam interpretadas por quem esteja com alguma atenção e interesse sobre a gestão dos interesses nacionais. Com efeito, no passado dia 18 de Fevereiro, o MAI em demorada entrevista, apresentou medidas, projectos e planos que não passaram de intenções ou promessas enganadoras (os próximos meses o dirão) sobre a prevenção de fogos florestais e preparação de um combate eficaz daqueles que não tenham sido evitados. Três dias depois, em 21 de Fevereiro, veio notícia de medidas (ou simplesmente promessas) tomadas pelo Ministério da Agricultura para fazer face à seca que parece aproximar-se de forma persistente. Ficou, desde logo, claro que a concretização dessas promessas ou medidas, mesmo que realizada, apareceria daqui a muito tempo.

Entretanto, no dia 24, segundo dados da Protecção Civil, estavam em curso pelas 13H45, no norte e centro do País, nove incêndios rurais, três em povoamento florestal e os restantes em zona de mato e terrenos agrícolas. Isto passa-se cerca de oito meses após a tragédia de Pedrógão Grande, o que faz perguntar: que medidas preventivas e de reforço do sistema de combate foram implementadas neste período de tempo? Se em oito meses nada parece ter sido feito, que esperança pode haver para a próxima temporada que iniciará daqui a cerca de 3 meses, ou que já começou como mostram os incêndios do passado dia 24? Que confiança podemos depositar em quem nos governa e que nos sobrecarrega com tantos impostos taxas e taxinhas? Mas a falta de confiança não surge apenas daqui. Após os oito meses decorridos sobre Pedrógão Grande e os fracassos do SIRESPE, como explicar a falta de telefone fixo, em Vale da Ameixoeira, concelho da Sertã, um morador de 79 anos, com problemas de visão e cardíacos, teve de percorrer dois quilómetros a pé para poder ligar ao INEM, depois da mulher se ter sentido mal. Com esse esforço, o idoso conseguiu contactar os serviços de emergência, mas foi em vão porque quando os bombeiros chegaram, uma hora depois, já a doente Maria dos Santos tinha morrido.

Mas, oito meses depois da tragédia de Pedrógão Grande, aparece a notícia de que a «Anacom está a fiscalizar falhas nos telefones nas zonas afetadas pelos fogos»!!! Até quando durará esta fiscalização? Quando terminará a reparação das falhas verificadas? E que garantia temos de haver medidas preventivas para que elas não se repitam, sem apelo nem agravo? No entanto o ministro do Planeamento e das Infraestruturas afirmou a sua confiança na Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), que está no terreno a fiscalizar as condições de reposição do funcionamento dos serviços e sublinho que estes serviços são essenciais "para coesão territorial e para a vida das populações". Pois!!!

Pensar no futuro é prevenir acontecimentos como os que têm sido verificados. O verão que se aproxima pode ser seco e quente, propício para incêndios florestais. Prevenir é indispensável, e próprio de pessoas inteligentes e com sentido de responsabilidade e respeito pelas populações. Não é com promessas incumpridas que se melhora a qualidade de vida dos cidadãos.

António João Soares
27 de Fevereiro de 2018

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A IGNORÂNCIA PODE DESTRUIR O PINHAL

A ignorância pode destruir o pinhal

A comunicação de um líder com os seus seguidores deve ser didáctica, sincera, afectiva, sem falsidades nem fantasias.

A actual preocupação com a limpeza das matas, querendo-a fazer em prazo muito limitado, vai destruir o pinhal do interior do país, embora a destruição seja feita de forma diferente da provocada pelos incêndios, mas de forma total e definitiva, no curto prazo.

A limpeza que vai ser feita usa máquinas que além de cortarem as plantas infestantes e indesejadas, corta os pinheiros pequenos, com pouca idade, que deviam ser deixados crescer para, naturalmente, substituírem os que, dentro de pouco tempo, serão cortados ou, por efeito da sua idade, morrerão, secarão. E quando os pinheiros os desaparecerem, a mata ficará transformada num terreno árido, desértico. É isso que resultará do actual sistema de limpeza.

Limpar uma mara não é tão simples como limpar uma vinha, ou um olival ou um eucaliptal, em que basta arrastar a pá entre as fileiras das videiras, das oliveiras ou dos eucaliptos. Nasci e vivi 18 anos numa aldeia da zona do pinhal. Este estava normalmente limpo e não me recordo de ter havido qualquer incêndio em pinhais da região. A sua limpeza resultava da conveniência de aproveitar o mato, a caruma e os ramos mais baixos dos pinheiros, para a cama do gado, para fertilizar as terras, para queimar nas cozinhas e nos fornos do pão.

Mas, ao roçar, cortar, o mato, os trabalhadores mais experientes ensinavam aos principiantes o cuidado a ter para não destruírem os minúsculos pinheiros, que deviam crescer para manter o pinhal.

Dessa firma, e com a sabedoria dos veteranos, todo o pinhal tinha pinheiros de todas as idades e tamanhos e, de tal forma, o pinhal se mantinha no decorrer dos tempos.

Agora, com a pressa definida pelos governantes e com as máquinas a rapar tudo indiscriminadamente, o interior do país, ou zona do pinhal, passará a ser um deserto, dentro de breves anos.

Os governantes não estão a agir correctamente e estão a contribuir para a criação de tal deserto, principalmente, quando estabelecem prazos curtos e criam sentido de urgência. Depressa e bem não faz ninguém.

Deviam, antes, procurar didacticamente esclarecer as populações rurais, os autarcas, os bombeiros e outros defensores da natureza para a necessidade dos cuidados a ter para a manutenção da floresta, evitando acções, mesmo que bem intencionadas, que possam contribuir para a sua destruição pela acção do homem com as máquinas, usadas descuidadamente.

Por António João Soares, em 6 de Março de 2018

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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

LEGISLAR PARA O CRESCIMENTO

Legislação laboral para o crescimento de Portugal?
(Publicado no semanário O Diabo em 27- 02-2018)

Fala-se de remodelações profundas na legislação laboral, mas tal problema parece estar a ser aproveitado para atritos no seio da geringonça, tendentes à valorização dos partidos mais pequenos face à posição do Governo. É curioso que não se evidenciam argumentos que mostrem vontade de criar benefício nas finanças e na economia nacionais e na posição de Portugal em relação aos outros países mais fracos da União Europeia.

É assumida a conveniência de o nosso País dever aproveitar inteligentemente a sua posição geográfica no centro do Ocidente entre as duas maiores potências económicas. Para isso, há que desenvolver a economia e aumentar as exportações, para o que devem ser atraídos investidores estrangeiros válidos que criem emprego e produzam para exportar.

Em dúvida, as máquinas de produção, apesar da evolução das tecnologias e inovações, ainda estão baseadas no trabalho, dando emprego a muitas pessoas com vontade de conseguirem boa qualidade de vida, de forma sustentável. Mas obsessão focada, cegamente, nas remunerações e nas condições do regime de trabalho, se for exagerada pode desencorajar investidores e gorar os desejos de desenvolvimento da nossa economia. Há que remodelar a legislação, mas sem perder de vista os interesses nacionais e sem desprezar totalmente as propostas da Concertação Social. Estas devem ser ponderadas com sensatez, por forma a melhorar a qualidade da vida dos trabalhadores e suas famílias e, ao mesmo tempo, estimular o investimento em empresas que contribuam para o melhor futuro de Portugal, isto é, dos cidadãos portugueses.

Reduzir a dívida, baixar o défice e tentar evitá-lo são também intenções que devem estar sempre presentes no pensamento dos governantes, como estão na mente de todos os portugueses medianamente informados. Mas nisso parece não se quererem comprometer os partidos que parecem mais interessados no seu sistema de financiamento e nas reformas de deputados e governantes, nos seus subsídios vitalícios e nas diversas formas de mordomias que desejam ver cada vez mais ampliadas, custe a quem custar. Para os «boys» não há falta de «emprego», com remuneração faraónica, mesmo que do seu «trabalho» não resulte algo para maior eficiência dos gabinetes e repartições a que são adicionados. Com efeito, dessa «mão de obra» não é visível resultado em projectos, planos e realizações das instituições em medidas tendentes a diminuir os riscos variados que ameaçam as populações ou aumentar a sua segurança física, social, de saúde, financeira, etc. Parece que quanto mais malta estiver sentada às secretárias menos (em proporção) são os efeitos práticos e valiosos para bem do País e que se reflitam na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Apenas aumentam a burocracia e as palavras vãs, fantasiosas sem correlação com a realidade.

Por exemplo, aproxima-se a época dos incêndios florestais. Já passaram cerca de oito meses sobre a tragédia de Pedrógão Grande e ainda não há notícias de medidas tomadas, e de alguma realização iniciada, para prevenir os fogos que se aproximam e para combater, com rapidez e eficácia, os que ocorrerem, apesar da boa prevenção que venha a ser efectivada.

É nas realidades desconfortantes que os partidos devem concentrar a sua atenção a fim de serem evitadas ou, no mínimo, reduzidas as suas proporções. E deixarem de se sentirem felizes com as guerras intestinas «do alecrim e da manjerona» que pretendem apenas obter benefícios na competição entre si para atraírem apoiantes obscurecidos, por propagandas falaciosas e pouco honestas. Tais discussões sobre as leis laborais destinam-se ao engrandecimento do País ou aos melhores resultados eleitorais do respectivo partido?

António João Soares
20 de Fevereiro de 2018

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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

REGIONALISMO À FRENTE DO GLOBALISMO

Regionalismo à frente do Globalismo
(Publicado no semanário O Diabo em 20-02-2018)

A União Europeia, como qualquer iniciativa de regionalismo, poderá ser início de uma alternativa à fracassada intenção de um globalismo de todo o planeta. Para isso será necessário definir um conceito estratégico que supere as fracturas maiores mas não despreze a tarefa de conseguir um futuro desejável para os habitantes dos países membros e para as estruturas do poder em cada um destes.

É necessário definir a conjugação, ou mesmo centralização de poderes nas áreas da defesa, das finanças, da segurança, das relações externas, por forma a fortalecer-se perante eventuais ameaças internacionais. Mas, com base numa estratégia bem preparada e assumida, deverá resolver todos os conflitos pela via diplomática usando o diálogo e a negociação, evitando a violência catastrófica que ainda se pratica em várias partes do mundo, apenas com benefício dos fabricantes de armamento.

Com tal estratégia, esta iniciativa de regionalismo poderá ser seguida, com mais ou menos variantes, por povos vizinhos entre si, em todos os continentes, contribuindo para uma Humanidade mais harmoniosa e integrada em procedimentos éticos de conjugação de esforços para um futuro mais risonho.

Convém respeitar as tradições de cada Estado que não dificultem o crescimento do bom entendimento, a fim de as regiões poderem criar condições de harmonia e boa cooperação de forma à criação de um futuro auspicioso para toda a região e, em consequência, para toda a humanidade.
Esta perspectiva contraria as intenções do Club Bilderberg que pretende organizar o mundo numa ditadura única, mundial, utilizando as novas tecnologias de controlo de comportamentos, à nascença, para submeter a maior parte da população à total submissão de trabalho repetitivo e alguns poucos selecionados para tarefas de direcção e chefia.

O regionalismo, com uma boa estratégia, fomentará a inovação, a mudança e o desenvolvimento tecnológico, com incidência na economia e nos sistemas sociais. A mudança, à semelhança da Natureza, será uma constante, com vista à sustentabilidade, progressivamente, sem roturas nem sobressaltos. Para isso, as finanças evitam o défice, dando prioridade ao rigor e sensatez nas contas públicas e visando com persistência o crescimento da economia mas, sem deixar de dar atenção a problemas imediatos e conjunturais, dar prioridade à estabilidade e sustentabilidade. Em tudo isso, deve reforçar os incentivos à iniciativa privada, mentalizando os cidadãos de que a riqueza de um país é o resultado da cooperação de todos.

A mudança é permanente, como a das estações do ano, mas mais ou menos rápida, mais ou menos duradoura, mais ou menos justa e sempre adequada aos fins em vista, para criar a melhor qualidade de vida possível. Deve planear-se com os olhos num horizonte com alguns anos de distância, adequando o sistema financeiro, estimulando a inovação, o saber, a segurança, a defesa e exercendo uma pedagogia eficaz para estimular os mais jovens a prepararem o seu futuro.

É fundamental que todas as instituições e serviços públicos funcionem de molde a merecer a confiança dos cidadãos. Estes devem encontrar motivos bem fundamentados para confiar nas componentes da máquina do Estado. A transparência dos serviços públicos é indispensável, a verdade, a franqueza e a transparência devem ser constantes para inspirar o respeito dos cidadãos. A omissão de informações úteis e confiáveis gera a incredibilidade sobre o que os responsáveis dizem e prometem e impossibilita o crescimento desejável da economia. O segredo e Estado não deve baixar a assuntos de menor importância que não precisam de ser ocultados à população nem ser extensivo ao controlo da comunicação social, mas limitar-se a casos excepcionais que exijam segurança especial, perante graves riscos de perigo para os interesses nacionais ou regionais.

António João Soares
13 de Fevereiro de 2018

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sábado, 17 de fevereiro de 2018

DINHEIRO É DEMÓNIO COM MUITOS FANÁTICOS


Dinheiro é demónio com muitos fanáticos
(Publicado no DIABO em 13-02-2018)

Portugal, por tradição, era um país que, sem ter religião de Estado, tinha a maioria da população católica. Mas a sociedade modificou-se ou degradou-se  e, hoje, os locais de culto  mais frequentados são os estádios de futebol. E, em vez o Deus dos católicos, grande parte da população está loucamente fanatizada pelo dinheiro, uma coisa demoníaca que, de objecto necessário e indispensável, passou a ser cobiçado, sem limites, por qualquer forma, sem olhar a respeito pela própria função, nem pelo dinheiro público nem pela própria reputação.

Já acontece haver juízes suspeitos de sujar as mãos, por pressão de pessoas amigas que os fazem esquecer a sua condição de dignidade, liberdade e independência, com valores éticos e desejos de perfeição. Também tem havido elementos de governo e de sectores da administração pública que se deixam tentar pela adoração de tal ídolo, como se diz da compra de submarinos, de vistos dourados, etc. O BPN e outros Bancos entraram em dificuldade por créditos concedidos a amigalhaços que não pagaram. Em IPSS e outras instituições houve problemas graves.O futebol deixou de ser um desporto para ser praticado com prazer e pelo prazer para movimentar monstruosas somas de dinheiro.

Os negócios já não têm por objectivo a eficiência e a vantagem na concorrência para beneficiar clientes e atrair mais, mas apenas para aumentar os lucros da sua contabilidade. Um exemplo disto é referido num texto que refere a dessalinização da água salgada dos mares que viria resolver os graves problemas de seca que ameaçam continuar a agravar-se, assim como o desenvolvimento das energias renováveis, mas que está condenada a não sair do estado das intenções por os potenciais investidores estarem mais interessados em continuar com a utilização dos produtos derivados do petróleo para as indústrias que dele se servem. Essa obsessão dos lucros e medo de arriscar ousar eventuais iniciativas de novação e desenvolvimento de melhores tecnologias que facilitariam a vida das pessoas e a preservação do ambiente contrariam a evolução. O jogo de interesses imediatos, para garantir os mais fabulosos lucros é imparável e não olha para os sacrifícios evitáveis das pessoas a quem são privadas soluções inovadoras e mais vantajosas.
Também o desenvolvimento dos automóveis eléctricos e de outros meios inovadores de transportes está a ser boicotado pela associação de comerciantes do ramo amarrada, sem imaginação, à antiquada dependência dos produtos petrolíferos.

Em muitos campos, os fanáticos pela moeda acabarão por falir, agarrados à sua teimosia sem criatividade, impedindo as pessoas de beneficiar de uma evolução apoiada nas mais modernas tecnologias mas, entretanto, vão resistindo. Apetece perguntar: porque não usam a inteligência e o seu poder financeiro para se dedicarem a novas modalidades, estimulando a investigação e a inovação com finalidade idêntica e alternativa à que agora têm mas mais vocacionada para o futuro? Porque preferem continuar na mesma rotina obsoleta até sucumbirem sendo vencidos pela previsível concorrência da inovação? Enfim, são fanáticos, obstinados carentes de capacidade para procurar estratégias modernas, inovadoras, e nem pensam em dar aos seus sucessores maior probabilidade de sucesso.
O fanatismo do dinheiro transforma-o num produto altamente tóxico gerador de guerras e outras tragédias e obrigando os seus detentores a uma vida de escravatura mascarada de pompa e fausto de exibicionismo. Mas há excepções como o milionário Bill Gates que distribui para fins de benefício social, grane parte dos seus rendimentos. E o nosso Cristiano Ronaldo que vai ajudando a família e pessoas com necessidade de apoio financeiro. A revista Exame publicou a lista de 15 milionários mais caridosos e filantropos, com Mark Zuckenberg no topo. Há quem se arrependa do erro da toxicodependência do dinheiro.

António João Soares
6 de Fevereiro de 2018

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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

PERSPECTIVAS DE A VIOLÊNCIA DIMINUIR !!!

Perspectivas de a violência diminuir!
(Publicado no semanário O DIABO em 6 de Fevereiro de 2018)

Eisenhower, em Janeiro de 1961, alertou para o perigo que o complexo industrial militar representaria como elemento de pressão sobre governantes, por forma a manter as suas fábricas de armamento a funcionar. Ele, com a sua vasta experiência dos altos cargos que desempenhou, tinha a noção de que o negócio de armas pode conduzir a situações dramáticas. Mas os governantes em geral e os altos cargos militares comungam a debilidade de considerar as armas como a solução eficaz e definitiva para os grandes problemas internacionais, de que é muito citado o caso da segunda invasão do Iraque, em 20 de março de 2003, realizada com o pretexto de eliminar as armas nucleares que ali existiam e que depois não foram encontradas, mas que causou dramáticos resultados na população e no património histórico de importância incalculável e deu início a um conflito que ainda continua a fazer trágicos estragos.

Além de muitos casos, entre os quais, a controvérsia entre a Coreia do Norte e os EUA, a propósito de armas nucleares, o chefe do Estado-Maior da Defesa da Grã-Bretanha, Sir Nick Carter, pressiona o gabinete das Finanças para investir mais meios no departamento de Defesa, para evitar que o Reino Unido não venha a ser ultrapassado pela Rússia, que se está a tornar um inimigo muito poderoso.

Entretanto, surgem indícios de que os conflitos internacionais poderão passar a ser resolvidos com meios electomagnéticos, cibernéticos, que podem produzir efeitos nocivos na vida das pessoas mas não causam o pavor das armas de destruição maciça. Em 10 de Abril de 2016 um bombardeiro da frente russo Su-24 equipado com um o sistema de neutralização radioelectrónica de última geração paralisou no mar Negro, sem qualquer tiro convencional, o mais sofisticado sistema americano de combate Aegis instalado a bordo do destroier americano Donald Cook, armado com mísseis cruzeiro Tomahawk.

O destroier participava em manobras americano-romenas com missão de intimidar e de demonstrar força aos russos que estavam em acção na Ucrânia e na Crimeia.

O Donald Cook entrara em águas neutras do mar Negro, onde a entrada de navios militares americanos contraria a convenção sobre o caráter e os prazos de permanência no mar Negro de vasos de guerra dos países não banhados por este mar.

Por seu lado, Rússia enviou um avião Su-24 desarmado, mas equipado com um sistema russo de luta radioeletrónica de última geração para sobrevoar o destroier americano… O Aegis do destroier, ainda de longe, teria interceptado a aproximação do avião dando alerta de combate. Tudo decorria normalmente, tendo os radares destroier calculado a distância até o alvo. Mas, de repente todos os telas se apagaram, o Aegis deixou de funcionar e os mísseis não receberam a indicação do alvo. Entretanto, o SU-24 sobrevoou a coberta do destroier, fez uma viragem de combate e imitou um ataque de mísseis. Depois fez uma volta e repetiu a manobra 12 vezes consecutivos. Perante a inacção do sistema, o navio teve de se deslocar em direcção à costa e depois à vista seguir para o porto mais próximo.

Isto é um sinal muito significativo de que a Rússia está a levar a cabo "uma guerra não convencional", desenvolvendo a possibilidade de danificar as ligações electromagnéticas. Quanto a guerras, este caso mostra que será vantajoso procurar solucionar conflitos com negociação, em vez de guerra e o mundo passar a ser mais harmonioso e pacífico. Mas, por outro lado, os meios da cibernética levantam outros perigos que exigem prevenção e formas de defesa adequadas, não só em guerra como na própria vida diária. E para essa evolução ou inovação, justifica-se o desejo de a Defesa britânica investir em novos equipamentos e formação de técnicos para não perder pontos na concorrência internacional.

António João Soares
30 de Janeiro de 2018

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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

RESPEITO E AMIZADE GERAM PAZ E HARMONIA

Respeito e amizade geram paz e harmonia
(Publicado no semanário O DIABO em 30 de Janeiro de 2018)

A importância do respeito pelos outros e do bom entendimento com eles é fundamental em todos os sectores e escalões da vida social. Sem a aplicação destes valores éticos, a vida dos humanos apresentará condições mais baixas e perversas do que aquilo que acontece com muitos grupos de animais ditos irracionais (por decisão de homens primitivos que repeliam tudo o que se lhes aparentava diferente).

Mas, se a frase do título se apresenta lógica e indiscutível a pessoas bem pensantes e serenas, a realidade mostra exemplos demasiado abundantes de que há muita gente, inclusivamente «responsáveis» por estados soberanos, que recusam tal verdade e preferem resolver as suas «desavenças» pela violência, sem olhar a consequências dramáticas, mesmo em pessoas inocentes e alheias ao problema.

Vi, há dias, a notícia de que na Síria, após a derrota dos terroristas do Estado Islâmico, em que houve apoios de vários Estados soberanos de grande destaque mundial, alguns de forma disfarçada por negócios de armamento, tem havido recentes actos de violência com pesadas baixas, entre facções oposicionistas do Estado Sírio. De acordo com a teoria da Democracia, as pessoas são livres de ter os seus pensamentos e opiniões, mas os valores colocados em relevo no título deste texto não retiram tais direitos mas defendem o dever de dialogar com os seus parceiros para, com eles, serem definidos os objectivos colectivos a procurar atingir, com espírito de equipa, para uma vida de melhor qualidade, extensiva a todos os cidadãos inseridos no mesmo Estado soberano.

Como se pode conseguir tal espírito de equipa? Ao encarar uma situação significativa que seja necessário resolver, deve ser evitado que a procura de solução seja efectuada por uma das partes mas, sim, obtê-la através de uma reunião com pessoas de opiniões diferentes, mas de olhos postos no objectivo do interesse colectivo a prosseguir, procurando uma solução com que todos acabem por concordar, depois de sucessivos retoques, com cedências de parte a parte. Tais negociações podem demorar algum tempo mas os resultados, pacíficos e agregadores, compensam e evitam os custos, de vária ordem, a que poderiam levar as discórdias e suas complicações.

Há vários Estados que estão e seguir esta modalidade, como se tem visto na Colômbia, em que foi conseguido um grupo oposicionista ter decidido pôr termo à luta armada e passar a cooperar com os superiores destinos da população a qual fica com condições de segurança e de entrega ao desenvolvimento de um futuro melhor para si e para os seus vindouros.

Seria bom para a Humanidade que as grandes potências, a nível da estratégia global seguissem métodos semelhantes, em vez de gastarem energias e capital em jogos de força de que, muitas vezes, os benefícios da vitória não cobrem os custos das campanhas de amedrontação que os precederam. A história tem demonstrado que, o vencedor de uma guerra, raramente colhe benefícios compensadores dos gastos havidos, das vidas perdidas e dos danos sofridos.

Por exemplo, ocaso entre os EUA e a Coreia do Norte, tem dado muito desgaste à economia coreana e prejuízo à evolução da qualidade de vida das populações, principalmente, das mais desfavorecidas. E pergunta-se que resultados espera o governo norte coreano que compensem tais sacrifícios suportados desde há demasiado tempo?

Para concluir, pode dizer-se que a procura dos valores éticos, cívicos e morais deve ser tentada para eliminar a loucura paranóica de tudo querer resolver pela imposição de soluções unilaterais à custa da mais cruel e incontrolada violência. A Coreia do Norte caiu nesse tipo de paranoia. Ao nível do Conselho de Segurança, mais parece haver ditadura do que democracia. Se a utilização de armas nucleares é brutalmente demolidora, como se compreende a intenção discriminatória de proibir a sua disseminação, favorecendo os cinco que as possuem, em vez de estes decidirem desmontar as que possuem e, depois, proibir que qualquer estado se dê à loucura de construir uma. Os técnicos ficariam libertos para se dedicarem a inovações benéficas para melhorar a qualidade de vida das populações, a sanidade, a defesa do ambiente, etc.

Haja respeito pelos direitos humanos de todos os povos e pelo bom entendimento que ultrapasse todas as diferenças.

António João Soares
23 de Janeiro de 2018

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