terça-feira, 26 de junho de 2018

O FUTURO EXIGE OBJECTIVOS E ESTRATÉGIAS

O futuro exige objectivos e estratégias
(Publicado no semanário O DIABO em 26-06-2018)

O passado terminou ontem. Dele devemos aproveitar a experiência e as lições que ajudem a evitar erros e proporcionar inovação positiva, ponderada e útil para se viver bem no momento actual e se preparar o futuro mais desejável do ponto de vista da qualidade de vida, individual e social.

O futuro deve ser preparado começando pela definição de objectivos bem definidos, de forma inteligente e lógica prática, com base em análises da previsão das condições ambientais e das capacidades disponíveis ou a preparar, etc. Os objectivos, após serem definidos transformam-se numa finalidade, ou etapa, a atingir com perseverança, persistência e determinação. Para isso, não devem partir de palpites ou de simples caprichos ou inspiração momentânea.

Definido um objectivo, há que procurar a estratégia adequada, isto é, a pista a seguir para o atingir, com etapas, obstáculos a vencer, etc. Sem este trabalho de definir objectivos e escolher a estratégia adequada para os atingir, o futuro não será famoso e não passará de um desejo de prémio de lotaria, com percurso incerto, e escolhos imprevistos que obrigam a paragens, recuos e avanços. Tais indecisões resultam em erros e emendas de custos inestimáveis e sem uma esperança chamada objectivo ou finalidade desejada, sendo o improviso uma arriscada solução de emergência.

Porém, todo este trabalho de planeamento do futuro desejável pode obrigar a mudanças da actividade rotineira, mais ou menos conflituosas com o passado recente. Por isso, é muito útil, mesmo indispensável, que se respeitem valores, tradições e costumes que forem considerados merecedores de continuidade, independentemente de alterações da situação social. Roturas estruturais podem ocasionar custos elevados, mesmo irreparáveis, pelo que devem ser devidamente analisadas em termos de custo/eficácia.

Esta metodologia, aplica-se, em termos gerais, a actos individuais e, principalmente, de empresas e de instituições públicas de que dependem vários aspectos da vida das pessoas delas dependentes. Os governantes devem reflectir sobre o assunto.

A propósito de objectivos, será que no recente acordo entre a Coreia do Norte e os EUA, o objectivo daquele Estado asiático será estimular todos os Estados membros da ONU a terem coragem de, tal como ele, mostrar aos privilegiados do Conselho de Segurança a conveniência de procederem também à sua desnuclearização porque o perigo do uso de armas nucleares depende da sua potência e capacidade de destruição e não do Estado que as lança? Portanto, a desnuclearização, deve ser geral e fiscalizada por órgão independente e democraticamente eleito em Assembleia Geral da ONU. E os Estados Membros devem ser iguais em deveres e direitos. A Coreia do Norte começou por defender o direito a ter arma nuclear, como outros têm e, depois, reconheceu o perigo de tal arma e desmontou-a, podendo agora exigir que o seu exemplo seja obrigatório para todos os Estados que a possuam. Mas o seu objectivo pode ser alargado à exigência de no CS deixar de haver Estados com assento permanente e direito a veto, como manda a democracia.

Há quem ache lógica e inteligente esta intenção e que, devido a isso, ao acordo com os EUA e ao bom relacionamento com a Coreia do Sul, lhe seja atribuído o Nobel da Paz.

Na forma como encarou o acordo, perante as hesitações e contradições do Presidente Trump, Kim Jong-un mostrou ser inteligente e não será de estranhar que o esquema exposto seja real.

António João Soares
19 de Junho de 2018

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terça-feira, 19 de junho de 2018

PARA UM FUTURO MELHOR

Para um futuro melhor
(Publicado no semanário O DIABO em 19-06-2018)

Felizmente, neste mundo de egoísmos e fanatismos pelo dinheiro, com desprezo pela qualidade de vida das pessoas, há sinais de entidades que se preocupam com planeamento a longo prazo para crescimento social e melhor qualidade de vida. Muito importante é a notícia agora recebida do acordo assinado por Tump e Kim Jong-un sbre a desnuclearização da península coreana, a criação de relações diplomáticas e os desejos de paz e prosperidade dos povos.

A China tem dado muitos sinais de desejar a paz e de evitar a guerra, havendo exemplos muito significativos: o apaziguamento da Coreia do Norte que levou a bom relacionamento com a Coreia do Sul e com os EUA e está a bom caminho de evitar uma guerra comercial com este Estado, fazendo com ele um acordo de que resultará para ele uma redução muito significativa do seu défice comercial.

Também a China está a dar um bom exemplo de reduzir o perigo da agressividade dos «imigrantes» islamitas, sem usar de violência, mas tonando medidas preventivas, sugerindo-lhes a integração nas tradições e na cultura chinesa. Para começar, todas as mesquitas na China deverão içar uma bandeira deste país e "estudar a Constituição, os valores socialistas e a cultura tradicional" chinesa. Com vista à integração social, Pequim decidiu banir ou controlar várias práticas muçulmanas, incluindo a de manter a barba longa e jejuar durante o mês do Ramadão, afirmando que são símbolos do "extremismo islâmico".

Na Síria, membros do grupo radical Estado Islâmico foram retirados de várias zonas do sul da capital síria, onde ocorreram violentos confrontos no final do mês de abril, e os membros do Estado Islâmico que permaneciam no local destruíram bases, quartéis e veículos e a situação no local "é calma" depois de ter sido alcançado um acordo para a retirada de combatentes do grupo extremista, o que "supõe na prática um acordo de rendição".

Na África, continente que tem sido mais explorado do que apoiado no crescimento, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), anunciou que vai investir até 35 mil milhões de dólares na industrialização do continente. E como a simples disponibilidade em dinheiro não chega para resolver o problema do futuro em economias de fraco crescimento, considera fundamental ajudar na capacidade de formação, e informar sobre o que funcionou e o que não funcionou e como evitar a repetição de erros o que é, muitas vezes, mais importante do que o dinheiro, para lançar o crescimento. O plano do BAD, nesta área, está assente em quatro pilares, apoio à agricultura, que é o caminho mais rápido para a industrialização, apoio ao desenvolvimento de clusters industriais e zonas económicas especiais, apoio ao desenvolvimento de políticas industriais e apoio ao financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística. Desta forma, a África poderá dar um salto em frente na rota do crescimento e desenvolvimento. Também a Coreia do Sul parece querer participar activamente no desenvolvimento de alguns países africanos, com apoios adequados a cada país, aproveitando a quarta revolução industrial para garantir aos cidadãos um salto tecnológico". Entretanto, continuam as conversações entre os EUA e a Coreia do Norte, com vontade de ultrapassar os atritos ocorridos e chegar a uma condição de amizade de que resultem melhores condições para a vida da população que tem vivido em dificuldades e carências de vária ordem.

Esperemos que estas intenções sejam realizadas e que surjam muitas semelhantes.

António João Soares
12 de Junho de 2018

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terça-feira, 12 de junho de 2018

CIÊNCIA MAIS FILOSOFIA HUMANÍSTICA

Ciência mais filosofia humanística
(Publicado no semanário O DIABO em 13-06-2018)

Tudo muda na vida, como na Natureza o que se torna evidente em cada dia. A Humanidade evolui impulsionada pelos progressos da ciência e da técnica e arrastada pelos valores económicos por elas proporcionados, desprezando, muitas vezes, os valores humanos que nunca devem ser esquecidos.

Na mais distante antiguidade, os mais graves conflitos entre grupos ou tribos eram resolvidos com flexas e lanças com fraco poder mortífero, mas hoje usam-se armas de grande poder letal, como dizem aa notícias.

Os cientistas e os técnicos industriais devem procurar que os resultados dos seus trabalhos e investigação tenham finalidade útil para melhor qualidade de vida das pessoas e não para o seu mal, sofrimento ou destruição. A mesma preocupação deve existir da parte dos governantes e outros responsáveis pela gestão pública. Mas a realidade mostra que, na base de todas as acções mais nocivas para a vida humana, está o fanatismo pela droga financeira que conduz aos mais atrozes actos contra a humanidade. Para obter mais poder, há muita gente que não olha aos resultados laterais que afectam muitas pessoas inocentes e alheias aos negócios em jogo.

O general Eisenhower, nos seus últimos anos de vida, alertou contra o perigo resultante do «complexo industrial militar» que tinha sido útil para a vitória da Segunda Guerra Mundial mas que não estava interessado em encerrar os laboratórios de investigação, as fábricas e oficinas e iria pressionar governantes para lhes consumirem as armas que produziam. E, além disso, a sua pressão passou também a incidir sobre líderes de grupos rebeldes que desenvolveram o terrorismo, contra tudo e todos, orgulhando-se dos mais atrozes atentados com dezenas de vítimas.

A segunda invasão do Iraque iniciada em 20 de Março de 2003, teve como pretexto que o Iraque «tinha vários laboratórios móveis de armas biológicas» e outros «dados de que Saddam havia tentado comprar equipamentos no exterior para construção de material nuclear». A invasão não detectou provas de qualquer das suspeitas. Quem lucrou com tal belicismo? Os construtores e fornecedores do armamento e munições consumidos na operação e durante já mais de 15 anos. Os resultados abrangem milhares de vidas perdidas da população e destruição em património algum classificado de interesse mundial.

Será bom para a humanidade que os resultados dos trabalhos da ciência sejam aplicados, segundo os melhores conselhos da filosofia humanística. Esta sugestão deve ser aplicada aos actos de gestores públicos, a todos os níveis, para o que devem ter boa informação do âmbito da filosofia humanística e evitarem deixar-se pressionar por interesses dos poderosos financeiros, económicos ou outros, que sejam lesivos das pessoas, principalmente das mais desprotegidas.

No dia 13-04-2017, os EUA lançaram no Afeganistão a «mãe de todas as bombas», com potência superior à de mil bombas de Hiroshima, para destruir rebeldes talibãs. Apesar desse potencial, nove dias depois, uma base militar afegã, à hora em que os militares estavam reunidos para rezar, foi atacada por rebeldes talibãs, causando 150 mortos e dezenas de feridos. A utilização de armamento por mais potente que seja causa demasiado mal às pessoas e não traz benefícios senão para os fornecedores ade armamento.

A Síria suporta os inconvenientes de uma guerra feroz desde 2011 com bombardeamentos de seus aviões, da Rússia, do Irão, da Turquia, da América, da França e da Grã-Bretanha produzindo cerca de 400.000 mortos, 1,5 milhões de feridos e 5 milhões de refugiados, além de destruições incalculáveis.

António João Soares
5 e Junho de 2018

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terça-feira, 5 de junho de 2018

DESCOBRIMENTOS E GLOBALIZAÇÂO

Descobrimentos e globalização
(Publicado no semanário O DIABO em 05-06-2018)

A História demonstra que a Humanidade, tal como qualquer sector da Natureza, não é rígida e imutável, antes está em mudança permanente embora, de forma imperceptível. Não é fácil navegar sensatamente nas ondas de tais mudanças e aparecem mitómanos ou egomaníacos que se enredam em críticas destrutivas geradoras de ódios e desejos de vinganças, alimentados por visões próprias de sociopatas, em vez de fazerem uma correcta descrição para as pessoas perceberem os principais factores de cada mudança.

É o caso da deturpação, por alguns «historiadores» que procuram denegrir os Descobrimentos que, segundo opiniões abalizadas de pensadores estrangeiros actuais, foram o arranque da actual GLOBALIZAÇÃO. A curiosidade, o desejo de saber o que está para lá do horizonte, próprio de cada cientista, levou a geração do Infante D. Henrique a percorrer as costas de África, a contornar o Cabo das Tormentas e fazer a ligação entre dois mundos, o Ocidente e o Oriente.

Tudo tem vantagens e inconvenientes, mas é insensato, enveredar por radicalismos, sobrevalorizar actos menos correctos, esquecendo o conjunto da questão.

A China que cresceu como Império do Meio, onde criou uma tecnologia florescente de que o mundo ainda beneficia e que procurou a defesa pacífica, bem traduzida na Grande Muralha para evitar a invasão pela Mongólia. Depois, aproveitou a abertura ao Ocidente, originada pelos portugueses, e conseguiu ser hoje uma potência comercial de grande importância em todo o mundo, sem ter necessidade de usar violência nem o poder de armas de grande poder destrutivo do agrado de outras potências.

Os descobrimentos procuraram conhecer novos mundos e transmitir-lhes conhecimentos, cultura, religião, procurando melhorar as condições de vida das suas gentes.

Hoje, o continente africano que, devido à sua geografia, tem poucos contactos com o mundo exterior o que lhe tem travado o desenvolvimento, está a atrair a generosidade de apoios como o do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) que pretende investir 35 mil milhões na industrialização do continente, usando de método inteligente que começa por ajudar a criar capacidade de formação e informação, analisando em cada sector o que o que foi bom ou não, para não repetir erros e para avançar para um desenvolvimento sustentável a longo prazo. A finalidade é as pessoas saírem da pobreza e disporem de empregos. O apoio do BAD será iniciado pela agricultura, como caminho mais rápido para a industrialização, o desenvolvimento de «clusters» industriais e zonas económicas especiais, o desenvolvimento de políticas industriais e o financiamento das infraestruturas, como estradas, portos e logística.

Também a Coreia do Sul está a preparar cooperação com África que pretende efectuar através de apoios adequados às condições e características de cada país, assegurando um crescimento inclusivo e com infraestruturas 'inteligentes'.

Tanto as intenções do BAD como da Coreia do Sul fazem recordar aquilo que os portugueses fizeram em tempos anteriores, sem os recursos de tecnologia nem de poder financeiro hoje disponíveis. Qualquer bom historiador que analise o que ocorreu durante séculos, entre os portugueses e os povos africanos e asiáticos, onde trabalharam, encontrarão muitas semelhanças com os factos actuais, feitas as proporções entre as possibilidades de então e as de hoje. O mal é o de «historiadores», sem conhecimento das realidades e que, com arrogância e megalomania, querem aplicar as ideologias actuais a realidades antigas. Mas, dessa forma, não terão o êxito de filósofos como o seu ídolo Karl Marx, cujas ideias foram desvirtuadas.

António João Soares
29 de Maio de 2018

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