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segunda-feira, 24 de junho de 2013

AUTARCAS, LEI E TRIBUNAIS


Era uma vez um país onde à frente de algumas autarquias se encontravam velhotes a título vitalício, repetidamente eleitos por hábito antigo de votar sempre no mesmo.

Eis, senão quando, um «poder legislativo», por distracção, incompetência ou intenção não confessada, gerou uma bagunça legal, supostamente para quebrar a maldição de os benefícios e «mordomias» do cargo irem favorecer sempre os mesmos e retirar esperanças a jovens de terem um tal futuro de riqueza fácil.

A bagunça legal, gerada no legislativo e promulgada sem hesitação resultou numa tal confusão dentro dos paridos e nos próprios tribunais que ninguém se entendeu. Os tribunais, órgão de soberania que deve ser merecedor de todo o respeito e confiança ao povo (soberano em democracia), chegaram ao ponto de serem desrespeitados, tendo um autarca a quem uma decisão dos tribunais considerava que não se podia candidatar, declarado que ,mantinha a sua candidatura.

Para um cidadão normal, cumpridor da lei e respeitador dos tribunais, isto é chocante e mais ainda por ser um péssimo exemplo vindo de quem deve ser o espelho do civismo perante os seus governados. Mas, infelizmente, por outros motivos, já se viram exemplos parecidos desde a desobediência à Constituição seguida de hostilidade ao Tribunal Constitucional até a autarcas que, para fugirem ao poder judicial têm usado de várias manobras dilatórias com recursos e pedidos de clarificação, à espera de ser revogada a primeira decisão ou de o tempo provocar a prescrição do processo.

Um país sem leis claras e exequíveis e sem igualdade dos cidadãos perante a lei e perante a Justiça, não consta (ou não devia constar) na comunidade internacional.

Imagem de arquivo

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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Macário não aceita valores éticos dos militares

Aqueles que sobressaem em qualquer aspecto de avaliação, tornam-se alvos de aversão, inveja e vontade de maledicência e sabotagem por parte de pessoas menores e atrofiadas pelo seu sentimento de inferioridade.
Foi isso que se viu nos vómitos biliosos de Macário Correia contra as Forças Armadas a que se referem as notícias:

- Declarações de Macário Correia à RR
- Macário Correia pergunta por cortes "nas altas patentes militares"
- Chefia militar lamenta declaração de Macário Correia
- Macário Correia: o novo estratega da defesa!

Mas, realmente, Macário tomou tais atitudes para disfarças a sua pequenez moral, as suas ilegalidades, que acabaram por levar os tribunais a dar o veredicto.

- Macário Correia condenado à perda de mandato autárquico

Mas o autarca agora irá seguir o «bom» exemplo de Isaltino Morais, seu colega autarca, e, de recurso em recurso, procura fazer passar o tempo para chegar à prescrição.

- Macário Correia interpôs recurso

Teria sido mais positivo e edificante que Macário procurasse  aprender com os militares os valores de honestidade, rigor, disciplina, cumprimento das leis, dedicação à missão, de forma generosa, sem olhar a sacrifícios, etc, etc., do que lançar pedras, tendo telhados de vidro.
Com tais pecados na consciência não devia ter sido ofensivo para com uma classe que lhe é muito superior.

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sábado, 17 de dezembro de 2011

Poder local e as pessoas

O Poder Local, como praticamente todos os sectores da vida nacional, precisa de uma «excelentíssima e reverendíssima reforma, «no sentido de servir melhor a população e possibilitar o seu desenvolvimento» mas, como muito bem diz António José Seguro, não deve ser feita num gabinete lisboeta, em frente de uma prancheta com o mapa de Portugal, fazendo sobre ele riscos a régua esquadro.

Também não pode assentar rigidamente em frios números estatísticos que relacionam dois factores - população e área - sem ter em conta as especificidades de cada região. Há que ponderar bem os variados factores de forma a construir uma fórmula que estabeleça o resultado ideal e os limites dos desvios aceitáveis. Se tivermos em conta apenas a população, ficarão as grandes cidades retalhadas por inúmeras freguesias enquanto no interior, haverá uns pares delas em toda a Beira Interior ou no Nordeste Trasmontano. Mas, se a obsessão for para a área, Lisboa terá apenas uma freguesia que abrangerá também parte suburbana. Estes dois extremos obrigam a pensar numa fórmula em que tem que se atender a vários factores, como população, área, PIB, quantidade de empresas e outros aspectos económicos, vias de comunicação, distância dos pontos mais remotos á sede da autarquia, serviços públicos e de apoio social, tradições, etc, etc.

A análise de tais factores exige um conhecimento obtido no local, em contacto com autarcas e populações, num diálogo aberto e construtivo, mas sem cair na moleza do choradinho que tente conduzir a soluções temporárias e pouco duradouras. A decisão final deverá ser bem preparada por forma a ser eficaz durante muitas décadas, para não se andar a brincar frequentemente com a estrutura administrativa.

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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Relvas tem planos e projectos

Governo começa a levantar o véu das «reformas estruturais históricas». Miguel Relvas fala numa reforma administrativa constituída por quatro eixos de acção:

- “A reforma do sector empresarial local;
- a reorganização do território;
- a adopção de um novo modelo de gestão municipal, intermunicipal e de financiamento dos municípios e das associações intermunicipais
- e a reforma da Lei Autárquica no âmbito da democracia local”.

Tem em vista «uma nova Lei Eleitoral Autárquica, alterando o método de eleição, reduzindo o número de vereadores e reforçando os poderes da fiscalização das assembleias municipais».

Refere que «existem no actual modelo de poder local 2078 eleitos, entre presidentes e vereadores, e quase três mil dirigentes. Repito: três mil dirigentes. Este notório excesso de funcionários para a dimensão do território resulta de uma acumulação de erros ao longo da última década e impõe-se agora corrigi-los com determinação”.

Anuncia também que “serão criados limites legais à criação de novas empresas municipais para travar o crescimento contínuo do sector empresarial local”.

Na preparação destas reformas, foi conduzido à conclusão de que “o actual modelo de poder local esgotou-se” e “precisa de um novo paradigma”.

Oxalá saiam soluções sensatas, adequadas à realidade nacional, por forma a não necessitarem de alterações de curto prazo e serem cumpridas cabalmente, para mais eficácia e racionalidade da vida administrativa de Portugal.


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sábado, 23 de julho de 2011

Empresas Municipais são empregos para «boys»

A propósito da notícia do Diário de Notícias de 21 do corrente Empresas municipais com passivo de 2,7 mil milhões, aludindo de forma subtil ao artigo do Público Marques Mendes apresenta lista com dezenas de institutos públicos que podem ser extintos e referindo a notícia mais antiga do Correio da Manhã Almoços de 5.971 euros no estrangeiro também referida em blog Gebalis, o gangue almoçante-jantante, recebi por e-mail um comentário de José Morais da Silva, pessoa muito observadora, com ideias claras e ousadia na expressão, que admiro desde 1961.

Eis a transcrição:

Começa a saber-se o cancro que as Empresas Municipais representam.

Estas Empresas foram constituídas com o argumento da maior operacionalidade e rapidez de resposta.
Mas o que foi escamoteado foi que tais Empresas, afinal, são direcções de Serviço paralelas a outras já existentes nas Câmaras com a “pequena “ diferença que, enquanto os serviços das Câmaras são chefiados por um Director com o vencimento de 2200 Euros tendo na sua dependência 4 a 6 Chefes de Divisão com vencimento de 1800 Euros, ambas as categorias como funcionários do Estado admitidos por concurso e tem um carro distribuído ao nível de Renault Megane ou equivalente, as famosas empresas dispõem de um Conselho de Administração com um Presidente que tem um vencimento de 6000 a 10000 Euros (acima, portanto, do próprio Presidente da República) e três a cinco Vogais com vencimentos de 3000 a 6000 Euros, com o respectivo “Popó” tipo BMW 530 ou superior, além dos cartões de crédito (lembram-se daquela Empresa Municipal da Câmara de Lisboa em que os tais Administradores tinham, cada um, quatro cartões com crédito até 8000 Euros?) e várias outras mordomias!

E quem era escolhido, com o argumento da sua larga experiência?

Os “boys e girls” do partido, claro.

Há mais uns lugares a distribuir, reservados para “boys e girls”, os “competentíssimos” Assessores GT que vencem mais do que os próprios Presidentes da Câmara pois, por mera coincidência, são pessoal oriundo de Bancos ou Empresas Púbicas e que recebem o mesmo vencimento que auferiam nos lugares de onde saíram, ou filhos ou sobrinhos do respectivo Ministro, Secretário de Estado ou Presidente da Câmara, ou são amigos do peito das mesmas personagens!

Agora percebem por que razão já não se fala do encerramento ou fusão dos Institutos, Fundações e Empresas Municipais?

Nunca se chegará a um corte das despesas do Estado a não ser o corte ou congelamento continuados de vencimentos ou pensões.

A despesa vai aumentando pois há que arranjar mais lugares para a rapaziada.

Em conclusão, caminhamos para a bancarrota e, nessa altura, como vai ser?
Eu sei, e vocês?

José Morais da Silva


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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Urbanismo e seus lucros misteriosos !!!

O antigo vice-presidente da Câmara do Porto, Paulo Morais, afirmou ontem, a propósito de corrupção no poder local, que "a margem de lucro do urbanismo em Portugal só é equivalente à do tráfico de droga".

É de opinião que existe solução para o problema, a qual se deve incidir em dois níveis: "Ao nível das causas, mudando - limpando - a legislação no parlamento e criando uma unidade de missão no Governo para actuar junto dos diversos ministérios; e ao nível das consequências, pondo a Justiça a funcionar e, por exemplo, demolindo os edifícios em incumprimento".

Mas, para que isto aconteça "tem que haver uma grande vontade política".

Perante este ponto de vista de alguém que esteve por dentro do problema, este parece ficar um pouco menos obscuro, mas não totalmente claro.

Por exemplo, fica a interrogação: que interesses estão em jogo, para que, depois de passarem 4 anos após a demolição da Praça de Touros de Cascais (imagem) e de na altura já se falar de projectos para a área liberta, o terreno ainda estar desocupado como capital estagnado, sem rendimento. De tempos a tempos, vem na comunicação social que já foram apresentados outros projectos. O que se passa? Quem explica? É certo que em qualquer decisão é preciso pensar antes de decidir, o que é mais imperioso em decisões com vastas repercussões. Mas quatro anos, dá para esquecer as linhas iniciais do raciocínio!!!

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domingo, 24 de abril de 2011

Justiça e político suspeito

Negócios ruinosos ou outras atitudes menos correctas da parte de políticos ou outros não devem ficar impunes. A igualdade perante a lei e a acção da Justiça deve ser considerada uma conquista do 25 de Abril. Mas, muitas vezes há fortes dúvidas ou até certezas sobre se esse direito dos cidadãos e dever dos responsáveis pela Justiça tenha permanecido vivo nas mentes portuguesas. Por vezes ficamos chocados com a imunidade e a impunidade de casos suspeitos. Ou será que todos os políticos, desde há 37 anos, terão sido uns santos, com comportamento impecável?

Por isso quem souber de fonte segura ou de fortes suspeitas sobre irregularidades tem o dever de transmitir a quem de direito, que depois terá a responsabilidade de investigar e dar o encaminhamento que a lei geral impõe. Qualquer indício, ruído, indicação, sinal, marca, vestígio, laivo, sintoma, memo podendo ser considerado sem importância, pode vir a ser muito útil para o investigador. É com esses pequenos sinais que se forma a informação segura e encontra a prova de uma irregularidade que pode ser lesiva dos interesses nacionais, da colectividade, do dinheiro público.

Vem esta reflexão a propósito da notícia acerca de Ex-autarca suspeito em negócio ruinoso em Oliveira de Azeméis. O caso está nas mãos da Justiça, devido a «queixas» e é de esperar que suceda actuação em conformidade.

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Corrupção nas autarquias

Segundo o artigo de Ana Sá Lopes e Cláudia Garcia no «ionline» de hoje as «Autarquias concentram quase 90% da corrupção em Portugal», como diz estudo sobre corrupção participada no país que identificou a origem do mal: poder local. Segundo o mesmo, os homens são mais corruptos que as mulheres.

"Uma das maneiras mais simples de combater a corrupção é não votar em determinados candidatos", diz Luís de Sousa, professor do ISCTE e autor do estudo sobre corrupção em Portugal, que foi promovido pela Procuradoria-Geral da República. Apresentado ontem em Lisboa, com a presença do líder do Ministério Público, Pinto Monteiro, e do ministro da Justiça, Alberto Martins, o estudo revela que quase 90% da corrupção participada envolve os órgãos de poder local: 68,9% dos crimes de corrupção passiva são cometidos nas câmaras municipais, 15,6% nas empresas municipais e 4,4% nas freguesias.

O procurador-geral da República apelou ontem à participação do governo para garantir aos órgãos de polícia criminal os meios necessários para evitar que os processos se "continuem arrastar". Mas, para o presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins, a solução para a corrupção em Portugal "está na descentralização".

O estudo realizado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) em parceria com Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do ISCTE, mostra a disparidade dos resultados entre Norte e Sul. Dos 838 processos que foram analisados entre 2004 e 2008, 173 dos crimes de corrupção dizem respeito ao Porto, mais 73 do que em Lisboa. No crime de peculato, a capital do tem vantagem: 105 contra 75 no Porto. Participação económica em negócio regista o menor número de incidências: 21 para o Porto e 11 para Lisboa. As diferenças entre as duas principais cidades do país podem ter várias interpretações. António Lobo Xavier avisa: "Pode querer dizer que, no Porto, a população é mais participativa nas denúncias". O advogado e gestor da Sonaecom defende que há uma grande desconfiança dos portugueses na justiça. E, portanto, "pode haver mais confiança cívica no Porto".

Os números relativos às denúncias elevam o problema a uma escala maior. No crime de peculato, praticado na grande maioria por políticos (27,9%), as denuncias acontecem no próprio local de trabalho, mas só 19,6% dos denunciantes se identificam. "Há dificuldade em encontrar elementos provatórios", explicou Luís de Sousa. O problema reside na legislação que não prevê garantias de protecção a quem emite a acusação, mas "exige que ela seja feita por escrito ou presencialmente". No caso de crimes de corrupção, 37, 5% das acusações são anónimas. E são, na sua maioria, arquivadas", diz o professor. Já na participação económica em negócio, as denúncias advêm em 42,6% de terceiros anónimos, o que é justificado pelo interesse do "terceiro" no negócio, afirma Luís de Sousa.

A origem da corrupção é, para Lobo Xavier, muito clara: "O financiamento ilegal dos partidos, a crise económica e a redução de obstáculos jurídicos". Já a procuradora da República, Helena Fazenda, recorda que "as leis se sobrepõem, entram em choque e criam insegurança jurídica" na hora de determinar soluções. Oliveira Martins, presidente do Tribunal de Contas, assegura que as sanções "aumentaram significativamente desde 2006". Porém, 53,1% dos processos foram arquivados.

Estão ainda em investigação 30,3% dos casos e apenas 6,9% resultaram em condenação. "Não há inocentes no processo da Justiça. "Toda a gente tem a sua quota parte da culpa", diz Pinto Monteiro. "A corrupção é uma questão de oportunidades políticas e económicas e a atitude punitiva que a sociedade pede não é o único caminho", adianta Lobo Xavier.

O caminho, para Oliveira Martins, é apenas um e está mais próximo do cidadão do que ele suspeita: "Evitando um pequeno favor, algo que parece comum na sociedade, mas que também é crime", diz o presidente do Tribunal de Contas. Porém, recorda que as transformações são lentas e "exigem grande determinação de todos".

A participação feminina na corrupção é "desprezível": cerca de 20% para 80% dos homens. "Os números acompanham a dificuldades das mulheres em ascenderem aos cargos superiores". O estudo não permite fazer um retrato robot do corruptor, mas dá algumas pistas: é um indivíduo casado, entre os 36 e os 50 anos, que exerce uma função a tempo inteiro com vínculo contratual definitivo. Lobo Xavier traça outro perfil para o político dos negócios: "Esse homem é difícil de apanhar, muitas vezes é consultor ou advogado".

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domingo, 4 de abril de 2010

Ambiente e desenvolvimento

A operação Limpar Portugal, levada a efeito há duas semanas, deve ter como principal consequência s sensibilização da população e das entidades para a necessidade de cuidados especiais e permanentes com o ambiente. A notícia do Público de hoje «Empresa com licença de gestão ambiental deitou 10 toneladas de lixo em serras» evidencia um escândalo de crime ambiental por parte de uma empresa que devia zelar pelo ambiente. Mas mostra uma acção muito meritória da GNR que promete autuar para bem da defesa da Natureza. A GNR está de parabéns por isso.

A limpeza da natureza não deve ser encargo de cidadãos voluntários, mas das autoridades que devem prevenir, reprimir e, em último caso limparem com os serviços vocacionados para tais tarefas. O povo deve estar muito atento e denunciar tudo o que vir errado e exigir a rápida reparação. Pelos vistos a GNR está activa na autuação de infracções deste género, pelo que o povo deve aproveitar e auxiliá-la, denunciando todas as infracções desde as menores.

A defesa do ambiente contribui para o desenvolvimento e, segundo outra notícia «Portugal tem quatro anos de atraso na ajuda pública ao desenvolvimento». Por isso, devem ser incrementados todos os esforços de todos os cidadãos para contribuir para um futuro melhor. Se outra coisa os cidadãos não puderem fazer, devem denunciar todos os desvios do bom rumo, por forma a serem corrigidos.

Imagem de José Ferreira

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Autarquias e ambiente

A campanha LIMPAR PORTUGAL destina-se a suprir a incapacidade, incúria, desleixo, incompetência, falta de sentido das responsabilidades das estruturas autárquicas que têm fechado os olhos perante os atropelos e as faltas de respeito pelo ambiente, um recurso inestimável que urge preservar nas melhores condições.

São muitos os casos de lixeiras ilegais, mas a que agora está a dar mais nas vistas é a criada por uma empresa que trabalha para uma Câmara local que despejou escombros, entulhos e outros lixos junto da CREL (Circular Regional Externa de Lisboa) e que, com as chuvas de Janeiro causou um deslizamento de terra em 22 de Janeiro, há quase três semanas, tendo impedido o trânsito naquela via com prejuízo para os automobilistas e para os moradores de Belas por onde o trânsito está desviado.

Desde então, diariamente, 60 veículos pesados têm retirado as terras que se encontram no tabuleiro da auto-estrada, local de onde já foram retirados mais de 80 mil metros cúbicos de terra. Com a chuva que dificulta os trabalhos, não é previsível a data em que o trânsito possa ser reaberto.

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Limpar Portugal é obrigação das autarquias

Embora não tenha condições físicas para trabalhar nesta meritória tarefa de LIMPAR PORTUGAL e no terreno apenas se quer quem possa trabalhar, tenho procurado dar o máximo apoio usando o teclado. Aprecio imenso a actividade da nossa amiga e do marido, em conjunto com a equipa de Vila Nova de Cerveira, que se tem constituído em exemplo a seguir por todo o País. O seu entusiasmo é revelador de um são e forte sentido de cidadania e de civismo.

No PÚBLICO de hoje vem a notícia Empresa que fez despejos junto à CREL trabalhava para a câmara da Amadora que se refere ao deslizamento de terras de uma lixeira ilegal que que provocou a interrupção do trânsito naquela via durante semanas.

Esta notícia veio dar força a um pensamento que se aninhou na minha cabeça desde há meses. A campanha meritória de LIMPAR PORTUGAL deve ser interpretada pelas autarquias como uma bofetada dada por mão de mestre. No caso da Amadora a Câmara tem culpas bem visíveis por não controlar a empresa que com ela trabalha. Isso, provavelmente, passa-se também com outras câmaras. Perante esta campanha nacional, os autarcas que fossem pessoas com sentido de honra e de responsabilidade, reconheceriam que cometeram erros por omissão, desleixo, incúria, deixando criar tais lixeiras e, agora, antecipariam tal limpeza por forma a que, no dia 20 de Março, não seria encontrada nenhuma. A bofetada perderia parte da sua violência. Mas não deixaria de ter o seu mérito de ter tido a iniciativa.

A responsabilidade de manter o país limpo é das autarquias. Devem evitar as lixeiras e, logo que apareça algum despejo ilegal, devem tomar medidas para multar ou aplicar coimas aos transgressores e obrigá-los a remover, ou ela própria fazer a remoção de imediato, pelos serviços municipais a expensas do infractor.

Sugiro a todos os entusiastas desta campanha que, depois do 20 de Março, contribuam para que o País seja mantido limpo, informado as autarquias e exigindo delas, com acções públicas (se necessário), a limpeza de qualquer sujidade que seja lesiva do ambiente. Não devem limpar mas exigir que a autarquia mostre ter compreendido esta lição cívica e cumpra o seu dever.

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terça-feira, 3 de março de 2009

Autarquias perante o futuro

Alcobaça em linhas gerais
Por António Delgado

Nos últimos 10/11 anos, Alcobaça desceu em termos de emprego, empresas activas, rendimento per capita, população, natalidade, investimento público, para níveis percentuais a que não estava habituada.




Em paralelo, vemos concelhos vizinhos caminharem com mérito em sentido inverso, provando que o problema não é da crise global, nem do governo, mas essencialmente de quem lidera o concelho. Alcobaça tem-se afastado em termos económicos da norma distrital com um forte desemprego com tendência a aumentar e a perder habitantes e empresas: umas fecham e outras emigraram para os concelhos vizinhos mais competitivos.

Este cenário desolador está a provocar uma desertificação sem precedentes e não são medidas voluntaristas nem semânticas de pífaro como “novas centralidades”, “Novas Alcobaças”, “Campos de Golfe” ou anglicismos do tipo “Resorts” que invertem a situação. Esta enfrenta-se com fundamentação e conhecimento para virar a agonia de um concelho, agravada nos últimos anos pelo grupo que o tem liderado. Para agir sobre as principais causas, cujos aspectos se associam ao envelhecimento da população, à perda demográfica, à falta de medidas económicas, aliciantes tanto para empresas e pessoas se instalarem.

Vivemos numa era predominada pela tecnologia em que os estudos mostram que quanto mais conhecimento tenha um trabalhador e quantos mais trabalhadores com conhecimento tenha uma economia, mais rapidamente esta aumentará o seu rendimento. Um dos elementos centrais para o incentivo de Alcobaça e o seu princípio orientador essencial deveria ser estimular tudo aquilo que a faça mais inteligente e atraia mais gente inteligente ao nosso concelho. Só assim se pode fazer uma aposta por Alcobaça actualizada, expansiva, critica e capacitada para enfrentar o presente e o amanhã nesta era global.

Construir esta nova realidade deverá ser de forma participada e numa óptica moderna possibilitando incorporar esforços convergentes de todos os que decidem trabalhar, actuar e viver no concelho, envolvendo-os numa estratégia comum. Alcobaça serve muito mais que os seus munícipes; são os que trabalham por cá e aqueles que visitam o concelho: estrangeiros e nacionais. Há quem gostaria de morar no município, mas não encontra habitação condigna a preços acessíveis optando por irem viver para os concelhos vizinhos, apesar das muitas casas devolutas e em venda. Só no centro histórico de Alcobaça, há centenas de casas vazias e em ruína transformadas em desperdício urbano e num escândalo social e cultural sem precedentes, mas que não causa a menor indignação aos seus governantes. E não se entrevêem medidas para que estas habitações possam voltar a ser ocupadas, desempenhando a sua função na cidade. A reabilitação com fins sociais e culturais é absolutamente desconhecida pelo actual elenco camarário. Mais do que grandes projectos e requalificações sem sentido, Alcobaça precisa de intervenções cirúrgicas que permitam curar as feridas urbanas de que padece e isso não exige grandes meios. No entanto, é necessário fazer um diagnóstico preciso dos pontos nevrálgicos para actuar com precisão. Deve recuperar-se e melhorar o espaço público existente ao invés de se tomarem medidas delirantes com gastos exagerados, funcionalidade nula e consequências trágicas e imprevisíveis. Em vez de se cuidar aquilo que há e inovar a partir do existente, respeitando a fisionomia da cidade, altera-se de forma desnecessária espaços com o único propósito de deixar a marca pessoal e criar supostas simbologias por parte de quem autoriza a intervenção, iludindo assim as soluções necessárias e que urgem, de carácter social, cultural e político. Alcobaça já tem carácter simbólico que baste e tem-no essencialmente no património edificado emblemático e de séculos. Dar nova vida e novas funções a espaços que fazem parte do imaginário colectivo dos Alcobacense devia ser um dos maiores desafios políticos e culturais a colocar a esta terra. No entanto, nenhum projecto devia ser aprovado sem dar voz e conhecimento aos alcobacenses e não apenas depois dos actos consumados como tem sido a prática nos últimos anos. Inovação e cidadania não são antagónicas e, em sociedades modernas e desenvolvidas e nas que querem prosperar, estas duas realidades andam de mãos dadas.

É rara a semana que não nos surpreendam notícias de crimes perpetrados no concelho. Devo dizer que uma terra não é mais segura simplesmente por ter mais meios policiais. Não são eles que garantem a segurança, mas é o combate à solidão e em especial a dos idosos nas aldeias, criando nas freguesias do concelho e em todos os lugares, condições para que se possam restaurar as relações de vizinhança. Qualquer comunidade vive mais segura quando há olhos de sobra na rua. Mas para isso as terras devem ter melhor qualidade de vida, melhores infra-estruturas e acessibilidades: Há excesso de barreiras arquitectónicas, falta de protecção viária e pedonal para quem vive nas freguesias e suas aldeias As freguesias e, sobretudo, as suas populações foram abandonadas pelo actual elenco camarário. Estes lugares, outrora com encanto, hoje estão decadentes e algumas fortemente desertificadas. As barreiras arquitectónicas que prosperam na cidade de Alcobaça e por todas as suas freguesias, além de ilegais são imorais. Pessoas deficientes, idosos e mães com os seus carrinhos de bebés não podem ser sistematicamente impedidos de usar o espaço público. Este deve ser integrador: é um direito que assiste todo o cidadão o direito ao passeio e o lugar dos peões nas estratégias de acessibilidades e mobilidade. Realidades que não se respeitam em Alcobaça e até se demonstra desprezo, como está patente na recente requalificação da zona em torno do Mosteiro. Esta tem ainda graves problemas técnicos onde se juntam as manutenções e reparações constantes que são uma despesa adicional e durável do erário público em ralação ao custo final da obra. Parece que tudo é permitido e impune perante a lei.

A capital do concelho deve ser atraente para as pessoas. Só assim pode suscitar novas oportunidades para o comércio, o emprego e uma maior fruição turística e cultural, além do interesse habitacional como indicador preponderante de uma cultura urbana sã.

Apesar de este empenho pertencer aos cidadãos, faria todo o sentido a Câmara ter um papel estratégico na definição de horizontes, tanto para a cidade como para o concelho, o que infelizmente não acontece. Só com novas ideias, produtos inovados e inovadores, mentes criativas e críticas, se poderá ultrapassar a estagnação a que está votada também a capital do município.

Nos dias de hoje, a criatividade e massa crítica são fundamentais para o progresso de qualquer cidade, concelho ou país. A míngua destas realidades acentuou-se nos últimos anos com a actual liderança concelhia e a colaboração voluntariosa de oposições assépticas, vereadores emigrantes e certa imprensa e jornalistas descaradamente tendenciosos. Não prospera uma terra que deixa partir a sua massa crítica e criativa e é ainda complacente com a perseguição política feita aqueles que ousam criticar quem a (des) governa. Deste modo, permite que se instalem visões monocromáticas ou a preto e branco, além do amiguismo, o clientelismo político e a subversão do direito legitimo pelo favor. Perdem-se pessoas e empresas e amputa-se a inovação, social e cultural e uma terra assim dificilmente sairá do desassossego.

Com a população desmotivada, Alcobaça caminha para o insustentável e perante a gravidade da situação aturde a indiferença daqueles que a dirigem. Um concelho insustentável é um concelho impossível de governar. Ambiente, economia, desenvolvimento social e cidadania são os quatros grandes pilares da sustentabilidade de uma terra e nenhum deles pode ser descurado. É necessário reconciliar a Alcobaça construída com o sistema vivo que a suporta e alimenta em moldes diferentes aos que se tem praticado. Cuidar dos rios, das águas subterrâneas, da estrutura verde, das aldeias, da qualidade do ar é cuidar da saúde e da sobrevivência do concelho. O défice de Alcobaça não é apenas financeiro – é sobretudo de liderança e de participação. Mesmo sendo um espaço com potencialidades singulares, Alcobaça também tem regredido olhando para as terras vizinhas, por não arriscar como espaço global. Os seus recursos, naturais, paisagísticos, históricos, patrimoniais culturais e sociais continuam aí e ninguém os soube rentabilizar até hoje, no sentido de tornar o concelho um espaço verdadeiramente singular e atractivo no âmbito focado.

Os sucessivos desnortes governativos, acentuados nos últimos anos pela falta de planificação, de regulação imobiliária e arquitectónica, a desertificação, os índices de qualidade de vida baixos, agravados com impostos municipais elevadíssimos, viraram Alcobaça contra as pessoas, desmotivando-as. Grande parte dos alcobacenses e muito dos que trabalham no concelho vivem em stress pela má organização espacial da capital e de todo o seu espaço concelhio.

A reorganização ou requalificação das freguesias não existe, quando estes espaços deveriam de ser um dos indicadores da plena vitalidade e qualidade de vida e desenvolvimento do concelho. Apesar disso, estes espaços são tratados por critérios opacos assentes na suspeição, no tacticismo partidário e na sindicância dos votos. Algumas freguesias são selectivamente discriminadas para eliminar delas qualquer lógica de proximidade e sobrevivência, seja no comércio ou no acesso a serviços sociais elementares. O objectivo de quem está a governar o concelho é manter este estado de injustiças e sustentar o poder.

Há idosos a fazerem cinco quilómetros e mais, do lugar donde moram ao centro da freguesia para receberem consultas médicas sem terem transportes públicos e os existentes carecem de conforto. Exige-se um quotidiano mais fácil, menos burocrático e agreste, com transportes públicos cómodos, acessíveis e eficientes onde as pessoas e, sobretudo, os idosos e pessoas com mobilidade reduzida não sejam considerados de segunda.

É tempo do governo do concelho ser partilhado tanto por homens como por mulheres em que o saber, a experiência e a capacidade de gestão das mulheres não continue a ser desvalorizado nem tornado invisível. Em Alcobaça há um défice de democracia participativa e que contrasta com os meios cosmopolitas e desenvolvidos. O poder local, aquele que por natureza é o mais apropriado para as experiências inovadoras, infelizmente em Alcobaça não tolera ou conhece a participação cidadã. Tudo ou quase tudo é feito sem consulta, de forma prepotente ou com mentiras pelo meio. Os orçamentos excedem as previsões, as decisões urbanísticas não têm regras, a regulamentação de tráfego é ad-hoc, os grandes projectos são decididos longe dos cidadãos quando não nas suas costas. A seiva da sociedade civil não é convocada com a urgência devida no governo do concelho. A vida política concelhia não pode estar concentrada nas mãos de quem tudo decide e em partidos onde boa parte dos militantes é assustadoramente impreparada e estão mais interessados em fomentar guerras internas no intuito de lograr protagonismos manhosos e empregos partidários do que realmente trabalhar em favor da terra e suas populações.

Para haver qualidade de vida e satisfação dos munícipes, tem de haver também transparência nas contas do município e na gestão dos recursos humanos, nas decisões urbanística que devem de ser previamente conhecidas, bem como os seus efeitos sobre o valor dos terrenos abrangidos, cujos titulares também devem de publicitar. Não há uma avaliação de desempenho dos funcionários da Câmara (ou parece não haver), a começar por todas as chefias, para levar a sério o controlo de custos. Devia de se saber o que são despesas a mais e receitas a menos para agir sem hesitações. Só assim se controla o deficit camarário e as pessoas ganham confiança nos políticos.

António Delgado
Professor Universitário

NOTA: Esta transcrição feita a partir do artigo de opinião publicado em «Tinta fresca» não representa interesse específico em relação a Alcobaça, mas deve-se apenas ao facto de os pressupostos e os factores analisados poderem ser aplicados aos métodos de governança aplicáveis às diversas autarquias. A qualidade de vida das populações e o desenvolvimento económico dos conselhos dependem da forma como forem equacionados os diversos problemas e das prioridades relativas atribuídas aos diversos sectores de actividade. Gerir os interesses da população concelhia exige critério cuidadoso do género do que foi referido em Pensar antes de decidir.

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Câmara de Alcobaça não tolera críticas

Transcrição de artigo do Jornal de Leiria

Câmara censura obra artística por motivos políticos

A maioria PSD na Câmara de Alcobaça impediu a participação do professor universitário António Delgado, na qualidade de escultor, na Apple Parade, uma das iniciativas do Mundo da Maçã que decorre até ao próximo domingo nas ruas do centro histórico.

A maioria PSD na Câmara de Alcobaça impediu a participação do professor universitário António Delgado, na qualidade de escultor, na Apple Parade, uma das iniciativas do Mundo da Maçã que decorre até ao próximo domingo nas ruas do centro histórico.

A Associação de Produtores da Maçã de Alcobaça escolheu vários artistas aos quais pediu que decorassem 20 maçãs gigantes. Já os artistas estavam a trabalhar quando a associação reuniu com a Câmara, que anunciou que se recusava a apoiar o evento se António Delgado se mantivesse na lista de artistas convidados. A obra do escultor vai, porém, incluir a Apple Parade noutros concelhos onde for apresentada.

A maioria PSD prefere não comentar o incidente, mas Pedro Maia, da Direcção dos Produtores da Maçã, disse que nessa reunião os membros do executivo terão dito que a autarquia “não faz parcerias com pessoas hostis à Câmara”. De resto, a exclusão de António Delgado terá sido condição única para a colaboração do município no Mundo da Maçã.

António Delgado contesta a posição agora tomada pelo executivo e, em comunicado à imprensa, refere que não hostiliza a Câmara “porque é uma instituição do Estado” que “merece o maior respeito.

“O mesmo não poderei dizer dos senhores que a governam actualmente, como fica demonstrado pela chantagem da minha exclusão imposta à Associação”, justifica o socialista.

O escultor, com obra pública em Turquel, na colecção do Hospital Bernardino Lopes de Oliveira e na própria Câmara de Alcobaça, diz ainda que escreve no seu blogue enquanto pessoa que exerce o seu direito de cidadania e de oposição democrática.

O professor universitário caracteriza a tomada de posição do executivo como “mesquinha e retrógrada”, sobretudo “quando um dos direitos políticos vulgares, consagrado nas leis do Estado é, precisamente, a não exclusão dos artistas por razões políticas como esta”.

Mal-estar

O mal-estar entre António Delgado e os elementos PSD do executivo não é de hoje. Há vários meses que o professor universitário e militante do PS faz duras críticas à maioria no seu blogue Ecos e Comentários, grande parte das quais em tom de chacota, com ironia e sentido provocatório.

Sobressaem as montagens que o docente faz a fotografias, como a de uma postagem de Abril deste ano, quando, para falar da compra de um terreno em Alfeizerão, Gonçalves Sapinho é colocado entre bandeiras do PSD e maços de notas de dinheiro. Noutra imagem, o visado é o vereador Hermínio Rodrigues, colocado com ar embriagado com uma garrafa de vinho junto às casas-de-banho públicas do Mosteiro.

A forma como os autarcas social-democratas são retratados nas apreciações de António Delgado fez o presidente da Câmara perder a paciência em Junho, quando aquele professor se deslocou, numa comitiva da recém-eleita Comissão Política Concelhia do Partido Socialista, a uma reunião pública do executivo, para apresentar cumprimentos. Nessa ocasião, Gonçalves Sapinho explodiu, tendo acusado o professor da Universidade da Beira Interior de estar “abaixo de um porteiro”, considerando que quem ocupa um lugar político, “não pode estar mentalmente desviado”.

Ana Ferraz Pereira, 2008-10-02

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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Cinfães. Autarquia com mérito

Os detentores de cargos políticos, no acto de posse, juram pela sua honra desempenhar com lealdade as funções que lhes são confiadas. Mas, por aquilo que chega ao conhecimento do público, parece que uma grande parte deles tem pouco respeito pela própria honra e um conceito muito discutível de lealdade e a quem esta deve ser dirigida.

Este espaço tem pretendido ser positivo e construtivo, alertando para as correcções necessárias nos assuntos que parecem delas carecer e chamando a atenção para a ênfase que deve ser dada aos casos exemplares, aos que interpretam adequadamente o sentido de honra e de lealdade na forma como desempenham o serviço público de que estão incumbidos, isto é, aquilo que fazem com competência e seriedade em benefício os cidadãos.

Com esta orientação, tal como aqui já foi feito acerca de outros casos positivos convergentes para um melhor futuro do País em benefício dos vindouros, transcrevo a segunda parte do Editorial da Revista Sábado de 21 de Agosto e aproveita para felicitar os cidadãos de Cinfães pelo Presidente da Câmara que elegeram, o qual constitui exemplo para todos os seus pares.

Aos leitores deste espaço que tiverem conhecimento de casos semelhantes peço que me informem, via e-mail, pois seria de interesse para o País termos uma extensa galeria de políticos-modelo.

«UMA AUTARQUIA NÃO SERVE só para financiar clubes de futebol ou para construir rotundas – serve para governar no interesse das pessoas que estão mais próximas. Governar é fazer escolhas e o presidente da Câmara de Cinfães fez esta semana as suas. Olhou para o lado (em vez de olhar para o líder do partido, como fazem muitos autarcas) e reparou em três coisas: uma vacina contra a meningite custa 71 euros por cada uma das quatro doses necessárias; o custo não é comparticipado pelo Estado; e só 48% dos pais da região levaram os filhos ao centro de saúde para receberem a vacina.

«Como está em Cinfães e não em Lisboa a ver as coisas de longe, a autarquia percebeu que isso acontecia por causa da falta de dinheiro. Uma câmara não pode resolver o problema do desemprego, nem o problema dos salários baixos, nem o problema da crise económica provocada pelo preço do petróleo. Mas pode resolver pequenos problemas como este de forma simples: oferecendo a vacina. O custo total para a autarquia não passa dos 60 mil euros. Vejam lá: não dava para contratar um bom jogador de futebol nem para construir uma rotunda decente. Mas dá para fazer política como ela deve ser feita.»

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Restaurantes, bares e cafés sem licença

Segundo notícia hoje largamente divulgada, o presidente da autarquia de Lisboa admite que há 5000 (cinco mil) estabelecimentos de alimentação e bebidas à espera de autorização. Este número, só por si, não tem muito significado, mas já o obtém quando o mesmo senhor diz que «entram mil processos por ano». Isto significa que seriam precisos cinco anos, sem qualquer deferimento para se obter o atraso de 5000. Ora, como admitimos que por ano tenha havido umas centenas de deferimento, deve haver estabelecimentos à espera de licença durante mais de 10 anos.

A Associação da Restauração fala em inércia dos serviços camarários. Acho que inércia é um eufemismo, pois o desleixo vai muito além disso. E é tanto mais quando, há pouco mais de uma ano, foi levantada a polémica do excesso de pessoal nos serviços camarários tendo sido destacada a existência de centenas de assessores bem pagos e sem um substrato de competência por terem sido nomeados com base na confiança política e não nas qualidades adequadas às funções, como declarou uma vereadora em entrevista.

Tais atrasos poderão ser atribuídos a excesso de burocracia (o germe mais causador da corrupção)e a três alterações da legislação que só causaram confusões, mesmo nos funcionários. A gravidade do problema vai até ao mau exemplo dado aos cidadãos que vivem em situação ilegal por culpa não deles mas dos serviços que deviam primar pelo bom exemplo.

Como pode o País prosperar e aproximar-se da média europeia, com serviços públicos que transmitem tão maus exemplos aos cidadãos e que constituem um factor de ilegalidade e de atraso!

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sábado, 20 de outubro de 2007

Excesso de assessores e má gestão não resultam bem

É do conhecimento geral que as autarquias se debatem com dificuldades de vária ordem, sendo muitas de difícil solução devido à interacção de factores diversos. Um dos problemas resulta do excesso de pessoal político.

Como aqui foi referido, por várias vezes, os organismos do Estado têm sido transformados em centros de emprego, vocacionados para os jovens menos dotados e que se distinguem pela sua «devoção» ao partido como forma de sobrevivência. Como afirmou, há cerca de um ano, uma vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, a propósito do excesso de assessores no município, estes são nomeados com base na confiança política e não na competência técnica. Conscientes desse favor que o político amigo lhes faz, procuram não lhe desagradar, para não perderem o chorudo salário (actualmente são 4.000 € mensais) e para garantirem uma candidatura nas próximas eleições legislativas ou autárquicas e, assim, prosseguirem na «carreira» política.

Esta situação de excesso de parasitas que nada de útil produzem e da necessidade de encomendar estudos fora a amigos políticos, condicionados à partida com o objectivo que é marcado, criam custos elevadíssimos, levando à realidade surgida com frequência nos jornais com títulos como este «Câmaras atoladas em dívidas».

Porquê tantas dificuldades e tantas dívidas? Só pode, em termos gerais, ser atribuída a falta de boa gestão dos assuntos das autarquias, porque os assessores não se limitam à quantidade necessária e não possuem competência e experiência técnica que lhes permita serem úteis, assessorando correctamente os decisores. Estudos que deviam ser feitos por eles, têm de ser encomendados, também a amigos correlegionários. Para obter tal competência, as Câmaras, tal como todos os outros sectores públicos, devem renunciar ao apadrinhamento dos «boys» e «girls» da família oligárquica, deixar de ser centro de emprego de amigos e começar já obter pessoal através de concursos públicos devidamente preparados e bem conduzidos, sem favores nem corrupção.

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sábado, 25 de agosto de 2007

Um autarca com sentido de Estado

Nós, portugueses, andamos há 30 meses a apertar o cinto, cada dia mais um pouco, estando quase asfixiados. Aumentam continuadamente os impostos, as coimas, o preço dos bens de primeira necessidade. Ganha-se menos e paga-se mais ao Estado e nas compras. Este esforço suplementar que nos é exigido e que se vem juntar às más condições de vida em relação a muitos parceiros europeus, seria logicamente considerado como um investimento do qual depressa colheríamos benefícios traduzidos em desenvolvimento do País e visível melhoria das condições de vida. Mas a realidade é que o investimento continua a fazer-se sem se vislumbrar benefício, sem se receberem dividendos. Há, sem dúvida, uma má gestão. Foi má gestão que criou a crise orçamental; é má gestão a que se compraz sadicamente em persistentes sacrifícios sem os resultados aparecerem. Há notoriamente bons benefícios para alguns mas a maioria (e esta devia ser a mais beneficiada!) sente cada mais coladas as paredes do estômago.

Mas uma notícia do DN de hoje, evidencia que há no País quem siga o caminho da moralidade em defesa dos interesses dos cidadãos humildes, que vão sobrevivendo longe da «classe» oligárquica. O Presidente da Câmara Municipal de Penalva do Castelo, no coração do País, entre as rocha graníticas do Distrito de Viseu, decidiu ontem aproveitar a possibilidade dada na nova Lei das Finanças Locais para desagravar o IRS das pessoas com domicílio fiscal no concelho.

O artigo 20º da Lei das Finanças Locais estipula que "os municípios têm direito, em cada ano, a uma participação variável até cinco por cento no IRS dos sujeitos passivos com domicílio fiscal na respectiva circunscrição territorial, relativa aos rendimentos do ano imediatamente anterior". Usando dessa faculdade, o executivo deliberou, por unanimidade, na reunião de ontem, baixar em 2,5 por cento o IRS das pessoas de Penalva do Castelo,

Segundo a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) este é "um bom desafio para o Governo" o qual «deve acompanhar este presidente de Câmara e todos os outros que lhe sigam o exemplo. Se um concelho baixar determinada percentagem dos seus cinco por cento, no caso de Penalva 50 por cento, o Governo deve acompanhar na mesma proporção em relação aos seus 95 por cento".

Leonídio Monteiro, presidente da autarquia, que há muito defende a discriminação positiva dos concelhos desfavorecidos, disse que quis precisamente dar esse "sinal" ao Governo. "Tendo eu esta possibilidade, não tive qualquer dúvida de avançar, embora seja um paliativo muito pequeno, apenas 50 por cento sobre o que a Câmara pode decidir, que são cinco por cento."

Leonídio Monteiro disse esperar que o Governo "retire um bom exemplo de uma autarquia estabilizada, que tem poucas receitas", mas "dessas poucas entendeu que devia abdicar de algumas em benefício da generalidade das pessoas que pagam impostos em Penalva".

Em Penalva do Castelo, valeu a pena apertar do cinto, porque o autarca sabe o que é ética, o que significa governar e gerir dinheiros do povo, para criar melhores condições ao povo sofredor, que tão explorado está a ser em todo o País para benefício e uns poucos incapazes de se consciencializarem dos seus deveres para com os portugueses.

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sexta-feira, 29 de junho de 2007

Estratégia para Lisboa precisa-se

Estratégia precisa-se, para Lisboa
Por Manuel Pedroso Marques (*)

Alguém pode, hoje, dizer onde fica a primeira circular de Lisboa? Será que fizeram a segunda sem se ter chegado a perceber qual a utilidade da primeira, que não foi completada e é hoje ignorada? Alguém pode explicar porque em vez de se ter construído uma estação do metro debaixo da estação de comboios do Rossio (Largo D. João da Câmara) se fizeram duas, propositadamente afastadas da necessidade daquela conexão? E quem sabe porque se repetiu o mesmo erro em Entrecampos, onde passava um comboio há mais de cem anos e as estações de metro mais próximas são no Campo Pequeno e no fundo do Campo Grande (apesar de se chamar de Entrecampos)? Poder-se-á dizer que o problema está resolvido com um tapete rolante em Entrecampos e nos Restauradores.

Mas alguma cidade ou país, empresa ou economia progridem com tão má qualidade de planeamento? Pior, com a descoordenação e o desrespeito adoptados como forma de autonomia e independência (“o metro faz as suas estações onde quiser…”). Alguma comunidade se desenvolve com a definição de objectivos egoístas, normalmente de pouca longevidade, porque excluem o interesse e ignoram o significado do que em Estratégia se chama ‘o ambiente externo’, no caso, a população de Lisboa? Objectivos assintóticos à realidade que, entretanto, constituem erros que se pagam caro durante muito tempo ou mesmo eternamente.

Imaginemos quanto custou, em matéria de despesa pública e privada, além de incomodidades pessoais, o facto de uma das próximas estações de metro a ser inaugurada dever ter sido, há mais de quarenta anos, a primeira. Refiro-me, obviamente, a Santa Apolónia, como me poderia referir a uma das últimas inauguradas, a do Cais do Sodré. Deliberadamente, nunca se pretendeu que quem viesse de comboio para a cidade tivesse acesso fácil ao metro, apesar das previsíveis consequências desta sinistra decisão.

O nível qualitativo do planeamento em Portugal é reconhecidamente abaixo da crítica. Até já houve quem quisesse atribuir justificações ‘idiossincrásicas do português para conseguir planear tão mal’… Não adiro a este tipo de explicações. Os erros de planeamento, ao longo da história, são clamorosos e até emprestam algum divertimento à Literatura de gestão. Em 1908, a Daimler concluía, num estudo de planeamento, que nunca poderia haver mais de um milhão de automóveis porque não era possível formar mais chauffeurs. Mas antes do motor de explosão, a prospectiva sobre o tamanho que as cidades poderiam atingir era de cem mil pessoas. O estudo foi efectuado tendo Londres como base. E a justificação principal residia na quantidade de excrementos dos cavalos, nas ruas de Londres, ser de impossível remoção, no caso da cidade ser maior…e sob pena de toda a gente ter a sensação de viver numa cavalariça.

Voltando a Lisboa, com o histórico atrás referido, agravado pelas circunstâncias do presente, de falência financeira, debilitação das estruturas de comando e controle da Câmara Municipal, se não forem reunidas capacidades de gerir um presente (temporal e qualitativamente envenenado) e preparar condições de planear com rigor um futuro, tal poderá significar uma sucessão de oportunidades perdidas, definitivamente.

As oportunidades nunca se repetem todas. E as que se repetem, raramente se apresentam em idênticas circunstâncias. Lisboa tem tido um azar histórico. São mais as oportunidades perdidas que as ganhas. Em grande parte por a CML não ter sabido coordenar-se com outras entidades e instituições do Estado que eliminem muitos dos constrangimentos à sua gestão. Por tudo isto, porque é impossível continuar a adiar o que se impõe fazer, as próximas eleições revestem-se de uma importância acrescida. É fundamental, agora, votar num candidato e na equipa que o acompanha segundo as provas dadas de competência, de dedicação ao serviço público e de capacidade de liderar as mudanças de que a nossa cidade precisa. (*) mpmarques@hotmail.com

NOTA: Um texto de autor já aqui conhecido que evidencia a incompetência crónica do políticos nacionais. Ela, infelizmente, já vem de muito longe na neblina dos tempos. Quando haverá um milagre que restaure Portugal? Estarão os eleitores capacitados para encontrar a melhor solução de entre as doze hipóteses apresentadas para estas eleições? E qual será a melhor? Felizmente não sou ali eleitor e isso me dá algum alívio neste momento. Mas ali também é o meu Portugal e custa ver o que tem acontecido naquele palco de vaidades de políticos incompetentes.

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quinta-feira, 7 de junho de 2007

CML. Miséria e riqueza em Lisboa

Recebido por e-mail de entidade identificada. Ajuda a compreender a situação da Câmara Municipal da capital.

Pedro S. Guerreiro
Director do Jornal de Negócios

O caos financeiro da Câmara de Lisboa está finalmente no centro de um debate eleitoral. Não porque os candidatos se tenham tornado subitamente mais responsáveis. Mas porque Lisboa chegou ao grau zero da indigência contabilística. Porque hoje existe uma lei das finanças locais. E porque o líder nas sondagens foi o autor dessa lei.

Sem o problema das finanças autárquicas resolvido, Lisboa não tem qualquer futuro. Só passado. E o passado é tenebroso. Nem é preciso explicar porquê. O país inteiro aprendeu já, à custa de impostos e de desemprego, que sem finanças públicas saudáveis não se faz nada. Em Lisboa não é diferente. Só que pôde ser adiado. E adiar soluções significa piorar o problema.

O passivo duplicou em cinco anos: 2.382 euros por munícipe. Juros: 30 mil euros por dia. O problema está não tanto no que se deve à banca mas aos fornecedores. A tesouraria está vazia. Os investimentos têm receitas abaixo do previsto. Os planos de desinvestimentos (no imobiliário) não são cumpridos. As suspeitas de corrupção estão no Ministério Público.

Quando Manuela Ferreira Leite limitou o endividamento autárquico, referia-se a todo o passivo. O seu primeiro-ministro Durão Barroso desautorizou-a e decidiu que o garrote se aplicava apenas à dívida bancária. O desvario transferiu-se para os "leasings", "factorings", fornecedores, parcerias público-privadas. Ferreira Leite quis que o limite ao endividamento funcionasse para as câmaras como o tecto do défice de 3% funcionou para o País. Mas como não houve Comissão Europeia para as câmaras, muitas delas precisam agora de um FMI. De alguém que entre por ali adentro, viabilize empréstimos e controle a sua aplicação.

O FMI é, neste caso, o Ministério das Finanças. António Costa já disse que, se ganhar, vai requerer ao Governo um "contrato de saneamento": Lisboa precisa de um contrato de reequilíbrio financeiro. O Governo descongela o endividamento bancário da Câmara, que começa a pagar dívidas aos fornecedores; em troca, a Câmara fica sob forte vigilância do Governo, terá de prestar contas, aumentar taxas, tarifas e derramas, não poderá aumentar despesas com pessoal nem despesas correntes. Foi assim com Setúbal (que já incumpriu, sem punição, o acordo) e com o Marco de Canaveses (que renegociou). Também Ourique, Gouveia e Guarda estão perto de pedir socorro.

E Lisboa. Se ganhar, Costa negociará com o seu antigo colega de Governo uma viabilização financeira. Aplicará a lei de finanças locais que desenhou. E terá de aceitar a redução de freguesias, que defendeu enquanto ministro. Nada disto é por voluntarismo, é por necessidade. Cheira a dinheiro em Lisboa. Não é à toa que o candidato do PS reúne tantos apoios. Não é apenas Júdice que vira o volante. Há na comissão de honra de Costa empresários, gestores e banqueiros que nunca devem ter votado à esquerda na vida.
Pedro S. Guerreiro
Director do Jornal de Negócios

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quarta-feira, 23 de maio de 2007

Assessores em excesso?

Extraído do «Democracia em Portugal»

C. M. LISBOA – Sá Fernandes - O PALADINO DA VERDADE TAMBÉM TINHA 11 ASSESSORES
por Manuel Abrantes

Cuspiu para o ar e o cuspo caiu-lhe em cima.
Quem não viu e não ouviu o vereador do Bloco do Esquerda na Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, gesticular e berrar contra o compadrio provocado pelo pelotão de assessores nomeados pelo, agora, ex-presidente Carmona Rodrigues?
Pois é…
Segundo o jornal “Correio da Manhã” o gabinete de José Sá Fernandes custava ao orçamento da Câmara Municipal de Lisboa 20.880 euros por mês. Com 11 pessoas, das quais nove assessores técnicos, uma secretária e um coordenador de gabinete, auferindo salários mensais entre 1530 euros e 2500 euros.
Segundo o matutino, o bloquista Carlos Marques e deputado municipal, confirma os onze nomes referidos na lista de assessores do vereador do BE, a que o CM teve acesso, e frisa que, desse total de pessoas, “nove são assessores contratados, três a tempo inteiro e seis a tempo parcial”, entre os quais ele próprio. Como “as propostas que são discutidas na Câmara são as mesmas para todos os partidos”, este responsável do BE considera que “está certo que tem que haver assessores, o que não está certo é que isto seja um regabofe”.
Claro “ o regabofe” é só para os outros. Os compadres bloquistas – esses – são necessários.
Desculpem lá! Mas 11 assessores para um único vereador. Mas para fazerem o quê?
Que trabalho tem um vereador para possuir 11 assessores por ele nomeados ? Isto para além dos funcionários camarários já indigitados para apoio.
Afinal o arauto “das verdades” também fazia o mesmo. Falou, falou mas também tinha 11 assessores.
Deixem-se de fitas “ Este senhor, que se não me engano exercia a sua profissão como advogado, também tinha 11 assessores no seu escritório de advocacia ?
Ou será como o seu amigo comunista e camarada vereador, Ruben de Carvalho do PCP que, segundo se consta, tinham a seu cargo três tradutores de russo?
E, já agora, também gostava de saber quantos assessores tinha para além dos tradutores…
Bem, isto não foi uma gestão autárquica. Foi uma agência de empregos para os confrades do partido. E não foi só o Carmona Rodrigues. Foram todos!!!
Estão todos entalados até aos ossos.
E como dizia o cartaz na campanha bloquista: Lisboa é gente.
Pois! Só que há uns mais “gente” do que outros…
Manuel Abrantes
Postado por Tiago Carneiro

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