quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

DESTINO DO DINHEIRO DOS IMPOSTOS

O destino do dinheiro dos impostos
(Public em O DIABO nº 2250 de 14-02-2020, pág 16. Por A J Soares)

No início do mês de Dezembro de 2013, o Governo anunciou que tinha necessidade de mais poder financeiro e que ia aumentar as percentagens de IRS e de IRC. Levantou-se logo a voz na TV e por escrito do grande empresário Alexandre Soares dos Santos, a defender que essa não seria a melhor solução e que seria mais correcto o aumento do IVA, visto que sairia do bolso das pessoas de forma menos sensível em pequenas fracções, de forma menos chocante.

Houve quem atacasse esta proposta – fi-lo em artigos de blog – porque os impostos directos são mais justos, racionais, morais, porque são proporcionais ao rendimento colectável dos contribuintes, enquanto que o IVA é calculado em função da despesa feita e de forma igual para qualquer cidadão, quer a compra seja feita por um milionário quer por uma pessoa pobre que apenas compra um pão para matar a fome ao filho.

Mas as pessoas bem pensantes e sensíveis às realidades das populações depararam com o facto de estar em jogo o aumento do dinheiro público à disposição dos políticos e com o interesse dos milionários existentes e daqueles que desejavam vir a sê-lo, isto é, que seguiam a carreira política com tal finalidade. E, para esse efeito, achavam mais eficaz a prioridade dada aos impostos directos generalizados a todos os cidadãos, mesmo aos de mínimo poder de compra. E isto começou a ser mais evidente com o fisco, usando de boa técnica de parasitas ou sanguessugas, com o aumento muito diversificado de novos e variados pretextos para criar mais taxas e taxinhas, sempre em quantidade crescente.

E para quê? Qual tem sido o efeito de tanto dinheiro sacado aos portugueses? Que aumentos tem havido no património nacional e na qualidade de vida dos cidadãos que não beneficiam do compadrio partidário? Tem havido sugestões para se criarem listas dos melhoramentos nos tempos do actual regime e em igual período imediatamente anterior, mas desistiram perante a diferença chocante entre as extensões das duas listas. Enquanto antes, com menos impostos, se construíram escolas em muitas aldeias, casas de cantoneiros, casas para guardas florestais, hospitais, palácios da Justiça, quartéis para militares e para forças de segurança, etc, etc, depois do 25-A deparamos com a degradação dos serviços públicos essenciais como, por exemplo, o da saúde, etc.

Mas temos uma multidão de deputados e de ministros e secretários de Estado, todos bem servidos de colaboradores, bem pagos com mordomias de estilo milionário, que desenvolvem actividade mais de aspecto turístico e de propaganda de imagem do que de efeito positivo para o desenvolvimento do país e da qualidade de vida dos cidadãos mais desprotegidos. Até os agentes das forças e segurança, indispensáveis para manter a paz e a ordem, no respeito pelos governantes, são por estes desprezados com abomináveis palavras pronunciadas publicamente.

Afinal, qual é o resultado do dinheiro que nos é sucessivamente sacado, cada vez em maior valor? Tomo a ousadia de transcrever esta pequena mas significativa frase extraída da pág 4 do nº 2248 deste semanário: “parto da realidade de que, ao longo das últimas duas décadas, Portugal sofreu um forte atraso no seu processo de desenvolvimento em relação aos outros países europeus, que a economia portuguesa estagnou com base num modelo económico errado de duas economias divergentes e no privilégio do mercado interno, os dois elementos que mais impedem o crescimento económico e o progresso social”.

Basta, chega de tanto sacrifício. Precisamos de mudança, de reformas que activem as energias dos portugueses e que elas sejam devidamente aproveitadas para a recuperação da imagem correspondente ao prestígio e ao valor que os nossos heróis deram a Portugal, durante séculos de indiscutível grandeza.■

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

AS ARMAS SÃO FERRAMENTAS DE MORTE

As armas são ferramentas de morte
(Public em O DIABO nº 2249 de 07-02-2020, pág 16, por A J Soares)

Tenho aqui defendido que a violência provoca maior violência a qual, em vez de resolver o problema existente, o agrava numa escalada com graves efeitos sobre as populações e os patrimónios. É certo que quando a violência excede limites suportáveis pode abreviar a paz, mas é uma paz azeda e que gera ódios e desejos de vingança que apenas espera oportunidade para a sua concretização. Isso vê-se no avanço e recuo de fronteiras e de retaliações muitas vezes em forma de terrorismo. Há muitos exemplos nos continentes asiático e africano.

Mas, entretanto, surgem palavras sensatas que deviam ser elogiadas e apoiadas para se tornarem realidade e servirem de estímulo a muitas acções de diálogo e negociação e evitarem violências. Neste momento, tenho na frente as palavras de Erdogan, Presidente da Turquia, acerca da crise na Líbia, que deve evitar os “meios militares”, consolidar o cessar-fogo e procurar solução pacífica recorrendo a mediadores por forma a ser criado o melhor entendimento possível, por forma a ser continuado da melhor forma. E Erdogan tem memória recente dos custos da sua intervenção nos conflitos na Síria.

Em vez de envio de unidades militares, como vem sendo hábito de americanos, para “ajudar a resolver conflitos”, a ONU deve criar equipas de diplomatas bem treinadas na mediação, para ajudar as partes de conflitos a encontrarem solução pacífica sem perda de vidas nem danos patrimoniais. Essas equipas não devem impor soluções, mas sim ajudar as partes a chegarem a entendimento, com equilíbrio de cedências de parte a parte sempre de forma cordata. É preferível uma paz menos vantajosa que o desejado, a uma guerra demolidora e geradora de ódios e desejos de vingança. Também tem havido atitudes pacifistas semelhantes à de Erdogan, vindas de Putin e da China, e é pena que o conflito Irão/EUA se mantenha aceso com tendência de agravamento entre dois contendores demasiado teimosos e persistentes no mau uso das armas.

No dia 26 de Janeiro, cinco rockets ‘Katyusha’ explodiram, junto à embaixada dos Estados Unidos em Bagdad, no Iraque. E seis dias antes aconteceu o mesmo com vários mísseis. E no dia 8 foi abatido um avião ucraniano com 176 pessoas a bordo poucos minutos depois de descolar na capital do Irão, alegadamente por erro de quem operou os mísseis. As explosões de mísseis junto à embaixada americana parece não terem causado mortes, mas o resultado mais natural é a quantidade de baixas e de estragos materiais.

Embora isso não agrade à potente indústria militar, a ONU deve esboçar um movimento, por si e com a ajuda de organizações pacifistas, para abolir as armas mais perigosas nas panóplias militares e fomentar uma orientação de fundos para apoiar as medidas pacíficas de resolução de conflitos e de, com tais economias, apoiar as populações mais carentes dos Estados que aceitem a resolução pacífica pelo diálogo e pelas negociações e concretizem um relacionamento totalmente aceitável de que parta uma cooperação amigável em sectores tradicionais de tais povos com vista à exportação no melhor ambiente de comparticipação.

Nesta fase de revisão do esboço, deparo com notícias sobre as negociações entre israelitas e palestinianos com vista à criação de dois Estados e vejo com prazer posições positivas do Secretário-Geral da ONU, de Putin e do rei saudita que defendem uma solução realista de dois Estados, com a aceitação do nascimento de um estado palestiniano, bom relacionamento entre vizinhos e uma clara rejeição do terrorismo. Para isso não deve prevalecer a imposição de uma solução por uma potência amiga de uma das partes que não seja aceite pela outra parte. Como na amizade entre pessoas, os Estados devem respeitar as idiossincrasias do outro e evitar desentendimentos, estando sempre dispostos a dialogar com vista a uma convivência pacífica e evitando o uso das armas, que são ferramentas de morte. ■

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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

ERRO IMPERDOÁVEL OU CRIME ABOMINÁVEL!

Erro imperdoável ou crime abominável!
(Public em O DIABO nº 2248, pág 16, de 31-01-2020, por A João Soares)

Na sequência do texto da semana anterior em que referi o abate de um avião ucraniano, no dia 8, dois minutos após a descolagem, num terreno agrícola perto e a sudoeste da capital do Irão, morrendo toda a tripulação e passageiros no total de 176 pessoas, é oportuno começar a olhar para as notícias com alguma curiosidade.

Inicialmente, as autoridades iranianas apontaram para a existência de problemas mecânicos. Foi também salientado que o acidente ocorreu horas depois do lançamento de 22 mísseis iranianos contra duas bases utilizadas pelo exército norte-americano, em Ain Assad e Arbil, no Iraque, numa “operação de vingança” pela morte do general iraniano Qassem Soleimani. A Autoridade da Aviação Civil do Irão contraria esta versão e disse na sexta-feira, dia 10, ter a “certeza” de que o Boeing “não foi atingido por um míssil”.

No mesmo dia, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia anunciou que uma equipa de 45 especialistas ucranianos que estão no Irão para investigar a queda obtiveram, por parte das autoridades em Teerão, acesso às caixas negras do avião abatido, e estava convicto de que “todas as informações vão agora ser analisadas”, para investigar as causas do despenhamento do Boeing 737. O secretário de Estado americano Mike Pompeo afirmou: “Acreditamos que é provável que este avião tenha sido abatido por um míssil iraniano”.

O presidente do Irão afirmou, no dia 11, que o país “lamentava profundamente” ter abatido um avião civil ucraniano, sublinhando tratar-se de “uma grande tragédia e um erro imperdoável”. Hassan Rohani admitiu que “o inquérito interno das forças armadas concluiu que lamentavelmente mísseis lançados por engano provocaram a queda do avião ucraniano e a morte de 176 inocentes”.

Depois de as forças armadas terem igualmente reconhecido que o avião foi abatido por erro, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano apresentou “as desculpas” do país pela catástrofe do Boeing 737 da companhia Ukrainian Airlines. E acrescentou que um “erro humano em tempos de crise causada pelo aventureirismo norte-americano levou ao desastre”.

Depois, a televisão estatal noticiou que o governo iraniano admitiu no dia 11 que o avião ucraniano que se despenhou na quarta-feira, dia 8, em Teerão, matando todas as 176 pessoas a bordo, foi abatido inadvertidamente por militares iranianos, atribuindo o derrube do aparelho a um erro. Até este dia, o Irão tinha negado que um míssil fosse responsável pelo acidente. E os serviços de segurança americanos afirmaram que o acidente foi causado por um míssil iraniano. O responsável por este erro deve ser apresentado à justiça militar e devem ser feitas reformas para tornar impossível a repetição de tais erros.

Mas… no dia 19, notícia iraniana revelou que o Irão recuou na intenção de enviar para análise as gravações da caixa negra do avião ucraniano para que sejam sujeitas a análises adicionais. O chefe da investigação, Hassan Rezaeifar, afirmou que os registos do voo estão na posse do Irão, que tenta recuperar dados e gravações da cabine de voo, e que não há, no imediato, quaisquer planos para os enviar para análise externa. A informação é avançada um dia depois de ter sido noticiado que o Irão iria enviar para a Ucrânia as gravações, com Rezaeifar a explicar que não era possível ler as caixas negras no Irão sem ajuda. Mas dia 20 Kiev insistiu querer a devolução das caixas.

Passados mais de dez dias, em avanços e recuos, será que houve um erro imperdoável ou um crime abominável, uma operação de vingança mal calculada e preparada na escolha do alvo? Sugiro rigorosas medidas internacionais adequadas, de aplicação minuciosamente controlada, para garantir a segurança dos voos comerciais, ou oficiais garantidamente inofensivos. E estabelecer um limite de altitude para projécteis ou mísseis. Modernize-se a resolução de conflitos para terminar com a indústria da morte de que os militares fazem uso perigoso, como se conclui desta tragédia. ■

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

AVIÃO ABATIDO POR ERRO

Avião abatido por erro
(Public em DIABO nº 2247 de 24-01-2020, pág 16, por A João Soares)

As forças armadas iranianas reconheceram que o avião ucraniano com 737 pessoas a bordo foi abatido por erro, por mísseis, poucos minutos após a descolagem de aeroporto de Teerão. Pode ter acontecido uma decisão precipitada, com confusão de alvo em ambiente de tensão diabólica, de desejo de vingança ou de retaliação relacionado com o acto que matou o general iraniano Qassem Soleimani.

Também pode ter havido um improvável erro na manipulação do míssil que, por acaso, estivesse apontado a local cuja rota cruzava com a do avião que ia a passar. Ou pode ter acontecido que os mísseis estavam a ser utilizados “correctamente” contra alvos bem escolhidos, segundo as intenções estratégicas decididas e, por infelicidade dos passageiros, as rotas de tais armas e do avião se tivessem cruzado no ponto e momento fatal.

Estas várias hipóteses de possível explicação do acidente, que vitimou mais de sete centenas de pessoas inocentes, levam a meditar na necessidade de disciplinar e regulamentar as limitações do uso do espaço aéreo por forma que, à semelhança das condições de segurança criadas pelas auto-estradas para o trânsito rodoviário, se criem condições para a segurança da aviação comercial no espaço aéreo. O ideal seria impedir a utilização do espaço aéreo por meios não destinados ao transporte de pessoas e cargas materiais, tal como é proibido que pessoas e viaturas atravessem as auto-estradas com risco de poderem colidir com os veículos que se deseja poderem transitar com o máximo de segurança e o mínimo de perigo.

Isso teria variações que iriam da total ausência de intrusos à volta de aeroportos, como já está legislado para os drones, de maneira a evitar acidentes com aviões após descolagens e antes de aterragens, e também limitação de altitudes de aviões pequenos e objectos voadores ao longo de rotas convergentes para os aeroportos. Mas não podemos esquecer que os aviões, mesmo voando a grande altitude, não estão livres de ser atingidos por aviões militares, tripulados ou de controlo remoto, ou por mísseis.

E estas últimas considerações podem conduzir a soluções de difícil aplicação pois colocam em dúvida se deverá ser interdita a aeronáutica militar e a eliminação de mísseis, o que viria contrariar interesses de poderosos sem preocupações humanas e unir-se à proibição de armas nucleares, o que não seria aceite pelos membros de lugar cativo no Conselho de Segurança da ONU, com direito de veto e que se consideram senhores com autoridade para caprichos como o de possuírem armas de destruição maciça (que proíbem aos outros) e que tornam cada vez mais sofisticadas. Portanto eles, no seu cargo, não usam normas democráticas, nem sensibilidade para as vidas e a Natureza e se consideram donos do mundo com autoridade para imporem aos outros comportamentos de obediência e tolerância que recusam para os seus Estados, como lhes é permitido pelo direito de veto.

Esta reflexão quase que conduz à decisão de que o espaço aéreo deve ser reservado a actividades não militares e que não representem perigo para pessoas e haveres, portanto, contribuindo para uma Humanidade a viver em harmonia e paz. Seria um passo muito significativo para uma vida de paz com convivência pacífica dedicada à solidariedade, à ciência e ao progresso social e económico. Porém, desagrada aos militares pilotos e técnicos das artes de aeronáutica e traz dificuldades ao combate aéreo a incêndios florestais e ao apoio de saúde a situações de urgência em locais mal servidos por via rodoviária. Mas a maior oposição a esta ideia virá dos grandes interesses de quem procura enriquecer sem pensar nos males que podem resultar para a Humanidade, colocando à sua frente a ambição de poder, de vaidade e de notoriedade.

Mas este caso da perda de um avião e da morte de 737 pessoas inocentes de qualquer culpa relacionada com a tragédia deve dar azo a séria e profunda meditação. ■

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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

PAZ E HARMONIA EM VEZ DE VIOLÊNCIA E GUERRA

Paz e harmonia em vez de violência e guerra
(Public em O DIABO nº 2246 de 17-01-2020, pág 16, Por AJS)

Sua Santidade o Papa Francisco, após a escalada da tensão entre EUA e Irão perante o assassinato do General iraniano Qassem Soleimani efectuado por um ‘drone’ no aeroporto da capital do Iraque, apelou ao “dom da paz”. Ele sabe que violência gera mais violência e pode ter sido reacção a um cerco demorado à embaixada americana no Iraque que levou Trump a decidir enviar mais 750 militares americanos. No entanto, a escalada de violência nada traz de bom porque o “dom da paz” conseguida por meios pacíficos é a mais desejada solução pelos resultados imediatos e os que surgem como consequência. Se um acto terrorista levado a cabo por um bando de marginais gera repulsa, o acto realizado por pessoas responsáveis e com meios mais sofisticados cria um asco que nos faz detestar grandes responsáveis por a grandes potências e deixar de ter consideração pelos mais altos políticos que perdem dignidade ao desprezarem vidas humanas.

Ê A paz constitui um bem impagável, ao contrário da guerra, que além de gastos, traz violências exageradas que afectam as duas partes envolvidas a ponto de, no fim, nenhum dos lutadores poder considerar-se vencedor por ter tido mais custos, perdas e despesas do que os eventuais benefícios adquiridos. A negociação em vez da guerra poupa sacrifícios de bens e vidas e resulta num ambiente de harmonia muito vantajoso, se forem dominadas as ambições e vaidades de mentes mal formadas. Já vai sendo frequente saírem de altos responsáveis por grandes potências ideias defensoras de soluções pacíficas para qualquer tipo de atritos e de mal-entendidos, antes de serem objecto de tentativas violentas.

Já aqui publiquei vários textos a abordar este problema que, embora não referissem o “dom da paz”, estão muito convergentes com as palavras do Papa; e já houve amigos que, em conversa sobre o tema, sugeriram que os altos dignitários dos Estados, antes de se candidatarem a eleições ou nomeações, deviam ser submetidos a exames psicotécnicos, como acontece em alguns sectores da vida pública, para garantirem que não sucumbem a tentações de vaidade, ambição, corrupção que se sobreponham à defesa das populações e dos autênticos interesses nacionais.

A procura da paz e da harmonia social entre as pessoas e entre os Estados deve ter a mais alta prioridade para bem de todas as pessoas, de toda a Humanidade, por se tratar do melhor tesouro da existência humana. O diálogo aberto, o compromisso, a solidariedade, são o resultado desse bom comportamento ético, moral e social.

A comunicação social erra ao criar a impressão de que todos os países estão em conflito e “guerra”, mas a ONU (Organização das Nações Unidas), que “foi fundada em 1945, com o compromisso de manter a paz e a segurança internacionais, fomentar as boas relações entre as nações, promover o progresso social, melhores condições de vida e direitos humanos”, deve fazer todo o esforço possível para garantir a paz global. No entanto, convém que o Conselho de Segurança pratique a democracia na sua constituição e deixe de ter o “privilégio” de cinco membros todo-poderosos que o transformam em ditadura, com a sua posição vitalícia, poder de possuir as armas nucleares que devem ser totalmente proibidas e de terem direito de veto em qualquer decisão da Instituição. A paz autêntica não se obtém com envio de forças militares para lutar contra outros interesses em países pequenos, como se tem verificado no Médio Oriente e em alguns Estados da Ásia e da África. Cabe à ONU a missão de procurar tornar a Humanidade mais moral e ética, respeitadora dos direitos dos outros e tolerante de religiões, tradições e outras características de etnias, desde que não ofendam terceiros.

Como seríamos todos mais felizes se os principais líderes mundiais usassem de mais harmonia e colaboração para o bom entendimento mundial como família humana! Bendito o Papa que apelou ao “dom da paz”.■

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

ANO NOVO, VIDA NOVA. NOVOS PLANOS E PROJECTOS

Ano novo, vida nova. Novos planos e projectos

(Public em O DIABO nº 2245 de 10-01-2020)

Vi no Facebook os votos de uma bisavó para um bisavô que queria conformar a aceitar as dificuldades da vida com as seguintes palavras «Ano Novo com muita saúde, o resto a gente corre atrás!».

Embora compreendesse a boa intenção da senhora, não gostei, porque a vida é luta e esta época deve ser de mudança, não devendo limitar-se a «correr atrás», a esperar por milagres. Mudar exige sensatez, observação e análise das realidades com vista à definição e realização de objectivos desejáveis para se conseguir melhoria das condições de vida. Nessa mudança devem ser respeitados os melhores princípios e os valores mais válidos aprendidos em tempos escolares e aprimorados pela experiência da vida, a fim de se esboçarem objectivos compensadores, do ponto de vista ético. Só chegaremos a locais para os quais saibamos caminhar cuidadosamente. Devemos evitar que a vida seja uma lotaria. Para podermos ter o prazer dos resultados de uma vida bem organizada e orientada da melhor forma.

Segundo um livro intitulado «entrevista com Deus», não devemos esperar milagres, porque estes seriam a negação da boa ordem em que o criador elaborou o Universo. Com efeito, cada um terá que agir da forma mais correcta porque os resultados dependem da maneira como se comportar para a obtenção do objectivo. Por isso, aquela oração sintética mas com significado: «Pai ajuda-me a merecer a tua ajuda».

Para uma mudança adequada tem que haver decisões ajustadas ao fim pretendido, seguindo com a melhor eficiência a metodologia já aqui exposta em diversas ocasiões, e que é aplicável aos indivíduos, às empresas e aos Estados. A estes, por maior razão, dados os elevados custos de erros ou imperfeições e das consequências para a população e para os interesses do património nacional.

Actualmente, existem situações degradantes e, em vez de serrem procuradas reformas para as remediar da forma mais construtiva, ouvem-se intenções de «continuidade» e palavras enganadoras destinadas a obter o conformismo e o impedimento de reacção das pessoas. Porém, surgem Estados em que o Poder é exercido correctamente, no sentido da recuperação dos mais altos valores de seriedade e de ética.

Por exemplo, no Vietname, onde a corrupção também se faz sentir, um tribunal sentenciou um ex-ministro a prisão perpétua num caso de corrupção que atingiu valores muito elevados e pelo qual foram também condenados a longas penas de prisão um outro ministro e uma dúzia de executivos, informou a televisão estatal. Foi acusado de receber subornos no valor de mais de dois milhões de euros para orquestrar a aquisição de um serviço de televisão digital em 2016 em nome de uma das principais operadoras de redes móveis no Vietname, quando era ministro da informação e comunicação. Ordenou a transação que envolvia a compra de 95% das ações de uma empresa por um preço inflacionado quase 10 vezes.

Também na Etiópia, a ex-presidente da companhia estatal de eletricidade da Etiópia integra a lista de 50 acusados de corrupção num processo ligado ao projecto da Grande Barragem do Renascimento da Etiópia, no Nilo Azul, relacionado com o desbravamento de uma floresta para facilitar este principal projeto hidroelétrico do país. Foi pressionada para abandonar a liderança da Ethiopian Electric Power (EEP) em Setembro de 2018, depois de enfrentar várias acusações de corrupção e má gestão de vários projectos energéticos planeados para Etiópia.

Estes são exemplos a seguir mas, entre nós, há promessas de moralizar a vida nacional, mas são mais as palavras e promessas do que os actos reais. Por exemplo, canta-se que o excedente orçamental "é positivo", mas esconde-se que o mesmo tem sido atingido "à custa de uma carga fiscal brutal". Por outro lado, prometem-se medidas preventivas para evitar inundações semelhantes às ocorridas recentemente, mas pouco depois um governante afirma que não se deve controlar o caudal dos rios. Em que devemos confiar? Que estudos, que planos, que projectos esperamos?

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

A FORÇA DA NATUREZA E A FANTASIA

A força da Natureza e as fantasias
(Public em O DIABO nº 2244 de 03-01-2020, pág 16)

Procuro ser cauteloso no consumo dos órgãos de Comunicação Social, por não os considerar merecedores de muita atenção e raramente encontrar neles elementos que contribuam para aumento de saber e conhecimento do mundo que nos cerca. Mas no dia 22, ao passar perto de um grupo sentado em frente à TV falando em voz alta adequada a surdos, vi que o ecrã, mais em pequenas frases do que em imagens da realidade, mostrava que chuvas torrenciais tinham provocado inundações dramáticas e os rios, mesmo os de reduzido caudal habitual, tinham atingido níveis imprevisíveis. Isto, poucos dias depois do último festival de propaganda da jovem sueca Greta contra as alterações climáticas, despertou-me a curiosidade de saber o que ela diria desta sucessão de depressões, se as consideraria como uma vitória da sua acção; e em caso contrário, o que deverá ser feito para evitar estes factos. A força da Natureza mantém-se independente de teorias fantasiosas e temos que ser cuidadosos e criteriosos para criar condições de adaptação que evitem o sofrimento de danos avultados, localizando as construções afastadas dos rios e ribeiros, desimpedindo da melhor forma os leitos fluviais e preparando as vias rodo e ferroviárias por forma a que evitem deslizes, abatimentos e outros tipos de estragos que as impeçam de cumprir a missão para que são construídas.

Prevenir é considerado, desde as civilizações menos letradas, preferível a remediar. A prevenção sensata é concretizada depois de boa definição do perigo a evitar e de ponderada aplicação de experiências já vividas, de técnicas ajustadas e de materiais bem escolhidos, enquanto a acção de remediar é, normalmente, improvisada no momento e usando medidas ocasionais, débeis e, por isso, pouco eficazes que raramente conseguem evitar danos avultados. Perante esta reflexão, e perante as teorias da Greta, não devemos desprezar estas pelo seu valor na defesa do Ambiente e no respeito pela Natureza, mas sem o exagero de querer impor a esta os nossos interesses. Estes devem manter a sua humildade de ter que suportar os imprevisíveis desígnios naturais.

Os factos mostram que a proximidade de rios ou de simples linhas de água, sendo estas apenas evidentes quando chove um pouco mais do que o habitual, deve ser evitada para construções duradouras e estimadas. As vias de trânsito nas suas proximidades ou nas suas travessias devem ser devidamente robustecidas para evitar acidentes graves. Quanto a habitações, há que prevenir estragos de vidas e de património, o que exige aos mais arrojados arquitectos que reflictam nos limites a que podem chegar as suas fantasias, etc. E quanto a alterações climáticas, devemos estar preparados para lhes sobrevivermos, isso é, adaptarmos as nossas vidas por forma a resistir a um acidente real, da melhor forma possível, e prevenirmo-nos para suportar melhor a sua repetição. Segundo um Engenheiro muito esclarecido que ensinava geografia a idosos na UITI, aulas a que eu assistia sempre que me era possível, o globo terrestre é uma bola de líquido fervente, o magma, rodeada de uma fina camada sólida, que ele comparava à nata do leite fervente. A pouca espessura do solo, essa camada envolvente, cria situações de grande debilidade, manifestada pelos sismos, erupções vulcânicas, águas termais, outras manifestações de temperatura diferenciada e alterações da geografia, como a criação do oceano Atlântico e do continente sul americano e a separação que está em evolução na parte leste do mesmo continente africano, seguindo a bacia do rio Nilo.

Há quem diga que o degelo das calotes polares não se deve apenas ao calor vindo do Sol, mas também, em grande parte, à temperatura do magma transmitida através da água do mar. A vida da Natureza deve ser bem investigada para ser bem conhecida e previsível nas suas alterações. O mau tempo das depressões ocorridas na semana de 14 a 21 de Dezembro não fazia parte das fantasias da jovem sueca Greta. ■

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