segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Quantos «homens decentes» podem ser citados?

Do artigo de Manuel António Pina no Jornal de Notícias de hoje, Um homem decente, a propósito desta caracterização do falecido Dias Lourenço, transcrevo dois trechos:

«Caracterizar é distinguir. Numa sociedade minimamente saudável do ponto de vista moral, em que a decência, e não a falta de escrúpulos, fosse a regra, a expressão "um homem decente" não distinguiria. Só em sociedades moralmente doentes como aquela em que hoje vivemos a decência se torna uma característica distintiva e expressões como "um homem decente" têm conteúdo informativo.»

«De quantas das notoriedades que abundam hoje na nossa vida política e económica poderemos dizer "um homem decente" sem abastardar a própria noção de decência?

Esta ideia merece ser bem meditada pelos políticos mediáticos e pelos eleitores. A época de férias bem deveria ser utilizada para, sem o stresss da vida profissional activa, serenamente, meditar sobre valores éticos, sobre a sensatez, sobre o futuro de Portugal, utilizando algo do que tem sido publicado, não como se fossem palavras bíblicas, mas como desafios à reflexão:

- A "táctica Calimero" falhou
- O regresso do Big Brother I & II
- Não é o calor, é o "bloco central"!...
- Saber sem poder saber
- Perigo da burocracite e do mau legalismo !!!
- Justiça igual para todos é necessária

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domingo, 8 de agosto de 2010

No tribunal do Porto há 47 anos

Mensagem recebida por e-mail do seu autor. Desconheço em que papel da história se encontrava. Mas, realmente, os tempos mudaram muito...

Caro João

Corria o mês de Agosto de 1963 e pelo Porto ia uma paz podre. Sem casos Freeport ou Casa Pia, luxos que um regime político filho do despotismo esclarecido se não podia permitir, os três jornais diários que, então, a cidade tinha iam enchendo papel, quando podiam, com a guerra de Alecrim e Manjerona do momento, hoje difícil de conceber, qual era a luta assanhada do Coronel Santos Júnior e do Dr. Castela, o primeiro Comandante Distrital da PSP e o segundo Juíz do Tribunal de Polícia, também alcunhado de Tribunal dos Pequenos Delitos, onde se julgavam os processos sumários de presos em flagrante delito e as então chamadas transgressões. Não é que dera na real gana à PSP de autuar os peões que atravessavam as passadeiras com a luz vermelha, obrigando-os a pagar 25 tostões, e que os autuados, como vingança, se haviam lembrado de pagar com três moedas de escudo, declarando que os cinco tostões ficavam para os pobres do Albergue Distrital, a cargo da PSP, dádiva que os senhores guardas não podiam recusar e que os obrigava ao preenchimento de vários impressos ?

Sentado no seu trono, perdeu a calma o Coronel e vá de dar ordem aos seus subordinados para prenderem de imediato os atrevidos, os hospedarem numa cela e os apresentarem no Tribunal no primeiro dia útil para serem julgados... e condenados por injúrias à Exma autoridade. Portador, por certo, de outro espírito de humor, julgava o Juíz os réus apresentados, mas a todos absolvia, aliás de acordo com a Lei, diga-se, e pregava aos infelizes dos guardas, entalados entre dois poderes, autêntico sermão e música cantada.

Corria Agosto, dizia, os Tribunais estavam de férias, à excepção do de Polícia, que as não tinha, e eis que o Delegado do Procurador da República do dito, beirão legítimo, do granítico Viseu, é surpreendido num sábado, a que ainda se trabalhava, por um telefonema do seu colega de turno a substituir o Procurador da República da Relação do Porto, seu chefe, a informar que na 2ª feira iria ter a prenda do julgamento de uma senhora, esposa de um comerciante grado da terra, que caíra na de dar os 5 tostões para os pobres e a dizer que não prescindisse de recurso, o que significava julgamento com depoimentos escritos para poder recorrer da mais que certa absolvição.

"Pior que uma barata", o Delegado, que bem sabia ter por dia meia dúzia de julgamentos sumários e cinquenta de transgressões, lá sossegou da melhor forma o colega, por acaso conterrâneo, e preparou-se para tudo.

Na 2ª feira, deixando, naturalmente, "pior que estragados" o Juíz e os funcionários, fez a competente declaração inicial e lá decorreu o julgamento a "passo de caracol". Terminada a produção de prova, e para culminar, resolveu ainda o Delegado, contra a tradição, fazer alegações para, no fim, o mais teatralmente possível, pedir a absolvição da ré e declarar que, se assim acontecesse, iria ter de recorrer por dever de obediência hierárquica.

Calculo que não tenha sido pequeno o espanto perante um tal gesto, só classificável de loucura, e que os jornalistas dos três diários tenham dado por bem gasto o tempo que lá estiveram. Como certo, apenas tenho que boa ginástica teve o Delegado de fazer para, face aos Juízes da Relação, justificar o recurso quando a sentença fora a que pedira. Mas duas satisfações lhe ficaram, primeira a de ver por eles confirmado que a atitude dos réus era uma "picardia" reprovável, mas não um crime de injúrias, e segunda a de, quando as férias estavam a terminar e o Procurador telefonou a lembrar o recurso, lhe ter podido responder que estava há muito interposto mas que, por acaso, até pedira a absolvição..... E, já agora, anote-se que processos semelhantes não houve mais... e que uma dúvida ainda hoje me assalta: se o Procurador, que era um Juiz, não estaria até interessado em que o seu Delegado assumisse mesmo a atitude de rebeldia que assumiu, ele que tinha a vantagem de não ser de nomeação política.

Mas perguntarás a que propósito vem esta história com quase cinquenta anos.

Vem porque me recorda que, nestes anos, em Portugal, nem só o clima mudou... Como era diferente um tempo em que Juízes e Magistrados do Ministério Público não armavam banca nas televisões, na blogosfera ou na imprensa para se insultarem quando estavam em desacordo e não se metiam na política (aliás estavam tramados se se metessem... mas essa é outra conversa…). Facto é que se foi a sensação de que ser magistrado era quase um sacerdócio, como o era ser professor ou ser militar... Hoje é um modo de vida. E é uma sensação dolorosa.


Um abraço do
João Mateus

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Perigo da burocracite e do mau legalismo !!!

Transcrição de artigos seguidos de outros pontos de reflexão:

Saber sem poder saber
Jornal de Notícias. 08-08-2010. Por António Freitas Cruz

«Já transitou para o baú das velharias, embora com pergaminhos de ciência política, uma frase que dá muito jeito em certas circunstâncias: "em política, o que parece é". Não há grande discussão sobre o facto de esta brilhante pérola se dever a Salazar. O que sei é que ele a usou naquelas pesadas e solenes orações da Assembleia Nacional, durante as quais exibia o seu nunca negado estilo linguístico.

Circulava por aí às voltas com pensamentos depressivos quando me perguntei acerca das razões por que nós, portugueses de hoje, andamos desorientados, sem pé e sem fé, falidos até de auto-estima, tolhidos por uma descrença que se não mede em euros, nem se resolveu com os pontapés do Cristiano Ronaldo (ao contrário do que prometiam obsessivamente as queridas televisões…).

Foi por esses dias que vi nos jornais o inusitado alívio do nosso procurador-geral por ter conseguido garantir que ninguém (nem a História!) acederia às célebres escutas que apanharam José Sócrates. Depois disso, aconteceu tudo o que fomos conhecendo também sobre o famigerado caso do Freeport, que acabou por correr muito mal aos mais altos e abnegados zeladores da Justiça.

Então, deu-me para exorbitar da chinela, dar voz ao meu momento criativo, e pensar que poderíamos dizer: "na Justiça, o que sabemos… não podemos saber".

Eis uma frase com futuro: talvez vá parar aos compêndios…»

A Justiça e a falta de tempo
Jornal de Notícias. 08-08-2010. Por Zita Seabra

«A Justiça portuguesa chegou a um ponto de tal gravidade que coloca em questão o normal funcionamento das instituições. O normal funcionamento das instituições não pode excluir o normal funcionamento da Justiça e limitar-se ao Governo e ao Parlamento. O Estado de Direito só funciona se a Justiça funcionar, se os cidadãos confiarem na Justiça e se a Justiça for célere e independente.

Tudo isto é tão evidente e óbvio que parece uma banalidade escrevê-lo. Mas o que estamos a assistir neste momento, em que o descrédito da Justiça entra pelos olhos dentro, é perigoso e de consequências graves previsíveis. (…)

Confesso, e já aqui o escrevi, que a divulgação de escutas de conversas privadas ao telefone são na minha opinião intoleráveis num Estado democrático. As pessoas, todas, incluindo o primeiro-ministro, têm o direito constitucional ao seu bom nome. Sendo agora o governo do PS ou no futuro do PSD, é necessário assegurar que os fins não justificam (nunca) os meios em política.

No caso Freeport, sabemos apenas que uma suspeita ficou deliberadamente no ar num processo que devia ser decidido ao fim de sete anos de investigações, de suspeitas, de notícias a encher manchetes. Poder-se-á chamar a isto justiça? Imaginemos que alguém que vai fazer um doutoramento chega ao júri e, ao fim de oito anos de investigação, escreve a tese e deixa no fim duas páginas de perguntas que, por acaso, são o essencial. Que acontecia? No caso Freeport é, porém, mais grave que um chumbo no doutoramento porque está em causa o bom-nome de pessoas.

O que assistimos é tão-só a uma intolerável politização da Justiça pela mão do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público e de alguns magistrados que, provavelmente, um dia sonharam ser políticos mas erraram na carreira profissional. (…)

O normal funcionamento das instituições impõe que os partidos responsáveis e garantes da democracia, bem como os outros órgãos de soberania, presidente da República incluído, encontrem saídas que travem este perigoso caminho e assegurem a salvaguarda do Estado democrático português.

É uma responsabilidade cívica de quem está na Oposição, como é o meu caso - e desejando que o país encontre uma alternativa de governo para sair da grave situação que hoje vive -, considerar inaceitável o que se passou com o primeiro-ministro, quando uns senhores escrevem, em nome da Justiça, um despacho que encerra um processo que afinal o deixa aberto, deixando no ar suspeitas e dúvidas a partir de um trabalho que não fizeram… por falta de tempo.»


NOTA: Em relação á conclusão de Freitas Cruz pode dizer-se que há muitos responsáveis por serviços fundamentais, onde o que sabem só interessa se for de origem burocrática, «oficial». Assumem-se como oficialmente ignorantes!

Sobre este tema será interessante passar os olhos por:

- Justiça igual para todos é necessária
- Serviços públicos pouco ágeis e eficazes
- Estado ignora número de clínicas sem licença
- "Não há registo da I-QMed na Entidade Reguladora"
- Entidade reguladora detecta 300 clínicas ilegais
- Ordem com queixas contra médico há cinco anos

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sábado, 7 de agosto de 2010

Radares de trânsito

Transcrição de post de Luiz Santilli publicado em blog crónicas
Fiz pequenas alterações para ser melhor compreendido em Portugal

Recebi um e-mail que iniciava assim: Gente, importantíssimo!!! Repassando!!!
Quem mora em São Paulo, e também aqueles que visitam SP, fiquem atentos.

Inauguraram a era dos “radares de trânsito”

Mais algumas exclamações e termina com trinta endereços onde os “radares de trânsito” estariam instalados.

Este é mais um e-mail irresponsável, pois os radares estão tentando fazer com que os motoristas se eduquem, ainda que seja pela dor, porque dói no bolso uma multa por excesso de velocidade!

Vejam o absurdo: a relação dos locais em que devemos respeitar a velocidade para não sermos multados, o que equivale a dizer que passado o radar, pé na tábua, a pista é toda de quem transgride as normas.

Os que assim agem, pensam que nós, os que respeitamos os limites, somos idiotas, quadrados, braço duro. Eles, os espertos, levam vantagem em tudo.

Mas realmente, o radar deve mesmo estar escondido, pois a velocidade permitida deve ser obedecida em toda a extensão do percurso e não apenas onde se localiza o radar!

Isso é óbvio e benéfico para a segurança de todos os utentes da estrada, mas os espertos têm que levar alguma vantagem.

O fato de não se saber onde está localizado o radar obriga os motoristas a manterem a velocidade dentro dos limites o tempo todo. Isso representa mais segurança para nós.

Isso vai evitar acidentes e preservar vidas, que pode também ser a do “esperto”.

Com o passar do tempo, todos vão habituar-se a obedecer às velocidades controladas, como ocorreu com o cinto de segurança em São Paulo, onde mais de 80% dos usuários de veículos usam.

Nós que respeitamos os limites somos vistos, pelos espertos, como trouxas! Mas trouxa é o cara que põe em risco a sua vida e a dos outros, apenas porque pensa que é esperto.

Na realidade é um absurdo ter de existir o radar, para que as pessoas sejam obrigadas a obedecer aos limites de segurança numa via pública. Isto deveria ser um compromisso moral de cidadania, de civismo!

Porém, isto ainda é uma utopia, temos sim que ter os radares e eles precisam estar escondidos, sim, para que as pessoas aprendam a andar com segurança em qualquer troço das vias públicas!

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Tempos difíceis 2

Cultura ou identidade corporativa

(…) A existência de uma cultura ou identidade corporativa é válida. Normalmente assenta em valores positivos de lealdade, solidariedade e coleguismo ou camaradagem.

Gerir contra a cultura instalada, independentemente dos seus aspectos positivos ou negativos para o cumprimento da missão do sistema, é considerado ofensivo da legitimidade da qual o corpo social se arroga. Esta ofensa coloca o corpo social contra as políticas e as decisões da Administração.
Quando esta situação acontece, ou seja, sempre que há um conflito de legitimidade, a discussão desloca-se para o campo da ética. E perde a luta quem não apresentar argumentos com maior peso moral, invocando considerações respeitantes a valores de dignidade, respeito, justiça e outros do género.

Em sistemas com corpos sociais grandes e de identidade vincada, o clima de conflitualidade pode inibir totalmente a capacidade ou a liberdade de acção governativa. Se, a título de exemplo, olharmos para o conflito à volta do processo de avaliação dos professores, verificamos que os professores «nunca lutaram contra a avaliação». Opunham-se e põem-se à maneira como é feita. (…)

(pág. 16-17)

NOTA: Este trecho do livro faz recordar as esperanças baldadas de reformas profundas em vários ministérios no início do Governo anterior. As esperanças criadas faziam prever ser o melhor Governo desde 1974, por ir aperfeiçoar aquilo de que todos se lamentavam em voz alta. Porém, não houve o saber, a sensatez e a sensibilidade para ter em atenção «a cultura instalada».


Assistiu-se à arrogância de querer reformular os sistemas contra «a identidade corporativa» de juízes, de médicos, enfermeiros e farmacêuticos, de professores, de polícias, de militares, etc. Era previsível que não resultaria e o País seria lesado por medidas que, se fossem correctas, o deveriam favorecer. Uma boa negociação que conduzisse a reformas «aceites» e apoiadas pelos principais agentes do respectivo sistema, poderia não ser a solução óptima mas não seria o fracasso generalizado a que se assistiu.

Este pormenor é um pequeno exemplo do valor didáctico deste livro, de grande utilidade para governantes, que o devem eleger «livro de cabeceira».

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Justiça igual para todos é necessária

Transcrição de artigo seguida de NOTA:

A hora dos bandidos
Jornal de Notícias. 07-08-2010. Por Paulo Baldaia

Não é apenas efeito da "silly season",
a Justiça portuguesa está no centro das atenções e, por isso, volto a escrever sobre o sector. Os políticos não podem lavar as mãos como Pilatos ou esfregar as mãos de contentes pelo descrédito em que caíram os agentes da Justiça. Nós cidadãos não podemos fazer de conta que não se está a passar nada.

Para que fique claro, são os magistrados, os juízes e os advogados que têm de responder pelas trapalhadas dos últimos dias nos processos Freeport e Casa Pia, mas terão de ser os políticos a responder se nada mudar na administração da Justiça. Em futuros actos eleitorais devemos exigir dos partidos políticos ideias concretas para garantir que a Justiça é igual para todos.

É preciso também abandonar o caminho mais fácil, o da preguiça intelectual, que nos leva a acreditar que os famosos são ilibados por serem poderosos e não por serem inocentes. Temos de saber que para a justiça ser igual para todos é preciso que seja inocente todo aquele para quem não existam provas irrefutáveis de que é culpado, seja poderoso ou simples cidadão.

É tempo dos bandidos serem tratados como bandidos. E isso só será possível se os agentes da Justiça não andarem a perder tempo a fazer de conta que são políticos e, pior do que isso, a fazer justiça por conta própria na Comunicação Social.


NOTA: Com alguns pontos de contacto com este texto, o artigo Gestão do caso Freeport foi desastrosa e todos falaram demais diz que o penalista Germano Marques da Silva considerou hoje, a propósito da polémica que envolve o processo Freeport e o procurador geral da República, que a gestão do caso foi “desastrosa” e que todos os intervenientes falaram demais. Também o artigo Freeport: DCIAP recusou o processo porque não falava em José Sócrates causa alguma estupefacção perante o teor do texto do artigo transcrito.

Seria interessante que algum (ou alguns) dos cronistas que se têm referido aos «casos» mais mediáticos indicasse as razões essenciais (menos de meia dúzia) que transformaram cada um destes casos num «CASO». Certamente, dada a complexidade e demora dos processos, deve ter havido factores poderosos que complicaram tudo e baralharam os investigadores, mas o resultado final não espelha tanta complexidade e leva a concluir que se tratou de coisa simples em que apenas se «lixou o mexilhão» como quando o mar bate na rocha. Poderá até acontecer que nessas «razões essenciais» haja factores comuns, como a «conveniência» de afastamento de nomes protegidos da lista de suspeitos, e/ou outros interesses que não são confessáveis. A ocupação de tantos altos funcionários, com o que isso custa em salários e em desvio de outras tarefas «mais importantes», durante tantos meses e anos, bem justifica a necessidade de explicação aos contribuintes.

Como diz Paulo Baldaia, «em futuros actos eleitorais devemos exigir dos partidos políticos ideias concretas para garantir que a Justiça é igual para todos.»

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Serviços públicos pouco ágeis e eficazes

Há situações de tal maneira incompreensíveis que ficamos a duvidar se ouvimos ou lemos bem as notícias.

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) identificou entre 200 e 300 clínicas privadas em situação ilegal, por não estarem registadas no organismo. Álvaro Almeida, presidente da ERS, tem a coragem de dizer que "esta é uma situação muito grave porque, se desconhecemos que a unidade existe, não podemos fazer fiscalizações para verificar se cumprem as condições de higiene e segurança". Este senhor deve contactar as polícias para aprender como são aplicadas coimas aos condutores sem carta, porque estes não constam de nenhum registo oficial!!!

Saiba o senhor presidente da ERS que as clínicas em situação ilegal têm clientes, porque publicitaram a sua existência. Logo, se esses clientes sabem que elas existem, também a ERS podia (e devia) saber!!! E, a partir daí, exigir o cumprimento das leis e regulamentos.

Isto dá que pensar sobre a margem de erro da actividade da «Inspecção» ou da «entidade reguladora». Foi preciso chegar às TRÊS CENTENAS, para verem as ilegalidades? O que estavam a fazer quando surgiu a primeira, a segunda, a terceira… e por aí adiante até às 300? Fala-se em tachos dourados com remunerações milionárias mas mais grave do que o alto salário, é o nada que se faz e a ausência de controlo, de avaliação do desempenho, de que tanto se tem falado quanto aos professores mas que deve ser aplicado, com o máximo rigor, a todas actividades remuneradas pelo Estado, isto é, pelos impostos dos cidadãos.

Infelizmente, não é apenas na área da saúde que se espera ver crescer as listas de infractores, sem as detectar com oportunidade e exercer precocemente a acção disciplinadora, pois também as Finanças divulgam mais 3098 nomes de devedores ao Fisco. Pode haver excesso de burocracia que tudo tolhe e empata, mas as leis que regulam tais actividades pode ser alterada radicalmente, ou melhorada da forma mais conveniente, para melhor o serviço que deve ser prestado aos portugueses, de que os cuidados de saúde e a recolha de impostos são parte importante.

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Falta coragem para eliminar o perigo nuclear

Completaram-se ontem 65 anos sobre a destruição de Hiroshima e de 200 mil vidas humanas assim como a interdição de vasta área. Felizmente, tem havido o bom senso de não repetir tal barbaridade, mas o perigo não desapareceu e os acidentes têm sido repetidos. Recordo o post Nuclear. Insanidade globalizada que evidencia a falta de verdadeira vontade e de coragem para eliminar o perigo nuclear.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon apela ao fim da "sombra nuclear" no mundo. Mas os seus poderes são praticamente nulos e e as suas palavras não influenciarão os detentores de tão perigosas armas que, sendo disseminadas, como é natural que aconteça, porque todos os Estados têm direito a possuí-las, constituirão uma ameaça terrível, quer sejam usadas como arma ou sofram acidente.

Nesta data, em que a Rússia está em acesa luta contra os fogos florestais, Chernobyl volta a pairar sobre regiões da Rússia, pois se não forem controlados os fogos na região de Bryansk, podem libertar-se para a atmosfera partículas radioactivas altamente nocivas para a saúde, existentes no solo desde o acidente na central nuclear de Chernobil.

«Desde a catástrofe nuclear de Chernobyl, há mais de 20 anos, que zonas de Bryansk permanecem contaminadas. No terreno, já não podem actuar pessoas. Os fogos estão a ser combatidos por robôs. Ninguém pode aproximar-se da área.

Cerca de 400 mil pessoas vivem na região,
situada a 300 quilómetros de Chernobyl. Na Internet, já circulam relatos de pessoas aterrorizadas, que partilham o seu medo em blogues pessoais.

Segundo as agências internacionais, mil funcionários do centro de investigação nuclear de Zarov, o mais importante do país, a Este de Moscovo, estão a retirar todo o material radioactivo e explosivo em cerca de cem camiões.»


Portanto, não faltam vozes de pessoas sensatas a alertar contra o perigo das armas e da energia nuclear. Resta esperar que os governantes de todos os Estados tomem consciência dessa ameaça latente e se mostrem sensatos e determinados a tomar medidas adequadas.

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Tempos difíceis 1

Com uma dedicatória do seu autor, com data de 29-06-2010, tenho aqui ao lado do teclado, o livro «Tempos difíceis – Decisões urgentes», de Manuel Pedroso Marques, edição de bnomics.

Por motivo de organização do tempo, não me é fácil ler o livro com a continuidade que ele merece mas, na verdade, por outro lado, não é livro que convenha ser lido de afogadilho, pois tem conceitos que devem ser amadurecidos, interiorizados porque, só dessa forma, se fica habilitado a interpretar melhor aquilo que se passa no País.

Proponho-me a tarefa e de aqui publicar pequenos excertos que divulguem certas ideias e que agucem a curiosidade de os leitores irem ao encontro desta obra com características didácticas em que se faz a conjugação muito conseguida de metodologia da preparação da decisão em estratégia militar e na gestão empresarial, as Ciências Sociais e a acção política, com a condução de negociações, contando com a resiliência. Vou agora trazer para aqui uns rudimentos sobre o valor da resiliência na decisão.

«Na Física, resiliência é uma relação estabelecida entre resistência e flexibilidade. Belo conceito que esta ciência emprestou recentemente às Ciências Sociais e que traduz a necessidade de equação e compatibilização de realidades distintas, mesmo opostas, logo contraditórias, mas cujo peso na construção do futuro social lembra o que outras têm nas obras de engenharia.

As manifestações de resiliência são cada vez mais expressivas e frequentes na nossa sociedade. A título de exemplo:

- É o caso de se procurarem conciliar objectivos de segurança com a não beliscadura das liberdades dos cidadãos, uma situação que ganhou acuidade após o 11 de Setembro;

- Ou as preocupações de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos e, ao mesmo tempo, aumentar a capacidade de investigação policial para que a Justiça se torne mais célere e os crimes não fiquem impunes;

- Como as decisões de alavancagem da actividade económica do nosso país, com injecção de capital no sistema financeiro e investimentos públicos, por um lado e de manutenção do equilíbrio orçamental e de redução do endividamento externo, por outro, ambas as medidas justificadas e dificultadas pela actual crise económica e financeira;

- O equilíbrio entre a necessidade democrática da informação dos cidadãos e a consequente liberdade de imprensa e expressão e, por exemplo, a devassa da vida privada e ataques aos direitos de personalidade (bom nome, presunção de inocência, etc.) de figuras públicas ou de julgamentos mediáticos e na praça pública:

- Ou a prestação social do Estado ao cidadão versus o aumento de impostos;

- Etc. etc. etc.»

(pág. 21-22)

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O Homem sensato e a Avestruz

Para descontrair e suportar melhor o calor deste verão.

Um homem entra num restaurante com uma avestruz atrás dele.
A garçonete pergunta o que querem.

O homem pede :
- Um hambúrguer, batatas fritas e uma coca.
E vira-se para a avestruz:
- E você, o que vai querer hoje?
- Eu quero o mesmo - responde a avestruz.
Um tempo depois a garçonete traz a conta no valor de € 14,60. O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exacto para pagar a conta..

No dia seguinte o homem e a avestruz retornam e o homem pede:
- Uma salada mista, arroz com puré e um suco de manga.
E indaga para a avestruz que diz:
- Eu quero o mesmo.
Um tempo depois a garçonete traz a conta no valor de € 23,25.
De novo o homem coloca a mão no bolso e tira o valor exacto para pagar a conta.

Isto se torna uma rotina e a garçonete que sempre os atende acha aquilo tudo muito estranho...
- Hoje eu quero um filé à francesa com salada de atum e bolinho de bacalhau - diz o homem.
- Eu quero o mesmo - diz a avestruz.
Após trazer o pedido, a garçonete apresenta o total e diz:
- São € 38,60.
O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exacto para pagar a conta colocando em cima da mesa.

A garçonete não controla a sua curiosidade e pergunta:
- Desculpe, senhor, mas como o senhor faz para ter sempre o valor exacto a ser pago?
E o homem responde :
- É que há alguns anos eu achei uma lâmpada velha jogada na rua e quando a esfregava, para limpar, apareceu um génio e me disse que poderia realizar 2 desejos quaisquer que eu tivesse!
- Meu 1º desejo foi que eu tivesse sempre no bolso o dinheiro que precisasse para pagar o que eu quisesse comprar.
- Que ideia brilhante! - falou a garçonete. - A maioria das pessoas deseja ter um grande valor em mão ou algo assim. Mas o senhor foi muito inteligente e vai ser tão rico quanto quiser, enquanto viver!'
- É verdade, tanto faz se eu for pagar um litro de leite ou uma centena de Ferraris, tenho sempre o valor exacto no bolso - respondeu o homem.

E a garçonete perguntou :
- Agora, o senhor pode me explicar a avestruz?
O homem fez uma pausa, suspirou profundamente e respondeu:
- Meu 2º desejo foi ter uma companheira com bunda grande, pernas longas, cílios enormes e sensuais e que concordasse comigo em tudo...

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Justiça novamente em primeira página

O ministro da Justiça em entrevista à RTP disse que "O que falta neste momento é que haja um apagamento da crispação. A justiça precisa de estabilidade, serenidade e convergência entre os seus protagonistas".

Sobre o mesmo tema, Fernando Nobre, candidato a Belém declarou ao Diário de Notícias que "É urgente reformarmos a nossa justiça como pilar essencial de uma democracia transparente e para que tenhamos um sistema eficaz no qual os portugueses acreditem e confiem."

Ao mesmo jornal, Defensor de Moura , também candidato, disse que "o presidente da República tem a obrigação de ouvir o procurador, mas deve fazê-lo com recato", ao contrário do que, na sua opinião, tem feito Pinto Monteiro.

"Estes assuntos não devem ser tratados na praça pública. E o PGR não pode ser tratado como um menino mal comportado. Defendo que os responsáveis do Estado devem ouvir todos os agentes da Justiça e não só o actual procurador-geral, para que, com rapidez, se mude o que for necessário".


Sobre o tema, o cronista do Jornal de Notícias Pedro Ivo Carvalho coloca várias interrogações que sugerem ponderação sobre a questão. «Não seria suposto que alguém com o poder e a responsabilidade de Pinto Monteiro não precisasse de fazer queixinhas ao Poder Político? O mesmo Poder Político que, de acordo com a sua avaliação, serve de inspiração ao Sindicato dos Magistrados do Ministério Público? Os tais que agem a soldo, que não se vergam perante a hierarquia, que cometem a ousadia de recorrer às mesmas armas mediáticas do procurador para atirarem gasolina para a fogueira e dançarem alegremente em seu redor?

E por que carga de água têm de meter-se sempre os políticos ao barulho quando já é por de mais evidente que tudo começa e acaba no regaço da Justiça? Por que raio continuamos a ter pejo em assumir mudanças circunstanciais, adaptadas ao momento, e reclamamos a cada passo pela refundação do sistema quando nos vemos emparedados pela nossa própria inabilidade?

De que vale ao procurador ansiar por uma tão em voga alteração constitucional se o problema, está visto, são as pessoas e não as leis? Se os agentes da Justiça continuarem a apunhalar-se numa base quase diária, de que nos vale lembrar-lhes o espírito da sua missão? Estão recordados?»


Prece poder concluir-se, sinteticamente que a Justiça precisa de actividade bem orientada e rápida. Se serenidade quer significar dormência, então elimine-se tal serenidade. Precisa de agitação bem aproveitada para se reformular e tornar-se mais eficaz para atingir os fins a que deve ser destinada. Com mais serenidade, a demorar vários anos para «arquivar» um processo, torna-se pior do que inútil, torna-se contraproducente. É preciso que inspire confiança e respeito.

Os interessados pelo tema poderão ver os textos aqui trazidos, procurando «Justiça»

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Freeport. Fogo que não se apaga

No post «Freeport. Nada elimina suspeitas e dúvidas», de 26 de Julho foi deixado o alerta de que «como não há burka que substitua a clarificação dos factos, as suspeitas e dúvidas nunca desaparecerão…».

Agora a notícia «Arquitecto do Freeport escolhido para agradar ao PS», do Jornal de Notícias de hoje, vem confirmar a validade de tal alerta.

Como parece o caso não ter sido averiguado com meticulosidade (os magistrados o têm declarado de forma subtil), como não houve transparência, as suspeitas nunca cessarão, e irão vindo a lume casos curiosos, que até podem não ser inteiramente reais e verdadeiros, mas são resultado da falta de transparência. Aplicam-se aqui as expressões «gato escondido com rabo de fora», e «não há fumo sem fogo».

Segundo a notícia referida, «os promotores do Freeport mudaram de arquitecto com o intenção de agradar ao Partido Socialista e a José Sócrates. A conclusão consta do despacho final da investigação, que relata ainda pagamentos a dobrar pelo projecto. Só Capinha Lopes recebeu 1,7 milhões.»

O processo-crime indica que Capinha Lopes terá sido sugerido pelo arguido e autarca de Alcochete, José Dias Inocêncio. Em carta enviada a 13 de Dezembro de 2001, ao director da Freeport PLC, Jonathan Rawnsley, o consultor Charles Smith justificava a opção pelos arquitectos da sociedade Capinha Lopes (CL).

«"CL estão muito próximos do ministro do Ambiente [José Sócrates], assegurando uma aprovação adequada no interesse de todas as partes envolvidas. Estou também certo que não são arquitectos baratos", escreveu o sócio da "Smith & Pedro".

No processo também é referida a ligação de Capinha Lopes a campanhas do PS em vários municípios do Sul do país, como Alcochete. Foi, aliás, no dia da tomada de posse de Dias Inocêncio como presidente da Câmara de Alcochete, a 7 de Janeiro de 2002, que Jonathan Rawsley informou Capinha Lopes da sua nomeação como "arquitecto principal" da Freeport Portugal S. A..»


Consta num comentário ao referido post que «as suspeitas e as dúvidas são demasiado corrosivas e impedem que se tenha confiança naqueles que delas são objecto. Em qualquer momento mais crítico na vida das pessoas que foram alvos das suspeições, estas podem vir à tona com o seu veneno corrosivo.»

Realmente a ética, quando esquecida e deixando ocultar a verdade e impedindo a transparência, pode dar lugar a insinuações intencionais demasiado nocivas. É uma lição a ter sempre presente para evitar cair em ciladas perversas.

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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Aluno português brilhou em competição no Japão

Transcrição de artigo, seguida de NOTA:

Aluno brilha nas Olimpíadas da Química no Japão
Jornal de Notícias. 05-08-2010. Por GLÓRIA LOPES

Concluir o 12º ano com uma média de 19,9 valores não é para todos, mas este foi o resultado alcançado por Jorge Nogueiro, 17 anos, aluno da Escola Secundária Emídio Garcia, em Bragança.

O jovem, estudante excepcional, foi o primeiro português a ganhar um título nas Olimpíadas da Química, que decorreram no Japão, de onde trouxe uma menção honrosa.

A participação no evento internacional foi considerada por Jorge Nogueiro “fantástica”, porque lhe permitiu o contacto com outros estudantes de países “muito mais adiantados do que nós nestes aspectos, onde alguns participantes com 18 anos vinham a preparar-se desde os 13 anos para participarem”, referiu. A pressão no concurso foi grande, mas o aluno brigantino gostou do clima de competição, sobretudo dos países asiáticos, cujos estudantes normalmente arrebatam as medalhas de ouro.

O jovem não considera uma fatalidade viver no interior, apesar de reconhecer que no litoral e nas grandes cidades há mais oportunidades de estudo e de trabalho. Faz das fraquezas forças e esforça-se por brilhar. “Viver aqui (Bragança) até é uma forma de nos fortalecermos, como há dificuldades de acesso a algumas coisas e não há grandes oportunidades, temos de lutar mais”, confessou.

Foi a primeira vez que Jorge Nogueiro participou nas Olimpíadas da Química. Em 2009 foi apurado e desde então que vinha recebendo preparação na Universidade de Aveiro.

NOTA: Esta nota será apenas preenchida por uma lista de posts aqui publicados, sobre o mesmo tema, cujos títulos, só por si, parecem bem eloquentes.

- Jovens hoje, adultos responsáveis amanhã
- Criança estimulada e apoiada sobressai
- Jovens ao poder
- Estudantes premiados
- Geração com menos de 40
- Preparar o futuro
- Geração perdida? Não
- Três mulheres cientistas premiadas
- Cientistas portugueses em destaque
- Jovens que recuperarão Portugal
- Mais jovens portugueses premiados internacionalmente
- Respeitar os jovens e apoiar os mais válidos
- Jovens hoje, líderes amanhã !!!
- Jovens portugueses em destaque no estrangeiro
- Mais dois jovens em destaque
- Jovens desejam preparar o futuro
- Sobredotados sem compreensão e apoio do Governo
- Mais um caso de jovens válidos
- Jovens em voluntariado louvável
- Jovens excepcionais
- Jovens válidos são esperança para o País
- Filipe Valeriano, Português que sobressai
- Cientistas portugueses em destaque internacional
- Jovens cientistas portugueses
- Jovens com prémios científicos internacionais
- Tenhamos esperança nas novas gerações
- Jovens hoje, Líderes amanhã

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Simplicidade de vida e justiça social

Transcrição seguida de NOTA:

Quarenta milionários americanos vão doar parte da sua fortuna
PÚBLICO. 04-08- 2010

Campanha lançada por Gates e Buffett

Quarenta milionários norte-americanos comprometeram-se a doar pelo menos metade da sua fortuna para causas humanitárias, em resposta a uma campanha lançada por Bill Gates e Warren Buffett, dois dos homens mais ricos do mundo.


Buffett prometeu doar 99 por cento do que possui à fundação gerida por Bill e Melinda Gates.

A lista, divulgada um mês depois do lançamento da iniciativa, incluiu nomes como o fundador da CNN Ted Turner, o mayor de Nova Iorque Michael Bloomberg, ou o realizador George Lucas.

Ainda agora começámos, mas a resposta é já formidável”, explicou Buffett, o investidor que prometeu doar 99 por cento do que possui à fundação gerida por Bill e Melinda Gates e está agora empenhado em que outros lhe sigam o exemplo.

Os organizadores explicam que as promessas não implicam uma obrigação contratual, mas apenas um “compromisso moral” e adiantam que os doadores são livres de escolher a organização ou a área a que querem doar parte da sua fortuna, em vida ou após a morte.


NOTA: Que o dinheiro não dá felicidade, nem deve ser pedra de toque para se avaliar do valor das pessoas já aqui foi referido muitas vezes, de que se indicam alguns títulos de posts. Há pobres honestos e sábios e há milionários a quem nada falta para serem os piores bandidos.

Estes quarenta milionários americanos que seguem as pisadas de Bill Gates e Melinda Gates estão na mesma onda dos já aqui citados
Mark Boyle e Karl Rabeder. Oxalá os beneficiados com as sua doações as utilizem da forma mais correcta e que os doadores se sintam bem na vida simples que passarão a levar, pelo manos não terão dores de cabeça com as flutuações da bolsa e a procura das oportunidades de negócio que lhes tiravam muitas horas de sono.

Links:

Dinheiro não dá felicidade

Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro

Milionário desfaz-se da fortuna que o faz infeliz

Lição de vida dada por um Tuareg

A Simplicidade é louvável

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Fogos florestais imparáveis

A segunda quinzena de Julho foi a mais negra em área ardida, estando o desastre relacionado com o facto de o mês passado ter sido o mais quente dos últimos 79 anos. Mas há também que reflectir na influência nefasta da ausência de uma prevenção eficaz e sistemática e de uma Justiça rápida que sirva de dissuasor dos crimes de fogo posto.

Se não houver medidas eficientes na organização da prevenção e no funcionamento da Justiça, que seria desejável ter o suporte de uma educação para o civismo, o respeito pelos outros e pelo que é colectivo, o interior de Portugal acabará, num futuro próximo, por ter o aspecto das imagens seguintes. À destruição de toda a vida vegetal acresce a miséria provocada pela crise que atravessamos, sem fim à vista.




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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Controlar as despesas públicas não é importante???!!!

Transcrição seguida de NOTA:

PSD sem debate de urgência com ministro das Finanças
Público. 02.08.2010 - 14:11 Por Nuno Simas

Execução orçamental

O Parlamento vai continuar de férias. PS, PCP, Bloco e PEV estão contra ideia de reunir Comissão Permanente e Jaime Gama concordou. Sociais-democratas criticam esquerda por indiferença com o “regabofe orçamental” e por abdicar de fiscalizar o Governo.

O PSD queria, mas só teve o apoio do CDS. E não conseguiu agendar uma reunião urgente do Parlamento para discutir a execução orçamental. O PS juntou-se à esquerda, PCP, Bloco e PEV, opondo-se à ideia de a Assembleia da República interromper as férias para a Comissão Permanente reunir de urgência com o ministro das Finanças sobre a derrapagem das contas públicas.

“É um número político de Verão”, afirmou no final da reunião o líder parlamentar do PS, Francisco Assis, salientando que o próprio PSD “reconheceu” que este não era um “assunto excepcional” ao ter admitido que o Governo não estivesse presente na Comissão Permanente. “É a demonstração de que não se queria uma discussão séria, mas sim um número político de Verão”, disse Assis.

Já Miguel Macedo, do PSD, criticou a decisão por o Parlamento se colocar “ao lado” deste debate sobre a derrapagem das despesas e atacou a “indiferença” dos partidos de esquerda por pactuarem com “o regabofe orçamental”. “É urgente, essencial o controlo da despesa pública”, afirmou.

O presidente da bancada social-democrata recusou a ideia de que o seu partido enveredou por um “número político”. O assunto é que era tão importante – a execução orçamental – que faria sentido o Parlamento discuti-lo e exercer a “função mais nobre”: a fiscalização dos actos do executivo. “Com ou sem a presença do Governo”, afirmou.

O CDS era favorável à reunião com o ministro das Finanças, mas queria confrontar o PSD com o seu apoio às medidas de austeridade do Governo que viabilizou e discutir a hipótese do fim dos “chumbos”, admitido pela ministra da Educação.

Tanto a execução orçamental como o “chumbo” nos exames são matérias possíveis para a Comissão Permanente já agendada para 9 de Setembro.

NOTA: O PS e os partidos seus simpatizantes, com a concordância do presidente da AR, consideram que a derrapagem das contas públicas não é motivo justificativo para fazer uma pequena interrupção das férias. Segundo eles, o controlo do gasto do dinheiro dos impostos pagos pelos contribuintes não é tão importante como uns banhos de sol na praia. O facto de se estar em crise haver, desemprego e cortes de ajudas sociais aos mais necessitados, não é sentido no bolso dos políticos e, por isso, o povo que se desenrasque.

São uns anjos celestiais estes nossos eleitos que vivem afastados das dolorosas realidades dos eleitores. As palavras de Francisco Assis são sempre pérolas de sabedoria e bom senso!!!

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Dificuldade em prever o futuro Internacional

Segundo Miguel Monjardino, a Ásia tem problemas de segurança complicados por resolver.

As rivalidades e as grandes diferenças políticas e económicas de países como o Japão, a Índia, a Indonésia, a Coreia do Sul e a China. As disparidades internas nestes países tendem a ser muito grandes.

Daqui a cinco anos a sociedade chinesa vai começar a envelhecer muito rapidamente. Este processo de envelhecimento terá quase de certeza importantes consequências políticas e económicas internas e colocará os decisores de Pequim debaixo de forte pressão.

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Ensino sem bússola

Transcrição seguida de NOTA:

Nós, os suecosJornal de Notícias 02-08-2010. Por Manuel António Pina

A ideia de acabar com os chumbos não é da ministra Isabel Alçada, é de algum eduquês desconhecido que anda pelo Ministério pelo menos desde o tempo de Roberto Carneiro.


E que há-de ser um grande vendedor de ideias pois a generalidade dos ministros aparece com a original ideia de acabar com os chumbos menos de um ano depois de ter tomado posse.

Só os argumentos vão variando. Desta vez é fazer como "na Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca" onde, "em vez de chumbar, os alunos com mais dificuldade têm apoio extra".

É certo que, na Noruega (12 alunos por professor no Básico e 8,2 no Secundário, contra 28 a 30 em Portugal), 40% das escolas básicas "são tão pequenas que crianças de diferentes idades têm aulas juntas" e que, na Suécia, cerca de 60% das escolas do 1.º Ciclo funcionam com menos de 50 alunos.

Por cá, a ministra que quer apoio personalizado para os"alunos com dificuldades" é a mesma que fecha as pequenas escolas de proximidade e manda as crianças de camioneta para mega-escolas anónimas e indiferenciadas nos grandes centros. Mas por algum sítio temos de começar para sermos suecos, não é?


NOTA: O autor deste artigo, por quem tenho admiração, atribui a origem dos desnortes da educação a «algum eduquês desconhecido», mas creio que este palpite não será correcto, pois parece que não será apenas um, mas um ou dois pares, em gabinetes estanques, cada um atirando para o ar com a sua aleivosia, e não havendo um governante capaz de coordenar as vontades de todos e inseri-las numa linha estratégica coerente para um objectivo bem definido. Claro que de políticos, com a sua falta de currículo em organização, gestão, coordenação e controlo, não se pode esperar melhor. Mas, para compensar tal deficiência, devia haver no ministério um Director-Geral escolhido por concurso público de entre os que tivessem condições para dirigir a equipa responsável perante o governante de lhe apresentar as soluções, com as respectivas vantagens e inconvenientes. Mais uma vez repito que é boa norma «Pensar antes de decidir».

Sem tal coordenação, aparece um a decidir a concentração das escolas com o argumento dos custos, outro a propor exemplos estrangeiros de eficiência e boa aprendizagem só viáveis em escolas pequenas com íntima ligação entre educadores e educandos. E o objectivo mais publicitado é a abolição de chumbos e repetições, o que, se for avante, faz prever a curto prazo a entrega do diploma de doutoramento no primeiro dia de aulas da primária.

No artigo «Só mudanças radicais podem aproximar Portugal da Finlândia» este tema é analisado de uma forma interessante de que se conclui ser indispensável uma bússola no ministério da Educação para que dele saiam decisões coerentes e orientadas para o objectivo pretendido tendo em conta as condições reais existentes. Sem uma boa e inteligente organização coordenada e controlada haverá excesso de gastos, sem finalidade racional e o agravamento do atraso do nível da população.

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domingo, 1 de agosto de 2010

Era assim há 139 anos. E agora?


"Excerto de "As Farpas" de Eça de Queirós, 139 anos depois...

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!»

Escrito em 1871, por Eça de Queirós, no primeiro número d'As Farpas.

Recebido por e-mail. Serve para compararmos com a actualidade e meditar sobre a «grandeza» dos portugueses.

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O povo gosta de continuar em crise…

Lendo o post A crise vem do tempo do Eça, vê-se que já em 1867 Eça de Queiroz dizia dos políticos os defeitos que hoje possuem. Mas, apesar de o regime não ser o mesmo, não há organismo que controle os desmandos dos líderes interesseiros e viciados, tendo que ser o povo (em democracia, é ele o detentor da soberania) que deve agir através do voto (votar em branco se os candidatos não são merecedores de aprovação) e manifestando-se de forma visível e determinada contra incompetências e desonestidades de quem está nos lugares de poder. Mas o sentir dos portugueses, «Não penso mas existo», origina esta apatia que vem de há séculos.

Qualquer órgão de fiscalização e moralização do regime seria constituído pelos políticos actuais, rústicos deslumbrados, novos-ricos, coniventes e cúmplices entre si, ávidos de benesses, do enriquecimento ilícito, do futuro tacho dourado nos bancos ou nas grandes empresas, em troca de favores que resultam sempre em prejuízo dos cidadãos anónimos.

Escolham-se pessoas isentas de pecado, sempre que possível ou tanto quanto possível. Os que alguma vez mentiram ou foram desleais aos interesses nacionais devem deixar de ter o voto de pessoas conscientes.

A culpa da situação pantanosa em que vivemos desde há muito (Eça definiu-a há 143 anos) é do povo que tem permitido ser explorado pelos deslumbrados que ambicionam a maior fortuna por qualquer meio.

O povo que não gosta de pensar, embora se lamente da crise, quer a sua continuidade, quer votar nos causadores da actual situação ou por terem errado ou por se terem omitido. A notícia Sondagem dá vitória folgada a Cavaco à primeira volta não surpreende e demonstra a apatia tradicional, é disso demonstração cabal.

Dar o voto a quem durante um mandato nada fez de especial, positivo, e teve várias situações dúbias. Sentiu-se na necessidade de tentar justificar a compra e venda das acções da SLN (BPN), a não exoneração do Conselheiro de Estado Dias Loureiro (BPN), o Estatuto dos Açores, as escutas no Palácio de Belém, a promulgação do casamento homossexual (mal argumentado) .

Se não fez melhor e foi por não ser capaz, não dá esperança de fazer melhor no segundo mandato. Se não teve coragem de lutar contra a crise económica, política e social com a intenção de poder ganhar as eleições para um segundo mandato, foi desleal a Portugal porque colocou os seus interesses pessoais acima dos interesses nacionais. Mas o povo não pensa e, segundo as sondagens, dá-lhe a vitória à primeira volta, enquanto ao único candidato que está virgem em manhas e vícios de políticos, dá apenas 10%.

O povo apesar de se queixar, gosta masoquistamente de continuar no mesmo lamaçal com os mesmos carcereiros. Cada povo tem o que merece, como no tempo do Eça, mas agora, com o inconveniente de estarmos em democracia e cada eleitor ter direito a um voto…

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