quarta-feira, 28 de abril de 2010

À beira do desastre financeiro

Esta noite o País está só

O País levou esta tarde um abanão financeiro tão forte quanto um sismo. A cotação do Estado português foi degradada para níveis próximos do alerta total. A cotação de cinco maiores bancos degradada foi em consequência.

Discutível que seja, a verdade é que os responsáveis internacionais convergem na ideia de que Portugal se aproxima da banca rota.

O triunfo das finanças sobre a economia, a geração de riqueza virtual e como tal especulativa, o ilimitado crédito, a demagogia governamental, a generalização do materialismo consumista, eis a receita explosiva.

Esta noite o primeiro-ministro, se tivesse o sentido da responsabilidade tinha aparecido na TV a dar a cara. Não esteve. Ele sabe que já não incute qualquer confiança. O demagógico e irresponsável discurso do optimismo balofo deu isto. Ele sabe que a aparecer seria motivo de desconfiança. Por isso esconde-se. O Presidente da República calado está. O País esta noite está sozinho a assistir à chegada do desastre. Portugal está à deriva.

Publicado por José António Barreiros no blog A revolta das palavras

9 comentários:

Luis disse...

Caro João,
Sinceramente temo que se caia na "banca rota" de um momento para o outro e depois... como sair dela?
Post muito oportuno e realista! Não me venham dizer que é alarmista!!!
Um abraço amigo.

Pedro Coimbra disse...

E o Ministro das Finanças aconselha a que se mantenha a calma.
A orquestra tocava enqunto o Titanic afundava, não era?
O exemplo frutificou.
Abraço

A. João Soares disse...

Caro Luís,

Claro que é alarmista, ou melhor, é um alarme muito sério, vindo de um pensador muito profundo e conhecedor das realidades que observa com minúcia e expõe com objectividade. Gosto da sua capacidade de dizer muito em poucas palavras deixando-nos a liberdade de meditar sobre os temas que apresenta.

Mas parece que ainda tens dúvidas das enormes dificuldades que nos esperam, devidas à incapacidade com que nos têm «governado». Tira a venda, despe a burka e olha bem para as realidades.

Repara que a crise global que nos tem afligido foi criada pela falta de ética dos bancos. Enquanto na América, em seis meses, foi julgado e condenado a prisão perpétua um «banqueiro habilidoso», em Portugal retiraram dinheiro público para entregar a um grupo de banqueiros criminosos. E poderá acabar por lhes ser dada a absolvição, tal como foi mantido em Conselheiro de Estado um deles, depois de graves suspeitas. Só acabou por ser exonerado a seu pedido!!! Isto não é um Estado, mas um grupo de malfeitores que entraram em casa alheia para dela retirarem tudo o que lhes possa interessar e deixando-a vazia e com as paredes em ruína. E, curiosamente, nesta opereta de mau gosto, os proprietários da casa, todos nós, acabamos por aplaudir os malandros.
E esta queda brutal da bolsa apareceu depois dos bonitos e inócuos discursos do 25 de Abril!!!! Anedotas num País de bananas!!!

Um abraço
João
Sempre Jovens

A. João Soares disse...

Caro Pedro Coimbra,

Este texto é da autoria de um seu colega muito ilustre, bem conhecido pelas suas posições na Ordem dos Advogados e pelo que dele se sabe quando esteve em Macau.
Não vou alongar-me depois do comentário anterior, mas não posso deixar de o felicitar pela imagem do naufrágio do Titanic. O ministro e o governo em geral são apologistas da eutanásia, ajudam o país a afundar sem dor. Quando acordarmos já estamos para lá das realidades dolorosas!!!
O lema do actual governo e talvez dos anteriores parece ser «quem vier a seguir que se amanhe» ou seguem o conselho de um humorista brasileiro: «Temos que roubar hoje porque amanhã pode já não ser possível»

Um abraço
João
Do Mirante

Fernanda disse...

Querido amigo João,

Cá estamos de pedra e cal a assistir a tudo isto sem mexer uma palha.
Isto sim é que me revolta.
O povo é quem mais ordena....
é assim a canção, mas nada... nadinha de nada!

Abraço

Na casa do Rau

A. João Soares disse...

Querida Ná,

Ia jurar que já tinha respondido a este seu comentário. Devo ter feito o clic em sítio errado!!!

O povo não ordena nem quer ordenar nem escolhe gente que saiba ordenar. A escolha também tem que se limitar à oferta das listas de desconhecidos, o que origina as abstenções e os votos nulos e em branco.

É necessário mudar o regime. É preciso um Código de conduta. Porque se com ele não se resolver o problema nacional a solução pode ser muito gravosa.

Parece que a mudança do regime pode vir de três formas:
- alteração das mentalidades dos actuais poderosos,
- intervenção militar, ou
- pela força popular.

Quanto à primeira modalidade, a experiência diz que nenhum regime é mudado por iniciativa interna, pois as pessoas estão demasiado viciadas, intoxicadas, e não vão de boa vontade prescindir dos seus privilégios e mordomias para eles e para os seus cúmplices afilhados.

Quanto à segunda, não parece haver hipótese, dadas as actuais características dos seus elementos e o entrosamento com os Estados parceiros na NATO, na UE, etc.

Resta a terceira, que será terrível, desorganizada, violenta, vingativa, em que não restarão vidros por partir nas montras de lojas onde haja valores a cobiçar, bancos, hipermercados, carros na rua incendiados, autarcas, governantes, administradores daqui e dali, … Depois, algum tempo depois, poderá surgir um líder com uma equipa que puxe as rédeas do País. Mas entretanto os estragos e as vítimas inocentes serão muitas e a dor traz o ódio. Seguir-se-á um poder musculado que poderá durar tempo demais. As vítimas não se limitarão aos actuais causadores da crise (isso seria o menos), mas atingirão vítimas inocentes, por ricochete.

Estes inconvenientes de uma acção popular propensa a excessos destruidores de recursos, poderá ser evitada se os actuais políticos se decidirem por aceitar consensualmente um Código de bem governar, como já aqui foi sugerido há cerca de um ano.

Haja bom senso e sentido de Estado de quem detém o Poder.

Beijos
João
Sempre Jovens

Paulo Lopes disse...

Agora que saquearam a pátria, será que vão mesmo entregar o cadáver aos seus legítimos donos? Querem ver que não há responsáveis nem mesmo para passar o testemunho?
Temos de ser nós a fazer essa entrega.
Viva Portugal!
Viva SAR D. Duarte de Bragança!

A. João Soares disse...

Caro Paulo Lopes,

A entrega do cadáver não está para breve. Se puderem retirar benefício da energia libertada com a cremação, só restarão as cinzas, que abandonarão. Se tem dúvidas, leia os dois posts seguintes. Veja quem manda efectivamente e com que propósitos.

Um abraço
João
Saúde e Alimentação

A. João Soares disse...

Caro Paulo Lopes,

A entrega do cadáver não terá lugar para breve. Hão-de querer aproveitar a energia da cremação e depois abandonarão as cinzas. São piores do que hienas. Nem os ossos deixam. Veja os dois posts seguintes e deduza a quem interessa o País e porquê. Quem manda efectivamente e quem está cumprindo directivas de quem. E Portugal chegou a ser a principal potência marítima do planeta!!!

Um Abraço
João
Saúde e Alimentação