segunda-feira, 19 de abril de 2010

Eliminação das armas nucleares

Depois de verificados no Japão os efeitos das armas nucleares, estas têm sido apenas utilizadas para fins dissuasores e tornaram possível que a Guerra Fria se mantivesse sem ebulição durante mais de três décadas, ou, em termos realistas, desde a II Guerra Mundial.

Mas há um aspecto pouco racional que carece ser explicado. Porque razão, sendo uma arma tão perigosa que acham não dever ser utilizada, ao ponto de os detentores quererem impedir a sua proliferação, isto é que não haja mais nenhum Estado de posse delas, porque não começam por destruir as que possuem? Que direito têm uns de as possuir e quererem impedir esse direito aos outros? Não havendo imperialismo nem colonialismo, não se compreende essa atitude.

E assim aparece a notícia «EUA não sabem como travar um Irão nuclear». Não sabem nem têm poder legal para o conseguir.

Mas não lhes seria tão difícil se, em vez dos tratados para a redução das AN, com os outros detentores confessos, assinassem tratados de compromisso de eliminação imediata das armas existentes e de não construírem outras nem permitirem, diplomaticamente, que surgissem novos Estados com poder nuclear. Deveria ser também assinada a aceitação e imposição de sistemas de verificação da energia nuclear para impedir a sua utilização bélica.

Dados esses passos para a desnuclearização do planeta para fins militares, deixaria de haver o problema que os EUA parecem ter com o Irão, com Coreia do Norte ou com a Líbia.

Os cidadãos de todo o mundo regozijariam muito com tais tratados e com o seu rigoroso cumprimento.

Utopia? Talvez, dada a loucura do Poder que transtorna os comportamentos dos políticos mais influentes. Mas se o é não deixa de ser solucionável se houver boa vontade e interesse em criar um ambiente de confiança e segurança, em que a guerra seja substituída pelo diálogo e pela negociação dos pequenos conflitos antes de se tornarem dramáticos. A inteligência dos animais racionais deve ser utilizada para benefício da humanidade.

4 comentários:

Luis disse...

Caro João,
A indústria do armamento, no mundo, é muito forte e não permite que se entre nesse tipo de acordos que os inibiria de ter os lucros "chorudos" a que se habituaram... Isso foi dito pelo então presidente General Eisenhower e ele sabia bem do que falava!
E essa indústria não tem Pátria ela está disseminada por todo o Mundo!
Tenho pena que assim seja pois concordo contigo que deveria acabar-se com as armas, particularmente com este tipo de armamento.
Um abraço amigo

A. João Soares disse...

Caro Luís,

Referes a situação no Mundo dito mais desenvolvido em que a incapacidade dos políticos é superada e explorada pelos interesses económicos.

A realidade mostra que uma grande potência, orgulhosa da sua supremacia de armamento e fazendo tudo para que os outros nunca se armem capazmente não constitui um factor de paz, de paz aceitável e confiante.

A pressão levada a cabo para impedir que outros países obtenham a arma nuclear, quando as grandes potências as querem manter é um contra-senso que estimula a Al-Qaeda e outros grupos a planearem golpes semelhantes ao das Torres Gémeas, a abates de aviões e a atentados em comboios e outros grandes aglomerados de pessoas: cada um usa as armas possíveis, já que as grandes potências mantêm e desenvolvem os sinais de hostilidade e agressividade potencial em exclusividade.

E quais são os resultados das guerras mais recentes? Os americanos têm sentido mana pele a quantidade de baixas no Vietname, no Iraque (por duas vezes) e no Afeganistão, além da retirada precipitada e nada honrosa na Somália.

Tudo isto deve fazer pensar seriamente na necessidade de, em vez das guerras, utilizar métodos mais civilizados de resolver conflitos internacionais.

Um abraço
João
Do Mirante

Boto Rosa disse...

O mais engraçado, que se for feita uma enquete: Quem é o vilão da história, quando se trata de armas nucleares ?
a. Irã
b. Eua

Adivinha quem ganha ?
De forma alguma defendo o Irã, muito menos os EUA!
Mas o fato que é que o Iraque eles tem coragem de peitar né, agora pq nao encaram Irã ? Coreia do Norte ?

Ah, também nao sou a favor a Guerras, pelo amor de Deus huasuhasuha!
Mas as vezes me pergunto!

abraços

A. João Soares disse...

Caro Boto Rosa,

Com o seu sentido do humor bem evidenciado no deu blog, coloca mais um ponto de reflexão: a visão prática da vida sobrepõe-se, por vezes da pior maneira, aos conceitos de moral e de ética, valores que os políticos já esqueceram há muito.
Mas quem ganha com guerras e com a corrida aos armamentos cada vez mais sofisticados e caros são os capitalistas do «complexo industrial-militar» a que já o General Eisenhower se referiu à laia de alerta para o futuro.
O mundo teoricamente nada perderia pelo facto de os Estados retirarem o pão aos seus povos para armazenarem armas que nunca usam. Mas para começar o povo fica privado desse dinheiro para o desenvolvimento e o combate à fome, e há o perigo de um dia um político acordar irritado e submeter-se à pressão do industrial e usar uma dessas armas. Hoje são muito mais potentes do que a de Hiroshima e imagine o desastre para toda a humanidade: destruição e morte na área inicialmente atingida, efeitos de radioactividade por todo o mundo devido à nuvem de cinzas radioactivas que é levada pelo vento a dar várias voltas ao globo com precipitação contaminadora, e com resultados que se prolongam por dezenas de anos. Poderia ser o início do Apocalipse.

Um abraço
João
Sempre Jovens