sexta-feira, 16 de abril de 2010

Estado incentiva o ócio?

A notícia do JN de hoje «Ofertas de salário são 9€ mais baixas que subsídio» traz à luz uma situação que parece irreal, por traduzir um incentivo à ociosidade, à recusa em trabalhar. É simples de ver, embora pareça que os governantes não conseguem compreender.

Ora vejamos: O salário mínimo nacional (remuneração por um mês de trabalho) é de 450€, mas o subsídio de desemprego (pago a quem não trabalha) é de 532€ (mais 18% do que recebem os que vencem o salário mínimo nacional!!!).

A notícia refere que em 2009, em média, as entidades patronais propunham aos candidatos inscritos em centros de emprego, para um trabalho a tempo inteiro, 523€ que, embora seja 16% acima do salário mínimo nacional, acaba por não ser aceite pelos candidatos porque continuando com o subsídio de desemprego recebem mais 9€. E como há situações em que a recusa faz perder o subsídio, alguns aceitam ir trabalhar durante um mês e depois entram novamente no desemprego, para ganharem mais e sem terem de cumprir horário, de aturar patrão e de trabalhar um pouco.

Parece que não há falta de oferta de emprego, mas há um atractivo subsídio de desemprego que é ofensivo para quem ganha o salário mínimo e que dificulta a satisfação da procura de trabalhadores por parte dos empresários.

Sugere-se a leitura da notícia para ter a noção do erro do sistema e dos brandos costumes, conivências e aproveitamentos, ligados à falta de rigor e de clareza das manhas praticadas pelos interessados e pelos tolerantes.

8 comentários:

Luis disse...

Caro João,
Este assunto já vem sendo tratado há muito tempo mas ninguém quer ver e porque será? Houve até quem lembrasse que muitos destes desempregados com esse subsidio ainda recorrem aos trabalhos de "gancho" ganhando assim muito mais do que se estivessem num emprego! Até há alguns anos atrás trabalhei numa empresa onde sempre tivemos falta de empregados, quando ouvia por todo o lado que faltavam empregos... O que acontece é que com estas leis criou-se a subsidiodependência, a ociosidade e a preguiça! Dessa forma os imigrantes ocupam esses lugares que poderiam e deveriam ser primeiramente ocupados por nacionais. Mas desta forma têm-se mais uns votos quando das eleições e por isso fica tudo na mesma...
Um abraço amigo.

Anónimo disse...

Não acertam/os uma.
O novo 'CEO' do PSD, até deu alguns bons sinais.
Problema, é que vem muito tarde.
Que fazer, como diria Ulianov?
Abr
BM

Kruzes Kanhoto disse...

Atendendo aos exemplos a que diariamente assistimos o subsidio de desemprego de uns quantos que não terão grande interesse em trabalhar não passa de uns míseros trocos. Talvez apenas uns segundos de um qualquer Mexia desta vida. E, ao contrário do que alguns argumentam, a EDP até pode ser privada mas é a ela que eu pago a conta da luz.

A. João Soares disse...

Caros amigos Luís, BM e Kruzes,

O problema focado não é o de o subsídio de desemprego ser grande, é o de o salário mínimo nacional ser muito pequeno, muito inferior a tal subsídio. E, por isso. constitui um desincentivo ao trabalho. Quem trabalha não pode receber menos do que os ociosos recebem do Estado.
Kruz coloca um outro problema diferente e fora do âmbito do tema do post, mas que raia o limiar da imoralidade. Num País pobre como este, em risco de entrar em insolvência como a Grécia e, há poucos anos, a Argentina, é imoral os gestores receberem tantos milhões, além de regalias adicionais de que gozam. E é escandaloso que tentem justificar-se com legalidades que eles próprios criaram. Só num Estado de fantasia se permite em empresas em que o Estado pode colocar os seus meninos da claque do partido do Governo, seja,m ou não do Dragão, se esbanje tanto dinheiro com os gestores, à custa dos utentes dos serviços e dos preços que os clientes têm de pagar.
Mas julgo que isto não irá prolongar-se por muito tempo e, se os do Poder não encontrarem solução adequada em tempo útil, poderão ver-se confrontados com situações que lhes não agradarão. Já se fala em facas de bacalhau que estão a ser afiadas! Devem começar a pensar que os poderosos também podem ser abatidos: Indira Gandhi, o seu filho Rajiv Gandhi, Anuar El Sadat, John Kennedy, Sukarno, etc.

Abraços
João

A. João Soares disse...

Tem interesse a leitura do artigo de opinião do Jornal de Notícias de 18 de Abril de 2010, de José Leite Pereira, para o que basta fazer clic no link seguinte:

Receber para não trabalhar

A. João Soares disse...

Mais de duas semanas depois de publicado este post, o seu título, com ligeira alteração, é utilizado por um líder de bancada parlamentar, como se vê no título desta notícia do jornal PÚBLICO. Líder parlamentar do CDS-PP defende que Estado não deve "financiar preguiça"

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Concordo com o A. João Soares. não é o subsídio de desemprego que é demasiado generoso, os salários é que são demasiado baixos.

As prestações sociais servem, de resto, não só para garantir níveis de sobrevivência minimamente dignos, mas também - e talvez sobretudo - para permitir às pessoas não aceitar qualquer trabalho por qualquer preço.

Ou seja: sem o tal "subsídio à preguiça", os salários de quem trabalha seriam ainda mais baixos. E é claro que é exactamente isto que o CDS quer.

A. João Soares disse...

Caro Sarmento,

Realmente os salários são de miséria, quer em comparação com os da vizinha Espanha, quer, principalmente, com as pipas de massa dos gestores que, como os da REN pedem para não dar publicidade às suas remunerações, Gestores da REN ocultam salários, tal é a consciência de culpa que os apoquenta mas que não os impede de explorar os trabalhadores para seu benefício próprio. Com uma distribuição da riqueza de forma mais justa, os subsídios podiam ser mais elevados, mas deviam ser mais controlados para não serem incentivo ao ócio.

Abraço
João
Do Miradouro