quarta-feira, 21 de abril de 2010

Como será o mundo amanhã?

Durante um convívio, juntaram-se três indivíduos, A, F e J, e entranharam-se em conversa de «alta estratégia!» Todos tinham sido, por dever de ofício, habituados a olhar o mundo como se estivessem num satélite a observar o globo para o compreender com rigor e isenção, mas sem se embrenharem em afectos. Cada actor da estratégia mundial tem os seus motivos e ambições que não podem ser ignorados por quem os queira compreender, mas a sua análise exige um esforço de isenção.

O A colocou algumas interrogações acerca de qual será a evolução dos problemas que se desenham nas relações internacionais, com o aparecimento de novos focos de poder e da transformação do mundo bipolar num outro multipolar, menos definido, com interacções muito complexas.

O F, muito condicionado pelos raciocínios do tempo da guerra fria em que a Europa era o relvado onde se poderia travar o duelo entre as duas forças do mundo bipolar, referia autores como Arnold J. Toynbee, Joseph Alois Schumpeter, Samuel Huntington, Francis Fukuyama e outros, mas não se afastava muito da ameaça de confrontação militar em que a arma nuclear poderá continuar a ser um factor considerável, daí os atritos actuais entre os detentores da AN e os que se propõem obtê-la.

O J nos seus idealismos utópicos, mostrava ser desejável substituir as armas pela diplomacia, embora reconhecesse que esta precisava de um poder dissuasor convincente enquanto as pessoas sejam mais sensíveis a ele do que aos argumentos morais ou éticos.

E como se entenderão os novos poderes agora emergentes? Sendo real que a economia condiciona a política, como será a confrontação pela posse dos recursos naturais de importância estratégica? Como se desenrolará a confrontação dos poderes na África, fonte de muitos recursos naturais, alguns de alto valor devido à sua raridade? E perante todo esse conflito por trunfos económicos, como reagirão grupos informais, como a Al-Qaeda, o islamismo e outros grupos menos visíveis que poderão aparecer em palco?

E em frente de tanta incerteza, como se irá transformar a democracia? E a Europa como reagirá a este seu continuado apagamento na arena internacional, cada vez mais dependente de recursos humanos exteriores? Até quando a Zona Euro e a União Europeia se aguentarão? E Como terminará a União? E qual o papel das religiões no percurso internacional dos próximos anos?

E internamente, o aparecimento de agrupamentos sociais para a arte popular, o desporto, etc., como poderá vir a ser aproveitado para movimentos sociais? Quem os dominará e para quê, com que resultados práticos? Como será o novo PREC, tendo em conta o de 1974-75 e as influências potenciadoras das actuais facilidades de comunicação?

E se a crise financeira interna exigir medidas de rigor que impeçam as nomeações políticas para cargos administrativos, e a quantidade de pessoal além do necessário, e se disciplinem os procedimentos combatendo a corrupção e o enriquecimento ilícito, e se reforme o ensino por forma a preparar pessoas capazes de raciocinarem correctamente para impedir o consumismo, o abuso do crédito e a submissão à publicidade e se tenha de aceitar a ingerência de representantes do FMI ou da EU, para entrar num rumo de restauração e de modernidade, com racional gestão dos recursos existentes? Que hipóteses poderão ser formuladas para enfrentar tão complexo novelo de interrogações?

3 comentários:

Luis disse...

Caro João,
A estas tuas perguntas junto estas:
Para que foi criada uma força dissuasora na UE, extra-nacional, que pode intervir nos diversos estados da UE mesmo sem ser a pedido dos respectivos Chefes desses estados?
Porquê parecem querer acabar com as FA?
Será porque o poder económico é suficiente para dominar os mais fracos?
O Mundo de Amanhã vai ser catastrófico disso não tenho dúvidas...
Um abraço amigo.

A. João Soares disse...

Caro Luís,

Muito obrigado pelas tuas achegas. Pões o dedo num aspecto significativo, o das FA. Mas há lógica
As sociedades actuais teimam em destruir todas as referências a valores sustentadores e que deviam ser sustentáveis e lançar a humanidade na bagunça da adoração ao «vil metal». Há dois pilares a destruir: a religião cristã e as forças armadas. A primeira porque defende os valores morais e éticos, as segundas porque têm uma noção de dever, de responsabilidade envolvidas em disciplina e hierarquia bem definidas e envolvidas por forte patriotismo. Ambas as instituições são sistematicamente atacadas e demolidas estando à beira do desaparecimento.
Para que a corrupção e o enriquecimento ilícito sejam fáceis ´, essas instituições têm que desaparecer porque são empecilhos. A campanha segue a um ritmo cientificamente preparado.

Um abraço
João
Sempre Jovens

A. João Soares disse...

Três links para abrir notícias de hoje que contribuem para melhor compreender as preocupações quanto ao dia de amanhã:

- Mais sete mil desempregados por mês até ao final do ano
- Alfredo José de Sousa: "Preocupam-me decisões com dinheiros públicos"
- FMI arrasa futuro da economia nacional

Agradece-se aos amigos visitantes que dêem elementos adicionais para ajudar a esclarecer e a formular hipóteses de solução.

Cumprimentos
João
Saúde e alimentação