Depois dos posts Chamem o ‘Guinness’, Mais infantilidades ou meras incoerências? e Super-gajo modelo nacional, surge agora este texto no JN que nos ajuda a pensar na forma como está a ser construída a cúpula do poder que pretende governar Portugal, condicionar o destino dos portugueses. Será bom que estes meditem bem na responsabilidade que têm de votar nos seus carrascos, e reparem que não é por acaso que surgem apelos ao voto em branco e, agora, o partido do voto nulo que ataca a abstenção. Não se deve dar o voto a quem não considerarmos merecedor, E há, na actual situação, alguém que o mereça?
Os comediantes
JN. 090810. Por Mário Crespo
Ao pedir a um cunhado médico que lhe engessasse o braço antes de uma prova judicial de caligrafia que o poderia incriminar, António Preto mostrou ter um nervo raro. Com este impressionante número, Preto definiu-se como homem e como político. Ao tentar impô-lo ao país como parlamentar da República, Manuela Ferreira Leite define-se como política e como cidadã. Mesmo numa época de grande ridículo e roubalheira, Preto distinguiu-se pelo arrojo e criatividade. Só pode ter sido por isso que Manuela Ferreira Leite não resistiu a incluir um derradeiro arguido na sua lista de favoritos para abrilhantar um elenco parlamentar que, agora sim, promete momentos de arrebatadora jovialidade em São Bento.
À tribunícia narrativa de costumes de Pacheco Pereira e à estonteante fleuma de João de Deus Pinheiro, vai juntar-se António Preto com o seu engenho e arte capazes de frustrar o mais justiceiro dos investigadores. Se alguma vez chegar a ser intimado a sentar-se no banco dos réus, já o estou a ver a ir ter com o seu habitual fornecedor de imobilizadores clínicos para o convencer a fazer-lhe um paralisador sacro-escrotal que o impeça de se sentar onde quer que seja, tribunal ou bancada parlamentar.
Se o convocarem para prestar declarações, logo aparecerá com um imobilizador maxilo-masséter-digástrico que o remeterá ao mais profundo mutismo, contemplando impávido com os olhos divertidos de profundo humorista os esforços inglórios do poder judicial para o apanhar, enquanto sorve, por uma palhinha apertada nos lábios, batidos nutritivos com a segurança dos imunes impunes.
Em dramatismo, o braço engessado de Preto destrona os cornos de Pinho. Com esta escolha, Manuela Ferreira Leite veio lembrar-nos que também há no PSD comediantes de grande calibre capazes de tornar a monotonia legislativa no arraial caleidoscópico de animação que está a fazer do Canal Parlamento um conteúdo prime em qualquer pacote de Cabo.
Que são os invulgares familiares de José Sócrates, o seu estranho tio ou o seu temível primo que aprende golpes de mão fatais na China, quando comparados com um transformista que ilude com tanta facilidade a perícia judiciária? António Preto é mesmo melhor que Vale e Azevedo em recursos dilatórios e excede todos os outros arguidos da nossa praça com as suas qualidades naturais para o burlesco melodramático.
Entre arguidos, António Preto é um primo inter pares. Ao fazer tão arrojada escolha para o elenco político que propõe ao país como solução para a nossa crise de valores, Manuela Ferreira Leite só pode querer corrigir a percepção que o eleitorado possa ter de que ela é uma cinzentona sem espírito de humor e que o seu grupo parlamentar vai ser o nacional bocejo.
A líder social-democrata respondeu às marcantes investidas de Pinho com as inimitáveis braçadas de Preto. Arguidos na vida política há muitos, mas como António Preto há só um. Quem o tem, tão fresco e irreverente como na primeira investigação judicial, é Manuela Ferreira Leite e o seu PSD. Karl Marx, na introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, escreve que "a fase final na história de um sistema político é a comédia". Com estas listas do PSD e com a inspiração guionística de António Preto, Ferreira Leite está a escrever o último acto.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Política, comédia ou palhaçada
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A. João Soares
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Etiquetas: abdicação cívica, civismo, Democracia
Como funciona a Justiça???
Transcrição de artigo do JN que mostra mais um caso estranho do funcionamento da Justiça perante os poderosos. É suposto que os governantes nomeiam para cargos de alta responsabilidade, como é a Casa da Moeda, pessoas de comprovada honestidade e competência, não se deixando tentar por oferecer o lugar, como presente, a um «boy« da família ou da amizade. Ora se esse indivíduo trai a confiança que nele foi depositada e perde a noção da responsabilidade, não pode merecer clemência da Justiça, porque outros cidadãos por muito menos sofrerão penas muito mais pesadas.
Pena suspensa para furto de meio milhão em selos
JN. 090810. Nuno Miguel Ropio
Ex-director da Casa da Moeda condenado a quatro anos só tem de devolver quatro mil euros
O ex-director de divisão de moeda da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, António Miguel Trigueiros, foi condenado a quatro anos de prisão, com pena suspensa, pelo furto de meio milhão de euros em selos daquele organismo.
Especialista em numismática e autor dos mais conceituados estudos sobre moeda em Portugal, António Miguel Trigueiros foi ainda condenado pela 1.ª Vara Criminal da Cidade Judicial, em Lisboa, a indemnizar em quatro mil euros, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) pelo impacto negativo que o caso teve na imagem da instituição. Um valor bem diferente dos 100 mil euros que eram pedidos a título indemnizatório.
O colectivo de juízes fez depender também a suspensão da pena de quatro anos de prisão, pelo crime de furto qualificado, do acompanhamento e respectivos relatórios do Instituto de Reinserção Social.
Como atenuantes, o acórdão teve em conta que o historiador referiu ter somente, com a mulher, um rendimento mensal que não ultrapassa os 1900 euros - para fazer face a despesas de 1700 - e o facto de não ter antecedentes criminais. Ora, o JN sabe que, o investigador, de 65 anos, se prepara para chegar a tribunal devido a um outro processo, em que terá burlado em milhares de euros o Museu da Marinha com medalhas falsificadas.
O tribunal considerou provado que, para furtar 14 envelopes de provas de selos, postais e estampilhas do cofre da INCM, António Miguel Trigueiros aproveitou-se do seu passado enquanto antigo director adjunto de divisão da moeda.
Mesmo depois de ter sido despedido da instituição, no fim da década de 90 [do século XX], o ex-dirigente continuou a ter entrada livre ao arquivo, onde nunca lhe foi barrado o acesso para tirar todo o tipo de documentação destinada à elaboração dos seus trabalhos.
Segundo a juíza-presidente Elisabete Reis, após o período de 2001 a 2004, em que elaborou a obra "A grande história do escudo português", o investigador voltou a frequentar com maior assiduidade a INCM a partir de Outubro de 2005, alegando estar a trabalhar numa tese de doutoramento para o Instituto Superior de Economia e Gestão.
Conhecido pelos funcionários, nunca se suspeitou que as suas visitas servissem para retirar mais de meio milhão de euros em documentos históricos. O modo como as coisas aconteciam era simples: ia ao cofre, trazia um envelope, despejava o seu conteúdo em cima da mesa, misturava papéis seus com os documentos e, no fim, ia tudo para dentro da sua mala. O que regressava ao depósito da INCM mais não era do que um envelope vazio.
A investigação da Directoria de Lisboa da PJ só se iniciou em Dezembro de 2005, quando a directora do arquivo da INCM, Margarida Ramos, foi alertada pelo advogado portuense Claudino Pereira, que havia descoberto numa leiloeira algumas das raridades furtadas, correspondentes ao final da monarquia e inicio da república.
Em Fevereiro de 2006, António Miguel Trigueiros viria a ser detido e nessa ocasião foram resgatados cerca de 388 mil euros em selos.
Já em fase de julgamento, o condenado viria a entregar no Tribunal Boa Hora, em Lisboa, outro tanto material. Parco em palavras, justificou a sua acção com a necessidade de levar para casa os materiais para os poder estudar melhor e à inexistência de uma fotocopiadora na instituição.
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Etiquetas: honestidade, justiça, sentido de responsabilidade
domingo, 9 de agosto de 2009
Políticos que devemos respeitar???
Transcreve-se este artigo do JN que mostra que, na nossa democracia (já com 35 anos), a competição entre facções se resolve com cadeiradas em vez de argumentos na luta de ideias e de projectos para melhoria da vida dos cidadãos. Faz falta um manual ético para políticos que crie condições de motivo para respeitarmos aqueles em quem delegamos os poderes de soberania.
Eleição no PS da Sé acaba à pancada
JN. 090809. MARTA NEVES
O acto eleitoral para escolher o responsável pela secção do PS da Junta de Freguesia da Sé, no Porto, foi anulado, ontem, sábado, à tarde, na sequência de uma cena de pancadaria. Duas pessoas receberam assistência hospitalar.
José António Teixeira, presidente da Junta de Freguesia da Sé e líder da lista B na dita eleição, descreveu, ao JN, o incidente, que aconteceu no secretariado do Partido Socialista, na Viela do Sol, como um "acto pouco digno de uma democracia madura".
"O meu filho (Sérgio Alexandre, 27 anos) estava na fila para proceder ao acto eleitoral, juntamente com vários militantes, quando foi agredido com uma cadeira por Jerónimo Castro (presidente da Assembleia da Junta da Sé), que se encontrava na mesa de voto, juntamente com o filho, Miguel Castro, delegado da lista A". "Há dois anos que estes senhores têm-me feito uma vergonhosa oposição, mas nunca nada chegou a este ponto", afirmou José António Teixeira.
Tendo as eleições para o Secretariado da Secção do PS da freguesia da Sé ficado anuladas, o Autarca lamentou que "este problema tenha que ser resolvido pela concelhia do PS".
Já Miguel Castro, em declarações à Lusa, disse que "o presidente da Junta invadiu a assembleia de voto, acompanhado do seu filho e de mais três pessoas, e, após várias provocações" agrediu-o a si e ao presidente da mesa, Jerónimo Castro.
Ao que o JN conseguiu apurar, o filho do presidente da Junta de Freguesia da Sé foi ao Hospital Santo António "tratar de uma agressão no sobrolho", segundo disse o pai. Também Miguel Castro recebeu tratamento, na mesma unidade hospitalar, a diversas escoriações na face.
Denúncia de desvio de verbas
O advogado Miguel Castro tem encabeçado uma forte oposição ao actual presidente da Junta da Sé, José António Teixeira. Foi Miguel Castro quem denunciou o alegado desvio de verbas da autarquia. Em causa neste processo, que o Ministério Público decidiu levar a julgamento (a 27 de Outubro, no Tribunal de S. João Novo), estão 4900 euros que alegadamente foram transferidos pela Junta para a conta da mulher do presidente. Em 2006, o presidente terá solicitado que lhe fosse adiantado o valor de três salários e o subsídio de féria desse ano. Para além de ter recebido o adiantamento, José António Teixeira terá continuado a receber os vencimentos que já tinham sido adiantados. Coube igualmente a Miguel Castro, membro da Assembleia de Freguesia da Sé, impugnar, em Abril de 2008, as eleições para o Secretariado da Secção da Sé do PS.
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Etiquetas: «boys», dignidade, ética, interesse pessoal
CDS acusa. PS responde
Transcreve-se artigo do JN que mostra uma imagem de que nem sempre os interesses de Portugal estão acima da arrogância anti-democrática com que são defendidos os interesses do «campeonato» inter-partidário. Faz falta um código de bem governar, aceite por todos os partidos e que crie condições para uma maior convergência das políticas partidárias para bem do futuro dos portugueses.
CDS acusa PS de plagiar propostas que chumbou
JN. 090808. ALEXANDRA INÁCIO
Populares analisaram programa eleitoral socialista e dizem que 30 medidas são ideias suas.
O CDS-PP acusa o PS de incluir no seu programa eleitoral 30 medidas que foram apresentadas pelos populares durante a legislatura e chumbadas pelos socialistas. "Estão a tentar desviar as atenções", responde o PS.
"É o reconhecimento do fracasso; a confissão de culpa da má governação do PS", defendeu ao JN o líder da bancada do CDS-PP. "Quando apresentámos, no Parlamento, os projectos de lei e de resolução sobre as PME's [Pequenas e Médias Empresas] insultaram-nos, chamaram-nos de populistas e demagogos e agora incluem as medidas no seu programa", afirmou Pedro Mota Soares.
Já o porta-voz do PS insiste ao JN que o programa eleitoral do PS "foi concebido e realizado de forma transparente" com o "apoio de diversas pessoas nos fóruns Novas Fronteiras".
"Do lado do CDS, tanto quanto sabemos, ainda não há programa", frisa João Tiago Silveira, argumentando que as acusações dos populares "soam a desculpas de mau pagador por ainda não terem programa eleitoral, nem propostas para os portugueses. Querem desviar as atenções desse facto".
Além das medidas de apoio às PME's e outras na área da Economia e Finanças, o CDS encontrou coincidências nas propostas do PS para as áreas da Educação, Agricultura, Saúde, Solidariedade e Segurança - áreas estratégicas, "onde o discurso do CDS tem sido mais forte". "O PS promete muito em vésperas de eleições mas tem de ter crédito junto dos eleitores", prossegue Pedro Mota Soares, argumentando que os socialistas perderam esse crédito depois de terem "recusado sistematicamente medidas" que agora, a menos de dois meses das legislativas, passaram a defender.
O CDS só apresentará o seu programa eleitoral "no seu tempo próprio". No entanto, Pedro Mota Soares admitiu ontem ao JN que muitas das medidas chumbadas e agora propostas pelos socialistas são "bandeiras" do CDS, pelo que voltarão a ser defendidas para as legislativas. A diferença "é que nós temos crédito porque já nos batemos por elas", repete.
"O CDS fala muito mas concretiza pouco", defende João Tiago Silveira; e, referindo-se ao exemplo das PME's, sublinhado pelos populares, comenta: "Quando o CDS esteve no Governo, o número de PME'S apoiadas por linhas de crédito eram 1500. Neste momento, com o PS, é superior a 30 mil, com três mil milhões de linhas de crédito aprovadas. Portanto, os factos revelam que quem apoia as PME's são os governos PS e não os da Direita".
"Articular as linhas de crédito das PME's com os mecanismos de regularização das dívidas ao fisco e à Segurança Social"; "o pagamento das dívidas do Estado a 30 dias"; a redução dos prazos do IVA" - são apenas algumas das medidas que constam do programa eleitoral do PS e que o CDS reclama a paternidade. Há outras mais genéricas, como o aumento das pensões mínimas ou o reforço da autoridade do professor, que os socialistas desvalorizam, alegando que há temas comuns aos programas de todos os partidos.
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Etiquetas: desenvolvimento, interesse nacional, política
Justiça que temos
Transcrição de artigo do JN pouco gerador de optimismo.
Justiça: A montanha e o rato
JN. 090809. Por Nuno Miguel Maia
Por que é que vários processos-crime envolvendo políticos e figuras públicas terminam em absolvições ou condenações a penas suspensas? Que explicação dão os advogados para esta realidade?
Vinte e três de Fevereiro. Em Lisboa, Domingos Névoa, dono de um império na construção em todo o país, é condenado a multa de cinco mil euros por ter tentado corromper o vereador da Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes. Em Braga, uma idosa conhecida do dono da Bragaparques, mostra-se perplexa: "Então o sr. Névoa foi autuado?..." Imaginaria, antes, uma pena de prisão. Mas, afinal, o desfecho foi quase comparável a multa de estacionamento ou por excesso de velocidade.
Mas, então, o que justifica que, em vários casos, "a montanha tenha parido um rato"? O que está por trás da absolvição de Fátima Felgueiras, no desvio de milhões da Câmara para o futebol, ou da pena suspensa no "saco azul"; de Avelino Ferreira Torres, absolvido de corrupção; de Pinto da Costa, ilibado de corrupção no futebol; de uma advogada acusada de mais de 600 crimes de corrupção e imigração ilegal e condenada a pena suspensa por apenas três ilícitos; da operação "Furacão", em que, apesar da detecção de uma gigantesca fraude ao Fisco, pode terminar com o simples pagamento de impostos ao Estado?
A condenação de Isaltino Morais, esta semana, a sete anos de prisão parece ser a excepção à regra. Ou talvez não. É que sobre o ex-ministro do PSD pendia a acusação de branqueamento de capitais, por ter ocultado 1,2 milhões de euros na Suíça. Mas, afinal, apenas ficou provado branqueamento de 35 mil euros. E dos três crimes de corrupção, só foi provado um, referente a um cheque de 20 mil euros.
Muitos outros exemplos existem de processos envolvendo políticos e figuras públicas em que as acusações pouco ou nada coincidem com a decisão final - absolvições ou penas de prisão suspensas. Haverá investigações mal feitas? Acusações fantasiosas? Maus juízes e procuradores que validam os indícios e os levam a julgamento sem provas? Manobras dos arguidos ou habilidade dos advogados?
"Sistema penal português é brando"
"O problema começa nas expectativas criadas em determinados casos. Há afirmações de responsáveis que propagam a ideia de que 'ninguém vai ficar impune' ou então cria-se equipas específicas para processos concretos...", afirma Gil Moreira dos Santos, 68 anos, advogado, entre outras figuras, de Pinto da Costa e Avelino Ferreira Torres.
"Há um longo caminho até à decisão final que pode levar à volatilidade da prova. E nos julgamentos, principalmente nos casos políticos, há indefinições legislativas que condicionam. Como acontece com a perda de mandato, prevista na lei desde 1987. As próprias testemunhas pensam duas vezes se vale a pena colaborar com a Justiça, se amanhã não serão prejudicadas pelos arguidos, e isso influencia o depoimento", acrescenta, lançando uma questão: "Por que o poder político ainda não acabou com a ambiguidade da norma que decreta a perda de mandato?" Isto porque a lei pode permitir duas leituras distintas: o mandato a perder por causa da prática de crimes é o da prática dos factos - geralmente muito anterior à data da condenação; ou o mandato em vigor aquando da condenação tornada definitiva.
Também no plano das expectativas iniciais dos processos e os resultados finais de menor expressão, Rui Patrício, advogado da sociedade "Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva", diz existirem casos que resultam em falhanço por "razões patológicas" do Sistema de Justiça.
Embora salientando ser "normal, saudável e até desejável" a ocorrência de diferença significativa entre acusação e decisão final, por representar o "funcionamento do sistema", o causídico que intervém em processos como Furacão, Entre-os-Rios, e casos em redor do Millennium-BCP e Câmara de Lisboa identifica três possíveis razões "patológicas" para a condução a tal realidade: "acusações infundadas", casos em que "há mais olhos do que barriga"; "decisões finais erradas", por erro de julgamento; e "decisões baseadas em erros processuais", que geram "nulidades de prova".
Noutra vertente, o advogado entende existirem "acusações em redor das quais se fez grande alarido que dão em condenações tidas por brandas". "Em primeiro lugar, o sistema penal português é, todo ele, brando, e a meu ver bem; segundo, existe uma hierarquia de valores e bens jurídicos, à qual corresponde uma hierarquia de penas, sendo que muitas vezes os processos à volta do quais se faz grande alarido (e que, por isso, despertam mais sede de justiça severa na opinião pública) correspondem a ilícito que não estão na parte superior daquela hierarquia, mas na parte inferior, como é o caso dos chamados crimes económicos", defende.
Por outro lado, este jurista alega existir "excessiva mediatização dos processos" e que isso "faz com que os cidadãos em geral vivam de forma mais intensa os processos e que, por isso, seja mais intensa a sua necessidade de retribuição, através de penas duras, o que mais se intensifica em alturas de crise e insegurança, como a presente".
Outro advogado ligado a vários casos em que "a montanha pariu um rato", Artur Marques considera que, na maior parte dos casos, o problema está no excessivo "distanciamento" do Ministério Público durante a fase de inquérito, quando efectuado pela Judiciária, PSP ou GNR.
"A investigação é feita por pessoas com faro policial, orientadas por suspeitas, mas falta-lhes o faro jurídico. Fazem o relatório final, documento apetecível, que o Ministério Público transforma em acusação", diz o defensor de Fátima Felgueiras e Domingos Névoa, assumindo que "é facílimo defraudar expectativas". Diz que "as absolvições ou as penas brandas não podem ser vistas como a negação da justiça, pois são exactamente o contrário". Dá um exemplo: na última absolvição de Fátima, a autarca era acusada de, sob o pretexto de obras num estádio, ter usado dinheiro público para financiar ilegalmente o futebol profissional em Felgueiras. Mas a investigação "não averiguou se o dinheiro foi mesmo gasto no futebol ou se houve obras no estádio". "Limitaram-se a detectar que algum dinheiro não foi para empreiteiros e serviu para pagar empréstimos a um banco. Mas estes, por sua vez, tinham sido para pagar obras!".
sábado, 8 de agosto de 2009
Contribuintes pagam abate de carros
Há dias que ando a magicar neste tema, mas fui ultrapassado por outros assuntos. Hoje apareceu o artigo de Ferreira Fernandes que me fez avançar. Transcrevo-o e no fim exprimo algumas reflexões.
A revolta dos carros para abate
DN. 090808. por Ferreira Fernandes
Ubasute, o lugar onde se abandona a velha mãe, pertence ao folclore japonês. Sobe-se à montanha e deixa-se lá, sozinha, aquela que já não espera nada. Na década de 80, Shohei Imamura fez um belo e celebrado filme sobre essa lenda, A Balada de Narayama. Há ainda um poema doloroso e irónico de uma mãe que, transportada às costas do filho até à montanha de Ubasute, vai deixando parte do seu corpo para que o seu menino saiba o caminho de volta.
Desde ontem, também os donos dos carros a cair da tripeça podem levá-los ao abate (de Ubasute?) e trocá-lo por 1500 euros. A vida tem de ir para a frente e a Associação Automóvel de Portugal (ACAP) aplaude a medida, necessária para combater a crise dos vendedores de automóveis. Mas os velhos Toyotas e outros Fiats são menos fiéis que a velha mãe do poema.
Podem vingar-se, como se descobriu também esta semana na Alemanha. Lá o incentivo é de 2500 euros e tem sido um sucesso (aumentou as vendas de novos em 30%). Mas descobriu-se que mais de 50 mil carros, falsamente dados para abate, foram exportados. O prémio para o abate foi um incentivo para o crime organizado. A falta de compaixão paga-se caro.
Ferreira Fernandes
NOTA: Esta medida que desencaminha muito dinheiro dos impostos pagos pelos contribuintes só produz benefício para a Associação Automóvel de Portugal (ACAP) que, como diz o autor, deve aplaudir a medida. Os vendedores de automóveis regozijam-se. Mas os menos privilegiados pela sorte que trabalham com as mãos sujas de ferrugem, nas muitas oficinas de reparação que existem por todo o País têm que pensar outra vida, porque deixa de haver carros velhos a precisar do seu serviço.
Só há benefício para os grandes grupos de importadores e vendedores de carros novos, enquanto os pequenos reparadores vão para o desemprego, e isto à custa do dinheiro dos contribuintes.
Outro aspecto não menos significativo é o incremento que esta medida dá ao espírito consumista, de desperdício, de ostentação, contrariando a necessidade de uma mentalidade de gestão de todos os recursos que devia nascer desta crise. Isto mostra que o Governo pretende que quando cai um botão da camisa, em vez de pregar o botão, se deve destruir essa peça de roupa e comprar uma nova. Parece que, pelo contrário, a crise devia ter levado as pessoas a pensar conservar o carro enquanto a sua utilização for compensadora e a dar preferência aos transportes colectivos.
Curioso também é que já há carros a mais como se vê na falta de espaço para estacionamento, na quantidade de carros que circulam apenas com o condutor, nas famílias em que há um carro para cada pessoa, ao mesmo tempo que em Portugal não existe indústria nacional de construção de viaturas.
Pergunto: em que medida se pensou nos interesses nacionais, e que objectivo nacional pretendem atingir com tal decisão? Mas há interesse dos políticos em beneficiar os donos da alta finança e das mais fortes empresas.
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Etiquetas: consumismo, poder económico
Planeamentos irreais
Gostaria de ter razões para ser optimista e ter esperança acerca do futuro de Portugal. Esforço-me por isso, mas, a par de uns poucos exemplos positivos, sou alagado sucessivamente por baldes de água fria que quase me deixam sem respiração.
Hoje vem a público a notícia de que há um grande «Fracasso na venda de equipamento» militar e ela aparece noutro jornal com o título «Vendas na Defesa só rendem 13 milhões» tendo o planeamento previsto 90 milhões.
Portanto apenas houve uma eficiência de pouco mais que 14% na concretização do planeado, o que representa nulidade dos planeadores, pois seria aceitável que, ao contrário, a eficiência fosse de 85 por cento e a falha de 15 por sento, o que já é muito, mas uma eficiência de apenas 14 por cento é um escândalo, embora se reconheça que o mercado não é tão previsível como o material.
Mas curiosamente, o plano referia-se a material e este não estava em condições correspondentes aos números constantes no plano. Por exemplo, estava previsto vender por 15 milhões de euros 10 aeronaves [C212 Aviocar] que estão há bastante tempo na situação de inibidas de voo, encontrando-se, regra geral, incompletas e, algumas delas, sem os respectivos motores, sendo somente possível a sua alienação como sucata ou para fins museológicos".
São casos como este que levam Luís Campos Ferreira a afirmar que "esse orçamento é exemplo do que este Governo tem feito nas mais diversas áreas: um enorme abismo entre as previsões e a realidade. O que este Governo tem feito são exercícios de ilusionismo".
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A. João Soares
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Etiquetas: capacidade, competência, eficiência, rigor
Distribuição com exploração imoral
Por ter sido repetido tantas vezes, ninguém ignora que os produtos agrícolas e piscícolas são vendidos aos consumidores a preços que são por vezes mais de dez vezes superiores aos de saída da mão do produtor. Isso deve-se a cadeias de sucessivos distribuidores em que cada um insere uma margem de lucro excessivamente alta e traduz-se na exploração do trabalhador na produção e do consumidor que paga preços exorbitantes elevados e injustos.
Estes inconvenientes poderiam combater-se por diversas formas, sendo uma delas a de os produtores se organizarem (ao exemplo das cooperativas vitivinícolas) e criarem um esquema próprio de colocação dos produtos mais próximos dos consumidores, fazendo assim concorrência aos exploradores da distribuição que obtêm riqueza pessoal à custa de quem produz e de quem consome, sem aumentarem qualidade ao produto. Para esta solução, seria necessário apoio das autarquias, tal como acontece em Sever do Vouga com o mirtilo.
Chega agora dos Açores a notícia de que «Carlos César acusa vendedores de ficarem com o lucro dos pescadores» em que salienta a necessidade de "um maior sentido de justiça" na remuneração dos homens do mar, e critica as "graves distorções" verificadas na venda do pescado, que acabam por retirar grande parte do lucro "a quem trabalha".
Afirma que "temos assistido a situações em que o preço da primeira venda do pescado acaba por ser quatro ou cinco vezes menor do que aquele que representa a sua venda ao consumidor" e frisa que "alguém fica indevidamente, ou de forma exagerada, com essa remuneração acessória nos bolsos, em detrimento daqueles que trabalham na actividade da pesca".
Apesar da forma negativa como este político tem sido criticado no referente ao Estatuto dos Açores, temos que sublinhar esta atitude corajoso e muito pouco frequente no resto do País com que enfrenta os poderosos da economia que, sem oferecerem benefício aos produtos que exploram, obtêm injustificados lucros.
Portugal beneficiaria se todos os autarcas e demais autoridades seguissem este exemplo do chefe do Governo açoriano e tomassem medidas práticas em defesa de quem trabalha na produção. É pena que os pomares tenham muita fruta não aproveitada e os portugueses estejam a consumir estrangeira. O mesmo se passa com a batata e outros produtos.
Portugal tem direito a políticos que defendam a sua população e não apenas os seus próprios interesses. Temos que acabar com a mentalidade do «Super-gajo modelo nacional».
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Cidade do conhecimento
É agradável enfatizar aquilo que de bom surge no País, para contrariar a posição generalizada de só olhar para o que é negativo e que leva muita gente a emigrar à procura de condições de trabalho e de vida que bem podiam existir cá, se houvesse ideias e iniciativas sensatas e construtivas. Por vezes aparecem jovens com competência acima da média que mereciam ser devidamente apoiados para a sua realização pessoal e para benefício do País. Também a nível de autarquias e de poder central muito pode ser feito com cabeça e pernas para andar. E quanto a seguir exemplos estrangeiros é pena que nem sempre sejam aproveitados os casos mais positivos e inovadores com segurança e garantia de efeitos dinamizadores de emprego, cultura e riqueza.
O projecto referido na notícia que a seguir se transcreve merece ser bem ponderado, porque se apresenta com perspectivas muito valorizadoras dos portugueses de amanhã. Com iniciativas deste género Portugal pode ombrear com os melhores sem ser pela comparação ridícula da altura ta árvore de Natal ou pelo cumprimento da mesa em que é servida a feijoada. Esses factos que nos têm levado ao Guinness Book, não se traduzem em emprego, saber, cultura, desenvolvimento. Mas a cidade do conhecimento poderá captar estudantes e cientistas estrangeiros, bem como empresários e turistas, com as inerentes consequências para a economia nacional.
Cidade do Conhecimento começa a nascer em 2012
JN. 090807. TELMA ROQUE
A "Cidade do Conhecimento", cujo orçamento estimado ascenderá a várias centenas de milhões de euros, ficará localizada junto ao nó de acesso da Auto-estrada do Norte (A1) e à zona industrial do Falcão, num terreno de 190 hectares, cuja compra está a ser negociada pela autarquia.
"Esperamos que possa estar a funcionar dentro de três a cinco anos e será uma cidade que apostará em áreas como a educação, a saúde, as tecnologias de informação e energias. Apostará ainda no lazer, dos parques imobiliários, resorts", explicou ao JN Paulo Caldas, presidente da Câmara do Cartaxo, após a assinatura do memorando, onde esteve também presente Jorge Lacão, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros.
Segundo o autarca, a "Cidade do Conhecimento", concebida pelo grupo indiano Pitroda, será auto-sustentável, fonte geradora de negócio, capaz de atrair investimento, diferenciando-se dos tradicionais parques tecnológicos ou pólos empresariais pela dimensão e capacidade de criar sinergias.
"É um local onde pessoas e empresas vivem, trabalham, colaboram e inovam em conjunto" sintetizou, por sua vez, Sam Pitroda, presidente do grupo investidor e mentor do projecto, em declarações à agência Lusa.
Paulo Caldas sublinhou que o Cartaxo será "um pólo de uma rede mundial de outras Cidades do Conhecimento que já existem no México e na Índia, e de outras que vão existir, por exemplo, no Brasil, Angola e Macau.
Concelhos como Oeiras e Aveiro também concorreram ao projecto, mas o autarca acredita que o Cartaxo "venceu" a concorrência pela centralidade geográfica que oferece e a proximidade a Lisboa, cuja distância é de cerca de 30 minutos pela A1.
O presidente espera, já no próximo mês, ser dono do terreno de 190 hectares e assinar o protocolo de parceria com o Banco Efisa e o grupo Pitroda, para dar corpo a um projecto que poderá criar "dezenas de milhares de postos de trabalho".
Os actuais parceiros da Cidade do Conhecimento pretendem "angariar" nesta fase de projecto outros investidores públicos e privados, universidades, centros de investigação e formular candidaturas a fundos europeus.
O projecto fará do concelho "um centro de excelência de conhecimento, tecnologia e inovação na região, no país, na Europa e no mundo", frisou Paulo Caldas.
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Cautelas e ponderação
Nos momentos difíceis, não deve ser perdido tempo com lamentações nem com hesitações. Chorar o azar sofrido é perder tempo e ânimo para tomar decisões que conduzam á recuperação dos danos. O salto para a frente é muitas vezes a melhor solução, porém, há que evitar saltar para o precipício. Mudar é sempre saudável quando a acção é precedida de estudo e ponderação. Se o dinheiro é pouco não deve ser desbaratado ao acaso, por capricho de palpite sem fundamento. É preciso Pensar antes de decidir, para não haver arrependimentos devidos a perder-se a última oportunidade de avançar para o rumo certo.
Com este pensamento já aqui referido muitas vezes, a propósito de vários acontecimentos ou notícias, veio novamente à tona, a propósito do artigo do Correio da Manhã de F. Falcão-Machado, Embaixador de Portugal no México
Ainda Keynes
CM. 07 Agosto 2009. Por F. Falcão-Machado
Nada como uma crise económico-financeira planetária para ressuscitar o economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946). E as discussões à volta deste pensador são importantes não só pelo desafio que implicam para as teorias económicas, mas também pelo muito que revelam sobre a mentalidade dos seus intervenientes. A par desses aspectos subsiste, porém, uma questão ainda sem resposta definitiva: o que foi que realmente pôs termo à grande crise de 1929-1933?
Voltando à crise actual, não há forma de fazer previsões certeiras sobre o crescimento da economia em momentos de tanta instabilidade. Uma das saídas passará pela utilização dos gastos públicos como instrumento de reactivação da economia. Isso não significa que se devam ignorar os méritos do mercado. Não se trata, de facto, de recuperar a chamada ‘teologia do mercado’, mas sim de saber interpretar os respectivos sinais.
Por isso, e numa visão simplificada, é de lembrar que o efeito multiplicador da injecção de recursos por parte do Estado obriga a certas cautelas, pois as economias abertas como a nossa dependem bastante de uma justa escolha dos objectivos de investimento e dos riscos da globalização. Essas medidas de recorte keynesiano produzem, aliás, uma sinergia nem sempre bem aceite, ao estimular a mobilidade social das nações.
F. Falcão-Machado, Embaixador de Portugal no México
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Etiquetas: ponderação, sensatez
Prémio «Comprometidos Y Más 2009»
O blogue «Diverse texts and stories» da Amiga Fernanda Ferreira recebeu o prémio «Comprometidos Y Más 2009» conferido pelo blogue «Sustentabilidae e acção» e a sua autora teve a amabilidade de, entre 15 blogues nomeados, incluir este modesto espaço.
Bem haja por essa sua atenção que apenas posso atribuir a um sentimento de amizade, que retribuo. Agradeço todas as atenções que tem dedicado a este espaço modesto que não passa de uma simples válvula de escape para expressar a minha esperança num mundo melhor que só poderá concretizar-se com a colaboração de todos nós, de cada um de nós através de pequenos gestos diários.
Já tive oportunidade de lhe confidenciar que, por decisão já antiga, não colaboro na difusão de prémios, mas a ideia em que este prémio assenta continuará a ser por mim difundida com todas as forças, em conformidade com o que venho fazendo, nos blogues a que dou colaboração. O ser humano merece todo o apoio para ter uma vida melhor, nos aspectos de ambienta mais habitável e de relacionamento mais pacífico e confiante entre pessoas e estados, internacionalmente. É esse o objectivo dos meus blogues.
Muitos parabéns a si por o seu blogue ter merecido o prémio e muitos parabéns aos autores dos blogues por si premiados.
E apelo a todos para um maior empenhamento nestes sãos e generosos objectivos.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Limpar Portugal é imperioso e urgente
Todos devemos apoiar e colaborar, na medida das nossa forças, a campanha em andamento para tornar Portugal habitável de forma sustentada e sustentável. Limpar e manter limpo é benéfico para todos nós.
Visite o site Limpar Portugal e decida inscrever-se. Cumpra o dever de cidadania de dar o máximo de colaboração. O ambiente e, principalmente, os vindouros agradecem.
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Super-gajo modelo nacional
É curiosa a generalizada facilidade com que se criticam os governantes, pobres indivíduos que não dormem nem descansam a pensar nos muitos problemas que têm que resolver em benefício do povo que se mostra descontente e ingrato. O ministro das Finanças quando passou a acumular com a pasta da Economia foi bem claro ao referir esse esforço hercúleo.
Por outro lado, à mínima falha ou «discrepância», elevam-se as vozes populares a dizerem tudo o que andavam a recalcar desde que procuravam esquecer a última situação confusa. Os políticos, saídos do povo e nem sequer tendo sido escolhidos os mais dotados de qualidades cívicas e intelectuais, acabam por ser uma amostra de um determinado escalão da sociedade de origem. Ora, o português tem desenvolvido o culto pelo «gajo», principalmente, pelo «gajão», o «super-gajo», aquele que, no relvado, consegue rasteirar o adversário sem que o árbitro veja, ou ao mínimo encosto se atira para o chão a queixar-se da suposta falta que o adversário cometeu sobre ele. Também é admirado o sortudo que diz ter ganho várias taludas ou o euromilhões ou aquele que consegue vender uns quadros por dez vezes o seu preço normal, etc.
E olhando para estas características, não custa compreender os resultados das últimas eleições autárquicas em que candidatos sob suspeitas de crimes graves, e sem apoio dos partidos a que tinham pertencido, conseguiram ganhar as eleições como independentes. São indivíduos da classe dos «super-gajos, ídolos do povo, modelos de habilidade e esperteza que todos tentam imitar. E daí que um dos partidos mais significativos no leque político do País, embora concorde que não devem candidatar-se aqueles que estão sob suspeita pública de crimes, não hesitou em escolher para as listas indivíduos arguidos de crimes relacionados com as suas funções. São modelares «super-gajos», os tais que são apontados ao povo como exemplos.
Mas se tudo isto é coerente com o modo de ser do português médio e os dirigentes políticos estiverem a agir com inteligência, já o mesmo não acontece com o caso da Joana que mostrou mentiras nítidas que nos foram atiradas aos olhos misturadas com areia para impossibilitar a visão. Não houve convite oficial? Nisso acreditamos. A sua oficialização seria apenas o encerramento de negociações que decorrem durante mais ou menos tempo. O convite existe desde o primeiro momento, a aceitação e a oficialização vem depois. O pedido de namoro é um «convite» de casamento que poderá vir a realizar-se mais tarde. E essa mentira a respeito de Joana acabou por ficar bem clara.
Um outro aspecto dos políticos «super-gajos» saltou mais uma vez da caixa. Autarcas que se consideram acima da lei, acima dos tribunais onde desrespeitam juízes (há vários casos). Também a forma descortês com que se referem ao PR, ao Tribunal de Contas, ao Provedor, ao PGR, aos políticos de outros partidos, são um mau exemplo para o cidadão. Olhando para isso, ficamos sem saber se devemos respeitar alguém. Perante este ambiente que tem muitos outros matizes, parece que da classe política, salvo eventuais excepções, ninguém merece o nosso respeito. Mas merecem, isso sim, o nosso esforço de irmos às urnas entregar o boletim virgem, imaculado, sem um pinta de tinta, em branco.
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terça-feira, 4 de agosto de 2009
Mais infantilidades ou meras incoerências?
Em época de férias não devo ser longo e, por isso, limito-me quase ao simples enunciado dos títulos que merecem atenção sobre este tema e de que deixo links para os mais interessados. No PSD, «Marques Mendes diz que é uma "vergonha" que políticos acusados e condenados sejam candidatos» mas, apesar disso, «Manuela Ferreira Leite impõe dois deputados arguidos nas listas do PSD por Lisboa».
No PS, com a responsabilidade de ser exemplar por ter maioria absoluta no órgão legislativo e a total responsabilidade no órgão executivo, verifica-se «Ilegalidade detectada na lista do PS por Castelo Branco» de que o primeiro-ministro é «cabeça-de-lista» e de que fazem parte outros membros do governo. Afinal as discrepâncias não ficam pelas enunciadas no post «Infantilidades de governantes».
E assim se compreendem as sensibilidades expressas no artigo «Deixar a Justiça funcionar» e a visão das incapacidades do regime, vistas através de actividades comportamentais dos principais partidos a que se refere o artigo «Uma valsa a dois tempos».
E, desta forma, se vê com mais compreensão os incitamentos ao voto em branco em substituição da abstenção, para aqueles que não vêem alternativa válida nas condições em que uns tantos se entretêm a brincar com a política (com letra minúscula).
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Negociações. Coreia do Norte abre uma porta?
Tem sido aqui defendido que os desentendimentos internacionais deveriam ser resolvidos por diálogo, conversações, negociações, enfim, acções diplomáticas, apoiadas em acções económicas e, eventualmente, demonstrações de força militar a baixo nível de perigo de intervenção. Cito os posts: Negociação em vez de guerra, A Paz pelas conversações Para evitar conflitos armados, cada um com links para vários outros.
Por isso, se encara a ida do ex-presidente Bill Clinton a Pyongyang que, embora a pretexto de tentar conseguir a libertação das duas jornalistas norte-americanas (o que seria um motivo insuficiente para tal deslocação), pode muito ser o início (ou continuação) de medidas diplomáticas para a total integração da Coreia do Norte na comunidade internacional e evitar inconvenientes conflitos armados (muito menos nucleares) com os vizinhos.
Esta notícia é motivo de esperança e de optimismo, em conformidade com os conceitos aqui expendidos repetidamente.
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domingo, 2 de agosto de 2009
Algas dão combustível
A economia mundial tem vivido na dependência do petróleo como fonte primária de energia. Mas, como combustível fóssil que é, aproxima-se do esgotamento, apesar das medidas de poupança e dos motores menos consumidores, tendo o seu preço tendência para alta, mas sem que isso resolva o problema das necessidades energéticas.
Por isso, o recurso a energias renováveis tem sido desenvolvido experimentalmente e continuam a aparecer novas alternativas prometedoras, embora em escala reduzida, que têm de ser integradas num novo sistema de gestão.
Em Portugal existe actualmente um justificado entusiasmo com a energia eólica e solar, podendo ser dada mais atenção à energia das marés e das ondas, propiciada pela posição geográfica.
Embora não sejamos um país de floresta tropical densa, já foi anunciada há anos uma indústria de aproveitamento de produtos provenientes da manutenção da área do pinhal, com benefício para a prevenção dos fogos florestais e produção de biomassa e biogás. Não tem sido divulgado o resultado da sua actividade, mas é de pensar que a limpeza das matas não está a ser feita com regularidade, o que resulta na continuação dos fogos e na não produção de energia.
Agora chega a notícia «Algas são combustível muito sério» que diz destes vegetais poder ser extraída energia, bem como proteica ideal para a alimentação de seres humanos e de gado. Embora, sendo uma actividade exercida por pequenas empresas, estas contam com o apoio da Exxon Mobil, a maior empresa do ramo petrolífero na América, que agora começa a estudar esta solução energética. Será interessante a leitura da notícia 'linkada'.
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FCM é uma mina de euros
Transcreve-se artigo do Correio da Manhã, recebido agora por e-mail, porque, embora antigo, continua a merecer ponderação neste período de reflexão em que estamos a entrar. O tema já foi aqui abordado, mais ou menos directamente, nos posts «Fundação «fantasma»???» e «O saque ao erário não tem limites»
Eis o artigo:
Offshore socialista
CM. 29 Junho 2009. Por António Ribeiro Ferreira
A última novidade do Governo socialista do senhor presidente do Conselho é uma coisa chamada Fundação para as Comunicações Móveis. Esta entidade, cozinhada no gabinete do ministro Lino ex-TGV e ex-aeroportos da Ota e Alcochete, foi a contrapartida exigida pelo Governo a três operadores para obterem as licenças dos telemóveis de terceira geração. É privada, tem um conselho geral com três membros nomeados pelo Executivo e um conselho de administração com três elementos, presidido por um ex-membro do gabinete do impagável Lino, devidamente remunerado, e dois assessores do senhor que está cansado de aturar o senhor presidente do Conselho e já não tem idade para ser ministro.
Chegados aqui vamos à massa. Os três operadores meteram até agora na querida fundação 400 milhões de euros, uma parte do preço a pagar pelas tais licenças. O Estado, por sua vez, desviou para esta verdadeira offshore socialista 61 milhões de euros. E pronto. De uma penada temos uma entidade privada, que até agora sacou 461 milhões de euros, gerida por três fiéis do ministro Lino, isto é, três fiéis do senhor presidente do Conselho. É evidente que esta querida fundação não é controlada por nenhuma autoridade e movimenta a massa como quer e lhe apetece, isto é, como apetece ao senhor presidente do Conselho.
Chegados aqui tudo é possível. Chegados aqui é legítimo considerar que as Fátimas, Isaltinos, Valentins, Avelinos e comandita deste sítio manhoso, pobre, deprimido, cheio de larápios e obviamente cada vez mais mal frequentado não passam de uns meros aprendizes de feiticeiro ao pé da equipa dirigida com mão de ferro e rédea curta pelo senhor presidente do Conselho.
Chegados aqui é legítimo dar largas à imaginação e pensar que a querida fundação, para além de ter comprado a uma empresa uma batelada de computadores Magalhães sem qualquer concurso, pode pagar o que bem lhe apetecer, como campanhas eleitorais do PS e dos seus candidatos a autarquias, e fazer muita gente feliz com os milhões que o Estado generosamente lhe colocou nos cofres.
Chegados aqui é natural que se abra a boca de espanto com o silêncio das autoridades, particularmente do senhor procurador-geral da República, justiceiro que tem toda a gente sob suspeita. Chegados aqui é legítimo pensar que a fundação privada criada pelo senhor presidente do Conselho é um enorme paraíso fiscal, uma enorme lavandaria democrática.
António Ribeiro Ferreira, Jornalista
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Demografia e futuro do Ocidente
Em relação ao post «Europa muçulmana em poucas décadas» recebi várias reacções, sendo a mais curiosa focada no aspecto religioso, na «guerra» de religiões, em que uma católica fervorosa, depois de falar com o pároco, disse que o Senhor nos salvará.
Porém o que me levou a publicar o post foi o problema demográfico do qual decorrem aspectos sociais, culturais e obviamente religiosos. Parece que nos tempos actuais, poucas pessoas, por livre vontade e sem lavagens ao cérebro, arriscariam a vida numa batalha movida por rivalidade religiosa. Pode no entanto esta ser utilizada tendenciosamente para ocultar interesses materialistas ou financeiros ligados a energias ou outros bens valiosos.
Mas o tema, que parece ser fundamentalmente demográfico e afectar todo o Ocidente (o post referido citava a Europa baseado num vídeo mais focado na França), surge hoje no artigo seguinte que traz para Portugal tal preocupação sobre o futuro da nossa entidade social. Eis o artigo do Jornal de Notícias.
Portugueses em extinção?
Crescimento ínfimo da taxa de natalidade não chega para atenuar declínio da população nacional. Se a tendência não for invertida, estará Portugal condenado a morrer de velhice?
JN. 090802. 00h24m. ELMANO MADAIL
Os portugueses estão a fazer mais filhos. Mas não muitos; na verdade, o investimento nesse exercício é tão diminuto que não chega para repor as gerações.
A população portuguesa registou em 2007 - e pela primeira vez desde 1918 - um saldo natural negativo, de 0,01%. O que significa que morreram mais pessoas (103.512) do que aquelas que nasceram (102.492). A taxa de natalidade foi, nesse ano, de 9,7 nados vivos por mil habitantes, quando a de óbitos chegou aos 9,8 por mil. No ano passado, porém, vislumbrou-se um indício, ainda que ténue, de recuperação: segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos a 2008, o país conseguiu uma saldo natural positivo de 314 pessoas. Não é muito, apenas uma trémula luzerna ao fundo do túnel sem retorno em que Portugal se pode converter, como um rectângulo vacante, à semelhança, aliás, da Europa quase toda - continente que se arrisca a ficar, definitivamente, velho, gordo e pouco imaginativo, condenado à morte lenta por falta de sangue novo.
Desde 2003 que o Governo tenta implementar programas de incentivo à natalidade, e ainda esta semana José Sócrates, na recandidatura a primeiro-ministro, apresentou a proposta, inclusa no programa eleitoral do PS, de criar um subsídio de 200 euros para cada criança nascida em Portugal. Mesmo que a implementação da medida gerasse bebés imediatos, já seia tarde para evitar as consequências nefastas que se repercutirão daqui a uma geração. Nessa altura, se a tendência refractária ao crescimento populacional não sofrer alterações, que Portugal teremos? Que paisagem humana será expectável em 2035? Estarão os portugueses em vias de extinção?
A taxa de natalidade em Portugal aumentou, mas não o suficiente para grandes exaltações. Em 2008, registaram-se mais dois mil nascimentos do que em 2007. Se é certo que é a primeira subida da taxa de natalidade registada em cinco anos, também é verdade que não servirá para atenuar o declínio que se verificou até 2007, um ano particularmente negro em que a natalidade diminuiu (a taxa atingiu, pela primeira vez, um saldo negativo de menos 0,01 por cento). O inédito, e a preocupação que deveria comportar, é sublinhado pelos especialistas: "É surpreendente esta evolução em tão pouco tempo. Durante toda a História da Humanidade, houve uma taxa de fecundidade próxima da natural em todo o Mundo", garante Maria Norberta Amorim, catedrática da Universidade do Minho (UM).
E com toda a propriedade. Pioneira em estudos no âmbito da Demografia Histórica, a coordenadora do Núcleo de Estudos de População e Sociedade da UM dedicou grande parte da sua investigação à análise dos comportamentos demográficos dos últimos 400 anos, e concluiu que uma situação assim "existe na Europa apenas desde o século XX - embora se tenha verificado na França com 100 anos de antecedência por a contracepção ter entrado ali primeiro -, mas foram milénios sem que isto acontecesse", afirma. Por isso é que, na sua perspectiva, "a evolução mais significativa da História da Humanidade, em termos de alteração do quotidiano, foi no campo da fecundidade".
A sê-lo, deve-se a uma nova compostura da mulher jovem essa revolução silenciosa do quotidiano. Para Maria Filomena Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Demografia, o fenómeno da baixa natalidade deve-se ao "aumento da participação da mulher no mercado de trabalho e a aspiração a uma carreira profissional bem sucedida, ao prolongamento da educação e ao duplo fardo que para elas implica trabalhar no mercado laboral e em casa, associados ao aumento da precariedade, tanto laboral como dos relacionamentos".
Acresce, ainda, segundo Maria José Moreira, "um adiamento progressivo da natalidade. Vários estudos mostram que há uma diferença entre o número de filhos que as mulheres gostariam de ter e aqueles que efectivamente têm. Um deles, publicado em Maio, diz que mais de metade das jovens entre os 18 e os 24 anos gostaria de ter três ou mais filhos, e um quarto das mulheres até aos 30 anos apreciaria ter quatro ou mais; todavia, acabam por ter só um ou dois, quando não nenhum", afirma Maria José Moreira, investigadora do Centro de Estudos de População, Economia e Sociedade, da Universidade do Porto, e professora no Instituto Politécnico de Castelo Branco. "Por outro lado", refere, "mudou a concepção do que é ter um filho: os pais temem não ser capazes de dar ao filho o que julgam ser as suas necessidades, tanto do ponto de vista afectivo como material". Daqui resulta a ausência da renovação de gerações, só possível com 2,1 crianças por mulher..
O desfalque de recursos humanos deve-se também, portanto, a um certo aumento do nível de qualidade de vida e ao temor de que a sua manutenção não seja comportável com mais uma boca para alimentar. E, no entanto, essa estratégia não é nova; todavia, os seus efeitos, agora, são muito diversos. "Nos séculos anteriores, todos os comportamentos das estratégias de reprodução estavam condicionados a uma fecundidade próxima da natural. Por exemplo, se uma família rural tinha propriedades e pretendia manter o estatuto e o património nas gerações seguintes, tinha de ponderar o momento do casamento, que se considerava definitivo. Assim, a estratégia passava por um casamento tardio - pelo que havia muitos solteiros, freiras e sacerdotes -, para evitar uma grande repartição da propriedade e obstar a uma regressão patrimonial na geração seguinte, porque se uma mulher casasse cedo, com 15 anos, dado o ritmo de nascimento de dois em dois anos, poderia vir a ter 10 ou mais filhos", explica Amorim.
A docente não deixa de manifestar, porém, a sua surpresa, quando compara a época actual, denominada pós-industrial e de celebrada abundância, com a fecundida da sociedade de há século e meio: "Nessa altura, na passagem de uma sociedade rural para uma que se vai industrializando, há um aumento da fecundidade, porque no mundo rural as mulheres amamentavam os filhos, o que era impeditivo de nova gravidez, e quando começaram a trabalhar, entregavam os filhos às amas, engravidando mais vezes, pelo que se deu uma explosão demográfica na transição do século XIX para o século XX. E, ainda hoje, a zona do Norte de Portugal é a mais jovem da Europa (com Felgueiras à cabeça)".
Será, pois, por comparação com o passado mais pou menos remoto e glorioso de Portugal que Amorim exprime grande inquietação face ao futuro do país, não só no plano económico - como será possível sustentar as reformas quando a população beneficiária for maior do que a contribuinte? - mas de forma mais lata. "É na juventude é que está a criatividade, a força, e uma população mais envelhecida terá mais difificuldades de afirmação", diz, sublinhando que "sempre que houve um excedente populacional, deu-se um salto evolutivo. Os Descobrimentos (séculos XV-XVI), por exemplo, devem-se em larga medida à força reprodutiva dos portugueses do Norte do país".
Parece que a salvação radica na mobilidade populacional, designadamente a injecção de sangue novo por via da imigração. De resto, os nascimentos de bebés de mães estrangeiras representam, já, mais de 9,5% da taxa de natalidade nacional. Mas, para equilibrar o saldo natural, será necessário muito mais. O que pode não acontecer. Por um lado, porque a crise económica e o atraso efectivo de Portugal face à maioria dos países europeus o coloca como pouco atractivo. As estimativas da população residente no ano passado, publicadas INE, mostram que o número de residentes que, em 2008, optou por abandonar o país mais do que duplicou em relação aos valores de 2001. Face à taxa de desemprego de 8,9% (dados oficiais do INE, relativos ao primeiro trimestre), 20357 pessoas decidiram abandonar o país para viver e trabalhar no exterior em 2008, mais de 10 mil do que há quatro anos.
Por outro lado, as zonas de origem dos imigrantes estão a padecer também, elas próprias, do envelhecimento populacional a par da melhoria de qualidade de vida, como é o caso dos países asiáticos. "Até meados deste século, a população mundial continuará a crescer, mas depois deverá diminuir. Portanto, até que ponto é que essas comunidades continuarão a ter a capacidade de fornecer gente? Porque a tendência já é, com tempos diferentes e ritmos diversos, uma progressiva diminuição do ritmo de natalidade. Na China, por exemplo, já começa a ser problemático", assinala Moreira.
Afinal, foi o que aconteceu a Portugal noutra época: "Nos anos de 1960, a Europa também precisou de mão-de-obra para fazer face às necessidades geradas por um grande crescimento económico. Só que, nessa altura, o Sul do continente, e designadamente Portugal, constituía a reserva demográfica da Europa. Ora, hoje, isso já não acontece, bem pelo contrário: não só temos a diminuição da natalidade, como já não conseguimos atrair gente".
Nestas condições, é natural os governos tentarem encontrar soluções domésticas que estimule a vontade reprodutiva dos governados. No entanto, tudo se conjuga para contrariar esse ensejo. Desde logo, a crise mundial que se instalou, e que tardará, segundo as previsões dos organismos internacionais, e até do Banco de Portugal, a deixar Portugal mais do que noutrsas paragens.
Por ocasião do 1.º Congresso Nacional da Maternidade, que decorreu em Março último em Lisboa, alguns dos especialistas cogitaram que a ligeira subida da taxa de natalidade registada em 2008 é "uma tendência que não vai continuar em 2009 devido à crise económica".
A alto-comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, justificou o prognóstico reservado: "Sejam quais forem as políticas de incentivo à natalidade é preciso que, sobretudo, os casais jovens tenham uma certa segurança no trabalho", disse. "Os filhos são desejados mas também programados, e não me parece que este seja um ano muito propício para ter filhos", acrescentou a pediatra.
Sucede, porém, que por mais generosos que sejam os apoios à natalidade - e se em Portugal, o PS propõe, para a próxima legislatura, um subsídio de 200 euros a cada para criança, a depositar numa conta a prazo até aos 18 anos, em Espanha o Governo atribui 2500 euros... -, as medidas, neste campo específico, não costumam ter efeitos imediatos. É que, tipicamente, a gestação das crias humanas demora nove meses; e as gerações uma quarto de século a afirmar-se. Ora, nestas condições, se hoje somos poucos, amanhã seremos menos. E, quem sabe, se um dia não estaremos, como referia o economista João César das Neves à Focus, "em vias de extinção enquanto entidade social"?
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sábado, 1 de agosto de 2009
Infantilidades de governantes
A avaliação dos professores tem sido conduzida por amadores inexperientes que procuram superar a sua incompetência com a arrogância que pensam lhes ser permitida pelo cargo. Todo o tempo perdido nesta guerra entre docentes e governantes, com incidências não mensuráveis na formação dos alunos, futuros gestores de Portugal, se deve a tais incapacidades.
Existe um “princípio da legalidade” que define que um diploma legal superior não pode ser alterado por outro de natureza inferior.
Este princípio foi violado no referente à avaliação dos professores porque o decreto-lei de 2007 que aprovou o Estatuto da Carreira Docente (ECD) foi alterado pelo decreto regulamentar de Janeiro passado que simplificou o modelo de avaliação de desempenho docente e as disposições contidas no ECD.
Perante este problema «Sócrates admite que existem “discrepâncias” nos decretos sobre avaliação dos professores», procurando suavizar o problema da ilegalidade sob o manto diáfano das discrepâncias. É mais um azar de um primeiro-ministro que pretendia levar a cabo reformas de que Portugal estava e continua necessitado, mas que não encontrou uma equipa de gente dedicada e competente capaz de estudar os problemas em diálogo com os agentes activos do sector, escolher a melhor solução e planear e programar a sua concretização, controlando o seu desenvolvimento e introduzindo da forma mais correcta as afinações adequadas, tudo em obediência à legalidade.
Um chefe é avaliado pelas equipas que consegue formar e pela forma como estas trabalham coerentemente com os objectivos estabelecidos e o enquadramento legal. Sendo a lei geral, abstracta e obrigatória, é incompreensível que governantes não dêem o exemplo do seu cumprimento e escrupuloso acatamento.
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Etiquetas: avaliação
Chamem o ‘Guinness’
Ao ver no JN a notícia «Honduras: Tribunal ordena prisão de Zelaya e três ex-ministros por vários crimes» veio à memória o post «Aprender as lições» em que referia casos no estrangeiro em que a lei é aplicada igualmente para todos, independentemente do seu estatuto social, grau de fortuna, ligações ao poder político, cor do colarinho ou uso de gravata. O caso mais recente foi o da notícia «Fátima Felgueiras absolvida de todos os crimes no processo do futebol».
E estava de tal maneira embrenhado em tais cogitações que não me podia passar despercebido o artigo de João Pereira Coutinho no CM, que transcrevo:
Chamem o ‘Guinness’
Nos Estados Unidos, a pátria do ‘capitalismo selvagem’, qualquer roubalheira é punida com dureza. Lembremos Bernard Madoff, o conhecido investidor que, depois de brincar com dinheiro alheio, passará os próximos 150 anos na cadeia. Quando sair, o sr. Madoff terá uns respeitáveis 220 anos. Esperamos que o cárcere lhe sirva de lição.
Em Portugal, é o deserto: puxamos pela cabeça e não encontramos ninguém para a troca. Até Fátima Felgueiras foi agora absolvida no caso do futebol, isto depois de ter levado três anos de pena (suspensa, obviamente) no caso do ‘saco azul’. E quem diz Fátima, diz Avelino. Ou Isaltino. Como explicar o fenómeno?
Os pessimistas acusam a justiça de ineficácia e até compadrio. Eu, mais optimista, prefiro explorar a hipótese de sermos o único país do Mundo onde, simplesmente, não existem corruptos. Alguém devia chamar o ‘Guinness’.
João Pereira Coutinho, Colunista
NOTA: Este artigo vem dar força ao comentário do remetente (JMS) do e-mail que difundia o artigo sobre Fátima Felgueiras, que se transcreve:
Isto é que é justiça!!
Primeiro foi o Ferreira Torres, depois, o Valentim das Batatas, depois o Pinto da Costa e agora esta.
Só falta o Isaltino!
Algo muito grave se passa na Justiça deste País!
Ou são os juízes ou o Ministério Público.
Mas que cada vez cheira mais a podre é a única certeza que temos!
Até quando continua este caminhar para o abismo?
E, entretanto o que fazem os Portugueses?
Assobiam para o lado, deleitam-se com o futebol e sonham com as aventuras da vida cor de rosa!
José M. S.
Ps: Para compor o ramalhete só falta o caso Freeport ser arquivado!!
E, com isto, mantêm-se sem resposta as perguntas: Quem faz as leis? Qual a colaboração dada pelos juízes na elaboração das leis? Que tipo se sentido de Estado está presente na elaboração das leis e dos códigos que enformam a justiça? Que futuro se pretende para Portugal?
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