De autor desconhecido, recebido por e-mail de pessoa de confiança. Merece atenção devido ao bom português e ao pormenor da análise de um problema de relevância.
E se ela (*) fizesse uma mínima ideia do que está a fazer?
(*)... ela e a União Europeia. De facto ela não passa de uma lacaia da U.E.
O sistema educativo não estava famoso, mas não precisava, Senhora Ministra da Educação, de aparecer para estragar o resto!
Vem, V/ Exa., perguntar agora o que estão 30 professores a fazer numa sala de professores?
Sabe que também me coloco (e coloquei aqui) essa questão muitas vezes? E sabe o que estão lá a fazer?
O que V/ Exa. mandou: a cumprir horário!
Não aumentou a carga horária dos docentes?
Esqueceu-se, foi?
Tal como as utilíssimas «aulas de substituição» em que V. Ex.ª coloca um professor de Matemática a substituir um de Educação Física e vice-versa.
V/ Exa. Manda e os professores obedecem! Não têm alternativa, não é verdade?
Pode, portanto, V/ Exa. orgulhar-se dos resultados obtidos!
Eles são a consequência da sua «reforma»!
Mas não se preocupe pois vão piorar!
Com o escabroso Estatuto da Carreira Docente que V/ Exa. inventou, os resultados só podem evidentemente piorar! Nenhuma reforma, nunca, se conseguirá impor por decreto-lei nem contra a vontade da maioria dos envolvidos!
Os professores, obedientemente, cumprem e cumprirão sempre as suas ordens! Contrariados… muito contrariados… mas cumprirão! Não lhes pode é pedir que, apesar de tudo, as cumpram de sorriso nos lábios, felizes, contentes e totalmente envolvidos com as suas orientações! Não há milagres!
Cumprirão e ponto final! Que é o que V. Exa. quer?
Não se pode, portanto, queixar.
Continue a mandar assim e verá a tal curva de crescimento em queda absoluta.
É que não pode V/ Exa. exigir que se cumpram 35 horas de serviço na escola e se venha para casa preparar fichas de trabalho… apontamentos… actividades…estratégias… visitas de estudo… grelhas… avaliações… relatórios… currículos alternativos…programas adaptados… trabalhos em equipa… etc.… etc.… etc.•
V/ Exa. Tem família?
Saberá, porventura, o que é a dor de um pai que se vê obrigado a negligenciar a educação e o crescimento do seu próprio filho para acompanhar os filhos dos outros?
Esquece V/ Exa. que os professores também são pais?
Também são pais, Senhora Ministra! Pais!
Que estabilidade emocional pode um professor ter se V/ Exa. resolve, 30 anos depois de Abril, impedir os professores de acompanharem os seus próprios filhos ao médico … à escola… aos ATLs?
Não têm os pais que são professores os mesmos direitos dos outros pais?
Conhecerá V/ Exa. a dor de uma mãe que se vê obrigada a abandonar o seu filho, prometendo-lhe voltar dali a uma semana?
E quer V/ Exa. motivação natural?
Com a vida familiar desfeita?
Não é do conhecimento público que os professores são os maiores clientes dos psiquiatras?
E que é entre os professores que se encontra a maior taxa de divórcios?
Porque será, Senhora Ministra?
Motivação?
Motivação, como? Se V/ Exa. obriga os professores a fazerem de auxiliares de acção Educativa?
Motivação, como? Se V/ Exa. obriga os professores a estarem na escola mesmo sem alunos?
Motivação como se V/ Exa. obriga a cumprir 35 horas na Escola mesmo não tendo esta os meios essenciais para que se possa trabalhar.
Motivação, como? Se temos que pagar fotocópias, tinteiros para as impressoras da Escola… canetas… papel?
Motivação, como? Se o clima é de punição e de caça aos mais frágeis?
Motivação, como? Se lava as mãos como Pilatos e deixa tudo à deriva passando toda a responsabilidade para as escolas?
Não é função de V/ Exa. resolver os problemas?
Não seria mais produtivo trabalhar ao lado dos professores?
Motivação, como? Se de cada vez que abre a boca para as televisões fá-lo para tentar virar toda a sociedade portuguesa contra a classe?
Motivação, como? Se toda a gente percebe que o seu objectivo é dividir para esfrangalhar a classe e poupar uns cobres?
Quer lá V. Exa. saber da qualidade do Ensino para alguma coisa!.... Quer é poupar!
O que vale é que por todo o país a opinião pública – e principalmente os Pais – já se estão a aperceber disso.
Motivação, como? Se V/ Exa. tem feito de tudo para isolar os professores dos alunos, dos pais, dos Sindicatos, da sociedade em geral?•
E fica V/ Exa. admirada com os resultados?
Não eram estes os resultados que esperava obter quando tomou posse e iniciou a sua cruzada contra os professores?
A sua estratégia é a mesma daqueles professores que V/ Exa. acusa de não estarem preocupados com os resultados escolares dos seus alunos.
Sabe, Senhora Ministra da Educação?...
O sucesso não depende do manual… como não depende de decretos-lei!
O sucesso depende do envolvimento que o professor consegue com os seus alunos!
Depende da capacidade de motivar!
Depende da capacidade de o professor ir ao encontro dos interesses dos seus alunos.
Depende da relação professor-aluno! - a tal que V/ Exa. queria que fosse avaliada por alguém de fora da escola!
A mesma que, se fosse feita a V/ Exa., daria nota zero.
E, já agora, Sra. ministra, já que a esmagadora maioria (quase totalidade) dos seus colegas de governo são reformados – alguns até duas vezes – siga-lhes, por favor, o exemplo.
Eu não me importo de trabalhar até aos setenta se V. Exa. se reformar já - mas da política!
Pode ser?
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
(des)motivação dos professores
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A. João Soares
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Etiquetas: ensino, motivação, professores
Timor. Reforços australianos chegam a Díli
Extracto de: http://www.areamilitar.net/noticias/noticias.aspx?nrnot=505
Situação em Timor é calma, mas acontecimentos continuam por explicar
11.02.2008
Devem chegar a Díli durante a tarde de Terça-feira, 12, os militares e polícias australianos de reforço ao contingente daquele país presentemente colocado em Timor.
Também já chegou às águas de Timor a fragata HMAS Perth, da marinha australiana que deverá apoiar as forças no terreno.
O contingente australiano é o maior contingente internacional presente em Timor, somando 780 pessoas e que agora deverá atingir 970 com este novo reforço.
As autoridades temem que ocorram incidentes, quando parte dos grupos de jovens desempregados que consideravam Alfredo Reinado como herói, se organizarem como ocorreu anteriormente em Timor, provocando distúrbios generalizados em Díli.
Calcula-se que ainda estejam a monte cerca de 25 integrantes do grupo de Alfredo Reinado, embora não haja razões para achar que estes últimos constituam para já um problema de segurança em Timor.
Os incidentes ocorridos na madrugada de Segunda-feira continuam entretanto envolvidos em dúvidas e não são conhecidos ainda detalhes exactos sobre o que efectivamente ocorreu no dia 11 de Fevereiro.
Aparentemente ocorreram incidentes entre as forças australianas e rebeldes sob o comando de Alfredo Reinado na semana passada e a acção que este levou a cabo poderá ter sido motivada pelo desespero de Reinado.
Até ao momento, os dados conhecidos apontam para o seguinte:
06:00 – O presidente Ramos Horta, saiu de casa como é costume para um passeio matinal.
06:15 – Desconhecendo este facto, dez pessoas armadas sob o comando do major Alfredo Reinado, atacaram a residência de Ramos Horta em Meti-Hau nos arredores de Díli. Durante essa troca de tiros, morreu Alfredo Reinado e um segurança do presidente que se encontrava na residência.
06:50 – Ramos Horta é informado de que há tiroteio na proximidade de sua casa, através de um telefonema. Sem que qualquer segurança se interponha, Ramos Horta, dirige-se a sua casa.
07:00 – O presidente Ramos Horta, aproxima-se da sua residência e é nesta altura que é atingido por três tiros de arma de guerra. Um dos projecteis terá atingido o pulmão, outro terá perfurado o abdómen e um terceiro terá atingido Ramos Horta numa mão.
07:13 - Aparentemente é o próprio Ramos Horta que consegue telefonar a pedir auxilio.
07:15 - A polícia das Nações Unidas chega ao local, mas não intervém nem se aproxima da residência. Não estará a responder à chamada de Ramos Horta mas sim a outro aviso, resultado do ouvir dos tiros.
A policia das Nações Unidas não presta qualquer auxílio a Ramos Horta, mas aparentemente, porque foi chamada por causa dos tiros, não tem meios para prestar auxilio
07:30 - Chega ao local um grupo de militares da Guarda Nacional Republicana, acompanhado de uma unidade de emergência do INEM, que não sabia que o presidente estava ferido e identificou um ferido grave, que foi de seguida identificado como sendo Ramos Horta.
07:45 – Uma caravana em que seguia o primeiro-ministro Xanana Gusmão, que se dirigia para o palácio sede do governo timorense, é atacada por homens armados, comandados por Gastão Salsinha pouco depois de sair da residência do primeiro-ministro.
O veículo da frente despista-se e o segundo veículo, no qual seguia Xanana Gusmão, embora atingido, escapa.
De seguida, Gastão Salsinha dirige-se à casa de Xanana Gusmão, de onde o primeiro-ministro tinha acabado de sair, para contactar o chefe de segurança e lhe pedir uma espingarda de assalto Steyr AUG-A1, o que é recusado. Sem mais delongas Gastão Salsinha embrenha-se no mato e desaparece.
Reunião do Conselho de Segurança em Nova Iorque
Entretanto, o Conselho de Segurança das Nações Unidas reunido ao fim da tarde em Nova Iorque para discutir a situação em Timor, na sequência dos atentados, condenou os mesmos, pela voz do embaixador do Panamá Ricardo Alberto Árias. Os atentados foram igualmente condenados pelo secretário geral Ban Ki-moon.
Ataque previsto
Em declarações relacionadas com os atentados, o comandante das forças armadas de Timor Taur Matan-Ruak afirmou que tinha avisado a segurança do presidente e do primeiro-ministro, bem assim como os comandos das forças internacionais de que havia razões para crer que ocorreriam distúrbios nas semanas seguintes.
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Etiquetas: Timor
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Restaurantes, bares e cafés sem licença
Segundo notícia hoje largamente divulgada, o presidente da autarquia de Lisboa admite que há 5000 (cinco mil) estabelecimentos de alimentação e bebidas à espera de autorização. Este número, só por si, não tem muito significado, mas já o obtém quando o mesmo senhor diz que «entram mil processos por ano». Isto significa que seriam precisos cinco anos, sem qualquer deferimento para se obter o atraso de 5000. Ora, como admitimos que por ano tenha havido umas centenas de deferimento, deve haver estabelecimentos à espera de licença durante mais de 10 anos.
A Associação da Restauração fala em inércia dos serviços camarários. Acho que inércia é um eufemismo, pois o desleixo vai muito além disso. E é tanto mais quando, há pouco mais de uma ano, foi levantada a polémica do excesso de pessoal nos serviços camarários tendo sido destacada a existência de centenas de assessores bem pagos e sem um substrato de competência por terem sido nomeados com base na confiança política e não nas qualidades adequadas às funções, como declarou uma vereadora em entrevista.
Tais atrasos poderão ser atribuídos a excesso de burocracia (o germe mais causador da corrupção)e a três alterações da legislação que só causaram confusões, mesmo nos funcionários. A gravidade do problema vai até ao mau exemplo dado aos cidadãos que vivem em situação ilegal por culpa não deles mas dos serviços que deviam primar pelo bom exemplo.
Como pode o País prosperar e aproximar-se da média europeia, com serviços públicos que transmitem tão maus exemplos aos cidadãos e que constituem um factor de ilegalidade e de atraso!
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domingo, 10 de fevereiro de 2008
Nova ponte sobre o Tejo sem concurso público?
Embora seja muitas vezes criticado, continuo a esforçar-me por analisar as coisas à distância sem partidarismos, sem atacar as pessoas, mas apenas as palavras e os actos. E de todos os pontos do quadrante saem coisas mais e menos positivas, pelo que a isenção obriga a falar de umas e de outras.
Francisco Louçã, o tal com «voz de cana rachada» como diz Miguel Júdice (ao que chega a baixeza de pessoas de valor!), segundo notícia do Público, pede concurso público para a nova ponte sobre o Tejo. Achei estranho tal pedido, pois não me passaria pela cabeça que um empreendimento público de tal dimensão não fosse entregue a uma empresa vencedora de uma corrida entre vários concorrentes nacionais e estrangeiros. Considero que até a admissão de um funcionário para os ministérios devia ser escrutinado entre vários concorrentes, segundo normas previamente publicadas.
Como fiquei espantado com o título do artigo, fui ler e fiquei a perceber as preocupações do político que defende um concurso público para que todo o processo "seja transparente, para que seja o melhor consórcio, nas melhores condições, para a melhor utilização do dinheiro que é de todos". Esta intenção só merece aplausos, venha de direita ou de esquerda.
E acrescentou: "Que a Lusoponte diga que tem todo o atravessamento da ponte sobre o Tejo garantido, que o Tejo é deles e que qualquer travessia tem de ser sua, porque Joaquim Ferreira do Amaral, ministro do passado, garantiu à Lusoponte, presidida por Joaquim Ferreira do Amaral, que tem o Tejo por sua conta, isso eu não aceito".
Não tenho dados que me permitam pronunciar-me sobre os termos em que é referida a promiscuidade de uma empresa em tão importantes decisões de Estado. Mas, se é como diz, acho que a alienação de funções do Estado numa empresa sem ter havido concurso público não parece correcto e que, não o sendo, há que corrigir tal erro.
Tais confusões entre o Estado e as empresas privadas, com o consentimento activo de políticos ávidos de tachos, como se depreende do muito que tem sido dito a propósito do tráfico de influências, da corrupção e do enriquecimento ilícito, ocasionam e aumentam a concentração do dinheiro nos bolsos de uma minoria, em prejuízo da quase totalidade da população em que a classe média está a desaparecer, indo ampliar o lote numeroso dos pobres.
A justiça social deveria ser um objectivo e uma preocupação permanente dos governantes.
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sábado, 9 de fevereiro de 2008
Jovens com prémios científicos internacionais
Duas notícias de hoje criaram em mim uma sensação muito agradável e restauraram o orgulho de ter nascido neste rectângulo.
Muito se lê e se escreve, com pessimismo, acerca do futuro do País, e, quando escrevo, procuro sempre deixar uma ponta de esperança na juventude, alimentando a convicção de que nos mais jovens, nas actuais crianças, há-de, sem dúvida, aparecer um punhado de pessoas sensatas e bem dotadas de capacidades intelectuais e éticas que lhes permitam restaurar o prestígio de Portugal no Mundo e a felicidade dos cidadãos que terão melhores condições de vida do que actualmente.
Dois jovens portugueses, foram galardoados com prémios internacionais que os honram e lhes abrem novas perspectivas de carreira. Eles mostram que o culto da excelência, não morreu e nem tudo se mede por critérios de mediocridade. O exemplo destes jovens merece ser apontado como objectivo para os nossos estudantes, cada um naquilo para que se sentir mais vocacionado, e merece ser também bem meditado pelos responsáveis pelo ensino e pelas ciências, a fim de darem o apoio mais adequado a quem demonstrar qualidades mais positivas.
No DN vem uma entrevista com Henrique V. Fernandes, investigador do Instituto de Medicina Molecular que é o único investigador português a receber uma bolsa no valor de 1,9 milhões de euros do European Research Council. Reconhece que se torna indispensável criar condições para o regresso dos investigadores que se encontram no estrangeiro, onde se formaram, e que é necessário criar massa crítica para uma melhor competitividade com os cientistas estrangeiros. Agora houve um premiado português entre 200 europeus e é desejável que passem a ser mais. São indispensáveis apoios e estímulos para os estudiosos se formarem e ficarem por cá a desenvolver projectos válidos.
Outra notícia, no Público e no JN, refere-se ao prémio concedido pela UNESCO, relativo às celebrações do Ano Internacional do Planeta Terra, que se comemora em 2008, a Diana Carvalho, de apenas 20 anos, aluna finalista do curso de Comunicação e Multimédia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real. O galardão vai ser recebido nos próximos dias 12 e 13 na sede da UNESCO, em Paris.
A jovem vila-realense foi a vencedora portuguesa deste prémio tendo concorrido com um filme com a duração de três minutos, elaborado com desenhos, programas de edição e filmagens reais em locais como o Douro e as «Fisgas de Ermelo" na Serra do Marão. Com a parte inicial deste trabalho, constituída por desenhos a preto e branco, pretende "alertar para a poluição e a sujidade", enquanto na segunda parte, as imagens "são reais e de cores vivas e fortes do Douro e de Ermelo".
Porém, em contrapartida ao optimismo gerado por estas notícias, surge uma outra no Público que traz por título « Só 12 titulares de cargos públicos pediram segredo de dados ao TC». Enoja-me o SÓ! Penso que 12 já é um número muito exagerado. Realmente, bastava apenas um para nos sentirmos repugnados com os políticos que temos. É pena que esses «só» 12 não vissem os seus dados devidamente investigados e fossem condenados pelas falcatruas que não queriam ver publicadas. Talvez o jornal, ao colocar o «SÓ», queira dizer que há muitos mais que estão em iguais condições mas não tiveram a ousadia de manifestar o seu pecado fazendo igual pedido ao TC. Falta de ousadia ou falta de consciência da sua situação irregular e marginal, no tocante à ética geral (para não falar na ética democrática, muito mais restrita)?
Parabéns aos dois jovens, Diana e Henrique, galardoados e pesar aos políticos que receiam ver publicadas as suas declarações de rendimentos e à justiça que não investigou e condenou as suas fraudes que estiveram na origem do pedido de ocultação.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Despesas de ministros pagas com cartão de crédito
Segundo a notícia «Brasil investiga cartões de ministros», no jornal gratuito de hoje «Global», o Senado brasileiro vai discutir a criação de uma comissão parlamentar de inquérito aos gastos dos ministros e altos funcionários do Estado pagos com cartões de crédito.
O líder da bancada da oposição disse: «é necessário investigar os gastos feitos com cartões corporativos para a compra de bijuterias, materiais de piscina, despesas em churrascarias». No Brasil, as despesas feitas pelos ministros com cartões são públicas.
Isto passa-se no Brasil, um país riquíssimo, que só não é uma potência mundial por obstáculos levantados por vizinhos imediatos e da América do Norte, para não o terem como concorrente na comunidade internacional. E entre nós? Como é? Logicamente, como dispomos de menos riqueza, deveríamos ter um controlo mais apertado, a fim de evitar elevados défices orçamentais e de aliviar o peso fiscal sobre os menos abastados. Será que a lógica é traduzida nas realidades quotidianas? Certamente que não (!) pois até há políticos que requereram ao TC que não publique a sua declaração de rendimentos (!)
Este é um bom motivo para reflexão e, certamente, irá mexer nas memórias de muitos acompanhantes de políticos em viagens ao estrangeiro!
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Correcções políticas a introduzir no País
Texto publicado no semanário Expresso, pelo General Garcia Leandro
O modo como se tem desenvolvido a vida das grandes empresas, nomeadamente da banca e dos seguros, envolvendo BCP e Banco de Portugal, incluindo as remunerações dos seus administradores e respectivas mordomias, transformou-se num escândalo nacional, criando a repulsa generalizada.
É consensual que o país precisa de grandes reformas e tal esforço deve ser reconhecido a este Governo (mesmo com os erros e exageros que têm acontecido).
Alguém tinha de o fazer e este Governo arregaçou as mangas para algo que já deveria ter ocorrido há muito tempo. Mas não tocou nestes grandes beneficiários que envergonham a democracia, com a agravante de se pedirem sacrifícios à generalidade da população que já vive com muitas dificuldades.
O excesso de benefícios daqueles administradores já levou a que o próprio Presidente da República tivesse sentido a obrigação de intervir publicamente.
Mas tudo continua na mesma; a promiscuidade entre o poder político e o económico é um facto e feito com total despudor.
Uma recente sondagem Gallup a nível mundial, e também em Portugal, mostra a falta de confiança que existe nos responsáveis políticos deste regime.
Tenho 47 anos de serviço ao Estado, nas mais diferentes funções de grande responsabilidade, sei como se pode governar com sentido de serviço público, sem qualquer vantagem pessoal, e sei qual é a minha pensão de aposentação publicada em D.R.
Se sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, mantendo sempre uma posição institucional e de confiança no sistema que a III República instaurou, vai enfraquecendo todos os dias.
Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido.
Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa.
É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria; não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões. Isso é um passado enterrado. Tem de ser o próprio sistema político e social a tomar as medidas correctivas para diminuir os crescentes focos de indignação e revolta.
Os sintomas são iguais aos que aconteceram no final da Monarquia e da I República, sendo bom que os responsáveis não olhem para o lado, já que, quando as grandes explosões sociais acontecem, ninguém sabe como acabam. E as más experiências de Portugal devem ser uma vacina para evitar erros semelhantes na actualidade.
É espantosa a reacção ofendida dos responsáveis políticos quando alguém denuncia a corrupção, sendo evidente que a falta de vergonha deve ser provada; e se olhassem para dentro dos partidos e começassem a fazer a separação entre o trigo e o joio? Seria um bom princípio!
Corrija-se o que está errado, as mordomias e as injustiças, e a tranquilidade voltará, porque o povo compreende os sacrifícios se forem distribuídos por todos.
GENERAL GARCIA LEANDRO
(Artigo do semanário "Expresso" )
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Os políticos confessaram?
Para meu espanto, garantiram-me que num jornal diário recente veio a notícia de que políticos requereram ao Tribunal Constitucional para que não fossem tornadas públicas as suas declarações de rendimentos, entregues por imposição legal. Fiquei atónito, nem querendo acreditar.
Esta atitude, contrariando a transparência democrática que a lei estabelece, é uma prova de que Garcia dos Santos, João Cravinho, Cavaco Silva e Marinho Pinto (por ordem cronológica) tinham razão quando afirmaram publicamente que devia ser combatido o enriquecimento ilegítimo, o tráfico de influências, a corrupção. É uma confissão de que existe algo de muito grave que querem ocultar. «Quem não, deve não teme»
Agora se compreende que tenha havido tanto medo das palavras do bastonário da Ordem dos Advogados e que tenham usado a dialéctica assim traduzida em carta ao jornal gratuito GLOBAL de 6 do corrente escrita por C. Medina Ribeiro, de Lisboa, «Se denuncia é porque sabe; se sabe, tem de concretizar e provar; se não concretizar nem provar, está a ofender a todos; se ofende a todos, afinal o malandro é ele!».
Diz o ditado «não há fumo sem fogo» e «quem cabritos vende e cabras não tem de algum lado lhe vêm», mas é cada vez mais difícil apresentar provas, por que os corruptos pretendem viver num casulo secreto, anti-democrático, sem a mínima transparência, em plena imunidade.
Com esta preocupação do secretismo, parece haver da sua parte a noção de que o seu enriquecimento não é legítimo e não pode ser conhecido do povo eleitor. Parece quererem comportar-se como marginais clandestinos, como um bando de malfeitores ocultos nas sombras da noite. Apavoram-se alergicamente com as paredes de vidro. Porquê?
É uma contradição em pessoas que dão tudo para aparecer nas televisões a «arrotar postas de pescada», à conquista de visibilidade, notoriedade, mas, ao mesmo tempo, querem ocultar a sua forma de enriquecimento, que, por lei, são obrigados a declarar.
A assim vai este país com as economias e as actividades paralelas e inconfessáveis. Isto é suficiente razão para aplaudir Marinho Pinto, independentemente da forma musculada como se expressou e do partido a que possa pertencer.
Alguns artigos aqui publicados acerca do tema corrupção:
http://domirante.blogspot.com/2007/01/corrupo-falta-de-vontade-poltica.html
http://domirante.blogspot.com/2007/01/o-poder-no-repudia-corrupo.html http://domirante.blogspot.com/2007/01/scrates-mendes-e-corrupo.html
http://domirante.blogspot.com/2007/01/corrupo-ponta-do-iceberg.html http://domirante.blogspot.com/2007/03/corrupo-e-burocracia-francisco.html
http://domirante.blogspot.com/2007/06/antigo-professor-foi-acusado-de-corrupo.html
http://domirante.blogspot.com/2007/06/corrupo-de-novo-adiada.html
http://domirante.blogspot.com/2007/10/corrupo-pr-voltou-ao-assunto.html http://domirante.blogspot.com/2007/10/corrupo-porm-ela-existe.html
http://domirante.blogspot.com/2007/11/corrupo-e-deontologia-dos-jornalistas.html http://domirante.blogspot.com/2008/01/ecos-das-palavras-de-marinho-pinto.html
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Etiquetas: Corrupção, impunidade, secretismo
Arte Autismo Brasil
Mensagem da mãe de um autista recebida por e-mail que merece ser divulgada para este caso ser conhecido dos leitores a fim de ajudarem na medida em que a arte e a solidariedade os possa interessar.
Oi João Soares,
Entrei no seu blog através de uma pesquisa no google sobre se deve beber-se água gelada ou quente após as refeições. Gostei muito da matéria e do seu perfil que gosta de saber o que se passa pelo mundo.
Eu me chamo Raymunda (Ray) moro no Rio de Janeiro Brasil.
Tenho um filho, o Filipe que tem autismo, mas que pinta quadros.
Tudo começou quando ele tinha dois anos, ele foi incentivado pela terapeuta a desenhar, então com canetinhas ele passou a desenhar mini bolinhas que se agruparam formando céus em três dimensões. Como eu buscava uma resposta para o que ele tinha (na época ele apresentava sintomas do autismo, mas eu não sabia o que era), guardei todos esses desenhos numa pasta. Com o tempo ele deixou de falar, nos informando o que sentia com gestos ou escrevendo já que aprendeu a ler e escrever sozinho com 3 anos. Eu sempre busquei uma cura e não achava, Mas com 18 anos e eu o coloquei em aulas de arte , onde aprendeu a manusear os pincéis.
Eu via muitos quadros produzidos por ele e sua professora. Mas isso eu não queria. Queria algo que viesse do seu inconsciente para saber o que ele tem e o como ele está no seu interior. Fiz uma experiência com ele. Comprei telas e tintas a óleo para ele pintar em casa. Ele então pintou todos esses quadros que estão no site http://www.arteautismo.com/
Nesses trabalhos Não existem nenhuma interferência de nenhuma parte. Seria um crime permitir isso. Essas pinturas mostram que Filipe tem por dentro. Já recebi muitas propostas para vender. Mas não vendi, claro que Filipe precisa de dinheiro para ter suas coisas, mas eu acho que é uma pesquisa todos esses quadros, alguém um dia vai saber o que dizem.
Por isso peço João que você veja o site, se possível agregue aos seus favoritos e indique aos seus amigos. Essa é uma mensagem solitária que envio ao mundo. Como aquela da garrafa que contem uma mensagem dentro e circula pelo mar.
Um grande abraço desde o Brasil
Ray
Publicado também nos blogs,http://cvssemprejovens.blogspot.com/,
http://comnexo.blogspot.com/
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Jornalista fala de jornalistas
Transcrição de artigo de Orlando Castro na revista «Vida Lusa» nº 94
20% dos portugueses ainda acreditam em nós - como são puros e simples estes portugueses
Em Portugal, segundo um estudo da consultora Gallup, os professores merecem a confiança de 42% dos inquiridos, muito acima dos 24% que acreditam nos líderes militares e na polícia, dos 20% que confiam nos jornalistas e dos 18% que optam pelos líderes religiosos. Os políticos são os que menos têm a confiança dos portugueses, já que contam com o apoio de apenas 7%.
Como jornalista espanta-me que 20% dos portugueses acreditem, ainda acreditem, em nós, tantos são os maus exemplos que diariamente por aí aparecem e que revelam (mas, ao que parece, os portugueses desconhecem essa realidade) a nossa total subversão da ética, da deontologia, da moral e da competência.
Ainda não há muito tempo, há no activo quem disso se lembre, havia a censura. Hoje não há censura, há autocensura. Antes havia a censura, hoje há os critérios editoriais. Antes havia censura, hoje há audiências. Antes havia censura, hoje há lucros. Antes havia Jornalismo, hoje há comércio jornalístico.
Ainda não há muito tempo, há no activo quem disso se lembre, a única tarefa humilhante no Jornalismo era a que se realizava com mentira, deslealdade, ódio pessoal, ambição mesquinha, inveja e incompetência. Hoje nada é humilhante desde que dê lucro.
Ainda não há muito tempo, há no activo quem disso se lembre, um Jornalista nunca (nunca) vendia a sua assinatura para textos alheios, tantas vezes paridos em latrinas demasiado aviltantes. Hoje é tudo uma questão de preço.
Ainda não há muito tempo, há no activo quem disso se lembre, se o Jornalista não procurava saber o que se passava no cerne dos problemas era, com certeza, um imbecil. Antes, se o Jornalista conseguia saber o que se passava mas, eventualmente, se calava, era um criminoso. Hoje há cada vez mais imbecis e criminosos.
Ainda não há muito tempo, há no activo quem disso se lembre, os Jornalistas erravam muitas vezes. Hoje não erram. E não erram porque há cada vez menos Jornalistas.
Ainda não há muito tempo, há no activo quem disso se lembre, os Jornalistas sabiam que estavam todos os dias em cima de um tapete rolante que andava para trás. Se queriam ganhar terreno tinham de correr. Não bastava caminhar. Hoje os operários da imprensa ou se limitam a andar nesse tapete e quando derem fé não saíram do mesmo sítio ou, em muitos casos estimulados pelos chefes da linha de enchimento, resolvem andar no sentido do tapete…
Mas como os portugueses são gente simples, ainda há 20% que acreditam em nós. Ou dizem que acreditam.
Orlando CASTRO
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Crises em África
Nos posts Vulnerabilidades da ONU e ONU desrespeitada referia-me à incapacidade das organizações internacionais, nomeadamente a ONU, para recuperarem e manterem a paz e para incrementarem o desenvolvimento, tendo em vista as pessoas, do terceiro mundo. Agora encontrei no blogue Alto Hama vários posts que chamam a atenção para crises gravíssimas em África. Infelizmente, não são originais, mas seria de esperar que já tivessem saída da moda, dos noticiários, da ordem do dia.
O Chade está a ferro e fogo. Desde a sua independência, em1960, com François Tombalbaye na Presidência, não houve nenhum Presidente que tivesse terminado o seu mandato.
1975 Tombalbye foi morto num golpe dirigido por Félix Malloum,
1979 Malloum foi deposto por Oueddei,
1982 Gpukouni Oueddei foi deposto por Hissene Habré,
1990 Habré foi deposto por Idriss Déby, ainda no Poder, mas em risco de seguir o caminho dos seus antecessores.
2006 Rebeldes enfrentam o Exército nos subúrbios da capital.
Janeiro de 2008 UE aprova, uma força de pacificação para o Chade, e nos primeiros dias de Fevereiro, os rebeldes entram na capital e desencadeiam combates que envolvem artilharia pesada.
O Quénia também está novamente em guerra civil. Os tempos de jovem de Jomo Kenyata, do grupo Mau-Mau, da KAU (União Africana do Quénia) ,ais tarde com o nome de KANU (União Nacional Africana do Quénia), não são para esquecer. Tornado independente em 1963, teve uma situação mais ou menos controlada pelo pulso do Presidente Jomo Kenyata até ao seu falecimento1978 com 85 anos. Foi sucedido por Daniel Arap Moi pertencente à pouco numerosa etnia Kalenkin que teve o bom senso de criar uma convivência pacífica entre as diversas etnias e seus líderes e sido reeleito em 1993.
Nas recentes eleições a vitória coube a Mwai Kibaki, mas o seu rival Raila Odinga considerou que as eleições não foram honestas e surgiu o conflito. A onda de violência que assola o país desde 27 de Dezembro, dia das eleições, fez 600 mortos e 200 mil deslocados. As diferentes etnias não se entendem e descarregam ódios ancestrais. Apesar de várias mediações em que se destaca o ex-secretário-geral da ONU Kofi Hanan, têm procurado uma solução sustentável, mas a situação continua por resolver
O Sudão, país mais extenso de África, depara-se com a dissidência do Sul e mais recentemente a do Darfur, que confina com o Chade. As rivalidades entre personalidades fortes no topo da hierarquia têm dificultado a vida do Estado. Vão longe os tempos em que eram sudaneses alguns dos faraós do Egipto. Hoje o Darfur é uma dor de cabeça para a comunidade internacional. O País tem tal instabilidade que o próprio mentor da Al-Qaeda que ali vivera com o comando do seu grupo, decidiu sair para o Afeganistão, por no Sudão não se sentir seguro.
O Sudão está em guerra civil há 46 anos. O conflito entre o governo muçulmano e guerrilheiros cristãos e animistas, baseados no sul do território, revela um aspecto das realidades culturais opostas da nação. As guerras e prolongados períodos de seca têm provocado milhões de mortos e enorme quantidade de deslocados.
A estes casos, há que juntar a situação caótica da Somália, o conflito intermitente entre a Etiópia e a Eritreia, a região dos Grandes Lagos, Serra Leoa, República Centro-Africana, etc
Os Africanos, apesar destas crises endémicas, com origem em rivalidades étnicas, e a impreparação para a gestão dos seus problemas, esperam apoios exteriores, mas a política internacional move-se por interesses egoístas. Por isso, os primeiros passos têm forçosamente por arrancar com a preparação de gestores públicos competentes. Mas, mesmo neste ponto, estão sujeitos a que os melhores saiam à procura de condições de trabalho mais aliciantes em Países ricos, ou estes os vão cativar na origem. Há que tentar parcerias com outros países de onde possa vir uma ajuda ao desenvolvimento compensadora dos recursos que vão sacar. A China está a avançar firmemente, mas resta saber se, da sua intervenção, resultará desenvolvimento das populações locais.
Mesmo na grande e rica Angola, a pobreza de grande parte da população é uma realidade incontornável, muito em oposição à riqueza das elites. Estas, por sua vez, parecem estar a usar de todos os truques para se manterem no Poder autoritário e explorador, já se vislumbrando maquinações para a oposição vir a ser acusada de terrorismo e haver nessas circunstâncias «justificação» para uma perseguição dura. Os serviços secretos não dormem e não falta no estrangeiro quem os possa orientar em tais manigâncias.
Apesar das suas grandes potencialidades em recursos naturais, em tempos recentes, tão valiosos, e hoje muitos deles já com pouco valor comercial, a África passou a ser o continente menos favorecido e atraente das atenções do mundo mais desenvolvido. Impõe-se que haja, por razões humanitárias, consciência da conveniência em que a humanidade passe a olhar para este continente com mais solidariedade. Oxalá os grandes empresários das multinacionais alterem a sua visão em relação aos africanos, com vista a ajudá-los a usufruírem melhor das modernas tecnologias.
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domingo, 3 de fevereiro de 2008
Bancos e política vistos pela «Maria»
Transcrevo esta carta recebida por e-mail do amigo ASM, em que uma pessoa simples, do interior beirão, exprime a sua confusão sobre os acontecimentos recentes do BCP. «Dúvidas» de um cidadão que, à semelhança de muitos outros, não é tão ignorante como os políticos julgam.
"Excelentíssimo Senhor, peço desculpa por tomar a liberdade - que estranha me soa esta palavra nestes tempos que correm! - de lhe escrever. Habituei-me a ler as suas crónicas no Jornal "As Beiras" e, como o senhor diz coisas que não se ouvem nas rádios e televisões e escreve o que os outros não escrevem, atrevi-me. Deus queira que me entenda. Se for possível... Já que eu própria cada vez menos entendo o que se passa.
Vejo na televisão a toda a hora que o maior banco privado português vai ter novos administradores. De início, nem percebi lá muito bem onde estava a novidade. Mas o meu Manel explicou-me que lá no banco andavam todos às avessas e que até o filho do patrão ficou com o dinheiro que era dos accionistas. Mas se o pai é o dono, disse-lhe eu, aquilo é dele também. O meu Manel então mandou-me calar e que não dissesse disparates. Lá essas coisas das finanças eu não percebo... Mas como não sou burra, quis entender melhor. O diacho é que não é fácil. Então, para chefe daquele banco vai concorrer o administrador do maior banco do país, que por sinal é do Estado? O meu Manel lá tentou fazer-me ver a coisa. É assim a modos que o presidente do Benfica sair do clube para ser presidente do Boavista. Eu disse ao meu Manel que desse modo o homem leva consigo os segredos do negócio e o meu Manel até concordou. O meu Manel disse-me também que um desses magnates cheio de nota que fala assim um americano com sotaque da Madeira e viveu na África do Sul onde ficou todo rico e que está sempre a aparecer na televisão e até gosta muito de pinturas comprou acções do banco privado, mas com o dinheiro que pediu emprestado à Caixa, o tal banco público, e que quem lhe emprestou esse dinheiro, o chefe do banco público, é agora o mesmo moço que quer ser chefe do banco privado. E que esse moço, esse senhor doutor, como me corrigiu o meu Manel, e um outro, o doutor Vara são todos do partido do senhor engenheiro que nos governa e do partido do chefe do Banco de Portugal que segundo o meu Manel é uma entidade que regula os bancos, uma espécie de árbitro, disse-me ele. E eu então disse-lhe: Ai homem que já percebi! Se é árbitro não me digas que está feito com uma das equipas, como os outros? O meu Manel mandou-me calar, que eu não percebia era nada de finanças. Nem de finanças, nem de politiquices. Que a mim, quer-me parecer que são a mesma coisa. Os bancos mandam no governo e o governo desmanda dos bancos e uns e outros são farinha do mesmo saco e no fundo quem tudo decide são esses senhores muito ricos. O meu Manel respondeu: é isso! E explicou-me que era uma grande promiscuidade. Eu nem conhecia a palavra, mas quando ele me disse que era assim uma rebaldaria enorme como as da vizinha do segundo esquerdo que anda metida com todos os homens do prédio - todos, menos o meu homem! - então eu fiquei esclarecida.
A carta já vai longa e a modos que confusa. Mas como não haveria uma pobre reformada de andar confusa? Estava para aqui sentada neste banco de jardim e decidi escrever-lhe. Se havia de ficar a matutar no dinheiro que devo na farmácia ou para aqui a dar voltas ao miolo a ver se invento o que fazer para o almoço para não ser sempre só sopa e pão, que até o pão já está mais caro, e do leite nem se fala! Ao peixe e à carne só lá chego em dias de festa, e esses são cada vez mais raros, que a pensãozita vai-se toda na luz, na água e no gás. Na farmácia, lá vou escolhendo os medicamentos, umas vezes trago o do colesterol, outras vezes avio o da tensão. Não é como se quer, é como se pode.
Vejo agora que me alonguei nesta grande confusão. Desculpe qualquer coisinha e obrigada pela atenção. É assim a vida de uma reformada, ensimesmada, para aqui sentada neste banco do jardim.
Maria"
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sábado, 2 de fevereiro de 2008
Data do Carnaval
O Carnaval constitui uma data do calendário religioso, e marca o início da Quaresma, período de 40 dias de penitência e jejum, em memória dos 40 dias de jejum que Jesus passou no deserto. As grandes festas religiosas correspondem a festividades do paganismo, ligadas ao sol e ao calendário lunar. Esta correspondência faz-nos admirar o sentido prático dos filósofos fundadores do cristianismo, que adoptaram todas as festividades do paganismo a fim de as populações da época não serem forçadas a mudanças de costumes. Foi esse sentido prático que faltou ao ministro da Saúde para levar as pessoas a aceitarem as suas reformas, sendo algumas delas necessárias e adequadas às realidades, mas que não foram bem explicadas aos utentes.
Para uso dos leitores deste blogue, deixo aqui um apontamento explicativo da data do Carnaval, uma festa móvel, variável de ano para ano: Depois do equinócio da Primavera a 21 de Março, o primeiro domingo após a primeira lua-cheia (21 de Março, este ano) é a PÁSCOA (eram as festas da Primavera, anteriores ao cristianismo). Neste ano é em 23 de Março. Contando sete semanas para trás, período da quaresma, chega-se ao Domingo Gordo (3 de Fevereiro) e o CARNAVAL é na terça-feira seguinte (5 de Fevereiro).
Parece ser fácil descortinar a mobilidade destas festas! Este ano a data é quase a mais temporã possível. Para a Páscoa ser a 21 seria necessário que esse dia fosse domingo e fosse Lua-cheia, grandes coincidências, muito raras!
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A corrupção por cá
«À mulher de César não basta ser séria, precisa de o parecer.» Em Países que cultivam a imagem de progresso e eficácia na melhoria da vida das pessoas, o combate à corrupção é uma preocupação permanente, sem excepções. E tem que ser assim, porque os maiores beneficiados por ela em prejuízo dos interesses do Estado (de todos os cidadãos) são os ocupantes das cadeiras do Poder e os que os cercam. Errar é humano e nem todos conseguem vencer as tentações que se aliam à ambição exagerada, o que conduz à existência desse cancro por todo o lado. Mas, essa é mais uma razão para incrementar o esforço no seu combate.
Em 1976, na Holanda, a monarquia atravessou uma crise, na sequência de um escândalo económico que envolveu o marido da Rainha Juliana na compra de aviões. Devido a este caso, a rainha viu-se forçada a abdicar do trono em favor da sua filha Beatriz, em 1980.
Em 1996, na Coreia do Sul, dois antigos Presidentes que tinham sido dois fortes pilares no desenvolvimento do País na fase muito positiva da construção da economia nacional que elevou o País na concorrência mundial, ouviram as sentenças por terem sucumbido ao favorecimento de empresas a troco de «atenções», RohTae-Woo foi condenado a 22 anos de prisão e Chun Doo Hwan foi condenado à morte. O bom trabalho que o País lhes devia não impediu estas sentenças exemplares.
Da República da África do Sul, chega agora a notícia de que o comissário da polícia Jacob Selebi, mais conhecido por Jackie Selebi, figura destacada do Congresso Nacional Africano (ANC), o partido no poder, é acusado de corrupção, bem como de ter aceite luvas no valor de 1,2 milhões de randes (108 mil euros) e obstruído a justiça, pelo que foi presente em tribunal para julgamento.
Por cá, já há dezenas de anos foi falado o caso de duas pessoas terem sido condenadas por terem entregue um cheque de 50 mil contos a uma alta entidade e esta, tendo sido julgada em processo separado, foi absolvida por falta de provas!
No entanto, tem havido condenações em agentes da Brigada de Trânsito, da PSP e das Forças Armadas, porque se trata de organizações com rigor de critérios, com códigos de honra que não perdoam indisciplina. Mas são pessoas afastadas das cúpulas políticas, pois estas são imunes. No entanto, que nestes areópagos há essa mazela, não restam dúvidas embora o simples cidadão não possa apresentar provas. Já foi denunciada a sua existência e a necessidade de ser combatida, por vozes poderosas, como Garcia dos Santos, João Cravinho, Aníbal Cavaco Silva e, agora, António Marinho Pinto.
De pouco vale agora atirarem-se a este último pela forma como se referiu ao caso, procurando fazer esquecer a essência das suas palavras, porque o povo não se deixará iludir com manobras evasivas. Seria bom que, como nos casos estrangeiros atrás referidos, se procedesse com seriedade e sentido de Estado. Os casos da Coreia e da Holanda devem ser tomados como exemplo da maior honestidade de actuação contra um tal flagelo.
Sobre este tema já foram aqui publicados mais de uma dúzia de posts.
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Segurança ou cerceamento da Liberdade?
A Humanidade, tal como tudo quanto é vivo, é instável e sofre alterações quase que em permanência. Um dos factores constantes é a ambição de poder e de notoriedade dos governantes, e um factor evolutivo é o desenvolvimento das tecnologias que colocam ao serviço daqueles ferramentas cada vez mais sofisticadas para satisfação dos seus objectivos.
Nas ambições tradicionais dos políticos insere-se o controlo, a «segurança» das populações, o que se sobrepõe a muitos outros aspectos não negligenciáveis no respeitante ao bem-estar e qualidade de vida do povo. Essa «segurança» é um pretexto para pôr em prática medidas restringentes das liberdades individuais, que contribuem para um domínio cada vez mais totalitário das pessoas.
É por isso que são exageradamente amplificados os perigos de actos terroristas, com o pretexto de aumentar a vigilância sobre todos, mesmo os cidadãos mais inocentes, de abusar da circulação de informação pessoal que, mesmo que possa ser útil em investigações, "não pode ser a panaceia para resolver os desafios resultantes do terrorismo e do crime organizado». A guarda de informações de inocentes e a sua manutenção em arquivo presta-se às piores violações da privacidade, principalmente se houver acesso por parte de pessoas menos escrupulosas, o que não pode ser evitado em absoluto.
Impõe-se um meticuloso cuidado para evitar o exagero dos controlos das pessoas, a tendência generalizada para a limitação do direito dos cidadãos à privacidade e o que se refere à utilização policial de dados pessoais. Em democracia, deve ser respeitada a Liberdade como coisa sagrada e quem a tem deve saber utilizá-la com civismo, isto é, com consciência que ela tem por limite a dos outros.
Este tema merece séria ponderação no momento em que está a ser exageradamente ampliado o perigo de terrorismo e de crimes organizados. Já está em curso uma subtil campanha para implantar chips em crianças e em idosos, com o pretexto de sequestros e desaparecimentos. O mesmo se passa com a quantidade crescente de videovigilância em lugares públicos e em estabelecimentos comerciais, de escritórios, etc.
Os passos dados em cada dia, os hábitos higiénicos, a saúde, tudo deixa de ser assunto pessoal para estar ao alcance de muitas pessoas que podem divulgar impunemente. Outrora, o médico não podia divulgar pormenores sobre a saúde dos clientes, mas hoje quando se vai pela segunda vez fazer análises a um laboratório, o relatório traz também o resultado das análises anteriores, porque estavam lá e lá continuarão sem autorização do doente. Se nuns casos esta retenção de informação pode não ter inconveniente, noutros casos será de todo reprovável.
Desta forma, é preocupante o que está a passar-se com ampliação do medo doentio do terrorismo, em vez de serem tomadas medidas discretas, silenciosas, mas eficazes para o evitar ou reduzir-lhe os efeitos. O medo não evita.
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Ecos das palavras de Marinho Pinto
As afirmações do bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto tiveram um efeito de terramoto, embora pouco mais dissessem do que o que tinha sido trazido a público pela iniciativa de João Cravinho ao propor legislação para combater a corrupção e o enriquecimento ilegítimo, e daquilo que se ouve nos transportes públicos e em qualquer grupo de pessoas nas filas de espera para atendimento nos serviços públicos.
Transcrevem-se quatro excertos de artigos (linkados) que abordam o assunto. É estranho que os políticos tentem manter o caso aceso em vez de procurarem que depressa caia no esquecimento, vendo-se que não tiveram o discernimento suficiente para aprender a lição do caso da «licenciatura» de José Pinto de Sousa que, depois da arrogância e fanfarronice de levar a queixa a tribunal, acabou por compreender que era melhor silenciar o caso!
Decidindo averiguar o caso em profundidade, acabam por matar a galinha dos ovos de ouro que segundo Cravinho e Marinho Pinto geram as tais riquezas ilegítimas, mas não chegarão a tal ponto pois, se não apagarem agora tal chama, acabarão mais tarde por apagar, de forma mais escandalosa, um fogo muito mais visível.
Eis os excertos atrás referidos, por ordem alfabética.
Transcrição de Audição a Marinho Pinto fica em suspenso
Marinho Pinto falou de um ministro das Obras Públicas que terá adjudicado obras a uma empresa à qual veio a presidir, bem como de "dois ministros recentes" que terão levado ao abate "do dia para a noite" de dois mil sobreiros. Sócrates disse desconhecer sobre quem podiam recair as insinuações e chutou a bola para o bastonário: "Eu nada sei sobre o que ele pretende dizer e, portanto, essa explicação é devida ao País e isso é com o sr. bastonário". O bastonário tinha dito que "existe em Portugal uma criminalidade que anda por aí impunemente a exibir benefícios e não há mecanismos para lhes tocar".
Transcrição de «Corrupção»
O que é que disse o bastonário dos advogados de tão extraordinário para causar tal estremecimento nacional? Que há negócios chorudos feitos com empresas por ministros que acabam nos respectivos conselhos de administração. Que há verbas a engrossar miraculosamente as contas de partidos, após certos e determinados governantes terem, alegadamente, feito manigâncias com o património do Estado. Que a confusão entre o Estado e os privados é total, sempre em prejuízo do primeiro, ou seja, nós, cidadãos, e a favor dos últimos. Enfim, que "a corrupção do Estado" é o cancro da nossa sociedade. (…) Não é por acaso que os políticos aparecem, numa sondagem da Gallup para o Fórum Económico e Mundial, como os mais desonestos e os menos sérios para governar. Salvam-se, curiosamente, os professores, como sendo a profissão mais fiável, justamente a classe mais atacada, mais rebaixada e mais empobrecida nos últimos anos pelo poder político. Por que será?
Transcrição de «O inquérito do costume»
O bastonário da Ordem dos Advogados provocou um pequeno terramoto na morna vida política portuguesa ao dizer em voz alta o que toda a gente diz em voz baixa, que há corrupção aos níveis mais altos do Estado, defendendo (disso é que já ninguém se lembraria, depois do risível inquérito parlamentar do "envelope 9") uma "investigação parlamentar às fortunas de alguns políticos". Segundo o bastonário, há "membros do Governo que fazem negócios com empresas privadas e depois, quando saem, vão para administradores dessas empresas", lembrando ainda, a propósito dos chorudos pareceres com que o Governo alimenta certos escritórios de advogados (e não só), que "se esbanjam milhões em pagamentos de serviços de utilidade duvidosa e depois não há dinheiro para necessidades básicas". No Governo e no Parlamento toda a gente assobiou, como é costume, para o ar, pedindo, como é costume, "provas", e o procurador-geral da República abriu o habitual inquérito, a lixívia com que em Portugal se lavam mais branco as nódoas até passarem ao esquecimento. Entretanto foi conhecido um estudo realizado pela Gallup para o Fórum Económico Mundial que revela que quase metade (48%) dos portugueses considera os políticos desonestos. Abra-se também um inquérito aos portugueses.
Transcrição de «Parem de brincar com as palavras»
Os partidos políticos não podem ajudar à farsa que é a exigência de que quem denuncia apresente logo as provas e o processo instruído ou que fique calado. Não é a um denunciante que compete fazer isso e esta artimanha tem servido a impunidade e é o fermento da corrupção. Com a morosidade e a ineficácia da justiça em Portugal, a probabilidade mais elevada é que o denunciante seja, ele próprio, punido por uma acção oportunistamente levantada por um prevaricador protegido por estratégias dilatórias que entre recursos e pareceres liquidam a justiça.
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sábado, 26 de janeiro de 2008
Sociedade formatada no sistema binário!!!
Quando se escreve ou, por qualquer outra forma, se emite uma opinião, é impossível agradar a todos e qualquer preocupação nesse sentido seria castrante e distorceria o discurso. E, quando se chama a atenção das pessoas para um caso de cariz mais ou menos político que mereça reflexão, aparece alguém, por exemplo o «cenoura» ou «laranja» autor dum comentário a um post que não consegue ver o mundo senão através da óptica partidária, com uns antolhos adequados, mas que não se inibe de arrogância facciosa.
Depois, ou caluniam que é rosa-vermelho, ou fascista de extrema-direita, ou «xuxalista», ou comuna. Parece um fotógrafo de há 100 anos que apenas sabia trabalhar com fotografias a preto e branco. Mas, mesmo esses, eram mais hábeis e artistas pois aceitavam o cinzento mais ou menos escuro, em múltiplas tonalidades de luminosidade.
Pobre mundo esse, formatado em sistema binário, em que há muita gente a pensar em termos de sim ou não, de nós ou os diferentes, de preto ou branco, de cenoura ou os outros. Dessa forma, é impossível analisar a multiplicidade de tonalidades da humanidade ou até de uma sociedade de tão pequenas dimensões como a portuguesa. Um comentador que não sei se será cenoura ou laranja, acusou-me de não ser prático, mas ele ultrapassou a minha teoricidade, só que eu procuro não ser partidário e manter uma imparcialidade e isenção que permita ver o mundo a cores e não a preto e branco, em sistema de sim ou não, coisa que ele não consegue.
E essa estreiteza de raciocínios está na origem de todo o mal gerado pelas más decisões políticas. Por exemplo as decisões oníricas do ministro da Saúde e os seus frequentes recuos, em função das manifestações de populações e autarquias que não foram ouvidas com oportunidade.
Outro caso de obsessão legislativa arrogante vem sendo observado, ao longo de décadas, nas alterações do Código da estrada. Os acidentes continuam; a tragédia não pára. E, embora as leis existentes, se fossem cumpridas, evitariam essa sangria, os governantes decidem alterá-la agravando as multas e dificultando a vida às pessoas. Mas as novas leis também não são cumpridas e os resultados são a continuação da sinistralidade rodoviária.
Oxalá que os nossos anjos da guarda não nos abandonem completamente!
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Portugal vai ressurgir!!!
A forma como o Hino Nacional é sentido pelas pessoas merece reparos parecidos com os do Pai Nosso. Nem todos o cantam ou rezam, mas muitos dos que papagueiam as suas palavras não meditam nas ideias por elas expressas.
A frase «levantai hoje de novo o esplendor de Portugal» não está devidamente interiorizada pela grande maioria dos portugueses nem, o que é mais preocupante, pela generalidade dos representantes políticos.
Mas já surgem novos sóis a despontar no horizonte
No artigo do Público, «Dura lex sed lex?», Maria José Nogueira Pinto, faz um diagnóstico , que embora não sendo original, diz que «na nossa tradição portuguesa é conhecida a febre legislativa que tem conduzido a leis mal pensadas e pior redigidas. Ora uma má lei é pior que lei nenhuma e uma lei repleta de contradições, omissões e lacunas vai perdendo os fundamentos e os objectivos que a justificaram, de excepção em excepção, transformando-se num mero articulado que todos querem furar»
Já há quase um ano, Cavaco Silva
É curioso que entidades diferentes em locais distintos e de forma bem significativa, reconheçam a doença dos políticos legislarem para vaidade própria sem terem em atenção a viabilidade do cumprimento das leis que dão à luz. Esse vício insensato cria a descredibilização da política. As leis devem ser cumpríveis.
Não faltam diagnósticos de que existe doença e é preciso aplicar a devida terapia. Vejamos alguns sinais de que ela poderá estar a caminho.
Começo pela notícia de que « MP arquivou queixa de José Sócrates contra o autor do blogue Do Portugal Profundo», por as procuradoras considerarem «que escritos de António Balbino "se inscrevem no exercício do direito de crítica" e Sócrates queixara-se de ofensa pessoal e política. Isto demonstra que a Justiça está independente de eventuais pressões ocultas da parte do Poder, o que é um bom sintoma.
Segundo o artigo «O negócio das ideias», Rui Rio não faz ideia do que há-de fazer com o património municipal, e decide abrir um concurso de ideias (para o Bolhão, para o Ferreira Borges, para isto e aquilo). Há que reconhecer a sua lucidez, sabendo de quem está rodeado, arranjou uma solução engenhosa. Sairia muito mais caro à cidade se a vereação desatasse a pensar pela sua cabeça e a ter ideias de que resultassem mamarrachos disformes para cedo terem de ser demolidos, do que Rui Rio mandar comprá-las fora.
Um outro sintoma de mudança aparece na bancada parlamentar do PSD que recorre à assessoria que a agência de comunicação Cunha Vaz e Associados (CV&A) vai passar a dar ao grupo parlamentar do partido. Realmente, com o recurso a consultores da «classe civil» para suprir a incapacidade dos responsáveis políticos, apesar de profusamente assessorados, começa a sentir-se a aproximação do momento em que se fará a redução dos órgãos do Estado e das Autarquias à expressão mais simples e contratar um mínimo de consultores devidamente seleccionados em concursos, em função da sua competência já comprovada, da sua isenção imparcialidade, honestidade e rigor. Certamente, com um contrato por tarefas bem especificadas em que o objectivo seja servir Portugal e os portugueses, ficaremos melhor servidos e não teremos as leis «mal pensadas e pior redigidas» nem as Autarquias terão pessoal inútil que tenha de ser suprido por «concursos de ideias» ou por contratos de assessoria.
Além desta réstia de esperança num futuro melhor, há uma outra que muito me agradou. Alimentava uma ligeira fé que na geração das actuais crianças de 10 anos apareça meia dúzia de superdotados que se insurjam contra a herança podre que recebem dos pais e avós, dêem um ponta-pé no sistema e avancem segundo um rumo que conduza a objectivos mais consentâneos com o desenvolvimento do bem-estar e do poder de compra da população.
Essa fé parece ter sido ultrapassada e parece não ser preciso esperar tanto tempo para que se levante de novo o esplendor de Portugal. Segundo a notícia «100 jovens querem desenvolver o país»
O País precisa de inteligências, com boa vontade e honestidade que definam objectivos e programem a acções que a eles conduzam, com metas bem fixadas e resultados quantificados sem fantasias e combatam as iniquidades, corrupções e desperdícios de recursos. Só uma organização eficiente servida por pessoas motivadas para a criatividade, a produtividade e o rigor, se consegue a competitividade que traz o prestígio de que necessitamos. Esse prestígio que desejamos e não temos não se consegue com corridinhas na Praça Tianmen ou nos jardins da Casa Branca. Essas manifestações não passam de vaidade infantil com ambição de visibilidade. O verdadeiro valor dum País e a sua melhor imagem assentam em valores muito mais elevados.
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Presidente do LNEC desmente Sócrates e Lino
Governo conhece conclusão desde Dezembro
O primeiro-ministro conhece as conclusões do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) sobre o novo aeroporto de Lisboa desde 19 de Dezembro, garantiu, ontem, o presidente do organismo. Segundo Carlos Matias Ramos, o ministro Mário Lino, por seu turno, estava ao corrente da preferência por Alcochete desde o início de Dezembro.
De acordo com Matias Ramos, que falava numa audição na Comissão parlamentar de Obras Públicas, o primeiro-ministro chamou-o à residência oficial no dia 19 de Dezembro onde, numa reunião em que também estavam os ministros Mário Lino e Silva Pereira, apresentou as conclusões do estudo que foi revelado publicamente a 10 de Janeiro passado. Na altura, explicou, ficou decidido que se manteria silêncio sobre o documento, para que a decisão pudesse depois ser tomada "sem fugas de informação".
Já Mário Lino, adiantou, estava ao corrente da "inclinação" por Alcochete "muito antes", pois o estudo ficou concluído, "em termos de aglutinação de equipas", a 30 de Novembro. "No início de Dezembro fui apresentá-las (as conclusões) ao ministro", que, desde aí as "conhecia perfeitamente".
No dia 10 de Dezembro, após o Conselho de Ministros onde o Executivo decidiu lançar a avaliação ambiental estratégia para a confirmação de Alcochete, o primeiro-ministro disse ter recebido o estudo apenas na véspera. Um dia antes, Mário Lino afirmara, ter recebido o documento "de manhã", garantindo que estava já "a trabalhar nele".
Matias Ramos confirmou, contudo, que o relatório completo só foi, de facto, entregue a 9 de Janeiro, após o LNEC ter "cerzido", ou unificado num só documento, os relatórios parciais, o que justificou o adiamento do prazo previsto para a entrega do documento (12 de Dezembro].
As declarações de Matias Ramos desmentem, na prática, quer o primeiro-ministro, quer o ministro das Obras Públicas, que antes de dia 10 de Janeiro garantiram sempre desconhecer as conclusões do LNEC. No entanto, o dirigente do organismo público acabou, também, por se contradizer a si mesmo dia 9 de Dezembro, depois de o semanário "Sol" ter avançado com a indicação de que o documento do LNEC dava "preferência" por Alcochete, o LNEC emitiu um comunicado a desmentir "categoricamente" o jornal.
RDL, Jornal de Notícias
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Arquivado processo contra «blogger» Caldeira
Arquivada queixa-crime de Sócrates
O Ministério Público mandou arquivar a queixa-crime por difamação apresentada, em Junho do ano passado, por José Sócrates contra o "blogger" António Balbino Caldeira, devido a um conjunto de textos que escreveu sobre a licenciatura do primeiro-ministro em Engenharia Civil na Universidade Independente (UNI).
Recorde-se que o professor do Instituto Politécnico de Santarém, autor do blogue "Do Portugal Profundo", foi o primeiro a levantar o véu sobre o caso do diploma do primeiro-ministro, que encheu de polémica a Primavera do ano passado. Segundo o próprio escreve no seu blogue, o despacho de arquivamento, que recebeu ontem e com data de sexta-feira passada, terá sido assinado pelas procuradoras-gerais adjuntas Maria Cândida Almeida (directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal) e Carla Dias.
"O Ministério Público arquivou e mandou notificar o cidadão José Sócrates e primeiro-ministro para deduzir, se o entendesse, no prazo indicado, acusação particular. José Sócrates não deduziu acusação particular contra mim e o Ministério Público determinou o arquivamento dos autos", revela António Balbino Caldeira.
O processo contra o professor tem, assim, o mesmo desfecho do que o inquérito levantado pela Procuradoria-Geral da República ao caso da licenciatura de Sócrates, arquivado em Agosto passado, por não se ter verificado a prática de crime de falsificação de documento.
Caldeira, que chegou a acusar o primeiro-ministro de "falta de coragem", devido ao processo-crime", dedica o "veredicto" de sexta-feira especialmente àqueles "que sofreram acusações e perseguições pelo que escrevem".
(Do Jornal de Notícias)
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