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sexta-feira, 11 de junho de 2010

É urgente uma ruptura seguida de reestruturação

O PR mostrou estar consciente de que o país vive uma situação insustentável e apelou à coesão e à repartição dos sacrifícios “de forma equitativa e justa”, o que vem ao encontro de sugestões já aqui trazidas a lume. A solução não se obterá com «paninhos quentes» mas exige a eliminação das causas reais que estiveram na origem e na continuação da crise, e já aqui enumeradas quer em posts quer em comentários.

No post Cortar o défice, reformar o regime, além do repetidamente referido código para bem governar era referido Código ou compromisso alargado e duradouro sugerido numa reunião de empresários que, agora, tem condições para ser preparado dada a unidade suscitada entre os parceiros sociais em resposta ao apelo do PR.

Existe, assim, um momento a não desperdiçar para Portugal procurar uma estratégia para um novo ciclo e para se efectuar um «contrato de coesão», com o qual se imponham valores éticos, se combata a corrupção e os gastos exagerados e sem justificação racional, a fim de conseguir a «valorização do potencial do País». É altura de nos consciencializarmos, a começar pelos políticos, de que «acabou a ilusão» e de que a crise não desaparecerá por acção de varinha mágica, mas irá continuar «neste ano e no próximo», pelo menos.

Vamos estar atentos às acções inteligentes, patrióticas, supra-partidárias, colocando os interesses nacionais como alvo a atingir, acima de tudo, e eliminando com coragem e frontalidade todos os vírus e bactérias que sugam imoralmente os recursos financeiros de Portugal, acabando com todas as benesses especiais que criam cidadãos de primeira acima de todos os cidadãos nacionais.

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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Portugal vai ressurgir!!!

A forma como o Hino Nacional é sentido pelas pessoas merece reparos parecidos com os do Pai Nosso. Nem todos o cantam ou rezam, mas muitos dos que papagueiam as suas palavras não meditam nas ideias por elas expressas.

A frase «levantai hoje de novo o esplendor de Portugal» não está devidamente interiorizada pela grande maioria dos portugueses nem, o que é mais preocupante, pela generalidade dos representantes políticos.

Mas já surgem novos sóis a despontar no horizonte

No artigo do Público, «Dura lex sed lex?», Maria José Nogueira Pinto, faz um diagnóstico , que embora não sendo original, diz que «na nossa tradição portuguesa é conhecida a febre legislativa que tem conduzido a leis mal pensadas e pior redigidas. Ora uma má lei é pior que lei nenhuma e uma lei repleta de contradições, omissões e lacunas vai perdendo os fundamentos e os objectivos que a justificaram, de excepção em excepção, transformando-se num mero articulado que todos querem furar»

Já há quase um ano, Cavaco Silva disse que "não é bom que o legislador crie leis que geram expectativas nas populações e depois constata-se que não consegue dar cumprimento àquilo que legislou". No mesmo jornal a deputada do PS Maria Antónia Almeida Santos disse que «é importante haver uma lei que seja efectivamente para cumprir".

É curioso que entidades diferentes em locais distintos e de forma bem significativa, reconheçam a doença dos políticos legislarem para vaidade própria sem terem em atenção a viabilidade do cumprimento das leis que dão à luz. Esse vício insensato cria a descredibilização da política. As leis devem ser cumpríveis.

Não faltam diagnósticos de que existe doença e é preciso aplicar a devida terapia. Vejamos alguns sinais de que ela poderá estar a caminho.

Começo pela notícia de que « MP arquivou queixa de José Sócrates contra o autor do blogue Do Portugal Profundo», por as procuradoras considerarem «que escritos de António Balbino "se inscrevem no exercício do direito de crítica" e Sócrates queixara-se de ofensa pessoal e política. Isto demonstra que a Justiça está independente de eventuais pressões ocultas da parte do Poder, o que é um bom sintoma.

Segundo o artigo «O negócio das ideias», Rui Rio não faz ideia do que há-de fazer com o património municipal, e decide abrir um concurso de ideias (para o Bolhão, para o Ferreira Borges, para isto e aquilo). Há que reconhecer a sua lucidez, sabendo de quem está rodeado, arranjou uma solução engenhosa. Sairia muito mais caro à cidade se a vereação desatasse a pensar pela sua cabeça e a ter ideias de que resultassem mamarrachos disformes para cedo terem de ser demolidos, do que Rui Rio mandar comprá-las fora.

Um outro sintoma de mudança aparece na bancada parlamentar do PSD que recorre à assessoria que a agência de comunicação Cunha Vaz e Associados (CV&A) vai passar a dar ao grupo parlamentar do partido. Realmente, com o recurso a consultores da «classe civil» para suprir a incapacidade dos responsáveis políticos, apesar de profusamente assessorados, começa a sentir-se a aproximação do momento em que se fará a redução dos órgãos do Estado e das Autarquias à expressão mais simples e contratar um mínimo de consultores devidamente seleccionados em concursos, em função da sua competência já comprovada, da sua isenção imparcialidade, honestidade e rigor. Certamente, com um contrato por tarefas bem especificadas em que o objectivo seja servir Portugal e os portugueses, ficaremos melhor servidos e não teremos as leis «mal pensadas e pior redigidas» nem as Autarquias terão pessoal inútil que tenha de ser suprido por «concursos de ideias» ou por contratos de assessoria.

Além desta réstia de esperança num futuro melhor, há uma outra que muito me agradou. Alimentava uma ligeira fé que na geração das actuais crianças de 10 anos apareça meia dúzia de superdotados que se insurjam contra a herança podre que recebem dos pais e avós, dêem um ponta-pé no sistema e avancem segundo um rumo que conduza a objectivos mais consentâneos com o desenvolvimento do bem-estar e do poder de compra da população.

Essa fé parece ter sido ultrapassada e parece não ser preciso esperar tanto tempo para que se levante de novo o esplendor de Portugal. Segundo a notícia «100 jovens querem desenvolver o país», uma centena de empreendedores de várias áreas, com menos de 45 anos, e que não pretende ser mera "espectadora de Portugal", vai apresentar um documento com as "opções de uma geração" para o futuro do país. "Não se trata de um movimento contra nenhum Governo, mas de uma geração que se recusa a aceitar tranquilamente as escolhas de outros». «É uma geração que herdou da geração anterior a democracia e a integração no espaço europeu, mas entende que isso hoje não basta e é preciso outro tipo de exigência." "Não é um ponto de chegada, mas de partida", será uma tomada de posição de uma geração "que não se revê num Portugal sentado de mão estendida para Bruxelas, à espera de um cheque para resolver os problemas". "Devemos ser actores, não espectadores".

O País precisa de inteligências, com boa vontade e honestidade que definam objectivos e programem a acções que a eles conduzam, com metas bem fixadas e resultados quantificados sem fantasias e combatam as iniquidades, corrupções e desperdícios de recursos. Só uma organização eficiente servida por pessoas motivadas para a criatividade, a produtividade e o rigor, se consegue a competitividade que traz o prestígio de que necessitamos. Esse prestígio que desejamos e não temos não se consegue com corridinhas na Praça Tianmen ou nos jardins da Casa Branca. Essas manifestações não passam de vaidade infantil com ambição de visibilidade. O verdadeiro valor dum País e a sua melhor imagem assentam em valores muito mais elevados.

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