Depois de ler o artigo que diz que os restos de Saramago viajaram para Portugal a bordo de um avião militar C-295, recebi dois e-mails que transcrevo, por darem uma visão diferente do muito que foi publicado e que poderá completar o seu retrato real.
1. Por António de Oliveira Martins
José Saramago: Na morte de um homem mau
Morreu um homem amargo e mau, incapaz de sorrir, que se esforçava por tornar a sua Pátria amarga, como ele.
José Saramago, era de facto um homem mau. Provava-o a sua cara vincada incapaz de exprimir um sorriso, prova-o a sua escrita prenhe de ódio e crítica aos valores mais normais e caros à civilização que o viu nascer, valores esses que ele, com as suas ideias, suas declarações e sua obra, renegou em Lanzarote. Será que no fundo, Saramago, para além do seu marcado azedume e soberba, tinha valores? Nunca o saberemos.
Repito, José Saramago era um homem mau. Que o digam os seus colegas, que em pleno período revolucionário foram vítimas de saneamentos selvagens. O homem, nessa época, tinha o “estribo nos dentes”, e era imparável algoz como sub-director do Diário de Notícias. Tinha por desporto arruinar a vida de quem não era comunista como ele.
Foram 87 anos de infecundidade, travestida de um aparente sucesso, revelado pelos livros que vendeu, e pela matreira estratégia de marketing que o conduziu ao Prémio Nobel, em detrimento de outros escritores Lusos, genuinamente com mais categoria e menos maldade crónica do que ele. Penso, por exemplo, no insuspeito Torga.
Tentei ler dois livros dessa personagem, para com honestidade poder dizer que, para além de não gostar dele como pessoa, o não considerava como um bom escritor, e que ofendia na sua essência a cultura Cristã da nossa Grei. Consegui apenas ler um, e o início de outro. A sua escrita, para além de ser incorrecta, era amarga como as cascas dos limões mais amargos. A sua originalidade era, afinal, o sinistro das suas ideias; o que, convenhamos, é pouco original. É mais fácil ser sinistro, provocador e mau, do que ter categoria, e valor. Saramago optou pelo mau caminho, como sempre, o mais fácil. E teve aparentemente sorte, na Terra, que a eternidade pouco lhe reservará.
Fiquei contente quando ameaçou (apenas ameaçou, porque na realidade a sua vaidade não lho permitia praticar), nunca mais pisar solo Pátrio. Uma figura como ele, é melhor estar longe da Pátria que em má hora o viu nascer. Afinal de que serve a este Portugal destroçado, um Iberistra convicto, ainda para mais, estalinista? Teria ficado bem por essas ilhas perdidas de Espanha, não fosse uma série de lacaios da cultura dominante “chorarem” por ele, por aqui por terras lusas, alimentando-lhe a sua profunda soberba.
Para além da sua obra escrita, de qualidade duvidosa e brilhantemente catapultada por apuradas técnicas comerciais que lhe conseguiram um Prémio Nobel da Literatura, (prémio com cada vez menos prestígio devido à carga política que contém), nada deixou em herança, para além de certamente muito dinheiro, o que é um contra-senso para um qualquer estalinista como ele. Mas a sua existência foi um perfeito logro. Foi uma existência desnecessária.
Saramago afastou-se da Pátria, e estou certo de que a Pátria, no seu todo mais puro, que não no folclore da "inteligentzia", não teve saudades dele. Foi uma bandeira da esquerda ortodoxa, e também da esquerda ambígua, essa do Primeiro-Ministro que nos desgoverna. Dessa mesma esquerda que decidiu usar o nosso dinheiro, para trazer em avião da Força Aérea Portuguesa, os seus restos inanimados para Portugal, a expensas de todos nós, e infamemente coberto com a Bandeira Nacional. Um Iberista, coberto com a Bandeira Nacional, que Saramago ofendeu vezes incontáveis, na essência da sua obra, e no veneno das suas declarações públicas. Era um relapso. Um indesejável.
Um homem que voluntariamente se afastou da sua Pátria, comentando-a de uma forma negativa no Estrangeiro, não é digno de nela entrar cadáver, coberto com a sua Bandeira. A bandeira de Saramago, era a do ódio, da arrogância, e da maldade praticada.
Mas os símbolos Nacionais estão hoje nas mãos de quem estão, e a representação das “vontades” Nacionais, está subordinada a quem está: à esquerda, tão sinistra como foi Saramago. Assim sendo, as homenagens que lhe fazem, incluindo os exagerados e ilegítimos dois dias de Luto Nacional, valem o que valem, e são apenas um acto de pura “camaradagem”, na verdadeira acepção da palavra. Quem nos desgoverna, pode cometer as maiores atrocidades, que ao povo profundo só resta pagar, e calar. Até ver.
Amanhã, Saramago mergulhará pela terceira vez nas chamas. A primeira, terá sido quando nasceu, e ao longo de toda a sua vida, retrato que foi de ódio e maldade pela sua imagem espelhados e espalhados; a segunda, terá sido quando o seu corpo ficou irremediavelmente inanimado, e estou certo de que entrou no Inferno, a confraternizar com o seu amigo Satanás; a terceira, amanhã, será quando o seu corpo inerte e sem alma, entrar para ser definitivamente destruído, no Crematório do Alto de S. João.
Será um maravilhoso e completo Auto de Fé. O Homem e a sua obra venenosa, serão queimados definitivamente nas chamas da terra, que nas da eternidade já o foram no dia em que morreu.
De Saramago recordaremos um homem que não sabia rir, que gostava certamente muito de dinheiro, e que o terá ganho, que era mau e vaidoso, e que o provou ao longo da sua vida, que quis viver longe da sua Pátria por a ela não saber ter amor, e que foi homenageado por meia dúzia de palhaços esquerdistas, “compagnons de route” coniventes com um dos últimos fósseis estalinistas, que ilustrava uma forma de estar na vida e na política sem alma, amoral, e que globalmente contribuiu para a destruição de toda uma Pátria, e suas tradições.
Ocorreu ontem, quando soube que este cavalheiro de triste figura tinha morrido, que estaria por certo no inferno, sentado com Rosa Coutinho, também lá entrado há poucos dias, à espera de Mário Soares e Almeida Santos, para os quatro juntos jogarem uma animada e bem “quente” partida de sueca...
O País está mais limpo. Um dos maiores expoentes do ódio e da maldade, desapareceu da superfície da Terra. Espero que a Casa dos Bicos, um dia possa ter melhor função, do que albergar a memória de tão pérfida personagem. As suas letras, estou certo de que cairão no esquecimento, ao contrário das de Camões, Torga ou Pessoa, entre muitos outros.
Apesar de tudo, e porque sou Católico (e porque a raiva não é pecado), que Deus tenha compaixão de tão grande pobreza, mas que se lembre fundamentalmente de nós, de todos os Portugueses íntegros que tentamos sobreviver com dificuldade, neste Portugal governado pelos amigalhaços do extinto, que apesar do luto em que fingem estar, mas que na verdade não sabem viver, continuam a todo o custo a viver o enorme bacanal que arruína Portugal...
No fundo, no fundo, e porque as palavras as leva o vento, que Deus tenha piedade de tão grande pobreza! Cabe-nos perdoar. Mas não temos que esquecer!
António de Oliveira Martins - Lisboa
2. Por João Freire
Desapareceu o Anjo Vermelho
Aos 87 anos, José Saramago fechou os olhos, parece que serenamente. Com ele, desaparece um enorme escritor e uma testemunha dos grandes conflitos do nosso tempo, uma figura portuguesa que ganhou dimensão mundial.
Mesmo para quem não apreciava a sua escrita desregrada e acha que ela contribuiu para o desaprender do texto das novas gerações, mas reconhece a sua fantástica capacidade inventiva e de construção romanesca.
Mesmo para quem se situa nos antípodas das suas convicções políticas, mas não deixou de notar algumas suas rebeldias pontuais contra a ordem autoritária e dogmática a que aderiu.
Mesmo para quem vê a Pilar del Rio como uma criatura talvez fanática mas que, 28 anos mais nova do que Saramago, soube construir com ele uma vida amorosa, descobrindo a sua paz de Lanzarote e respeitando-o como era.
Mesmo para quem, olhando ontem à noite na TV as suas imagens, lhe descobre facilmente o pequeno sorriso triunfante – sobre os outros, sobre os adversários e o mundo, e sobretudo sobre os ricos e poderosos – no cenário das vénias e dos dourados de Estocolmo.
Mesmo para quem bem lhe entende a permanente lembrança dos seus anos pobres da Azinhaga e da Lisboa de meio-do-século e os traços auto-biográficos que deixou espalhados em memórias, palavras registadas e histórias efabuladas, mas desconfia do sentido da sua revolta social.
Mesmo para quem, e são muitos, lhe aponta a religiosidade simétrica que o opõe ao Deus dos católicos e desse jogo tende a distanciar-se.
De todos sai o reconhecimento e o respeito conquistado por esse humilde e inteligente trabalhador, do cérebro que procura e cintila, e da mão que labuta e tecla as palavras adequadas.
JF / 19.Jun.2010
NOTA: Não há bela sem senão!
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domingo, 20 de junho de 2010
Homem amargo e mau
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sábado, 19 de junho de 2010
Feriados e pontes
A proposta de mexer nos feriados com argumentos que manipulam “os conceitos de produtividade e competitividade” está a confundir os opinadores. Se por um lado poderá ter vantagens no aumento de assiduidade ao trabalho, por outro contraria os hábitos da população o que pode significar perda de votos e este é um argumento muito forte para uso dos partidos.
Quanto á perda ou ganho de votos, tem-se notado que os partidos costumam decidir em favor dos piores defeitos da população muito avessa ao trabalho, ao rigor, à cultura, ao conhecimento, etc. Por isso, em tom irónico, há pouco mais de 20 meses apresentava uma sugestão que granjearia muitos votos!
Voltei a referir tal solução em 19 de Maio em Feriados mais «produtivos». Que tal, senhores políticos? Como encaram tal solução? Acham que o desenvolvimento se atrasaria muito mais com isso? Ou será que estão convencidos de que, uma vez por outra, devem olhar para os interesses nacionais? Agora parece que começa novamente a falar-se da Pátria!!!
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Maestrina Joana Carneiro distinguida nos EUA
É sempre com prazer poder aqui publicar casos excepcionais que deixam bem vista a imagem de Portugal no Mundo. Esta notícia aparece de forma a realçar a excepcionalidade desta nossa artista.
Maestrina Joana Carneiro distinguida com prémio nos EUA
Público. 19.06.2010. Por Lusa
Prémio Helen M. Thompson pelo seu "talento excepcional".
A maestrina Joana Carneiro, directora musical da Berkeley Simphony, nos Estados Unidos, recebeu o prémio Helen M. Thompson, pelo seu “talento excepcional”, mostrando-se “muito comovida” com a distinção, por ter sido atribuída “ao fim de tão pouco tempo”.
Em comunicado, a Liga das Orquestras Americanas, que atribuiu esta distinção, refere que o prémio “reconhece o empenho de Joana Carneiro em alargar a comunidade base da Berkeley Simphony e a tradição da orquestra, ao apresentar trabalhos de compositores do nosso tempo”.
Contactada pela Lusa, Joana Carneiro mostrou-se comovida com a distinção e empenhada em continuar o trabalho que tem desenvolvido: “É um prémio que me comove muito porque foi atribuído ao fim de muito pouco tempo à frente de uma orquestra americana e é um grande incentivo para nós continuarmos e continuarmos a sonhar muito alto em Berkeley.” (...)
Para ler a notícia completa faça clic no título da mesma. Se quiser saber mais acerca da nossa exímia maestrina, consulte os seguintes links:
- http://vodpod.com/watch/1301099-maestrina-joana-carneiro
- http://www.publico.pt/Cultura/maestrina-joana-carneiro-e-a-nova-directora-musical-da-orquestra-sinfonica-de-berkeley_1356255
- http://ww1.rtp.pt/antena2/images/articles/451/Joana Carneiro.pdf
- http://www.google.pt/search?q=maestrina+joana+carneiro&hl=pt-PT&prmd=n&source=univ&tbs=nws:1&tbo=u&ei=s4YcTPD3G4OP4gbfweCyDg&sa=X&oi=news_group&ct=title&resnum=4&ved=0CCYQsQQwAw
- http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1597449
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Médio Oriente e ajuda humanitária !!!
É preocupante ver a facilidade com que muita gente toma partido por uma ou outra parte no conflito latente no Médio Oriente, desde há muitas décadas. Há certamente razões defensáveis de um e do outro lado. Tem havido várias tentativas para chegar a entendimento, com ajuda de intermediários credíveis e com vontade de conseguir a paz duradoura. Mas forças ocultas exteriores, exploram ingenuidades e nada de bom tem sido conseguido, sendo as populações locais as mais sacrificadas.
Recebi um e-mail com um link de vídeo que merece ser visto, seja qualquer a interpretação que possa dar-se-lhe.
«Vejam o que continham os contentores de "ajuda humanitária" à Faixa de Gaza.
Por que não se mostra isso para o mundo??? Porque será que a comunicação social não entra a fundo no problema e esclarece com imparcialidade e intenção de colaborar para a procura da verdade e da paz?
Contentores de "ajuda humanitária" !!!! Com tal conteúdo?
O que fazia uma Brasileira no meio desta frota, será que foi enganada ?
Será que seria caso de Israel dar a outra face e fazer-se de imbecil, quando
tinha a certeza que por detrás do "humanitário" se escondia a maldade e
desejo de elimina-la do mapa?
Entrem aqui, e logo após uns segundos de propaganda (os sacos de farinha), verão no vídeo a abertura de um dos contentores que vinham no tal barco turco o seu conteúdo "humanitário".
A comunidade internacional é incrivelmente rápida a julgar e, com isso, m´não contribui para a Paz...ONDE ESTÁ A JUSTIÇA??.
Abrir o Link:
http://www.flix.co.il/tapuz/showVideo.asp?m=3423928»
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Referências para melhor compreender a actualidade
Diariamente chegam ideias esclarecedoras para melhor se compreender a realidade actual e podermos vislumbrar os caminhos que estão à nossa frente, uns para o abismo, outros para uma possível recuperação. Convém fazer um esforço para clarificar as ideias e destrinçar o essencial do efémero, secundário, marginal.
Recebi ontem um e-mail de uma seguidora que dizia:
«(…) como nem sempre tive trabalho, ocupei-me durante 2 meses a ler alguns livros que requisitava gratuitamente na Biblioteca Municipal da Quarteira, dentre os quais se destacou, pela sua actualidade e crueza o livro que agora reencontrei “Uma Estranha Ditadura” …
Acredita que não tinha fixado o título do livro nem a autora (?!), lembrava-me apenas que era uma jornalista do Le Monde e até já tinha andado no Google há procura mas sem resultado, pois queria lê-lo novamente e sentia-me frustrada porque não tinha como procurá-lo para o adquirir. Até já tinha enviado mails à Biblioteca dando referências minhas para eles procurarem na base de dados deles e procurarem de entre os títulos requisitados, e me informarem pois eu sabia que ir-se-ia fazer luz, quando ouvisse o título e o nome da escritora. Infelizmente, não obtive qualquer resposta da parte deles apesar da m/ insistência.
Há pouco fui ao seu blogue, pois sou sua seguidora, e estava a ler o seu último post quando dei de caras com o livro…
Nem imagina a felicidade que me deu!»
Observando aquilo a que esta amiga se refere verifiquei que o Google, de forma automática, conseguiu colocar no friso inferior do post uma série de posts antigos todos relacionados com o tema. Ainda não tinha tido prova igual do mérito do critério que a informática usa para este sistema de alerta. O Livro referido é tema do post Ditadura do lucro virtual.
Mas, além deste post, há muitos outros que trazem para este espaço pontos de reflexão que merecem muita atenção e há nomes que devem estar presentes no nosso pensamento quando nos debruçamos sobre a necessidade de olhar para o futuro. Cito alguns (por ordem alfabética) e espero que os comentadores tragam outros: Agostinho da Silva, Ernâni Lopes, José Gil, Medina Carreira, Moita Flores, Saldanha Sanches e, porque não, os cronistas do JN.
Não podemos desprezar achegas que apareçam com aspecto imparcial, independente de partidos, que foquem como objectivo principal os interesses nacionais, acima de qualquer particularismo. Todo o esforço deve ser feito para contrariar a Profecia do alemão Carl Friedrich von Weizsäcker.
O momento é de esforço de todos nós, ultrapassando as correntes que nos têm arrastado para o abismo, porque desprezam valores éticos consagrados e colocam no trono os valores materiais e do consumismo que são a mórbida ilusão fatal da sociedade actual.
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Etiquetas: ética, futuro, gerir, referências
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Empresários que detestam risco!!!
Há a tendência de atribuir ao Governo, aos políticos, as culpas de todo e qualquer mal, como se estivéssemos num regime paternalista, ditatorial em que fôssemos apenas ovelhas sem precisar de pensar e apenas bastando seguir o pastor.
O pequeno texto, extracto do artigo de hoje de Manuel António Pina coloca em evidência essa mentalidade, que orienta muitas manifestações da parte de empresários que, sem correr riscos, querem obter os maiores lucros, usando o mesmo critério dos políticos que querem manter as regalias e mordomias, colocando os contribuintes a pagar a crise, resultante das más governações sucessivas
À boleia da crise
Jornal de Notícias. 18-06-2010. Manuel António Pina
Os empresários estão preocupados com a situação do país (os empresários nunca estão preocupados consigo, mas com o país) e querem "rever as bases da competitividade, nomeadamente os custos da mão-de-obra" e correr menos riscos para "contratar e despedir pessoas".
Que empresários são estes que querem ter lucro sem correr riscos? E ser "competitivos" pagando menos e exigindo mais aos seus trabalhadores?
É sabido que Portugal é um dos países da Europa onde se trabalha mais e onde os custos laborais são mais baixos. E sucessivos estudos internacionais demonstram que a baixa produtividade das empresas portuguesas resulta sobretudo da má qualidade da gestão e do deficiente planeamento e organização do trabalho. Aqui, porém, os nossos empresários assobiam patrioticamente para o lado.
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
Dicas para enfrentar a crise
Como diz Paquete de Oliveira no Jornal de Notícias de hoje, a insustentável situação em que nos encontramos, embora seja mais aparente nos aspectos financeiro e económico, é também notória no aspecto social e político. Segundo o próprio Presidente, ela já vinha dando sinais do seu crescimento progressivo há mais de meia década, com uma acentuada degradação da sociedade em todos os seus vectores. E durante este tempo, apesar de vários sinais de alerta, não houve cabeças válidas com capacidade para estruturar medidas que evitassem o agravamento e, depois da eclosão, para lhe pôr fim e para eliminar as causas que, se persistirem, haverá mais réplicas de maior ou menor gravidade extenuando as capacidades de resistência da maior parte da população.
Na nova reestruturação do País, deve ser encarado o estado de esvaziamento do interior e há quem esteja em posição que obriga a procurar solução mas que mostra estar derrotado á partida dizendo que a desertificação é difícil de contrariar, em vez de analisar os diversos vectores em jogo estabelecer uma estratégia e colocá-los todos a puxar para o mesmo objectivo, sem pressa, mas com perseverança, sem actos falhados. Se a agricultura era a forma de vida das populações locais, porque não fomentar uma agricultura moderna, servindo-se de estufas, da biológica, da pecuária, etc. Começar com indústrias de pequena dimensão utilizando os recursos locais. Parece que tais problemas estão à espera que venha solução de altos cérebros muito teóricos e «inovadores» mas sem capacidade realizadora por desconhecimento das realidades.
Como diz Tiago Azevedo Fernandes no JN de hoje, precisam-se novas perspectivas de avaliação das realidades de hoje, o uso da inteligência passou a ser uma necessidade absoluta, já não se limitando a ser apenas conveniente. Há que ensinar as pessoas a desenvolver hábitos de poupança e rigor e a incuti-los nas crianças em idade escolar. E os investidores devem espreitar onde estão as oportunidades de negócio, e não se limitarem a esperar que elas lhes caiam nas mãos. Temos que aprender a reflectir sobre aquilo que nos cerca, os recursos de que dispomos, o uso que lhes podemos dar, e convencermo-nos de que temos que assumir a nossa quota-parte de responsabilidade na gestão do mundo de hoje e de amanhã .
Entretanto o Museu do papel Moeda ensina a lidar com dinheiro, uma iniciativa que pode ser uma chamada de atenção para um problema que tem andado muito arredado da gestão familiar em lares onde o endividamento ultrapassa o razoável.
Entretanto, segundo o artigo de Manuel António Pina, o INEM, para poupar, reduz os meios de socorro e termina com o apoio telefónico a pessoas em estado de grande depressão em vias de se suicidarem. Cinicamente, isto poderá justificar-se porque impedir alguém de se matar contribui para o agravamento do défice. Assim, poupam nos encargos com pessoal e meios e a Segurança Social poupa em pensões e subsídios. Estes raciocínios irónicos fazem pensar no fenómeno ligado à aceleração da vinda da eutanásia e do suicídio assistido, que podem prestar-se a abusos «económicos» mas que, em complemento da facilitação do aborto ou do incremento deste com argumentos de vária ordem, podem trazer poupança em apoios sociais.
Enfim, a sociedade está perante ameaças reais e esboçadas que alteram tudo aquilo a que temos estado habituados.
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Etiquetas: crise, recuperação
Profecia do alemão Carl Friedrich von Weizsäcker
Transcrição de mensagem de e-mail de pessoa idónea.
Há 25 anos ridicularizados, os seus prognósticos tornaram-se hoje altamente preocupantes!
Na sua última grande obra 'Der bedrohte Friede', 1983 Hanser Verlag, Von Weizsäcker previu a queda do comunismo soviético para muito breve. (As pessoas riram-se dele).
O seu prognóstico, quanto ao nível para o qual o vencimento dos assalariados iria cair, quando o comunismo deixasse de existir, foi um choque.
Weizsäcker descreve as consequências da subsequente globalização (embora na altura esta palavra ainda não existisse) tal como ele a imaginava.
1. O número de desempregados vai atingir dimensões inimagináveis, em todo o mundo.
2. Os salários vão baixar para mínimos sem precedente.
3. Com a bancarrota do Estado, todos os sistemas sociais vão desmoronar-se. A começar pelas reformas. A mola real para tal será uma crise económica global de dimensões colossais que será desencadeada por especuladores.
4. Cerca de 20 anos após a queda do comunismo, muitas pessoas vão morrer de fome, na Alemanha.
5. Cresce dramaticamente o perigo de guerras civis, em todo o mundo.
6. A elite governante ver-se-á obrigada a manter exércitos particulares, para se proteger.
7. Para assegurar o seu poder, estas elites depressa vão instaurar o controlo do Estado, isto é, uma ditadura mundial.
8. Políticos corruptos são os fieis cúmplices desta plutocracia.
9. O mundo capitalista exige, como sempre, um nacionalismo (fascismo) como jamais se viu, como garante contra um eventual comunismo em recuperação.
10. Com o intuito de garantir o poder, vão reduzir a população mundial ao mínimo, o que acontecerá através da criação artificial de doenças. Com isto, armas biológicas serão declaradas epidemias, mas também através do flagelo da fome e de guerras direccionadas. O motivo para tal será o reconhecimento do facto que a maioria das pessoas já não poder financiar o seu sustento. Os ricos ver-se-ão obrigados a deitar mão a medidas de recurso, de outra forma surgirá para eles um enorme e perigoso potencial de conflito.
11. As grandes potências vão fazer a guerra com armas nucleares e demais armas de extermínio, pela obtenção de matérias primas e para a sua manutenção no poder.
12. Após o fim do comunismo, a Humanidade vai viver um sistema sem escrúpulos e misantrópico como o Mundo jamais experimentou. Será o seu armagedão.
O sistema responsável por estes crimes chama-se 'capitalismo selvagem'.
C.F. von Weizsäcker disse (há 25 anos) que o seu livro, que ele designou como sendo a sua última grande obra, decerto não seria entendido pelas pessoas em geral e que, consequentemente, as coisas correriam o seu rumo.
Ele descreveu o povo alemão da seguinte forma pouco lisonjeadora: Totalmente dependentes da autoridade, desabituado de pensar, o típico receptor de ordens, um herói perante o inimigo, mas com uma total falta de coragem civil. O alemão típico só se defende quando não tem mais nada. Nessa altura, com uma fúria cega, desfaz tudo, mesmo o que ainda lhe poderia ter ajudado.
A única solução apresentada por Weizsäcker é a esperança de que este Planeta continue a ser habitável, após esta turbulência inevitável. É um facto que o pequeno grupo, ao qual este mundo já pertence, governa segundo a simples mas clara divisa: "Nem no futuro precisamos de um mundo no qual não somos os únicos a mandar".
Tal como acima mencionado, Weizsäcker não espera ser compreendido. A um jornalista que lhe perguntou o que é que o incomodava mais, ele respondeu: "Ter de conversar com uma pessoa estúpida". Fim de citação.
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Etiquetas: apocalipse, profecia
Atritos entre governantes ???

Em artigo de hoje no Correio da Manhã, António Ribeiro Ferreira escreve:
Turras no Governo: Teixeira já está farto do Silva
«É uma guerra surda no Governo. Tudo começou com o PEC.
O ministro das Finanças e o seu colega da Economia andam verdadeiramente às turras. Vieira da Silva não perde a oportunidade de desmentir em público Teixeira dos Santos. A última cena aconteceu por causa da legislação laboral. O segundo admitiu uma revisão, o primeiro disse que não estava na agenda. Teixeira dos Santos não gostou e já desabafou com Sócrates que começa a ficar farto do colega ‘esquerdista’ da Economia»
Não é caso virgem nem único.
Há uma dúzia de dias Sócrates recusa pôr o défice na Constituição, contrariando a posição tomada na UE Por Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros, que alinhou com Angela Merkel na defesa de um tecto constitucional à dívida e ao défice.
Surgiu depois, em 5 de Junho, a notícia de que Luís Amado em vias de abandonar governo de Sócrates, o que tinha lógica porque um MNE não pode continuar em funções se for desautorizado pelo seu chefe de Governo e perder credibilidade em frente dos seus pares internacionais.
No dia seguinte surgiu a notícia de que Sócrates garante que Amado fica no Governo.
No dia 11 «Luís Amado lembra bom exemplo da constitucionalização do limite do défice alemão»
Em 12 surgiu a notícia que traz um aspecto de cedência por respeito aos interesses nacionais Amado não sai porque o País está em crise que diz:
«O ministro dos Negócios Estrangeiros afasta cenário de demissão, mas insiste na ideia de um tecto constitucional para o défice.
A crise é o que segura Luís Amado no Palácio das Necessidades. O ministro dos Negócios Estrangeiros afastou ontem o cenário da sua demissão do Executivo, justificando-se com a situação grave que o País vive, mas não escondeu ter divergências com Sócrates.»
O argumento que parece ter sido decisivo para a cedência de Luís Amado foi a crise, o que tem, lógica porque se uma equipa tem sempre que agir com muito equilíbrio e espírito de cooperação e entre-ajuda, em crise o esforço para a coesão tem que ser acrescido, com menor margem de erro, e expondo-se menos riscos. Em tais circunstâncias, é exigida uma liderança mais competente , inteligente, eficiente e com método rigoroso, com muita atenção ao princípio de pensar antes de decidir . Gritos e arremessos de telemóveis contra a parede ou para o chão não demonstram coragem nem sensatez e, pelo contrário, fazem perder credibilidade e confiança nas qualidades de chefia, de serenidade e bom senso.
Num trabalho de equipa, todos os sectores interagem e precisam de uma acção permanente para manter a coesão, a unidade de doutrina, enfim, a eficiência da equipa. O diálogo e a procura das melhores soluções e os pequenos ajustes na acção para se manter na linha estratégica pretendida, são uma exigência constante.
Devem ser dadas razões ao povo para confiar que os timoneiros conduzirão o barco para lá da tormenta e aportarão a porto seguro.
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Etiquetas: decidir, governar, sensatez, serenidade
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Para mais harmonia no casal!!!
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Etiquetas: cérebro
Pela defesa do ambiente
Depois da operação LIMPAR PORTUGAL em que este blog esteve empenhado desde o inicio e em que a nossa amiga Fernanda Ferreira (Ná) teve um papel muito activo e bem notado, foram denunciados casos de reincidência, com a passividade das autarquias que, no entanto, são responsáveis localmente pela defesa dos interesses das populações e devem criar e manter uma estrutura eficiente para tal efeito.
O artigo de Paula Ferreira no Jornal de Notícias, A selvagem indiferença aborda este tema de forma muito objectiva, citando casos concretos, do qual transcrevemos algumas frases e aconselhamos a sua leitura.
Efectivamente, mantém-se o mau hábito de criar «anacrónicas lixeiras a céu aberto: novamente aí depositam trastes velhos, frigoríficos, televisões, resíduos da construção civil. Sinal de selvagem indiferença pelo próximo, gesto que deveria ter sido há muito banido.»
Há que evitar que «alguns cidadãos do tal país dos brandos costumes, sem qualquer pudor, despejem o electrodoméstico fora de moda ou que deixou de funcionar.»
Não devemos encarar a hipótese de «limpar outra vez, juntar novamente 100 mil voluntários e meter mãos à obra». Não «será boa ideia limpar para que os mesmo voltem a sujar». Será sem dúvida «melhor denunciar, fiscalizar, acabar com o porreirismo nacional de não fazer queixa, com o argumento piedoso de que vai prejudicar o coitado que não pode pagar». «Eles, no entanto, prejudicam-nos a todos e não parecem minimamente preocupados» porque, com a sua falta de civismo, pensam que «vem sempre alguém atrás e limpa».
Insisto naquilo que na altura da referida operação de limpeza, disse repetidamente. É preciso manter os objectivos de defesa do ambiente, sem esmorecimento, mas usando outra táctica: observar atentamente o que se passa, registar todos os abusos, denunciar às autoridades autárquicas e, se estas não actuarem eficazmente, denunciar publicamente a sua incúria. É preciso colocar as autarquias perante a sua responsabilidade de esclarecer a população, coimar os infractores, obrigar a remover os lixos e, se a remoção não for feita, ser a autarquia a fazê-la, imputando os custos aos infractores detectados. A população deve ser estimulada a denunciar os infractores, porque «eles prejudicam-nos a todos».
Fotografia de José Ferreira
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terça-feira, 15 de junho de 2010
Gestão Familiar
Em todo o tipo de gestão, independentemente do volume dos valores monetários que estiverem em causa, devem ser seguidas normas, como a definição do objectivo (finalidade a atingir), análise do momento actual que é o ponto de partida, preparação da decisão, planeamento, programação das tarefas e controlo da implementação das decisões, com os respectivos ajustamentos que se tornarem necessários.
Na gestão familiar, por deficiente preparação escolar nos primeiros anos de escolaridade e falta de transmissão de conhecimentos dos pais e avós, nota-se a ausência de aplicação daquelas normas e da noção de prioridades, de separação entre o essencial e o lateral ou marginal, isto é o supérfluo.
É estranho que uma família endividada por erros de gestão nos actos mais simples, procure sobreviver, passando a alimentar-se pior e a evitar a medicação que o médico considera indispensável, mas, por outro lado continua com o telemóvel, roupas de marca e demais coisas que servem para ostentar posição abastada, fazer figura, e alimentar o consumismo de roupas de marca e outros sinais da moda. Trata-se de atitudes de fachada que evidenciam pobreza de espírito. A nível de Governo acontece o mesmo com investimentos faraónicos que não terão retorno e aumentarão a já elevada dívida externa e traduzir-se-ão numa pesada herança aos vindouros, que chamarão os piores nomes aos das gerações anteriores.
Os anunciados cortes nos meios de socorro do INEM poderão ser muito criteriosos, mas falta serem bem explicados, pois certamente não são correctos para a saúde da população, pelo que os enfermeiros que os rejeitam poderão ter razão na sua indignação.
Também o caso do fecho de uma escola de Barcelos que há apenas três anos foi renovada e equipada demonstra falta de uma estratégia que servisse de base para as decisões e estas devem ter sido tomadas por mero capricho, ou para fazer a vontade a um político amigalhaço local. Brinca-se com o dinheiro público de ânimo leve ou sem sequer se pensar que se trata de um recurso perecível e de grande importância, exigindo cuidados especiais nos gastos.
Há que reorganizar já os programas de ensino por forma a que as crianças aprendam que a tabuada tem a utilidade de fazer contas á vida e aquilo que se gasta em rebuçados não fica disponível para comprar chocolate. Acabe-se com o elogio aos «criativos não actuantes» e, pelo contrário, ensine-se as crianças a tomar pequenas decisões práticas na vida corrente.
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Agradecimento aos Seguidores
Tive agora a agradável surpresa de atingir os três dígitos de SEGUIDORES. 101 amigos estão ao lado deste espaço.
O número pode não ser considerado grande, mas é sem dúvida muito significativo dado que a maior parte dos posts aqui publicados não estão ao alcance de qualquer pessoa apenas que procure banalidades e passatempos.
Abundam os assuntos que exigem conhecimentos e interesse pelo que se passa no País e no mundo, o que estimula profundamente a nossa participação num futuro melhor para os nossos descendentes, para toda a humanidade independentemente de cores, credos ou actividade profissional ou do lugar onde vivam.
Agradeço a todos os visitantes e, principalmente aos comentadores o apoio, o estímulo, a força que dão para que não haja esmorecimento neste trabalho cívico a bem da humanidade. Não é nosso lema dizer mal, mas sim alertar e sugerir para a necessidade de procura de mais eficiência no desempenho das tarefas que têm grande incidência na vida das pessoas.
Queremos contribuir para melhorar o bem-estar e a felicidade daqueles que têm sido pior tratados pela sociedade e tornar esta mais equitativa e justa, eliminando as grandes diferenças entre irmãos da mesma espécie que, segundo as normas da moral e os preceitos constitucionais, devem ser iguais em direitos e deveres.
Queremos que a Democracia seja vivida segundo a intenção de quem formulou o conceito, há muitos anos, com a esperança de evitar explorações de uns pelos outros, no estilo de sociedades muito antigas e que não devem agora, num século de modernidade tecnológica, persistir entre pessoas que deviam estar mais civilizadas, pacíficas, dialogantes, generosas e solidárias nos aspectos de humanitarismo.
Muito obrigado aqueles que se declaram, aberta e publicamente, seguidores deste espaço que prometo continuar a manter no mesmo rumo, idealista e utópico mas movido pelas melhores intenções cívicas.
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Aditamento:
Deixo aqui, com muito gosto e gratidão à Amiga Ná, esta imagem que ela me ofereceu com a sua habitual gentileza. Não a coloco a substituir a imagem de abertura, que representa o nascer do sol, fenómeno que procuro observar diariamente e me transmite a energia de que necessito para viver e trabalhar, neste caso, para continuar este espaço que tem merecido o apoio de seguidores e comentadores.
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
Palavras e actos desavindos
Recebi por e-mail este texto que transcrevo. Trata de uma realidade que está muito distante do ideal que todos desejamos. Merece ser meditado e suscitar de cada um o esforço possível para melhorar esta «cultura» nacional.
As palavras valem cada vez menos, os actos cada vez mais!
Público, 2010.06.11. Por José Manuel Fernandes.
Lembram-se do 10 de Junho de 2009? Poucos se recordarão - até porque demasiados trataram de fazer o contrário do que então lá se recomendava.
António Barreto - que ontem voltou a fazer um discurso notável, só que centrado na necessidade de o país honrar os seus ex-combatentes - pregou então as virtudes do exemplo. "Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará", disse então. "Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos."
Dificilmente se poderia ter ido, nos 12 meses que desde então decorreram, por caminhos mais radicalmente distintos. O poder não foi firme, antes teve tiques de autoritarismo, e também não foi flexível, porque foi errático. Não houve nem honestidade nem verdade, pois assistimos a grosseiros casos de manipulação dos poderes públicos e a uma campanha eleitoral erguida sobre um castelo de mentiras que a dura realidade desmascarou sem delonga. E também não houve nem poupança nem investimento saudável, antes endividamento e delapidação do escasso património da nação.
Pior: se há um ano António Barreto apelou a que se tivesse "consciência de que, em tempos de excesso de informação e de propaganda", as palavras dos políticos, empresários, sindicalistas e funcionários "são cada vez mais vazias e inúteis" e que o seu "exemplo é cada vez mais decisivo", o ciclo eleitoral e o ciclo dos orçamentos e dos PEC mostrou como há quem nada tenha aprendido e repita, de forma cada vez mais patética, um discurso propagandístico sem colagem com a realidade.
Não surpreende, por isso, que, não tendo o socratismo vigente entendido que "em momentos de crise económica, de abaixamento dos critérios morais no exercício de funções empresariais ou políticas, o bom exemplo pode ser a chave, não para as soluções milagrosas, mas para o esforço de recuperação do país", se tenham sucedido os maus exemplos e o país esteja hoje mais longe da recuperação do que estava há um ano. Na verdade, como aqui escrevi a semana passada, a miséria moral que mina as fileiras do partido maioritário não é apenas lamentável e indecorosa, é politicamente corrosiva.
Assim, ao contrário do que alguns trataram de dizer precipitadamente, o discurso de ontem do Presidente da República não é tão inócuo como uma leitura apressada do seu apelo a não existirem "crispações inúteis" pode fazer crer. Isto porque Cavaco Silva disse, com clareza, que a "coesão nacional exige que a sociedade se reveja no rumo da acção política". Ou seja, não só "os sacrifícios que fazemos têm de ser repartidos de forma equitativa e justa e, mais do que isso, têm de possuir um sentido claro e transparente, que todos compreendam", como é fundamental não esquecer que "não se podem pedir sacrifícios sem se explicar a sua razão de ser, que finalidades e objectivos se perseguem, que destino irá ser dado ao produto daquilo de que abrimos mão".
O contraste entre estas máximas e a forma atabalhoada como se tem vindo a despejar medidas sem coerência nem visão, ou sem sequer se ter o cuidado de cumprir as normas constitucionais, não podia ser maior. Pelo que, ao lembrar que "quanto mais se exigir do povo, mais o povo exigirá dos que o governam", o Presidente começou a abrir caminho para a hipótese de dissolução. Até porque no dia em que os eleitores ("a sociedade") não se revirem no rumo do país, será necessário ouvir os eleitores.
Há um ano, no 10 de Junho de Santarém, Cavaco Silva disse que "a verdade gera confiança, a ilusão é fonte de descrença", acrescentando que, "tanto no Estado como na sociedade civil, é preciso adoptar uma cultura de transparência e de prestação de contas". Agora acrescentou, quase enigmaticamente, que "os portugueses anseiam por limpar Portugal, aspiram a um país mais são, mais limpo, não querem viver numa atmosfera carregada e irrespirável". Faltou-lhe esclarecer que o lixo não está apenas espalhado pelas florestas portuguesas por falta de civismo, mas que do mais alto do poder executivo vêm os piores exemplos e o teimoso autismo que o impediu de escutar os avisos neste caminho para a insustentabilidade e hoje o impede de restaurar um clima de confiança. Um autismo que, de resto, José Sócrates manifestou na sua reacção às palavras do Presidente, ao considerar - no dia seguinte a termos contraído empréstimos a um juro superior ao que a Grécia pagará no plano de ajuda financeira da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) - que a nossa situação não é insustentável...
Ora é exactamente neste ponto que Cavaco Silva se deixa não só aprisionar pelos limites dos seus poderes presidenciais, como pelos cálculos inerentes ao calendário das Presidenciais, como ainda pela sua própria dificuldade em imaginar um país e um rumo realmente distintos. Mas encontrar esse país e esse rumo é, acredito, a única forma de sairmos do buraco onde nos deixámos aprisionar.
Se olharmos para o que nos propomos fazer para enfrentar a crise das finanças públicas - no essencial aumentar a carga fiscal - e aquilo que países como o Reino Unido, a Alemanha e a própria Espanha se propõem fazer - no essencial reduzir a despesa pública -, verificamos como insistimos em escavar a nossa sepultura. Pela simples razão de que o nosso principal problema é a falta de competitividade da nossa economia e nenhuma economia se torna mais competitiva quando as empresas e os cidadãos pagam mais impostos mas não recebem mais e melhores serviços públicos.
Se, em contrapartida, olharmos para os serviços públicos e verificarmos que muitos deles são redundantes, agravam as distorções sociais ao introduzir rigidez e centralismo onde deveria haver imaginação, inovação e descentralização, e até poderiam desaparecer de um dia para o outro que nem daríamos por isso, então agradeceríamos todo o espaço que fosse devolvido aos portugueses.
Como disse D. Manuel Clemente, bispo do Porto, na cerimónia de entrega do Prémio Pessoa, "o melhor de Portugal pouco aparece e não abre geralmente os noticiários (...) mas existe e por ele mesmo continuamos nós a existir - apesar de tudo, mas não apesar de nós". Ora esse "melhor de Portugal" que se encontra "em muitas escolas, estatais ou particulares, em muitos estabelecimentos de saúde, serviços públicos e instituições particulares de solidariedade social", ou na vontade de vencer de muitos jovens licenciados, ou entre os "empresários e gestores com verdadeiro sentido de missão, que revelam surpreendente capacidade de inovar e conquistar mercados", esse melhor de Portugal precisa de mais espaço e de mais liberdade para triunfar. Não precisa, sobretudo, de um Estado controlador, dirigista, paquidérmico e submetido aos senhores do momento.
Querem um exemplo? Precisamos de escolas e de professores com mais autonomia e responsabilidade para, face a um aluno de 15 anos retido no 8.º ano, decidirem se este deve ou não ter uma oportunidade para tentar chegar ao 10.º ano, não precisamos de um ministério a passar quase administrativamente alunos ad hoc por esse país fora. Infelizmente, nos últimos anos, em Portugal tudo se centralizou, para tudo se criaram regulamentos e comissões e por todo o lado se desconfiou da imaginação e da iniciativa dos portugueses.
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Etiquetas: sentido de Estado, sentido de responsabilidade
Ernâni Lopes no Plano Inclinado 100612
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Etiquetas: crise, recuperação
A Justiça na óptica de Saldanha Sanches
Depois de ter sido condecorado a título póstumo, é justo apreciarmos a sua obra, relembrando a sua última entrevista ao Económico. Este curto excerto diz tudo sobre a sua clarividência acerca da "crise da justiça" e o seu reflexo na corrupção:
A última conversa de Saldanha Sanches com o Diário Económico
Económico. 100514. Por Isabel Lucas
"Como é que vê o facto de não ter sido decretada prisão preventiva a nenhum deles a não ser a Oliveira e Costa?
É essa a função principal do nosso Processo Penal: proteger essa gente.
Agora está a ser sarcástico.
Não, não. Estou a ser rigoroso. Está construído de forma que o objectivo do Código é a protecção dessa gente.
É um código viciado?
Completamente viciado. É um código que nos envergonha pelos resultados. Essa impunidade que o código garante é uma coisa que nos envergonha.
O caso Madoff em Portugal seria impossível, mesmo que alguém resolvesse confessar tudo, e nunca o faria.
Na América as pessoas confessam porque as consequências da não confissão são muito duras e apesar de tudo o menos mau é confessar.
Em Portugal não são duras, mas mesmo que se confessasse o processo não duraria dois ou três meses. Duraria sempre muito mais, mesmo com o máximo de zelo do Ministério Público.
Temos um Código do Processo Penal que é feito para proteger esse tipo de delinquência. Até protege em parte a outra delinquência, mas essa então, do colarinho branco, está totalmente protegida.
Não me admiraria ver o Dr. Oliveira e Costa acabar absolvido. Não ficaria particularmente admirado.
Sem falar no Dr. Jardim Gonçalves, que o mais provável é vir a ser absolvido.
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Etiquetas: justiça
Combate à Hidra Financeira
Realmente, o actual regime precisa ser rapidamente substituído, eliminando-se todos os factores imorais de desenvolvimento das injustiças sociais. Há no exterior bons modelos a perfilhar para, a partir deles, se fazer uma boa reestruturação. Do texto que se transcreve conclui-se pela necessidade de vencer a hidra financeira que faz secar e mirrar toda a economia, em prejuízo dos portugueses normais e em favor de uns quantos exploradores protegidos e cúmplices do Poder que lhes garante impunidade, em troca, de favores e tachos.
Pondo de parte os aspectos partidários, este fenómeno deve ser analisado com os olhos postos nos interesses nacionais, porque é Portugal e o seu futuro que está em perigo. O combate à crise e as medidas para evitar que ela reapareça deve ser encarado por Portugal e não pelos partidos, de per si. É um problema Nacional, abrangente que exige visão apartidária e estratégica, de longo prazo.
Uma alternativa de justiça!
Jornal de Notícias. 14-06-2010. Por Honório Novo
Na Alemanha, proíbem-se fundos de risco de operar nas bolsas. Em Portugal, podem operar quase livres de impostos. O país está transformado numa espécie de paraíso fiscal onde SGPS, fundos de risco e entidades residentes no exterior quase nada pagam ao Estado. Esta é uma das faces da injustiça em Portugal. Mas, ao contrário do que dizem o PS e o PSD, há um caminho alternativo para aumentar as receitas do Estado em época de crise. Não pode ser sempre o povo a pagar pela especulação de um sistema financeiro irracional, não podem ser sempre os mesmos a perder o emprego e os apoios sociais a que têm direito, a sofrer na carne o aumento dos impostos.
Há alguma razão para que aviões particulares, iates e casas de luxo, Ferraris ou Bentleys não paguem uma taxa adicional e temporária de imposto, como o PCP propôs esta semana no Parlamento?
Há alguma razão para que - tal como já anunciaram a Alemanha e outros, e como fez o PCP esta semana - não se crie um novo imposto sobre transacções financeiras, e se taxam as transferências para paraísos fiscais destinadas a fugir aos impostos (e que em 2009 atingiram mais de 11 mil milhões de euros, quase tanto como o défice do país)?
Há alguma razão para que a Banca (com lucros de 5 m€ por dia em 2009), e os grupos económicos com lucros acima de 50 m€, continuem a beneficiar de benefícios fiscais que lhes permite pagar de IRC uma taxa sempre inferior a 14%, quando as pequenas empresas pagam uma taxa efectiva de 25%?
Com a alternativa do PCP, o Estado poderia obter três vezes mais receita do que a que o bloco central espera ter com o PEC2, que penaliza ainda mais quem trabalha. Não basta - como fazem PS e PSD - invocar o interesse nacional em vão. O interesse nacional mede-se sobretudo pela justiça do que se propõe.
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Etiquetas: ética, justiça social, reestruturação
Palavras bonitas e realidades amargas
Transcrição seguida de NOTA:
A inevitável estátua
Jornal de Notícias. 14-06.2010. Por Manuel António Pina
"Os sacrifícios devem ser repartidos de forma equitativa e justa", disse o presidente da República em Faro no discurso do 10 de Junho.
Trata-se do género de frase que fica bem na peanha de uma daquelas estátuas em que o herói, hirto, estende o braço apontando o caminho aos mortais comuns.
Não será surpreendente que, daqui a uns anos, quando a memória dos dias presentes e dos passados próximos se tiver diluído, Cavaco tenha algures uma estátua dessas e que a frase lá esteja, brônzea.
Porque então já ninguém se interrogará acerca do estranho sentido que o actual presidente dará a palavras como "equidade" e "justiça".
De facto, quem se recordará nessa altura de que Cavaco apoiou uma repartição de sacrifícios decretada por sucessivos PEC pondo pobres, desempregados, pensionistas e trabalhadores a pagar uma crise que encheu os bolsos dos principais responsáveis por ela?
E quem se lembrará ainda (se até o próprio parece tê-lo entretanto esquecido) do modelo selvagem de crescimento que impôs ao país quando foi primeiro-ministro, assente precisamente no aumento das desigualdades sociais e da pobreza?
NOTA: O nosso País anda a ser enganado por tácticas de diversão, que ocultam as realidades e procuram manter a população enganada sobre o seu destino.
Em vez de reestruturar o País, para o tornarem o local onde as pessoas vivam com confiança e acções produtivas, com sãos critérios, os «responsáveis» perdem o tempo com propaganda vazia de conteúdo.
Precisamos de medidas concretas, bem estruturadas, coordenadas, convergentes para uma finalidade bem definida, já não havendo lugar para idealismos estéreis, para masturbações intelectuais e oratórias ocas.
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Etiquetas: interesse nacional, sentido de Estado, verdade
Tácticas de diversão
Como aqui tem sido dito repetidamente, uma empresa com dimensão considerável deve ser administrada com visão estratégica desde o investimento inicial, com vista a uma finalidade bem definida, ao produto a fabricar, à qualificação da mão-de-obra, à escolha e manutenção dos equipamentos, ao relacionamento com fornecedores e clientes, à concorrência e ao ambiente social em que se encontra de que resulta o mecenato e o apoio aos operários e famílias, etc.
Por maior razão, gerir um País, que poderá ser comparado a uma grande empresa em que a finalidade é o desenvolvimento da felicidade e bem-estar do povo, da Nação, qualquer decisão deve ser tomada atendendo sempre a tal finalidade e ter em consideração todos os factores envolventes e condicionantes, em íntima coordenação e convergência com as decisões anteriores e as que se seguirão. Trata-se de um mecanismo que deve ser operado com meticulosidade e rigor, para evitar avarias. Deve ser evitada a táctica obnubiladora de varrer para debaixo do tapete, a táctica de diversão , de desviar a atenção do essencial para aspectos marginais que apenas fazem perder tempo e energias e prejudicam as finalidades nobremente pretendidas. É indispensável a definição de estratégias integradas que excluam tácticas casuais, avulsas e descoordenadas.
O fenómeno é abordado nas seguintes frases do artigo de António Freitas Cruz no JN de ontem, «A exploração do futebol»
«Há dias, na imagem de abertura de um telejornal, vi ao lado da "pivot" dois monstros sagrados do arraial mediático: um escritor de sucesso e um antigo primeiro-ministro expulso do cargo com a ajuda da "má moeda". Enfim, dois comentadores multiusos para ocasiões especiais.
Pensei: queres ver que houve grande acontecimento? E houve: nada menos que um treino da selecção do senhor Queiroz. Estiveram os três naquilo 28 minutos, durante os quais não meteram bedelho nem a crise, nem Israel, nem as escolas fechadas - nem nada.»
Tais manobras desviantes de futebol, fado, telenovelas, «casos» judiciais e inquéritos parlamentares, mantêm a população enganada e iludida naquilo que Eduardo Lourenço definia há dias como «excesso de auto-estima» que alterna com momentos de depressão, lamentos e impulsos de insurreição. Parece que ainda somos o País de grande desenvolvimento de há cinco séculos em que se vivia facilmente com as especiarias que chegavam do mundo recentemente descoberto, ou de há 20 anos em que se perdeu a noção da necessidade de trabalhar e produzir porque a União Europeia nos financiaria os luxos e o consumismo.
É urgente dar ouvidos a Ernâni Lopes quando nos diz com muita clareza que é preciso substituir imediatamente uma série de defeitos e erros pelas virtudes que se lhes opõem, aquelas que fazem as pessoas sentir-se honradas, independentes e moralmente ricas. Há que começar já a alteração de mentalidades e procedimentos e isso deve ser iniciado pelo Governo que deve dar o exemplo da dignidade e clareza de propósitos e fomentar a moralização do regime e do País. Todos devemos ajudar dentro das respectivas capacidades, mas o responsável pelo País é, e não pode deixar de ser, o Governo.
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Etiquetas: governar, interesse nacional, recuperação, sentido de Estado
domingo, 13 de junho de 2010
Ernâni Lopes no Plano Inclinado 100605
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Etiquetas: crise, recuperação
