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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Empresários que detestam risco!!!

Há a tendência de atribuir ao Governo, aos políticos, as culpas de todo e qualquer mal, como se estivéssemos num regime paternalista, ditatorial em que fôssemos apenas ovelhas sem precisar de pensar e apenas bastando seguir o pastor.

O pequeno texto, extracto do artigo de hoje de Manuel António Pina coloca em evidência essa mentalidade, que orienta muitas manifestações da parte de empresários que, sem correr riscos, querem obter os maiores lucros, usando o mesmo critério dos políticos que querem manter as regalias e mordomias, colocando os contribuintes a pagar a crise, resultante das más governações sucessivas

À boleia da crise
Jornal de Notícias. 18-06-2010. Manuel António Pina

Os empresários estão preocupados com a situação do país (os empresários nunca estão preocupados consigo, mas com o país) e querem "rever as bases da competitividade, nomeadamente os custos da mão-de-obra" e correr menos riscos para "contratar e despedir pessoas".

Que empresários são estes que querem ter lucro sem correr riscos? E ser "competitivos" pagando menos e exigindo mais aos seus trabalhadores?

É sabido que Portugal é um dos países da Europa onde se trabalha mais e onde os custos laborais são mais baixos. E sucessivos estudos internacionais demonstram que a baixa produtividade das empresas portuguesas resulta sobretudo da
má qualidade da gestão e do deficiente planeamento e organização do trabalho. Aqui, porém, os nossos empresários assobiam patrioticamente para o lado.

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quarta-feira, 24 de março de 2010

Ditadura do Lucro Virtual

Porquê investir no emprego? Despedir é mais vantajoso

Excerto do livro - UMA ESTRANHA DITADURA - de Viviane Forrester

Nos nossos dias, a riqueza já não reside na posse de espécies palpáveis, como o ouro ou mesmo o dinheiro: desviou-se, doravante pouco firme, imaterial, e agita-se, abstracto, furtivo, nos interstícios das transacções especulativas, na volatilidade delas. Provém muito mais dos fluxos especulativos do que dos objectos da especulação. É essa avidez, dirigida para frenesins virtuais, que provoca o devoramento instituído de todos e de tudo por uns poucos, e que se pretende universal, autónoma, livre de qualquer controlo, revelando-se ao mesmo tempo incapaz de se controlar.

É essa obsessão surda, que desemboca em operações delirantes, que entende conduzir o destino do planeta e que ameaça esse destino! Um desejo bruto, primário, irracional, de jogar não tanto com as posses mas com o instinto de posse em detrimento de tudo o que se lhe opõe ou pode atenuá-lo.

A ditadura do lucro, que leva a outras formas de ditadura, instala-se com uma facilidade desconcertante. Os seus meios são de uma grande simplicidade! O mais indispensável deles, a clandestinidade, é-lhe atribuído antecipadamente: mesmo que o lucro seja a chave de tudo, se estiver omnipresente, a sua presença fica sempre oficialmente ausente. Sem dúvida, é considerada adquirida de uma vez por todas, registada e tão banal, de facto, que fazer-lhe alusão seria supérfluo, mas seria sobretudo tido como primário, arcaico e sordidamente campónio, tendência submarxismo antediluviano.

O direito ao lucro, sempre em segundo plano, clandestino, é permanentemente subentendido, mas subentendido... como definitivamente entendido, como absoluto, irrefutável, em suma, de direito divino. Enquanto que, sempre aperaltado com o papel - o único que aceita - de fonte indispensável de abundância e de empregos, esse lucro parece apenas responder às exigências do dever, melhor, estar apenas votado a sacrifícios modestos e silenciosos. Anónimos, pudicos, aqueles que disso aproveitam com tanta abnegação procuram nunca ser citados. Rodeia-os a maior discrição, enquanto em contrapartida são denunciados como verdadeiros aproveitadores, e entregues à vindicta geral, esses desavergonhados, esses notórios açambarcadores: os empregados do sector público e os seus privilégios escandalosos, ou ainda os desempregados, esses calaceiros, vampiros da nação, vergonha das estatísticas, que desafiam o cidadão laborioso e se rebolam, à custa do Estado, na segurança dos seus abonos. À parte os imigrantes que nos esfolam, não se vêem outros beneficiários do lucro, que já não responde, aliás, ao nome de «lucro», e menos ainda de «benefício», mas sim ao de «criação».

E eis que aí vêm as famosas «criações de riqueza», presumivelmente para oferecerem imediatamente os seus tesouros à humanidade inteira. Com que satisfação, com que gratidão, com que admiração elas são evocadas, maravilhas surgidas graças aos seus «criadores», esses dirigentes da economia privada, de repente travestidos de mágicos! Sonha-se com a varinha de condão, com a caverna do Ali-Babá. Ora, de que riquezas se trata? De um enriquecimento da espécie humana? De progressos científicos, sociais? De grandes obras? De objectos essenciais, preciosos ou de grande utilidade? Não, mas de benefícios tirados de uma produção supostamente rentável. De nada mais. «Riquezas» reais, mas que enriquecem apenas os «empresários» e os seus accionistas. «Criações de lucros seria mais adequado».

Pelo menos, esses lucros traduzir-se-ão em empregos? Essas «riquezas» serão distribuídas? É o que nos anunciam, espectacular e incessantemente. Mas essa vocação está completamente ultrapassada: as empresas mais lucrativas despedem a toda a força; os seus decisores têm uma tendência irresistível, uma preferência indefectível pelo abaixamento do custo do trabalho. Porquê investir no emprego? Despedir é mais vantajoso. Já vimos, a Bolsa adora. E o que ela adora faz lei.

É, portanto, a especulação, escondida mas alimentada pelos mercados, que ganha e domina. Vimos que a partir dessas «riquezas» ou só do seu projecto, só da sua hipótese, mil e uma especulações delirantes poderão desmultiplicar-se, indiferentes a qualquer outra produção que não seja a de movimentos de capitais imaginados, enlouquecidos, dissociados da sociedade e de qualquer «riqueza» que não seja neofinanceira. «Riquezas» tão virtuais como voláteis, especulações, ou antes, apostas demenciais que sustentarão o que continuará a ter-se por Economia, a qual se intitulará sempre «economia de mercado» - uma pseudo-economia, de facto, situada a galáxias da esfera das riquezas tangíveis ou mentais com que sonham a justo título as populações, e que lhes são necessárias.

Se essas «riquezas» reclamarem cada vez menos trabalho humano, se provierem de cada vez menos activos reais e se nelas se investir cada vez menos, nem por isso deixa de se esperar dos seus «criadores», esses decisores da economia privada ou esses especuladores (muitas vezes são os mesmos) que, para bem de todos, façam surgir tesouros que supostamente escondam um maná de empregos e, tal como um rio se lança no mar, vão alimentar as empresas. As autoridades de todos os quadrantes e de todos os países celebram esses benfeitores como as «forças vivas da nação», únicos a dar provas de «dinamismo», de «audácia» e de «imaginação» no seio de populações supostamente plácidas e satisfeitas, assentes na segurança do seu RMI [Rendimento Mínimo de Inserção], dos seus subsídios de desemprego, dos seus salários de saldo, enquanto as nossas «forças vivas», intrépidas, são as únicas que «ousam» «correr riscos».

Que riscos? - poderiam ousar perguntar alguns espíritos maldosos. O de produzir lucros ainda mais colossais? Ou mesmo - é caso para tremer! - um pouco menos colossais? Isso seria esquecer os riscos assumidos por essas pérolas da nação quando deslocalizam as suas empresas precisamente para fora da nação, ou fazem fugir para longe dela os seus capitais!

Isso seria esquecer também o risco assumido de estragar o destino da maioria de outras criaturas terrestres e de sabotar as suas vidas únicas de seres vivos, de as manter na angústia e na humilhação, risco que chega mesmo, por vezes, ao ponto de as pôr na rua, literalmente, a pô-las em perigo, a fazê-las cair nesse perigo. Isso seria ainda esquecer o risco assumido, num mesmo impulso criador, de generalizar a miséria, de gerar infernos terrestres. Mas aí estão outros tantos desafios perante os quais os nossos generosos cruzados da criação nunca recuam. Eles garantem...

Louvados sejam eles, cavaleiros da competitividade, campeões da auto-regulação, da desregulação, cuja competência podemos glorificar rodos os dias! Às suas «forças vivas», a nação reconhecida...

Lucro? Você disse lucro?

Assim a clandestinidade do lucro, a sua autoridade, o seu fundamento já não têm que ser estabelecidos: estão antecipadamente convencionados, ordenados e antecipadamente calados. O lucro, subjacente em toda a parte, não está, no entanto, expresso em parte nenhuma, é ignorado em toda a parte, mas, está infiltrado em toda a parte, operacional no coração de todas as coisas - e é aceite sem que tenha sido formulada ou mesmo solicitada qualquer aquiescência consciente. Domina como um princípio sagrado, e reina, nunca evocado, mas razão de ser da ideologia que sustenta o regime e as suas obsessões.

Querem um exemplo destas? A competitividade. Entre as afirmações desferidas como argumentos definitivos, pronunciadas em tom peremptório, com a certeza de ter por si uma aquiescência geral, adquirida para sempre com conclusões nunca verificadas, é uma das mais frequentemente citadas - de forma bastante desprendida, aliás, e como que de passagem, de tal maneira a sua existência, a sua influência e as suas presumidas consequências parecem confirmadas de longa data.

«A competitividade obriga...», «A competitividade não permite...». Quantas carradas de despedidos, de deslocalizações de empresas, de reduções ou de congelamentos de salários, de reduções de efectivos, de estrago das condições de trabalho, quantas decisões desastrosas e perversas pretenderam justificar-se assim! E quantas vozes desoladas para exprimirem então a pena de terem tido que decretar, de terem tido que tomar as decisões-cutelo que a competitividade, ai de nós, exige!

Mas que representa ela? A questão nunca se coloca. Quem está em competição? De que lutas se trata? De que rivalidades? O que está em jogo? Qual é o seu poder ou a sua necessidade para que beneficie de tanta autoridade, para que seja dada ao mesmo tempo como fatal, inelutável e como um factor-chave da economia de mercado, ela própria apresentada e exigida como prova indispensável de democracia? Qual é a sua virtude para que o seu papel, previamente considerado preponderante, nunca seja explicitado, nunca seja analisado, e para que mencioná-la baste para evitar ou encerrar qualquer discussão, qualquer interrogação? Para que tudo tenha que ser concebido, organizado ou reformado em função dela, sem que jamais seja posta em causa? Para que sejamos deixados no vago e achemos normal lá ficar, admitir maquinalmente a competitividade como um fim em si, uma entidade face à qual não exista outra reacção possível que não seja submeter-se-lhe? E para que no fim de contas só essa certeza seja proposta – imposta, melhor – como evidente, indiscutível: é imperativo aceitar ser-lhe sacrificado. Mas, mais uma vez, porquê e a quê? Com que objectivo?

Recebido por e-mail de Maria João F

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domingo, 17 de maio de 2009

Empresário que respeita os trabalhadores

Depois do post Empresário disposto a empobrecer um pouco, em que é referido o empresário António Lopes, proprietário da fábrica têxtil Fiper, no Teixoso, Covilhã, que deseja mais trabalhadores para a sua empresa, deparo agora com mais um exemplo de respeito pelos trabalhadores, com consciência de que eles são um importante pilar da empresa e, sem eles, nenhuma empresa pode obter rentabilidade do capital.

Transcreve-se o artigo hoje publicado no Jornal de Notícias:

Irmãos Luzias fintam a crise dando trabalho

Empresa familiar, que entrou em 2009 com solidez financeira, decidiu contratar mais três trabalhadores

JN. 090517. 01h03m. por TEIXEIRA CORREIA

Apesar da crise, a empresa Irmãos Luzias, em Beja, entrou em 2009 contratando mais três trabalhadores para as suas oficinas, que se juntam aos outros 21 e aos seis membros da família que laboram na firma.

Dedicada ao sector automóvel, máquinas agrícolas e industriais, combustíveis, gás e lojas de conveniência, a empresa começou a laborar em 1971, com o nome Auto Mecânica Central Aldenovense.

De investimento em investimento, mas com os pés bem assentes no chão, tem criado um grupo de empresas em redor da Irmãos Luzias, apoiado numa verdadeira família, onde cada empregado é visto como mais um filho, um primo ou um sobrinho.

Tudo começou quando os irmãos José e António Luzia, naturais de Santa Vitória, concelho de Beja, rumaram à Aldeia Nova de São Bento, em Serpa. A venda dos tractores David Brown, como sub-agentes, foi o primeiro negócio. Vinte e um tractores vendidos na Margem Esquerda do Guadiana levam o importador a nomear a empresa como concessionária local. Face ao grande potencial, em 1981 surgiu o convite para liderar o distrito. Nasce a Irmãos Luzias no centro de Beja. As vendas sobem para 25 tractores por ano.

Décadas volvidas - já sem o irmão, mas com a mulher como sócia - José Luzia, o fundador, começa a construir as actuais instalações, na Zona Industrial da cidade, concluídas em 2003, com 5000 m2, um investimento de um milhão de euros. Pelo meio, a nomeação como concessionário da Skoda, então ainda checoslovaca.

José Luzia passa agora a maior parte do tempo num monte perto de Baleizão. São os filhos, Vitor e Elsa, que gerem a empresa. "Sempre olhei em frente. Nunca tive receio de arriscar, mas sempre sem ir além das minhas possibilidades", afirma, feliz. Para José Luzia, o segredo do sucesso mede-se por uma palavra: "honestidade".

O facto de os filhos e respectivos cônjuges trabalharem na empresa é, para Luzia, sinal de "rigor e defesa dos próprios bens". Vitor, de 34 anos, e Elsa, de 38, assumiram a liderança da empresa e têm promovido um crescimento sustentado, apoiado numa "nova geração de profissionais responsáveis", segundo o mais novo dos manos. "A confiança nas nossas capacidades tem sido decisiva", justifica Vitor, para quem os trabalhadores, são gente "altamente competente e orientada".

Na empresa há 17 anos, Joaquim Afonso considera a empresa a sua "segunda casa", onde espera "chegar à reforma". João Canena, 37 anos de idade e dez na empresa, portador de uma deficiência ao nível cardíaco que não impede de ser o cobrador, assegura ser "acarinhado como um filho. Só tenho motivos de felicidade desde que aqui cheguei". A mais recente aquisição da empresa é Pedro Galvão, mecânico na casa há pouco mais de um mês. "Em boa hora mudei para melhor. Trabalhar aqui é como saltar à corda. É fácil", assegura.

A Irmãos Luzias tem, assim, um papel decisivo no emprego da região. Sem apoios exteriores e num sector difícil, facturou 7,8 milhões de euros em 2008. Há três anos, na suas "bodas de prata", a Câmara de Beja reconheceu o labor que a empresa atribuindo-lhe a medalha de mérito municipal grau prata.

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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Empresário disposto a empobrecer um pouco

António Lopes, proprietário da fábrica têxtil Fiper, no Teixoso, Covilhã, que emprega 50 pessoas, anunciou que, apesar da sua empresa "registar prejuízos", vai manter os trabalhadores a prazo que agora terminavam contrato, por entender que, na crise, o sacrifício deve ser de todos e não só dos operários. Vai manter os 29 trabalhadores com contratos a prazo, apesar de estar "a registar prejuízos todos os meses".

Disse à agência Lusa: "sei o que estes dramas representam dentro de casa. Já fui trabalhador, dirigente sindical e já os vivi. Agora, em tempo de vacas magras, também devo empobrecer um pouco". "O futuro a Deus pertence. Eu vou tentar aguentar tanto quanto possível e os despedimentos serão a última coisa a fazer".

Esta atitude do empresário veio recordar-me o que ouvi numa aula de economia ou de organização empresarial, há pouco mais de 40 anos. Na sociedade capitalista actual, em que tudo se subordina à ganância do dinheiro, esquece-se o facto de a empresa ter obrigações perante os donos do capital, os gestores, os trabalhadores a todos os níveis, os fornecedores, os clientes e a sociedade envolvente. É uma justa função social da empresa.

A empresa precisa de dar atenção a todos estes agentes económicos e, por isso, a distribuição dos lucros não deve beneficiar apenas os donos do capital e os gestores, mas principalmente os trabalhadores que foram indispensáveis para a sua obtenção. Qualquer destes factores não pode ser esquecido para que a empresa funcione de forma saudável e eficaz. A sociedade envolvente deve ser «acariciada» por outras formas, principalmente, pelo mecenato traduzido em pequenos gestos de apoio à vida social e a um ou outro caso de carência. Na área envolvente se incluem os familiares dos trabalhadores, os vizinhos, que são clientes e por vezes fornecedores. Os fornecedores devem ser respeitados e tratados com seriedade e honestidade; no mínimo devem ver as suas contas pagas com regularidade. Os clientes devem ser bem servidos na qualidade e no preço dos artigos ou serviços fornecidos e no apoio pós-venda, por forma a criar neles uma afectividade que seja garante de continuidade.

Imagine-se como a sociedade será mais harmónica e feliz quando estes aspectos forem encarados com franqueza e lealdade.

O senhor António Lopes dá, com este gesto, uma grande lição aos seus parceiros empresários, muitos dos quais querem continuar a gozar de todas as regalias e que a crise seja paga apenas pelos trabalhadores e suas famílias.

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domingo, 5 de outubro de 2008

EDP - Lucros 1º Semestre

Recebida por e-mail esta apresentação do estudo económico elaborado pelo Economista Eugénio Rosa sobre o relatório da EDP relativo ao primeiro semestre de 2008. Parece que esta e outras empresas que prestam serviço público, têm inteira liberdade do Governo para explorarem os consumidores, à sua vontade.

Caro(a) amigo(a)

O presidente da CE do Conselho da Administração da EDP, ufano e sorridente, acabou de apresentar as contas do grupo referentes ao 1º semestre de 2008. E, de acordo com essas contas, a EDP obteve, em apenas 6 meses, lucros de 962,4 milhões de euros antes de impostos, o que representa um aumento de 44% relativamente aos obtidos em idêntico período de 2007. Como os impostos a pagar subiram apenas 4% ( a taxa efectiva desceu 7 postos percentuais), apesar dos lucros terem aumentado 44%, os lucros líquidos cresceram 56,6%, e os lucros a distribuir aos accionistas subiram 66,6%

Neste estudo, para além desta análise dos resultados das contas apresentadas pela EDP, mostro que esses elevadíssimos lucros são conseguidos à custa de preços de electricidade impostos pela empresa a mais de 4 milhões de consumidores domésticos que são superiores entre 16,4% e 21,1% aos preços médios da União Europeia. Nessa análise utilizo os preços de electricidade sem impostos, porque são aqueles que revertem integralmente para as empresas e que constituem a fonte dos seus elevadíssimos lucros.

Para toda esta situação tem contado não só a passividade do governo mas fundamentalmente o comportamento colaborante da própria entidade reguladora, a ERSE, que no lugar de exercer uma fiscalização actuante, tem até apresentado propostas que só beneficiam a empresa, de que são exemplos a proposta das dívidas incobráveis da EDP serem pagas pelos consumidores que pagam, assim como a relativa à chamada tarifa social que analiso no meu estudo.

Apesar destes elevadíssimos lucros a EDP prepara-se para tentar impor em 2009 um aumento de preços várias superior à subida dos salários, com a justificação da existência de um elevado défice tarifário. É de prever que para isso conte com o apoio da ERSE. A campanha com esse objectivo já começou em vários órgãos de comunicação social.

Espero que este estudo possa ser útil.

Com consideração

Eugénio Rosa
Economista

'Este Governo não cairá porque não é um edifício; sairá com benzina porque é uma nódoa'- Eça de Queirós em O Conde de Abranhos

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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Taxas de juro já estão nos 6%

Taxas de juro para habitação já estão nos 6%
http://dn.sapo.pt/2007/08/06/economia/taxas_juro_para_habitacao_estao_6.html

Notícias de hoje dizem-nos que as taxas de juro do crédito à habitação já chegaram aos 6%, o valor mais alto desde há seis anos. Quem for contrair um novo empréstimo à compra de casa em Agosto e só conseguir negociar um spread de 1,8 pontos, que é dos mais altos, ficará a pagar uma taxa de juro nominal de 6,219% e efectiva (já com encargos) de 6,247%, se o indexante escolhido foi a Euribor a seis meses.

Este é o resultado de mais uma subida das taxas Euribor em Julho, com o valor médio deste indexante a seis meses a atingir os 4,419%, enquanto a mesma taxa para o prazo de três meses apresentou um valor médio de 4,275%, no mês passado.

Trata-se dos valores mais altos desde Setembro de 2001, quando a taxa máxima era de 6,250%. No entanto, nesta altura, este spread máximo praticado pela banca era de dois pontos percentuais e a taxa de juro Euribor era arredondada ao oitavo e quarto de ponto percentual acima, consoante os bancos.

Actualmente, com o arredondamento à milésima obrigatório, as taxas de juro praticadas pela banca apresentam poucas variações, com a negociação do spread a constituir a principal diferença.

Recorde-se que no último pico da subida das taxas de juro europeias, em finais de 2000, os portugueses chegaram a pagar taxas de juro pelos seus empréstimos de 7,3%. Actualmente as taxas do mercado bancário estão em ciclo ascendente, desde Setembro de 2005.

Este é mais um aperto no cinto que os cidadãos mais desprotegidos vão sofrer. Para quê? Para que alguns privilegiados tenham melhor vida. Recordem-se as notícias vindas a público há dias e já referidas no post
Pontos fracos dos Portugueses:
Lista de devedores cresceu 15 vezes face há um ano
Lucros dos bancos privados subiram 23%
Bancos lucram 6,3 milhões por dia
Lucros da CGD sobem para 490 milhões
Seguros registam melhor resultado de sempre

E não se vê sinal de um controlo que evite esta especulação imoral do bancos sobre os clientes, fazendo tudo o que lhes apetece para aumentar os lucros à custa do cidadão já tão sacrificado por todas as formas, por todos os poderes.

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