terça-feira, 19 de outubro de 2010

«Boys», ostentação, despesas

Transcrição de um caso credível recebido por e-mail. Deve haver muitos casos como este, pois pelos vistos há cerca de 30.000 carros e milhares de «boys».

Ele é vogal de uma dessas entidades reguladoras portuguesas - insisto, não é ministro de país rico, é um vogal de entidade reguladora de país pobre - e foi de Lisboa ao Porto a uma reunião.

Foi de avião, o que nem me parece um exagero, embora seja pago pelos meus impostos.

Se ele tem uma função pública é bom que gaste o que é eficaz para a exercer bem: ir de avião é rápido e pode ser económico. Chegado ao Aeroporto de Sá Carneiro, o homem telefonou: "Onde está, sr. Martins?" O Martins é o motorista, saiu mais cedo de Lisboa para estar a horas em Pedras Rubras.

O vogal da entidade reguladora não suporta a auto-estrada A1.

O Martins foi levar o senhor doutor à reunião, esperou por ele, levou-o às compras porque a Baixa portuense é complicada, e foi depositá-lo de volta a Pedras Rubras.

O Martins e o nosso carro regressaram pela auto-estrada a Lisboa. O vogal fez contas pelo relógio e concluiu que o Martins não estaria a tempo na Portela.

Encolheu os ombros e regressou a casa de táxi, o que também detestava, mas há dias em que se tem de fazer sacrifícios.

Na sua crónica nesta edição do DN, o meu camarada Jorge Fiel diz que o Estado tem 28 793 automóveis.

Nunca perceberei por que razão os políticos não sabem apresentar medidas duras. Sócrates, ontem, ter-me-ia convencido se tivesse também anunciado que o Estado passou a ter 28 792 automóveis.

Imagem da Net

4 comentários:

Pedro Coimbra disse...

A auto-estrada está uma miséria (3 horas?).
O caminho de ferro uma desgraça (também 3 horas. E com bastante conforto).
Tinha mesmo que ir de avião.
Abraço

A. João Soares disse...

Caro Pedro Coimbra,

Sem dúvida que não estando na Suécia nem na Grã-Bretanha, o político não pode andar em transportes públicos!!!
Mas fazer deslocar ao Porto o nosso motorista com o nosso carro, para se deslocar do aeroporto à reunião e às compras e voltar ao aeroporto, convenhamos que não é de admirar que estejamos em crise e tenham de espoliar o povo tanto quanto podem.
No Porto podia deslocar-se de táxi, que por isso «não lhe cairiam os parentes na lama».

É o tal deslumbramento dos provincianos arrogantes, ambiciosos, exploradores, sugadores do dinheiro público sem sentido de responsabilidade nem de Estado.

Um abraço
João

Só imagens

O Guardião disse...

Coitado do boy, ele só queria pagar horas extraordinárias ao motorista e fazer a rodagem ao popó.
Cumps

A. João Soares disse...

Caro Guardião,

Tive agora um problema técnico que me apagou o texto que tinha escrito e que já não tenho paciência para tentar repetir!

Gostei da justificação com a rodagem do carro, parece a outra que levou um político a ser assediado e a ser presidente de partido e depois PM.
Nem sempre tais assédios são úteis para os portugueses.

Um abraço
João
Só imagens