Acerca da derrocada da falésia na praia Maria Luísa em Albufeira, uma visitante do blogue do Miradouro deixou o seguinte comentário no post «segurança dos cidadãos inexistente!!!» Um título de post que vem mesmo a propósito! Estou revoltadíssima, amigo João Soares. Arrepio-me só de falar dum tema tão a propósito hoje. Como pode este governo que nem chega ao valor de "pataca e meia", dar a cara ao País quando negligenciou coisas que eu, simples cidadã Portuguesa, venho vendo há tantos anos?
Desde sempre me preocupava não colocar a minha família sob a ameaça de queda de falésias no Algarve, quando íamos para as praias lindíssimas daquele recanto do nosso País. Desde sempre pensava porque seria que proibiam os peões de pisar as bermas no topo das mesmas e não vedavam a passagem das pessoas cá em baixo, na praia, mesmo por debaixo desses blocos de terreno? Não compreendo, amigo João Soares, não compreendo. Sinto-me de luto pela notícia que hoje ouvi e que nos envergonha. Se eu, como simples cidadã, repito, via estas coisas, porque é que o Governo não viu que isto podia acontecer e não alertou o presidente da câmara de Albufeira?
É motivo para eu perguntar, gritar bem alto: WHY??????? As minhas lágrimas caem pelo sofrimento das vítimas (não sei quantas e se houve mais do que uma) e das suas famílias. Pobre País, o nosso. Faltava só mais esta!
Maria Letra
Respondi da seguinte maneira:
Minha querida Amiga,
Foi por este seu comentário recebido por e-mail que tive conhecimento da derrocada da falésia. Pelos vistos, o perigo era iminente há muito tempo, o que leva a interrogar as autoridades:
- da protecção civil desde o governo até ao serviço municipal;
- da Câmara Municipal;
- da Autoridade Marítima.
Que medidas deviam ter sido tomadas e não foram para evitar o acidente ou, se ele ocorresse, para reduzir os seus efeitos nefastos.
Porque não foi feito um gradeamento por forma a evitar a passagem e a paragem de pessoas na área de perigo?
Falta de responsabilidade generalizada. As pessoas candidatam-se aos cargos a pensar nos seus interesses pessoais e cientes de que gozam de imunidade e de impunidade.
É de lamentar. E será bom que os eleitores não se esqueçam disto no momento de votarem.
Sobre este acidente, além de outras notícias podem ser lidos os artigos:
- Duas pessoas soterradas na derrocada de falésia em praia de Albufeira
- "Viu-se uma nuvem de poeira e as pessoas começaram a gritar"
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Acidente dramático por negligência
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A. João Soares
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Medo versus confiança
É comum ouvir-se que os comportamentos das pessoas e dos Estados são condicionados por duas baias o amor ou confiança por um lado e o medo pelo outro. Se nos deixamos influenciar pela confiança, o relacionamento com os outros é harmonioso e dialogante, se nos deixamos dominar pelo medo o instinto de defesa conduz a desconfiança, agressividade, e reacções menos amistosas.
Na vida internacional, já nenhum estado suporta um vizinho com intenções neo-colonialistas ou imperialistas de domínio e asfixia.
Na América Latina, a Venezuela do Hugo Chávez está a afastar-se da confiança e a aproximar-se do medo que certamente sente e do que faz sentir aos vizinhos. A forma como expressa a sua aversão aos EUA e aos vizinhos mais próximos, começando pela Colômbia, estão cada vez mais visíveis.
E como com vinagre não se apanham moscas, o Brasil mostra estar farto daquele país mais pequeno que está a abusar de ter petróleo. Enquanto internamente «agressões a jornalistas aumenta tensão entre governo de Chávez e imprensa», da parte do Brasil vêm as notícias «Lula da Silva reclama junto de Hugo Chávez o pagamento de exportações brasileiras» e «Senado condena «escalada de autoritarismo» e «perseguição à imprensa livre» na Venezuela» que evidenciam um clima hostil entre os dois Estados e de perigo de conflito entre eles em que a Venezuela poderá sair muito lesada devido às grandes fragilidades apresentadas pelo seu potencial económico demasiado concentrado no petróleo.
Oxalá o computador «Magalhães» vá levar capacidade de raciocínio sensato aos apoiantes de Hugo Chávez, porque se é certo que conseguiu legislação para ser reeleito até à morte, esta pode surgir sem esperar legislação especial. A oposição interna parece ser explosiva e piorará com as repressões à comunicação e à liberdade de expressão. Hoje os povos estão de olhos mais atentos e perspicazes e não toleram tais exemplos de autoritarismo e arrogância. É preciso recordar que mesmo em fins do século XVIII, quando a informação era mais restrita, foi feita Revolução Francesa.
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Cientista português honra o País
Há três dias publiquei aqui uma referência a um cientista do sector da das ciências biomédicas com o que me senti muito feliz. Hoje volto com outro nome, também no mesmo ramo do saber.
O Dr. José Silva, biólogo português, de 35 anos, do Centro para a Investigação de Células Estaminais da Universidade de Cambridge, em Inglaterra, publicou na edição online da revista norte-americana “Cell” a descoberta a que se refere o artigo «Português descobre gene crucial para transformar células adultas em estaminais embrionárias», fruto de 5 anos de estudos intensos feitos com muito interesse e dedicação. Quanto aos pormenores científicos, sugiro os interessados a lerem o artigo, para o que basta fazer clique no título aqui deixado.
Estes dois casos como outros aqui referidos, são excepção à regra geral definida por José Gil quando afirma que os portugueses têm tendência para a inserção sem grande apetência para a criatividade e a inovação. Realmente, vivemos muito presos ao passado com orgulho nos descobrimentos (como se nos últimos cinco séculos nada tenha havido de bom) e, apesar de ultimamente terem sido publicados muitos livros, nada surge de inovador, voltado para o futuro. Na sua maioria, são livros de recordações e memórias, por vezes vistas por uma óptica distorcida e muito parcial, expressando ódios e rancores com tricas e coscuvilhices em demasia. Mas nada de soluções para o futuro de aproveitamento das poucas potencialidades económicas a anímicas que possamos ter, nada de projectos de modernização bem ajustados às realidades nacionais para serem viáveis e eficientes.
O exemplo destes cientistas e de jovens estudantes que têm evidenciado valor a nível internacional, devia ser seguido por políticos e pensadores que se preocupam com a vida das gerações mais novas, os cidadãos de amanhã. Para sair da actual pasmaceira política do «cada vez mais na mesma», sem cérebros válidos a pensarem no futuro do regime, apenas ouvi há dias o Dr. Medina Carreira a sugerir um tipo de programa de governo e de equipa governamental muito em sintonia com o esboçado no post «código de bem governar».
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O mito das duas luas
Os abusos da Internet são muito frequentes utilizando spams, falsos pedidos de ajuda, notícias erradas, brincadeiras que, além de entupirem os canais da informação, levam as pessoas em erros por vezes muito inconvenientes.
Agora está a circular a mensagem de que em 27 de Agosto, será possível vislumbrar duas luas, devido à aproximação de Marte à Terra, o que segundo os especialistas não pode ser mais errado, como é divulgado na notícia. «Duas luas? É um mito, dizem os especialistas».
O Núcleo Interactivo de Astronomia (NUCLIO) esclarece «Isto nunca se verifica», «Mesmo nos momentos de maior aproximação Marte nunca deixa de ser somente um ponto brilhante no céu», estando muito longe de igualar a dimensão da lua aos nossos olhos.
Segundo os especialistas, «este tipo de mensagem começou a circular em 2003 quando ocorreu uma oposição de Marte (a altura em que Marte e a Terra mais se aproximam) particularmente próxima, uns meros 56 milhões de quilómetros. Essa oposição ocorreu no dia 27 de Agosto de 2003 e foi amplamente noticiada por todo o mundo. Desde então, a história volta a circular por esta altura do ano, mencionando o dia 27 de Agosto, apesar das oposições não ocorrerem nas mesmas datas», frisou o NUCLIO.
Este ano irá registar-se uma aproximação máxima, mas a 24 de Dezembro, e terá apenas 88 milhões de quilómetros, o que fica muito longe dos 56 registados em 2003. Pois bem, a Lua vai estando a 400 mil quilómetros e, por isso, bem mais visível.
Segundo os especialistas, algo similar ao que sucedeu em 2003 só acontecerá a 31 de Julho de 2018, altura em que Marte vai estar a 57,59 milhões de quilómetros de distância da Terra.
Convém que deixe de haver pessoas ingénuas que entrem no jogo mal intencionado dos que pretendem encher as nossas caixas de entrada dos e-mails com lixo e erros grosseiros.
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Ditaduras «sob o manto diáfano» da Democracia
No íntimo de cada político (salvo eventuais excepções!) germina um embrião de ditador. Não lhe falta ambição, arrogância, egoísmo, excesso de auto-estima e vontade de impor os seus interesses.
É certo esforçar-se por se mimetizar com os princípios da Democracia, o que é visível nos seus discursos, mas não tem força anímica, nem formação, nem convicção que lhe permitam obter êxito na representação desse papel. Mas nem isso lhe interessa na verdade. E, como resultado da sua índole e da embriagues do poder, ei-lo a correr a passos largos e decididos para a ditadura, embora procure esconder-se o mais possível para segurar a capa de democrata.
Roberto Mugabe, no Zimbabué, está sendo um exemplo vivo, para desgosto e desgraça do seu povo. Hugo Chávez, na Venezuela, está na mesma rota, não perdendo a mínima oportunidade para avançar em direcção ao objectivo.
Agora, Karzai, no Afeganistão, retira a máscara e para «ganhar» a ida às urnas «pacificamente» «ameaça expulsar jornalistas que noticiem violência durante as eleições», esquecendo que “a credibilidade das eleições está ligada a uma cobertura mediática livre”.
Outros casos parecidos, com cerceamento da liberdade de imprensa, existem pelo terceiro mundo, como é o caso de Myanmar, onde o vencedor das eleições de Maio de 1990 não teve ainda «liberdade» de assumir funções e, até hoje, a Junta Militar ainda não cedeu o lugar, tendo a líder do partido vencedor passado todo este tempo, com pequenos intervalos, em prisão domiciliária, nem sequer Aung San Suu Kyi teve possibilidade de sair do País para receber o prémio Nobel da Paz. Ela foi recentemente julgada e condenada a mais 18 meses de prisão domiciliária num processo de duvidosa isenção.
Enfim, todos apontam a Democracia como o melhor regime político mas todos procuram agir segundo as características e os princípios da ditadura totalitária, seja na aristocracia ou na partidocracia ou na plutocracia.
No caso Afegão, o que pensa o líder da liberdade de informar??? Não deve ter sido para o cerceamento de tal liberdade que foi desencadeada a guerra contra os talibãs? E para que servem as guerras? Para quê mandarem soldados ocidentais morrer em tais áreas? Quem beneficiou com esses sacrifícios de vidas e de recursos? Quais os objectivos que se pretendia atingir? Teriam sido legítimos, para benefício de população e da humanidade?
No Iraque, onde a guerra produziu tanta destruição de vidas, de património histórico, cultural e económico, as reflexões não são mais animadoras. Porque se fazem guerras? Quem as decide, com que interesse?
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Segurança dos cidadãos inexistente
Embora não sendo novidade, convém não deixar no esquecimento a notícia de hoje tornando público que «Quatro carros da GNR abalroados por fugitivos». Fica o link para quem estiver interessado nos pormenores.
Recentemente tinha aparecido outra dizendo que «O agente está sempre entre a espada e a parede», o que está relacionado com a que nos diz que «Polícias agredidos obrigados a pagar custas» do tribunal em que os agressores não pagaram por não terem disponibilidade financeira! E esta outra mostra que o bom senso, dentro da desorganização vigente no País, avisa que «Pedir indemnização não é aconselhável».
Isto são apenas notícias que qualquer pode ler nos jornais, mas que merecem reflexão e, desta surgem dúvidas perturbadoras como: Portugal estará a «evoluir» para a solução prevista por muitos portugueses: Começam por agredir as forças de segurança e em breve os alvos serão os governantes, os juízes, os ex-governantes que enriqueceram velozmente? Efectivamente, deixou de haver segurança pública, deixou de haver respeito pela liberdade de cada um , e chegou ao ponto de não se respeitar a própria autoridade. Esta já está no rol das vítimas mas o Governo continua a proteger os criminosos e a esquecer as vítimas… até que passe a fazer parte do largo rol destas.
«Que dizem o PM, o MAI e o MJ?»
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009
PS não é virtual é real
Temos vivido momentos em que se coloca a dúvida se os políticos são seres humanos sensíveis ao que se passa na realidade nacional, com os cinco sentidos em bom estado de funcionamento. Mas agora chega a noticia «PS apoia ofensa de candidato a deputado» que nos mostra que o PS tem os pés bem assentes no chão e conhece o que são os políticos portugueses.
O deputado, além de apoiado, poderá vir a ser elogiado por ter dito uma expressão ("filho da p...") definidora a esse adversário como representante de todos os outros candidatos. Será? Aliás, mesmo dentro da AR têm sido ouvidas acusações menos elogiosas do que aquela. É a realidade partidária a que o PS (tal como os outros partidos) não escapa. Existe, é real!
Eles conhecem-se muito bem e sabem o que dizem quando chamam nomes feios uns aos outros. Porém, não sabem o que é respeito nem mesmo aquele que é estritamente protocolar e institucional. Insultam órgãos que devem ser respeitados por todos os portugueses, como a Presidência da República, a própria AR, o Tribunal de Contas, o Tribunal Constitucional, o Procurador Geral da República, etc, etc.
Perante isso, alguém tem autoridade moral para exigir respeito dos portugueses seja ao que for?
E como estamos em vésperas de eleições, alguém pode conscientemente exercer o direito de soberania votando naquele candidato a quem o deputado João Galamba: chamou "filho da p..."? Ou no João Galamba? Ou em qualquer dos outros candidatos que uma vez ou outra mereceu tal epíteto ou outro mais pessoalmente ofensivo? Ou numa lista que tem no seu seio arguidos, suspeitos ou «filhos da p…»?
E perante estas provas de falta de civismo, de credibilidade e de merecimento do nosso respeito e da nossa confiança, perante as próximas eleições, ficamos como o tolo no meio da ponte sem saber para que lado avançar, que escolha fazer, quem eleger e resta a atracção lógica, racional e com muita ética (palavra que alguns líderes utilizam sem lhe saber o sentido pois as decisões que tomam assim o demonstram) reduzir a opção do voto ou pata o branco ou para o nulo.
Leis a mais e ordem a menos
Muitos comentadores referem haver leis iníquas e inúteis, leis que não foram regulamentadas, leis que são letra morta e são substituídas frequentemente sem eficácia. Por cima desse cenário nada pode funcionar bem, nem as polícias nem a Justiça.
Hoje o DN traz a notícia «Polícias agredidos obrigados a pagar custas» no tribunal onde apresentaram queixa contra os agressores. Relacionado com este caso, o mesmo jornal indica os seguinte títulos «Pedir indemnização não é aconselhável» e «O agente está sempre entre a espada e a parede».
Há que pensar no significado desta situação, proveniente da acção governamental dos últimos tempos. Os governantes de qualquer partido têm mostrado muita semelhança entre si, pelo que as próximas eleições deixam ao eleitor um dilema, ou polilema sobre a direcção do voto, havendo muitos que sugerem o voto em branco ou o nulo. Todos os candidatos (salvo eventuais excepções) são esféricos, sem ponta por onde se pegue. Esperar milagres pode ser uma atitude como a de jogar no euromilhões ou na lotaria.
Quanto ao último parágrafo, já aqui foi dito algo que estimula a reflexão. Citam-se os posts mais recentes:
- Eleições negócio de clãs
- Limpar Portugal – Um alerta urgente
- Ideologias estão em que gaveta???
- A «ética» dos políticos
- Abusos na administração do dinheiro público
- Que dizem a isto o PM. o MAI e o MJ???
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
Cientistas portugueses em destaque
Mais um caso positivo que deve aumentar a auto-estima dos portugueses. Jovens cientistas destacam-se na protecção contra a malária. Transcreve-se integralmente o artigo do Público, pelo interesse que tem. Parabéns aos jovens cientistas que defendem o nome de Portugal da forma mais elogiável.
Cientistas portugueses descobrem mecanismo de protecção natural contra formas graves da malária
Público.17.08.2009 - 20h01 Teresa Firmino
Trabalho abre portas a uma nova estratégia de combate à doença.
Os cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência publicaram hoje artigo em revista norte-americana.
Todos os anos, o parasita da malária infecta 200 a 500 milhões de pessoas no mundo e mata um a dois milhões. Então, o que é que protege naturalmente da morte a esmagadora maioria dos infectados? A equipa de Miguel Soares, do Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, acaba precisamente de descobrir um mecanismo de protecção natural contra as formas graves da malária e hoje publicou os resultados na revista norte-americana “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
Esta protecção natural acabada de identificar não tem a ver com a capacidade de o próprio sistema imunitário eliminar o parasita da malária, o “Plasmodium”. Nem tem a ver com a eliminação do parasita com medicamentos antimaláricos, pois mesmo entre quem os recebe há mortes — sem que se soubesse explicar, até agora, por que tal acontecia. A resposta da equipa de Miguel Soares é que essa protecção natural tem a ver com a capacidade de os próprios tecidos do organismo se protegerem contra a resposta em curso do sistema imunitário contra o agente patogénico.
Vamos por partes. Ao sermos picados por mosquitos anófeles, que se alimentam de sangue humano, o parasita da malária pode ser transmitido: entra na corrente sanguínea e dirige-se para o fígado, infectando as suas células e multiplicando-se aí. Em seguida, estas células rebentam e libertam o parasita de novo na corrente sanguínea, que vai infectar os glóbulos vermelhos. Poucas células do fígado são destruídas nesta fase, explica Miguel Soares, de 41 anos.
É quando os glóbulos vermelhos se rompem, depois de o parasita se ter multiplicado ali, que surgem os sintomas da doença, como ataques de febre, suores, arrepios e até a morte.
Num trabalho anterior, a equipa de Miguel Soares já tinha demonstrado que o que estava na origem desses sintomas. Quando o parasita leva à ruptura dos glóbulos vermelhos — que transportam o oxigénio dos pulmões para os tecidos do corpo através da hemoglobina —, esta proteína é lançada para a corrente sanguínea. Uma vez aí, a hemoglobina liberta os seus quatro grupos de ferro (através dos quais o oxigénio se liga a esta proteína) e são eles que causam os sintomas graves da malária.
Normalmente, estes grupos de ferros são inofensivos. Mas com a infecção do parasita da malária em curso, o caso pode mudar de figura. E são as células do fígado que vão ser atingidas por aqueles grupos de ferro. Ou nos casos mais graves de malária, as células do cérebro, como também já havia mostrado esta equipa.
“No contexto da resposta que está a acontecer — há células do sistema imunitário a fazer tudo para matar o Plasmodium —, se as células do fígado recebem um grupo de ferro ao mesmo tempo, o resultado é que morrem”, explica Miguel Soares. “Há uma hepatite. O fígado pára de trabalhar.”
Mas isto é algo que acontece raramente. É aqui que entra em cena uma enzima. Chama-se heme-oxigenase-1, é produzida nos tecidos do organismo quando são expostos a um “stress” oxidativo e tem a capacidade de degradar precisamente os grupos de ferro. Ou seja, tem um efeito protector das formas mais severas da malária, que afecta sobretudo crianças (onde se inclui a malária cerebral).
Nova estratégia de luta
Servindo-se de uma metáfora, Miguel Soares diz que o sistema imunitário está a dar marteladas no parasita, mas pelo caminho nós próprios também levamos marteladas e podemos morrer. Esta enzima protege-nos, amortecendo essas marteladas.
“Normalmente, a maioria das pessoas com malária não morre, porque há este mecanismo de protecção natural. Os tecidos estão protegidos e os indivíduos podem usar a sua resposta imunitária natural para matar o parasita sem comprometer o fígado, os rins, os pulmões...”
Como é que os cientistas chegaram a esta descoberta? Estudando ratinhos — por exemplo, modificaram geneticamente alguns animais para que a enzima protectora não fosse produzida e, dessa forma, puderam ver os efeitos devastadores no fígado.
Portanto, a equipa de Miguel Soares revelou um mecanismo de protecção, até agora desconhecido, durante a luta do organismo contra o parasita da malária, que pode abrir a porta a uma estratégia de combate à doença completamente diferente da utilizada até ao momento. Além de continuar a matar-se o parasita com antimaláricos, poderá então provocar-se o aumento da protecção do organismo através de medicamentos que copiem o efeito da enzima. Em ratinhos, pelo menos, o fármaco que a equipa testou, um anti-oxidante banal, teve um “resultado dramático”.
A prova dos nove
Para tirar as teimas de que há um mecanismo natural de defesa dos tecidos do organismo durante a luta contra o parasita da malária, a equipa de Miguel Soares testou um fármaco banal, em ratinhos. Se nessa guerra entre parasita e hospedeiro, os tecidos se protegem com a produção de uma enzima, talvez um fármaco que imite o efeito dessa enzima também proteja os animais das formas graves da doença. Testaram o anti-oxidante N-acetilcisteína, usado em bronquites, pneumonias ou tuberculose. “Se isto for tudo verdade, este fármaco devia funcionar. E funcionou, em ratinhos”, diz Miguel Soares.
T.F.
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Eleições negócio de clãs
Seria desejável que os políticos pensassem nos interesses do País e na forma de o desenvolver para aumentar as condições de vida, o bem-estar e as comodidades dos cidadãos e que, depois de serem escolhidos pelos votos, colocassem em acção todas as suas capacidades para a obtenção desse fim superior.
Mas, infelizmente para todos os portugueses, a realidade mostra que os políticos pautam as suas decisões pelos seus próprios interesses e os do seu partido. Em concordância com estas ideias surge hoje a notícia «Familiares ‘enchem’ listas do PSD» em que se referem casos concretos do negócio de clã em que a política está transformada.
Mas isto não se passa apenas no partido referido na notícia acima citada. Também hoje se lê a notícia «Parque Escolar: Estado pagou a arquitectos mais de 20 milhões de euros sem concurso». Não é o primeiro caso noticiado deste facilitismo usado na manipulação do dinheiro público. E ficam por esclarecer dúvidas como as seguintes: Qual será o elo de ligação, familiar, de amizade, de partido ou outros que unem esses arquitectos aos governantes. O Ministério da Educação já fez uma negociata que deu que falar com o Dr. João Pedroso, irmão do deputado PS Paulo Pedroso, agora candidato à Câmara de Almada, e também com o Magalhães, com a TLEBS…
Também hoje, no artigo «A Taxa de Roubo», são referidas várias irregularidades referentes a várias situações como, por exemplo, nos mega-projectos que, antes de começar já assinalam derrapagens indiciadoras de que a componente PPF (Pagamentos a Partidos e Figurões) que por vezes acabam por atingir valores que ultrapassam a percentagem, para passarem a ser múltiplos do valor orçamentado. E como nem tudo é transparente e visível, há o factor NSP (Nível de Sonegação Pura), que inclui tudo o que seja trocas em dinheiro vivo em malas, e o GDC (Grau de Desfalque Contabilizável), e financiamentos através dos off-shores.
Será oportuno ler também os artigos «Um governo prometedor» e «Comigo na lista, não mudo»
Enfim notícias alarmantes que fazem pensar seriamente no estado em que o País se encontra e que, por atingirem vários sectores do leque político, não surpreende que venham a ser qualificadas como sendo elementos de campanhas negras, uma contra cada partido!!! E viva o circo.
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domingo, 16 de agosto de 2009
As mortes na estrada continuam sem travões
Hoje segundo notícia do DN, «55 mortos na estrada desde o início do mês». Uma outra notícia do JN diz que «Governo quer menos mortes nas estradas». Estas palavras do Governo mostram o costume. Só palavras. Mas a contenção deste trágico fluxo de perdas de vidas não se resolve com palavras, mas com medidas eficazes já muitas vezes referidas neste blogue.
Mas as realidades são opostas às promessas do Governo. Vejamos a falta de cuidado com os sinais de trânsito, de que estas três fotos de um, de entre muitos, mostram que, além da irracionalidade da utilização de muitos sinais, há a invisibilidade aqui bem documentada.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Limpar Portugal – Um alerta urgente
Num momento em que muitos portugueses se mostram interessados em limpar Portugal dos lixos abandonados em locais impróprios e sem segurança para as pessoas e para o ambiente, deparei com esta notícia que não precisa de comentários. Aqui a deixo como um ALERTA URGENTE para os (ir)responsáveis pelo nosso País. Foram eleitos para zelarem pela segurança, comodidade e bem-estar da população. O leitor tire daqui as conclusões que julgar mais convenientes.
Toneladas de material perigoso a céu aberto e sem protecção
DN. 090814. por Amadeu Araújo
Diluentes, tintas, solventes e vernizes estão abandonados na Zona Industrial de Oliveirinha, no concelho de Carregal do Sal. Ambientalistas e bombeiros alertam para perigos para a saúde pública e para degradação do solo.
São toneladas de resíduos perigosos, inflamáveis e corrosivos, acumulados nas traseiras de uma fábrica e que estão ao abandono em Carregal do Sal desde Setembro de 2008.
Numa área inferior a um hectare juntam-se matérias perigosas, rotuladas como tal, e ao alcance de quem passa nas imediações. Muitos dos materiais, que estão classificados como matérias perigosas pelos bombeiros e que deviam obedecer a condições específicas de armazenamento, estão a escorrer para cursos de água, campos agrícolas e vinhas. Diluentes, tintas, solventes e vernizes estão abandonados na Zona Industrial de Oliveirinha, no concelho de Carregal do Sal. Muitos destes materiais têm sido alvo da curiosidade das crianças, que ali brincam, outros vão sendo roubados. Os ambientalistas alertam para a degradação dos solos que podem mesmo "ficar inutilizados".
As traseiras da fábrica BASMOLD, que entretanto abriu falência e está sob administração judicial, estão ocupadas por várias toneladas de resíduos perigosos. Diluentes, tintas, solventes industriais, vernizes e outros produtos, artigos que os bombeiros classificam como matérias perigosas e que ostentam nos rótulos essa perigosidade , estão desde Fevereiro ao abandono. São várias paletes cheias com estes produtos. Há ainda resíduos de laboração e desperdícios em embalagens entretanto utilizadas e que ali foram guardadas.
"Desde que a fábrica fechou que ninguém quer saber daquilo", conta Maria Luísa que vive nas imediações. A moradora adianta que "as crianças vão para lá brincar e o meu neto já chegou a casa com os pés todos sujos. Só ao fim de alguns dias e de muito esfregar se libertou daquela tinta". Outro problema é os ladrões que "deitam mão ao que podem levar. Vêm aí algumas pessoas levar o que podem porque a lixeira não está vedada".
As embalagens estão encavalitadas em paletes ou abandonadas no meio do campo. Sem condições de armazenamento e expostas às elevadas temperaturas muitos dos tambores rebentaram e escorrem pelos campos em direcção a um pequeno regato.
Para além do parque industrial, onde está situada a lixeira, a zona é utilizada pelos moradores como campo de cultivo. Vinha, milho e outras culturas têm agora o solo contaminado pelas escorrências destes resíduos. Os materiais estão abandonados nas traseiras da fábrica, sem protecção e mal acondicionados e "o seu derrame para um curso de água e para os terrenos agrícolas pode tornar a contaminação dos campos irreversível", lembra Hélder Spínola, da Quercus. O especialista alerta que "depois da contaminação dos campos e lençóis freáticos são causados danos impossíveis de resolver". A juntar a estes problemas, aponta a "volatização dos produtos, provocada pelas elevadas temperaturas e que pode causar um problema de saúde pública se estes gases forem inalados por quem vive próximo". Como a fábrica está em intervenção judicial o dirigente reconhece que se trata de "uma circunstância que pode dificultar a intervenção para solucionar o problema que, quanto mais se arrastar no tempo, mais danos provoca".
O DN tentou, sem sucesso, ouvir o Serviço de Protecção da Natureza e o Ministério do Ambiente, que detêm a fiscalização nesta área.
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Ideologias estão em que gaveta???
Transcreve-se este pequeno texto do Diário de Notícias, juntando uma nota final.
Fim da crise? Ça dépend!
DN. 090814. Por Ferreira Fernandes
O crescimento foi de 0,3%. Fui ouvir o Governo. Este garantiu que, depois de um ano de recessão, o país "saiu, enfim, da crise." Suspirei de alívio mas, prudente, fui ouvir a Oposição. Esta desmentiu a euforia: "Os 0,3% de crescimento não devem iludir-nos, a crise continua profunda e durável." Sempre pessimistas, estes socialistas... Aqui, soprou-me um leitor: "Desculpe, não quer dizer socialistas, pois não? Os socialistas estão no Governo, não na Oposição." Oh, peço desculpa pela confusão: eu não falava de Portugal!
Os 0,3% a que me referia eram os números de França. Quem anunciou, ontem, o fim da crise foi a ministra da Economia Christine Lagarde (do UMP, partido que corresponde ao nosso PSD); e quem foi pessimista foi Michel Sapin, do PS francês, na Oposição.
Em Portugal, com os mesmos 0,3% de crescimento, as opiniões foram as mesmas, invertendo o que há para inverter. Moral da história: um socialista francês é um PSD português, quando ambos na Oposição; e, quando no Governo, um socialista português é um PSD francês. Então, saímos ou não da crise? Depende. Ou ça dépend.
NOTA: Esta confusão enfatiza muitas dúvidas latentes e sem resposta. Onde estão as ideologias? Onde está a verdade? E o sentido de Estado? E os interesses nacionais? E as medidas que a população espera e merece?
Quando se trata de grandes interesses nacionais, os partidos esmeram-se a mostrar a diferença ‘fictícia’ e ‘forjada’ para iludir o povo mas, ao aprovar a lei do financiamento dos partidos estiveram todos unidos, tal como nas candidaturas de indivíduos sob suspeita e arguidos. Não podemos ter confiança em nenhum deles. Não merecem o nosso voto. Apoiado Rui Zinc pelo movimento que está a impulsionar.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Maus exemplos de democracia
Ou o mundo corre para um suicídio colectivo, ou a democracia está agonizante. Os políticos orientam as suas atitudes mais pelos interesses pessoais e dos seus partidos do que pelos superiores interesses nacionais e da própria humanidade. A notícia vinda da Austrália «Senado impede lei do Governo que visava reduzir efeito de estufa» é chocante, mas esta impressão é agravada quando se lê o fundamento de tal decisão.
Com efeito, o Governo propôs legislação visando diminuir a emissão de gases com efeito de estufa no país. O seu plano visava a aplicação de uma taxa em 2011 sobre as indústrias com emissão de carbono e também a limitação geral da poluição.
Como se expunha no post Globalização e Ecologia, não seria de esperar que a proposta do Governo fosse rejeitada. Mas o Senado é controlado pela oposição e, acima dos interesses da humanidade, é colocada a sua intenção de dificultar a vida ao Governo, com todos os custos que daí possam advir para o mundo! As propostas foram rejeitadas por 42 votos contra 32.
É com intenção de haver mais apartidarismo nestas questões de grande interesse para o País e para a humanidade que aqui foi sugerido um Código de bem governar que incite à união nas decisões de supremo interesse para a Nação e para o Mundo.
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A «ética» dos políticos
Ao escolher este título generalizador, não quero deixar de fazer uma ressalva para os eventuais políticos que sejam excepção à interpretação dada por esta líder partidária ao «ponto de vista ético». Refiro-me ao artigo que transcrevo de Manuel António Pina.
Não me custa aceitar que haja eventuais excepções, mas à cautela continuo na minha de que ninguém provou merecer o meu voto, e agora muito menos. Se a minha preferência era para o voto branco, agora perante a organização de apoio ao voto nulo já existente, acho que a união faz a força e, por outro lado, dou razão à amiga Isabel que me alertava de que, com a falta de ética oficialmente comprovada, um boletim em branco é facilmente transformado por um dedicado militante no escrutínio em voto pelo seu partido. Para estas coisas, os políticos não são arrogantes e jogam com a sua «ética» da forma que mais beneficiar os seus «boys».
Um governo prometedor
JN. 090813 Por Manuel António Pina
Um putativo governo da dra. Ferreira Leite promete:
- nas Finanças, a gerir os impostos, António Preto, pronunciado por crimes de fraude fiscal e falsificação, delfim da líder e imposto por ela como deputado;
- na Habitação e Obras Públicas, Helena Lopes da Costa, arguida por crimes relacionados com a atribuição irregular de casas enquanto vereadora, igualmente imposta pela líder;
- na Saúde, o cunhado cirurgião vascular do dito António Preto, que lhe engessou o braço no dia em que ele devia sujeitar-se a uma perícia na PJ para apurar se falsificara ou não documentos;
e na Justiça, a própria Ferreira Leite que, após ter assegurado aos pacóvios eleitores que a acusação contra Preto "não tem pés nem cabeça", justifica agora o facto de o meter na AR por não querer "antecipar-se à justiça".
Entretanto, aproveitou a deixa para ir condenando antecipadamente Lopes da Mota, até ver não acusado criminalmente de coisa nenhuma.
Diz a dra. Ferreira Leite: "Eu não tomo atitudes que considero incorrectas do ponto de vista ético". O problema é justamente o do que ela considera correcto do ponto de vista ético.
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Globalização e Ecologia
Quando se refere a globalização é usual situar a sua origem nos descobrimentos portugueses que estabeleceram contactos entre culturas, sociedades, economias diferentes, distantes, nas diversas partes do mundo. Essa globalização rapidamente alastrou os seus efeitos humanamente negativos, com o colonialismo, a exploração económica que definiu as áreas geradoras de riquezas materiais a ser exploradas pelas grandes empresas industriais multinacionais que, na sequência, desenvolveram o marketing criador do grande vício do consumismo e da ostentação.
E assim entrámos na era actual em que o ciclo de qualquer produto origina sucessivos desgastes na Natureza, que tornam a terra, o mar e o ar cada vez menos próprios à vida saudável dos seres que aí habitam.
O excesso de lixos provenientes da indústria, da embalagem da comercialização, dos desperdícios e dos «monos» finais, muitas vezes abandonados nas margens das estradas e de caminhos de floresta, estão agora a suscitar uma campanha de voluntários para «Limpar Portugal» procurando sensibilizar as pessoas e as autoridades que se mostram incompetentes e incapazes de evitar as vergonhosas lixeiras ilegais que impunemente infestam as paisagens.
Mas também no mar já existem grandes extensões de lixeiras flutuantes onde a vida marítima é impossível e os poucos peixes que restam nas imediações acabam por contribuir para produtos alimentares altamente tóxicos.
Por outro lado, o sismo de 7,6 graus na escala de Richter, com epicentro ao largo das ilhas Andaman, no oceano Índico ocorrido na madrugada de 10 de Agosto, mais ou menos à mesma hora, de um outro abalo, também de forte magnitude (6,6) no Japão, tendo ambos ocasionado a emissão de alertas de tsunami, faz recordar que a Terra é muito sensível aos erros humanos.
Se a Natureza tem tido capacidade para recuperar de pequenas agressões, há pouco tempo tem vindo a mostrar que as grandes agressões são irreparáveis. Grande agressão, para este efeito, são as pequenas agressões continuadas, desgastantes e cuja acumulação de consequências assume alta gravidade, e é irreparável
É que o Planeta não é inerte. É uma grande massa em fusão, densa, a altas temperaturas, sempre em ebulição revestida por uma ténue, pouco espessa (proporcionalmente) nata sólida, superficial, que pode movimentar-se e sofrer roturas. O excesso de pressão numa área por efeito de urbanização pesada ou grandes albufeiras artificiais vai afectar o equilíbrio de forças internas que poderão criar problemas quer na proximidade quer à distância. Daí a ocorrência de sismos, vulcões, movimento dos continentes, etc.
A actividade da zona sensível do «anel de fogo» em que se concentra a maior parte dos fenómenos tectónicos, sísmicos e vulcânicos, é muito influenciada pela variação das forças superficiais exercidas pela actividade humana. Este «anel de fogo» passa pelo Mediterrâneo (rotura tectónica entre a Europa e a África), Mar Vermelho, Ásia do Sul (vários sismos recentes de grande intensidade), Extremo Oriente, Pacífico, Califórnia, Golfo do México, Açores e Gibraltar.
Hoje está a desenhar-se uma nova ameaça à estabilidade do núcleo em fusão do Globo, por alteração do peso sobre a crusta terrestre devido ao degelo dois pólos e das neves perpétuas das altas montanhas por força do aquecimento global decorrente das alterações climáticas.
Do conjunto das alterações tectónicas e de pressões sobre a superfície do Planeta resulta forçosamente a alteração climática (embora estas tenham outras causa muito profundas). Estas também são globais e a acção local deve ser sempre considerada com toda a precaução, tendo em conta as interacções com o Planeta.
Globalização é, assim, um fenómeno muito complexo com que temos que aprender a conviver, da forma mais pacífica possível e sem demissões ou abdicações cívicas.
Mesmo quando se planeia a prevenção e o combate aos incêndios florestais é preciso contar com as piores circunstâncias potenciais, para depois, perante o número de hectares ardidos, não se argumentar infantilmente que a culpa foi do clima (verão mais quente e seco do que o esperado).
Planear é prever. Gerir ou governar é precaver-se contra as piores hipóteses.
Vale do Douro desprezado
É difícil compreender as linhas orientadoras, se as há, da acção dos governos que temos suportado. Não foi por acaso ou para dar nas vistas que aqui sugeria elaboração de um «Código de bem governar», aceite por todos os partidos representados na AR, com vista a fazer convergir todos os esforços para o objectivo de desenvolver Portugal, para benefício da população em geral.
Ocasionalmente ouve-se políticos, como acordados de um sonho fortuito, a falar do ambiente, mas depressa esquecem esse entusiasmo fátuo. Um exemplo disso foi dado pelo actual PM, quando era ministro do ambiente, mas esgotou-se a defender a co-incineração e nem se apercebeu que, para ser favorecido o projecto do Freeport, foi autorizado um corte «ad hoc» na área protegida do vale do Tejo.
Agora, após mais de quatro anos de governação surge a notícia de que está o « Parque Natural do Douro sem vigilantes». Na argumentação balofa a que estamos habituados, poderão os governantes dizer que confiam no civismo da população e no seu sentido ecológico responsável (!!!) o que não passaria de mais uma falácia, pois não se pode esperar do povo exemplos generalizados que os próprios governantes não dão nem seguem.
E apetece perguntar qual tem sido o papel da Quercus e de outras organizações afins, acerca deste abandono de uma região que tem muito valor pela defesa da diversidade das espécies, pela beleza turística e pela sua economia em vinhos, olivais e amendoeiras.
Haja coerência na gestão dos verdadeiros valores nacionais que não se compadecem com desleixos e abusos de mãos gananciosas. Apoie-se a campanha «Limpar Portugal» e interprete-se essa limpeza no sentido mais lato que for julgado conveniente.
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terça-feira, 11 de agosto de 2009
Os Militares e a Democracia
Por Marcos Perestrello em Expresso 090810
Completo este mês 38 anos. Pertenço às primeiras gerações que, de forma generalizada, não prestaram serviço militar. Já apurado na inspecção e com incorporação marcada na Base Aérea da Ota para meados de Junho de 94, recebi um postal que me mandava ficar na reserva. A mesma notificação foi recebida por todos os que naquela data se deveriam apresentar.
Anos mais tarde, tive o privilégio de fazer o curso de Auditor, no Instituto de Defesa Nacional, o que me permitiu conhecer com mais profundidade as questões militares e compreender melhor a importância das Forças Armadas.
Quando, em 1999, por razões profissionais, conheci de perto muitos militares, tive a oportunidade de confirmar que a grande maioria deles exerce as suas funções de acordo com princípios de honradez, patriotismo, lealdade e profissionalismo.
Os que, como eu, estão à beira dos 40 anos vivem num país integrado no espaço europeu, onde apenas conheceram a paz. Somos uns privilegiados face às gerações que nos antecederam. Só de forma indirecta convivemos com a guerra, por via de pais, tios ou avós que combateram em África.
Não é este o momento para discutir aqui as vantagens e inconvenientes da existência do Serviço Militar Obrigatório. Preocupa-me, no entanto, o afastamento progressivo e o desconhecimento da generalidade das novas gerações face à realidade militar.
As missões internacionais, que as Forças Armadas Portuguesas têm desempenhado com elevado brio, demonstram a importância da instituição militar na Defesa Nacional e na afirmação do país, pois permitem que Portugal participe activamente nos cenários geoestratégicos em que está inserido.
Mas, antes disso, não podemos esquecer que os portugueses devem aos militares a Revolução do 25 de Abril. Sem derramamento de sangue, os "capitães" derrubaram a ditadura e, em pouco tempo, devolveram o poder aos civis, voltando aos quartéis com a única recompensa de terem a consciência tranquila por haverem cumprido o seu dever para com Portugal.
Os militares fizeram a revolução fundadora do regime, mas não quiseram receber qualquer privilégio institucional ou corporativo. Muitos deles até foram pessoalmente prejudicados.
Pelo que fizeram, pelo que são e representam, são credores do respeito e reconhecimento do país e do poder político civil, que o representa. Acresce que a carreira militar é permanentemente sujeita a formação e avaliação e obedece a regras exigentes, onde a progressão depende do mérito, competência e experiência.
A democracia tem, por isso, que ser capaz de atribuir aos militares um estatuto profissional que esteja à altura da sua dignidade e do seu papel, que não é inferior ao de outros corpos do Estado.
A urgência desta atribuição e deste reconhecimento é grande. O Portugal democrático deve aos seus militares uma justiça que é também uma reparação por esquecimentos inaceitáveis.
Marcos Perestrello
NOTA: Uma instituição, quando onerosa, ou é considerada necessária ou não é merecedora de consideração e deve ser eliminada. Quanto às Forças Armadas os políticos portugueses andam indecisos na decisão a tomar. Como grande parte foram desertores outros têm medo de outro 25 de Abril mais eficaz, e outros são gays, portanto todos com impossibilidade de compreender as regras a que Marcos Perestrello se refere no texto, a situação continua numa ambiguidade perfeitamente ambígua.
Mas já não é de agora. Em 1982, sendo MDN um elemento do CDS, o CEMFA, general Lemos Ferreira procurava contribuir para a aprendizagem dos responsáveis pela Defesa deixando diariamente em cima da secretária do Ministro um «comprimido» de esclarecimento e, um dia, esse elemento informativo era um recorte de jornal em que era noticiada a aquisição pela Espanha de uma esquadra de aviões de caça modernos. Nele vinha pela sua letra: «Sr. Ministro, por este andar qualquer dia Portugal tem de contratar com o País vizinho para ele se responsabilizar pela nossa Defesa Aérea!»
O tempo decorreu e já contratámos com a Espanha o local de nascimento dos alentejanos, a maternidade de Badajoz.
Hoje, vem no DN a notícia «Portugal assina contrato com empresa espanhola» para a nossa defesa costeira, o que coincide com as previsões preocupadas de Lemos Ferreira, mas é mais um passo na rota da construção do Iberismo, coerente com as teses defendido pelo ministro Mário Lino quando se confessou iberista durante uma visita oficial a Madrid. Se eles ganham as próximas eleições, será certamente concretizado o acordo final, contra a vontade de Afonso Henriques, de D. João I, de D. Nuno Álvares Pereira, de D. João IV, etc.
Para onde estão a levar Portugal???
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Abusos na administração do dinheiro público
Têm vindo a público abundantes exemplos de abusos imorais do dinheiro público, desde a «indemnização» de um gestor da ERSE que se despediu de motu próprio ao fabuloso ordenado dos «responsáveis» pelo Banco de Portugal, em relação ao qual o próprio Governador já mostrou discordar numa entrevista na TV.
Agora, no artigo que se transcreve, o jornalista Manuel António Pina, no seu conhecido estilo, «brinca» com o caso da TAP. Trata-se de um caso semelhante ao do TGV, do novo Aeroporto e de mais auto-estradas. O exemplo citado do pintor Salvador Dali não se aplica totalmente porque ele, além da sua extravagância de artista era dono do seu dinheiro, mas nos casos nacionais trata-se de dinheiro público que, de uma forma ou de outra, sai do bolso dos contribuintes.
A piedade mata
JN. 090811. Por Manuel António Pina
As más notícias são que a TAP atravessa, segundo o Conselho de Administração de Fernando Pinto, uma "crise gravíssima", tendo tido no ano passado 280 milhões de euros de prejuízos e vendo-se forçada a pedir sacrifícios aos trabalhadores e a recusar-lhes aumentos salariais.
As boas são que, no mesmo ano de 2008, os administradores atribuíram-se "prémios" com que duplicaram os seus vencimentos (Fernando Pinto, por exemplo, levou 816 mil euros, em vez dos miseráveis 30 mil mensais mais regalias que lhe cabiam);
e que decidiram entretanto adquirir 42 automóveis topo de gama para si e as dezenas de directores avulsos que enxameiam a empresa, pois deslocavam-se todos em viaturas "velhas" de quatro anos, impróprias das suas altas funções.
Trata-se de uma inovadora ideia de gestão: vão-se os dedos mas fiquem os anéis (e comprem-se mais). Deve-se, a inventiva ideia, a Dali que, contava Gala, era nos momentos em que atravessava "crises gravíssimas" que mais gastava, pois, argumentava ele, "a piedade dos vizinhos mata".
A TAP pode morrer, mas ninguém há-de ter razões para se apiedar dos seus administradores.
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Que dizem a isto o PM. o MAI e o MJ???
Há muitos anos aprendi que educar, disciplinar, exige que o prémio ou o castigo devem ser imediatos ao acto que os origina, para que o contemplado ligue uma coisa à outra como causa e feito. Assim o castigo serve de dissuasor de outros delitos e o prémio estimula a repetir o acto meritório.
É antigo o slogan «honrai a Pátria que a Pátria vos compensa». Esta ligação de causalidade é importante na criação de civismo de bom relacionamento entre as pessoas numa sociedade, numa Nação. O restabelecimento da Ordem Pública e a sua manutenção exigem que a justiça seja equitativa, proporcional aos delitos, rigorosa e aplicada sem demoras.
Quando o policiamento não funciona bem ou a sua acção não é devidamente seguida da adequada acção judicial, os resultados são o que se vê diariamente, de que esta notícia de hoje «Um milhão em assaltos a tabaco só em 2009» é um exemplo. E também hoje apareceu a notícia «Criminalidade demora cinco anos a ser julgada» que é uma explicação da principal causa da insegurança que apoquenta os portugueses.
Pergunta-se ao PM, ao MAI e ao MJ que medidas puseram em prática e qual o seu efeito? Numa época em que tanto se tem falado em avaliação do desempenho, fica a pergunta sobre qual tem sido o grau de eficiência do seu desempenho neste sector que muito preocupa os portugueses. E deve ser para garantir o bem-estar dos cidadãos que o Governo deve agir.
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A. João Soares
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