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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

GREVE PODE SER PATRIÓTICA?


 


Enquanto almoçava, ouvi num pequeno grupo de comensais dizer que «a greve da TAP é uma greve patriótica» Fiquei a pensar no significado do desabafo e, quando depois ouvi dizer que ela não é motivada propriamente por razões de trabalho, mas contra a privatização da empresa, isto é contra alienação de Património Nacional de um sector que tem constituído uma bandeira de prestígio da soberania portuguesa,sendo, com tal privatização dado mais um passo muito largo para o esvaziamento da herança do passado.

Já pouco resta. Empresas de grande dimensão e até joias da coroa, como o centro de mesa da baixela da Rainha D. Maria Pia, são subtraídas ao espólio de algumas gerações. Há quem receie que, depois de se venderem todas as coisas móveis, serão vendidos os imóveis e as zonas mais visitadas pelos turistas, como partes da costa com belas praias, depois as minas de urânio, cobre, estanho, volfrâmio, etc, E porque não as estátuas que ornamentam as nossas cidades? 

Com o desrespeito pelo património dos portugueses, não pode estranhar-se que venha a ser entregue a estrangeiros a auto-estrada Lisboa-Porto e outras, com os inconvenientes que poderão advir para os seus utilizadores, embora daí, provavelmente, resulte enriquecimento para «ex-governantes» e seus familiares e amigos.

Tendo a greve esse ou outro motivo, e sendo permitida pela legislação vigente, não se percebe que a defesa de um direito constitucional seja apelidada de «egoísmo». Do ponto de vista laboral, tal defesa nunca deixa de ser egoísmo, mas a alternativa será os trabalhadores deixarem-se explorar inexoravelmente por patrões, Estado e outros malfeitores? Qualquer defesa é um acto de egoísmo mas não se deve querer que os lesados prescindam dela. 

Não pode ser permitida a perda do património do Portugal deixado por D, Afonso Henriques, Nuno Álvares Pereira e muitos outros dignos portugueses. Acaso desejam o esquecimento dos heróis representados em estátuas expostas nas nossas cidades? Ou estas estarão destinadas à venda a sucateiros?

Imagem de arquivo

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Privatizações



Transcrição do seguinte artigo de opinião:

TAP a troco de meio Hulk
Correio da Manhã. 12-12-2013. 1h00. Por: Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto

Quando alguém está à beira da falência é melhor vender os anéis do que perder os dedos. É o que está a acontecer a este País em que Estado e particulares estão a alienar a preço de saldo as joias acumuladas pelos avós para pagar as contas.

A TAP é uma dessas preciosidades vendidas por um preço ridículo. O senhor Efromovich vai ficar com os 1,2 mil milhões de euros de dívida e promete investir na frota, mas só vai pagar cerca de 20 milhões de euros, o equivalente a metade do passe do futebolista Hulk. O futuro patrão da TAP é mais um a conquistar em Portugal, em saldos, uma respeitada companhia europeia. Chineses, angolanos e brasileiros já conseguiram o mesmo noutros sectores.

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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

TAP Portugal e a nossa auto-estima

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terça-feira, 11 de agosto de 2009

Abusos na administração do dinheiro público

Têm vindo a público abundantes exemplos de abusos imorais do dinheiro público, desde a «indemnização» de um gestor da ERSE que se despediu de motu próprio ao fabuloso ordenado dos «responsáveis» pelo Banco de Portugal, em relação ao qual o próprio Governador já mostrou discordar numa entrevista na TV.

Agora, no artigo que se transcreve, o jornalista Manuel António Pina, no seu conhecido estilo, «brinca» com o caso da TAP. Trata-se de um caso semelhante ao do TGV, do novo Aeroporto e de mais auto-estradas. O exemplo citado do pintor Salvador Dali não se aplica totalmente porque ele, além da sua extravagância de artista era dono do seu dinheiro, mas nos casos nacionais trata-se de dinheiro público que, de uma forma ou de outra, sai do bolso dos contribuintes.

A piedade mata
JN. 090811. Por Manuel António Pina

As más notícias são que a TAP atravessa, segundo o Conselho de Administração de Fernando Pinto, uma "crise gravíssima", tendo tido no ano passado 280 milhões de euros de prejuízos e vendo-se forçada a pedir sacrifícios aos trabalhadores e a recusar-lhes aumentos salariais.

As boas são que, no mesmo ano de 2008, os administradores atribuíram-se "prémios" com que duplicaram os seus vencimentos (Fernando Pinto, por exemplo, levou 816 mil euros, em vez dos miseráveis 30 mil mensais mais regalias que lhe cabiam);
e que decidiram entretanto adquirir 42 automóveis topo de gama para si e as dezenas de directores avulsos que enxameiam a empresa, pois deslocavam-se todos em viaturas "velhas" de quatro anos, impróprias das suas altas funções.

Trata-se de uma inovadora ideia de gestão: vão-se os dedos mas fiquem os anéis (e comprem-se mais). Deve-se, a inventiva ideia, a Dali que, contava Gala, era nos momentos em que atravessava "crises gravíssimas" que mais gastava, pois, argumentava ele, "a piedade dos vizinhos mata".

A TAP pode morrer, mas ninguém há-de ter razões para se apiedar dos seus administradores.

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