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sábado, 23 de julho de 2011

Empresas Municipais são empregos para «boys»

A propósito da notícia do Diário de Notícias de 21 do corrente Empresas municipais com passivo de 2,7 mil milhões, aludindo de forma subtil ao artigo do Público Marques Mendes apresenta lista com dezenas de institutos públicos que podem ser extintos e referindo a notícia mais antiga do Correio da Manhã Almoços de 5.971 euros no estrangeiro também referida em blog Gebalis, o gangue almoçante-jantante, recebi por e-mail um comentário de José Morais da Silva, pessoa muito observadora, com ideias claras e ousadia na expressão, que admiro desde 1961.

Eis a transcrição:

Começa a saber-se o cancro que as Empresas Municipais representam.

Estas Empresas foram constituídas com o argumento da maior operacionalidade e rapidez de resposta.
Mas o que foi escamoteado foi que tais Empresas, afinal, são direcções de Serviço paralelas a outras já existentes nas Câmaras com a “pequena “ diferença que, enquanto os serviços das Câmaras são chefiados por um Director com o vencimento de 2200 Euros tendo na sua dependência 4 a 6 Chefes de Divisão com vencimento de 1800 Euros, ambas as categorias como funcionários do Estado admitidos por concurso e tem um carro distribuído ao nível de Renault Megane ou equivalente, as famosas empresas dispõem de um Conselho de Administração com um Presidente que tem um vencimento de 6000 a 10000 Euros (acima, portanto, do próprio Presidente da República) e três a cinco Vogais com vencimentos de 3000 a 6000 Euros, com o respectivo “Popó” tipo BMW 530 ou superior, além dos cartões de crédito (lembram-se daquela Empresa Municipal da Câmara de Lisboa em que os tais Administradores tinham, cada um, quatro cartões com crédito até 8000 Euros?) e várias outras mordomias!

E quem era escolhido, com o argumento da sua larga experiência?

Os “boys e girls” do partido, claro.

Há mais uns lugares a distribuir, reservados para “boys e girls”, os “competentíssimos” Assessores GT que vencem mais do que os próprios Presidentes da Câmara pois, por mera coincidência, são pessoal oriundo de Bancos ou Empresas Púbicas e que recebem o mesmo vencimento que auferiam nos lugares de onde saíram, ou filhos ou sobrinhos do respectivo Ministro, Secretário de Estado ou Presidente da Câmara, ou são amigos do peito das mesmas personagens!

Agora percebem por que razão já não se fala do encerramento ou fusão dos Institutos, Fundações e Empresas Municipais?

Nunca se chegará a um corte das despesas do Estado a não ser o corte ou congelamento continuados de vencimentos ou pensões.

A despesa vai aumentando pois há que arranjar mais lugares para a rapaziada.

Em conclusão, caminhamos para a bancarrota e, nessa altura, como vai ser?
Eu sei, e vocês?

José Morais da Silva


Imagem do Google

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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Escândalo na Gebalis

Ainda não tinha sido bem digerido o conteúdo do post de anteontem sobre as «Lições do dito ‘Terceiro Mundo’» e surge a notícia referente à Gebalis. Trata-se de uma empresa municipal de habitação social, do Município de Lisboa que, segundo o título no DN, tem um passivo que cresceu cinco milhões durante o mandato de um ano e meio dos três gestores suspeitos.

De uma empresa de habitação social não seriam esperados lucros, mas tal passivo, numa época em que a Câmara se tem debatido com dívidas incomportáveis, o caso merece averiguação, já que não houve um controlo sistemático das despesas. O Escândalo rebentou oferecendo imagens chocantes e escandalosas, a acreditar na notícia. Três altos responsáveis, não escolhidos por concurso público, mas sim por amizade política, como é de mau uso nas instituições públicas e autárquicas, «são acusados de gestão danosa e peculato».

O MP considerou que a actuação dos arguidos, fazendo despesas "sumptuárias", "indevidas", "ilícitas" e "supérfluas", se revelou "particularmente relevante" tanto na "agravação da situação deficitária da empresa" como na "diminuição da capacidade da mesma para responder às necessidades da comunidade que tem como atribuição servir". Os três gestores "bem sabiam que necessariamente dos gastos que realizavam (...) decorreria um prejuízo particularmente relevante para a empresa e um agravamento do respectivo passivo, como efectivamente aconteceu".

Segundo o MP, os arguidos causaram à Gebalis - a empresa da Câmara Municipal de Lisboa que gere a habitação social - um prejuízo directo de 200 mil euros, montante que equivaleu, no período em causa (de Março de 2006 a Outubro de 2007), a dois quintos do subsídio que a CML atribuiu à Gebalis (um milhão de euros no total) e foi superior aos 124 mil euros que a empresa registou no exercício de 2006 como proveitos suplementares e ganhos extraordinários.

O abuso de cartões de crédito traduz-se em o presidente da empresa e um vogal do conselho de administração beneficiarem de três cartões de crédito e outra vogal de dois e utilizarem-nos como se "constituíssem elemento integrante da remuneração", em despesas suas ou "com amigos e outras pessoas" quer nos dias de trabalho quer em férias ou fins-de-semana.

Os tipos de despesas, quantificadas, referidas na notícia vale a pena ser apreciado e, para isso sugiro a leitura integral da noticia usando o link.

Mas, infelizmente no nosso País, a justiça não é tão célere e rigorosa como nos casos citados no post, de Coreia do Sul, China e Tailândia. Veremos, com uma ligeira esperança, o encerramento deste processo.

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