sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Perigo desprezado

É comum ouvir-se e ler-se que a menor longevidade do homens em relação às mulheres se deve a eles estarem dispostos a correr mais riscos, muitas vezes de forma pouco racional. Hoje as mulheres também ousam praticar desportos radicais. Também é da opinião generalizada que a escola não prepara as crianças para serem adultos responsáveis, o que significa saberem gerir as suas vidas com sensatez, lógica, rigor, responsabilidade, dedicação às tarefas que realizam.

Começam de pequeninas a não estudarem, não fazerem os trabalhos de casa, sem com isso receberem admoestação ou qualquer tipo de penalização adequada. A prática da vida mostra que a permissividade traz más consequências na vida prática. As empresas queixam-se da falta de dedicação do pessoal às tarefas, da falta de cuidado na procura da perfeição, da carência de profissionalismo e de sentido das responsabilidades, etc.

Há dias, a propósito da alta sinistralidade nas estradas, apesar do bom estado destas e da boa qualidade do parque automóvel, foi referida a deficiente preparação dos condutores, do seu civismo, etc, denunciando «desleixos trágicos» que lesam a vida, a saúde e os haveres de pessoas inocentes, vítimas da «loucura» de aventureiros incapazes de dominarem os veículos que levam nas mãos.

Agora chega a notícia realçada em todos os jornais (por exemplo: Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público) da explosão de um camião-cisterna que ocasionou um morto, seis feridos e a destruição de duas vastas instalações industriais, em Vila do Conde. Certamente, que ainda não se sabe oficialmente a causa do acidente mas, provavelmente, houve algum descuido no cumprimento de regras sensatas para o manuseamento de substâncias tóxicas, incendiárias e explosivas. Conduzir um camião carregado com tais produtos não é a mesma coisa que o fazer no transporte de madeira ou brita. Tenho muitas dúvidas que os condutores de tais veículos estejam devidamente preparados para salvaguardarem as suas vidas e as dos outros. Não basta saber mexer bem no volante e no acelerador. O tipo de carga exige preparação especial.

Mas a generalidade dos portugueses fiam-se na virgem e desprezam os cuidados mais essenciais, pensam que os acidentes graves só acontecem aos outros e depois, infelizmente, muitos nem podem contar como tal lhes aconteceu.

As escolas devem ensinar as crianças a ser ponderadas e pensar antes de fazer algo, mesmo que se trate de uma rotina, porque mesmo estas devem adaptar-se às circunstâncias de momento e de local.

Ler mais...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Depois do BPN, o sector automóvel à mama

Só isenção fiscal iria aumentar as vendas de automóveis

JN. 091007. Fernando Basto

Entrega de carros para abate diminuiu desde Agosto, apesar dos incentivos.
Os novos incentivos ao abate de carros usados, em vigor desde Agosto, não estão a ser suficientes para pôr fim à crise no sector automóvel. A isenção de impostos durante dois anos continua a ser a reivindicação das empresas.

"A ganância de obter dinheiro de imediato por parte do Governo é que está a impedir a recuperação do sector automóvel". É assim que Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), comenta a falta de uma verdadeira inversão na venda de veículos novos. Acredita-se que 2009 feche com uma queda superior a 30% em relação ao ano passado.

Com efeito, para o presidente do ACP, os novos incentivos concedidos ao abate de veículos usados - e que se encontram em vigor desde 8 de Agosto - "não vieram dar o impulso às vendas que o sector automóvel precisa e há muito reivindica".

(Para ler mais faça clique aqui)

NOTA: O que chamam «crise no sector automóvel»? Uma diminuição de vendas de carros novos? Uma diminuição de abate de carros ainda em bom estado? Será que não vêem que esse abate só serve para aumentar o negócio dos grandes grupos de importadores e vendedores?

Acabar com essa dita «crise» não pode ser um objectivo nacional, mas apenas um proteccionismo aos importadores e vendedores de automóveis novos. De tais apoios a esses magnatas resulta prejuízo para o País que aumenta a dívida externa com mais importações, prejuízo para as pessoas que deixam de utilizar o carro enquanto pode funcionar com segurança e rentabilidade, prejuízo para os vendedores de peças e para as oficinas de manutenção e reparação. Quantos mecânicos de pequenas oficinas, por todo o país ficarão sem emprego?

E, quando se fala que a crise alertou para a necessidade de combater o consumismo, avançam em sentido contrário com esta medida que serve para o incentivar.

Será bom que os governantes não se debrucem apenas na defesa dos banqueiros e dos grandes importadores e representantes das marcas de automóveis. O bom povo deve ser ensinado a gerir os seus interesses e resistir aos apelos de vozes exploradoras das suas poupanças e dos dinheiros dos impostos. Os governantes devem conhecer melhor as realidades dos portugueses em geral e não se limitarem a dar ouvidos às sanguessugas capitalistas.

Será que Portugal tem necessidade de mais automóveis? Será que pretendem que haja mais do que um carro por pessoa?

Haja senso. Pense-se no nível de vida da maior parte dos portugueses.

Ler mais...

Desleixos trágicos

Ouve-se, com frequência, dizer que o ser humano se tem degradado, tendo em muitos aspectos da vida em sociedade, descido abaixo dos níveis de muitos dos animais que habitam as selvas. Mas essa afirmação nem nos desculpa nem justifica os comportamentos de cada um. A solução cabe a cada pessoa que deve passar a agir em consonância com os mais elevados valores éticos. Quando cada um assumir as melhores atitudes e se evidenciar como exemplar, certamente que o mundo estará melhor.

É certo que a decadência se deve à educação dada pelos pais aos seus filhos desde a primeira mamada, à forma como as escolas encaram a preparação das crianças e dos jovens para a vida adulta, às autoridades da segurança interna e pública, à Justiça, ao funcionamento dos serviços públicos, aos vizinhos, aos colegas. Mas isso não liberta cada um da responsabilidade atrás referida. As boas soluções não nos caem no prato da sopa por milagre.

Os desleixos, a irresponsabilidade, a convicção de que o mal só acontece as outros, o desprezo pelo risco, pelo perigo, tudo isso conduz a tragédias, como mostram três notícias de hoje ( para as ler faça clique sobre o seu título):

- Terça-feira com três mortes na estrada, 23 detidos
- Jovem diz que não se lembra de ter atropelado varredor
- Três acidentes mortais desde que abriu a caça

Pensemos que se tivesse havido um pouco de cuidado, de sentido das responsabilidades, de respeito pelas liberdades dos outros, estas mortes, ferimentos e prejuízos, teriam, sido evitados. Não era preciso muito, apenas um pouco de civismo e bom senso.

Ler mais...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

União e transparência

Ontem em Belém, o Presidente da República pediu união e transparência na vida pública. Palavras muito significativas que deviam ser levadas muito a sério por todos os que ocupam cargos de responsabilidade pública e nos destinos do País. Porém, quando foram pronunciadas, o seu autor, qual Frei Tomás, estava a fazer o contrário. Naquele dia devia estar unido aos portugueses na comemoração do 99º aniversário da implantação da República. É essa a tradição histórica que, pela verdade dos factos, sempre teve na varanda do município de Lisboa o seu local próprio. Não se trata deste ou daquele partido, deste ou daquele município, é um local de Portugal onde se deu um facto histórico, em 5 de Outubro. A ida do PR discursar para Belém, tendo faltado na cerimónia nacional nada contribuiu para a união. Antes pelo contrário. Houve uma desunião, mesmo no aspecto pessoal entre o que falou e o que agiu.

Quanto à transparência, também não ficou clara a justificação para tal acto dissidente. O receio de influência partidária na campanha para as eleições autárquicas de dia 11 não colhe. A cerimónia nacional nada tem a ver com um ou outro dos concorrentes, sendo apenas histórica, sendo de todos os portugueses e situando-se a um nível muito superior a qualquer interesse partidário. A forma como tudo se passou, sendo o discurso feito noutro cenário diferente do tradicional e em local alheio ao facto evocado pode ser interpretado como uma ingerência na campanha eleitoral, por evidenciar hostilidade ao PS ( na cúpula da gestão camarária), um pecado por omissão (?).

Também ficou provado que não se tratou de não querer discursar porque acabou por fazê-lo mas fora do local do costume. Se aqui há transparência, há que ensinar às pessoas o novo significado desta palavra. Este assunto faz lembrar os artigos hoje constantes da imprensa «Nada de novo» de Luísa Castel-Branco no Destak e «Mau, mau!» de Sérgio Andrade no JN.

Num período em que se prepara um novo Governo e se inicia nova legislatura, seria de esperar que o PR exercesse uma função de liderança procurando levar os partidos a uma melhor união e cooperação, para se tomarem sem dificuldades as maiores decisões de que o País carece para restabelecer o rumo para o progresso, o desenvolvimento e a felicidade dos portugueses. Mas, com actos falhados, perde-se credibilidade e torna-se difícil levar os partidos a uma plataforma de entendimento e de transparência no combate aos piores vícios de que sofrem os actuais políticos.

Não percamos as esperanças de melhores dias, mas os sintomas não parecem animadores.

Ler mais...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Medina Carreira sempre objectivo e claro

É preciso falar verdade, com objectividade, sem subserviências, sem fazer favores, sem receios. Não pode haver boas terapias se não houver um diagnóstico perfeito, verdadeiro. E, como não se pode ficar pelo diagnóstico, Medina Carreira aponta pistas, rumos a seguir para objectivos bem definidos.

Ler mais...

Reconstruir Portugal

No post «Momentos de mudança», eram avançadas sugestões para um catecismo ou «código de bem governar» em que os partidos acordassem colaborar no engrandecimento de Portugal e erradicar vícios e moléstias que depreciam o País e a imagem daqueles que, institucionalmente, devem congregar o respeito de todos. Isso passa pela transparência de procedimentos, pelo combate à corrupção, o enriquecimento ilícito, a burocracia que incita ao tráfico de influências, etc.

Acima de tudo, deve ficar a mentalização da população desde os bancos da escola, por forma a formar uma sociedade mais isenta das habilidades que têm conduzido ao afastamento de valores pessoais e sociais, que fazem muita falta. Também a Justiça, além de mais rápida, deve ser igual para todos, cega para o poder económico e político dos arguidos, conforme se vê em muitos exemplos estrangeiros aqui referidos em vários posts.

A transparência é fundamental para se esclarecerem os casos em que haja dúvidas e suspeitas, pois estas nunca desaparecerão se tal clarificação não for eficiente. Por exemplo, O processo Portucale acaba de retomar a sua marcha, mas há arguidos que querem meter novamente "o pau na roda": requerem a declaração de incompetência do Tribunal Central de Instrução Criminal e a nulidade das escutas e da acusação. Também o caso Freeport está longe de afogar dúvidas e suspeitas e, recentemente Carlos Guerra pediu o afastamento dos magistrados. Também o caso de Vale da Rosa em Setúbal foi arquivado e reaberto, pelo que se não tiver um encerramento lógico, as dúvidas não deixarão de continuar corroer os sentimentos das pessoas. Da mesma forma, o caso do Aterro Sanitário da Cova da Beira espera obter uma clarificação em que se possa acreditar, para não manchar nomes de pessoas que possam estar inocentes.

Mas a clarificação, em qualquer cas0, não pode traduzir-se por colocar uma pedra em cima com a conivência ou indiferença da Justiça. Portugal está agora num momento de mudança que deve ser bem aproveitada para reformar tudo o que precisar de ser melhorado. Será bom que as esperanças criadas há quatro anos com a reformulação da administração pública, agora não se transformem mais uma vez em frustração e descrença na palavra dos governantes.

Ler mais...

A vitória de Aníbal

JN. Por Mário Crespo, em 5 de Outubro de 2009

O presidente Aníbal Cavaco Silva devia ter falado hoje ao país. Decidiu ignorar o interesse nacional a favor de uma soturna agenda pessoal que já ninguém entende. Não colhe a justificação de que por haver eleições autárquicas, o presidente não fala. Nada tem a ver uma coisa com outra.

Estas mesmas eleições não o impediram de falar ao país há uma semana com a sua intrigante, politiqueira e sectária comunicação das escutas. Estamos, portanto, face a mais um misterioso desígnio voluntarista que lhe ditou agora que ficasse calado no Dia da República que ele jurou representar. O país, no lamentável estado de confusão em que se encontra, necessitava de um discurso do estado da República que procurasse restabelecer a confiança e transmitisse a mensagem de que as instituições seriam capazes de enfrentar a crise que se radicou. Serão? Ao certo não sabemos. Há quem duvide. E assim, o representante da República Portuguesa, o garante da independência nacional, do regular funcionamento das instituições democráticas e comandante Supremo das Forças Armadas optou por mais uma incompreensível caturrice, reafirmando neste aniversário da implantação da República que o quero-posso-e-mando continua a ser a sua maneira de estar no Estado, com os absurdos ímpetos pessoais que ignoram os interesses do país.

No aniversário da implantação da República em Portugal, ainda sem um governo definido e sem uma linha política ou ideológica fiável, o comandante em chefe decide-se, por razões que nenhuma razão explica, por mais um nebuloso mutismo. É um registo que tem que ser lavrado quando a Republica Portuguesa assinala os seus 99 anos e que deve constar do cadastro deste seu presidente, para memória futura.

Há um pormenor estranho no comportamento presidencial de Aníbal Cavaco Silva que talvez possa ajudar a interpretar atitudes actuais. Desde o início do mandato que o presidente utilizava nas suas comunicações fórmulas desconcertantes da terceira pessoa. Quando interpelado publicamente, Cavaco Silva respondia sempre que "o presidente da República" faria isto ou faria aquilo. Nunca utilizava na sua retórica pronomes pessoais claros e directos que responsabilizassem o cidadão Aníbal Cavaco Silva.

Tudo se passava num binómio esquizofrénico em que havia dois indivíduos com identidades distintas. Aníbal e uma pesada entidade presidencial cujo fato, de imaculado corte, nunca lhe assentou bem. Este dramático despique parece ter tido um desfecho com a morte do presidente da República e a vitória de Aníbal na histórica comunicação das escutas. Pela primeira vez no discurso presidencial as terceiras pessoas desapareceram.

Lêem-se nesse texto coisas como "a minha interpretação dos factos" a "leitura pessoal", a "interrogação que fiz a mim próprio", ou mesmo a "minha confissão". Portanto, faleceu o elo mais fraco da persona presidencial.

Aníbal possuiu a chefia do Estado e tomou conta do discurso no Palácio de Belém com a sua linguagem chã e os seus ultrajes humanos, sem recursos desculpabilizantes a terceiras pessoas. Aníbal zurziu em quem não gosta numa impudica zaragata birrenta e sem quartel. Claro que Aníbal está no seu direito de fazer tudo isso e coisas piores ainda de que certamente é capaz.

O presidente da República, não!

NOTA: Esta análise psicológica ou psicanalítica traz um novo aspecto ao retrato aqui esboçado. Realmente, Aníbal ganhou quando conseguiu que o PR lhe permitiu falar ao País acerca das escutas apesar das eleições; agora voltou a ganhar ao colocar-se ao lado dos monárquicos e impedir o PR de presidir às cerimónias tradicionais, neste 99º aniversário. Com efeito, como Diz Crespo, um discurso de Estado podia ser feito sem descer ao ponto de tomar posição por um ou outro partido na luta pelos votos que está em curso. Os interesses de Estado podem muito bem ser comuns a todos os partidos e estar acima das guerrilhas interpartidárias.

Ler mais...

domingo, 4 de outubro de 2009

Professores prestigiados em Espanha

“Ao serem reconhecidos como autoridade pública, os professores – tal como os juízes, polícias, médicos e pilotos e comandantes de navios – contam com uma protecção especial. A agressão a um professor está tipificada pelo Código Penal como atentado contra a autoridade”

“Além de serem autoridade pública, têm presunção da verdade, o que significa que a sua palavra tem mais valor do que a de outro cidadão”

NOTA: Os dois pequenos parágrafos traduzidos do castelhano foram transcritos do blog A Tulha do Atílio. Evidenciam que a Espanha, apesar de ter no Governo um partido de cor igual à do partido do Governo português, tem uma noção muito real e autêntica da importância do ensino na preparação do futuro do País. É na escola, quando as crianças aprendem os primeiros passos na convivência com os outros que se deve aprender o civismo, o respeito pelos direitos dos outros, o sentido do dever e da responsabilidade, a importância do trabalho, da perfeição, da excelência, do cumprimento de prazos, de pontualidade, etc.

Por cá, pelo contrário, não se respeitam os professores e eles usam da maior lassidão, aceitação, excessiva tolerância, permissividade, que tem como efeito a impreparação das crianças para uma vida digna, feliz e produtiva. Iniciam a vida com ideias e hábitos desajustados ao progresso e ao desenvolvimento.

Há pouco tempo ouvi na TV um empresário queixar-se de que a produtividade da empresa não poderia melhorar muito por carência de profissionalismo, de sentido da responsabilidade, de ausência de gosto pela perfeição, pela na excelência, do pessoal a todos os níveis. O lema do português fica bem expresso naquilo que Elisa Ferreira respondeu a uma florista no mercado, referindo-se ao seu papel no Parlamento europeu: é um trabalho sossegadinho e bem pago.

E esse empresário atribuía as culpas ao papel das escolas em que não se criam bases para desenvolver qualidades válidas nos futuros obreiros de Portugal. Sem profissionalismo responsável, sem obediência a regras, não se pode ir longe. E é na Escola que deve começar a mudança da cultura nacional, da mentalidade das pessoas, de procurarem merecer aquilo de que necessitam para viver sem estarem à espera do subsídio e do apoio dos outros, através do Estado, da Segurança Social.

E para começar, a mudança tem de ser feita nas escolas, no papel dos professores que têm forçosamente de ser prestigiados e apoiados, como está a ser feito em Espanha. É certo que antes de entrarem na escola, as crianças já devem possuir hábitos salutares, mas a realidade mostra que muitos pais os não possuem e não podem ensinar o que não sabem nem praticam. O mal vem detrás e, agora é preciso arrancar para a boa rota com a acção educativa dos professores. Oxalá Portugal aprenda com a Espanha.

Ler mais...

sábado, 3 de outubro de 2009

Investimento falta em Portugal

Medina Carreira não vê hipóteses de mudança na próxima legislatura
Porto, Portugal 30/09/2009 21:04 (LUSA)

Porto, 30 Set (Lusa) - O fiscalista português Medina Carreira afirmou hoje que a nova legislatura não vai resolver os grandes problemas nacionais, uma vez que "andam há anos a enganar o país", acrescentando que "seria igual se [o resultado das eleições] fosse ao contrário".

"Não vejo, na próxima legislatura, a mínima hipótese de mudança", referiu o antigo ministro das Finanças, acrescentando que "os políticos das novas oportunidades são maus demais para entender este país".

Na apresentação do livro "Portugal que Futuro?", Medina Carreira disse que "a questão do momento não é o discurso do Presidente da República mas saber por que não se investe cá".

Confrontado pelos jornalistas, o ex-ministro das Finanças desvalorizou o discurso de Cavaco Silva, contrapondo que "é urgente criar as condições para o investimento em Portugal porque, se não se faz isso agora, vamos ter graves problemas".

"Ninguém apresentou um estudo sobre as razões da falta de investimento em Portugal. O primeiro-ministro é muito hábil a distribuir dinheiro mas não sabe onde o vai buscar", criticou o fiscalista na apresentação do livro em co-autoria com o jornalista Eduardo Dâmaso, na Associação Comercial do Porto.

Segundo Medina Carreira, "não são só as pequenas e médias empresas que vão fazer subir o peso do sector secundário", que considerou vital para aumentar as exportações e reduzir a dependência portuguesa em relação ao estrangeiro.

"O problema que temos de imediato é o financiamento exterior da nossa economia. Se falhar o acesso à tesouraria estrangeira, vamos ter um problema de finanças públicas dentro de poucos anos", alertou.

Neste contexto, o fiscalista criticou os grandes investimentos públicos, considerando que "se se fizerem as auto-estradas planeadas, seremos o quarto ou o quinto país com maior densidade de auto-estradas no mundo, o que é uma loucura e quem o fizer devia ser internado".

Questionado sobre um eventual aumento dos impostos, Medina Carreira disse "não ver por onde se possa mexer", referindo a tentação de aumentar o IVA como um erro, uma vez que "atinge sobretudo as classes mais modestas".

JNM. Lusa/Fim

Transcrito do blog A Tulha do Atílio, onde foi publicado pelo migo Luís

Ler mais...

Prioridades na vida

Um professor, durante a sua aula de filosofia, sem dizer uma palavra, pegou num frasco de maionese e esvaziou-o. Tirou a maionese e encheu-o com bolas de golfe. A seguir perguntou aos alunos se o Frasco estava cheio. Os estudantes responderam que sim.

Então o professor pega numa caixa cheia de caricas e mete-as no frasco de maionese. As Caricas encheram os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a dizer que sim.

Então, o professor pegou noutra caixa, uma caixa cheia de areia e esvaziou-a para dentro do frasco de maionese. Claro que a areia encheu todos os espaços vazios e uma vez mais o professor voltou a perguntar se o frasco estava cheio. Nesta ocasião os estudantes responderam em unânime "Sim!".

De seguida o professor acrescentou 2 taças de café ao frasco e, claro, o café preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes nesta ocasião começaram a rir-se, mas repararam que o professor estava sério e disse-lhes:

Quero que reparem que este frasco representa a vida.

As bolas de golfe são as coisas Importantes: como a família, os filhos, a saúde, os amigos, tudo o que te apaixona. São coisas que, mesmo que perdêssemos todo o resto, as nossas vidas continuariam cheias. As caricas são as outras coisas que importam como: o trabalho, a casa, o carro, etc. A areia é tudo o demais, as pequenas coisas.

'Se puséssemos primeiro a areia no frasco, não haveria espaço para as caricas nem para as bolas de golfe. O mesmo acontece com a vida'. Se gastássemos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teríamos lugar para as coisas realmente importantes. Presta atenção às coisas que são cruciais para a tua Felicidade, estabelece prioridades.

Brinca ensinando os teus filhos. Arranja tempo para ires ao médico. Namora e vai com a tua/teu namorado/marido/mulher jantar fora. Pratica o teu desporto ou hobby favorito. Estabelece as tuas prioridades, o resto é só areia...

Um dos estudantes levantou a mão e perguntou o que representava o café. O professor sorriu e disse:

"...o café é só para vos demonstrar, que não importa o quanto a vossa vida esteja ocupada, sempre haverá espaço para um café com um amigo." O café, é a bebida da cordialidade!

Quando as coisas na vida parecem demasiadas, quando as 24 horas do dia não são suficientes, lembra-te do frasco de maionese e do café. Haverá sempre tempo para limpar a casa e reparar as canalizações. Ocupa-te das bolas de golfe primeiro, das coisas que realmente importam.

NOTA: Embora já há anos conhecesse esta lição por e-mail, gostei de a encontrar no blog A Tulha do Atílio, publicada pelo amigo Luís e achei que ela é muito importante na vida privada e também na vida profissional e na governação do País. Os nossos governantes devem estabelecer prioridades por forma a utilizarem os recursos nacionais, sempre escassos por definição, da forma mais sensata e reprodutiva, para benefício de todos os cidadãos.

Ler mais...

Gratidão de Dobermann

Que pena muitos homens não serem como os animais

A foto mostra uma cadela Dobermann lambendo um bombeiro exausto.
Ele tinha acabado de salvá-la de um incêndio em sua casa, resgatando-a e levando-a para o relvado da frente. Depois, tinha continuado a combater o incêndio.

O mais sincero beijo de gratidão

Ela estava com filhotes. O bombeiro teve medo dela no início, pois nunca antes ele tinha resgatado um Dobermann.
Quando finalmente o fogo foi extinto, o bombeiro sentou-se na relva para recuperar o fôlego e descansar.
Um fotógrafo do jornal 'The Observer' notou a Dobermann olhando para o bombeiro. Viu-a andar na direcção dele e interrogou-se o que a cadela iria fazer.
Enquanto o fotógrafo levantava a câmara, ela aproximou-se do bombeiro que lhe tinha salvo a vida e as dos seus filhos e beijou-o.


Elaborado com base no post do amigo Luís, publicado no blog Sempre Jovens

Ler mais...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Justiça. Bons exemplos do estrangeiro

Transcrição de artigo seguida de NOTA

Os mais iguais que os outros
JN. 091002. Por Manuel António Pina

Condenado em 1978 nos Estados Unidos pela violação de uma menor de 13 anos, Roman Polanski fugiu para França. Foi agora preso na Suíça, onde ia receber um prémio a um festival de cinema.

Distraiu-se e não deu conta de que a Suíça assinara, uns dias antes, um tratado de extradição com os EUA. Tanto bastou para que gente do cinema e da política se mobilizasse exigindo a sua libertação, já que seria um realizador "genial" (se Polanski é "genial", o que serão Griffith, Dreier ou Ozu?) e que o crime foi… há muito tempo.

Tenho alguma simpatia pelo regime de prescrições (ou a inexistência dele) no direito penal dos EUA, que põe a Justiça enquanto bem moral acima de critérios de segurança jurídica, sendo que também os direitos europeus tendem hoje a considerar certos crimes como imprescritíveis (é o caso dos crimes contra a humanidade). Foi o regime das prescrições que, entre nós, possibilitou, por exemplo, que certos figurões não tivessem sido investigados e eventualmente acusados e condenados por violação de menores no processo Casa Pia e que os assassinos de Humberto Delgado tenham ficado impunes.

NOTA: O regime de prescrição coloca a Justiça à mercê dos advogados do criminoso com poder financeiro. É uma questão de sucessivos requerimentos, diligências, alegações que vão queimando o tempo até chegar ao momento da prescrição. E há outros pormenores que impedem que uns sejam mais iguais do que outros. Além dos casos referidos pelo autor do artigo, há muitos outros, apontando-se como exemplo o referido ao Vale da Rosa em que consta no DN de ontem : a investigação « Apesar de ter sido reaberta, muito provavelmente será arquivada. Os factos remontam a 2001. Passados estes anos, há o risco de eventuais crimes estarem prescritos, sendo que a recolha de prova é, nesta altura, muito difícil ou impossível.»

Os poderosos beneficiam de «condições» de excepção como nos casos do Freeport, do aterro sanitário da Beira Interior, certamente dos 30 milhões dos submarinos, etc. Porém, é pena que não sejam aprendidas as boas lições que chegam do estrangeiro como a agora noticiada acerca de Fujimori, ex Presidente do Peru, e de outros constantes nos posts Aprender as lições, Sentido da Honra e da Responsabilidade, Lições do dito «Terceiro Mundo» e Ninguém está acima da lei.
Não precisamos de inventar nada; basta estudar os bons exemplos, adaptá-los honestamente ao nosso País e praticar em conformidade.

Ler mais...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Assessores para que servem?

Já por várias vezes aqui escrevi sobre o suposto papel dos assessores. São feitos à imagem e semelhança dos seus «patrões» para descanso dos mesmos. Há poucos anos os jornais levantaram uma celeuma acerca da mais de uma centena de assessores que enxameavam os gabinetes, apesar de a maior parte só por lá aparecer em «part-time».

Ouvi na TV uma vereadora, senhora de reconhecido mérito a quem têm sido dados cargos de grande responsabilidade, dizer que tinha ao seu serviço quase uma dezena de assessores e a sua escolha não tinha obedecido a critérios de competência mas de «confiança política». Enfim, uma agência de emprego ou um asilo para não competentes, amigos ou protegidos da oligarquia partidária.

Para maior mal, é desses privilegiados pela tal «confiança política» que saem os deputados, os secretários de Estado, os ministros, e nas autarquias seguem percurso paralelo. Isto ajuda a compreender as broncas que ocorrem frequentemente com a legislação e decisões que depois ou são alteradas - os recuos – ou são mantidos teimosamente causando graves danos na vida nacional.

O artigo que a seguir se transcreve evidencia isso. Os assessores que apenas dizem o que pensam que o patrão deseja ouvir, que apenas sabem dizer, com má pronúncia, «yes sir», não ajudam a fazer o melhor e nem evitam que se cometam erros ou imperfeições desagradáveis. Para nada servem. Mas pelo país fora há milhares destes inúteis que são bem pagos pelo Estado e muitos acumulam com os proventos do tráfico de influências, que lhes é fácil por estarem próximos do bafo dos actores do Poder.

Eis o artigo atrás referido:

Cavaco está sozinho?
Correio da Manhã. 01 Outubro 2009. Por Octávio Ribeiro

Depois de ouvir o discurso de 11 minutos e de seguir as múltiplas reacções, fica a pergunta: estará Cavaco Silva sozinho? O discurso foi mau de mais para um Chefe de Estado que habituou o País ao rigor.

Ninguém das citadas Casa Civil ou Militar teve a coragem de dizer ao Presidente que aquele arrazoado de argumentos era uma confusão tremenda? Ninguém pigarreou para depois opinar que, de um Presidente, dois dias depois de Legislativas, as pessoas esperam um discurso claro, firme – de Estado? Por estes dias, Cavaco parece sozinho em Belém. E dessa solidão má conselheira desce para a rua um sentimento de descrença, que se cola aos 2 773 431 cidadãos que o elegeram à primeira volta. O País precisa, mais do que nunca, de um Presidente forte. Unificador. Sem prescindir dos princípios com que se apresentou ao eleitorado.

NOTA: Apesar de ser da sabedoria comum que «não há regra sem excepção» quero frisar que, quando refiro «os assessores» admito poder haver eventuais excepções.

Ler mais...

Lavar roupa suja no lamaçal!!!

As notícias que referem pretensos pecados de Portas e de Sócrates merecem reflexão, porque são um retrato, talvez desfocado, da realidade da actual política (politiquice) nacional. São ataques «por acaso» oportunos em relação aos resultados das legislativas em que os dois ficaram em destaque quanto às negociações para a constituição de Governo.

Elas fazem pensar no género de muito baixa política praticada no País. Parece que vêm dar credibilidade à versão de que os partidos organizam dossiês individuais com todos os pecados de cada adversário para utilizarem nos momentos oportunos, com eficiência capaz de obter êxito num «assassinato» político. Nisso, parece conseguirem obter a colaboração da comunicação social e até, segundo parece, da Justiça.

Quem pode estar interessado, neste momento em fazer saltar para a ribalta o caso dos submarinos, para «arrumar» Sócrates e a utilização do CDS como apoio do governo? Há muitos eventuais suspeitos: por um lado, estão os socialistas colocados mais à esquerda que não gostam de tais negociações coma direita; mas há também os partidos que pretendem esse lugar ao lado do PS, como sejam o PSD, ou os partidos menos votados, BE e PCP juntos.

Mas à tal politiquice, movida por instintos demolidores e vingativos, não faltarão motivos e oportunidades para serem evocados casos de falsas declarações de habilitações literárias, títulos académicos incorrectos, suspeitas de corrupção no Freeport, na urbanização do Vale da Rosa, no aterro sanitário da Cova da Beira ou das instalações turísticas Portucale em Benavente, bem como as grandes obras públicas e o sistema de adjudicação que permite obras adicionais não previstas no projecto inicial as quais conduzem a derrapagens em prazos e em custos finais, com grave prejuízo para o erário público, mas benefício para os corruptos. Também os sinais exteriores de riqueza indicadores de enriquecimento ilícito, as suspeitas de pedofilia aludidas como da Casa Pia mas não inseridas no processo em curso, e outras, podem vir a lume a qualquer momento, bastando tirar o dossiê do cofre forte.

Enfim, se não desistirem dessas manobras pouco dignas, ou referidas a casos indignamente abafados, e com objectivos não confessados, ninguém da oligarquia ficará a coberto das mais insidiosas acusações ou insinuações que poderão surgir a cada passo em que for alcançado mais êxito.

E depois? Depois nada resultará de que Portugal se possa orgulhar E entretanto, as energias os recursos despendidos, em tempo e dinheiro, nestes maquiavelismos, fazem falta ao desenvolvimento social. E os políticos aumentam a sua couraça para resistir aos apelos da ética, da honra, da vergonha, acabando por perder o pouco de bom que posam ainda ter. Será a aniquilação total dos valores que outrora tornaram Portugal um Estado exemplar, com tradições dignas de serem recordadas.

Haja bom senso, ponderação e um pouco de patriotismo, de amor a Portugal.

Ler mais...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Momento de mudança

Nas eleições de ontem, consideradas como tendo decorrido normalmente, o vencedor recebeu 21,48 por cento dos eleitores inscritos nos cadernos eleitorais, pouco mais de um quinto. Parece um número muito pequeno, mas é real: Apenas foram às urnas 60,6 por cento, dos quais 1,75 por cento entregaram votos em branco e 1,37 votos nulos, resultando para distribuição pelos partidos os votos de 58,75 por cento dos eleitores inscritos e 36,56% (obtidos pelo PS) deste número dá os 21,48% acima referidos. Não haverá motivos de arrogância para dizer que foi eleito por todos os portugueses

Dos resultados merece meditação a quantidade de votos em branco, que representam actos espontâneos de indivíduos sem organização, sem movimento, sem propaganda, que quiseram evidenciar o seu desacordo em relação às metodologias gerais que vêm sendo praticadas na política e que querem ver remodeladas. Apesar da espontaneidade, o seu resultado foi superior ao obtido por qualquer dos pequenos partidos e movimentos que não obtiveram deputados, apesar de todo o seu esforço para os obterem e da despesa feita com a campanha. Tal voto, que assenta numa motivação mais significativa e definida do que a abstenção ou o voto nulo, merece ser devidamente reflectido.

Daqui sairá o próximo governo, ou de coligação ou com acordos parlamentares que, ao contrário da maioria absoluta, vai exigir diálogo com a oposição, pondo de lado a arrogância verificada nos últimos anos.

Será desejável que seja tida em consideração a necessidade de, em cada decisão colocar Portugal e os interesses nacionais acima de interesses dos partidos e dos políticos, seus familiares e amigos.

Cada decisão, deve ser precedida por estudos realistas e completos que conduzam às melhores soluções possíveis, a fim de evitar futuros recuos com os custos inerentes.

As decisões que produzam efeitos além do fim da legislatura devem ser precedidas de consulta e de discussão com a oposição e beneficiar de contributos de cidadãos, organizados ou individualmente.

Convém definir regras que reduzam ao mínimo as nomeações políticas de forma a que as vagas sejam preenchidas através de concursos públicos apreciados por júris competentes e independentes.

Devem ser desenvolvidos mecanismos eficazes para combater a corrupção e o enriquecimento ilícito, mesmo que se trate de pequenos valores.

É urgente, de acordo com opiniões de juízes, tornar a Justiça mais rápida e independente através de novos códigos preparados por Juízes e advogados sem ligações partidárias conhecidas.

A fim de reduzir as despesas públicas, deve ser diminuída a burocracia embaraçante e que depende do excesso de pessoal que entope os circuitos, a começar por assessores que apenas existem como caixa de emprego para os «boys» do regime, cuja ineficácia é demonstrada por não terem evitado imensos eros da governação do Estado e autárquica.

Praticando estas regras básicas, que devem ser pactuadas por todos os partidos parlamentares e constar num código se conduta, contribuir-se-á para o bem-estar dos portugueses e o engrandecimento de Portugal, o que será manifestado nas próximas eleições com o fim de votos brancos, redução de nulos (ficam apenas os de erros de preenchimento) e de abstenções (ficando apenas os mortos e os acamados).

Ler mais...

À consideração dos futuros governantes

Acerca da polémica nos comentários constantes em https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7302028665744397498&postID=1128138089144375274&isPopup=true&pli=1 recebi este e-mail da Amiga Maria Letra que merece ser aqui colocado para apreciação dos visitantes. São reflexões muito sugestivas para os governantes do País, agora que estamos em vésperas da constituição de nova equipa, que se espera seja bem seleccionada, com bons elementos, ideias adequadas e programas ajustados às reais necessidades de Portugal.

Amigo João Soares,

Li, novamente, tudo o que foi escrito quer pelo Luís, como pelo amigo João Soares e, duma forma mais atenta, já que da parte dos dois sabemos com o que é que podemos contar, o que escreveram: Bernardo e Leandro. É curioso que um escreve com o seu nome verdadeiro para 'tentar' iludir-nos com falsas verdades e o outro, que é o mesmo, pelo que percebi, esconde-se por trás dum nome que inventou para, cobardemente, escrever o que pensa. Mas ... será que pensa mesmo o que escreve? Em qual dos dois nos podemos basear para fazer um juízo de valor acerca desse alguém que anda tão ceguinho que nem pesa o que diz em defesa de algo que está a prejudicar todos nós? É que a mim já nem me interessa que o governo seja PS. Fosse ele do PSD, CDS, PCP ou de qualquer outro partido e a crítica, da minha parte, seria sempre a mesma. O que está em causa, como muito bem escreveu, João Soares, é as contas a prestar a todas as pessoas que acreditaram nas prometidas reformas. Se, qualquer deles, fizesse o que prometem nos seus programas, TENHO A CERTEZA que quem tivesse votado noutros partidos não seria mais do contra.

Um dos grandes problemas aqui está no facto de SER MUITO DIFÍCIL agradar a gregos e a troianos, quando, teimosamente, se defendem soluções diferentes, i.e., pró ou contra o Capitalismo, não aceitando cada parte procurar uma situação intermédia que pudesse equilibrar interesses, solução essa que poderia nivelar o bem/mal-estar dos cidadãos, sem ter de tirar a uns para dar aos outros. Depois do 25 de Abril houve uma euforia da parte da esquerda de incitamento à distribuição de bens de quem tinha mais, para dar aos que tinham menos quando, no meu entender, claro está, tal distribuição não era necessária para que todos os que estavam mal pudessem vir a ser beneficiados. Com uma correcta linha política dos governos, ter-se-ia chegado a resultados muito positivos, sem ter de recorrer ao 'roubo' de bens duns, para dar aos outros. Isso teria tido o sabor dos actos praticados pelos larápios: "não tenho, vou roubar ao que tem e passo a estar bem melhor do que o que estou agora."

Um dos grandes males que motivam o exagero de muitas fortunas, alcançadas sabe Deus como, é exactamente resultante do facto da linha defendida por certos partidos ocasionar esse estado de coisas. Não podemos ficar indiferentes à disparidade de ordenados de certos indivíduos, em detrimento duma miserável 'esmola' a outros, entre os quais estão, sem sombra de dúvida, os reformados, os deficientes, as mulheres que, por circunstâncias várias, não puderam ser mais do que domésticas - com que honra! - e tantos outros Portugueses. Eu trabalhei sempre, exceptuando 8 anos dedicados aos filhos (6) e, em alguns empregos, tinha um ordenado superior ao do meu marido. Não posso, portanto, dizer que fui vítima de desigualdade pelo facto de ser mulher. Contudo, tendo tido necessidade de permanecer em casa, para cuidar melhor dos meus filhos e continuar a estudar, vimos o nosso rendimento mensal baixar consideravelmente quando, numa correcta política governamental, as mulheres deveriam poder receber um mínimo que lhes permitisse fazer face a essa diferença. Depois, há situações tão desiguais, só porque uns têm um canudo e outros não ..... Cada profissão - quando exercida com competência absoluta - deverá ser remunerada de forma a permitir uma vida digna a quem a exerce. As hierarquias existem e têm de ser respeitadas, mas ... vamos lá ver ...., pagar balúrdios aos quadros, prejudicando as outras categorias inferiores de tal modo que firam a dignidade de vida de quem trabalha com profissionalismo, isso não! Se as empresas necessitam dos quadros, não é menos verdade que necessitam - e muito! - dos operários. Todavia, não deverá ser negligenciado que estes devem ter uma formação moral, educacional e profissional de elevado valor, para que não possam ser apontados como a classe ignorante, como já tenho ouvido chamar-lhes.

O meu amigo sabe bem que eu defendo, como base primeira, uma boa política no campo da Educação e da Saúde. Sem isso, nem vale a pena pensar no resto. A cultura e a saúde são dois elementos básicos na formação duma criança, sobre as quais deveremos debruçarmo-nos pois as crianças serão, um dia, os adultos de que o mundo carece.

Depois desta dissertação cuja origem está no teor das que foram feitas, sobretudo, pelo Bernardo e/ou pelo Leandro, eu gostaria ainda de dizer-lhe, meu caro amigo, que quem mereceu este meu e:mail às 03:45 da manhã foi, APENAS, o de nome João Soares, já que os outros dois comentaristas não mereceriam, sequer, que lhes dedicasse um minuto. Quem esconde o seu nome para dizer o que pensa não merece qualquer tipo de atenção. Mas este assunto sobre o qual acabei de escrever é importante para mim, mesmo que o não fosse para mais ninguém.

Para terminar devo esclarecer que não foram só as dores no meu pé que me mantiveram acordada, para as quais agradeço o conselho que me deu e que seguirei. Foi, também, um certo enjoo que me vem quando leio certas afirmações tendenciosas, disfarçadas duma intelectualidade inexistente.

Um grande abraço, amigo.
Mzt

Ler mais...

domingo, 27 de setembro de 2009

A Justiça não vai bem

Um dos sectores do Estado cujo funcionamento é mais sentido pela população, é a Justiça, relacionada com a Segurança Pública, talvez acima da Saúde e do Ensino.

E se as opiniões eram exteriores ao aparelho, agora surgem frequentemente opiniões negativas saindo do interior da máquina da Justiça, pela voz dos seus mais categorizados obreiros.

Vejamos os textos aqui linkados:

- Juízes indignados com a classe política
- Caso Rui Teixeira abre polémica na justiça
- Justiça é cara no tribunal de família
- Mapa judiciário em risco de fracasso
- Novas custas judiciais limitam acesso, critica juiz

Ler mais...

sábado, 26 de setembro de 2009

Idosos têm direito a respeito

Os idosos, depois de uma vida de trabalho, mais ou menos penosos, com mais ou menos possibilidades, são credores de respeito, como seres vivos, como seres humanos e pela sua condição de dependência dos cuidados dos outros.

As famílias, nos tempos modernos, não estão estruturadas para darem apoio de companhia e de resolução de pequenos problemas a qualquer hora do dia e, por isso, entregam esses cuidados a lares que é suposto exercerem com dedicação e carinho essas tarefas de que os idosos carecem.

Mas, infelizmente, há muitos lares que não desempenham esses cuidados com a eficiência desejável. Não é raro surgirem notícias de situações degradantes. Mas, felizmente, há juízes que têm sensibilidade para analisar com humanidade tais situações e dizer basta.

Vale a pena ler as notícias do JN que referem este julgamento:

- Prisão para dona de lar por maus-tratos a idosos
- "É preciso dizer basta ao que se passa em lares"

Ler mais...

Segurança rodoviária. Exemplo a seguir

No meio de tanta notícias de mortos e feridos nas estradas, surge esta do caso exemplar do condutor da Carris, Ernesto Luís Marçal, que conduziu 39 mil horas sem acidentes.


Segundo ele a solução é fácil, recusa ser considerado herói e aponta o seu segredo simples, garantindo que o importante "é nunca facilitar". É este sentido da responsabilidade que falta à maior parte dos automobilistas que colocam em perigo continuamente a sua vida, a dos seus companheiros de viagem e a de inocentes utentes da estrada.

Devemos procurar sempre, a cada momento de condução, chegar ao fim da viagem em segurança. Leia a notícia seguindo este link, Merece ser meditada e ser objecto de conversa em família e com os amigos.

Ler mais...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Estão a candidatar-se a quê?

Cuspir no voto que pedem

DN 090925. por Ferreira Fernandes

Há duas semanas, aqui, espantei-me com a fórmula com que Francisco Louçã se apresenta, agora: "Sou socialista, laico e republicano." Perguntei: então, quando é que deixou cair o "revolucionário"? É que eu não me lembro de ele ter declarado essa passagem, de revolucionário para ex-revolucionário, corte que marca um antes e um depois, e que permitiria, por exemplo, ser um leal membro de um governo a que ele, ainda há pouco, chamava burguês.

Faltava a Louçã - dizia eu, então -, "a ele, que dá tanta importância à ideologia, que o diga na teoria, antes de ser definitivamente comprovado, na prática, que mudou." Repito: gostava de ouvir Francisco Louçã dizer já não ser revolucionário e que acredita que eleger deputados para a Assembleia da República (esta mesma, a democracia representativa) é a melhor forma de governar (já sabemos, eu, Churchill e mais uns quantos, que má, mas a melhor).

Sim, Louçã? Alguns portugueses precisam, com urgência (até domingo), que Louçã tire isso a limpo. Digo alguns porque eu, não. Não preciso, ouvi o cabeça de lista do Bloco de Esquerda por Castelo Branco, onde o BE pode eleger um deputado, dizer que "a democracia representativa está falida". Então, está a candidatar-se a quê?

NOTA: A coerência pode não ser indispensável na política que ignora a ética, mas, por respeito ao eleitor, ela será conveniente, pois com a lógica, deverá ter em consideração a inteligência daqueles a quem é pedido o voto. Os políticos não devem partir da hipótese de só eles serem inteligentes, até porque muitas vezes não o são.

Ler mais...