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sábado, 26 de dezembro de 2015

BANIF E OS POLÍTICOS




Repare-se, na promiscuidade de problemas do sistema financeiro, com os nomes dos políticos que estiveram ligados aos bancos que fracassaram. Não é fantasia a frase que muito se ouve de que «os boys vão para a política com o objectivo de enriquecer ao máximo, no mais curto prazo e por qualquer forma

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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

SISTEMA FINANCEIRO, DINHEIRO, VALORTES ÉTICOS

Os problemas que, recentemente, afectaram vários bancos e, agora, tiveram ponto alto com a crise do BES, vão levar as pessoas a olhar de frente para todos os aspectos do sistema financeiro. Muita gente estará implicada e outros bancos terão problemas semelhantes embora com outra dimensão. Uma notícia diz que «o caso BES foi uma "machadada enorme" dada ao mercado de capitais e à confiança dos investidores na informação e no funcionamento do mercado».

Vai-se confirmando o apocalipse esboçado por Paulo Baldaia que poderá estar próximo.

Este país não tem solução enquanto todos os poderes pactuarem com um sistema
-que favorece o enriquecimento ilícito,
-que julga na praça pública por ser incapaz de fazer justiça nos tribunais,
-que despreza a competência e aplaude o amiguismo,
-que se mostra totalmente incapaz de promover a igualdade de oportunidades.
-que recicla os donos disto tudo mas apenas para substituir uns pelos outros.

E, depois disto, você continua a ter confiança no seu banco?
Continua a investir as suas poupanças em acções para ter melhores resultados?
Acha que a felicidade depende do volume da sua fortuna?
Não será o dinheiro a pior droga criada pelo homem quando se usa descontroladamente e com obsessão?
Não será oportuno investir algum tempo, diariamente, na meditação que conduza a rever a escala dos valores éticos, morais, no funcionamento da sociedade?

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sábado, 25 de maio de 2013

FINANCIAMENTO BANCÁRIO VS. DÍVIDA



Veja-se o que Thomas Jefferson disse sobre os bancos

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sábado, 18 de maio de 2013

THOMAS JEFFERSON SOBRE OS BANCOS


Principal redactor da Declaração de Independência em 1776, Thomas Jefferson foi o 3º Presidente dos EUA e escreveu este texto!

É um texto intemporal e que descreve de forma arrepiante o que está a acontecer com a divida soberana (237 anos depois)!

Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no Continente que os seus pais conquistaram.

Extraído do blogue O melhor e o pior

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

QUEM MANDA NO PAIS? QUEM É EXPLORADO?


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sábado, 30 de março de 2013

Dicas úteis para Reforma do Estado


Numa sociedade democrática, em que os governantes são mandatários do povo soberano, este deve fazer sentir a sua vontade e apresentar ideias e sugestões que ajudem os mandatários a melhor cumprirem as suas tarefas destinadas a melhorar o bem-estar dos mandantes.

Neste conceito as palavras ditas por D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, durante a homilia da celebração da Paixão do Senhor, devem ser tidas em consideração pelas autoridades políticas, por referirem muitos dos problemas actuais, como a preparação e capacidade dos políticos, o monopólio dos bancos, a prioridade dada a «questões sem sentido», de importância reduzida ou nula em relação aos assuntos essenciais.

Extraem-se as seguintes palavras que merecem objecto de reflecção:

Afirmou: "Porque é que nós consentimos que tantos seres humanos continuem a ser vítimas da miséria social, da violência doméstica, da escravatura laboral, do abandono familiar, do legalismo da morte, da corrupção judicial, das mortes inocentes na estrada, das mentiras dos astrólogos, do desemprego, de uma classe política incompetente e do monopólio dos bancos", afirmou o prelado.

Alertou para as consequências da austeridade: "Preocupa-me o número de suicídios que aumentam diariamente em Espanha e também entre nós, como fruto, muitas vezes, de penhoras imobiliárias e que em breve, com certeza, tudo isto se tornará ainda mais grave".

Mostrou-se apreensivo com as "depressões dos jovens portugueses, que se fecham nos seus quartos por causa do desemprego" e também com "as famílias cujo frigorífico se vai esvaziando".

E sublinha que, enquanto tudo isto acontece, "os políticos refugiam-se em questões sem sentido".

E critica o sistema dos bancos que, "depois de terem imposto a tirania dos consumos desnecessários para atingirem metas lucrativas, hoje condicionam o crédito justo às jovens famílias portuguesas, contra taxas abusivas que dificultam o acesso a uma qualidade de vida com dignidade".

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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Poupar para suportar os bancos

Transcrição de artigo que contribui para melhorar a análise possível da situação actual:

Banca rota
CM 130108. 1h00. Por: Paulo Morais, Professor Universitário

O país está falido, não há dinheiro para nada. Mas, para os bancos, os recursos continuam ilimitados. Sempre que um banco está em apuros, logo os governantes o auxiliam com os dinheiros públicos; isto apesar de o estado português se encontrar, ele próprio, em situação de pré-bancarrota.

Foi assim com o BPN. Ao longo de anos, a Sociedade Lusa de Negócios (SLN), grupo detentor do banco, realizou todo o género de negócios. Acumulou os lucros nas empresas da SLN, enquanto os prejuízos engrossavam o passivo do BPN. Em 2008, José Sócrates nacionalizou o banco, assumindo todos os seus prejuízos, mas deixou intacta a SLN. De seguida, o estado saneou as finanças do banco e vendeu-o a preço de saldo.

Triste é também a história do Millennium-BCP, entidade tomada de assalto pelo Partido Socialista no tempo de Sócrates e que, sob a gestão de Armando Vara, concedeu empréstimos sem critério e sem garantias. Está perto da falência, começa a despedir pessoal. E vem agora o estado, já em 2013, comparticipar, com apoios sociais, na operação de despedimento coletivo do banco.

A estes bancos falidos junta-se ainda o Banif, instituição cuja imagem foi profundamente afetada pelo escândalo da herança de Horácio Roque, disputada pela sua mulher Fátima, guerrilheira da Unita, e suas filhas Teresa e Cristina. Descapitalizado, sem quota de mercado, o banco vê agora os seus problemas resolvidos, pois recebe uma injeção de 1100 milhões do estado. Um absurdo!

Igualmente estranha foi a aquisição do Finibanco pelo Montepio Geral (MG). O MG, não sendo uma entidade pública, tem responsabilidades sociais óbvias, pois é a maior associação portuguesa, com cerca de 530 mil associados. Quando o Finibanco acumulava já enormes prejuízos, surge uma oportuna OPA por parte do MG. O Finibanco apresentou lucros apenas no semestre da venda, as ações valorizaram artificialmente dias antes da operação, com uma valorização de 22% em apenas três dias, inflacionando o valor da OPA em dezenas de milhões. O MG comprou muito caro o Finibanco, prejudicando os mutualistas.

Os exemplos sucedem-se de forma agonizante. Os bancos constituem autênticos sacos rotos onde são despejados, criminosamente, os escassos recursos do povo português.

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domingo, 5 de agosto de 2012

Os bancos e a sociedade

Horta Osório, o banqueiro português mais internacional, em entrevista ao Diário de Notícias diz que "Há um contrato mútuo entre a sociedade e a banca, porque a sociedade apoiou a banca e a banca agora deve apoiar a sociedade e as empresas através da concessão de crédito às empresas saudáveis e aos projetos viáveis, de maneira a estimular a economia."

Afirma que "os bancos têm que ter à frente as pessoas mais capazes, com altos valores éticos e que liderem pelo exemplo" e que, para "uma economia ser forte, tem que ter um sistema bancário que apoie com crédito as empresas e proteja os depositantes, transferindo as poupanças para bons projetos de investimento".

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Crédito, bancos e dinheiro

De «Dinheiro, a pior droga» transcreve-se:
«A pior ferramenta, nesse sentido é o DINHEIRO que foi eleito o produto final de todas as acções e ao qual toda a gente presta homenagem de maneira fanática, dependente, imperiosa. É, com defeito, a pior droga tóxica e demolidora. O ser humano despreza todos os valores morais e éticos de respeito por si e pelos outros, quando pensa no dinheiro e no poder que dele obtém. Só aspira por esse poder e nem pensa nas permanentes preocupações e servidões que ele impõe aos seus adoradores. É um deus tirano, que exige sacrifícios desmedidos e imolações da própria personalidade, demolidor dos valores que deviam nortear a s relações entre as pessoas e entre estas e a Natureza.»

Ultimamente, a esta divindade mefistofélica têm sido feitos muitos «sacrifícios» incentivados pelos bancos, com o incentivo ao consumismo, com pagamentos a prestações, ao crédito para tudo e mais alguma coisa, ao «viver acima das possibilidades». Na ânsia de lucros, os bancos têm usado slogans do género «vá para férias e pague depois». E martelam aos ouvidos dos detentores de telefone com insistência para os convencer a usar o cartão de crédito do banco Xis ou Ypsilon, etc. Com tal tipo de propaganda para aumentar os negócios e o consequente lucro, os bancos foram a principal causa da crise que está a esmagar-nos. Muitas pessoas só repararam que estavam a viver muito acima das suas possibilidades quando a rotura lhes fez abrir os olhos mas, nessa altura, já a vida se tinha transformado num drama.

Pode dizer-se que as pessoas não estavam preparadas para gerir com segurança os seus rendimentos ao ponto de não calcularem os riscos das despesas que estavam a fazer, o que é um efeito do ensino deficiente de que os políticos também padecem por não terem evitado o défice orçamental. Mas os bancos aproveitaram em seu benefício essa deficiência de informação e exploraram-na ao máximo

Em consequência disso a Deco recebeu 5700 reclamações sobre crédito à habitação até Junho e o Banco de Portugal anuncia que Incumprimento das empresas leva crédito malparado a bater novo recorde e, entretanto, surge a notícia Bancos cortam para metade financiamento às famílias o que pode traduzir uma medida sensata de reduzir os riscos mas que vem em contraciclo das afirmações do presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Faria de Oliveira, quando promete que "Bancos portugueses vão ser motor do crescimento económico".

Será bom que os bancos desempenhem tal factor de crescimento. Mas isso não se apresenta muito claro pois implica alterações estruturais nos esquemas de funcionamento da gestão financeira privada, estatal e global e, em consequência, a actuação do sistema bancário, o que não será fácil para os bancos dependentes dos seus vícios actuais!!!

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Rui Rio faz fotografia da crise

Embora nada disto seja novidade, é preciso realçar a clareza com que é dito por uma pessoa em posição que lhe dá credibilidade. Sugere-se a leitura da notícia:

Rui Rio critica a banca pelo “descalabro financeiro” do país
Público. 24.04.2012 - 21:10 Por Margarida Gomes

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, deixou nesta terça-feira bem claro que a “crise profunda” a que o país foi conduzido “não se confina ao poder político”.

“Haja frontalidade de referir que, também, a banca não se pode eximir das responsabilidades que lhe cabem no descalabro financeiro a que chegamos. A começar na incompreensível passividade do Banco de Portugal e acabar nos erros de gestão da banca comercial, cujo respeito pelo interesse do país esteve quase sempre, aquém daquele que foi a preocupação com o lucro (...)”, disse Rio.

Ao discursar no salão nobre da Câmara do Porto na cerimónia evocativa do 38º aniversário do 25 de Abril durante a qual foram distinguidas 13 personalidades (todos homens) e uma associação da cidade, Rui Rio afirmou que “as recentes notícias de que alguns bancos se têm dedicado a financiar operações de compra de acções, ou que poderão estar a aplicar os seus meios em títulos da dívida pública, comprados abaixo do par no mercado secundário, são um preocupante sinal da falta de unidade nacional de combate à crise que tantos nos angustia e tantos nos atormenta”.

Num discurso onde voltou a defender uma reforma na Justiça que, disse, “nos garanta mais transparência e mais controlo democrático”, o autarca questionou o regime, perguntando mesmo se “o regime foi capaz de travar a despesa pública e a dívida externa irresponsável que nos conduziu para a mísera situação em que nos encontramos, e que traiu de forma infame as gerações seguintes, que hoje se vêem obrigadas a e imigrar (...)” E depois aludiu à pesada austeridade que obriga a cortes salariais e potencia o aumento do desemprego, levando “a uma penosa degradação do nível de vida da sua classe média”. Mas não se ficou por aqui. Rio sublinhou que em paralelo com esta situação tem “conhecimento da existência de vencimentos exageradamente absurdos que são profundamente injustos (...)”.

Perante os sacrifícios que estão a ser pedidos, Rui enalteceu “o comportamento exemplar dos trabalhadores portugueses face às pesadas medidas de austeridade que lhes estão a ser exigidas” e criticou “muitos sectores da nossa sociedade que não se têm comportado de forma equivalente, demonstrando um egoísmo que nunca sendo saudável, neste especial momento, é particularmente grave para o futuro do país”.

Para o presidente da Câmara do Porto, “também não é suportável o país suportar a pesada austeridade a que a sua situação obriga com cortes salariais, forte aumento do desemprego e uma penosa degradação do nível de vida da sua classe média e, em paralelo, ter conhecimento da existência de vencimentos exageradamente absurdos que são profundamente injustos (...)”, declarou.

Pedindo reformas que devem de começar pela “revitalização e credibilização do poder político”, o autarca lamentou que não sejam os melhores a serem recrutados para os cargos de enorme responsabilidade e criticou “os próprios dirigentes partidários que, muitas vezes, de forma muito pouco séria, abraçam a postura demagógica, e são eles próprios que, para caírem na graça do populismo mais primário, tomam medidas de punição irracional sobre a dita classe política como quem diz: ‘são todos desonestos, menos eu, porque os castigo’”.

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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O Estado social no seu melhor !!!

A pobreza aumenta, o desemprego atingiu taxa preocupante, as pequenas e médias empresas têm fechado, as exportações estão em baixo, mas os bancos continuam a ter bons lucros. Trata-se dos lares em que se acolhem os políticos «jubilados»! Esta é uma faceta muito curiosa do tão propalado «Estado social»!


O artigo a seguir transcrito mostra números.

Dois terços da ajuda anticrise foram parar ao sector bancário
 Público. 23.12.2010 - 07:41 Por João Ramos de Almeida


Tribunal de Contas critica atrasos na aplicação do POCP.

As ajudas aprovadas em 2009 pelo Governo para combater os efeitos da crise internacional em Portugal foram absorvidas pelos bancos e pelas empresas.

Segundo o parecer do Tribunal de Contas sobre a Conta Geral do Estado desse ano, ontem divulgado, 61 por cento dos 2,2 mil milhões de euros foram para a banca, 36 por cento para as empresas e um por cento para o apoio ao emprego.

Contra a expectativa do Governo de que a crise na Europa - desencadeada em Setembro de 2008 com a falência da firma Lehman Brothers - não tocaria Portugal, a crise marcou o exercício orçamental de 2009.

O défice saltou de 2,9 por cento do PIB em 2008 para 9,3 por cento no final de 2009. Mas, desse agravamento de 6,4 pontos percentuais, apenas 22,4 por cento se deveram à aplicação das ajudas. O maior contributo veio da quebra das receitas, em resultado de uma travagem da actividade económica às quatro rodas.

Mas o Tribunal assinala, ainda assim, um conjunto de medidas com impacto na despesa e na receita. Foi o caso, entre outras, do aumento do funcionalismo em 2,9 por cento, a criação da taxa de 12,5 por cento em IRC para todas as empresas, a descida dos pagamentos por conta para as pequenas e médias empresas, o aumento de capital da CGD (mil milhões), incentivos às empresas (460 milhões), o empréstimo para as Estradas de Portugal (130 milhões) e o programa e-escolas (180 milhões).

O parecer assinala que, "embora as consequências da crise financeira internacional fossem já previsíveis no segundo semestre de 2008, o OE de 2009 perspectivou para este ano um crescimento económico de 0,6 por cento", ou seja, "apenas uma ligeira desaceleração face ao valor estimado para 2008 e um desvio muito acentuado de 3,2 pontos percentuais face ao crescimento do PIB efectivamente verificado". Sublinha ainda que, das duas alterações ao OE feitas ao longo de 2009, apenas a realizada em Dezembro - após as eleições legislativas de Setembro - assumiu os valores mais reais da quebra das receitas.

Números pouco rigorosos

Neste parecer, o TC reitera recomendações já apresentadas em pareceres anteriores, relacionadas com a falta de rigor dos números da Direcção-Geral de Orçamento.

"Não é possível confirmar o valor da receita inscrito na Conta Geral do Estado de 2009 como sendo o da receita efectivamente obtida", refere entre as principais conclusões do parecer. "A despesa fiscal continua a não ser integralmente quantificada e discriminada devido a limitações das fontes e dos sistemas de informação, pelo que o Tribunal mantém reservas quanto aos valores inscritos na Conta Geral do Estado". No final do ano, a dívida do Estado por fornecimentos de bens e serviços ascendia a 2.239,4 milhões de euros", dos quais 85 por cento no sector da Saúde.

O extenso relatório revela ainda várias situações que são sintomáticas de uma gestão menos criteriosa dos dinheiros públicos (ver caixa).

Mas a principal crítica foi para os atrasos na aplicação do Plano Oficial de Contabilidade Pública (POCP). "Em 2009, doze anos após a sua aprovação, o POCP continuou a não ser aplicado pela generalidade dos serviços integrados do Estado e por uma parte dos serviços e fundos autónomos, embora tenham continuado a ser dados alguns passos nesse sentido", escreve-se no relatório publicado ontem.

A crítica é de tal forma recorrente que o presidente do Tribunal, Guilherme d"Oliveira Martins, afirmou ontem ao presidente do Parlamento, Jaime Gama, na entrega do parecer, que, "se necessário", o TC usará dos seus poderes legais "para contribuir para acelerar o processo de aplicação do POCP" e pressionar os serviços a aplicar aquele que é tido como um instrumento "indispensável" do controlo plurianual das despesas públicas. Ou seja, vai multar os serviços.

Na verdade, o Tribunal tem condescendido com os serviços que aleguem falta de recursos ou de pessoal, como o reconheceu Oliveira Martins em conferência de imprensa. Por outro lado, a responsabilidade última dos atrasos é da empresa pública responsável pelos serviços partilhados do Estado, a GERAP, sobre a qual o Tribunal não possui qualquer jurisdição.

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sábado, 24 de julho de 2010

Cuidado com as propostas bancárias

Transcrição seguida de NOTA:

Vai um lifting?
JN. 100724. 00h31m. Por Joana Amorim

No dia seguinte à divulgação dos dados da execução orçamental no primeiro semestre deste ano - que colocam a despesa ao nível mais alto dos últimos quatro anos - Teixeira dos Santos veio defender o reforço da literacia financeira com recurso ao sistema escolar.


O que faz todo o sentido. Mas mais sentido faria se o Estado desse o exemplo, sobretudo nos tempos que correm. Vamos aos números: a despesa efectiva soma mais mil milhões e o défice engorda 462 milhões. Para quem apregoa a "instauração de bons hábitos de poupança", as contas do subsector Estado envergonham.

E se tivermos em conta que as receitas de IVA, no período em análise, aumentaram 16,3%, então o cenário fica mesmo negro. Porque prova que os portugueses continuam a viver acima das possibilidades. A comprovar está a corrida frenética à compra de carros para "contornar" a subida do IVA em um ponto percentual. As receitas do Imposto Sobre Veículos dispararam 21,3%. Mas há alguém que ache que isto faz sentido?

Dirão que o aumento do consumo é um sinal de confiança dos consumidores. Sinal de que a putativa retoma económica veio para ficar. Em Portugal não ficará, com certeza, como já o fez saber o Banco de Portugal.

A esta vontade compradora - ou devedora - dos portugueses não é alheia a agressividade do marketing da nossa Banca. Ponto prévio: os bancos existem para ganhar dinheiro, não são instituições de solidariedade social. Mas devem-se reger por valores de rigor e transparência.

Confesso que fiquei um pouco perplexa quando, por carta, o "meu" banco me "ofereceu" uns milhares de euros - com uma TAEG de cair para o lado - para, pasme-se, aceder ao mundo de beleza (vindo a oferta de um homem, até fiquei um pouco ofendida...). E quem fala de créditos para cirurgia estética fala para automóveis de alta cilindrada, plasmas e até mesmo serviços de porcelana.

É certo que o crédito é o negócio da Banca. Mas será isto moralmente aceitável? No meu caso, não percebo como é que o banco acha que tenho dinheiro para liftings e coisas que tal. Mesmo salvaguardando que o mesmo está sujeito à análise de risco de crédito. E como eu estarão milhares de portugueses. E muitos deles, como sabemos, não resistem à tentação.

NOTA: É preciso abrirmos os olhos e não cairmos nas tentações da «agressividade do marketing da nossa Banca». Devemos gerir os nossos recursos segundo o nosso critério e não cedermos aos interesses de quem nos quer sacar o sabugo, sob a capa de promessas tentadoras. «O crédito é o negócio da Banca» e, se não formos nós a pedi-lo para fazer face a uma necessidade bem pensada, se nos deixarmos ir atrás de uma promessa que não seja do nosso interesse, acabamos por ser enganados e nos arrependermos de não ter travado a tempo. O marketing funciona sempre a favor de quem o pratica e não do seu destinatário. Não faz mal ouvir, conhecer as ofertas, mas não se deve agir sem reflectir muito bem e conversar com familiares e pessoas tidas por esclarecidas, da nossa confiança.

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Anedota para descontrair

Pequeno grupo de amigos almoçava num modesto restaurante (não é o caso referido por Crespo!) e conversavam sobre assuntos diversos da vida actual.

Às tantas um disse «vejam quem adivinha qual será o substituto de Constâncio no Banco de Portugal».

Um, armado em esperto e bem informado, disse sem demora «mas não há dúvidas, já está decidido que será o Teixeira Santos».

Resposta do primeiro «estás engano, é o Manuel Pinho».

Um terceiro: «é lá possível, só se for para resolver os problemas das entidades financeiras nacionais com os apêndices laterais da testa».

O primeiro deu um argumento convincente: «não se esqueçam que ele é amigo do Sócrates e também do Chávez que o imortalizou no «Pino-Lino, Lino-Pino».

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Obama leu Thomas Jefferson?

O presidente norte-americano, Barack Obama, deseja limitar a dimensão e a actividade das instituições financeiras, segundo fonte do Governo citada pelas agências internacionais.

O presidente dos EUA começou a discutir com os seus conselheiros económicos, há cerca de dois meses, a necessidade de incluir na reforma financeira algumas disposições “mais restritivas” e “específicas” sobre a limitação da dimensão e das áreas de actividade das instituições financeiras. O objectivo é o de reduzir os custos de riscos excessivos.

Como seria de esperar não lhe faltam opositores como, por exemplo, Warren Biffett. No entanto, Presidente dos EUA vai propor ao G20 que adopte o seu novo imposto sobre a banca.

Curiosamente, já em 1802, Thomas Jefferson alertava para os perigos criados pelo poder da banca.


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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Bancos com lucros de milhões

Apesar da crise FINANCEIRA global, em Portugal os Bancos lucraram 1403 milhões até Setembro. Isto foi conseguido com redução de custos e oneração de clientes.
À cabeça, o Santander Totta foi o banco que obteve lucros mais elevados, ascendendo estes a 399,3 milhões de euros (mais 0,3% que no período homólogo).

Mas, apesar disso, ainda querem mais lucros, pretendendo criar uma taxa para a utilização do cartão multibanco.

Já há mais de dois anos nos posts Cartão multibanco explora o cidadão e Banca cria lucros explorando os clientes se alertava para as manobras tendentes ao aumento de lucros à custa dos clientes.

O cartão Multibanco é um exemplo típico da face mais exploradora das técnicas de Marketing: primeiro «impingiram» o cartão aos clientes, quase os obrigando a aceitar, porque isso iria reduzir o pessoal de atendimento ao público (diminuição de pessoal igual a redução de custos); depois de as pessoas se habituarem às vantagens do cartão apareceu a anuidade e, entretanto, para dificultar a fuga para a alternativa do cheque, aumentaram o preço deste; agora que as pessoas já aceitam a anuidade como normal, querem a taxa de utilização. E fazem tudo isto baseados na memória curta das pessoas que esquecem que o cartão apareceu para benefício do banco ao reduzir o pessoal em serviço nas agências.

E enquanto os bancos se banqueteiam com lucros de muitos milhões, continua no País muita gente com fome, muitos que eram remediados vão à sopa dos pobres, envergonhadamente, para não morrerem por desnutrição.

Já que os políticos não encaram as dificuldades crescentes que desta forma são impostas ao povo (porque delas beneficiam como têm mostrado notícias da CGD, CCP, BPN, BPP, etc.), deve cada cidadão pensar serenamente como deixar de ser explorado de forma tão sistemática e sem escrúpulos, de forma tão imune e impune, no bom estilo dos parasitas mais sugadores.

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Supervisão financeira deve ser eficaz

É da natureza humana a acomodação a rotinas, o curto olhar para o próprio umbigo, a ausência de auto-crítica e o excesso de auto-estima, principalmente quando se trata de pessoas instaladas no Poder e quando esse poder tem a maioria absoluta, geradora de autoritarismo, arrogância e teimosia do «quero, posso e mando». Nestas circunstâncias, impõe-se uma oposição esclarecida, válida, corajosa, para apontar os erros a reparar, e as soluções possíveis para evitar a sua repetição. Diz o ditado que é mais fácil ver um cisco no olho do vizinho do que um argueiro no próprio.

Goste-se ou não do estilo de Francisco Louçã, discorde-se ou não de que lhe falta serenidade e gravata para ser primeiro-ministro, o certo é que está a desempenhar com muito vigor e patriotismo o seu actual papel de oposição. Na notícia que se transcreve, vê-se que trata com muito realismo e objectividade o problema do sistema financeiro, da sua investigação, inspecção, controlo e acompanhamento e da forma simplista como o Governo se serve do dinheiro dos nossos impostos para salvar empresas privadas suprindo erros dos administradores e saltando por cima da responsabilidade dos accionistas, donos dessas empresas. O argumento tem sido que isso defende interesses dos clientes dos bancos, o que é uma falácia pois esses clientes têm sido lesados permanentemente pela ganância dos bancos que lhes impingem teimosamente soluções e facilidades que só os prejudicam mas que aumentam os lucros dos banqueiros. À frente dos banqueiros, os governos devem colocar os reais interesses dos cidadãos mais desprotegidos e que são explorados pelo capitalismo selvagem que beneficia de todos os apoios.

As críticas mais eficazes e construtivas dum sistema não vêm de dentro, mas de fora, como este caso nos mostra. Vejamos o texto.

BE propõe inquérito ao «lixo tóxico» de todos os bancos
domingo, 30 de Novembro de 2008

O Bloco de Esquerda (BE) propôs hoje a realização de um inquérito ao «lixo tóxico» de todos os bancos para determinar quanto valem as operações financeiras das instituições.

«Para definitivamente acabar com a delapidação de fundos públicos, para proteger um efeito de dominó de prejuízos atrás de prejuízos, o BE quer propor que o Governo, através do Banco de Portugal, faça um inventário do lixo tóxico nos fundos de pensões, nos fundos de investimento e nos balanços dos bancos», disse o líder do BE.

Francisco Louçã falava numa conferência de imprensa, em Lisboa, durante a qual apresentou algumas propostas de novas regras de supervisão bancária.

O inquérito proposto pelo BE destina-se a avaliar «quanto valem as operações financeiras de todos os bancos, de tal modo que sejam obrigados a corrigir os seus balanços, se necessário, em função do valor real daquilo que têm e se necessário aumentar o capital em 2009», disse.

«Se o inventário não for feito agora ele vai-nos entrar pela porta do cavalo, porque vai haver um banco atrás de outro que vai ter problemas e que vai pedir socorro ao Estado. E que em vez de actuar por via dos seus accionistas que são responsáveis pelo seu capital, vão pedir dinheiro ao Governo», afirmou o líder do BE.

«Vamos ter um Ministério das Finanças na lufa-lufa de salvar bancos atrás de bancos, sem nunca fazer perguntas. Quem especulou, quem perdeu, porque é que perdeu, onde perdeu e não é responsável pelo que perdeu? Nunca se fazem as perguntas e nunca se pedem responsabilidades a não ser ao contribuinte», acusou Francisco Louçã.

Sobre o aval financeiro pedido ao Estado pelo Banco Privado Português (BPP), que apresentou como garantias activos no valor de 500 milhões de euros, o BE propôs também a venda destas garantias.

«Das duas uma, ou essas acções e esses activos valem mesmo os 500 milhões de euros que o banco diz e servem para pagar as suas dívidas, provocadas pela sua acção, ou não valem nada e o Estado não pode aceitar uma garantia que não vale nada», declarou Louçã.

«Em última análise serão sempre os contribuintes a pagar com os seus impostos esta vertigem de operações financeiras sem nenhum sentido e pelos quais os banqueiros não são responsabilizados», acrescentou.

O líder do BE anunciou ainda a apresentação de um projecto de lei, na próxima semana, para responder à delinquência económica e financeira.

O projecto de lei «determinará a proibição de créditos a sociedades cujos donos são incógnitos ou anónimos, em offshore, determinará a obrigatoriedade do registo de operações de transferência de capital de Portugal para paraísos fiscais, determinará a tributação dos movimentos especulativos de curto prazo e agravará a pena a todos os banqueiros e administradores que contribuam para o branqueamento de capitais», anunciou.

Diário Digital / Lusa

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ex-governante a contas com a Justiça

Segundo a notícia do JN online «Oliveira e Costa já está no Tribunal de Instrução Criminal» , o ex-banqueiro e ex-presidente do BPN, suspeito de vários actos delituosos, saiu de uma das suas casas, no centro de Lisboa, pela porta da garagem, ao início da noite, escoltado por quatro agentes da autoridade em direcção ao Tribunal Central de Instrução Criminal onde será submetido a um primeiro interrogatório judicial. Foi detido após buscas feitas pelo Ministério Público, Inspecção Tributária e pela Guarda Fiscal às suas residências.

O antigo banqueiro, que dirigiu o BPN entre 1998 e 2008, foi constituído arguido, por suspeitas de burla, branqueamento de capitais e fraude fiscal. Em Fevereiro último demitiu-se, invocando razões de saúde, das funções de presidente do grupo Sociedade Lusa de Negócios/BPN que exercia desde 1998.

Este caso suscita dois tipos de comentário:

O primeiro é que ser governante ou ex-governante não é garantia de seriedade, honestidade, carácter, patriotismo, etc. Esta conclusão responde em grande parte ao espanto do Sr. Presidente da República em relação ao desinteresse dos jovens pela política. Esta não atrai pessoas que prezam os valores e princípios éticos.

O segundo comentário é positivo pois contraria o sentimento negativo reinante entre os portugueses de que em Portugal só são chamados aos tribunais os que não usam gravata! Há quem diga que o Dr. Vale Azevedo é uma excepção, havendo piores à solta. Agora este sentimento poderá ser revisto, a não ser que o crime prescreva, ou haja falta de provas, ou se houver condenação esta seja com pena suspensa como um caso recente, com um político de autarquia. O futuro dirá.

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sábado, 1 de novembro de 2008

A crise financeira global

Encontramo-nos numa crise, complexa, sem previsões seguras do momento em que se iniciará a recuperação. Mas convém sermos esclarecidos o melhor possível dos factores ligados ao fenômeno. O texto que transcrevemos (em português do Brasil) será mais uma achega para tentar compreender a crise financeira global.

Será que a crise vai derrubar o Sistema Financeiro Global? Vá pegar seus dólares agora! RÁPIDO!!!
Oct 13th, 2008 | By asalbuchi | Category: Portuguese
(Global Research (Canada), 6 de outubro de 2008)

Os acontecimentos das últimas duas semanas mostraram claramente que o sistema financeiro, monetário e bancário global, imposto ao mundo pelas estruturas de poder promotoras da “globalização”, é fundamentalmente inconsistente, inviável e imoral quanto a seus efeitos sobre a maior parte da humanidade. Após permitir que uma pequena cabala de figuras sombrias acumulasse vastas quantidades de riqueza e poder sobre mercados, sociedades anónimas, ramos de atividade económica, meios de comunicação, forças armadas e nações inteiras, ele encontra-se agora em queda livre, ruindo sobre si mesmo, numa maciça implosão, tal qual as torres gêmeas do onze de Setembro.

Esse malévolo e injusto Sistema Global de Poder foi concebido e implementado durante as últimas sete décadas pelos planejadores estratégicos da geopolítica e da geoeconomia, a serviço das estruturas de poder da Nova Ordem Mundial, mais notavelmente pela sua rede de discretos e silenciosos, porém altamente influentes institutos privados de pesquisas, tais como o Conselho de Relações Exteriores (CFR, Council on Foreign Relations) fundado em Nova Iorque em 1919, a Comissão Trilateral (fundada em 1973), a Conferência Bilderberg (formada na Holanda em 1954) e outros como o Cato Institute, o Instituto Empresarial Americano (AEI, American Enterprise Institute), sem esquecer o notório Projeto para um Novo Século Americano (PNAC, Project for a New American Century)(1).

Considerando a enorme complexidade do processo que está a se desenrolar no momento; a vasta quantidade de informações com que nos bombardeiam a cada minuto do dia e a aparente dificuldade de antever de que maneira esta crise global será ultimamente resolvida, somos tentados a resumir alguns aspectos importantes e dados cruciais, os quais cremos, nos auxiliarão a montar esse verdadeiro quebra-cabeças, de modo a melhor compreender as múltiplas dimensões da horrenda criatura que eufemisticamente viemos a denominar como “globalização”. Como cidadãos argentinos, possuimos uma enorme vantagem sobre outros povos, incluindo aí os cidadãos americanos, quando a questão é compreender e lidar com este tipo de crise. Digo isso porque em nossas existências já passamos na Argentina por tudo o que agora ocorre globalmente – muito embora, em nosso caso, numa escala bem mais reduzida. Já vimos esse filme…somos putas velhas e de carteirinha… Fomos empurrados e arrastados através de toda a histérica manipulação da inflação, da híper-inflação, colapsos bancários sistêmicos, mudanças de moedas, permutações de títulos de obrigações da dívida pública (Debt Bond Swaps), mega-permutações de títulos da dívida, “blindagens” financeiras, feriados bancários, congelamento de contas bancárias, etc., etc…Como também sentimos na pele os resultados: salvamentos bancários pagos pelos contribuintes (ou por meio da inflação ou do confisco das poupanças), sumiço dos fundos de pensão, destruição de postos de trabalho e empobrecimento generalizado da população.

Vá por nós, temos trinta anos de vivência em matéria de “colapsos financeiros”: TIRE OS DÓLARES QUE VOCÊ TEM NO BANCO JÁ. E SEJA RÁPIDO!!!!

Um Modelo Furado. Finança versus Economia

O sistema financeiro (ou seja, basicamente o “país das maravilhas” virtual, irreal e parasitário da banca) foi concebido para funcionar de modo crescentemente contrário aos interesses da Economia (ou seja, o mundo real da produção concreta, do trabalho e dos produtos/serviços). Em décadas recentes, a Finança e a Economia vêm tomando caminhos cada vez mais divergentes, deixando de manter a ponderação essencial e o equilíbrio necesários para assegurar a atividade econômica saudável, centrada no atendimento ao Bem Comum da Sociedade. Na verdade, hoje em dia a Finança e a Economia se tornaram quase completamente inimigas entre si. Isto pode ser constatado, por exemplo, pelo fato que o atual Sistema Econômico e Financeiro Global está quase inteiramente assentado sobre o conceito de ENDIVIDAMENTO, o que não passa de outra maneira de dizer que a Economia Real está sempre controlada e subalterna aos interesses, caprichos e crises da Finança Virtual.

O Sistema de Endividamento

A Doutrina (ou, deveríamos dizer, o Dogma) do Capitalismo Radical acabou por impor o conceito de ENDIVIDAMENTO como o meio preferencial de movimentar a economia. Na maioria dos países (Argentina, por exemplo) isso significa que não há uso adequado da Moeda Nacional local para gerar crédito de uma maneira controlada e sem criar juro. Esta é a melhor maneira de alimentar a expansão econômica para o desenvolvimento específico do social, da defesa, da infra-estrutura e da tecnologia, com o foco sempre centrado no Bem Comum e no atendimento prioritário do Interesse Nacional. Um dos dogmas centrais do Capitalismo Radical afirma que os bancos centrais que controlam a moeda nacional devem ser totalmente “independentes” do Governo. Contudo, desde que tais instituições devem ultimamente responder a alguém, em algum lugar, somos obrigados a concluir que hoje em dia os bancos centrais são subordinados e subservientes não ao Estado (ou seja, à Sociedade), mas sim à superestrutura da banca privada , tanto a nível local, como a nível global, que, naturalmente, põe quase totalmente de lado, o conjunto dos conceitos de Bem Comum e Interesse Nacional.

É assim na Argentina, bem como em outros países. Todavia, no caso dos Estados Unidos isto assume um caráter particularmente radical, pois seu banco central – o Federal Reserve Bank (FED) – não passa de uma instituição praticamente privada, com quase 97% de sua singular estrutura acionária nas mãos da própria banca privada, tanto no contexto doméstico (numa primeira instância) como no global (se nos dermos ao trabalho de observar mais além). Uma vez que a superestrutura da banca privada assume o controle de um determinado banco central, ela automaticamente adquire o poder de impor uma crônica e freqüentemente drástica sub-monetização da Economia.

Isto significa que nunca há dinheiro bastante para satisfazer as verdadeiras necessidades da Economia Real. É quando os bancos privados entram em cena se oferecendo para fechar aquele “hiato” artificialmente criado, tornando-se os principais geradores de crédito da economia, pelo qual eles cobram juro – freqüentemente a taxas usurárias – para empréstimos feitos às empresas, indivíduos e até ao próprio Estado. Deveríamos entender também que a principal fonte de inflação em todas as economias se encontra nem tanto na expansão monetária conduzida pelo Estado (desde que a mesma obedeça rigorosamente a proporção do verdadeiro crescimento econômico), mas, ao invés, que a maior parte da inflação de qualquer economia é alimentada pelos empréstimos que cobram juro, feitos pelo setor bancário privado.

A nível geoeconômico (2), isso tem servido para gerar uma gigantesca dívida pública nos países do Terceiro Mundo como a Argentina, alimentada pela corrupção sem freios entre os indivíduos envolvidos no processo de conceder e tomar empréstimos e com o apoio dos Governos que nunca parecem compreender como por em prática suas funções soberanas, inerentes a seus poderes de emitir moeda e promover o crescimento econômico ponderado. Contrariamente, esses países adotam políticas neoliberais concebidas pelo FMI em questões da mais alta relevância, que vão das funções do banco central, políticas fiscais, de endividamento, taxas de juro e de câmbio até a regulamentação bancária e outros fatores-chave, os quais foram todos desfigurados a tal ponto, que eles se posicionam contra o Interesse Nacional do país.

O Sistema de Reserva Bancária Fracionária

Este é um conceito bancário universalmente aplicável no mercado global dos dias de hoje, o qual permite que a infraestrutura da banca privada crie literalmente “Dinheiro Virtual” a partir de ar rarefeito (ou seja, linhas de crédito eletrônicas, empréstimos e coisas do gênero) na proporção de 6, 10, 30 ou 50 vezes mais que a Moeda Sonante que realmente está nos cofres das instituições bancárias.

Como se não bastasse, os bancos ainda lhe impingem pesadas taxas de juros pelo “dinheiro” que eles criaram a partir do nada e lhe “emprestaram”, exigindo também garantias tangíveis tais como a sua casa, seu carro ou sua empresa. A proporção entre a quantidade de dólares ou pesos em seus cofres e a quantidade de crédito que eles podem gerar é determinada pelo banco central local (lembrando: controlado pelos próprios bancos privados) é chamada de piso de reservas monetárias sob o Sistema de Reserva Bancária Fracionária e reflete uma estimativa estatística de qual porção dos depositantes irá sacar seus fundos em espécie. O problema é que o conceito de “normal”é basicamente um fator psicológico grupal ou coletivo, intimamente ligado à percepção que os depositantes têm em relação ao sistema financeiro em geral e em relação aos bancos individuais em particular. Quando chegam tempos “anormais” – e, meu caro, como eles estão a chegar neste momento!! – as pessoas tendem a ser tomadas simultaneamente pelo pânico, exigindo que possam sacar seu dinheiro, não como sinais eletrônicos no caixa automático, mas como dinheiro vivo.

Aquele foi o momento em que descobrimos que a quantidade de Moeda Real em cada cofre bancário não era suficiente para pagar todos os depositantes, exceto um punhado (normalmente insiders privilegiados que “anteviram tudo aquilo que estava para chegar”). Para o resto de nós, nada havia sido deixado e o sistema bancário entrou em colapso. Isto é quando, nos Estados Unidos, por exemplo, excetuando-se quaisquer salvamentos financiados pelos contribuintes, a Sociedade Federal Seguradora de Depósitos (FDIC, Federal Deposit Insurance Corporation) indeniza até valores de 100.000 dólares ou, na Argentina, é quando todos percebemos que acabamos de ser completamente surripiados e saímos às ruas a inutilmente bater nossas panelas e caçarolas nas monumentais portas de aço dos bancos, as quais haviam sido convenientemente lacradas na noite anterior… Tudo graças ao fraudulento Sistema de Reserva Bancária Fracionária. Isto foi o que aconteceu na Argentina em 2001 e é o que pode acontecer neste instante nos Estados Unidos.

Banca de Investimento

Nos Estados Unidos, aos bancos comerciais ou main street banks, como o Bank of America, JP Morgan ou CitiGroup, é permitido gerar de 8 a 10 Dólares “Virtuais” – isto é, fajutos – para cada Dólar de Verdade que eles tenham em seus cofres. Esse esquema é controlado pelas autoridades, ou seja, o FED e pelo Gestor da Moeda. Entretanto, os assim chamados “bancos de investimento” nos Estados Unidos e alhures, estão isentos de prestar contas ; são eles que fazem os Mega-Empréstimos às Sociedades Anônimas, ao Governo Americano e a Governos estrangeiros, como o da Argentina, razão pela qual eles são muito menos controlados e regulamentados. Isso implica que para cada Dólar Real em sua posse, tais bancos de investimento podem gerar 26 Dólares “virtuais”(Goldman Sachs), 30 Dólares “virtuais” (Morgan Stanley), mais de 60 (Merril Lynch, antes de estourar) ou mais de 100 nos casos do Bear Stearns e do Lehman Brothers.(3)

Sistema de Canalização e Transferência

Outro fator-chave reside na maneira pela qual o sistema financeiro global acabou por estruturar canais para aduzir ganhos e transferir todas as perdas para terceiros através do sistema como um todo. O efeito disso é que em tempos de grande crescimento e de lucros gigantescos (vale dizer, quando o sistema como um todo cresce) há estabilidade e luz verde para a criação de muitos trilhões de dólares a partir de ar rarefeito. É o momento no qual os lucros são convenientemente privatizados, ou seja, eles fluem naturalmente para os bolsos dos acionistas, especuladores, dirigentes, chefias executivas, a alta administração, “investidores” e outros grandes possuidores de ativos nas instituições financeiras e na infraestrutura corporativa. Mas quando o sistema repentinamente se contrai e entra em parafuso descontroladamente – como está a acontecer agora –, convenientemente acionam-se mecanismos de socialização de todas as perdas através de salvamentos financiados pelo Estado, empréstimos especiais, aquisições financiadas pelo FED por meio de “veículos” específicos como o JPMorgan, CitiCorp e Bank of America, de tal modo que sejam as populações como um todo, tanto a do país, como as do exterior aqueles que vão, ao fim e ao cabo, pagar a conta, através de fenômenos tais como inflação, hiperinflação (que nós argentinos conhecemos tão bem!!), colapsos bancários, aumento de impostos, calotes em dívidas, estatizações, etc.). Os 4 pilares do Modelo de Capitalismo Radical – Em resumo, os fatores-chave acima descritos, no longo prazo funcionam todos conjuntamente de uma maneira coordenada, consistente e sincronizada, o que significa que, mesmo se no curto e no médio prazos ocorrem espasmos de altos lucros onde o dinheiro é jogado de um canto a outro em grande estilo, no longo prazo, o sistema como um todo não segue a mesma lógica. É quando você dá de cara com desmoronamentos financeiros como os de agora. Geralmente, eles são explicados de maneira mais ou menos convincente pelos gurus econômicos bem remunerados, que escrevem textos altamente complexos, – a ponto de fazer doer o cérebro de quem os lê – no Wall Street Journal, no Financial Times e no New York Times, nos dizendo que tudo faz parte d’ “o ciclo econômico”. Na maioria das vezes, eles conseguiam isolar pedaços daquelas fases de baixa do ciclo e localizá-las no tempo e no espaço, de modo a afetar apenas um ou outro mercado emergente…

Como a Argentina em 2001, o Brasil em 1999 ou o México em 1997. Em suma, estes quatro pilares são:

1. Insuficiência Monetária Programada – Gerada artificialmente por um banco central “independente”, controlado pela superestrutura local e global das instituições da banca privada;

2. A banca privada baseada em Reservas Fracionárias – Enquanto sistema, isto permite aos bancos criar dinheiro a partir de ar rarefeito, cobrando juro pelo mesmo – e gerando enormes lucros para “investidores” e credores;

3. Endividamento – Este é o conceito-chave que “alimenta” as economias públicas e privadas substituindo o conceito economicamente muito mais sólido de reinvestir os lucros da empresa e promover uma cultura que valorize a poupança. Aqueles que se beneficiam da desnecessária criação de endividamento precisam promover e instigar a ganância e um consumismo ferozmente indisciplinado no publico em geral e em todos os países – o que se casa muito bem com a completa rejeição do próprio conceito de poupança e/ou de fazer um pé de meia para melhor enfrentar as adversidades. (4)

4. Privatizar Ganhos/ Socializar Perdas – Como mecanismo de canalização e transferência para os diversos estágios dos “ciclos” recorrentes. Assim, quando eles atingirem o estágio onde o colapso é inevitável, sempre haverá de se encontrar um jeito de fazer a população como um todo pagar a conta.

Informações e Conceitos Fundamentais

Um breve sumário dos principais eventos deste ano conduzindo à presente crise terminal do sistema financeiro global pode ser extremamente esclarecedora e reveladora:

Janeiro de 2008: O banco Countrywide Financial quebra (ativos avaliados em 172 bilhões de dólares).

Março de 2008: O banco de investimentos Bear Stearns (ativos avaliados em 399 bilhões de dólares) quebra e é comprado pelo JPMorgan Chase por meio de uma linha de crédito de 30 bilhões de dólares, financiada pelo FED. Em 7 de março, o FED oferta até 200 bilhões de dólares em empréstimos de 28 dias aos bancos e instituições financeiras. Em 11 de março, o FED oferta até 200 bilhões de dólares em Letras do Tesouro Americano em troca de de títulos privados lastreados em hipotecas. Em 21 de março, o Banco Central Europeu oferta até 24 bilhões em empréstimos para ajudar os bancos a escorar seus balanços. O Banco di Inglaterra, por seu turno, oferta até 10 bilhões em empréstimos.

Abril de 2008: o banco comercial IndyMac Bancorp quebra (ativos avaliados em 32,3 bilhões). O banco alemão Düsseldorfer Hypotheken Bank (ativos avaliados em 42,5 bilhões) quebra.

Julho de 2008: o banco britânicoAlliance & Leicester (ativos avaliados em 153,4 bilhões). O banco dinamarquês Roskilde Bank (ativos avaliados em 7,9 bilhões) quebra.
7 de setembro de 2008: as duas maiores agências hipotecárias americanas – Freddie Mac (ativos avaliados em 879 bilhões) e Fannie Mae (ativos avaliados em 885,9 bilhões) são encampados pelo FED, a um custo imediato de 200 bilhões de dólares e o governo americano agora é o gestor de suas dívidas conjuntas de 5,4 trilhões de dólares.

15 de setembro de 2008: o quarto maior banco de investimentos dos EUA, o Lehman Brothers (ativos avaliados em 966,2 bilhões de dólares) quebra. Simultaneamente, o banco de investimentos Merril Lynch (ativos avaliados em 639,4 bilhões de dólares) é salvo pelo Bank of America a um custo de 50 bilhões (extra-oficialmente financiado pelo FED, considerando-se que o Bank of America não tinha fundos para uma aquisição desse porte).
16 de setembro de 2008: os bancos centrais dos Estados Unidos, da União Européia, do Japão, da Suíça e do Canadá mobilizam um fundo de emergência para o swap de divisas no valor de 180 bilhões de dólares.

17 de setembro de 2008: a maior seguradora dos Estados Unidos e do mundo, a American International Group (AIG) (ativos avaliados em 1,050 trilhões) foi estatizada em 80% pelo FED a um custo de 85 de bilhões de dólares. A decisão de resgatar essa seguradora (que deveria ter sido tomada pelos representantes do Estado Americano (State Insurance Comission) e não pelo FED) reside no fato de que ela teria arrastado para o buraco bancos tais como o Goldman Sachs. Isso explica por que o presidente executivo do Goldman, Lloyd C. Blankfein, foi o único banqueiro de Wall Street convidado a participar das discussões de salvamento de última hora, coordenadas pelo governador do FED Bernard B. Bernanke e pelo Secretário do Tesouro Americano Henry Paulson. Em tempo, antes de se tornar Secretário do Tesouro de George W. Bush em junho de 2006, Paulson foi presidente executivo do Goldman Sachs, quando transferiu seu posto para Blankfein.

17 de setembro de 2008: Henry Paulson, Bernard Shalom Bernanke e Christopher Cox (presidente da Comissão de Títulos e Valores Mobiliários (Securities & Exchange Comission – SEC) submeteram ao Congresso um Plano Emergencial de Salvamento, contendo 3 páginas (ao estilo da “blindagem financeira” argentina em dezembro de 2000, a qual limpou o caminho para a quebradeira geral de 2001), a um custo de 700 bilhões de dólares, no intuito de estancar mais quebras bancárias e financeiras nos Estados Unidos e no resto de mundo. A urgência da matéria poderia ser lida nos rostos lívidos de pânico até que o projeto caiu pela primeira vez na Câmara dos Deputados, quando foi rejeitado em 22 de setembro de 2008. Daí então, o projeto de três páginas engordou tanto até que virou um dossiê de 450 páginas, agora aprovado pelo Senado e sendo submetido novamente à Câmara (NT – foi finalmente aprovado em 3 de outubro de 2008, por ampla maioria).

Paulson e Bernanke querem “superpoderes” do Congresso Americano, parecidos com aqueles que o ex-Ministro da Fazenda da Argentina, Domingo Cavallo conseguiu arrancar do Congresso argentino em 2001, os quais acabaram levando ao colapso total. Em diversas declarações, o presidente George W. Bush não se cansou de salientar a situação periclitante dessa “emergência nacional”. Quando questionado sobre como se chegou ao valor de 700 bilhões de dólares, Bernanke disse que isso representaria 5% (!!!) do valor das hipotecas podres. Analistas independentes, todavia, consideram que esses 5% são insuficientes para cobrir todos os salvamentos e que devemos considerar 10, 15 ou 20 por cento de hipotecas podres, as quais elevariam os valores do salvamento a alturas inimagináveis. A rejeição do plano de salvamento na “segunda-feira negra” fez com que o índice Dow Jones despencasse 778 pontos (mais de 7%) e a uma queda de 16% para as instituições financeiras. Não é de se surpreender que a a edição de 21 de setembro do jornal londrino “The Daily Telegraph” tenha destacado que o governo americano poderia até dar um calote em sua dívida de 13,5 trilhões de dólares a qualquer momento.

Os dois bancos de investimento restantes ainda considerados “saudáveis” – Goldman Sachs e Morgan Stanley – decidiram voluntariamente se transformar em bancos comerciais e assim serem submetidos a um escrutínio regulatório mais rígido. Isso significa que eles terão que reduzir suas carteiras de empréstimos – as quais eles inflaram desmedidamente através do empréstimo fracionário, conforme o descrito acima – de maneira muito rápida e ordenada. Nesse meio tempo – e numa medida emergencial transitória – o financista Warren Buffet comprou uma posição de 5 bilhões de dólares no Goldman Sachs para ajudá-lo a se tornar “mais saudável”, uma clara indicação de como a coisa está feia.

22 de setembro de 2008: Após um estranho período de silêncio em relação à sua situação como grande banco, o CitiGroup finalmente resolveu mostrar a cara, ajudando na engenharia financeira de dois salvamentos bancários: o Washington Mutual Savings & Loans (a maior caderneta de poupança dos Estados Unidos, com ativos avaliados em 309,7 bilhões de dólares) e o Wachovia Bank (ativos avaliados em 812,4 bilhões), muito embora o Wachovia esteja vacilante, dando a entender que poderia fazer negócio com o banco Wells Fargo.

De 22 a 30 de setembro de 2008: O contágio atravessa o Atlântico, jogando a Europa numa crise bancária de efeito dominó:
O conglomerado bancário e de seguros franco-belga Fortis, com ativos avaliados em 1.533 bilhões de dólares, foi salvo pelos governos da Bélgica, Holanda e Luxemburgo. O Bradford & Bigley (uma das maiores cadernetas de poupança da Grã-Bretanha) foi salvo pelo grupo espanhol Santander a um custo de 30 bilhões de dólares; ativos: 104 bilhões. O Hypo Real Estate AG (um banco alemão salvo pelo governo a um custo de 50 bilhões de dólares, com ativos de 622,2 bilhões), o Dexia (outro banco franco-belga resgatado pelos respectivos governos – preço da brincadeira: 9,2 bilhões de dólares – ativos de 913 bilhões),o Glitnir (um dos principais bancos da Islândia, foi estatizado em 75%, ao custo de 900 bilhões de dólares; ativos de 48,9 bilhões de dólares). Claramente, tais somas são realmente de dar medo, na medida em que, em seu conjunto, elas ultrapassam o PIB americano, o que dá uma amostra do que ainda está por vir, levando-se em conta os rumores continuados de mais quebras bancárias em ambos os lados do Atlântico: o UniCredit, um banco italiano com filiais em toda a Europa, que é dono do banco alemão HypoVereinsbank e do Bank Áustria.

O UBS com sede em Zurique, na Suíça mais o National City Corporation, o Downey Financial Corporation e o Sovereign Bancorp dos Estados Unidos, além de outros bancos, possuem alta exposição a títulos hipotecários “tóxicos”, só para usar o termo encantador inventado por Bernanke no FED… E, por último, a imprensa e os analistas internacionais continuam a insistir que a conta desses salvamentos será paga pelos “contribuintes americanos” através de futuros aumentos dos impostos. A pura verdade, para quem conhece bem os Estados Unidos, é que a maioria desses salvamentos será mesmo paga pela emissão ainda mais descontrolada de moeda pelo FED, a qual vai erodir ainda mais o valor do dólar. Em suma, o custo do desastre haverá de ser pago, pelo mundo afora, pelas empresas, governos e indivíduos possuidores de ativos denominados em dólar e não apenas pelo “contribuinte americano”.

Cenários Plausíveis

A crise que está a afetar o sistema financeiro global, assentado na especulação parasitária e na usura, é de natureza terminal. Ela já não pode mais ser resolvida através de medidas e instrumentos de cunho puramente financeiro e monetário. Se as autoridades americanas se concentrarem somente em tais tipos de medidas, então deve-se esperar o colapso como certo e inevitável.

Uma perspectiva mais pragmática das estruturas do poder global e americano, contudo, indica que os Estados Unidos não vão ficar simplesmente assistindo a própria casa ruir, permitindo passivamente seu desaparecimento enquanto superpotência global. Os Estados Unidos não são de apagar as luzes e ir para casa, como fez a Nomenklatura Soviética no início dos anos noventa. Não senhor. Eles antes vão armar o maior barraco no cenário internacional!!! E isso é um problema para todos os povos do mundo, assim como para o próprio povo americano.

Neste sentido, elaboramos vários cenários, dos quais destacamos três claramente definidos, cujos planos de ação devem, indubitavelmente, ser acionados alternativamente para enfrentar as crises que se avolumam:

Plano A (lidando com uma crise de relativa baixa intensidade através de medidas essencialmente financeiras)

Este enfoque visualiza rodadas ininterruptas de negociação entre o FED, o Departamento do Tesouro, o Congresso, os principais bancos privados mais os bancos centrais da Europa e da Ásia, com o objetivo de implementar medidas ainda mais avançadas para estancar “buracos negros” e mais quebradeira bancária, sem esquecer de se fazer lobby continuado sobre o Congresso e alhures para se obter outros planos de salvamento de 700 bilhões de dólares. Isso servirá para controlar a crise nos dias e semanas vindouros, ao ajudar os bancos problemáticos, inclusive aqueles de médio porte, além de bancos estrangeiros operando nos Estados Unidos (vale dizer, os seus HSBCs, Barclays, Deutsche Banks, além de outros) e, o que é mais importante, o que sobrou dos principais mega-bancos como o Goldman Sachs, o JPMorgan Chase e o CitiGroup. O efeito imediato disso será uma drástica e profunda administração da crise através de medidas financeiras e monetárias. Ao mesmo tempo, novas regras do jogo serão negociadas em Wall Street e Washington. O resultado prático será uma maciça transferência de riqueza dos pequenos investidores, fundos de pensão, pequenos acionistas, etc., para as burras da costumeira cabala de banqueiros, investidores institucionais, especuladores e parasitas financeiros.

Plano B (lidando com uma crise de média intensidade através de medidas financeiras e monetárias)

Se o Congresso não aprovar o plano de salvamento ou limitá-lo significativamente, ou até se o Congresso aprová-lo, mas se ele mostrar-se insuficiente nos dias e semanas que se seguirão, com outro espasmo de quebradeiras entre grandes bancos e seguradoras, então o governo americano – ou seja, o FED e o Departamento do Tesouro – poderia muito bem declarar estado de “Emergência Econômica Nacional” e introduzir uma moeda totalmente nova.

Não, não o “Amero”, o qual não passa de rumor a servir de cortina de fumaça, mas, ao invés, algo muito mais direto ao assunto: um “Novo Dólar”, que ao contrário do atual dólar desvalorizado, seria lastreado em ouro. Contudo, não qualquer ouro: poderia ser ouro metálico 9999, com algum tipo de fator de segurança 100% à prova de burla – ou seja, tanto poderia ser um chip embutido, como um holograma, que o transformaria em “Ouro da Reserva Global”, ou ouro “sagrado”, financeiramente falando – o qual poderia valer, talvez, dez vezes mais que o ouro normal “profano”. Simultaneamente, um feriado bancário prolongado poderá ser declarado para implementar a troca das moedas (tal como aconteceu na Argentina por diversas vezes durante a história recente, especialmente quando o presidente Alfonsín introduziu o “Austral” no lugar do desprestigiado peso).

A transição para a nova moeda será em termos altamente favoráveis àqueles bancos, empresas, cidadãos, aliados e outros “aliados e amigos preferenciais” dos Estados Unidos, os quais conseguirão trocar seus dólares “velhos” por novos na base de um por um. Em seguida, virão certos poderosos possuidores de instrumentos denominados em dólar – dinheiro vivo, Letras e Títulos do Tesouro Americano e coisas do gênero –, aos quais serão concedidas regalias preferenciais, com base em interesses geopolíticos e geoeconômicos específicos dos Estados Unidos, tais como, os governos e interesses da União Européia, do Japão, talvez da China, bem como instituições específicas e corporações globais aos quais será permitido trocar seus velhos dólares por Novos Dólares a taxas de câmbio aceitáveis de 2, 3 ou 4 por um.

Para o resto dos possuidores de dólares – isto é, vastos números de investidores privados de todos os cantos do mundo, em países da América Latina, da Europa Central, do Mundo Muçulmano, da África, etc. –, o governo americano simplesmente dirá que seus respectivos mercados locais é que precisarão determinar quantos dólares velhos comprarão um Novo Dólar e que isso será dado pelas forças de mercado a ditar a relação entre oferta e demanda. Poderemos, então, ver cambistas de todos os matizes e portes oferecendo um Novo Dólar por 8, 10 ou 20 dos velhos nas mãos das massas desesperadas, tentando se livrar daqueles pedaços amarfanhados de papel verde valendo cada vez menos. (5)

O efeito imediato disso seria um alargamento ainda maior da socialização das perdas bancárias americanas em mercados emergentes e economias mais fracas fora da órbita dos interesses americanos mais sensíveis (isto é, o Novo Dólar permitiria aos banqueiros exportar seletivamente a corrosão inflacionária da moeda americana em direção a regiões e segmentos específicos do mundo).

Plano C (lidando com uma crise de elevada intensidade através de medidas geopolíticas e militares)

Se as autoridades americanas não puderem resolver a crise através de instrumentos financeiros, monetários e de medidas econômicas e se crescentes violência social e insegurança política internas ameaçarem afetar os Estados Unidos e seus principais aliados, então o esforço de neutralização da crise poderá entrar em modo geopolítico e militar. Se um feriado bancário prolongado tiver que ser implementado ainda durante a administração Bush, congelando contas bancárias, depósitos e caixas eletrônicos (tal como durante o período do corralito – isto é, o “chiqueirinho” – que marcou o sofrimento argentino a partir de dezembro de 2001, trazendo dificuldades inimagináveis para o país), este poderá acarretar como desdobramento, o “chute no tabuleiro do xadrez mundial”, na tentativa de resolução do problema no cenário geopolítico internacional.

O significado disso é um aumento do conflito como um todo, abarcando as dimensões política, diplomática e militar, dando início a uma guerra global generalizada, a qual, os cabeças da Nova Ordem Mundial parecem acreditar, os permitirá mobilizar vastos recursos para a guerra, tirando o foco da crise financeira corrente. Isso acarretará em imposição de limites estritos sobre todas as liberdades civis nos Estados Unidos e em outros lugares. E mesmo a suspensão da Constituição (que nós argentinos seguramente também conhecemos muito a respeito).

A “Segurança Nacional” será invocada a pretexto de que estaríamos passando por um grave momento de emergência interna e será a justificativa para invasões unilaterais de países e regiões em diversas partes do mundo. Em resumo, a mobilização do país e de seus aliados e seus recursos materiais, enquanto a psique coletiva é manipulada na suposta necessidade de “defender” o país contra “inimigos” não muito claramente definidos (novas ou velhas organizações terroristas convenientemente demonizadas). Um dos resultados almejados seria reestabelecer a economia e o sistema financeiro ligando-o diretamente a um complexo industrial-militar mais intensificado, onde os Estados Unidos não teriam rival – guerras no estrangeiro são sempre convenientes para se desviar a atenção dos problemas internos.

O efeito imediato disso, muito plausivelmente, consistiria num ataque unilateral ao Irã com o pretexto de destruir seu programa nuclear, que seria provavelmente iniciado por Israel às instalacões nucleares iranianas, uma vez que os israelenses recebam o sinal verde de Washington. Isso rapidamente traria os Estados Unidos à guerra, com conseqüências incalculáveis. Pior ainda, poderemos testemunhar um mega-ataque de Bandeira Falsa cuidadosamente orquestrado (isto é, um ataque organizado ou incentivado pelas próprias estruturas de poder da Nova Ordem Mundial, com o intuito de colocar a culpa no Irã ou em organizações islâmicas, ou seja lá em quem for, só para usar o incidente como pretexto para um ataque unilateral ao Irã, à Síria e a outros).

Tal ataque de Bandeira Falsa poderia acontecer em solo americano ou contra interesses americanos em qualquer parte do mundo ou até contra aqueles de aliados-chave dos Estados Unidos e faria o Onze de Setembro parecer uma simples fogueira de acampamento em comparação. Os meios de comunicação da Nova Ordem Mundial assegurariam que a opinião pública global acreditasse qie o Irã em particular e o mundo muçulmano como um todo seriam os responsáveis por um ataque desse gênero e portanto haveria a justificativa de toda uma série de “contra-ataques”, invasões e guerras. Sem dúvida, a Rússia também seria envolvida, causando estragos por toda a Europa Central e enfraquecendo a União Européia.

Uma guerra generalizada no Oriente Médio seria pretexto suficiente para promulgar legislação para liberar totalmente a exploração das reservas petrolíferas do Alasca, justificar a invasão dos campos petrolíferos da Venezuela, militarizar a plataforma continental do Atântico Sul nas regiões marítimas brasileiras e argentinas, onde vastos depósitos de petróleo jazem inexplorados e onde a Quarta Frota da marinha americana já se encontra operando, entre tantas outras coisas. A China, a Índia e o Paquistão terão indubitavelmente papéis importantes a desempenhar e se forem usados artefatos nucleares táticos, então isso poderia se tranformar verdadeiramente numa guerra nuclear mundial, que ninguém sabe como continuará e terminará.

Este sumário meramente levanta algumas informações, padrões e conclusões que ajudam a salientar o momento extremamente grave por qual passa o conjunto da humanidade. Seu resultado afetará o mundo todo. Oferecemos estas idéias como um tipo de exercício de Gerenciamento de Risco Global, na esperança que sirvam como marco inicial para promover melhores e maiores exercícios de planejamento estratégico entre as organizações públicas e privadas da Argentina e de outros lugares.
Muito embora a extremamente medíocre classe dominante da Argentina – tanto no Governo, como na assim chamada ‘Oposição” – dificilmente compreenda ou seja capaz de realmente avaliar o verdadeiro significado daquilo que está acontecendo no mundo, a verdade é que esta crise abre incríveis novas perspectivas para a Argentina e para nossa região. Teríamos a oportunidade de dar um “Salto Quântico” sem precedentes. Todavia, a fim de tirar vantagem dessas oportunidades, precisamos compreender como as estruturas de poder da Nova Ordem Mundial realmente funcionam, naquilo que se refere às suas dinâmicas políticas, econômicas, financeiras e monetárias, bem como seus objetivos e métodos. Não pouparemos esforços para que a opinião pública da Argentina se intere de tudo isto da maneira mais rápida possível; daí a urgência do assunto.

De qualquer modo, os dias e semanas vindouros serão extremamente transcendentais para toda a humanidade. Convido-os a ficar muito alertas…

Notas

(1) Já descrevemos exaustivamente como as estruturas privadas de poder global realmente operam em vários livros e um artigo, com destaque para o abrangente livro de 472 páginas “El cerebro del mundo: la cara oculta de la globalización” (Ediciones del Copista, Córdoba, 2003, quarta edição) e em “Bienvenidos a la jungla: dominio e supervivencia en el Nuevo Orden Mundial” (Editorial Anábasis, Córdoba, 2005). Existe uma sinopse em língua inglesa do primeiro – “The World`s Mastermind: the Hidden Face of Globalization”, à disposição em nosso endereço eletrônico
www.asalbuchi.com.ar ou www.globalresearch.ca

(2) A “Geoeconomia” foi introduzida ao Conselho de Relações Exteriores, localizado em Nova Iorque, pela fundação Maurice Greenberg Fellowship, isto é, do mesmo financista que foi presidente e presidente executivo da quebrada AIG – American Insurance Group – , o qual teve que renunciar em 2005 em meio a um escândalo de fraude corporativa de maiores proporções.

(3) Dados extraídos do jornal The New York Times, edição de 22 de setembro de 2008.

(4) Uma parte salientável da crise nos Estados Unidos também está focalizada no imenso endividamento das famílias com as empresas de cartão de crédito, onde o financiamento se dá a taxas usurárias de 19 a 25 por cento (FoxNews, 25 de setembro de 2008).

(5) Este processo completo é discutido em maiores detalhes em meu artigo “Death and Ressurection of the US Dollar” (NT – “Morte e Ressureição do Dólar Americano”), à disposição em nosso endereço eletrônico

www.asalbuchi.com.ar ou www.globalresearch.ca ou sob encomenda a salbuchi@fibertel.com.ar

*Adrian Salbuchi é um destacado autor e analista econômico da Argentina. Ele também é membro do Movimento Segunda República Argentina.

O endereço eletrônico deste artigo é :
www.globalresaerch.ca/PrintArticle.php?articleId =10430./span>


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terça-feira, 22 de abril de 2008

CGD. Vergonha Nacional

Uma Vergonha Nacional: Caixa Geral Depósitos
Autor: Manuel Bernardo

....batendo as asas pela noite calada, vêm em bandos, com pés de veludo...»
Os Vampiros do Século XXI

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a enviar aos seus clientes mais modestos uma circular que deveria fazer corar de vergonha os administradores - principescamente pagos - daquela instituição bancária.

A carta da CGD começa, como mandam as boas regras de marketing, por reafirmar o empenho do Banco em oferecer aos seus clientes as melhores condições de preço/qualidade em toda a gama de prestação de serviços, incluindo no que respeita a despesas de manutenção nas contas à ordem.

As palavras de circunstância não chegam sequer a suscitar qualquer tipo de ilusões, dado que após novo parágrafo sobre racionalização e eficiência da gestão de contas, o estimado/a cliente é confrontado com a informação de que, para continuar a usufruir da isenção da comissão de despesas de manutenção, terá de ter em cada trimestre um saldo médio superior a EUR1000, ter crédito de vencimento ou ter aplicações financeiras associadas à respectiva conta. Ora sucede que muitas contas da CGD, designadamente de pensionistas e reformados, são abertas por imposição legal. É o caso de um reformado por invalidez e quase septuagenário, que sobrevive com uma pensão de EUR 243,45 - que para ter direito ao piedoso subsídio diário de EUR 7,57 (sete euros e cinquenta e sete cêntimos!) foi forçado a abrir conta na CGD por determinação expressa da Segurança Social para receber a reforma.

Como se compreende, casos como este - e muitos são os portugueses que vivem abaixo ou no limiar da pobreza - não podem, de todo, preencher os requisitos impostos pela CGD e tão pouco dar-se ao luxo de pagar despesas de manutenção de uma conta que foram constrangidos a abrir para acolher a sua miséria. O mais escandaloso é que seja justamente uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos e que aposenta os seus administradores, mesmo quando efémeros, com «obscenas» pensões a vir exigir a quem mal consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos proventos. É sem dúvida uma situação ridícula e vergonhosa, como lhe chama o nosso leitor, mas as palavras sabem a pouco quando se trata de denunciar tamanha indignidade. Esta é a face brutal do capitalismo selvagem que nos servem sob a capa da democracia, em que até a esmola paga taxa. Sem respeito pela dignidade humana e sem qualquer resquício de decência, com o único objectivo de acumular mais e mais lucros, eis os administradores de sucesso.

Para medita e divulgar.
Cidadania é fazê-lo, é demonstrar esta pouca vergonha que nos atira para a miserabilidade social.

Este tipo de comentário não aparece nos jornais, tv's e rádios....Porque será???

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Dinheiro e Poder

Tornou-se vulgar ouvir dizer que ter dinheiro significa ter poder. É uma verdade indiscutível sabendo nós que numa sociedade neoliberal como a que se está a criar, tudo gira em torno do dinheiro e do lucro.

Há quem diga que o neoliberalismo pode conviver com uma sociedade com princípios e ética, contudo a prática vem desmentindo essa tese.

A crise no maior banco privado do país veio trazer à baila a ambição e a hipocrisia que grassa no sistema político nacional. Durante meses as autoridades de supervisão nada disseram, como nada se estivesse a passar, até que alguém decidiu falar alto e lá se mexeu no assunto. A ocasião escolhida, a quadra do Natal, não terá sido apenas uma coincidência, para muitos entendidos, porque quase todos concordam que nesta época o assunto não toma proporções que afectem mais profundamente os negócios da instituição.

Se os problemas do BCP, são apenas assuntos de gestão, a intromissão dos políticos nesta matéria começam a mostrar o que se suspeitava, e dizia à boca pequena, que existe uma grande promiscuidade entre o poder económico e o poder político. A guerra de palavras, com acusações mútuas, entre o PS e o PSD, sobre as personalidades que irão ficar à frente dos destinos do BCP e da CGD, deixa à vista de todos a luta pelo poder e o modo como esta se processa. Nunca como agora, tinham ficado tão claros os métodos utilizados por quem dirige os nossos partidos políticos.

Transcrição do blog Zé Povinho http://pinderico.blogspot.com/

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