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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Realidade irónica

Recebi por e-mail e, como peça irónica, acho de publicar, com a condição de que a parte final não seja interpretada à letra!!!

Vais ter relações sexuais?
O governo dá preservativo.

Já tiveste?
O governo dá a pílula do dia seguinte.

Engravidou?
O governo dá o aborto.

Teve filho?
O governo dá o Abono de Família.

Tá desempregado?
O governo dá o Fundo de Desemprego.

És viciado e não gostas de trabalhar?
O governo dá rendimento mínimo garantido!

AGORA... Experimenta estudar, trabalhar, produzir e andar na linha pra ver o que é que te acontece!!!!! VAIS GANHAR UMA BOLSA DE IMPOSTOS NUNCA VISTA EM LUGAR ALGUM DO MUNDO!!!!! PARABÉNS TROUXA !!!

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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Governantes em contradição

Dados da AR mostram que são desconhecidos os efeitos reais da aplicação da "taxa Robin dos Bosques" às empresas petrolíferas. Há dúvidas sobre "a real incidência" da taxa excepcional sobre os lucros das petrolíferas anunciada pelo primeiro-ministro durante o debate do Estado da Nação, pois, apesar de as palavras de José Sócrates terem levado a depreender que as empresas iam pagar um imposto extraordinário, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Carlos Lobo e a própria GALP, vieram desmentir posteriormente a criação de qualquer tributação especial, o que levou um deputado a referir "uma gigantesca fraude política".

Carlos Lobo assumiu claramente que "não há taxa acrescida, nem nova tributação. Quanto muito há uma antecipação de receitas fiscais", pelo que contrariou as declarações de Sócrates.

Estas contradições entre governantes dão a imagem já referida na imprensa de «um mesmo executivo a fazer oposição a si próprio ensaiando, na mesma legislatura, duas orientações opostas e conflituantes».

A contradição torna-se evidente em muitos casos, como na Saúde entre o ministro anterior e a actual. Também as posições radicais tomadas em relação ao Novo Aeroporto de Lisboa tanto a favor de uma localização como da outra, as incongruências entra as Forças de Segurança e a Justiça, as contradições ocorridas em pequeno intervalo na Educação a propósito da Telebs, as contradições entre as promessas eleitorais e as realidades posteriores, etc.

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terça-feira, 22 de abril de 2008

Polícias sem os direitos dos funcionários públicos

O actual governo, quando iniciou as funções, cheio de «fúria» matinal, atacou em todas as direcções, contra juízes, médicos, enfermeiros, farmacêuticos, professores, militares, polícias, etc e insistiu na igualdade de direitos de todos os servidores do Estado, excepto os políticos, chamando-os funcionários públicos. Na sua pressa, não reparou que nem todos os servidores do Estado são iguais em deveres e nos direitos correspondentes.

Agora, quando se completam 19 anos sobre a carga dos secos contra os molhados no Terreiro do Paço, é levantada novamente a revindicação do direito à greve, por parte dos polícias. E, logicamente, para haver coerência nas posições governamentais, não há razão para ainda não terem esse direito, à semelhança dos outros funcionários públicos como juízes, médicos, professores, etc.

Se os governantes lhes retiraram, com muito regozijo sádico, todos os direitos que os distinguiam dos vulgares funcionários públicos, e se estes têm direito a sindicato e a greve, como acontece também com os meritíssimos juízes, que até se consideram órgão de soberania, porque não os polícias poderem usufruir desse direito? Qual a razão de os polícias estarem privados dessa forma democrática de luta permitida aos outros funcionários públicos? Algo está errado nesta falta de lógica, nesta incoerência e contradição que actua como um pau de dois bicos.

Pessoalmente, não quero imaginar o que serão as grandes cidades num dia de greve da PSP. Nesse dia os prevaricadores agem impunemente, a qualquer hora, em qualquer local, sem qualquer receio. Realmente, não posso aceitar que a PSP faça greve, mas o Governo tem o dever de compensar os agentes dos sacrifícios que lhes exige, com risco e disponibilidade diferente de qualquer funcionário. Não é fácil imaginar o sofrimento de agentes que se vêm igualados aos «mangas de alpaca», mas a quem em dado momento tudo é exigido. A sua prontidão permite, em caso grave, contar com a sua presença a qualquer hora, em qualquer dia, enfrentando riscos que por vezes vão até à perda da vida, o que não acontece a um vulgar funcionário público. Se o Governo não os prestigiar, se os tribunais não derem seguimento ao seu trabalho de fiscalização e repressão da criminalidade, a segurança dos cidadãos é gravemente lesada.

Agora, esquecendo as anteriores posições do Governo, os dois principais partidos políticos «afirmam-se contra direito à greve dos polícias». Estranho!!! Então eles são ou não são funcionário públicos semelhantes aos funcionários das Finanças e outros? Se lhes são feitas exigências especiais, quais as compensações inerentes?

Parece que os responsáveis estão neste caso a usar a mesma lógica do Estado Novo, esquecendo que têm sido tomadas medidas diferentes e que nada têm a ver com os raciocínios e as prioridades dessa época. Há um conjunto de factores interligados que devem se apreciados em conjunto, para que exista coerência dentro de uma estratégia adequada.


Este tema, de forma mais ou menos directa já aqui foi referido nos seguintes textos:

- Polícias diferentes de simples funcionários públicos
- Forças de Segurança e seus sindicalistas
- Polícias querem direito à greve

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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Como é encarado o Turismo?

No jornal Destak de hoje lê-se o seguinte:

SAÚDE Depois de o ministro da Saúde não ter comentado a crise no hospital de Faro, Pedro Nunes, da Ordem dos Médicos, disse ao Destak que as condições nas urgências daquele hospital são «terceiro-mundistas ».

Sendo o Algarve a maior fonte de receitas provenientes do turismo, seria lógico que as condições de apoio de saúde, em vez de «terceiro-mundistas» apresentassem um grau de qualidade ao nível dos países europeus.

Tem de haver coerência, ou se quer turismo ou não; mas, se o queremos, temos de agir em conformidade. E para que os turistas não se apercebam de que vivemos de política de fachada, convém que todo o País dê ao exterior uma imagem real de uniformidade em todo o território, com eficientes apoios dos serviços essenciais.

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sábado, 3 de novembro de 2007

O estatuto do aluno e a história

As dúvidas e críticas ao estatuto do aluno não são inovações. Os políticos portugueses já eram dotados de «mentes iluminadas» há mais de um século. Parece que nada piorou... nem melhorou!!! como se infere do seguinte texto da obra «Vida Irónica» de Fialho de Almeida (1857-1911):

-Senhor !
Por uma graciosidade especial dos funcionários a quem V.M. (Vossa Majestade) houve por bem encomendar a organização interna do Ministério de Instrução Pública e Belas Artes, pude percorrer esta manhã os cadernos de planos, os relatórios e minutas dos projectos de lei que aqueles ilustres homens têm preparada a grande obra da futura educação da mocidade, com uma largura de vistas que me espanta, atento o facto de Suas Exas. não terem senão dois olhos, e esses mesmos oftálmicos e piscos. Senhor, eu estou contente.

Dês que desfruto razão, é esse Ministério a primeira coisa assombrosamente perfeita que me é dado admirar no meu País. Como chegaram a construir tão sábios projectos, homens que nem sequer sabem ler ? Eis o que eu nunca me poderei explicar nitidamente.

Entretanto, como é sina da natureza humana o sempre haver quem ponha pecha às concepções mais impecáveis, aqui lhe venho acusar, meu Senhor, uma lacuna reconhecida por mim nos planos do novo Ministério, para que V.M. a preencha conforme os seus desejos de glória, e espírito magnânimo que sempre tem mostrado no respeitante à felicidade dos seus súbditos.

Meu Senhor, nas reformas de ensino planeadas pelo Sr. ministro de Instrução Pública falta a mais útil. Entre as escolas práticas a criar, esqueceu S. Exa a mais indispensável. Falta no orçamento da Instrução Pública, verba custeadora duma escola de roubo; falta nos cadernos do novo Ministério o projecto duma escola de assassinato.

Para as restantes profissões está tudo. Há professores que ensinam a fazer queijo, a montar a cavalo, a bordar a missanga, e a observar os olhos doentes. Há para a pintura, para cutilaria, para rendas e para partos. A todos os ramos da acção humana, o Estado vai dando guias, ateliers, e matrículas baratas. O ensino metódico e científico desceu até à aprendizagem dos carpinteiros e dos fabricantes de sapatos de liga. Há bacharelatos para tudo, só o Governo de V.M. deixa o ladrão desamparado, e o assassino ignorante e à mercê da sua própria imaginação.

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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Gestão financeira da saúde

É muito raro ouvir falar o ministro da saúde em doentes e em saúde preventiva, a predilecção dele é falar de milhões de euros que se poupam com encerramento de urgências, maternidades, centros de saúde, SAPs, etc. E para onde vai o fruto dessas economias, dessas poupanças que têm causado mortes nas estradas a caminho os hospitais distantes ou nascimentos sem condições adequadas em ambulâncias a caminho de maternidades para lá do sol-posto.

A história de um empresário de Oliveira do Hospital é muito expressiva. Tendo sido vítima de três paragens cardíacas, valeu-lhe o desfibrilador da Viatura Médica de Emergência e Reanimação, que os bombeiros locais não possuem, e o facto de o Serviço de Atendimento Permanente do concelho, onde foi atendido, ainda não ter encerrado.

Apesar da sua boa vontade e generosidade, não conseguirá evitar o previsível fecho do SAP, mas não foi insensível e ofereceu à corporação de bombeiros de Oliveira de Hospital um desses pequeninos aparelhos eficazes para salvar vidas. Mas, dada a estultícia da «política de saúde» nacional, esta oferta não vai servir para nada, porque só um clínico pode utilizá-lo, pelo facto, em Portugal, o seu uso ser considerado um acto médico. Porém,, nos Estados Unidos, por exemplo, os aparelhos são visíveis em qualquer empresa e os funcionários recebem formação para saber utilizá-los.
Mas o gesto o empresário é relevante, se se tiver em conta que apenas 37 das 244 ambulâncias do INEM têm desfibrilador. Com tanta carência destes aparelhos de salvamento, ficamos sem coragem para perguntar para onde vão as poupanças com os encerramentos atrás referidos!!! E eles agora tornam-se mais necessários dado que os socorros ficam muito mais longe em distância e em tempo de deslocamento.

As políticas de saúde, se existem, parecem encaminhar o Serviço Nacional de Saúde -lo mais para o assistencialismo, diferenciando os doentes conforme o seu IRS, do que para a sua tradição universalista.

Os vários encerramentos efectuados e projectados, o aumento das taxas moderadoras, a facilidade com que são tomadas medidas de gestão sem ter em conta as realidades locais, por muito boa vontade que se queira ter, são sinais preocupantes.
Ouvem-se apreciações pouco lisonjeiras que dizem que ao ministro da Saúde caberia dar mais uma imagem de serenidade e de segurança, explicando a bondade das medidas tomadas, e menos de demagogia, que é justamente o que faz quando diz que 208 mil doentes em lista de espera para uma cirurgia já não envergonham Portugal. Mas todos sabem que envergonham.

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quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Caso Charrua encerrado por pressão popular

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou perante os deputados que "houve uma conduta violadora do dever de correcção de linguagem, o que é perturbador do funcionamento dos serviços." Fernando Charrua fez um comentário sobre o primeiro-ministro nas instalações da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), onde estava requisitado, e que a DREN considerou insultuoso. E, segundo ela, "depois de ter havido um insulto, era necessário ter havido um processo".

Apesar desta clareza sobre a falta cometida, a ministra decidiu arquivar o processo contra o professor Charrua, justificando-se aos deputados que assim procedeu por se ter verificado a existência na sociedade portuguesa de "dúvidas" sobre se este configuraria um processo por delito de opinião. Afirmou que "se prescindiu da aplicação de uma sanção de forma bastante generosa", frisando que "não podem existir dúvidas na sociedade sobre o facto de que os processos disciplinares na Função Pública não podem servir como meio de educação dos funcionários em relação a expressões menos correctas".

Merece ser meditada esta justificação da governante, que nos ajuda a compreender muito do que tem acontecido no País, por insegurança dos governantes, ausência de informação suficiente sobre as situações em que devem decidir, falta de uma directriz claramente definida e de objectivos realistas e coerentes entre si e o receio de desagradar a correntes de opinião, nem sempre orientadas pelo verdadeiro interesse nacional. Este receio não é de agora, infelizmente. Fez-se o túnel de Belas na CREL, para salvar pegadas de dinossauro que não estão visitáveis e há dúvidas sobre o seu estado actual, comprou-se a pedreira do galinha para evitar a destruição de pegadas de dinossauro, que neste momento já não devem ser visíveis devido ao efeito do tempo, parou-se barragem de Foz Côa para preservar gravuras neolíticas que o podiam ser de outra forma sem evitar a construção da barragem, a barragem do Alqueva foi atrasada com elevação de custos para não contrariar opiniões que acabaram por contemporizar, o mesmo aconteceu com a auto-estrada para o Algarve. Mais recentemente, foram decididos fechos de escolas, de maternidades, de centros de saúde, de urgências, e posteriormente, devido a pressão popular, algumas das decisões recuaram.

O recuo é um sinal de fraqueza na preparação da decisão inicial. Caso extremamente chocante é o do apoio, quase convite ou incentivo ao aborto voluntário, ao mesmo tempo que estão a ser dados subsídios para aumentar a natalidade, a fim de fazer face ao envelhecimento da população, como se refere no post «A IVG como modo de vida». Estas contradições evidenciam não haver objectivos bem definidos a orientar a governação. Os fracos de espírito não sabem o que querem e vão para onde os empurram, neste caso, ao sabor de pressões populares. Não se pode gastar recursos em sentidos opostos, porque, como diz a Dinâmica que se aprende na Física, duas forças iguais de sentido contrário anulam-se.

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terça-feira, 31 de julho de 2007

A IVG como modo de vida

Há dias destaquei a ideia genial do jovem Patric Figueiredo que criou um sistema de aproveitamento de livros escolares usados, por forma a que os estudantes poupem 75% na sua compra. Uma ideia muito positiva que só admira não ter sido aproveitada antes.
Com a fraqueza de um normal ser humano, para não ficar muito atrás, vou aqui expor uma ideia que poderá ser eficaz para as mulheres jovens ganharem a vida de forma simples, fácil e agradável. Ela surgiu depois de ter lido o post de Naty em A Voz do Povo, que transcrevo:

Espante-se, indigne-se

Em Portugal a interrupção voluntária da gravidez dá direito a 30 dias de licença com 100% do ordenado!
Mas uma mulher que esteja grávida e que se veja forçada a ficar de baixa antes do parto, sem este ser de risco, recebe um subsídio de 65% do seu ordenado.
Uma mãe que tenha de assistir na doença um seu filho menor recebe 65% do seu ordenado ... extraordinário não é?

Um comentário de visitante acrescentou: «ou um filho que tenha uma mãe a seu cargo, por razões de saúde, perde a possibilidade de faltar para assistência à família!!!!
País brilhante!!!!! Ainda querem que se promova a natalidade...»
E outro visitante comentou:
«Assim se fomenta a natalidade neste país que definha, devido aos seus líderes idiotas e sem pingo de bom senso!.
Hoje ter mais do que um filho já pode ser considerado um luxo...»

Somos um povo degenerado que aceita e acata políticos com sintomas de acentuada insanidade mental. Em dado momento, dizem que é preciso aumentar a natalidade, mas, por outro lado, como se sofressem de dupla personalidade, decretam as medidas que estão a tomar com a maior insensatez e que representam incentivo e convite ao aborto injustificado (apenas porque a mulher quer). E trata-se de mulheres incapazes de sentido maternal, ignorantes, desleixadas e moralmente descontroladas que não se deram ao cuidado de tomar as inúmeras medidas para evitar engravidar. São essas mulheres que merecem ao Estado todas as prioridades, com a passagem à frente de listas de espera de pessoas doentes, que não pagam taxas moderadoras e que espantosamente, como é dito por Naty, recebem subsídios que são negados a pessoas normais em situação de carência e a merecerem apoio.

As mulheres jovens, para colaborarem patrioticamente com estas decisões dos governantes devem copular à farta, sem o mínimo cuidado e depois abortarem, para que Portugal seja o maior entre os maiores na pouca vergonha. Mas, se olharmos isto de modo mais afirmativo, elas após o primeiro aborto devem continuar a ser simpáticas, junto de vizinhos, nos cafés e discotecas, na rua, sem restrições e, quando reiniciarem o trabalho no emprego, após a «operação», devem se simpáticas para patrões, colegas e clientes e, logo que se sintam grávidas, irem de imediato ao hospital para «despejarem e reiniciarem o ciclo, que lhes é bem remunerado, por se integrarem no espírito do legislador».

Por este andar, não tardará que nas cerimónias do 10 de Junho vejamos ser condecoradas as mulheres que mais abortos tenham feito durante o ano. E, ao fim de três anos, a que tiver sido mais vezes condecorada será elevada a comendadora da Ordem da Libertinagem do Aborto Patrocinado.

Não compreendo que respeito nos podem merecer os inteligentes autores destas decisões políticos que, no mínimo, nos parecem incoerentes e denunciadoras de ausência de bússola que indique uma direcção a seguir, falta de estratégia, de objectivos bem definidos, de directriz, de bom senso (para não utilizar palavras mais duras).

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sexta-feira, 27 de julho de 2007

Insatisfação entre os militares

SINAIS DE INSATISFAÇÃO ENTRE OS MILITARES
Por Loureiro dos Santos no Público de 23Jul2007

Têm sido visíveis diversas atitudes públicas de insatisfação de militares, mesmo no activo, quanto à forma como os governantes estão a agir para com eles, no conjunto das reformas em curso de que o país carece.

Terão os militares razões para se sentirem injustamente descriminados pelos responsáveis políticos? É a pergunta para cuja resposta pretendo contribuir, embora sucintamente e sem abranger todo o universo da actividade castrense.

A especificidade da profissão militar tem por núcleo caracterizador a completa disponibilidade para o serviço do país daqueles que a exercem. Disponibilidade em termos de tempo e de local de prestação – sem limite de horário e sempre prontos a marchar para onde a missão o requeira, com toda a incomodidade pessoal e familiar que isso representa. E disponibilidade na entrega total à sua missão, tanto física como espiritualmente, comprometendo-se a sacrificar a própria vida na defesa da Pátria, em contrato que estabelecem através de juramento público perante a bandeira nacional.

Esta especificidade, conhecida como “condição militar”, implica a obrigação de cumprir deveres que se traduzem em numerosas privações ou limitações dos direitos garantidos aos outros cidadãos, como os de expressão, manifestação, associação, etc. E também no facto de lhes serem outorgados certos direitos. Uns de natureza moral, como o respeito devido às tarefas que desempenham e aos sacrifícios que muitas delas integram, e a dignidade que, em consequência, lhes deve ser atribuída. Outros de natureza material que, no essencial, se referem ao usufruto de diferenciais remuneratórios positivos em relação aos não militares, de assistência de saúde assegurada para si e para os familiares deles dependentes, e da segurança social correspondente ao estatuto que lhes deve corresponder.

Esta é a prática de todos os países. Está mesmo a ter lugar um reforço dos elementos compensatórios de natureza material, em todos os estados ocidentais, dada a crescente importância das forças militares para a respectiva política externa, da qual são instrumento insubstituível, e para a segurança interna, ligada com o facto dessas forças serem profissionais, na sua grande maioria.

Portugal é excepção. As compensações dos militares, em degradação acentuada desde os anos 90 do século XX, estão a sofrer novos e profundos cortes, que não só mantêm os diferenciais negativos existentes, mas, em certos casos, os aumentam.

Nos finais dos anos 80, afim de garantir a remuneração justa dos militares, o governo equiparou-os a três outras profissões da administração pública portuguesa – magistratura, diplomacia e ensino superior. Decisões sectoriais posteriores, relacionadas com cada uma dessas quatro profissões, distanciaram, de modo diferenciado, as três não militares da profissão das armas, ficando com estatutos remuneratórios bem mais favoráveis, com destaque para o dos juízes. A esta realidade chocante, tão distorcida e iníqua para os militares, não será estranho o facto de todos os outros profissionais manterem na íntegra os direitos reivindicativos que a Lei confere, incluindo o direito de greve. Até os magistrados (?).

Mais grave. Os governos não cumprem legislação entretanto aprovada com o fito de atenuar parcialmente o diferencial negativo dos militares, em relação aos profissionais equiparados. Como o complemento de pensão de reforma, e o nivelamento das gratificações dos militares em serviço nas embaixadas às dos diplomatas em iguais circunstâncias. E não têm reforçado suficientemente o fundo de pensões, não pagam pensões devidas aos antigos combatentes e atrasam-se a ressarcir as despesas de saúde a que os militares têm direito. Aliás, só o actual governo, e muito recentemente, insuflou meios financeiros no fundo de pensões (já precisam de reforço), salvando-o de ir à falência. De facto, existem dívidas muito elevadas do Estado português aos profissionais militares, o que, no mínimo, é muito estranho. Além de potencialmente perigoso.

Não houve preocupação que se visse com esta situação, nas reformas presentemente em curso.

A assistência à saúde dos militares e familiares a seu cargo, assim como as pensões que irão auferir, estão a ser seriamente atingidas. Ainda não há sinais de um programa de revisão do sistema remuneratório dos militares, com a finalidade de anular os diferenciais mencionados. Chegou mesmo a ser aprovado um diploma que dá melhores condições aos peritos em finanças, quando em cooperação técnico-financeira no exterior, do que aos militares em cooperação técnico-militar.

E está na forja um diploma que parece igualar as normas relativas aos militares às dos funcionários públicos. Como é que um governo, que se afirma tão competente, avançou com uma proposta à Assembleia da República que não ressalva sequer os aspectos básicos indispensáveis à gestão do pessoal militar, em qualquer parte do mundo, incluindo os remuneratórios? Embora o tenha feito para os magistrados. Por que não terá sido ouvida, atempadamente, a Instituição Militar?

Considerará o governo que os militares são funcionários públicos? Ou que serão de categoria inferior? Já que os parcos benefícios específicos que lhes restam estão a ser tão reduzidos, que nem de longe equilibram os inúmeros sacrifícios e obrigações, que terão de continuar, sem o que deixarão de existir forças militares credíveis.

A situação que procurei descrever sucintamente está a aumentar a insatisfação entre os militares e contém o perigo de provocar actos de indisciplina. Estou certo de que os responsáveis situados nos mais elevados níveis estão dela conscientes e tudo procuram fazer para a alterar em sentido positivo. O que, do meu ponto de vista, abrange a tutela governamental do sector.

O que pensarão desta matéria o Primeiro-Ministro e o Presidente da República?

Tal como afirmei, são visíveis os sinais de insatisfação. Até agora, a noção dos militares sobre a delicadeza do assunto tem evitado situações mais inconvenientes. O comportamento dos Chefes e dos Comandantes tem tido o maior mérito. As próprias associações profissionais de militares, com algumas excepções preocupantes, têm agido como lhes compete e com cuidado.

Por agora, as Forças Armadas e a Guarda Nacional Republicana continuam a actuar com a dedicação, o espírito de servir, a generosidade, o profissionalismo, o valor, até o elevado brilho, que lhes é reconhecido. Nacional e internacionalmente.

Sinal de que a insatisfação necessita de ser rapidamente reduzida é o facto de alguns militares terem arriscado cometer actos de indisciplina para chamar a atenção do poder político, através da sensibilização da opinião pública. O que pode prejudicar-lhes as carreiras. Já teve lugar um movimento colectivo que afectou uma unidade – uma corveta da Marinha –, embora sem beliscar o cumprimento escrupuloso da missão. O que é motivo de ainda maior preocupação. Outras movimentações colectivas podem ocorrer…

É preciso agir, para prevenir situações de maior gravidade, susceptíveis de prejudicar fortemente o país. A tempo. Não só com palavras, mas especialmente com actos concretos dos órgãos de soberania. Em primeiro lugar, do Chefe do Governo e do Chefe de Estado. Julgo que qualquer deles terá a noção exacta do papel da Instituição Militar para a soberania e a afirmação externa do nosso país, assim como no contexto da autoridade do Estado. Num período histórico tão agitado e tão carregado de ameaças como o nosso.

Loureiro dos Santos, general

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terça-feira, 15 de maio de 2007

Interesse do PS ou interesse dos Lisboetas?

Transcreve-se uma parte do Editorial do DN de hoje que responde à dúvida colocada no post Rumo político ou incoerências? Mostrando que o PS coloca os seus interesses partidários acima dos interesses de Portugal e dos lisboetas. Para o partido do Governo, acima de governar o País, está a politiquice de pensar na posição do partido em relação aos outros partidos. A competição pelo poder está acima da resolução dos problemas que preocupam os eleitores, os contribuintes. Ninguém argumenta em termos de resolução dos problemas que preocupam as pessoas, mas somente em se o partido ganha ou não se tem mais hipóteses de ganhar com este ou aquele candidato. Assim vai a política com p minúsculo, em Portugal!


José Sócrates confirma hoje António Costa como o candidato do PS à Câmara de Lisboa. A decisão não é de rotina. Abala a estabilidade do Governo em vésperas de um período delicado - a presidência da União Europeia - e, como a vitória não está garantida, encerra riscos altos para o primeiro-ministro.

Note-se que, conquistada a maioria absoluta, José Sócrates perdeu em toda a linha: primeiro as presidenciais, depois as autárquicas, há dias teve o pior resultado desde 1984 na Madeira. Uma derrota em Lisboa seria, portanto, a quarta votação de protesto contra o Governo. E Sócrates sabe que, embora iguais, as eleições autárquicas da capital são diferentes. Enquanto numa pequena câmara do interior alguém popular na terra é garantia de vitória, em Lisboa - ainda por cima numa data tão convidativa à abstenção (1 de Julho) - a influência da força partidária e da política nacional são os factores que mais ordenam.

Compreende-se assim a opção de Sócrates.

Sem soluções boas, o primeiro-ministro escolheu aquela que lhe dá mais garantias. Em Lisboa, porque no Governo a saída de Costa é um enfraquecimento adquirido.

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domingo, 13 de maio de 2007

Rumo político ou incoerências?

Rumo político ou incoerências dos partidos?

Era suposto que a Política é a arte de governar a cidade; arte, doutrina ou opinião relativa ao governo os estados; conjunto de princípios que orientam a acção de um governo. Isto seria a Política com P maiúsculo, com uma estratégia, um rumo, um programa, orientada por um sistema de valores éticos e patrióticos que serviriam de exemplo aos cidadãos comuns. Mas, o mais vulgar é assistirmos a uma política com p minúsculo, com uma táctica em ponto pequeno que em vez de rumo, se limita a guinadas ao sabor das rajadas de vento, na resolução de casos de momento. É a intriga dos que dirigem ou pretendem dirigir os assuntos públicos.

Neste momento, estamos a assistir a essa incoerência entre uma boa estratégia e uma incrível tácticazinha, ao dar-se prioridade à Câmara de Lisboa em prejuízo dos interesses nacionais, do culto da honra, da ética.

Diz a Comunicação Social que o PS vai propor o Dr. António Costa, actual ministro de Estado e da Administração Interna, para o que terá de abandonar estas funções, em que estava a realizar tarefas de suma importância que estão longe de concluídas e muito menos de estarem aperfeiçoadas e consolidadas. É subalternizar o Governo de Portugal, os interesses nacionais, em favor de mesquinhos interesses de luta partidária, o que constitui uma enorme falta de respeito pelos Portugueses, pelos eleitores de todo o País. De entre as actuais tarefas do MAI, podem citar-se a da reorganização das Forças de Segurança, a da Protecção Civil e dos Bombeíros e a reestruturação da Administração Pública, para tornar a máquina do Estado mais ligeira, barata e eficiente, com menos burocracia e, consequentemente, menos vulnerável à tentação da corrupção.

Tudo isto é demasiado importante para alguém, inconscientemente, se dar à veleidade de parar tudo e entregar a tarefa a outro, provavelmente menos capaz e entusiasmado e que terá de começar tudo de novo, ou então ficar nas mãos de secretários de Estado já metidos no assunto. O que será uma situação difícil e pouco ética. Para maior gravidade, isto passa-se em vésperas de Portugal assumir a Presidência da União Europeia.

Por outro lado, a Comunicação Social refere que o provável candidato do PSD será o Dr. Seara, agora presidente da Câmara Municipal de Sintra. Trata-se de outra violento pontapé na ética, uma significativa incoerência, contra os interesses gerais e condicionado por mera luta partidária. Com efeito, Seara, torna-se num desertor, num homem sem palavra que foge ao cumprimento do compromisso tomado com os sintrenses e que não se torna credível perante os lisboetas que verão nele uma pessoa pouco séria que poderá abandoná-los, em qualquer momento, por interesses alheios ao compromisso que assumir perante eles. Há ainda a acrescentar que se trata de homem muito ligado ao futebol, o que nada abona em seu favor, numa altura em que pairam graves suspeições sobre todos os dirigentes deste desporto.

Realmente, se acontecer o que está a ser anunciado, dos políticos não podemos esperar sentido de Estado nem patriotismo, nem ética, nem capacidade para defender os interesse nacionais. Não merecem a mínima consideração e apoio de pessoas isentas bem pensantes. Estamos perante uma teatrada, em que cada um vai fazendo a sua palhaçada no palco para animar a plateia, sem ofensa para os verdadeiro artistas. Mas eles sabem que o povo menos esclarecido e sob os sedativos da propaganda, da banha de cobra, em atitude de ovelhas mansas, não vai deixar de dar o seu voto cego nas próximas eleições, indo responder aos caciques que os costumam pastorear e iscar com Tshirts, esferográficas, aventais e outras bugigangas com que se enganam os tolos. Infelizmente, é este o País que temos, e os espertos sem escrúpulos exploram estas debilidades.

Aconselha-se a leitura de (para abrir, basta fazer clique):
Escolher os melhores
Se Manuela rejeitar Seara avança pelo PSD
Sondagem interna impulsiona Seara como candidato do PSD
Nomes que aumentam o optimismo de Lisboa

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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

BLOQUEIO DE CARROS PARA QUÊ?

Artigo do Jornal de notícias de hoje que coloca em destaque um aspecto muito negativo do povo português, de nós! É importante meditar no constante do último parágrafo

Um simples creme de barba
Almeida e Sousa, Engenheiro

Há dias mandei comprar um tubo de creme de barba. Como sempre, só pedi que fosse português. Creme de barba, e era uma grande superfície, mandaram-me dizer que, português, não tinham. Não pedi nenhum "Concord", nem nenhum foguetão "Apollo". Pedi um simples creme de barba. Pois nem isso. Somos um povo de 10 milhões de habitantes, seremos quatro milhões de homens dos quais hoje uma parte importante fará a barba todos os dias. Algum mercado interno parece que temos, portanto. Aliás, dantes, os cremes de barba que comprava eram feitos em Portugal, embora pudessem ter alguma inclusão de qualquer produto estrangeiro. Agora, não. Têm de vir de fora. Era um triste indício, mas não era tudo. É que a caixa em que vinha embalado tinha, como agora é habitual, uma explicação num horror de línguas, 13 ao todo. Em Português também por certo. É evidente que não falarei todas essas 13 línguas, mas falo algumas, e, comparando, não era difícil compreender que, em todas elas, os dizeres eram precisamente os mesmos, excepto em Português. Os nossos dizeres eram mais completos. Acrescentava-se, em Português e só em Português, que aquele creme de barba tinha sido produzido em Itália.

Uma distinção que nos faziam? Não. Quem quer que tenha comprado ou vendido sabe como se faz a propaganda. Diz-se o que mais pode enlear o comprador. E a conclusão que se pode tirar é que, para todos os outros povos, para o resto da Europa, afinal, o ser feito em Itália, noutro país que não o próprio, não lhe acrescentaria mais valia nenhuma. Se calhar, antes bem pelo contrário. Só aos portugueses é que se tinha de dizer que era feito em Itália, não em Portugal, que tinha essa mais-valia que, se ali tinha sido escrita, é porque se sabia que teria influência na escolha do comprador. Um simples creme de barba, não um sofisticado produto da mais alta tecnologia.

Fiquei triste. Enquanto assim for, enquanto para se vender um simples creme de barba se tenha de dizer aos portugueses, e a mais nenhum outro povo da Europa, que foi feito em Itália, ah! poderá a Associação Empresarial de Portugal, poderemos todos nós gritar bem alto que "compremos o que é português" que os inconscientes que somos continuaremos a comprar o que for feito seja por quem for, que não pelos portugueses a quem temos o Dever de dar trabalho. Enquanto assim for, meus senhores, não vamos longe, vamos todos para o desemprego.

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