sexta-feira, 12 de agosto de 2011
IVA na electricidade e no gás
Por outro lado convinha que os governantes não se esquecessem de que, para reduzir o défice, pode actuar-se em duas quantidades: a das despesas e a das receitas. Mas, infelizmente, eles só estão a ver de um olho e apenas vêm a possibilidade de nos esmifrarem mais impostos. Não olham a sério para as despesas. Não se preocupam com a sugestão dada em 07-10-2010 pelo Conselheiro de Estado citado na notícia Marques Mendes apresenta lista com dezenas de institutos públicos que podem ser extintos.
Todos gostaríamos de ter esperança no futuro, mas por mais que procuremos, não encontramos esteios válidos e credíveis para alimentar um pouco de ânimo para esperar dias melhores. Oxalá surjam estímulos a pensamentos menos pessimistas.
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A. João Soares
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segunda-feira, 19 de novembro de 2007
A corrupção e a deontologia dos jornalistas
No JN de hoje, com o título de "Interesse público", o jornalista Manuel António Pina aborda, com a sua subtileza e a perspicácia habituais, aspectos curiosos da corrupção. Por um lado, os jornalistas pegam com pinças deontológicas os casos criminais de corrupção que envolvem muitos zeros ou gente para quem os muitos zeros são triviais. O respeitinho é muito lindo e os jornalistas sabem tê-lo em atenção quando se referem aos detentores do poder, seja qual for o aspecto de este se evidenciar, político, económico, empresarial.
Por outro lado, à semelhança do touro manso que, inesperadamente, se toma de brios, encrespam-se em defesa do «interesse público», por causa de simples amendoins, o que foi notório há dias quando tantos «jornalistas correram para a porta de um tribunal onde eram interrogados uns árbitros e uns dirigentes do futebol regional, suspeitos de câmbio de 500 euros pelo resultado de um jogo». O "interesse público" da semana era o Lamego-Cinfães. E a notícia era que o resultado foi, mais euro menos euro, 2-2.
A volubilidade de conceitos jornalísticos, como o de "interesse público", seria tema interessante para uma tese de doutoramento em Comunicação Social. É que parece ninguém se ter interessado minimamente por saber quais são as "grandes empresas" que o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais acusou de estarem envolvidas em crimes de fraude fiscal, provavelmente de valor superior a 500 euros! Bem tentou o secretário de Estado espicaçar a curiosidade de jornais e jornalistas com a lista das "1000 maiores empresas portuguesas" e bem o presidente da CIP deixou cair, como as senhoras púdicas de antigamente deixavam cair o lenço, a pista das construtoras civis. Em vão. Aqui os jornalistas não conseguiram descortinar o «interesse público», tal é a sua miopia. Ou haverá vantagem em tal conivência, do ponto de vista da segurança profissional e pessoal?
O tal respeitinho pelos poderosos caídos na tentação da corrupção ou a leve esperança de cada português poder vir a beneficiar com tais habilidades levou há meses o PGR a afirmar que o combate à corrupção é extremamente difícil porque o povo não a condena e não a denuncia. Quem, então, a pode eliminar dos costumes usados no enriquecimento fácil? Parece que ninguém está interessado nisso, porque quem era suposto realizar tal tarefa, não evidencia o mínimo interesse pessoal nela, antes pelo contrário. Recordem-se as reacções do poder político às propostas de João Cravinho.
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A. João Soares
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sábado, 3 de novembro de 2007
O estatuto do aluno e a história
As dúvidas e críticas ao estatuto do aluno não são inovações. Os políticos portugueses já eram dotados de «mentes iluminadas» há mais de um século. Parece que nada piorou... nem melhorou!!! como se infere do seguinte texto da obra «Vida Irónica» de Fialho de Almeida (1857-1911):
-Senhor !
Por uma graciosidade especial dos funcionários a quem V.M. (Vossa Majestade) houve por bem encomendar a organização interna do Ministério de Instrução Pública e Belas Artes, pude percorrer esta manhã os cadernos de planos, os relatórios e minutas dos projectos de lei que aqueles ilustres homens têm preparada a grande obra da futura educação da mocidade, com uma largura de vistas que me espanta, atento o facto de Suas Exas. não terem senão dois olhos, e esses mesmos oftálmicos e piscos. Senhor, eu estou contente.
Dês que desfruto razão, é esse Ministério a primeira coisa assombrosamente perfeita que me é dado admirar no meu País. Como chegaram a construir tão sábios projectos, homens que nem sequer sabem ler ? Eis o que eu nunca me poderei explicar nitidamente.
Entretanto, como é sina da natureza humana o sempre haver quem ponha pecha às concepções mais impecáveis, aqui lhe venho acusar, meu Senhor, uma lacuna reconhecida por mim nos planos do novo Ministério, para que V.M. a preencha conforme os seus desejos de glória, e espírito magnânimo que sempre tem mostrado no respeitante à felicidade dos seus súbditos.
Meu Senhor, nas reformas de ensino planeadas pelo Sr. ministro de Instrução Pública falta a mais útil. Entre as escolas práticas a criar, esqueceu S. Exa a mais indispensável. Falta no orçamento da Instrução Pública, verba custeadora duma escola de roubo; falta nos cadernos do novo Ministério o projecto duma escola de assassinato.
Para as restantes profissões está tudo. Há professores que ensinam a fazer queijo, a montar a cavalo, a bordar a missanga, e a observar os olhos doentes. Há para a pintura, para cutilaria, para rendas e para partos. A todos os ramos da acção humana, o Estado vai dando guias, ateliers, e matrículas baratas. O ensino metódico e científico desceu até à aprendizagem dos carpinteiros e dos fabricantes de sapatos de liga. Há bacharelatos para tudo, só o Governo de V.M. deixa o ladrão desamparado, e o assassino ignorante e à mercê da sua própria imaginação.
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A. João Soares
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