Organização coerente e simples
(Publicada no Semanário O DIABO em 4 de Dezembro de 2018)
Uma organização, além de
outras características, deve ser simples, clara e coerente com o objectivo
pretendido e os seus factores. A simplicidade é uma virtude indispensável que
deve ser respeitada por qualquer instituição pública ou privada. A complexidade
desnecessária é desaconselhada por encarecer os custos de funcionamento, por
criar confusão e aumentar a burocracia que dificulta ou impossibilita a
inovação e a produtividade, pondo em risco os objectivos desejados. A
simplicidade da estrutura organizativa deve repercutir-se na preparação das
decisões, as quais deverão seguir uma metodologia semelhante à referida no
artigo “Preparar a decisão” n’O DIABO de 27/9/2016 e, por estarmos em
democracia, para que os objectivos sejam bem recebidos e alvos de luta para
serem bem conseguidos e para que os factores e os condicionamentos da decisão a
tomar sejam bem interpretados e nada fique esquecido, há vantagem em que as
pessoas e os serviços relacionados com o cumprimento da decisão sejam ouvidos
durante a elaboração do estudo a fim de este ser devidamente preparado com
análise exaustiva de todas as condicionantes. Quem está dentro do problema tem
muito a dizer e a sugerir. Vale mais esse contributo oportuno do que a
posterior crítica que fere a competência de quem preparou a decisão ou assumiu
a sua autoria.
E, para gerir com eficiência, é preciso uma informação permanente da evolução dos condicionamentos dos
diversos sectores da organização. Esse conhecimento da realidade permite tomar
decisões adequadas a prevenir percalços, evitar acidentes, e decidir os passos
seguintes a fim de obter melhores resultados. No recente acidente na estrada de
Borba houve conhecimento dos perigos prováveis mas a imprudência e a falta de
sentido de responsabilidade do autarca e do ministério que, quatro anos antes,
reconheceu a situação de risco que conduziu à tragédia ocorrida agora.
Ao contrário das atitudes desleixadas e desrespeitadoras dos direitos humanos que deram lugar à tragédia
ocorrida recentemente na estrada de Borba, os concelhos de Aveiro e de Oliveira
do Bairro tomaram uma decisão exemplar de cortar o trânsito na rua do
Ribeirinho, que liga os dois municípios, quando a circulação automóvel foi
colocada em perigo, devido a chuvadas que provocaram arrastamento de solos e
destruição de parte da «passagem hidráulica» ali existente. Os dois municípios
comprometeram-se, em cooperação, à elaboração do projecto, já em fase de
conclusão, de intervenção para construção da nova passagem hidráulica, e
prevê-se que os trabalhos para execução da obra tenham início ainda durante o
mês de Dezembro. Esta decisão concretiza o que atrás foi dito, pois demonstra
sentido de responsabilidade e respeito pela segurança das pessoas.
Mas, infelizmente vemos o
governo, responsável pelo que acontece no País, a fechar os olhos às realidades
que exigem intervenção urgente e, depois, se desculpar por ignorância do que se
passa, como nos fogos de Pedrógão Grande, o roubo de Tancos e, agora, a
tragédia de Borba.
E quanto à preparação de decisões é significativo o que está a sensibilizar os bombeiros a propósito da
Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), e da Autoridade
Nacional de Protecção Civil que não os convence. Isso insere-se na tendência
para criar instituições sem utilidade visível a não ser a de dar salário aos
ex-jotinhas, as quais tomam designações variadas como actividades, agências,
observatórios, comissões, polícias, entidades reguladoras, etc. São muitas
dezenas e, do muito que custam aos contribuintes, não são vistos resultados na
melhoria da qualidade de vida das pessoas, nem aumentam a informação do Governo
sobre as realidades. ■
António João Soares
27 de Novembro de 2018
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
ORGANIZAÇÃO COERENTE E SIMPLES
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A. João Soares
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Etiquetas: organização
sábado, 20 de janeiro de 2018
PARTIDOS, FAMÍLIAS, FUTURO
Que partidos, que famílias e que futuro?
(Publicado no semanário O DIABO em 16 de Janeiro de 2018)
É muito desagradável que uma grande parte dos cidadãos eleitores, ao emitirem uma opinião sobre os políticos portugueses, usem palavras curtas mas de significado demasiado contundente.
É, por isso, urgente que os partidos comecem a preocupar-se com a imagem que apresentam publicamente, a fim de conquistarem a confiança dos eleitores e melhorarem a esperança que cada português deve ter no futuro do país onde, provavelmente, viverão os seus descendentes. Seria bom a que a acção didáctica exercida sobre os cidadãos – dos menos aos mais cultos – lhes criasse o desejo de imitar os bons exemplos vindos de cima, do alto da hierarquia político-administrativa. Isso levaria os eleitores a escolher, com mais fundamento e consciência, os seus representantes e defensores, com base nas qualidades que lhes reconhecem e admiram e, também, lhes orientaria os comportamentos, de forma mais condizente com os valores éticos e cívicos que infelizmente, parecem estar esquecidos de quem devia dar exemplo.
Os próprios partidos também estão a ser objecto de tais opiniões negativas mas, perante a actual lei fundamental, não se pode passar sem eles. Porém, cada um deve investir algum tempo e reflexão de equipa sobre os interesses nacionais, dos cidadãos, a fim de passar a dar primeira prioridade aos grandes assuntos nacionais aos quais devem ser subordinados os interesses privados do partido e dos seus familiares e amigalhaços.
Os exemplos vindos a público sobre algumas IPSS, subsidiadas abundantemente por dinheiro público, com dirigentes das famílias de políticos com ordenados principescos, e dando «emprego» a políticos, com o aval partidário, do governo e de autarquias são objecto de apreciações pouco abonatórias. E a sucessiva aparição de mais casos torna conveniente uma investigação rigorosa para aplicação de medidas correctivas e preventivas de repetição de escândalos. E, provavelmente, também haverá serviços públicos de que não se conhecem efeitos positivos para a vida colectica, a Nação, e que funcionam como palcos bem remunerados para indivíduos da partidocracia em que predominam familiares e amigalhaços, exigindo mais atenção talvez ao ponto de lhes ser aplicada a solução dada às três instituições que foram extintas para dar origem à ASAE.
Há muitos escoadouros, sem controlo, dos dinheiros sacados aos cidadãos através de impostos directos e indirectos, taxas e taxinhas. Uma boa análise da estrutura organizativa da máquina pública levaria ao encerramento de muita chafarica inútil e dispendiosa e a um melhor critério de nomeação de pessoal que deve ser selecionado pela sua preparação, experiência, competência, dedicação à causa pública, capacidade, sentido de responsabilidade, etc. A nomeação de familiares ou amigos para a função pública deve ser precedida de cuidados especiais, com garantia de que dispõem de visível superioridade em relação com os melhores concorrentes, para evitar posteriores crítica desagradáveis à imagem de quem nomeou. E, depois, todos devem ser avaliados pelos resultados do seu trabalho, que deve ser perfeito e útil ao país. As instituições para inspecções, auditorias e fiscalizações citadas pelo PM a quando dum caso ocorrido com uma IPSS devem ser também vigiadas para haver garantia da independência, do rigor e da honestidade como desempenham as suas funções.
Enfim, na partidocracia em que os portugueses vivem, há que definir as regras com deveres e direitos dos partidos, não imitar a aristocracia familiar destituída em 1910, mas construir um futuro ao nível dos tempos mais gloriosos da nossa História.
António João Soares
9 de Janeiro de 2018
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
FUTURO DUVIDOSO PARA PAÍS QUE FOI GRANDE
Não há objectivo nacional, nem estratégia para o atingir e, por isso, não aparecem ideias exequíveis, nem projectos, nem planos, nem programas, nem sistema de controlo das acções a realizar, nem organização, simples, operacional, eficaz. Sem esta metodologia e sem priorização dos estudos e das actividades, não pode haver coerência dos discursos, das explicações dadas aos cidadãos com os procedimentos factuais.
Falam em entendimento e em consenso, mas mostram não saber o que isso significa. Isso exige disposição para aceitar algumas propostas do outro, fazer cedências para que as decisões tenham concordância de ambos. E para um tal matrimónio não pode haver, de um lado, a imposição com violência e teimosia determinada e esperar do outro a submissão e o aplauso inconsciente. Ao menos no assédio, no namoro para conseguir o entendimento, deve haver atitude macia, aliciante, cativante.
Ora o que se ouviu no coliseu não foi nada consentâneo com o apelo ao entendimento com os partidos, antes uma agressividade, de luta eleitoral extremando as partes que era suposto pretender aliar. Não cito nomes dos muitos oradores que embarcaram na fantasia do «orgulhosamente sós», porque seria inevitável esquecer um ou outro, tantos foram. Com vinagre não se caçam moscas e com tal hostilidade não se consegue entendimento democrático desejável para tentar conseguir um futuro melhor para Portugal...E é imperioso que se faça tudo com o máximo de eficiência e com resultados permanentes para que futuro de Portugal seja radioso para não desmerecer o seu passado glorioso.
Aprenda-se com a Ucrânia em que, depois de pouco tempo, compreenderam que havia que sentar-se à mesa e construir o consenso, o entendimento, para assegurar o futuro do País, para bem das pessoas. Evidenciaram vontade de aliar, conjugar, esforços, construir sinergias para bem da Nação. Mostram ser gente inteligente e honesta que coloca os interesses nacionais acima das suas próprias ambições.
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sábado, 20 de outubro de 2012
Fisco às cegas ???
Excesso de zelo ou cegueira grave?
Agora, depois de passados 25 anos após a sua morte e a destruição do veículo, as Finanças querem cobrar o Imposto Único de Circulação de 2008. A família ficou indignada ao receber a notificação.
Numa época em que tudo se controla, em que a Internet facilita o cruzamento de informação, é incrível como acontecem estes casos insólitos. É urgente ver e remediar o que está incorrecto no funcionamento da máquina estatal. Quem está onde? Quem desempenha que funções? Como estão distribuídas as tarefas? Como é avaliado o desempenho? Quais os sistemas de controlo e fiscalização?
É urgente obter respostas para estas dúvidas em cada organismo, a fim de deixarem de ser dados estes sinais de debilidade funcional.
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domingo, 6 de novembro de 2011
Enfrentar a crise. Procurar soluções
É corrente a afirmação de que os políticos só decidem depois de serem pressionados e, por isso, sucedem-se manifestações de toda a ordem em todos os sectores nacionais, pelas mais variadas razões. Agora na Grã Bretanha, Jovens desempregados caminharam 450 quilómetros para pedir emprego. Não utilizaram a expressão «para oferecer trabalho», mas o simples facto de dezenas de jovens desempregados se organizarem para chamar atenção para o seu problema já pode ter efeitos positivos, como o de os levar a concluir que não podem ficar á espera que outros adivinhem os seus problemas e lhes levem a casa a solução para as suas necessidades. Sem organização, sem efeito de massa nenhuma manifestação terá o êxito desejado. Outro resultado desejável desta iniciativa deveria ser a tomada de consciência de que a solução terá de partir deles de forma mais activa, com imaginação, criatividade, sentido das realidades e coragem para iniciar uma actividade que possa ser útil à sociedade e trazer-lhes uma remuneração adequada.
Em Sair da crise. 4 vectores, lê-se que o economista professor universitário João César das Neves dá quatro conselhos: Deixar-se de queixas, deixar-se de acusações, deixar-se de fantasias, enfrentar a crise. Com efeito, a crise é oportunidade e desafio.
Os jovens chineses, estão a adaptar as suas actividades à situação de crise, como se vê na notícia O novo negócio dos chineses em Portugal. Nada é definitivo na vida moderna e é preciso estar atento, analisar a situação e os sinais de mudança nas sociedades para fazer opções correctas e oportunas. Como a crise se traduz em menos despesas nas roupas, as lojas dos 300 estão a reconverter-se em lojas de frutas e legumes produtos que as pessoas não podem dispensar para a alimentação.
Certamente que, se os nossos jovens agissem com a mesma perspicácia destes chineses, encontrariam forma de se juntarem e revitalizarem actividades proveitosas e com capacidade de exportação e que têm sido desprezadas, como, por exemplo, as olarias nas zonas tradicionais dos bons barros, a tapeçaria de Arraiolos, os bordados, etc. Outras actividades internas, como pequenas empresas de reparações domésticas que se esmerem na rapidez e na perfeição, ou trabalhos de reordenamento e manutenção florestal, ou trabalhos agrícolas ou pecuários visando produtos especiais de mais procura no mercado. Há exemplos de êxito de jovens que já encararam estas soluções.
Dos quatro vectores atrás citados, deve sublinhar-se o quarto. É preciso enfrentar a crise. Os chineses estão a fazê-lo no nosso bairro.
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quinta-feira, 9 de junho de 2011
A crise pode dar boas lições
As dificuldades, quando bem ultrapassadas, dão experiência e capacidade de racionalizar cada fase de um fabrico industrial ou de produção agrícola. Aquilo que vinha sendo feito por tradição, sem bem avaliar o método e sem se procurarem soluções alternativas pode sair da crise muito beneficiado, com melhorias de rendibilidade.
Em muitas actividades, em que a agricultura pode ser o caso mais grave, os produtores estão muito dispersos e descoordenados, trabalhando cada um por si, o que aumenta os custos de produção e as dificuldades da comercialização, de que se aproveitam intermediários em sequência desordenada que encarece o preço no consumidor.
A esta conclusão já chegaram os produtores de cereja que se associam para exportar em maiores quantidades e começam a mostrar-se interessados na criação de associações ou de cooperativas, embora estas há cerca de meio século tenham deixado fracas recordações.
É pena que a pouca escolaridade dos agricultores não tenha sido devidamente compensada por uma assistência mais eficaz por parte dos técnicos da Agricultura e da Economia, mas talvez a pressão dos intermediários, bem organizados e mais influentes, tenha impedido a adequação das estruturas de distribuição e a sua sujeição a regras mais racionais e propícias à justiça social, com benefício para produtores e consumidores.
Em todo o caso esta notícia já constitui um sinal de evolução que merece ser realçado.
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sexta-feira, 22 de abril de 2011
Risco de «retrocesso civilizacional»
A notícia que se transcreve vem ao encontro de muito que aqui tem sido escrito acerca da má herança que se deixa aos descendentes, devido a sucessivos erros de governação desde o 26 de Abril.
O 25 de Abril foi um golpe com sucesso pontual mas, no dia seguinte, foi totalmente descontrolado e desvirtuado, em que liberdade foi substituída por libertinagem, e por conceitos irracionais e impraticáveis, nasceu a obsessão de direitos sem pensar em deveres que com eles devem sempre estar equilibrados, e surgiu a exigência de igualdade na mediocridade, eliminando o que havia de melhor e desmotivando o valor e o mérito.
Numa queda sistemática, de que se aproveitaram os clãs governamentais, resultou a degradação da sociedade normal e o enriquecimento dos políticos conluiados com os donos do capital, chegando-se a uma situação dificilmente sanável, em que tudo pode acontecer, em que o Risco de motim não deve ser negligenciado.
Pela análise, mesmo muito superficial que se faça destes 37 anos, não se pode esperar que os nascidos neste período venham a erigir estátuas ou elogiar os da geração de seus pais pela forma como fizeram «evoluir» o Pais que outrora foi grande e prestigiado.
É, pois, com agrado que se vê sobressair, destes jovens, organização e vontade de restaurar Portugal retirando-o do fosso em que em vindo a ser enterrado.
Nascidos no pós-25 de Abril juntam-se contra risco de "retrocesso civilizacional"
PÚBLICO. 22-04-2011 Por Lusa
Indignados com o Portugal de hoje, nascidos no pós-25 de Abril de 1974 juntaram-se num manifesto contra o risco de "retrocesso civilizacional" no País, perante a "precariedade no trabalho" e o "desinvestimento" em direitos adquiridos com a Revolução.
A poucos dias das comemorações dos 37 anos da Revolução dos Cravos, mais de 60 subscritores do documento consideram que muitas das conquistas, com as quais se identificam enquanto "filhos de Abril", estão a diluir-se.
"O Inevitável é Inviável", assim se designa o manifesto, é assinado, nomeadamente, por artistas, estudantes, desempregados, activistas de direitos das mulheres e dos imigrantes e organizadores do protesto "Geração à Rasca".
O escritor José Luís Peixoto, a compositora Celina Piedade, a jurista Marta Rebelo ou o humorista Jel, dos Homens da Luta, e Tiago Gillot, do movimento Precários Inflexíveis, são alguns dos nomes que dão voz ao manifesto.
Um "grito de alerta" contra a ideia de que "só há uma saída" possível, a das políticas de austeridade, para os problemas que Portugal enfrenta, assinala à agência Lusa Lídia Fernandes, desempregada, uma das subscritoras do documento.
E que problemas Portugal enfrenta? "Tendência para 'precarizar' as relações de trabalho, diminuir o investimento no emprego, enfraquecer e desmantelar o Estado social, com cortes na saúde, educação e protecção social", enumera.
Os subscritores do manifesto reclamam alternativas, que, para a activista dos direitos das mulheres e dos imigrantes, "não podem ser no sentido de um retrocesso civilizacional e democrático" em que o País está "em risco".
É que, segundo Lídia Fernandes, existe em Portugal o perigo, "dificilmente reversível", de "um recuo grande" em termos de direitos económicos, cívicos e sociais.
Uma opinião partilhada por Miguel Cardina, outro dos subscritores do "grito de revolta" contra a situação actual do País, onde "as pessoas vivem mal".
O historiador, que integra o movimento anti-austeridade Portugal Uncut, fala num "ataque constante, muitas vezes subliminar", a "conquistas de Abril" como o emprego, a escola pública e o Serviço Nacional de Saúde e teme o "agravamento das desigualdades sociais", o "perigo de alterações constitucionais", o "desmantelamento" da saúde gratuita para todos.
Por isso, defende uma "mudança política e social", que envolva toda a sociedade, porque "a democracia não é compatível com a inevitabilidade" da crise e da intervenção externa do Fundo Monetário Internacional.
João Labrincha, um dos organizadores da manifestação "Geração à Rasca", que juntou em Março milhares de portugueses nas ruas, advoga "uma renovação do espírito do 25 de Abril", até porque "muitas das coisas pelas quais as pessoas lutavam na altura continuam a ter muita actualidade" e, nalguns casos, ressalva, "tem havido alguns retrocessos", dando como exemplo a "precariedade laboral".
Licenciado em Relações Internacionais mas desempregado, Labrincha sustenta que a democracia alcançada em 1974 só ficará "completa" com "uma participação cívica mais activa". E isso, critica, tem faltado ao longo de 37 anos.
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sábado, 16 de abril de 2011
Ministros contradizem-se
Transcrição de artigo seguida de NOTA:
Ministro da Presidência desautorizou ministro das Finanças
Jornal de Notícias. 16-04-2011
O deputado do PSD Miguel Frasquilho e o conselheiro nacional do mesmo partido Nogueira Leite consideraram este sábado que as declarações do ministro da Presidência sobre a execução orçamental desautorizam o ministro das Finanças e baralham os portugueses.
"A situação do país é muito perplexa e as declarações do Governo sobre questões financeiras não são coerentes. Parece que existem dois responsáveis pelas Finanças, o ministro das Finanças e o ministro da Presidência", disse à agência Lusa Miguel Frasquilho.
O economista explicou que, primeiro, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, declarou que, a partir do final de Maio, Portugal não tem recursos para fazer face aos compromissos assumidos em termos de financiamento e para as despesas correntes, mas que, agora, na altura em que revelou dados preliminares sobre a execução orçamental, o ministro da Presidência, Silva Pereira, disse o contrário.
"Estas declarações não são coerentes, são contraditórias, e deixam os portugueses baralhados. Ainda por cima, numa altura em que se exigia grande transparência", realçou Frasquilho, acrescentando que a situação "nada abona para a credibilidade do país".
O deputado pediu para que "o Governo não fale a tantas vozes" e para que "não crie tanto barulho".
Por seu turno, Nogueira Leite afirmou à Lusa que "num momento tão difícil da vida colectiva dos portugueses o Governo deveria mostrar unidade e empenho, não voltando o ministro da Presidência a desmentir o ministro das Finanças em público".
O conselheiro nacional do PSD reforçou que "o ministro das Finanças não pode ser desautorizado por um ministro da Presidência" e pediu para que o Governo "mantenha a compostura".
Segundo Nogueira Leite, que disse não pretender entrar em "guerra partidária", este é "um apelo de cidadania".
Já na sexta-feira, o antigo líder do PSD Marques Mendes considerou que, ao escolher o ministro da Presidência para interlocutor com os partidos da oposição na negociação do pacote de ajuda externa, o primeiro-ministro, José Sócrates, desautorizou o ministro das Finanças.
"O ministro Teixeira dos Santos foi desautorizado de uma forma notória pelo primeiro-ministro. O que era normal é que quem fizesse a mediação entre Governo e oposições na negociação deste pacote de ajuda externa fosse o ministro das Finanças, porque é uma questão financeira", afirmou aos jornalistas em Viseu.
NOTA: Só numa equipa desorganizada um elemento desconhece as suas funções e entra na área do colega ao ponto de o desautorizar e contradizer. Um princípio sagrado é respeitar o outro tal como deseja ser respeitado por ele
Também o BE diz que algo «não bate certo» e confundem superavit com problemas de tesouraria. Bagão Félix diz que não é boa prática apresentar números avulso, quando cá estão especialistas da troica.
Tal amadorismo confrange, pois estão em jogo as nossas gotas de suor extraídas pelos impostos e pelas várias restrições de vencimentos, pensões, e condições sociais e fiscais já tradicionais.
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Políticos, articulem-se
Depois de apreciar os textos publicados e prometidos pelo amigo Pedro Faria no seu blogue recentemente criado Rumindo, sente-se um sabor especial ao deparar com este texto.
Articulem-se
CM. 29 Outubro 2009 - 09h00. Por Paula Teixeira da Cruz, Advogada
A desarticulação das políticas tem sido uma constante, o que explica muito do desnorte que o País vive.
E agora, que políticas públicas? Para já, uma certeza: os recursos são dramaticamente escassos dado o pouco que produzimos. Tudo isto sai agravado pelo muito que importamos, quase tudo. E esta realidade limita o êxito das necessárias políticas públicas sociais.
A desarticulação das várias políticas públicas, quando não o próprio antagonismo entre elas, ainda que sob o chapéu do mesmo Governo, tem sido uma constante dos últimos anos, o que explica muito do desnorte que o País vive.
Não tem havido maturação suficiente para articular, por exemplo, as Finanças com a Economia e o Ambiente, nem a Educação com as verdadeiras necessidades de recursos humanos do País. Basta olhar para o número de licenciados no desemprego, sem necessidade, aqui, de análises mais profundas, num País em que ainda se faz tudo para ter o direito a um "sr. dr." (que no resto da Europa só cabe mesmo aos médicos) e que aqui de pouco vai servindo, apesar do deslumbramento de uns tantos com o dito título.
Pensar nas razões do abandono escolar, com taxas muito elevadas e oferecer cursos profissionalizantes, seria importante. Qualificar as Universidades também (não temos nenhuma nos rankings internacionais).
E já que somos tão bons na arte de improviso, talvez não fosse mau dar um incremento à Investigação em vez de destruir instituições reconhecidas que a faziam.
Saber o que produzir, aproveitar os clusters marinhos que estão abandonados. Investir muito nas estruturas e equipamentos de proximidade, o que baixa os custos, ao invés do investimento só em monstruosos equipamentos longe das populações, o que aumenta os custos.
Mas, insisto, tudo isto tem de estar articulado. Não é cada Ministro para seu lado, como se um Programa de Governo não tivesse de provar essa necessidade de articulação. Definitivamente, o que não basta é o mero elencar daquilo que cada Ministro pretende fazer, como é hábito.
Aliás, infelizmente não foi com espanto que ouvi um Ministro recém-empossado afirmar que cumular duas pastas seria quase antinatural, porque o responsável pelas Finanças deve dizer não... aos demais responsáveis.
É esta cultura que nos leva a lado algum. Se houver um programa articulado, há que dizer não ao que não está no programa e sim ao que nele está, se o programa for sério, claro está, mas essa já é outra questão, embora seja pressuposto de tudo o que aqui vai escrito.
Paula Teixeira da Cruz, Advogada
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sábado, 30 de maio de 2009
FA para qualquer emergência???
É de lamentar a leviandade de entidades nomeadas politicamente ou com apetência partidária, sugerirem que os militares avancem, tipo bombeiros, para suprir deficiências de outros sectores da vida nacional, como é o caso de fazerem face a avarias dos radares da GNR para vigilância do contrabando costeiro, como se vê no post anterior.
É certo que as Forças Armadas (FA), com a sua disciplina, organização e preparação meticulosa e competente em múltiplas especialidades, têm capacidade para fazer face a múltiplas situações de emergência. Porém, isso deve ser sempre considerado excepcional, provisório e não deve qualquer civil propor essa solução sem antes ouvir quem sabe e tem autoridade e responsabilidade no assunto.
Se no caso da vigilância costeira a GNR não satisfaz completamente, haverá que reorganizar os recursos nacionais com vista a obter a necessária eficiência. Poderá transferir-se a missão e os correspondentes meios mas, para bem de Portugal, não se baralhem as cartas por forma a complicar tudo.
Quando foi criada a ASAE, que veio substituir três instituições incapazes que passavam as culpas entre si, aplaudi (ver anexo, no fim) tal decisão por ser coerente com a lógica e a simplicidade que deve estar presente em toda a organização e definição e atribuição de missão, bem clara a uma entidade exclusivamente responsável.
Agora, no caso da Guarda Costeira parece que se está a caminhar no sentido contrário , com a maior displicência, o que não obterá o apoio das FA, de acordo com a doutrina e os princípios que as regem. E mal será que, por interesses de momento, venha a cair numa confusão de atribuições indefinidas em que todas as partes serão penalizadas na sua imagem. Aqui também deve ser seguido o método Pensar antes de decidir.
ANEXO: Carta enviada aos jornais em 4 de Janeiro de 2006
Autoridade única para a alimentação (ASAE)
Criar uma autoridade única para qualquer actividade é sempre uma medida positiva e de elogiar por evidenciar uma boa intenção de acabar com múltiplas colheres a mexer no mesmo tacho, o que nunca deu bons cozinhados. Mas é indispensável definir de forma clara e precisa as suas tarefas e relacionamento com outras autoridades vizinhas e, ao mesmo tempo, eliminar as três autoridades existentes e que é suposto serem por ela substituídas que por se sobreporem, eram forçosamente ineficientes. É desejável que esta não venha a ser na realidade uma quarta instituição a mexer no mesmo tacho.
Recordo que, há alguns meses, um canal de TV denunciava uma cadeia de talhos de supermercados que raspava a carne com mau aspecto para parecer fresca. Tendo ouvido aquelas três autoridades agora substituídas, cada uma declarou que o caso se inseria nas atribuições das outras duas e nenhuma se assumiu com competência para actuar! Trata-se, infelizmente, de uma situação muito vulgar: Quando um organismo não é eficiente, cria-se outro para o mesmo leque de responsabilidades, mas não se definem, clara e inequivocamente, as suas tarefas e passa a haver dois a perturbarem-se mutuamente. Daqui resultam custos adicionais para o Estado e incómodos diversos para os cidadãos por serem «maçados» pelos dois. No caso da alimentação já eram três! E oxalá não passem agora a ser quatro!
É de esperar que esta medida sirva para arrumar a casa, resultando numa pirâmide de tarefas e de responsabilidades, com poucos degraus, sem burocracia inútil e com muita eficiência. A burocracia é fonte de corrupção, que deve ser combatida e evitada. Por outro lado, seria interessante que daqui saísse um modelo impecável a ser seguido noutros sectores de actividade. Já não é cedo para o Estado começar uma salutar reestruturação com vista a aumentar a produtividade e reduzir os custos de funcionamento, a fim de guindar Portugal ao nível dos países mais desenvolvidos.
A. João Soares
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quarta-feira, 11 de julho de 2007
Discurso do General Gomes da Costa em Agosto de 1925
Célebre e violento discurso do general Gomes da Costa, pronunciado perante o ministro da Guerra, em Agosto de 1925
No dia 15 de Agosto de 1925, a guarnição militar de Lisboa foi ao Terreiro do Paço, com o General Gomes da Costa à frente, apresentar cumprimentos ao novo ministro da Guerra, Sr. General Vieira da Rocha. Reunidos os oficiais superiores no gabinete do ministro, pronunciou o general Gomes da Costa o seguinte discurso:
“Sr. Ministro: - Impõe-me a minha graduação o dever de dirigir a V. Ex.ª algumas palavras em nome dos oficiais aqui presentes e se presume representarem todo o Exército.
Não tendo, porém, conversado previamente com eles, eu desconheço o que eles pensam acerca desta convocação que a repartição do gabinete se não esquece de fazer sempre que um novo ministro toma posse do cargo e que pela sua frequência e imposição não tem outro significado mais que o simples cumprimento duma ordem banal.
Creio bem que, por isso mesmo, deve V. Ex.ª, que sempre tem sido um soldado, sentir como todos nós a inutilidade e até mesmo o ridículo de uma cerimónia que só se justificaria, pelo entusiasmo suscitado após um alto feito militar, mas que em circunstâncias normais tão vexatória é para V. Ex.ª como para nós.
V. Ex.ª, que não é a primeira vez que exerce o cargo de ministro da Guerra, deve saber do miserável estado do Exército, desprovido de organização, desprovido de instrução, desprovido de material, absolutamente incapaz de oferecer uma resistência séria.
V. Ex.ª deve conhecer como nós a impossibilidade de mobilização imediata de uma simples divisão e da carência de armas, munições, cavalos, viaturas, etc. Deve V. Ex.ª conhecer a desorganização dos diversos serviços militares e o desleixo que para aí vai.
Não me proponho detalhar agora toda a nossa miséria; mas, convém acentuar que não a desconhecem as nações que têm representantes em Lisboa, representantes que não são cegos nem tolos e têm por dever informar-se para saber informar os seus governos. Para lamentar é que sejamos nós, os que do Exército fazemos parte, quem menos conhece a verdadeira situação militar de Portugal, devido à norma das repartições superiores que envolvem tudo num véu de mistério, a coberto do qual nada fazem e gozam duma reputação nebulosa de saber e austeridade.
Não há muito que achando-me à testa da 4ª Divisão do Exército e querendo inteirar-me do problema da defesa do território que comandava, eu pedi à estação competente para me confiar o plano de mobilização e defesa para o estudar: responderam-me que os planos de defesa eram secretos e portanto me não podiam ser enviados!
Pasmei, e considerei esta resposta tão ridícula que preferi crer que não passava de uma simples forma de encobrir a ausência de qualquer plano; e até hoje continuo com a mesma convicção.
Cito apenas este caso, entre muitos outros assaz curiosos, para demonstrar a V. Ex.ª a necessidade de alterar todo este estado de coisas, introduzindo uma reforma radical nos usos e costumes do Exército, por forma a acabar com a mentira que nele reina e faz a fortuna a muita gente. E é destas e doutras causas análogas que vem a indisciplina provocada pelos de cima também com as suas faltas de tacto, de saber e de critério e, sobretudo, pela sua ausência de espírito militar. Escuso de acentuar a necessidade de preparação, pois hoje com a complicada ciência que é a guerra, não se improvisam exércitos e quem os não possuir bem preparados e organizados desde o tempo de paz será irremediavelmente batido ao entrar nela.
Poderá parecer estranho que tendo nós recebido ordem para apresentar cumprimentos a V. Ex.ª, cumprimentos que a tradição impôs como afirmação da passividade imbecil e conformação com o estado de inércia mental a que nos têm reduzido, eu quebre essa norma chamando a atenção de V. Ex.ª para a falta de preparação militar do País; mas, senhor ministro, eu entendo que o meu dever como soldado, que me orgulho de ser, consiste precisamente em dizer o que penso, para que ao derrocar-se esta nacionalidade se não diga que tendo uma oportunidade de chamar a atenção do Governo para a miséria militar da Nação eu a deixei escapar por comodismo ou cobardia. Fazendo justiça às qualidades militares de V. Ex.ª, a quem conheço há cerca de 30 anos, desde que servimos sob as ordens desse grande soldado chamado Mouzinho de Albuquerque, que teve a coragem de se meter na sepultura quando começou a derrocada que conheceu e não pôde suster, fazendo justiça a V. Ex.ª, repito, eu convenço-me de que V. Ex.ª saberá preparar o Exército por forma a que ele ocupe o lugar de honra que na nacionalidade lhe pertence, e sirva efectivamente para a defesa da Pátria.
Aljubarrota, Exmº. Sr., não é um facto isolado na História de Portugal e pode repetir-se sempre que haja um Governo consciente da sua missão e saiba pôr acima dos interesses particulares o interesse nacional e não faça da cobardia uma virtude cívica.
Organize V. Ex.ª, como é seu dever, os serviços militares, influa, como é também seu dever, para que o Governo de que faz parte ponha em ordem a administração civil e financeira, cortando as cabeças a todos os chefes das quadrilhas que com a maior desvergonha e impunidade andam há anos a esta parte comprometendo a honra da Nação, e pode V. Ex.ª estar certo que todo o Exército o apoiará entusiasticamente nesse trabalho.
Tem V. Ex.ª o coração colocado bem no seu lugar e de forma a poder encarregar-se dum tal papel?
É o que resta ver”.
Publicada por
A. João Soares
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23:04
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Etiquetas: exército, organização, seriedade, valores
