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sábado, 20 de janeiro de 2018

PARTIDOS, FAMÍLIAS, FUTURO

Que partidos, que famílias e que futuro?
(Publicado no semanário O DIABO em 16 de Janeiro de 2018)

É muito desagradável que uma grande parte dos cidadãos eleitores, ao emitirem uma opinião sobre os políticos portugueses, usem palavras curtas mas de significado demasiado contundente.

É, por isso, urgente que os partidos comecem a preocupar-se com a imagem que apresentam publicamente, a fim de conquistarem a confiança dos eleitores e melhorarem a esperança que cada português deve ter no futuro do país onde, provavelmente, viverão os seus descendentes. Seria bom a que a acção didáctica exercida sobre os cidadãos – dos menos aos mais cultos – lhes criasse o desejo de imitar os bons exemplos vindos de cima, do alto da hierarquia político-administrativa. Isso levaria os eleitores a escolher, com mais fundamento e consciência, os seus representantes e defensores, com base nas qualidades que lhes reconhecem e admiram e, também, lhes orientaria os comportamentos, de forma mais condizente com os valores éticos e cívicos que infelizmente, parecem estar esquecidos de quem devia dar exemplo.

Os próprios partidos também estão a ser objecto de tais opiniões negativas mas, perante a actual lei fundamental, não se pode passar sem eles. Porém, cada um deve investir algum tempo e reflexão de equipa sobre os interesses nacionais, dos cidadãos, a fim de passar a dar primeira prioridade aos grandes assuntos nacionais aos quais devem ser subordinados os interesses privados do partido e dos seus familiares e amigalhaços.

Os exemplos vindos a público sobre algumas IPSS, subsidiadas abundantemente por dinheiro público, com dirigentes das famílias de políticos com ordenados principescos, e dando «emprego» a políticos, com o aval partidário, do governo e de autarquias são objecto de apreciações pouco abonatórias. E a sucessiva aparição de mais casos torna conveniente uma investigação rigorosa para aplicação de medidas correctivas e preventivas de repetição de escândalos. E, provavelmente, também haverá serviços públicos de que não se conhecem efeitos positivos para a vida colectica, a Nação, e que funcionam como palcos bem remunerados para indivíduos da partidocracia em que predominam familiares e amigalhaços, exigindo mais atenção talvez ao ponto de lhes ser aplicada a solução dada às três instituições que foram extintas para dar origem à ASAE.

Há muitos escoadouros, sem controlo, dos dinheiros sacados aos cidadãos através de impostos directos e indirectos, taxas e taxinhas. Uma boa análise da estrutura organizativa da máquina pública levaria ao encerramento de muita chafarica inútil e dispendiosa e a um melhor critério de nomeação de pessoal que deve ser selecionado pela sua preparação, experiência, competência, dedicação à causa pública, capacidade, sentido de responsabilidade, etc. A nomeação de familiares ou amigos para a função pública deve ser precedida de cuidados especiais, com garantia de que dispõem de visível superioridade em relação com os melhores concorrentes, para evitar posteriores crítica desagradáveis à imagem de quem nomeou. E, depois, todos devem ser avaliados pelos resultados do seu trabalho, que deve ser perfeito e útil ao país. As instituições para inspecções, auditorias e fiscalizações citadas pelo PM a quando dum caso ocorrido com uma IPSS devem ser também vigiadas para haver garantia da independência, do rigor e da honestidade como desempenham as suas funções.

Enfim, na partidocracia em que os portugueses vivem, há que definir as regras com deveres e direitos dos partidos, não imitar a aristocracia familiar destituída em 1910, mas construir um futuro ao nível dos tempos mais gloriosos da nossa História.

António João Soares
9 de Janeiro de 2018

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

AMAR PORTUGAL SEM SUBMISSÃO A PARTIDO

Amar Portugal sem se submeter a um partido
( Foi publicado em O DIABO de 4 de Outubro de 20016)

 Ter Amor ao País, ser patriota, mas sem torcer por um partido, será mesmo tarefa impossível? Parece que não. A submissão a um partido é um cerceamento de liberdade de pensamento e de voto, é uma recusa de olhar para todos os factores de um problema, de analisar todos os aspectos que podem condicionar a escolha de uma solução ao tomar uma decisão capital para o futuro do Estado. Estas reflexões surgem ao meditar nas sugestões e conselhos que ressaltam frequentemente das palavras do Presidente da República.

Sem preconceitos ideológicos ou de afectos por um ou outro partido, podemos encontrar ideias ou possíveis intenções aproveitáveis ou recusáveis vindas de qualquer partido do leque existente. Seria, por isso, interessante que, fora do ambiente parlamentar em que as sensibilidades estão, demasiado e de forma artificial, acirradas, se realizassem mesas redondas de menos de uma dezena de participantes todos interessados em procurar um consenso para soluções a aplicar em sectores escolhidos. Sem quererem impor tais soluções, mas apenas para uma busca de solução ideal com as melhores vantagens e os mínimos inconvenientes para a colectividade. Nesse trabalho, deveria haver o compromisso de não impor a visão partidária mas apenas o interesse nacional sem receios de fazer cedências de pontos de vista menos adequados às realidades.

Esses trabalhos, com um aspecto lúdico ou desportivo deveriam ser praticados em sala fechada para nenhum dos participantes ter receio de ser penalizado pelo seu clã por não ter sido disciplinado ou politicamente correcto na defesa estrita dos respectivos interesses.

Certamente, seria um alfobre de medidas muito eficazes para fazer reformas e mudanças contributivas para o crescimento do País e para encarar o futuro com esperança e menos incertezas quanto à evolução. Poupar-se-iam meios financeiros e tempo por se evitarem tentativas fracassadas que levam ao desgaste do pára e arranca do cai levanta-se e volta a cair mais à frente.

Embora me possam chamar utópico atípico, alerto para o facto de alguns comentadores da TV e participantes em programas que abordam a política de forma apartidária e, por vezes humorística, procuram dar visões diferentes das defendidas pelos seus próprios partidos no sentido de construir um futuro mais promissor.

Como PORTUGAL seria mais risonho se fosse dada prioridade aos INTERESSES NACIONAIS!!!

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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

COMO APROVEITAR A PASSAGEM PELA OPOSIÇÃO


(Publicado em O DIABO em 20 de Setembro de 2016)

Quando um partido que passou uma ou mais vezes pelas funções do poder executivo e se vê na oposição, deve, como em tudo na vida, encarar o facto da maneira mais positiva e tirar dele os melhores benefícios, para o País e para o futuro do partido.

A situação de não ser responsável por tomar decisões que imponham deveres e sacrifícios aos cidadãos permite liberdade de análise, com capacidade de isenção, dos problemas fundamentais do País, e esboçar estratégias mais adequadas à melhoria da qualidade de vida das populações e ao enriquecimento da economia nacional, em benefício de todos.

Enfim, esse período de «repouso» deve ser aproveitado como um estágio de preparação para o desejado próximo período de governação. Para que este se concretize, convém ir dando aos eleitores a noção de que existe uma estratégia bem estudada, bem organizada e programada que contribuirá para uma vida melhor nos dias que virão, em benefício de todos os cidadãos.

Infelizmente, as coisas nem sempre são assim compreendidas e, em vez de em cada momento se pensar em engrandecer o país e criticar o Governo de forma positiva e construtiva, numa competição de competência, para atingir as melhores metas, cai-se na crítica destrutiva, negativa, em que sobressai a intenção da «luta pelo poder» de forma abjecta, à espera de que tudo seja demolido para reiniciar do nada a construção de algo que não se sabe bem o que será.

De olhos focados num futuro melhor, desejado por todos e serenamente preparado, todo e cada cidadão, só ou inserido em organizações idóneas, deve dar o melhor de si, dos seus conhecimentos, das suas capacidades, para que dos mais altos cargos saiam medidas bem estruturadas e adequadas aos principais objectivos nacionais. Nisso, os partidos têm especial responsabilidade e devem aproveitar a oportunidade para contribuir para que o novo orçamento seja preparado da forma mais auspiciosa para a grande maioria dos portugueses, os que foram mais sacrificados pela crise que ainda não se desvaneceu.

Como diz Anthony Giddens no seu livro «Runaway World» em 1999, «agora que as velhas formas de geopolítica se estão a tornar obsoletas, as nações vêem-se obrigadas a repensar as próprias identidades». E isso não pode ser tarefa a realizar por capricho ou inspiração de momento mas fruto de profunda meditação, com a colaboração de largo espectro dos cidadãos.

AJS
Em 14-09-12016
NOTA: Este texto foi publicado no jornal «O diabo», em 20-09-2016

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quinta-feira, 28 de abril de 2016

FALTA NA POLÍTICA TRANSPARÊNCIA, VERDADE, LEALDADE


A credibilidade dos políticos, há muito, que vem sofrendo de anemia quase letal. Em 9 Maio de 2011 Passos Coelho, em comunicação solene ao País, disse: «"Portugal está hoje com a maior dívida pública de que há memória"… "o país tem um nível de desemprego que ameaça a coesão e a justiça social". …é necessário colocar a economia portuguesa "a crescer".».

Já variadas mostraram que a dívida aumentou, o desemprego subiu apesar das sugeridas emigrações, os problemas sociais agravaram-se, etc e agora vem o actual PM afirmar que «"Ao contrário do que a anterior maioria nos quis fazer crer, a melhoria da situação económica em 2015 era aparente e não era real. Os dados económicos do segundo semestre de 2015 davam claros sinais do esgotamento da recuperação”… no ano passado o crescimento económico ficava "cada vez mais anémico, no terceiro trimestre roçou mesmo a estagnação… as exportações estavam em "clara desaceleração… também o investimento estava "em queda, os indicadores de clima cada vez mais negativos" e deu-se ainda "uma subida da taxa de desemprego e abrandamento do ritmo de redução do número de desempregados”».

A somar a tudo isso vem a notícia de no Parlamento, Um deputado do PSD perguntava pelo «anexo secreto. E obteve por resposta do PM que «não há nenhum quadro secreto, não há nenhum documento secreto, há simplesmente um documento de trabalho que foi enviado à Unidade Técnica de Apoio Orçamental da Assembleia da República». No que foi confirmado pelo ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques.

Como os portugueses se sentiriam mais tranquilos e confiantes se, como propõe o PR, os políticos dessem mais atenção aos interesses nacionais e se deixassem de ressabiamentos e tricas de interesses partidários e pessoais!!!.

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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

DEFESA DOS INTERESSES NACIONAIS EXIGE PRIORIDADES

A notícia «Cavaco Silva visita a Madeira na próxima semana» incita a reflexões cuidadosas. Quem esteja interessado em compreender tudo o que se passa à sua volta e de que possa ter de sofrer as consequências, como a meteorologia e as acções de políticos em funções de Estado, deve procurar explicações para o que chega ao seu conhecimento.
Por exemplo, a demora em termos um Governo em plena actividade, 40 dias depois das eleições e de ter havido uma decisão falhada como muita gente previa, exigia um esforço prioritário para uma solução para bem de PORTUGAL e dos portugueses. Por isso, e atendendo que o PR, no próprio dia das eleições afirmou que já tinha estudado todos os cenário pós-eleitorais, com o que criou a ilusão de que iríamos ter novo Governo, dentro de poucos dias, deixa no espírito dos portugueses a curiosidade de perceber a prioridade dada à ida à Madeira e, com isso, o adiamento da nomeação do próximo Governo. Das duas coisas, qual a que interessa mais a Portugal?
Foi agora relembrado na Comunicação Social que Sampaio foi muito mais rápido a decidir a criação do Governo de Santana Lopes. Demorou apenas 10 dias. Havia outras pessoas e outras circunstâncias. Há quem diga que a pressa de Sampaio gerou um governo que durou poucos meses. Mas a precipitação de Cavaco gerou um governo que durou dias.
COMO COMPREENDER AS PRIORIDADES???

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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

PS E AS TOMADAS DE DECISÃO


Das negociações conduzidas pelo PS para formar Governo ressaltou o factor muito significativo da abertura da discussão dos problemas, analisados por pessoas diversas em saber e opinião, por forma a não ser negligenciada nenhuma das suas facetas. Foi uma óptima aplicação da metodologia referida em «PENSAR ANTES DE DECIDIR» que era baseada no conceituado e muito melhorado ao longo dos tempos método militar do «estudo de situação». Nenhuma decisão deve ser tomada sem uma tal preparação e, mesmo assim, quando entra em concretização, podem surgir imprevistos que exigem correcções rápidas usando o mesmo método para conseguir o objectivo pretendido.

Agora, se tal governo vier a ser realidade, PORTUGAL deixa de ficar dependente de decisões «irrevogáveis» ou feitas por inspiração arrogante do estilo «eu quero, posso e mando» e por teimosia «custe o que custar».

Em tal governo, cada decisão precisando da aprovação dos parceiros, terá, portanto na base um conhecimento de vários pontos de vista e análise de vantagens e inconvenientes em comparação com qualquer outra solução alternativa. Haverá assim, ao contrário de palpites arrogantes, uma racionalidade de concentração de esforços e de reunião de recursos de saber e experiência, como ficou bem visível aqui.  

Oxalá os protocolos dos acordos assinados pelos parceiros resultem em pleno para bem de PORTUGAL, a fim de não haver zig-zag, nem erros de legislação de que resultará custos em tempo e dinheiro, perda de confiança e pressões estranhas que prejudiquem os portugueses. Uma sugestão que ressalta é que, tendo este início de discussão aberta e plural dos problemas nacionais, nunca deixem de procurar um permanente consenso para que os portugueses possamos ver o nosso País crescer, aumentar a credibilidade perante o estrangeiro e melhorar a própria qualidade de vida, com mais solidariedade, mais justiça social, menos desemprego, menos necessidade de emigrar, menos burocracia, menos gorduras na máquina do Estado, sem corrupção e sem despesas exageradas com mordomias, luxos, ostentação, etc.

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segunda-feira, 30 de março de 2015

RECEIO VER A COR DO TERROR E DO MEDO

Com a devida vénia, transcrevo o comentário de Arnaldo Medeiros Ferreira, recebido por e-mail, acerca do texto de Júlio Isidro «NÃO QUERO MORRER» sem ver a cor da liberdade:

«Lamentavelmente, no Portugal Democrático e decorridos quarenta anos depois do 25 de Abril, a qualidade e a esperança de vida não se apresenta favorável nem propícia, não só para os idosos, mas também para os jovens. Entre uns e outros, emergiu uma geração formada politicamente nas "escolas dos jotinhas" para a qual só contam os interesses pessoais e partidários e das suas clientelas políticas.

Para esta "geração politiqueira" sem sentido de Estado e sem noção dos superiores interesses nacionais, o Passado pouco vale e o Presente não tem futuro. Apenas conta o dia de hoje, com fictícias proclamações de sucesso político e económico-financeiro, por detrás do slogan de "não somos a Grécia" apesar da esmagadora e esmagada maioria dos portugueses estar vivendo, em termos estatísticos, pior do que a média dos gregos. Basta ter como referência o salário mínimo.

Segundo essas proclamações de sucesso político e de milagre económico, temos os "cofres cheios" de dívida pública crescente, apesar da severa austeridade imposta e com 20% dos portugueses vivendo abaixo do limiar da pobreza, assim como estamos com taxas de desemprego mais baixas, mas sem criar mais empregos e com aumento real de desempregados e sem diminuir a emigração de jovens e não só.

Desejaria também ver a "COR DA LIBERDADE" mas confesso que, antes, preferiria não conhecer a "COR DO TERROR E DO MEDO".»

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domingo, 20 de outubro de 2013

OBJECTIVOS E INTERESSES NACIONAIS


No Curso de Defesa Nacional professado no IDN em que foram auditores alguns actuais ministros, era enfatizada por várias vezes a absoluta necessidade de estarem bem definidos os objectivos e os interesses nacionais que permitam traçar a estratégia nacional que faça convergir para eles todos os esforços nacionais a fim de serem obtidos os melhores resultados traduzidos em melhor qualidade de vida das populações e no crescimento da economia.

Depara-se hoje na Comunicação Social com várias notícias que fazem reflectir sobre este tema.

João Salgueiro, em entrevista, diz que "Se o PS chegar ao poder, vai fazer o mesmo que está a ser feito agora".
É apenas uma constatação da realidade muito conhecida. É a força da «podridão dos hábitos políticos» referida por Rui Machete, dos vícios do regime em que vivemos há quatro décadas e que já está decrépito. Arrasta-se sem iniciativa nem inovação, sob o peso da inércia a que se refere Gonçalo Portocarrero de Almada. É urgente uma definição consensual dos objectivos e dos interesses nacionais para, a partir daí, serem formuladas estratégias para os alcançar. As discordâncias entre os partidos podem ter lugar nas tácticas a utilizar para alcançar as finalidades estabelecidas em consenso e aprovadas no Parlamento, mas não pode haver dúvidas nem hesitações quanto aqueles mais altos valores fundamentais do Estado.

O pior inimigo do nosso actual regime é a «inércia» que faz adiar projectos e bloquear maravilhosas intenções e ideais deixando-os transformar em cadáveres putrefactos que constituem um preço muito elevado da incompetência e da ausência de inovação.

E a propósito de objectivos e interesses nacionais o BE alerta para que as boas relações entre Portugal e Angola não podem ser restabelecidas à custa de princípios fundamentais e diz também que calculismo político do PR não serve a defesa da Constituição , pois isso pode estar a sofrer do facilitismo da inércia e ir contra os verdadeiros interesses nacionais.

Sem tais linhas de rumo bem definidas e obedecidas, a actividade política funciona como um catavento ou como ou como brincadeiras como diz o colunista João Pereira Coutinho

Mas , por cima de tudo isto, aparece quem queira tapar o sol com uma peneira e diga como Luís Marques Mendes que «Gaspar é o grande responsável e quem paga a factura somos nós». Isto mostra uma deficiente interpretação da responsabilidade do chefe de uma equipa. Há poucas horas um militar, do alto dos seus 83 anos que completará em 12 de Janeiro, recordava que no Exército o comandante é responsável por tudo o que a sua unidade faz ou deixa de fazer. Ora Gaspar não era chefe da equipa governativa. Há que consciencializar os políticos acerca dos «princípios fundamentais» a que se referiu o BE.

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terça-feira, 24 de setembro de 2013

INCERTEZAS PARA A PRÓXIMA SEMANA


Com respeito pelo autor Pedro Coimbra, transcreve-se o seguinte texto do blogue Devaneios a Oriente, por ser uma análise muito completa e imparcial e um sinal do falhanço de «intenções» propaladas, desde há meses, de união, consenso e convergência, mas de que, pelo contrário, apenas se viu preocupação de teimosia, de obsessão, de imposição «custe o que custar» ao povo e desejos de receber aplausos e não críticas e sugestões.

A crise (política) que se segue

Está muito próxima a data de realização das eleições autárquicas em Portugal.

O que devia, em teoria, por definição, limitar-se a uma escolha dos representantes que estão em contacto directo com as populações, nunca foi apenas isso.

Esse facto é particularmente sentido e relevante nestas eleições.

Com o País mergulhado numa crise económica e social que teima em não dar sinais fortes de abrandamento, estas eleições vão ser, acima de tudo, um teste à coligação que governa e às oposições.

Mas, opinião muito pessoal, muito mais às oposições que à coligação parlamentar.

Porque, com um Presidente da República que constantemente manifesta total repulsa a cenários de crise política, mesmo um resultado desastroso da coligação governamental só dará lugar a uma crise política se, às eleições, se seguir uma implosão da própria coligação.

Uma implosão que, a existir, partiria da iniciativa do CDS.

Uma possibilidade que não é de afastar.

Se o estratega Paulo Portas verificar que o CDS sai muito penalizado destas eleições, que corre o risco de se tornar uma força política menor, acredito que não hesitará em recorrer a uma fuga para a frente, em tentar demarcar-se, desta vez sem retorno, das políticas de austeridade que tem vindo a apoiar.

Mas, voltando atrás, se a solidez da coligação governamental será posta à prova, a liderança das oposições não o será menos.

No PS, António José Seguro sabe que está obrigado a um resultado que não deixe que subsistam as dúvidas acerca da sua capacidade enquanto líder e da capacidade do partido enquanto alternativa de governo.

Um resultado, que não seja simultaneamente altamente penalizador para a coligação governamental e moralizador para o PS, representará o fim da era António José Seguro.

A ser assim, falta saber quem sucederá ao baço líder do PS.

Nestas contas de uma crise política anunciada, mas ainda sem se saber com que protagonistas, entra também o Bloco de Esquerda.

A nova liderança bloquista vai, pela primeira vez, ser sujeita a avaliação do eleitorado.

Um resultado penalizador para o Bloco pode desencadear uma crise de liderança dentro do partido, o emergir de um cenário de orfandade na liderança após a saída de Francisco Louçã e o desaparecimento de Miguel Portas.

Neste cenário de crise(s) eminente(s) só o PCP sai incólume.

Porque o eleitorado comunista não é volátil, está consolidado, e ninguém estará à espera de um grande resultado ou de uma grande derrota do PCP.

Em resumo, aproxima-se a data de umas eleições autárquicas que, muito mais que eleger representantes do poder local, poderão ser o primeiro passo para a emergência de um novo paradigma político, com novos protagonistas, em Portugal.


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terça-feira, 2 de outubro de 2012

SEAF ao arrepio da IGF

Em qualquer grupo de trabalho, equipa, instituição, séria, organizada, com hierarquia e disciplina bem definidas, o seu chefe deve ser considerado responsável por tudo o que a instituição faz ou deixa de fazer. E isto deve ser rigorosamente cumprido, principalmente, quando a finalidade superior institucional é a defesa dos interesses nacionais, do País, dos cidadãos.

Com base neste princípio, a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, retirou alguns ministros da equipa governamental logo no decorrer dos primeiros meses de actividade. E, por cá, há vários observadores atentos à actividade do Estado, e pertencentes à área política do Governo, que andam a sugerir remodelação da equipa do executivo desde ministros a assessores e consultores.

Qualquer desvio ao lema de que os interesses nacionais devem estar em prioridade superior à dos interesses privados, sempre que não sejam eticamente conciliáveis e convergentes, deve ser corrigido de imediato.

A promiscuidade resultante de membros do executivo terem ligações activas com o sector privado (principalmente, quando este tem negócios com o Estado), de que não queiram desvincular-se, presta-se a indesejáveis danos para o País, para os cidadãos contribuintes, para a ética e para a democracia.

A notícia de que Paulo Núncio, Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (SEAF) despachou sobre milhões dos grupos económicos ao arrepio da IGF que sugeriu esta reflexão é preocupante por referir uma decisão prepotente dissonante com a Inspecção-Geral de Finanças (IGF), de forma não transparente, para favorecer interesses financeiros de grandes empresas, parecendo constituir desrespeito pela transparência de procedimentos, pela democracia, pelo espírito de equipa, pelos interesses nacionais e por todos os portugueses.

Ou será que a notícia não corresponde à verdade? Então, há que «puxar as orelhas» aos jornalistas. Mas estes já são fortemente controlados com o recente reforço dos guarda-costas e agentes de segurança disfarçados que calam os desabafos do povo e dificultam o trabalho de fotógrafos e de repórteres. Este reforço faz também pensar que os custos desta mordaça ao povo e à Comunicação Social talvez fossem mais justificados e úteis no controlo da promiscuidade público-privada dos detentores de cargos públicos com influência em decisões com efeito na vida dos cidadãos. Com tal controlo e vigilância sistemática seriam detectados os primeiros sinais e efetuadas atempadamente as convenientes correcções.

Segundo a notícia o caso já ocorreu há mais de um ano.

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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Sinais animadores ?

Em perigo de crise social, moral e financeira, devemos evitar ficar agarrados a lamentos e a fixações naquilo que é negativo (infelizmente abundante) e precisamos de aproveitar os sinais positivos e animadores que, por acaso, surjam.

É certo que não podemos depositar demasiado optimismo e esperança em tais sinais porque , na maior parte dos casos, acabam por se esfumar sem os resultados desejáveis ou prometidos. Mas, mesmo sem euforia, convém destaca-los até para que os «responsáveis» se sintam obrigados a não frustrar as espectativas criadas.

A tão propalada , desde há mais de um ano, redução de despesas com fundações e outras obesidades do Estado doente deu agora sinais de concretização. Como dizem vários observadores, num universo de centenas de «instituições» sugadoras do erário público, dos nossos impostos, as notícias vindas a público não podem ser consideradas verdadeiros e significativos cortes, ficando-se apenas pequenas escoriações ou arranhões em tão magno problema. E há dúvidas de que, perante a proverbial subordinação dos governantes às amizades com ex-políticos, bancos e grandes capitalistas, os sinais agora vindos a público venham a ser concretizados com o desejado rigor e patriotismo, mas já são um sinal animador no meio dos factores de desânimo, descrença e medo de dramas sociais irremediáveis.

Para levar esta acção salutar para a sociedade portuguesa, é indispensável analisar o assunto com profundidade. Por exemplo, procurar resposta para as interrogações seguintes e outras. O que se passa com cada uma das muitas centenas de fundações? Qual ao alegada finalidade da sua criação e qual a actividade de benefício publico e «outras» que têm vindo a desenvolver? Estas actividades correspondem às finalidades inicialmente propostas? Quem tem sido beneficiado com a sua existência? Como tem sido efectuada a contabilidade e como tem sido feito o seu controlo? Que ligações existem entre o Poder político nacional, regional, autárquico e financeiro e os elementos das administrações, e outros órgãos de direccão, conselho e controlo? Qual o grau de promiscuidade entre função pública e interesse privado realmente existente nos ocupantes da tutela que têm consentido nos desperdícios do erário público com muitas «instituições» de menor interesse para a sociedade?

Certamente, haverá muitos casos gritantes semelhantes ao da Fundação do PSD-Madeira.

Mas há um outro sinal animador, o das buscas a casa de ex-governantes, no âmbito da investigação de má administração de dinheiro público e de desleixo em relação aos interesses nacionais, em negócios da Estradas de Portugal. Esta notícia pode mostrar que a Justiça está a tentar ser aplicada a todos os cidadãos, independentemente dos seus cargos públicos. Isso é animador para os portugueses e mais será se não parar a meio e se for conduzido até às últimas consequências. Portugal precisa de ter confiança na Justiça e considera-la o mais forte pilar da harmonia na vida social e nas interacções de cidadãos com todo e cada um dos serviços públicos.

Oxalá não falte clarividência para estudar bem as decisões antes de virem a público e coragem, honra, dignidade e sentido de Estado e de responsabilidade para usar de forte patriotismo e concretizar a melhor estratégia para o futuro dos portugueses e de Portugal.

«Honrai a Pátria que a Pátria vos contempla»

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Marcelo e os valores nacionais !!!

Transcrição de textos recebidos por e-mail:

Aos meus Amigos, (eu queria mandar isto era para o Sr. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa).

Peço-lhe que desculpe o atrevimento de lhe escrever estas linhas.
Ouvi ontem o seu comentário e apreciação enaltecida à nossa selecção. Acho que foi justa e estão todos de parabéns, e nós também, por eles.

Mas, permita-me esta crítica: acho-a desmesurada aos jogadores do futebol e até um certo "endeusamento", claro que eles estavam a representar as cores Portuguesas e a eles especialmente, pois pelo que me parece ganham para isso e não ganham nada mal. Em contra partida, nunca o vi a defender tão acerrimamente aqueles, que desde 61 a74, vestiram uma farda, esses sim, largaram tudo o que de mais querido tinham no seu torrão natal, largaram as alfaias agrícolas, mães e pais, mulher e filhos, avós namoradas e amigos e foram p'ró lado de lá do mundo, para os três T.O. cumprir, com coragem, abnegação e sacrifício da própria vida, de armas na mão cumprir com devoção honradez galhardia o seu dever de defender as terras Portuguesas do lado de lá do mundo.

Cumpriram e cumpriram bem, e muitos deixaram lá as suas jovens vidas, outros vieram estropiados.

Não foram ganhar "balúrdios", mas sim ordenados de miséria, mas vieram muito ricos com o sublime sentimento e vaidade de missão cumprida.

Desses não vejo os nossos doutos doutores, referirem meia dúzia de palavras de endeusamento a esses gigantes, que realmente o foram.

Esses, não ostentam, jaguares, ferraris, bentleis e outros brinquedos de topo de gama...

E nos 13 anos já longínquos, passaram por lá, nessa senda, 1.300.000 Homens, e aqui nesta Pátria, que "mudou de camisola", só os tem desconsiderado... e muito mais haveria para dizer... hoje fico-me por aqui.

Respeitosamente, sou
Firmino Magro.


Comentários que acmpenharam:

Caro senhor
Também considero o texto, agora por ti divulgado, um escrito sereno, sensato e oportuno.
Sem desprimor para o bom comportamento da nossa selecção de futebol neste Campeonato Europeu, acho que se torna sempre conveniente e oportuno não esquecer aqueles heróis anónimos, quais «soldados desconhecidos» que suportaram os enormes sacrifícios da chamada «Guerra do Ultramar» em 3 Teatros de Operações durante 13 anos e que tão menosprezados têm sido pelo poder político (e não só) do Portugal Democrático.
Heróis desconhecidos e humildes que tiveram sempre Portugal dentro de seus corações, mas sem ostentarem a bandeira nacional na lapela!

Abraço,
AMF.


Prezado Camarada:
Embora aplauda a sua iniciativa de escrever ao sempre "esclarecido" Prof. Dr. Marcello Rebelo de Sousa, não posso deixar de lhe lembrar que fomos nós militares, os grandes culpados deste "pântano" em que se transformou a nossa querida Pátria, outrora PORTUGAL e depois República Portuguesa. Só a alteração do nome, sem que alguém se tenha preocupado e procurado saber se era essa a vontade do povo, das gentes, foi um pronúncio de que a anarquia ia prevalecer sobre a Ordem, o Nacionalismo. Por outro lado, quando do 25A, os "generosos" militares, depois de garantirem as prebendas de que se julgavam credores, entregaram o poder a quem? Aos apátridas (alguns considerados traidores), aos desertores e aos refractários!!! Que esperava acontecesse?

Além do mais, cada dia que passa se tem conhecimento que, apesar de militarem em partidos políticos diferentes, a grande maioria são "irmãos"!!! Usem ou não o avental! Que se esperava desta "irmandade" em que se transformou a República?

Resumindo e concluindo. Só nos resta procurar um buraco onde morrer tranquilamente porque, a meu ver, esta República de Irmãos, nada tem a ver com um país que nos foi legado e que se chamou PORTUGAL.

Um abraço do camarada
Z Moniz


Concordo plenamente com o texto.

L Carvalho


NOTA: É certo que um comentador está pressionado pelas notícias da actualidade, da oportunidade. Mas, para ter credibilidade, não pode deixar de assumir a dignidade de tratar com proporcionalidade os diversos temas que aborda, em função do seu interesse para as soluções dos maiores problemas que os portugueses enfrentam. É prioritário ajudar os portugueses a compreender as realidades e dar-lhes pistas para encontrar soluções, visto ser dito que a solução da crise cabe a todos e a cada um de nós. E o cidadão mais humilde tem de obter resposta para a pergunta «e o que posso eu fazer para sairmos dar crise?». Ora falar dos heróis da bola nada contribui para isso, a não ser lançar «fumaça» para aumentar a serenidade com que se alheam dos problemas, à tolerância, à indiferença plácida e à sonolência sonâmbula de votar «porque sim», tal como lhes é ordenado pelos arautos da campanha eleitoral.

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quinta-feira, 31 de março de 2011

Fogos florestais preocupam bombeiros

Apesar do muito esforço, é difícil de compreender «os cortes orçamentais anunciados para os meios aéreos de combate a incêndios». Os bombeiros profissionais estão «perplexos» com tais cortes.

É estranha e preocupante a naturalidade, facilidade e frequência com que o Governo, com o seu desprezo pelas realidades do país e pela necessidade de preservar recursos nacionais de capital importância, toma atitudes incompreensíveis perante um problema grave que se prevê que este ano será mais desastroso do que o foi em 2010.

Recordemos o que foi escrito em «António José Seguro privilegia prevenção dos fogos» e em «Fogos florestais 2010» e nos textos nele linkados.

Será que o Governo quer reduzir as despesas com a defesa das áreas florestadas, para ter dinheiro para as «Fundações e empresas públicas»? Qual a tabela de prioridades para o emprego do dinheiro público? Será que este é destinado a apoiar os «boys» e depois, se restar algum, então pensará nos portugueses e nos recursos nacionais?

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