Cuidado e precaução, sempre
(publicado no semanário O DIABO nº 2209 de 03-05-2019, pág 16?
São imensos os acidentes de várias espécies que têm vindo a público, com perdas de vidas, de bens materiais e de danos para o meio ambiente que podiam e deviam ser evitados com práticas sistemáticas de cuidado e precaução com a manutenção e a utilização de equipamentos. Pessoas menos conscienciosas dirão que os cuidados e as medidas de precaução de que é exemplo a manutenção de materiais, têm custos. Mas, em sentido contrário, não podemos tentar esquecer que as vidas perdidas os haveres estragados por acidentes evitáveis têm um preço muito mais elevado, por vezes incalculável e com efeitos demasiado dolorosos para as vítimas e suas famílias, além da emotividade desagradável da população em geral.
Há poucas dezenas de anos, em meios próximos da educação e da formação profissional era defendida e aconselhada a excelência dos resultados do trabalho, mas o aparecimento de uma onda juvenil de falsos filósofos, ainda imberbes nas artes profissionais e convencidos de que estavam dentro do conhecimento da digitalização, lançaram a ideia de que o que era necessário era chegar ao fim sem olhar para a qualidade do trabalho, afastaram o culto da excelência no trabalho e deixaram lugar vago para o desmazelo e o desleixo generalizado que está a minar o desenvolvimento das indústrias e dos países.
O incêndio que deflagrou na catedral de Notre Dame de Paris em 15-04-2019 e que a podia ter deixado irrecuperável, deve ter sido gerado por material tratado com menos cuidado, menor precaução ou inconveniente desleixo, desmazelo ou desprezo, por pessoas não totalmente conscientes do possível perigo.
A queda do autocarro cheio de turistas, na Madeira, em 17-04-2019, que se despistou e capotou pela encosta, matando 29 turistas e ferindo 28, segundo suspeitas, pode ter perdido os travões durante o percurso, pouco tempo depois de abandonar o hotel. E isso poderia não ter sucedido se a viatura tivesse sido cuidadosamente vistoriada antes da sua utilização, ou se o motorista a tivesse imobilizado logo que detectou que algo não estava a funcionar correctamente.
Em Agosto de 2010, o despiste de um autocarro dos Transportes Colectivos do Barreiro, em frente da estação do terminal rodo-fluvial, causou um morto e quatro feridos ligeiros. O acidente ocorreu quando o autocarro se despistou e embateu noutro autocarro da mesma empresa municipal de transportes públicos. Uma melhor concentração do motorista naquilo que estava a fazer teria evitado o morto e os feridos.
Em Outubro de 2010, quatro pessoas morreram num acidente de viação no Itinerário Principal 4 (IP4). Ao quilómetro 93, uma colisão entre um ligeiro e um mini-autocarro provocou quatro mortos, três alunos polacos e um residente de São Cibrão, e 10 feridos ligeiros, todos jovens do Abambres Sport Club. A que se terá devido a falta de concentração do motorista no trabalho que ia a realizar?
Em 10 de Março último caiu na Etiópia um avião, seis minutos depois de descolar, tendo morrido todos os 149 passageiros e 8 tripulantes. Provavelmente, antes da descolagem não teria sido devidamente inspeccionado. E, possivelmente, o piloto do voo anterior não deve ter informado sobre qualquer deficiência detectada.
Em 29 de Outubro passado, um Boeing caiu no Mar de Java, devido a uma causa desconhecida, o piloto entrou em contacto com a torre de controle e pediu para retornar ao aeroporto, porém a aeronave perdeu o sinal 13 minutos depois, o avião que transportava 189 passageiros entre eles uma criança e dois bebés, caiu ao mar, tendo morrido todos os seus ocupantes. Em 11-12-2018, fiz em O DIABO um apelo para se tomarem medidas preventivas a fim de “Reduzir os acidentes rodoviários”.
As vidas assim perdidas e os ferimentos podiam provavelmente ter sido evitados se tivesse havido o culto da excelência quer dos mecânicos quer dos motoristas e pilotos.
Vale mais prevenir do que remediar. ■
sexta-feira, 3 de maio de 2019
CUIDADO E PRECAUÇÃO, SEMPRE
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019
PREPARAR O FUTURO
Preparar o futuro
(Publicado em O DIABO nº 2198 de 22-02-2019, pág 16)
Há muitos indícios de que Portugal vive, há demasiado tempo, numa pasmaceira ou pântano, sem sinais de projecto que conduza a uma reforma estrutural que eleve o país a um desenvolvimento e crescimento adequado a melhor qualidade de vida das pessoas e crescimento da economia com resultados melhor distribuídos com justiça social, por forma a criar uma justificada credibilidade de governos e partidos inspiradores de maior confiança dos cidadãos em quem os governa. É frequente ouvir-se falar da conveniência de comparar as obras realizadas e as decisões tomadas para bem dos portugueses nos últimos 44 anos com as do período de igual duração anterior ao 25 de Abril, apesar do esforço de guerra no Ultramar.
E são referidos novos hospitais, tribunais, quartéis para militares e para GNR, Polícia, bombeiros, escolas, aeroportos, etc. E na situação financeira havia uma reserva de barras de ouro de valor histórico, e agora há uma dívida que sobrecarregará várias gerações.
A falta de sentido de Estado e de preparação para encarar o futuro com correcta definição de objectivos a atingir e escolha de boas estratégias, geral e sectoriais, para os alcançar, conduziu a um “deixa andar e depois se verá”, com o resultado que Guterres definiu como “pântano” e utilizou como pretexto para deixar o Governo que chefiava. Depois veio Durão Barroso, que não detectou forma de brilhar à frente do Governo e aproveitou a oportunidade de ir ocupar alto cargo na União Europeia, sendo substituído por Pedro Santana Lopes, que tentou iniciar a descentralização do poder executivo, com uma decisão imponderada e ridícula de deslocar uma Secretaria de Estado para Portalegre. Esta decisão foi recordada com a recente e esquisita promessa de mudar o INFARMED para o Porto, o que deu despesas para pagar pareceres a amigos coniventes, mas que, mesmo assim, foi esquecida. Santana Lopes acabou por ser demitido pelo PR, que mostrou não ser contemporizador nem recear tomar decisões. Depois veio Sócrates, que se deixou pressionar por construtores, deixando-se levar a construir auto-estradas, algumas sem necessidade e até paralelas a outras já existentes, e a criar uma alternativa ao Aeroporto de Lisboa, na OTA, apesar de a orografia não ser nada adequada a tal obra, mas para isso tinha o apoio de amigos que, entretanto, compraram terrenos para serem expropriados por alto preço ou para serem urbanizados, com bons lucros. Também a auto-estrada para o Algarve teve três alternativas, não por razões correctas mas devidas a pressões de políticos que tinham comprado terrenos que, nessas hipóteses, dariam grandes lucros na expropriação. Custou conseguir que a escolha fosse a mais lógica.
Quanto aos anos mais recentes, não é preciso fazer esforço de memória porque as pessoas não esqueceram com facilidade, e a prometida reforma estrutural está em todas as cabecinhas pensadoras, tal como a ausência de decisões para bem da nação, a insatisfação generalizada que tem gerado
greves, com graves prejuízos para utentes de serviços públicos, como universidades, escolas, jardins de infância, hospitais e centros de saúde, transportes rodoviários e ferroviários, finanças, serviços da segurança social ou de estrangeiros e fronteiras, etc.
Está a ser necessário, com urgência, alguém com dedicação a Portugal, competência e coragem para ordenar o estudo de uma reforma estrutural abrangente, com uma estratégia bem definida para atingir finalidades coerentes com os interesses nacionais. Essa estratégia geral deve ser decidida e depois
preparadas as estratégias sectoriais, por forma a haver uma coerência e convergência de todos os sectores para serem obtidos resultados em perfeita harmonia entre si e sem necessidade de paragens e recuos que são sempre custosos, pelo menos no factor tempo que constitui o tesouro mais precioso
por ser irrecuperável. ■
António João Soares
15-02-2019
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terça-feira, 11 de setembro de 2018
ACÇÕES INDISPENSÁVEIS E INADIÁVEIS
Acções indispensáveis e inadiáveis
(Publicada no Semanário O DIABO em 11 de Setembro de 12018)
Em vez da propaganda onírica que idiotiza o povo e lhe cria, quando despertar para as realidades, vontade de defender os interesses colectivos e agir de forma violenta contra quem o enganou, será conveniente informar lealmente e incitar à convergência em direcção ao desenvolvimento nacional de que todos beneficiem.
A propaganda e a oferta de ilusões irreais, fantasistas, não melhora a situação de idosos e reformados; não aumenta o rendimento médio das famílias, que se tem afastado negativamente da média europeia; não melhora o desenvolvimento económico; não evita que se caia numa crise semelhante às que estão a massacrar as populações venezuelanas ou sul-africanas. Porque será que a economia tem estagnado há vinte anos? Porque será que nos últimos 44 anos não se construiu nada que se pareça com o que aconteceu nos 44 anos anteriores ao 25 de Abril – escolas primárias em quase todas as aldeias, liceus, palácios da Justiça, hospitais, quartéis para as Forças Armadas e para as Forças e Segurança, etc. – e não se criou dívida pública, antes pelo contrário, foi deixada uma reserva volumosa?
Sem análises profundas e sérias dos factores que levaram à estagnação da economia e da sociedade nacional, e sem serem definidos objectivos de crescimento e elaborados os consequentes planos estratégicos para os atingir, de nada vale a propaganda nem as “verdades politicamente correctas”.
Antes pelo contrário, pois, quando o povo despertar da sonolência induzida pelas fantasias com que é sedado e se consciencializar das realidades, acabará por reagir de forma espontânea, descoordenada, o que pode ter resultados dramáticos principalmente contra os que considera culpados do seu mal-estar. Entretanto, os jovens, isto é, a geração melhor preparada, emigrará em massa, o que representará uma grave perda nacional, por tornar mais difícil a recuperação da economia que é indispensável para o desenvolvimento global do País, principalmente nos sectores mais significativos.
A análise cuidadosa e honesta, sem preconceitos, dos erros ocorridos na vida nacional nas décadas mais recentes, com a intenção de não voltarem a acontecer e de deles serem tiradas as melhores lições para os evitar, desenvolvendo estratégias eficientes de desenvolvimento e recuperação, é uma medida sensata para construir um futuro liberto do pântano actual.
Em democracia, as decisões devem se tomadas com o povo e em seu nome, que é mandante dos agentes do poder político que devem considerar-se seus servidores. O povo, sendo informado com verdade, de forma clara, com frontalidade e sem fantasias oníricas, dará a sua colaboração, se lhe forem criadas condições que o levem a compreender e a ter confiança nos seus mandatários.
Destas considerações ressalta a necessidade de definir tarefas indispensáveis e inadiáveis para preparar o futuro imediato e, depois, o prolongar persistentemente com a necessária adaptação aos condicionalismos que forem surgindo, sempre de forma sensata e inteligente.
Devem ser evitadas saídas infelizes como as do PM e do MAI relativamente aos incêndios de Monchique: «será a excepção que confirma a regra do sucesso», o fogo de Monchique não é como «a vela de um bolo de aniversário (que) todos apagamos com um sopro», «(...) Notável (...) Notável (...) Notável (...)» «notável» a actuação da Protecção Civil em Monchique)…
A propaganda deve evitar cedências a pretensos “intelectuais” que vestem a capa de fascistas leninistas estalinistas que se esforçam por seguir uma táctica já posta de lado pela Rússia, a China, Cuba e alguns estados do leste europeu, a qual está a causar sofrimentos dramáticos na Venezuela e na África do Sul.
terça-feira, 4 de setembro de 2018
PERSPECTIVAS PARA AMANHÃ
Perspectivas para amanhã?
(Publicado no semanário O DIABO em 4 de Setembro de 2018)
Em democracia é curial haver liberdade de opinião e as decisões serem tomadas em nome do povo com o suposto consentimento da maioria, o que por vezes exige referendos mas, no mínimo, consultas informais aos sentimentos e vontade popular, por forma a que a decisão seja apoiada por maioria e corresponda aos desejos de serem o atingidos objectivos que contribuam para o desenvolvimento do país e a melhoria das condições de vida dos eleitores.
Isto concretiza opiniões que dizem que, em democracia, a governação, para tomar decisões, inspira-se nas pessoas e não lhes impõe nada que elas rejeitem. O poder é representante das pessoas e seu mandatário.
No artigo aqui publicado em 27 de Setembro de 2016, ao referir as fases da preparação da decisão dizia, a certa altura, que há necessidade de listar todas as possíveis soluções para o problema a fim de atingir a finalidade ou o objectivo pretendido, tendo o cuidado de incluir mesmo as que pareçam pouco adequadas ou aparentemente absurdas, sem preconceitos. Nesta fase não deve ser preterida nenhuma, por menos adequada que pareça.
A seguir, foca-se a atenção em cada modalidade listada e analisa-se à luz dos factores previamente considerados, para ponderar as respectivas vantagens e inconvenientes com intenção de prever como a acção iria decorrer se essa modalidade fosse a escolhida. Após essa análise faz-se a comparação entre elas, das suas vantagens e inconvenientes, com vista a escolher a melhor. Na escolha há modalidades rejeitadas de início por serem pouco adequadas e dedica-se a máxima atenção às melhores até se decidir pela que tiver uma boa cotação no balanço de vantagens e inconvenientes.
Recordo isto para salientar a conveniência de olhar para um problema por todos os lados e com todas as ópticas, independentemente de interesses particulares ou ideológicos. Portanto, a bronca de “desconvidar” uma oradora para a Web Summit, uma ‘cimeira’ tecnológica e empresarial que este ano se reunirá em Lisboa, parece que não se coaduna com a democracia nem com a metodologia de analisar problemas e procurar resolvê-los correctamente. Essa pessoa daria uma ideia que seria ouvida, sem imposição, e ampliaria a análise de assuntos. A opinião é livre e deve ser respeitada sem ter de ser colocada em prática, nem ser forçada a sua aceitação.
Mas este caso é uma aberração em democracia e tem sido alvo de comentários dizendo que se trata de um pequeno grupo de exóticos intelectuais inspirados em teorias fascistas-comunistas-estalinistas, que já foram rejeitadas pela Rússia, pela China e por Cuba e que, actualmente, estão a causar terrível crise social e económica na Venezuela. E tais comentários alertam para perigo nacional por o Governo não reagir e lhes tolerar tais aventuras arriscadas.
O nosso amanhã, com este afastamento da democracia, corre graves riscos de ficar caoticamente condicionado por aventureiros radicais extremistas que não respeitam os outros.
Curiosamente, a referida oradora que foi “desconvidado”, recebeu, em eleições livres na França, os votos de um terço dos eleitores. O caso de o seu convite ter sido rejeitado pela organização da cimeira internacional não vai deixar bem visto o nosso país na opinião pública europeia.
E assim se perde um evento com oradores diversificados que permitiria troca de ideias e mundividências com interesse para assistentes de qualquer parte do leque político-partidário. O bom senso e o respeito pelos outros, sem a troca aberta de ideias saem muito diminuídos desta gaffe. A troca de ideias, em conformidade com a metodologia para a preparação da decisão, atrás recordada, só traz vantagens para o momento seguinte, o da aplicação prática da decisão, do plano ou do programa a desenvolver.
António João Soares
28 de Agosto de 2018
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terça-feira, 17 de abril de 2018
PLANEAR COM SENTIDO ESTRATÉGICO... PARA O FUTURO
Planear com sentido estratégico… para o futuro
(Publicado no semanário O DIABO em 17-04-18)
As alterações da ondulação do mar, devidas a condições climáticas, têm provocado a destruição de cordões dunares e deixado sem areia as praias da Costa de Caparica. As condições actuais testemunham a deficiente atenção dada ao problema quanto a planos eficientes, com sentido estratégico, para evitar riscos em pessoas e património, nos muitos equipamentos e habitações ali existentes. Segundo notícia recente do «Notícias ao Minuto», na Câmara Municipal de Almada pretende-se proceder à retirada da população, tendo os planos para relocalização que ser equacionados "num período sempre a 100 anos", para não fazer a deslocação forçada em pouco tempo, o que acarretaria custos e sacrifícios elevados.
Mas, segundo a mesma notícia, o Presidente da Junta de Freguesia mostra ser mais prático reforçar a proteção do litoral e evitar o recuo da zona urbanizada.
Ambas as modalidades têm vantagens e inconvenientes e não deve optar-se por qualquer delas sem uma análise muito cuidada de cada uma a fim de se investir na melhor delas, ou escolher outra que seja mais vantajosa. Será oportuno aplicar, na procura da solução, a metodologia referida no artigo «preparar a decisão» publicado no semanário DIABO em 27 de Setembro de 2016.
O recuo ou deslocação da população começará a ter efeito daqui a alguns anos e torna-se mais pequena a dimensão do país, ao contrário de alguns exemplos de outros países, como a conquista do mar para construir o aeroporto de Macau, a Holanda que tem lutado para o aproveitamento das zonas baixas que deram nome aos «Países Baixos», o Mónaco que está a alargar a sua pequena área para o Mediterrâneo, não apenas para instalações ligadas ao mar, mas para habitação e fins comerciais e industriais, o Kuwait e o Dubay que têm aumentado grandemente as suas áreas para fins turísticos e outros, com grandes avanços sobre o mar.
Quanto à Caparica, já li que houve a intenção de a ligar por uma larga avenida ao Farol do Bugio e o aproveitamento deste para finalidades turísticas, de bares e de recreio. Mas as obras de protecção do litoral não podem ser tão artesanais como as que têm sido usadas, devendo-se utilizar fundações adequadas para os «cordões dunares», bem como para equipamentos de bar, restaurantes, parques de campismo e habitações, etc, a fim de ondas mais altas não lhes retirarem o solo subjacente e as destruir.
Qualquer que seja a solução adoptada, deve merecer a concordância de Governo e oposição, a fim de ter continuidade depois da primeira legislatura, para não se anular o custo da obra já feita e a deixar ruir, como aconteceu com o plano do aeroporto de Lisboa na Ota, depois em Alcochete e agora em Montijo, ou o TGV Lisboa-Elvas, ou a rede ferroviária de bitola europeia, ou a limpeza das bermas das estradas legislada há muitos anos mas só agora objecto de atenção, a «proposta para fiscalizar indústria de pirotecnia na gaveta há dois anos», etc.
A Natureza tem muita força e não pode ser totalmente contrariada, mas a segurança do património e das populações é dever essencial dos Governos. Por isso, perante as previsíveis alterações ecológicas, convém estar preparado para o aumento de riscos, com planeamentos adequados e preparados para alterações correspondentes às previsões da mudança climática. Para isso, deve ir-se além do critério de decisões de emergência (do «agora vai ser assim e, depois, logo se verá»), e decidir planear a pensar num futuro distante, sem pôr de lado a conveniência de introduzir os indispensáveis ajustamentos aconselhados pela evolução das circunstâncias. E, depois, acima de tudo isto, é imperioso que os sucessores garantam a sustentabilidade. Estes devem ter sempre presente que as grandes obras de que Portugal se orgulha não podiam ter sido construídas numa legislatura de quatro anos, em que os sucessores anulassem a obra iniciada pelos antecessores. Os interesses nacionais devem constituir a primeira prioridade dos governantes e ser planeados, iniciados e realizados, com sentido estratégico e de responsabilidade perante Portugal e os portugueses.
António João Soares
10 de Abril de 2018
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terça-feira, 9 de janeiro de 2018
OLHAR PARA O FUTURO É IMPERIOSO
Olhar para o futuro é imperioso
(Publicado no semanário O DIABO em 9 de Janeiro de 2018)
Perante a memória de uma situação trágica, em vez de pararem em lamúria, decidiram preparar um futuro melhor e iniciar já um desenvolvimento para o conseguir que, segundo ele, são “três dimensões juntas” e “muito raras” que destacam a AVIPG como um exemplo modelar de um novo caminho a seguir pelas populações e pelos seus responsáveis - autarquias e governos.
E o mais significativo é que o futuro pretendido não tem limite de tempo, sendo indeterminado e recebendo adaptações às evoluções de situações que, entretanto, ocorrerem. É uma filosofia para orientar a evolução para uma «nova era» em que o objectivo é conseguir a melhor qualidade de vida para os habitantes, seus animais de estimação, suas propriedades rurais e industriais e o seu património privado e público.
Quem cai deve levantar-se e continuar a vida. É assim que as crianças iniciam a sua capacidade para andar. Chorar um fracasso nada resolve, e o que interessa é analisar aquilo que originou o acidente e pensar inteligentemente no futuro para que não volte a acontecer a mesma desgraça ou outra. Assim, uma tragédia pode ser um estímulo útil para preparar um caminho mais eficiente para um futuro melhor. O PR frisa muito bem que este caso da AVIPG deve ser tomado como modelo a seguir por todos os que têm responsabilidades pelo povo, pelo património de hoje e de sempre. Já houve em Portugal situação semelhante, mas que não serviu de modelo durante muito tempo. Após o terramoto de 1775 surgiu um urbanismo que ainda é exemplar: a baixa pombalina de Lisboa e a cidade de Vila Real de Santo António. Mas, agora, não é preciso que se copiem as práticas da AVIPG mas, sim, o seu raciocínio que conduz a aproveitar a situação real e, em vez de reerguer o passado, pensar num futuro mais adequado às necessidades e às conveniências colectivas e preparar um futuro melhor, tudo devidamente ponderado a fim de ter continuidade, atendendo a custos e benefícios.
Se os governantes assumissem este exemplo, não ficariam parados tantos projectos válidos para a ferrovia, o aproveitamento e conservação da água fluvial e outras coisas da vida dos cidadãos, principalmente do interior.
E não esqueçamos que a catástrofe de Pedrógão foi há meio ano. E daqui a meio ano pode ocorrer, em qualquer local, incêndio de graves dimensões. E não podemos deixar de perguntar: o que foi feito, nestes seis meses para evitar mais fogos graves? Que medidas preventivas estão em marcha, para evitar e para combater com mais eficácia os que não forem evitados? Que sentido de futuro existe no Poder Executivo? E o que tem saído do Poder Legislativo, nesse sentido? Tem-se ocupado com aquilo que considera mais urgente: as finanças dos partidos, lesando o erário público, dos cidadãos. E aquilo que interessa à melhoria da qualidade de vida deste?
António João Soares
2 de Janeiro de 2018
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
NUNO CRATO CONFESSA OMISSÃO
Quando era criança, aprendi que os pecados podem ser por pensamentos, acções ou omissões e agora deparo com o ministro Nuno Crato, depois de quase dois anos e meio de Governo, a confessar que ainda há muito a melhorar nas escolas portuguesas.
E que melhoramentos fez durante todo este tempo, mais de metade do mandato? Já houve tempo suficiente para analisar a situação, fazer o diagnóstico e aplicar a terapia para, no fim da primeira metade do mandato, começar a colher os louros das medidas tomadas. Isto evidencia que realmente o País precisa de muita coisa a melhorar, a reformar, mas não parece que tais tarefas estejam ao alcance dos actuais governantes. Pelo menos, depois de muito entrados na segunda parte do mandato, o Governo ainda continua à espera que um milagre resolva os problemas do País.
E ainda há quem repita que a culpa é do governo anterior!!! Afinal, para que serviu a austeridade que empobreceu grande parte da Nação? Ressalta assim outra notícia de título “O governo magoa a população e sente-se orgulhoso”
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segunda-feira, 24 de junho de 2013
«ELOGIO» À TÁCTICA DE MADURO
Transcrição dum texto interessante que vem complementar, em outro estilo, os posts Maduro parece ainda verde!!! e mais do mesmo:
Poiares Maduro e a solução anti-embrulhadas
Diário de Notícias 22-06-2013. por FILOMENA MARTINS
Está tudo resolvido. O Governo acaba de encontrar a solução para as suas últimas grandes trapalhadas. Ideia de Poiares Maduro, na sua primeira grande intervenção, passe aquele conflito com os parceiros sociais, desde que assumiu a pasta que era suposto ter sido de Miguel Relvas: a da comunicação e coordenação política.
A partir de agora haverá comunicações públicas diárias sobre a atividade governamental. Estão pois, de futuro, evitadas confusões como a das várias versões sobre a negociação com os sindicatos dos professores. E, claro está, nunca mais assistiremos a outra novela de explicações embrulhadas como a do pagamento dos subsídios de férias aos funcionários públicos. Ninguém voltará a desconfiar que o Governo adiou de propósito a entrega do Orçamento Rectificativo e todo o processo legislativo para pagar apenas quando entendia. Nem ninguém colocará a hipótese da promulgação relâmpago de Cavaco, que até tinha mostrado dúvidas quanto à medida, ser mais um sinal de que nunca antes um governo tinha tido tão amplo apoio político. Nem sequer será possível equacionar que Passos Coelho estará a insistir na estratégia de dividir os portugueses, pagando a uns e não a outros. E muito menos de que se trata de uma vendetta para com o Tribunal Constitucional, depois dos dois chumbos consecutivos.
Da próxima vez teremos o próprio Vítor Gaspar a explicar, devagarinho, que é tudo muito simples: se os subsídios fossem pagos agora a todos, Portugal voltaria a ter um trimestre com o défice acima do previsto e que o problema não era a troika, que é nossa amiga e permite deslizes, mas sim os mercados, pois é preciso voltar a marcar o terreno e emitir dívida no final do verão.
Adiante quanto a ironias, sobretudo porque estamos perante humor negro e do mau. Este governo tem muitas lacunas e uma delas é de facto a de comunicação. Mas o problema não está na quantidade do que comunica, está na qualidade. E isso não se resolve com briefings diários, que hão de ser iguais às conferências dos jogadores de futebol quando estão nas selecções: dizem sempre que vão fazer o melhor para ganhar.
Resolve-se com capacidade e preparação. E sobre isso nem a troika ou Angela Merkel podem valer ao Governo. Nem a nós.
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MAIS DO MESMO
O Sr ministro Poiares Maduro, aparentemente, vindo de longe e sem ainda ter concluído o seu estudo analítico da situação com que os portugueses se debatem, apressou-se a manifestar a sua boa intenção dizendo querer oferecer esperança aos portugueses. Terá de ficar-se pela intenção porque os portugueses, há mais de dois anos, ouvem tais promessas («garantidas» e asseguradas») sem deixarem de ver a sua fome aumentar bem como o desemprego e os sacrifícios da austeridade excessiva e sucessivamente agravada. Por isso, as palavras generosas e supostamente bem intencionadas são «mais do mesmo».
A esperança já não pode vir pela via das palavras e promessas, mas sim pelos resultados, que já foram prometidos pelo PM para 2013 e que, como a generalidade das promessas, ficaram esquecidas no tinteiro. O povo português, como está acontecer com os brasileiros, não poder ser iludido eternamente e, como disse Mário Soares, às tantas zanga-se.
Diz também o Sr ministro Maduro que Portugal viveu "demasiado tempo sem planear o futuro" e diz muito bem, mas não deve dizê-lo em público, pois esse recado deverá ser interiorizado pelos seus colegas do Governo. Eles não têm sabido ou querido «planear o futuro». Muitas pequenas e médias empresas têm mostrado muita competência em preparar o seu futuro e estão florescentes apesar da má política que Portugal vem tendo desde há 39 anos.
Mas planear o futuro exige que se conheça bem o presente com todos os seus factores condicionantes. Um avião parte para uma missão começando pela descolagem, isto é, do ponto de partida, depois de testadas as condições do avião e de a pista estar desimpedida e em boas condições. O mesmo acontece com o atleta que, antes do salto, tem que saber fazer a «chamada». O piloto de fórmula 1 deve preparar uma boa posição na linha de partida e ter o carro bem afinado.
Por isso, Sr ministro, não despreze o conhecimento rigoroso da situação actual, em que os desabafos das pessoas, mesmo que sejam mais modestas do que o empresário de granitos que se lhe dirigiu na Feira do Granito de Vila Pouca de Aguiar, devem ser tidos como factor importante no seu estudo do Portugal actual.
Nunca se esqueça que cada português tem um voto igual quer seja um sem-abrigo ou o PR e convém que isso seja sinal de que lhe deve ser dada igual atenção e respeito pelos seus direitos, liberdades e garantias, no quadro da Constituição.
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domingo, 17 de março de 2013
PM é prometedor compulsivo
Perante a sucessão de desaires governativos progressivamente agravados e umas previsões para os próximos anos na sequência da espiral recessiva, Passos Coelho, com a sua habitual intenção de criar optimismo e esperança nos portugueses disse que «devemos procurar desmentir as previsões» do Governo, a que preside. Não disse quem é o sujeito de «devemos», mas supõe-se que sejam os governantes, os mesmos autores das previsões. Ele próprio disse que vai trabalhar para evitar que as previsões económicas se concretizem, as tais do seu Governo (mas ele não se passou para a oposição!!!).
Essa sua intenção começou por gerar em mim um efeito afrodisíaco, de estupefaciente, de incentivo à confiança no homem do leme.
Mas depressa, acordei dessa queda na letargia e me recordei que em 14 de Agosto (aniversário da batalha de Aljubarrota) último, Passos anuncia o fim da recessão em 2013, ideia de falsa propaganda que, poucos dias depois, foi evidenciada como absolutamente lunática ou utópica e hoje, passado pouco mais de meio ano, com sucessivas previsões falhadas e substituídas por outras mais pessimistas ou realistas, já não se repudia o conceito de «espiral recessiva» e de esperar que a recessão termine só para o próximo Governo. E, apesar de o seu Governo ser o autor das previsões, ele desdramatiza de forma incompreensível que “Previsões são apenas previsões”, o que significa que o médico deste doente, depois de receitar o mesmo remédio que agravou a doença e que, por isso, não a pode curar, não consegue optar por outra terapia menos danosa, mas reconhece que nem imagina sequer quando o doente recuperará, se é que algum dia conseguirá melhorar.
Entretanto, pessoas observadoras atentas dizem que as "coisas vão de mal a pior" e outras admitem que primavera é tempo de ruturas e outras fazem prognósticos menos optimistas. Do seu próprio partido sai a notícia de quem defende demissão do Governo.
Senhor primeiro-ministro, os portugueses não precisam da continuação dos seus anúncios de boas intenções, ideias, promessas e «planos» que conhecem há quase dois anos sem a mínima repercussão na melhoria das suas vidas (fome, desemprego, saúde, escolas, segurança, etc); eles ficariam mais motivados para aguentar se vissem efeitos positivos dos sacrifícios já sofridos, se vissem que valeu a pena, mas os números conhecidos produzem um efeito contrário, demasiado depressivo. Como não lhes pode mostrar os resultados positivos que desejam, não tente embriagá-los mais, com fantasias que não consegue concretizar. Procure colocar no terreno as promessas que faz desde há mais de dois anos, quando ainda andava à caça dos nossos votos.
E quando decidir falar aem público, producure explicar claramente, para ser compreendido pelos mais sacrificados como podemos ter esperança em tempos melhores. Como podemos acreditar que os governantes que têm apertado os nossos cintos dia após dia sejam agora capazes de agir com mais realismo e eficácia, para melhorar as vidas das pessoas mais carentes de nmeios de subsistência?
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Pés na terra a olhar o futuro
Transcrição de artigo seguida de NOTA:
Alô? Há alguém com os pés assentes na terra?
Correio da Manhã 30-11-2012. 1h00. Por: João Miguel Tavares (jmtavares@cmjornal.pt)
Todas bem juntinhas, as asneiras que Pedro Passos Coelho já acumulou ao longo de ano e meio de governação dariam para uma terceira ponte sobre o Tejo.
Mas quando assisto aos debates parlamentares em torno do orçamento e depois ouço a entrevista do primeiro-ministro na televisão, fico tristemente convencido de que se amanhã houvesse eleições eu voltaria a votar no PSD.
Passos Coelho tem tratado muito mal o meu voto, porque o empenho com que se atirou à minha carteira foi muito superior ao empenho com que se pôs a emagrecer o Estado. Mas quando ele fala, pelo menos vejo que há ali uma pessoa que percebe o problema. Ou duas, juntando Vítor Gaspar. Ou três, juntando Paulo Macedo. (Paulo Portas é melhor não juntar.) Eu até posso não concordar com as soluções propostas, mas pelo menos concordo sobre o que está mal.
É poucochinho? É. Só que do lado da oposição é o deserto intelectual. Toda a gente anda aos gritos e a proclamar diariamente a "ruptura política e social", mas a verdade é que o povo, numa sondagem feita já esta semana, continua a defender por uma larga maioria (63,5%) o cumprimento do acordo com a troika. Será mesmo o PSD que está desligado da realidade? O PS de António José Seguro está convencidíssimo de que anda a dizer aquilo que o país quer ouvir, mas eu estou muito menos certo disso do que ele.
O realizador português Gonçalo Tocha assinou este ano um filme sobre a ilha do Corvo, ao qual chamou "É na terra não é na lua". Parece-me o conselho perfeito para a oposição ao PSD e para uma vasta galeria de comentadores apocalípticos. Meus senhores: isto é a Terra. Se querem a Lua, inscrevam-se na NASA.
NOTA: Parece que tem razão e faz gerar a dúvida, quase certeza, de que a maioria dos portugueses, no seu progressivo empobrecimento e na ansiedade dele resultante e da falta de um sinal de esperança, vive nas nuvens ou na Lua e perdeu a noção das realidades terrenas.
Mas, em democracia, «a soberania reside em a Nação» e, por isso, seria bom que, ao lado ou em vez das muitas asneiras referidas no primeiro parágrafo, surgissem ideias para que cada cidadão se consciencializasse das realidades e se criasse um pensamento alargado a muitos por forma a encontrar a pista de salvação para que, com os pés na terra, se pudesse sair da crise e enveredar pelo caminho do crescimento da riqueza nacional e do bem-estar dos cidadãos.
Esse seria um papel adequado aos partidos e às principais instituições sociais, profissionais, etc., num trabalho de equipa, com total convergência de esforços e de vontades. Tudo o que seja a bem da Nação, com justiça social, equidade, proporcionalidade, deve merecer a primeira prioridade, nos discursos, nas acções, nos comportamentos cívicos.
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domingo, 20 de maio de 2012
Portugal de amanhã ???!!!
Tratar-se-á de uma«Brilhante» ideia ???!!!
Será com estas profissões que se espera criar «crescimento»?
Será isto que irá aumentar as exportações e colocar Portugal ao nível dos mais desenvolvidos parceiros europeus e do mundo???
Para onde queremos ir?
Que objectivos pretendemos atingir com esta estratégia?
Porque não preferiram o futebol e o golf ????
Em que local remoto residirá a eventual pouca lógica que os governantes possuem???
Mas, felizmente, fora dos gabinetes ministeriais, alguns portugueses mostram mais sensatez, maior sentido das realidades e tomam decisões mais adequadas ao crescimento concreto, evidenciando inteligência prática. É o caso da notícia do mesmo jornal Transportes para turistas são negócio dourado no Porto, muito coerente com as perspectivas, há muito enunciadas, de que o Turismo poderá ser uma via prioritária para o crescimento.
Como será o Portugal de amanhã? Para onde querem levar o nosso País?
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terça-feira, 1 de maio de 2012
Crescimento exige Estratégia
Como não há desvios, não sofrem percas de tempo, de recursos ou de energia.
Que bela lição é dada por estas árvores a muitos gestores conhecidos que, por incompetência, sacrificam os interesses colectivos daqueles que deviam por eles ser defendidos, protegidos e ajudados na obtenção de melhores condições de vida.
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
Crise é oportunidade e desafio
Uma crise, um obstáculo, uma situação inesperada e desagradável coloca os débeis em lamentações, lágrimas, inibição, e a pedir socorro. Mas leva os fortes a puxar por todas as energias analisar os danos, as condições em que o desastre ocorreu e buscar as melhores soluções. Há que repensar os projectos de vida e encontrar soluções mais criativas e eventualmente mais satisfatórias. É isso que temos observado nos Países Emergentes, no denominado terceiro mundo, em que depois das crises surgem períodos de acentuado desenvolvimento.
Entre nós, parece que depois de lamentações, estão a surgir sinais de bom senso de revisão de procedimentos e de alteração da gestão das vidas privadas e familiares. Passageiros ocasionais de transportes andam mais a pé, o que é saudável e reduz as despesas. Há muita despesa que pode ser suprimida sem prejuízo sensível para a qualidade de vida. As férias da Páscoa estão a ser planeadas com custos inferiores aos tradicionais. Certamente os gastos em ostentação e luxo também passarão a ser considerados menos necessários.
Tem aumentado o número de famílias auxiliadas pela Cáritas sinal de que as dificuldades são reais e muito sérias, havendo lugar para os jovens mais dinâmicos sacarem as suas capacidades de inovação e empreendedorismo para criarem pequenas actividades produtivas de bens e de serviços necessários e exportáveis e darem emprego a pessoas desempregadas. O facto de possuir um diploma não deve impedir que se desenvolva uma actividade de sector diferente mas que seja útil à sociedade e ao próprio, sem perder a esperança num futuro de que se goste mais.
EDUCAR
Para se iniciar a profunda transformação da sociedade ocidental, necessária para desacelerar o processo de degenerescência de que sofre e que a pode levar num futuro não muito distante a ocupar um lugar muito secundário na humanidade, é preciso dar primordial atenção à educação das crianças.
Para isso, os pais têm de estar «redobradamente atentos», sem privar as crianças do essencial, mas explicando com verdade, a realidade e a crise e consciencializando para o valor do dinheiro que é finito e que, por isso tem que gerido com racionalidade. Levá-las a reformular hábitos, banindo o que é supérfluo, isto é educar os filhos a dar mais importância «ao ser» do que «ao ter». Um dos aspectos positivos que podem surgir da crise pode ser o de os pais poderem ter mais disponibilidade de tempo para o «envolvimento afectivo e emocional com os seus filhos», evitando dar uma dimensão catastrófica da vida e reforçando o conceito de que o ser humano é dotado de uma capacidade de adaptação às adversidades.
E, se não reagirmos da forma mais construtiva estaremos a aceitar o rápido declínio de uma civilização que foi a preponderante no mundo desde há cerca de cinco séculos e passaremos a um lugar obscuro na escala mundial. Hoje a actividade dominante é a ligada à alta tecnologia, hoje nas mãos de países asiáticos, tanto no hardware como no software. No nosso caso, mesmo as actividades menos sofisticadas estão em mãos de imigrantes por os nossos jovens não quererem fazer trabalhos alheios ao sector da sua «preparação».
Tudo isso precisa de uma reciclagem de âmbito cívico e realista, porque o mundo que nos espera será muito diferente daquele a que estamos habituados. As pessoas não podem continuar a gastar aquilo que não têm por não o ganharem, pela perda de produtividade, e depois recorrerem irracionalmente a empréstimos não reprodutivos que pioram a situação.
Aproveitemos a crise para pensar e mudar para um sistema de vida mais seguro em relação ao presente e ao futuro.
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domingo, 25 de julho de 2010
Método socrático
Transcrição de artigo com igual título do professor
JOÃO CÉSAR DAS NEVES
NAOHAALMOCOSGRATIS@FCEE.UCP.PT Destak. 21 | 07 | 2010
Vivemos estranhos tempos políticos. A regra parece ser a desorientação e contradição. O Governo a cada passo corrige decididamente aquilo que fizera dias antes.
A cada momento surge um ministro a contradizer com firmeza o que ele próprio afirmara. As obras públicas são para manter a todo o custo e para adiar indefinidamente, conforme o dia. Com ou sem portagens, conforme a semana.
Os impostos passam de estáveis a crescentes de uma hora para a outra. As reformas decisivas na Saúde, Educação e Justiça já foram tudo e o seu contrário.
Este espectáculo grotesco, que alguns atribuem à crise internacional, parece incomparável, mesmo na triste história da multissecular democracia portuguesa. Tem, no entanto, um paralelo evidente no passado: a actuação do último primeiro-ministro socialista, José Sócrates.
Vale a pena lembrar que em 2005 o PS ganhou a primeira e única maioria absoluta sob a promessa solene de não aumentar impostos. Muitos avisaram então que tal seria impossível dada a situação, mas foram desprezados perante a firmeza do líder.
Logo que chegou ao poder, surpreendido pelo que toda a gente sabia, o Governo descobriu que tinha de subir impostos. Decidiu então faltar à palavra dada, criando uma magna encenação.
A comissão presidida pelo governador do Banco de Portugal respondeu a uma pergunta impossível: qual o défice se Governo nada fizer o resto do ano (a posse fora em Março!). Horrorizado com esse número artificial pode dar o dito por não dito.
O que hoje assistimos é apenas o paroxismo deste método socrático.
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quinta-feira, 19 de março de 2009
Modernizar não é acto espontâneo
Para avançamos, devemos conhecer o ponto onde nos encontramos e de onde temos de partir, os resultados a obter e, depois, formular e comparar as possíveis modalidades de acção para, de entre elas, seleccionar as vias, as maneiras, de exercer o esforço no melhor sentido, com economia de recursos em que está incluído o tempo.
Isto não é válido apenas em teoria, pois aplica-se em todas as actividades práticas desde o desporto às mais complexas indústrias e actividade de gestão ou de governação. Aplica-se, forçosamente, ao complexo problema do desenvolvimento de um País. Quais são os dados deste problema? Qual é a linha de partida? O que somos? Em que ponto nos encontramos?
Para estas interrogações, há muitas respostas populares e vulgarizadas: estamos num pântano; estamos de tanga; estamos num buraco; estamos num beco sem saída; estamos na lama; estamos numa fossa, etc. Mas, na realidade, falta definir os vários parâmetros desta situação indesejável, a fim de que as modalidades de acção sejam escolhidas sem ser com base em entusiasmos de momento, orgásmicos, cuja energia depressa se esgotará sem produzir os desejados resultados. De caprichos impulsivos já nos bastam as sucessivas alterações ao código da estrada para eliminar a hecatombe que destrói os homens na idade mais válida, sem o ter conseguido. Ou os sucessivos agravamentos dos impostos para reduzir o défice e desenvolver o bem-estar da Nação, sem vermos o fim da crise e o momento de desapertar o cinto, com excepção para os próximos da oligarquia reinante que, apesar de tudo, vêm aumentar os seus activos incessantemente.
É necessário método, lucidez, bom senso e vontade perseverante, tanto no estudo inicial antes das grandes decisões, como posteriormente na sua concretização. Sem isso, esgotam-se recursos e credibilidade e o País continuará a arrastar-se pela rampa, em obediência natural às leis da gravidade que, neste caso, impõem o «movimento uniformemente acelerado». Peço desculpa aos políticos, quase todos homens de letras, por esta referência à ciência, à física e à matemática, mas confesso que não estou a troçar da vossa ignorância das realidades mais rudimentares da vida nacional.
Para pormenorizar os traços gerais do método de preparação da decisão, sugiro a leitura de «Pensar antes de decidir».
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Recuos do Governo
Quando uma decisão, ao ser colocada em execução, se mostra menos adequada, é de boa norma anulá-la, suspendê-la ou, no mínimo, inserir-lhe as necessárias alterações, logo que seja detectado o defeito. Adiar tal acção ou recusar-se a «dar o braço a torcer» é grave. Mas ceder e recuar com muita frequência não é sinal de eficiência dos serviços, é desmazelo e/ou ignorância de uma sã metodologia de preparação da decisão, de que foi apresentado um esquema no post Pensar antes de decidir. Seguindo esse método e consultando simultaneamente os directos interessados no diploma em preparação, evitam-se muitas imperfeições que originarão recuos e desprestígio para o decisor.
Agora, a ilustrar estas palavras, surgiu na Comunicação Social a notícia de que foi Alargado o prazo para entrega da declaração e, com outro título, ‘Perdão fiscal’ a multas nos recibos verdes e Contribuintes recibos verdes deveriam ter sido avisados antes.
Fica a dúvida sobre a avaliação de desempenho dos assessores e outros funcionários que «trabalharam» na preparação da decisão, e da quantia que o ministério despende com pagamentos e outras regalias a tal pessoal e o resultado do cálculo da rentabilidade de tais custos. Perante a repetição destes casos de pouca eficiência, não surpreende a preocupação manifestada no artigo Mário Soares avisa que está a ser criado clima de desconfiança e revolta em Portugal. A actuação dos políticos (com as devidas ressalvas de eventuais excepções) é geradora dessa falta de confiança, de credibilidade, de prestígio.
Os portugueses esperam que o futuro traga melhores perspectivas e que, entretanto, os jovens de cá não caiam no descontrolo bárbaro dos gregos.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Pensar antes de decidir
O pensamento estruturado, metódico, deve preceder a decisão e a acção. Já por várias vezes foi aqui referida a necessidade de estudo dos problemas antes de ser tomada uma decisão. Por exemplo, o post de 6 de Janeiro do corrente ano, Não existe mentalidade de planeamento nos serviços públicos abordava este problema e, posteriormente, num comentário, ficou exposta uma metodologia que, adaptada a cada situação, pode dar uma forte ajuda e que é a seguinte:
Em termos resumidos, as normas de preparação da decisão e deplaneamento devem passar por
1) definir com clareza e de forma que ninguém tenha dúvidas, o objectivo ou resultado pretendido.
2) Em seguida, descrever com rigor o ponto de partida, isto é, a situação vigente, com análise de todos os factores que possam influenciar o problema que se pretende resolver.
3) Depois, esboçar todas as possíveis formas ou soluções de resolver o problema para atingir o resultado, a finalidade, o objectivo ou alvo; nestas modalidades não deve se preterida nenhuma, por menos adequada que pareça.
4) A seguir, pega-se nas modalidades, uma por uma e fazem-se reagir com os factores referidos em 2) e verificam-se as vantagens e inconvenientes; é um trabalho de previsão de como as coisas iriam passar-se se essa fosse a modalidade escolhida.
5) Depois desta análise das modalidades, uma por uma, faz-se a comparação entre elas, das suas vantagens e inconvenientes, com vista a tornar possível a escolha.
6) O responsável pela equipa, o chefe do serviço, da instituição, o ministro, o primeiro-ministro, conforme o nível em que tudo isto se passa, toma a sua decisão, isto é, escolhe a modalidade a pôr em execução, tendo em conta aquilo que ficou exposto na alínea anterior.
7)Depois de tomada a decisão, há que organizar os recursos necessários à acção, elaborar o planeamento e programar as tarefas.
8)Após iniciada a acção é indispensável o controlo eficaz do qual pode resultar a necessidade de ajustamentos, para cuja decisão deve ser utilizada a metodologia aqui definida, por forma a não se perder a directriz que conduz à finalidade inicialmente pretendida.
As várias insistências neste tema, são agora «premiadas» pela notícia do Jornal de Notícias Daniel Bessa: Governo deve "parar para pensar" de que se extraem algumas ideias:
O Governo deve dirigir o grosso dos investimentos para as exportações, em prejuízo das grandes obras públicas que vêm sendo anunciadas.
O país importa muito mais do que exporta e a diferença equivale a 10% do Produto Interno Bruto (PIB), o que o obriga a sobre-endividar-se no estrangeiro, para pagar aquela factura. Há 17 mil milhões de euros, por ano, que "saem mesmo da Banca portuguesa" e vão direitos aos bancos estrangeiros.
No actual contexto de recessão internacional, que parece resolvido o défice de confiança dos cidadãos nos bancos, mas não o da confiança entre bancos, sobretudo, de países diferentes. "Os [movimentos] interbancários continuam em muito mau estado".
A garantia de 20 mil milhões que o Governo deu à banca nacional foi uma boa medida, para esta conseguir dinheiro emprestado no estrangeiro, mas frisou que ela não dura para sempre e, em breve, "teremos de ouvir mais notícias do Estado português"...
Considerou ser "tempo de olhar para as debilidades estruturais", e defendeu que a economia portuguesa só ultrapassará a crise, se conseguir diminuir o défice das transacções correntes. "Precisamos, como de pão para a boca, de pôr dinheiro em coisas que exportem".
"O nó górdio desta crise continua no sistema financeiro". O antigo ministro começara justamente por observar que a actual crise "é diferente das outras", porque "deixou a própria banca em condições de não se poder financiar", para concluir que, "se o dinheiro não circular no sistema financeiro, a crise não se resolve".
NOTA: Estamos numa situação difícil que não se compadece com pequenos remendos, nem paliativos. É preciso um estudo imparcial, isento, competente, sem preconceitos partidários, com dedicação aos verdadeiros interesses nacionais, com vista a encontrar a solução estrutural que vá ao encontro de um Portugal que seja melhor amanhã e que possa continuar a desenvolver-se no futuro.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Actividades sazonais?
Em qualquer actividade, pública ou privada, é desejável uma previsão, tão precisa quanto a sua especificidade o permita, das circunstâncias mais prováveis com vista ao planeamento da utilização dos meios, à organização e programação de acções devidamente coordenadas e controladas, para atingir os fins previamente estabelecidos.
Mesmo nas actividades sazonais da agricultura, tal previsão e planeamento é indispensável, tendo em conta as condições meteorológicas esperadas e as menos favoráveis que possam ocorrer. O ditado diz que «homem prevenido vale por dois» e, para isso, é indispensável definir oportunamente o objectivo para o qual se deve orientar a preparação.
Não se pode nem deve cair em exageros para qualquer dos lados porque, por definição, os recursos são sempre escassos e têm que ser muito bem geridos.
Mesmo os bombeiros que, por condicionamentos próprios não podem planear a sua actividade, estando totalmente dependentes dos pedidos de socorro que receberem, têm necessidade de prever uma ordem de grandeza aproximada das tarefas a efectuar, a fim de estarem equipados para o desempenho dos serviços públicos que provavelmente lhes forem solicitados.
Porém, infelizmente, em várias áreas do Governo não se vê sinais de preocupação, na tomada de decisões, com os efeitos estratégicos das mesmas. Usa-se a estrita táctica do bombeiro que apenas raciocina em função de cada caso concreto. Agora aparece a notícia de o MAI ir ter o orçamento reforçado, não por haver uma estratégia para aumentar a segurança da população de forma sustentável, mas para satisfação das «promessas feitas às forças policiais». As associações profissionais pretendem ter «em conta os compromissos que têm vindo a ser assumidos pelo ministro relativamente às negociações de estatutos profissionais, progressão da carreira e objectivos operacionais» e consideram que «se não houver um reforço de 38 a 45 milhões de euros só para as condições definidas no estatuto, então fica tudo como no passado.»
Porém, não se fala na necessidade de formação e equipamento das forças de segurança para fazerem frente a novas formas de crimes violentos que já existem e outras que poderão surgir. Não se desenvolve uma visão de futuro, com as medidas mais adequadas. E as reivindicações pressionam para as decisões pontuais, sem perspectivas de «amanhã». Para que são esses milhões em termos de eficiência na garantia de segurança para a população? O que se pensa fazer com eles? Que necessidades bem definidas os justificam? Que novas tácticas? Demasiadas interrogações!
As decisões desenquadradas de uma visão de longo prazo, de um programa sustentável, dão muitas vezes lugar a recuos como temos visto em muitos ministérios, como na Saúde, Obras Públicas, Educação, etc. Os responsáveis terão a clara noção dos inconvenientes de vária ordem de uma hesitação, uma alteração da rota, uma paragem e um novo arranque? Quantos recursos vão por água abaixo devido a falta de utilização do método: estudo e analise; elaboração da lista de soluções possíveis e comparação destas, à procura da melhor; escolha desta ou decisão; organização dos meios e recursos; programação da acção; coordenação e controlo.
O respeito pelo dinheiro público e a alta responsabilidade de governar em benefício geral da população tornam indispensável a adopção de princípios de gestão correctos e experimentados por organizações mais experientes, nacionais ou estrangeiras.
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sábado, 9 de agosto de 2008
‘Magalhães’ não faz génios
Muito se tem dito a propósito do apetrechamento das escolas com computadores portáteis individuais, a favor e contra. Mas o mais importante que tive oportunidade de ler sobre o caso é que, em questão tão importante como a governação e a atenção a prestar ao ensino, condição básica para a evolução do País, não devemos limitar a observação à árvore sem procurar ver toda a floresta.
Um computador, tenha ou não componentes nacionais, só por si, não será capaz de fazer o milagre de criar génios da física e da matemática, cientistas ou gestores, se não for organizado o ensino por forma a deixar de haver maus alunos, más escolas e maus professores. Os óptimos alunos criam bons equipamentos, mas os melhores equipamentos não transformam maus alunos em futuros génios.
Muitas vezes parece faltar aos políticos uma noção básica de planeamento e programação, a partir de um estudo sério e realista de todos os factores definidores da situação actual e da sequência de acções coordenadas e orientadas para o objectivo previamente definido e aceite sem reservas até ser atingido. Não parece bom procedimento querer começar a construção da casa pelo telhado, sem antes conhecer o terreno em que vão ficar as fundações.
Estas reflexões suscitadas pelo artigo «O ‘Magalhães’» fazem me recordar um caso ocorrido em Viseu, há mais de 60 anos, na melhor papelaria da época, na Rua Formosa a poucos metros do Rossio.
Estava-se em plena II Guerra Mundial e na região explorava-se clandestinamente volfrâmio, um minério raro indispensável à indústria de armamento, sendo revolvidos os melhores terrenos agrícolas à procura do «minério», lavavam-se todas as pasadas de terra para obter o pó negro que era ensacado e oculto à espera de comprador. Quem não gostava disso eram as empresas mineiras que tinham explorações industriais em vários pontos da Beira.
Gente pobre viu-se, de repente, com muito dinheiro e ostentava uma riqueza a que não estava habituada nem sabia gerir. Havia quem acendesse o cigarro com uma tocha feita por uma nota enrolada, havia a Isaltina que disse na taberna que o homem só queria comer fiambre desde que foi ao Porto com o Almeida, etc. etc.
Mas estas linhas destinaram-se apenas para definir o ambiente de falta de visão gestionária que está na base do caso ocorrido na papelaria. O Manel entrou e disse que queria comprar uma caneta daquelas que não são de molhar no tinteiro, mas das outras. O vendedor, muito atencioso, foi-lhe mostrando as canetas de tinta permanente e dizendo o preço enquanto o Manel ia olhando sempre para as mais caras. A dada altura o empregado, defendendo o dinheiro do cliente, disse-lhe que «esta» é mais barata do que «essa» mas escreve muito bem, porque tem um aparo mais macio e a tinta é debitada de forma muito regular, sem borrar nem secar. Quer experimentar? O Manel, que não sabia escrever nem pegar na caneta, respondeu rápido: Não a quero para escrever, é só para pôr aqui (indicou o bolsinho do casaco junto à banda) para ir tirar o retrato.
Desculpe-me o ‘Magalhães’ de eu me ir recordar da caneta do Manel, mas as ideias associam-se de forma automática pouco controladamente, quando o disco rígido já tem muitos Gigas armazenados.
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