Apresenta-se o título deste post publicado no Blogue «Voz Surda», que merece ser visitado, não apenas pelo interesse da notícia, mas principalmente pelo debate entre dois visitantes, em que ressalta o anonimato arrogante e medroso de um deles. Um espectáculo denunciador de um regime que mete medo a «douto» apoiante do «engenheiro» José Sócrates.
"(...) o Sr José Sócrates(...) não se encontra inscrito na Ordem dos Engenheiros"
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quinta-feira, 15 de março de 2007
A ORDEM DOS ENGENHEIROS E JOSÉ SÓCRATES
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A. João Soares
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ABORTO. PROIBIR PUBLICIDADE
Do Diário Digital extrai-se este artigo que vem confirmar as preocupações levantadas aqui.
Aborto: independentes do PS querem punir publicidade
As deputadas independentes da bancada socialista Maria do Rosário Carneiro, Teresa Venda e Matilde Sousa Franco entregaram ontem no Parlamento propostas de alteração à lei sobre o aborto, que punem quem o incentive através de publicidade.
A notícia surge na edição desta quinta-feira do jornal Diário de Notícias, que recorda que, com esta iniciativa, as deputadas recuperam um artigo que o PS entretanto retirou do seu projecto de lei aprovado na generalidade em 2005, associado ao referendo sobre o aborto, que punia «quem, por qualquer modo, fizer publicidade ilegal» para incitar ao aborto. As parlamentares independentes propõem que se retire a expressão «ilegal» e que se puna quem fizer qualquer tipo de «publicidade de produto, método ou serviço» de incentivo ao aborto com «pena de prisão até dois anos ou pena de multa até 240 dias». Maria do Rosário Carneiro e Teresa Venda, do Movimento Humanismo e Democracia (MHD), tinham já anunciado que deveriam propor alterações à lei com o objectivo introduzir «um factor de ponderação» para as mulheres que queiram interromper a gravidez.
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A. João Soares
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2007 - AEIOT
2007 é o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos (AEIOT)
Para se conseguir justiça social, sem favoritismos e sem exclusões por razões secundárias e discriminatórias é imprescindível que se respeite a igualdade de oportunidades para todos, independentemente de etnias, cores políticas, clubísticas, religiosas ou condição social.
É urgente que se acabe com as nomeações baseadas na confiança política que despreza os valores e as capacidades de cada um. Devem ser utilizados os concursos públicos com cadernos de encargos bem definidos sobre as capacidades exigidas, e assim será quem tem unhas que toca viola seja qual for a «cor», credo ou paternidade. Para cada tarefa deve ser escolhido o candidato mais capaz de a desempenhar. Por exemplo, um deficiente motor pode desempenhar uma função que não exige movimentação tão bem ou melhor do que aquele que se pode deslocar. O mesmo se passa com outras deficiências em função das tarefas.
Acabe-se com as mafias maioritárias, coniventes, conluiadas. Dê-se ao filho do pedreiro as mesmas possibilidades que são dadas aos filhos de um ex-PR, desde que possuam as mesmas capacidades de saber escolar, experiência, inteligência e dedicação ao bem das populações, isto é do País.
Acabe-se com as discriminações, quer sejam positivas ou negativas, e dê-se valor a quem o tem. Premeie-se a excelência o desempenho, sem olhar ao facto de pertencer ou não a uma elite familiar ou de clã.
Se esta sigla AEIOT for bem interpretada, teremos em 2008 uma Europa mais justa, humana e solidária, com acentuado estímulo à produtividade e à valorização do capital humano.
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A. João Soares
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quarta-feira, 14 de março de 2007
O INTERIOR PORTUGUÊS ESTÁ OSTRACIZADO
Há realidades que já não surpreendem quem, do alto os seus cabelos brancos, costuma observar com atenção o que se passa neste rectângulo lusitano. Mas como parece haver muita gente sentada em fofas cadeiras de espaçosos gabinetes que desconhece as realidades do Portugal profundo, vale a pena recordar aspectos que embora vulgares podem parecer de outro País do longínquo terceiro Mundo.
O amigo bloguista Mário Relvas expõe com detalhe no seu blogue «Aromas de Portugal» as suas impressões daquilo que observou numa viagem que fez a Vale de Azares, nomeadamente, às imediações da capela de S. Brás, no Concelho de Celorico da Beira, terra do afamado queijo da Serra. Não vou aqui repetir aquilo que ele diz num português bem compreensível e sentido pelo seu coração de dedicado cidadão patriótico, deixando à Curiosidade dos leitores a consulta do link atrás deixado. Mas não posso deixar de me referir à recordação (citada de memória) duma colecção de textos das lições do general Kaulza de Arriaga. ao Curso de Altos Comandos, em Pedrouços, nos últimos anos da década de 50, em que dizia: Afirma-se que Portugal é um País agrícola; mentira, é apenas um País pedrícola. Pouco tempo depois dessa leitura, ao entrar de Espanha por Vilar Formoso, olhei com mais interesse para a paisagem dum e outro lado da estrada, enquanto deixava para trás as terras da Guarda, Celorico, Fornos de Algodres, Mangualde, com a ideia de que aquele esclarecido pensador bem podia estar a fazer uma futurologia profética, perante a evolução das modernas tecnologias.
Embora não conheça em pormenor as terras do queijo da serra, conheço-as suficientemente para compreender muitos dos seus problemas. Terras de uma agricultura artesanal de minifúndio, sem dimensão para a mecanização rentável e competitiva, presta-se a uma pecuária pastorícia com boas perspectivas se os produto lácteos forem devidamente explorados. Mas a falta de condições dadas pelo Poder à vida das populações tem originado a fuga das pessoas válidas para as cidades mais próximas, para o litoral e para o estrangeiro em busca do que lhes falta na sua terra natal. Restam os idosos sem forças para reiniciar nova vida em terras estranhas. Com eles ficam muitas vezes os netos para não constituírem estorvo aos pais até que estes se instalem com carácter definitivo. Mas até estes netos estão com dificuldades por lhes fecharem as escolas, em acumulação com o encerramento de urgências, centros de saúde, etc. Os emigrantes, ainda presos ao País natal pelo arreigado portuguesismo da infância (quando isso era ensinado nas escolas), investiram as poupanças em casas no campo, em propriedades herdadas dos antepassados, com a ideia de que nelas viriam passar os últimos dias. Mas as casas lá estão, novas, bonitas embora do tipo «maison», mas condenadas a nem serem utilizadas regularmente, porque, depois de velhos, não será solução inteligente irem isolar-se longe de qualquer apoio de saúde, de qualquer hipótese de socorro em caso de necessidade próprio da idade. Por sua vez os herdeiros, ou nascidos no estrangeiro, ou nele criados, nem sequer estão muito interessados em passar férias em Portugal, preferindo lugares mais a seu gosto.
O Portugal profundo, o País interior, está condenado ao ostracismo, ao despovoamento, ao deserto. Quando desaparecerem os actuais habitantes, já muito perto do fim, nada mais restará. Só as pedras a que se referia Kaulza de Arriaga, e que para nada servem por não haver quem saiba ou as queira aproveitar.
Dirão que ainda estamos a tempo de inverter a tendência de despovoamento. Talvez. Mas seria necessário agir sem pressas mas sem perda de tempo. Falta sensibilização e competência de governantes e autarcas, como se tem verificado diariamente, com os faróis apontados para o litoral e os raciocínios enviesados para o economicismo. O caso do povoamento de Vila de Rei, com base e imigrantes brasileiros, colocou em evidência que estes problemas não se resolvem com apenas voluntarismo, mas exigem competência, realismo e consciência de todos os factores em jogo, em que predomina a certeza de que as pessoas não podem ser manipuladas como se fossem coisas.
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terça-feira, 13 de março de 2007
ONIRISMO DE ALGUNS GOVERNANTES
Governar não é sonhar. É preciso ter os pés assentes na realidade
Há notícias que nos caem em cima com tal agressividade que não podem passar despercebidas, por mais que queiramos ignorar os absurdos que ocorrem até à linha do horizonte. A mais recente veio da área da Justiça, de onde, de uma forma ou de outra, já pouco nos pode surpreender. Parece que desde há meses tudo ali está cada vez mais na mesma!
Agora, o ministro admite vir acabar com as férias judiciais! Quanto ao termo admitir, temos de convir que, em fase de estudo, antes de tomar uma decisão, são de admitir todas as modalidades de acção. Recordo um chefe que tive que, no momento de formular as eventuais hipóteses de solução, dizia com ar teatralmente solene: meus senhores, agora a asneira é livre. Efectivamente, nesse exercício de inovação e criatividade, poderiam surgir soluções pouco habituais mas boas e eficazes. Mas, logo a seguir, ao analisar-se cada uma das potenciais soluções elencadas, havia algumas que não mereciam dois segundos de análise. E, no fim, só saía do grupo a decisão do chefe, após este ter considerado todos os prós e contras de cada modalidade, e escolhido a melhor, ou menos má. O ministro não segue essa escola e, possivelmente, não segue qualquer escola de preparação de decisões.
E o mais grave é que não apresentou razões para «admitir» tal coisa. Pelo contrário, tanto o sindicado dos juízes como o bastonário da Ordem dos Advogados explicaram de forma muito convincente os inconvenientes de tal hipótese onírica. Como cidadão interessado no eficientemente funcionamento do País, não me custa aceitar as explicações dadas por juizes e advogados e considerar a «admissão» do ministro como o resultado de um sonho, um acto onírico de quem acordou com vontade de fazer figura, criar algo de novo, mesmo revertendo em prejuízo para o País (população em geral), com despesas evitáveis, inúteis e contraproducentes e que não constitui uma boa solução para um verdadeiro problema.
Imagine-se se a brilhante ministra da Educação resolve acabar com as férias escolares e permite a professores, alunos e auxiliares terem férias ao longo do ano, a seu prazer! E, por outro lado, isto passa-se numa época em que as empresas, grandes ou pequenas, resolvem fechar para férias do pessoal, por isso lhes ser mais vantajoso do ponto de vista da rentabilidade e da produtividade. Como o ministro beneficiaria em conversar com o Víctor do restaurante das arcadas do Estoril sobre o problema das férias simultâneas ou desencontradas. É que uns sabem e sentem o resultado das suas decisões, outros sonham e ousam «admitir» com a arrogância, a soberba, a vaidade, o autoritarismo de quem brinca infantilmente com o dinheiro dos outros (de todos nós).
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A CENTRALIZAÇÃO DO PODER DE SÓCRATES
No blogue Nicolaias o artigo que se segue muito completo e bem documentado versando um progressivo emprego das modernas tecnologias para o controle de pessoas, fazendo recordar que a ficção de George Orwell na sua obra 1984, não era tão louca como se poderia pensar.
A Centralização de Poder de José Sócrates e as Tecnologias de Controle incluídas no Plano Tecnológico do QREN (Quadro de Referencias Estratégico Nacional) do primeiro-ministro
O caso da centralização de poder pode ser olhado sob diversos ângulos: aqui vamos espreitá-lo sob a perspectiva da inclusão das novas tecnologias de controle na rotina dos portugueses. Apesar de dividido em várias partes, este estudo vai estar sempre incompleto devido à complexidade de informação que o tema exige: a quantidade de notícias, experiências, projectos, produtos, empresas, acordos e outras acções diversas, só poderão ser razoavelmente abrangida ao longo de vários posts.
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segunda-feira, 12 de março de 2007
VIRTUDES DA UVA E DO SEU SUMO
Recebido por e-mail da amiga brasileira Gisele Cláudya, a quem agradeço esta informação que vem confirmar dados anteriores. Atenção, os medicamentos devem ser tomados em doses mínimas. Cuidado com as ressacas.
Interessante...
Uva pode virar remédio e estar nas farmácias em dois anos
Desde a antiguidade o valor benéfico do vinho para a saúde já era conhecido. Mas só no século XX, os pesquisadores começaram a tentar comprovar cientificamente as possíveis propriedades de seu consumo moderado, especialmente sobre doenças coronarianas. O professor Roberto Soares de Moura resolveu ir mais longe e isolar substâncias a partir da uva para colocá-las em cápsulas e transformá-las em medicamento.
Se tudo der certo, o extracto liofilizado das uvas Vitis labrusca e/ou Vitis vinífera, que em laboratório mostrou-se um eficaz anti-hipertensivo, com efeitos antioxidantes e capaz de evitar a agregação plaquetária, poderá estar nas farmácias em 2007 ou 2008. Já patenteado, o extracto actualmente vem sendo transformado em fármaco através da parceria entre a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e um laboratório nacional.
Professor titular do Departamento de Farmacologia da Uerj e recentemente nomeado membro do Conselho Superior da FAPERJ, Roberto Soares de Moura há 10 anos pesquisa os aspectos farmacológicos dos extractos de plantas cultivadas no Brasil, a convite da Central de Medicamentos (CEME). Já desenvolveu diversos trabalhos com diferentes tipos de folhas, frutos e vegetais: testou e patenteou o açaí, outro anti-hipertensivo e analgésico; e fez o mesmo com o guaco, depois de pesquisar suas propriedades contra a asma.
Bem-humorado e também apreciador de um bom vinho, actualmente o professor Roberto Soares de Moura tem sua atenção voltada para os bons efeitos da bebida e da vitis labrusca, a uva mais usada na produção dos vinhos tintos populares nacionais. Partindo de informações epidemiológicas já existentes, ele pôde comprovar em pesquisas pré-clínicas, realizadas com cobaias (roedores e não roedores), o efeito anti-hipertensivo não apenas da bebida, mas também do extracto da casca da uva. Contemplado com uma bolsa do programa Cientistas do Nosso Estado para desenvolver o projecto, o professor está animado com os resultados obtidos até agora.
Afinal, em seu laboratório, ele testou e provou cientificamente conhecimentos de que o homem tem feito uso de forma empírica desde a antiguidade. “A história mostra que o uso medicinal do vinho pelo homem tem sido uma prática de mais de dois mil anos. Importantes civilizações antigas, como os egípcios, os gregos e os romanos, o usavam como um remédio para o corpo e para a alma. Em 1819, o médico irlandês Samuel Black chamava a atenção para a menor incidência de angina do peito entre os franceses”, conta.
No século XX, as pesquisas mostraram que em países em que o consumo da bebida é grande, como França e Itália, o índice de doenças coronárias é bastante reduzido. Até que, na década de 1990, comprovou-se que o vinho tinto tem propriedades antioxidantes, é vasodilatador, inibe a produção de radicais livres e evita a agregação das plaquetas. O que poderia explicar por que num país como a França, apesar do grande consumo de alimentos gordurosos, como queijos, manteigas e cremes, apresenta baixas taxas de doenças do coração. O que os especialistas passaram a chamar de “paradoxo francês”.
Mas, em 1979, ao publicar o primeiro estudo epidemiológico para comprovar os efeitos benéficos do vinho, o pesquisador St. Leger fazia a ressalva: seria um sacrilégio isolar seus elementos, uma vez que o medicamento já existiria em forma altamente palatável — o próprio vinho. Mesmo concordando, o professor Soares de Moura decidiu-se pelo sacrilégio. “Foi o estudo de Leger, em 1979, que deu início aos trabalhos posteriores sobre as propriedades do vinho tinto no processo de aterosclerose”, explica.
Para o professor Roberto Moura, a escolha pela uva, em vez do vinho, se deveu à possibilidade de barateamento do produto final. E a opção pela vitis labrusca — no caso, a uva Isabel — , em vez da vitis vinífera, de origem europeia e empregada na elaboração dos vinhos mais finos, foi em função de dois factores: o fato de a primeira ser largamente usada na produção dos populares vinhos de garrafão no sul do Brasil e por seus significativos efeitos antioxidantes. “Um medicamento desenvolvido a partir do vinho ou da vítis vinífera encareceria o processo”, explica.
Escolhida a uva, o professor preferiu fazer uso da casca. “Os bagos contêm apenas açúcar, o que, embora seja bom para a fermentação do vinho, não interessa à nossa pesquisa. Já cascas e sementes concentram substâncias com propriedades benéficas — no caso, polifenóis. Mas a casca, além de facilitar a extracção dessas substâncias, obviamente as guarda em maiores quantidades do que as sementes”, explica.
Os resultados da fase pré-clínica da pesquisa, realizada nos laboratórios da UERJ, confirmaram os efeitos positivos do extracto. Na verdade, trata-se de um liofilizado (pó) hidro-alcoólico extraído da casca, que mostrou significativa actuação sobre a hipertensão induzida em ratos. Nas cobaias tratadas com o extracto, a pressão arterial induzida não apresentou a mesma linha ascendente que nos ratos de controle. E uma aplicação do extracto interrompe a subida da pressão, fazendo-a baixar. “Como se sabe, a hipertensão arterial é um importante factor de risco para a doença coronariana”, diz.
O extracto também estimula a produção de óxido nítrico, um hormónio liberado pelas células do endotélio vascular com importantes propriedades cardioprotectoras. Assim, além de suas propriedades anti-hipertensivas, o extracto tem como efeitos indirectos a vasodilatação e a capacidade de evitar a agregação de plaquetas.
O professor Roberto Moura entusiasmou-se ainda com mais um benefício descoberto. “Também testamos, em ratas, os efeitos do extracto sobre a hipertensão durante a gestação, problema cuja origem parece ser a ausência de óxido nítrico. E o extracto as protegeu da pré-eclâmpsia induzida”, conta. E explica os resultados: “Numa gestação, ratas normais costumam gerar aproximadamente dez fetos. Submetidas à pré-eclâmpsia experimental, o número de fetos cai para aproximadamente quatro. Se forem tratadas com o extracto, no entanto, elas voltam a gerar dez fetos, tal como numa gravidez normal.”
O momento é de total expectativa para o professor Roberto Moura e sua equipe. Há outras quatro fases a serem cumpridas para a transformação do extracto em medicamento. Mas a partir de agora, o desenvolvimento desses estágios é feito pelo laboratório interessado em comercializar o medicamento resultante de todo esse processo. Ainda este ano será iniciada a fase 1, de toxicologia humana. Durante três ou quatro meses, em centros credenciados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), voluntários sadios tomam o liofilizado para testar possíveis efeitos adversos.
Na etapa seguinte, também realizada em centros credenciados, o tratamento de um pequeno número de pacientes hipertensos servirá para confirmar se os resultados com cobaias se repetem. Se os resultados forem positivos, passa-se à fase 3, um estudo multicêntrico em que a pesquisa é ampliada para vários hospitais universitários. Novo resultado favorável permite ao laboratório pedir o registro da Anvisa para o medicamento em questão. Mas a fase seguinte, a 4, também é crítica. É quando se confirmará, ou não, em observação mundial, se as propriedades da substância se repetem em larga escala, com a mesma eficácia e segurança.
“Nossa preocupação é que os bons resultados obtidos em laboratório se mostrem inócuos em humanos, ou apresentem alguma toxidade. Mas acho isso pouco provável, uma vez que desde a antiguidade o vinho é usado como bebida e como remédio. E estamos partindo de uma fruta já amplamente consumida, como a uva”, anima-se.
Ele tem motivos para uma expectativa positiva. Hipócrates, o pai da medicina, costumava prescrever vinho como diurético, antitérmico, anti-séptico e auxiliar na convalescença. Durante séculos, a bebida foi também amplamente empregada na limpeza de ferimentos. E não são poucas as referências positivas encontradas tanto nas diferentes religiões quanto na Bíblia. Ele aparece nos milagres de Cristo e é um dos elementos importantes no momento da consagração na missa, para os cristãos; na bênção no início do Sabah judaico, proferida sobre uma taça de vinho que é partilhada pela família; até na descrição do Paraíso, feita pelo profeta Maomé, no Alcorão dos muçulmanos: um lugar onde correm rios de vinho.
Menos literário, e enquanto o extracto não chega às farmácias, o professor Roberto Moura repete as recomendações do Report on Sensible Drinking, do Department of Health inglês, que em 1995 recomendava como benéficas até três taças diárias a pessoas de meia-idade, idosos e mulheres na pós-menopausa. A excepção seria para pessoas com restrições médicas ou religiosas à bebida, e evitando-se, é claro, o abuso ou o consumo indiscriminado. E brinca: “Se o vinho não fosse tão saudável, Deus teria transformado o vinho em água e não água em vinho.”
Mid - Immortalyti
Fonte: http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=2706
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PORTUGAL A SAQUE, IMPUNEMENTE.
Embora já tenha ocorrido há tempos, merece não ser esquecido e, por isso, aqui temos este texto recebido agora por e-mail que agradeço ao amigo M. P. Marques
Jorge Vasconcelos 'bateu com a porta'.
Mas o presidente da Entidade Reguladora do Serviços Energéticos (ERSE) não vai de 'mãos a abanar': vai receber 12 mil euros (cerca de 30 salários mínimos nacionais) por mês até encontrar um novo emprego.
Vejam esta notícia em pormenor no Correio da Manhã ... O escândalo é óbvio. Mas vejamos mais pormenores.
O senhor Vasconcelos recebia 18 mil Euros mensais mais subsídio de férias, subsídio de Natal e ajudas de custo. 18 mil Euros, seriam mais de 3600 contos (cerca de 45 salários mínimos nacionais) , ou sejam mais de 120 contos por dia.
O senhor Vasconcelos não foi despedido. Ele demitiu-se, (despediu-se por vontade própria) e fica a receber dois terços do ordenado durante dois anos, os tais 12 mil Euros por mês). Qual é o trabalhador que se despede e fica a receber seja o que for?
Além disso, "Questionado o Ministério da Economia, uma fonte oficial adiantou que o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria entidade ". E "De acordo com artigo 28 dos Estatutos da ERSE, os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar dos presentes estatutos "".
Mais: "Jorge Vasconcelos foi presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) desde a sua criação".
Ou seja, o senhor Vasconcelos e amigos criaram este esquema para eles próprios, tendo o estatuto de gestores públicos, excepto quando os seus próprios estatutos são ainda mais vantajosos (que é o caso quando se demitem do cargo).
E o que é a ERSE? "A missão da ERSE consiste em fazer cumprir as disposições legislativas para o sector energético". Mas para fazer cumprir a lei não basta o Governo, os Ministérios, os tribunais, a Polícia, etc.?
"Após receber uma reclamação, a ERSE intervém através da mediação e da tentativa de conciliação das partes envolvidas. Antes, o consumidor tem de reclamar junto do prestador de serviço."
Ou seja, a ERSE não serve para nada. Ou serve apenas para gastar somas astronómicas com os seus administradores.
Aliás, antes da questão dos aumentos da electricidade, quem é que sabia que existia uma coisa chamada ERSE?
O senhor Vasconcelos demitiu-se porque não concorda que o Governo tenha decretado que a electricidade suba uns escandalosos 6% no próximo ano.
Ele e a sua ERSE tinha proposto uns ainda mais escandalosos 14,4%.
Certamente seria, entre outras coisas, para cobrir mais umas benesses dos administradores da ERSE.
Alguns comentários à notícia, no sítio do Correio da Manhã, na Internet:
Bem, o Senhor Primeiro Ministro deveria ter vergonha: pois tem alguém no desemprego que ganha mais que ele. Isto é mais uma das vergonhas deste desgraçado PAÍS. É certo que este Senhor tem valor. Mas penso que não ganharia isto em nenhum outro país da EUROPA.
Viva Portugal, enquanto der que ... quem puder.
Em Portugal houve um 25 de Abril para deitar o regime que existia abaixo para criar outro onde pudessem mamar mais e melhor. Com o Salazar não se safavam, claro: teve de ir abaixo!...
[Infelizmente há a tendência para termos que concordar com este comentário.]
Se a demissão implicasse passar a receber o rendimento mínimo ainda lá estava agarrado que nem lapa à rocha.
Ora aqui está um exemplo de um homem de coragem que não tem medo de perder o emprego. Nessas condições ninguém tem.
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Etiquetas: saque
domingo, 11 de março de 2007
COMER A CEREJA ATÉ AO CAROÇO
Tempo mágico...
De Jane Mary Abreu, recebido por e-mail do amigo João Sousa
Contei os meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma tijela de cerejas. As primeiras, ela chupou-as displicente, mas percebendo que faltam poucas, até rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabarolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando os seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projectos megalómanos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milénio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de "confrontação", onde "tiramos factos a limpo".
Detesto fazer acareação de desafectos que lutaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:
"as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".
O meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Quero a essência, a minha alma tem pressa...
Sem muitas cerejas na tijela, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir dos seus tropeções, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge da sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do Bem.
Caminhar perto de coisas e pessoas verdadeiras, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.
O essencial faz a vida valer a pena.
Projecto: Bom Dia Coração
Participe dessa ideia, passe esta mensagem para a frente.
Nada neste mundo faz sentido se não tocamos o coração das pessoas. Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também pode crescer com os toques suaves na alma.
janemaryabreu@yahoo.com.br
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A. João Soares
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SALAZAR. PORQUÊ TÂO RECORDADO?
Salazar, porquê?
Recordando José Afonso
Post de Luís Alves de Fraga em «FIO DO PRUMO», trazido para aqui pela forma como está apreciado o facto de o ex governante ser tão recordado ao escolher o maior português. Também têm interesse os comentários que lhe foram feitos.
A ideia surgiu e está em marcha. Escolher o Português mais famoso de todos os tempos. Não se sabe bem qual o motivo e eis que surge entre os dez primeiros a figura de António de Oliveira Salazar.
O homem que durante quase quatro décadas foi responsável por uma retrógrada ditadura política em Portugal aparece agora entre os mais famosos portugueses de sempre.
Parece perfeitamente irracional que um Povo, vivendo já há trinta e três anos em regime democrático, faça arribar da neblina da História recente um ditador cruel, mesquinho e medíocre. Que fado estará na origem de tal aberração?
Pessoalmente, parece-me simples explicar tal fenómeno. Para tanto, terei de decompor as várias estruturas que o suportam.
Em primeiro lugar, tudo se justifica com base na manifestação da vontade expressa de uma pequena, mas activa, clique de velhos admiradores do antigo governante. Manifestam-se com o mesmo entusiástico proselitismo com que no passado marcharam nas fileiras da Mocidade Portuguesa ou, em casos mais raros, nas da Legião. São saudosistas de um sistema do qual só conheceram os aspectos menos perversos; saudosistas de uma ordem construída sobre contra-valores dos quais ainda não tinham idade para se aperceberem completamente; são saudosistas de uma situação que, parecia, os havia beneficiado ou iria beneficiar. Seja como for, esses são poucos e pouca ou nenhuma influência têm no normal decurso dos acontecimentos nacionais.
Depois, vem um muito maior e mais perigoso grupo de cidadãos que, por andarem mal informados, por serem verdadeiros ignorantes do passado, por ouvirem dizer aos anteriores coisas que lhes perecem maravilhosas, se tornaram nos continuadores ideológicos dos saudosistas. Não fazem a mais pequena ideia do que é viver sob um regime ditatorial; não imaginam o que é a falta de liberdade de expressão do pensamento, nem o terror da perseguição constante por se estar em desacordo com as decisões de quem ilegitimamente manda, nem a desinformação que cai sobre toda a sociedade. É gente que idealiza a ditadura como uma bela solução para os destemperos dos governantes democráticos. Mas pior do que a ignorância é que muitos desses vendilhões da democracia são descarados oportunistas capazes de cederem os mais queridos valores sociais em troca do usufruto de vantagens superiores às dos seus concidadãos. E se quisesse mencionar nomes conhecidos de quem viveu o Estado Novo em tal situação, gastaria algumas páginas a citá-los. É o atrevimento da ignorância que movimenta este vasto grupo ou, o que é pior, o escondido oportunismo de quem espera beneficiar com a mudança.
Há, depois, uma mole imensa de supostos simpatizantes de Salazar e do que ele representou. É composta por todos aqueles a quem eu designo por revanchistas. Umas vezes, são ignorantes do passado, mas simpatizantes quase convictos da democracia, e outras, é gente que alimenta em si um forte sentimento de despeito político. Curiosamente, este grande grupo só se manifesta em favor de António de Oliveira Salazar por força do mau comportamento dos dirigentes políticos que nos governam ou governaram, como consequência da situação caótica a que chegou o país. Nada, ideologicamente, os identifica com o Estado Novo, mas também já pouco se sentem identificados com esta democracia rastejante onde infelizmente vivemos cada dia que passa. Quer dizer, este grande grupo de apoiantes de Salazar encontra no desconforto do presente o fundamento para a exaltação da figura do pretérito tirano. Em consciência, não os culpo. Culpo os políticos que nestas décadas de democracia deixaram que se instalasse em cada um de nós — comuns cidadãos pouco afortunados pelas prebendas distribuídas entre os mais descarados apoiantes de quem esteve no Poder — o desencanto e a descrença nas virtudes do mais justo e equilibrado regime político que a humanidade concebeu (quando não é traiçoeiramente vilipendiado pelos que, ao contrário de servirem, se servem).
A Pátria está à venda, está sujeita a discussão, porque quem se arvorou em seu defensor não a defendeu e não honrou a confiança recebida de todos nós.
Não, não estou nem nunca estarei com quem clama por Salazar. Mas não posso estar a defender todos quantos malbarataram um valor que nós, os militares que estivemos com os ideais de Abril, lhes entregámos de boa fé esperançados que saberiam gerir o que nós não quisemos por não sabermos como o fazer da forma mais correcta e justa para o Povo. Povo com o qual nos identificámos desde a primeira hora, porque, afinal, todos, sem excepção, éramos filhos do Povo donde provínhamos. Tínhamos as armas e a força para servir e não para recalcar aos pés a vontade da Nação.
Hoje já quase todos nós, os militares de Abril, ultrapassámos a barreira dos sessenta anos de idade, mas, continuando a acarinhar um sonho de justiça social, cada vez mais, somos as primeiras vítimas do Poder que quisemos equilibrado e ponderado, justo e respeitado. Contudo, quem souber olhar-nos bem no fundo dos olhos, ainda lá vê brilhar o fulgor de um grande ideal plasmado nos versos de Grândola, Vila Morena, pois ainda acreditamos ser possível que, «dentro de ti, oh cidade», haja «em cada esquina um amigo, em cada rosto igualdade».
Luís Alves de Fraga
NOTA: Já aqui foram publicados os seguintes posts:
- Salazar. Amá-lo ou odiá-lo. Mas conscientemente
- Salazar alvo do ódio de facciosos com amarras
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A. João Soares
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sábado, 10 de março de 2007
FELICIDADE VERSUS EXCELÊNCIA
Felicidade versus Excelência
Texto de João Pereira Coutinho, jornalista
Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.
Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição. Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente mas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.
É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.
É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima. Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!
NOTA: Agradeço ao amigo Hugo R o envio deste texto por e-mail. Traz uma visão realista da forma como estamos hoje a construir o mundo futuro. Os nossos netos não dirão maravilhas dos avós que tiveram!
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A. João Soares
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Etiquetas: excelência
ESTADO - POLÍCIA
Estado-polícia
10.03.2007, Vasco Pulido Valente
Salazar despachava diariamente com o director da PIDE. Caetano não despachava com o director da PIDE/DGS. Durante trinta anos de democracia nenhum primeiro-ministro despachou em pessoa com qualquer chefe de qualquer polícia. Tudo isto irá mudar. Uma lei já anunciada vai pôr a PSP, a GNR, a PJ e o SEF sob a autoridade de um secretário-geral para a Segurança Interna, com o estatuto de secretário de Estado, que despachará directamente com o eng. Sócrates. Como de costume, esta organização foi copiada. Desta vez, do modelo espanhol. Com duas diferenças. Primeira, em Espanha, o "secretário-geral" está subordinado ao ministro do Interior e não ao presidente do Conselho. E, segunda, em Espanha o terrorismo da ETA e a imigração islâmica teoricamente justificam a necessidade de um único centro de comando.
Em Portugal, nenhum perigo imediato exige que as polícias passem a depender de Sócrates. Pior ainda: o SIRP, que superintende e coordena o Serviço de Informações de Segurança (SIS) e o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), dois serviços secretos, também ficará sob a tutela do primeiro-ministro. E a tudo isto, António Costa juntou dois novos meios de fiscalização e vigilância. O bilhete 4 em 1, que reúne o bilhete de identidade, o cartão de contribuinte, o cartão da Segurança Social e o cartão de utente do SNS. E o cartão que reúne a carta de condução, o livrete e o título de propriedade do automóvel.
Com estas medidas, o Governo socialista criou um novo Estado-polícia, que a Assembleia não controla e que não dá ao português comum a menor garantia de privacidade. E, se a privacidade é, como é, o fundamento da liberdade, não lhes concede mais do que uma liberdade condicional e fictícia.
Não se trata aqui do indivíduo Sócrates, que não abusará dos seus poderes. Mas da própria existência desses poderes, que nada impede um sucessor, ou mesmo um ajudante obscuro, de eventualmente desviar para fins perversos. Só que nessa altura será tarde para desfazer a máquina que hoje com tanta inconsciência e sem protesto público se anda a pôr em pé.
Claro que vivemos num mundo perigoso e é preciso coordenar as polícias. Sucede que das várias formas de coordenação o Governo escolheu a pior: a que mais reforça (e compromete) o chefe do Executivo, a que não inclui um «droit de regard» do Parlamento e a que deixa os portugueses sem defesa perante a prepotência e o arbítrio. O que de resto não espanta. A liberdade nunca foi por aqui muito estimada.
NOTA: Quem nos salvará de abusos de funcionários mal intencionados e com apetência para abusos?
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AS LEIS DEVEM SER CUMPRÍVEIS
Em visita aos portugueses que vivem e trabalham no Luxemburgo e, perante perguntas que lhe foram apresentadas, o Presidente da República, Cavaco Silva, disse que "Não é bom que o legislador crie leis que geram expectativas nas populações e depois constata-se que não consegue dar cumprimento àquilo que legislou". (DN, 070310)
O mesmo jornal refere que na AR ao ser analisada a lei do ministro da Saúde sobre o combate ao tagbagismo a deputada Maria Antónia Almeida Santos, coordenadora do PS na comissão parlamentar de Saúde, disse que «é importante haver uma lei que seja efectivamente para cumprir".
É curioso que duas entidades diferentes em locais distantes, e de forma bem significativa, reconhecem a doença dos políticos legislarem para vaidade própria sem terem em atenção a viabilidade do cumprimento das leis que dão à luz. Esse vício insensato cria a descredibilização da política, referida em tempos por Jorge Sampaio na cidade Beirã de Sátão, como se a resolução deste problema coubesse aos vulgares cidadãos. A credibilidade e o prestígio dos políticos depende do seu desempenho, da forma como cumprem o seu dever de governar bem o País para benefício da generalidade dos cidadãos. Estes, apesar da fumaça e dos engodos que lhes são lançados para o iludirem e distraírem, saberão reconhecer o valor de quem o tem.
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sexta-feira, 9 de março de 2007
MINISTRO DA SAÚDE AVANÇA E RECUA
MINISTO SA SAÚDE AVANÇA E RECUA
Ministro admite recuar na legislação antitabaco
DN, 070309
O ministro da Saúde admitiu ontem fazer alterações ao anunciado pacote legislativo que interdita o consumo de tabaco em espaços públicos fechados. O recuo de Correia de Campos ocorreu ontem, numa reunião com deputados socialistas em que ouviu várias críticas.
Parlamentares como Afonso Candal e Ricardo Freitas consideraram excessivas as restrições em bares e restaurantes. A proposta governamental proíbe o fumo em estabelecimentos com menos de cem metros quadrados e um limite de 30% do espaço disponível a fumadores nos bares e restaurantes com mais de cem metros quadrados. (...)
"Temos de nos demarcar de situações repressivas que põem as pessoas a fumar nas escadas", disse ao DN Ricardo Freitas (...)
"Uma coisa é a preocupação com os direitos dos não fumadores, outra é perseguir os fumadores. Alinho na primeira, não na segunda", disse Afonso Candal ao DN.
NOTA: Por uma questão de humanidade e de solidariedade, lamento que o ministro se sinta constrangido a recuar numa das suas arremetidas, contra o povo português. Um homem que se tem mostrado tão arrogante, detentor da «verdade única», o mais sábio de todos, deve sentir-se num sofrimento atroz, ao ter de da um passo atrás mesmo que seja muito pequeno.!!!
Tudo lhe tem corrido mal, desde as manifestações contra o fecho das maternidades, das urgências, dos centros de saúde. Com tantas situações deveras dolorosas, conclui-se que o seu apego ao Poder é superior a tudo e que de tudo é capaz para se manter, embora a corda esteja muito bamba. Mas todos estes desgostos teriam sido evitados se o ministro tivesse preparado bem as suas decisões, antes de elas saltarem para o público: boa análise e diagnóstico do problema e de cada um dos seus factores, formulação das possíveis soluções e comparação de todas elas entre si, quanto a efeitos futuros, vantagens e inconvenientes, antes de escolher a melhor delas. Nestes passos não devia deixar de ouvir os interessados, para não ter de se surpreender com as suas sérias opiniões, depois de se ter comprometido com uma decisão precoce, inadequada e mal fundamentada. Se a decisão de que agora tem de recuar lhe foi proposta por assessores e consultores, liberte-se deles, porque não estão a prestar um bom serviço nem a si nem ao País.
E isto também mostra que o PM não tem facilidade em escolher outro que seja mais capaz, porque poucos se dispõem a misturar o seu nome com os daqueles de que o povo já descrê.
Sobre assuntos da saúde, sugere-se a leitura dos seguintes posts recentes:
ALGUMAS REFLEXÕES COM ACTUALIDADE
SAÚDE. PODER APARENTE, RUINA IMINENTE
SORO PROVOCA INFECÇÃO
PREPARAR OS FRUTOS DO REFERENDO
PESSOAS NÃO SÃO COISAS
BUSCA E SALVAMENTO EM ANÁLISE !
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A. João Soares
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quinta-feira, 8 de março de 2007
INSTRUÇÕES PARA UMA VIDA
Instruções para uma vida
De Dalai Lama
1. Tem em conta que os grandes amores e enganos comportam um grande risco.
2. Se perderes, não percas a lição.
3. Aplica a regra dos “3 erres”:
- Respeita-te a ti mesmo,
- Respeita os demais, e
- Responsabilíza-te pelas tuas acções.
4. Recorda que, às vezes, não conseguir o que queres é um maravilhoso golpe de sorte.
5. Aprende as regras para que saibas incumpri-las quando convenha.
6. Não permitas que uma pequena discussão afecte uma grande relação.
7. Quando descobrires que cometeste um erro, toma imediatamente as medidas necessárias para corrigi-lo.
8. Passa algum tempo sozinho todos os dias.
9. Abre os teus braços à mudança, mas não abandones os teus valores.
10. Recorda que, às vezes, o silêncio é a melhor resposta.
11.Vive uma boa vida honrada. Depois, quando fores mais velho e olhares para trás, serás capaz de desfrutai-la de novo.
12. Um ambiente de amor no teu lar será a base para a tua vida.
13. Quando não estiveres de acordo com os teus seres queridos, preocupa-te unicamente com a situação actual. Não faças referências a anteriores disputas.
14. Compartilha os teus conhecimentos. É a forma de conseguires a imortalidade.
15. Sê bom para com a Mãe Terra.
16. Uma vez por ano, visita um lugar a que nunca tenhas ido antes.
17. Recorda que a melhor relação é aquela em que o amor mutuo é maior do que a necessidade mútua.
18.Julga o teu êxito em função do que ou a que renunciaste para o conseguir.
19. Ama e trabalha com absoluto empenho.
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Traços para o retrato de Salazar
Agradeço ao amigo José Calheiros o envio deste texto por e-mail, que constitui um testemunho de um grande homem do outro e deste regime, que nem sempre se entendeu perfeitamente com o governante que marcou indelevelmente a História de Portugal, «acertando ou com erros, mas sempre autêntico»
Assim viveu Salazar..
Por Adriano Moreira
De joelhos perante Deus e de pé diante dos homens.
Humilde com o seu povo, orgulhoso perante o mundo.
De vela ao cadáver de Salazar, fui-me lembrando de muitos acontecimentos relacionados com a vida pública da nossa terra, em que a sua presença foi dominante. E também de alguns relacionados apenas com o seu modo de ser, que marcou o estilo do governo e da administração, e o estilo de uma geração de dirigentes. Dos que o seguiram e dos que o combateram. Todos marcados, na sua intimidade mais funda, pelo homem e pela sua acção.
Recordarei aqui duas imagens persistentes. Numa manhã de domingo, do ano de Angola Mártir, fui visitá-lo ao forte do Estoril. Como cheguei a pé, não tocaram a sineta que habitualmente chamava para abrirem os portões do caminho de acesso dos automóveis. Subi a breve escada que ali existe. Ao fundo do pátio, onde se encontra a capela, as portas desta estavam abertas.
De frente para o altar, a sós com Deus, Salazar cuidava da toalha, e das flores e das velas. Pensei que não tinha o direito de surpreender esta intimidade. Regressei vagaroso pelo mesmo caminho. Pedi para tocarem a sineta. Quando voltei a subir a breve escada do pátio, já ele estava sentado na sua velha cadeira, mergulhado nos negócios do Estado. Era a imagem de um homem de fé segura, sabendo que haveria de prestar contas. A brevidade da vida iluminada pelos valores eternos. O poder ao serviço de uma ética que o antecede e transcende. Acrescento outra imagem desse tempo. Recordo os discursos, as notas, as entrevistas, as declarações, em que sucessivamente definia a doutrina nacional de sempre para a crise da época. Tudo escrito pela sua mão. Mas depois, não obstante a urgência e a autoridade pessoal, tinha a humildade de chamar os colaboradores e, em conjunto, discutir, e emendar. A grandeza natural de quem pode aceitar dos outros, sendo sempre o primeiro.
E assim foi exercendo o seu magistério. Com fé em Deus e recebendo agradecido os ensinamentos do povo. Porque nunca pretendeu sabedoria superior à de entender e executar o projecto nacional. E nunca quis mais do que amar até ao último detalhe a maneira portuguesa de estar no mundo, preservando e acrescentando a herança.
O Ultramar foi a última das suas preocupações maiores. Como se, ao crescer em anos e diminuir em vida, quisesse guardar todas as energias para sublinhar a essência das coisas. Todos os cuidados para a trave mestra. Doendo-se por cada jovem sacrificado. Rezando, e esperando que o sacrifício fosse atendido e recompensado. De joelhos perante Deus e de pé diante dos homens. Humilde com o seu povo, orgulhoso perante o mundo. Assim viveu, acertando ou com erros, mas sempre autêntico. Com princípios. O único remédio conhecido contra a corrupção do poder. E muito principalmente quando se trata de um poder carismático, como era o seu caso. Um desses homens raros que a fadiga da propaganda não consegue multiplicar. Porque ou as vozes vêm do alto ou não existem. Não há processo de substituir o carisma. Por isso, também, essa luz, que tão raramente se acende, é toda absorvida pelo povo, o único herdeiro. Soma-se ao património geral. Inscreve-se no livro de todos. Pertence à História. Transforma-se em raiz.
Adriano Moreira
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JUSTIÇA ERRA IMPUNEMENTE
Cadastro de indultado não referia condenação
Clara Vasconcelos, JN, 070308
O ministro da Justiça explicou, ontem, na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, que o registo criminal de Américo Mendes, o empresário da noite a quem o presidente da República concedeu um indulto, não referia a condenação a seis anos de cadeia por crimes cometidos em 1997, mas apenas a diminuição de um ano e meio da pena, em virtude da amnistia aprovada pela Assembleia da República.
Alberto Costa explicou, também, que as fichas da Polícia Judiciária referiam um mandado de captura emitido em 2000, que teria finalizado em 2003. Mas não especificavam que o mesmo não havia sido concretizado. São estes os dados "não evidentes" a que se referiu o ministro, a 20 de Fevereiro, quando divulgou as conclusões do processo de averiguações que mandou instaurar logo que o semanário "Expresso" deu conta de que Cavaco Silva teria indultado um homem condenado pela justiça e procurado pela polícia. E que levaram tanto o tribunal de Execução de Penas, como os serviços do Ministério da Justiça a propor o indulto, entretanto revogado, ao presidente da República.
Ontem, o ministro disse que esta "é uma situação" que, "pessoalmente", lamenta muito e anunciou que tomou medidas para que um "erro" destes não volte a suceder. A primeira é a alteração do boletim relativo ao registo criminal, de forma a normalizá-lo e a evitar "possibilidades de deficiência de leitura", como aconteceu neste caso. Em segundo lugar, o ministro pretende que, através da Procuradoria-Geral da República, sejam elaboradas bases de dados relativas a mandados de captura, inquéritos e arguidos. Por fim, ordenou o acesso de magistrados à base de dados dos reclusos dos Serviços Prisionais.
NOTA: O Presidente da República foi enganado pela máquina da justiça. O ministério da Justiça não fez chegar ao Palácio de Belém a informação completa. Agora o ministro, já muito conhecido de Macau e do MAI (os secos e molhados) disse, com o ar seráfico com que quer enganar o povo, que esta é uma situação que «pessoalmente» lamenta muito e vai tomar medidas para evitar que o erro se repita. Promessa inócua. Mas nada diz, não «pessoalmente», mas na qualidade de juiz da tutela da máquina que induziu o supremo magistrado da Nação em erro grave que teve de emendar, que medidas tomou para condenar o responsável ou responsáveis por esse erro que «pessoalmente» lamenta.
Há impunidade para todos os funcionários da área da Justiça? Como é?.
Temos Portugal à balda, com o freio no dentes, sem cavaleiro que lhe domine as rédeas?
E o ministro? Há quatro anos, Jorge Coelho, também do grupo de Macau do PS, demitiu-se de ministro das Obras Públicas por uma suposta negligência da área da sua tutela. Agora este fica impávido, depois de colocar em cheque o Presidente da República? E, já que ele não se demitiu, fica a dúvida por que o PM não correu com ele. Será que não encontra ninguém menos mau do que ele para o substituir?
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JOÃO JARDIM. 0 PODER DA CORAGEM
Alberto João Jardim, o poder da coragem
Recebido por e-mail de pessoa identificada
Alberto João Jardim demitiu-se de presidente do Governo Regional da Madeira. Este facto político mereceu da parte dos analistas um dos seguintes comportamentos: o silêncio ou a crítica. Apoio, nem um.
Mas, afinal, de que é culpado Alberto João Jardim?
É 'culpado' de a Madeira ter um dos melhores aeroportos de todos os territórios insulares. É 'culpado' de os que aí desembarcam conseguirem chegar ao centro do Funchal em dez minutos, quando antes era preciso mais de uma hora para fazer o mesmo percurso.
É 'culpado' de se chegar em poucos minutos ao Curral das Freiras ou a Porto Moniz, quando antes qualquer visitante do arquipélago precisava de quase um dia para fazer o mesmo percurso.
É 'culpado' de ter um sistema de Saúde que antecedeu a introdução em Portugal do paradigma de solidariedade social das democracias mais evoluídas. Matéria tanto mais significativa quanto, no Continente, assistimos à destruição quotidiana do nosso ainda incipiente Estado Social.
É 'culpado' de ter uma excelente rede escolar, apoio domiciliário universal aos idosos, acompanhamento alargado da primeira infância.
É 'culpado' de ter sensibilidade social, governando para o povo e contra os interesses dos senhores feudais do tempo da ditadura.
É'culpado' de, contrastando com a maioria da classe política pós-25 de Abril, viver na mesma casa onde vivia há trinta anos, ter o mesmo carro há mais de uma década, não se lhe conhecerem sinais exteriores de riqueza.
É 'culpado' de, também contra a corrente nacional, praticamente não ter tido casos judiciais a ensombrar a sua gestão de trinta anos.
Mas neste território de discussão alguns analistas preferem desvalorizar a obra e denegrir o homem. Para eles nada disso tem valor porque "foi feito à custa dos impostos dos continentais", de acordo com uma governação qualificada de "democraticamente deficitária". Contudo, são estes mesmos analistas que passam ao lado das diferenças abissais de desenvolvimento existentes entre o Litoral e o Interior continental, entre alguns, poucos, portugueses com nível de vida médio europeu e um País real que agoniza com mais de 20% da sua população a sobreviver no limiar da pobreza.
Os mesmos analistas que acham que o povo é inteligente quando na Madeira vota à esquerda, contrariando Jardim, como já aconteceu diversas vezes, nomeadamente em eleições presidenciais, e é estúpido e analfabeto quando apoia> esmagadoramente o presidente do Governo Regional. Jardim foi coerente. Foi eleito para executar um programa e, a meio do campeonato, viu alterarem-se unilateralmente as regras do jogo. Pede legitimamente uma nova legitimidade.
É uma lição e um exemplo que devia ser seguido. Principalmente por quem prometeu governar sem subir impostos, sem cercear direitos sociais, sem portajar Scut, sem aumentar o desemprego.
Luís Filipe Menezes, Político
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A. João Soares
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quarta-feira, 7 de março de 2007
MENTIR É TÍPICO DOS PORTUGUESES
Ai Portugal, Portugal... O país onde a mentira é uma instituição ou o ser metafísico de um "atestado médico" ...
Este texto de um professor de filosofia que escreve semanalmente para o jornal O Torrejano merece ser lido..
Tudo o que ele diz, é tristemente verdadeiro...
O atestado médico - por José Ricardo Costa, colunista do jornal O TORREJANO
Imagine que é professor, que é dia de exame do 12º ano e vai ter de fazer uma vigilância.
Continue a imaginar. O despertador avariou durante a noite. Ou fica preso no elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente, pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa. Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta. Ora esta coisa de um professor ficar com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é: como justificá-la?
Passemos então à parte divertida.
A única justificação para o facto de ficar preso no elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico.
Qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar a sua ausência na sala do exame. Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação deixa de ser divertida para passar a ser hilariante.
Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre Melícias. A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso da TVI.
O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente. O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.
Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente.
Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.
Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade.
Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias vezes repetida transforma-se numa verdade. Já Aristóteles percebia uma coisa muito engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para sermos enganados. Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o "ET", que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras ocasiões.
O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade.
Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D. Afonso Henriques, que Deus me perdoe. A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos.Só que ninguém leva a mal porque já estamos habituados. Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade.
Se eu, num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá levar a mal. Fica ofendida. Se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei que ela sabe que eu sei.
Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim seja. Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro, mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho. Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que aquilo é tudo verdade.
Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza. Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho, lixo, mato por limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casa horríveis e fábricas desactivadas.
Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o mundo.
Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no elevador que precisa de um atestado médico.É Portugal que precisa, antes que comece a vomitar sobre si próprio.
Claro que merece figurar num blogue ....
M. Amaral de Freitas
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PAULO MACEDO. INSUBSTITUÍVEL ?
Ainda era menino e moço quando, pela primeira vez, ouvi dizer que os cemitérios estão cheios de homens insubstituíveis, geniais, providenciais, únicos, inigualáveis, etc. Mas, apesar de eles terem desaparecido, o Mundo não tem parado e continua sob a batuta do capital humano de que dispõe.
Um serviço fiscal, um Estado, não pode depender de um homem «providencial», seja qual for o significado que se queira dar a este termo. Essa tem sido a justificação de muitas ditaduras, mas a história demonstra que, após a morte do ditador, o país continuou. O mito de um homem indispensável numa qualquer organização, pública ou privada, evidencia uma péssima gestão dos recursos humanos, uma má avaliação das capacidades individuais, a ausência de uma escolha isenta e correcta dos mais competentes para cada tarefa, e a falta de estímulo e de condições de trabalho para serem levadas a cabo, com êxito, as acções fundamentais.
A solução passa por escolher o homem mais capaz de organizar racionalmente o serviço tendo em vista a sua finalidade principal e o seu objectivo, de discutir o projecto da organização com os colaboradores mais qualificados, antes de ser anunciado e implementado. Seguidamente, escolher a pessoa que mais se coadune com o perfil necessário para a liderança do funcionamento, quanto a saber, a capacidade de chefia e a coragem para seguir em frente sem ceder a pressões menos sérias.
Feito isto, com o máximo rigor possível e dando qualidades de trabalho e apoio político ao nomeado, chegar-se-á à conclusão que não é necessário ir buscar elementos estranhos à instituição para a dirigirem. Em todo o serviço, forçosamente, há pessoas honestas e competentes mas não são devidamente apreciadas e apoiadas para dirigirem. Isto passa-se em muitas organizações, desde as forças de segurança, à saúde, à educação, à defesa, etc. Na realidade, não há melhor dirigente de uma instituição do que o seu funcionário mais competente, dedicado e sério.
A escolha com base exclusiva na confiança política ou cor partidária não será a que melhores resultados produzirá. Há quem sugira concursos de ideias, concursos de candidatura a lugares de chefia, apoiados em currículos, em avaliações de desempenho, nas opiniões de colegas (dando desconto a que o melhor funcionário tem muito invejoso a procurar denegri-lo). E acabe-se com o mito dos insubstituíveis a que exigem ordenados de loucura, só compreensíveis na demência do «desporto» de alta competição.
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Etiquetas: chefia, competência
