Na notícia Londres diz que regime sírio foi responsável por ataque químico consta que «o chefe da diplomacia britânica, William Hague, pediu à ONU que envie especialistas à Síria para investigar o ataque com gás que matou centenas de pessoas naquele país na quarta-feira. "Nós acreditámos que se tratou de um ataque em larga escala com armas químicas do regime de Assad, mas gostaríamos que a ONU verificasse no terreno", afirmou.».
No entanto, Moscovo, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, um dos últimos apoiantes do regime de Damasco, ao qual vende armas, .considera "inaceitáveis" os apelos na Europa e a pressão sobre a ONU a favor do uso da força contra o regime do presidente Bashar Al-Assad e bloqueia todas as resoluções.
Admira como, após mais de meio século, o Conselho de Segurança da ONU continue com uma constituição que deixou de ser adequada ao mundo actual. Se os Estados mundiais devem ser considerados todos iguais perante a «lei» geral que regula o relacionamento internacional, não se vê motivo lógico para a existência de membros permanentes com poderes de bloqueio, do seu agrado, contra as opiniões da maioria dos outros «sujeitos de direito internacional».. A ditadura mundial partilhada desta forma pode gerar conflitos dramáticos para pessoas inocentes como os que ultimamente têm ocorrido em várias partes do planeta, principalmente em África e Ásia, perante o imobilismo do CS/ONU.
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sábado, 24 de agosto de 2013
INOPERÂNCIA DO CS DA ONU
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A. João Soares
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sexta-feira, 20 de março de 2009
Conflitos evitáveis
Recebi do Amigo José Luís Borges esta mensagem por e-mail que me deixou em dificuldade para responder por nem sequer saber para que fim pretende a minha opinião. Sobre isto pode escrever-se um livro com vários volumes, ou responder apenas com um ou dois monossílabos.
Gostei dos artigos que li sobre como evitar os conflitos.
Gostaria de saber sua opinião se o Conflito é inevitável, e aí levo em consideração todos os conflitos armados (guerra) ou não.
Considere aspectos de relações internacionais, políticos e geopolíticos.
Realmente já escrevi vários posts em que me referi aos conflitos, como se pode ver na lista de links que junto no fim deste texto.
Ao escrever tais posts e ao usar a palavra evitar, queria apenas referir os conflitos armados. Não é realista desejar evitar «conflitos» de outra ordem, pois desentendimentos, discordâncias, conflitos de interesses, diferenças de pontos de vista, etc. são naturais e fazem parte do relacionamento entre os diferentes povos, com religiões, tradições, recursos complementares ou concorrentes, fronteiras comuns, etc.
E, perante tais situações, será virtuoso tentar um diálogo ou negociação para se chegar a uma solução pacífica com o mínimo desgaste de vidas e de recursos materiais. Na actividade económica com trocas comerciais, entre países vizinhos ou entre os mais distantes pontos do Globo, a negociação é natural e raramente é colocada a hipótese de soluções violentas, até porque a arma económica já é de tal modo poderosa que serve de dissuasão, pressão, ameaça ou retaliação.
Felizmente, já existem muitos exemplos em que o diálogo e a negociação tem resultado, como foi o caso dos vários picos da «guerra fria» e recentemente com a Coreia do Norte que estava a levantar receios na Coreia do Sul e no Japão e a considerar em perigo uma boa parte da costa Ocidental americana.
Agora, está em curso a activação da simpatia entre o Irão e os EUA, sendo a elaboração deste post estimulada pela notícia de que «Obama falou directamente ao regime iraniano propondo superar conflito», por ocasião do novo ano iraniano, dizendo "Nesta época de novos começos, quero falar claramente aos líderes iranianos", "A minha administração está disposta a praticar uma diplomacia que trata a totalidade dos problemas que temos perante nós e a procurar estabelecer relações construtivas entre os Estados Unidos, o Irão e a comunidade internacional. Este processo não progredirá pela ameaça. Procuramos pelo contrário um diálogo honesto e fundado no respeito mútuo".
Também entre os EUA e a China. Está a ser levado a cabo um diálogo sério e aberto assente no respeito mútuo entre Estados soberanos, com grande potencial bélico.
Não deve deixar de ser referida a viragem positiva conseguida no relacionamento do Ocidente com a Líbia, após o atentado de Lockerbie, e posterior bombardeamento aéreo a Trípoli - sem qualquer resultado positivo -, a diplomacia francesa e britânica conseguiram convencer Kadhafi que seria vantajoso para a Líbia e para o Ocidente o estabelecimento de um bom relacionamento de entendimento e colaboração. E, realmente, a partir daí, os benefícios mútuos têm sido notórios.
A guerra no Iraque, ainda por terminar, poderia ter sido evitada se a França não tivesse feito uma asneira imprevisível do País que foi pai da diplomacia: O Saddam Hussein estava pronto a ir para o exílio e estava a escolher se iria para um palácio Líbio ou na Arábia Saudita, porque levou a sério o bluff americano com todas as forças nas imediações do Índico. (Toda a guerra é precedida de manifestações de força para convencer o adversário a ceder sem uso das armas). Mas quando industriais de petróleo franceses chegaram de avião a Bagdad, apesar de o espaço aéreo estar interdito, para assinar novos contratos, o Saddam convenceu-se de que os Americanos não iriam além do bluff, ignorando que estes já estavam junto do ponto de não retorno. E a sua atitude que, com os sinais dos franceses, se tornara mais arrogante, fez desencadear a guerra.
O medo, a desconfiança, a falta de diálogo, de transparência, presta-se a actos violentos, como são as guerras. Daí que um bom relacionamento e a resolução pacífica dos pequenos conflitos evita que estes degenerem em guerra, que é sempre mais custosa do que eventuais benefícios que possa trazer.
Seria pois desejável que qualquer desentendimento fosse resolvido pacificamente com oportunidade para evitar o seu agravamento e o perigo de gerar violência. Isso até poderia, contra os interesses das indústrias de armamento e de equipamentos bélicos, contribuir para que, utopicamente, as forças armadas se tornassem uma actividade em vias de extinção, o que seria a prova de que a humanidade passaria a agir com racionalidade, confiança, franqueza, abertura, etc. e a diplomacia daria solução aos diferendos.
P.S.: Há dias, a propósito de educação foi referido que um psicólogo defende a negociação entre alunos e professores e entre filhos e pais, com o que a autora do texto não concordava. Realmente a negociação, no sentido aceite neste post, só tem pleno significado entre duas entidades com capacidade para aceitar, fazer cedências e exigir. Não é esse o caso da educação, em que o educador deve impor procedimentos cívicos, embora o deva fazer por persuasão, explicação e demonstração dos benefícios resultantes dos bons comportamentos e do respeito pelos outros.
Outros posts sobre este tema:
- Negociação em vez de guerra
- Reflexões sobre a guerra
- Para evitar conflitos armados
- Nobel da Paz. Negociação e Mediação
- Conversações em vez de Confronto
- Relações internacionais mais pacíficas?
- Humanidade sem terrorismo
- Terroristas, dissidentes ou apenas oposição?
- Negociar, coligar em vez de utilizar as armas
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A. João Soares
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quarta-feira, 2 de julho de 2008
Caxemira, um caso pendente
A Caxemira tem sido uma fonte de preocupações e conflitos entre a Índia e o Paquistão e, recentemente, as notícias dão conta de mais um agravamento da crise.
Tudo começou com a independência da Índia que foi preparada, logo a seguir ao fim da II Guerra Mundial, tendo o último vice-rei, Lorde Mountbatten, proposto a divisão do país numa parte hindu e outra muçulmana. Depois de aprovado tal plano por ambas as partes, a União Indiana e o Paquistão obtiveram a independência como domínio em l947, estatuto que terminou em 1950.
Quando as duas partes foram separadas, as tensões entre hindus e muçulmanos eclodiram em chacinas maciças. O principado de Caxemira, no NO, junto da fronteira com o Tibete chinês, embora com população de maioria muçulmana, mas com um líder hindu, hesitou em unir-se à Índia ou ao Paquistão. Imediatamente os dois países entraram em guerra sobre a questão, que no entanto continua por resolver. A Caxemira tem sido um foco de tensão permanente entre os dois países, tendo estado na origem de duas das três guerras indo-paquistanesas.
Islamabade (Paquistão) reivindica a soberania sobre o único estado indiano de maioria muçulmana cuja integração na Índia, há 52 anos, se deveu à vontade da dinastia reinante, de religião hindu. Trata-se na essência de um conflito em que o factor religioso tem grande importância.
Depois do cessar-fogo entre a Índia e o Paquistão, estabelecido pela ONU em 1949, procedeu-se a uma divisão arbitrária do território do antigo principado, ficando o Paquistão a ocupar AZAD KASHMIR (Caxemira Livre), com 84.000 Km2 e 1,3 milhões de habitantes, com sede administrativa em Muzaffarabad. A estrada de Caracórum construída com auxílio Chinês, passa através desta região ligando o Paquistão com a província chinesa de Xinjiang. A região é dominada pelos importantes picos dos Himalaia, incluindo o k2 (8.611 m), a segunda maior altitude do mundo, a seguir ao Evereste.
A Índia ficou com a parte conhecida por JAMMU AND KASHMIR, com 138.995 Km2 e 6 milhões de habitantes. Tem duas capitais: Srinagar (capital de Verão), com 540.000 habitantes situada a 1.600 m de altitude, centro de comércio, agricultura e turismo estival, e Jammu (capital de Inverno), com 170.000 habitantes, no sopé dos últimos contrafortes do Himalaia. De SO para NE distinguem-se no seu relevo várias unidades fisiográficas: as planícies aluviais, a planície do sopé, o Himalaia e a cordilheira do Caracórum. O Grande Himalaia é constituído a NO por grande maciço cristalino que culmina no Nanga Parbat (8.125 m). As vertentes norte do Grande Himalaia descem sobre o vale do alto Indo originando desnível de mais de 5.000 m. Possui bosques frondosos. As principais actividades económicas são: exploração florestal, a criação de gado, lãs, frutas, milho, trigo, arroz e o turismo. A indústria é do tipo artesanal.
Uma parte do antigo principado, junto da fronteira com a China está ocupada por esta desde meados da década de 1950.
Na busca de uma solução para o conflito inicial, a ONU recomendou a realização de um referendo em que fosse tomada decisão sobre a autodeterminação, mas, mais de meio século depois, este continua por realizar. Esta é mais uma demonstração da falta de eficiência da mais alta instância internacional.
Como a Índia reivindica a totalidade dos 222.995 Km2 do Estado, embora só ocupe cerca de 60%, os combates reacenderam-se em 1965 e 1971.
A escalada da tensão na Caxemira iniciada no início de Maio de l999, com trocas de tiros de artilharia entre indianos e paquistaneses esteve relacionada com a penetração (versão de Nova Deli) de 400 a 600 «mercenários» («combatentes da liberdade» segundo os jornais paquistaneses) muçulmanos, armados por Islamabad. A necessidade de combater essa infiltraçâo levou em 26 de Maio a aviação indiana a intervir pela primeira vez na Caxemira.
Em 26 de Maio, foram abatidos dois aviões indianos (Mig 21 e Mig 27) e, em 27, um helicóptero por mísseis terra-ar paquistaneses, e a escalada da tensão na região subiu uma vez mais de nível e preocupou os aliados das duas partes Estados Unidos e China no caso do Paquistão, Rússia em relação à Índia. A França e o Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, exerceram pressão nos primeiros-ministros a fim de acalmarem os ânimos.
Esta situação era preocupante para o mundo porque os dois estados em conflito dispõem de capacidade nuclear, embora a Índia beneficie de vantagem militar.
A Índia (com 980 milhões de habitantes) realizou o seu primeiro teste nuclear em 1974 e mais cinco em l998, possuindo, segundo os especialistas, de 30 a 60 bombas equivalentes à de Hiroxima (20 Kt). Possui também mísseis balísticos com alcance de 2.000 a 2.500 Km (o Agni, fogo, cuja versão mais recente foi testada em Abril de 1999) e mísseis solo-solo com alcance de 250 Km (o Prithvi).
O Paquistão, com cerca de 130 milhões de habitantes, efectuou a primeira série de testes nucleares em Maio de 1998, sendo em l999 creditado pelos especialistas com uma dezena de cargas nucleares. Possui também mísseis solo-solo com alcance de cerca de 2.300 Km (o Ghauri II, uma versão testada em Abril de l999).
Também a nível do armamento convencional, segundo o Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais de Londres, a Índia supera igualmente o Paquistão.
Quando ambos os Estados deslocaram para perto da fronteira meios de lançamento de armas nucleares, houve sério risco de ser iniciada uma troca de tiros nucleares o que teria resultados difíceis de calcular, devido ao efeito de escalada. Foi mais um motivo para os detentores de armas nucleares intensificarem as medidas tendentes à inibição da proliferação nuclear.
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
Por fim, vem a paz!!!
Dois manos dorminhocos - oferta de Adelaide Quintas
Era uma tarde quente de Junho,
e o soninho apertava.
O sofá, macio e fofo convidava
a um salto da realidade para o mundo
vazio de barulhos e onde o silêncio é profundo...
Foi uma visão que enterneceu...
a dona do sofá... que sou eu!
Não resisti e fui buscar a câmara digital, minha última aquisição, e que tem feito as minhas delícias. Como podia eu deixar de registar uma cena tão invulgar, porque, há sempre aquela guerrinha entre crianças, "ora chega p'ra lá , tou apertado, tira o pé, ai que vou cair, vovó???...
ADELAIDE - CVS/23
NOTA: A bonança que vem depois da «tempestade»; a paz que vem depois do conflito. Não há bem que sempre dure nem mal que ature!!!
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A. João Soares
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Ausência de autoridade internacional. ONU ineficaz
Ontem, «Dia Mundial por Darfur», cerca de 100 pessoas participaram, numa concentração no Largo de Camões, em Lisboa, para alertar a comunidade internacional para a crise que a região do oeste do Sudão enfrenta.
Manifestações semelhantes realizaram-se em mais de 30 países, para exigir uma acção urgente que ponha fim à violência em Darfur, onde quatro anos de guerra civil provocaram mais de 200 mil mortos e 2,4 milhões de deslocados e refugiados. A concentração em Lisboa foi organizada pela Plataforma "Campanha por Darfur", que congrega sete organizações não-governamentais (ONG), e que está a promover igualmente uma petição para ser entregue à presidência portuguesa da União Europeia (UE).
Nos dias actuais, quando nos debruçamos sobre situação que se vive em vários pontos do globo como no Líbano, no Iraque, no Irão, na Coreia do Norte, na Somália, no Darfur e nos casos por resolver, há muitas décadas, da Caxemira e do Sahara Ocidental, fala-se da impotência da ONU e da ausência de autoridade internacional formal, porque, segundo muitos, a autoridade informal reside no Clube Bilderberg e nas grandes organizações económicas supranacionais. Achei que poderão ter algum interesse umas reflexões que alinhei tempo a propósito da situação no Sudão.
Sudão e ausência de autoridade internacional
O Sudão é o país africano de maior extensão, com uma composição populacional extremamente complexa – 252 grupos étnicos – e várias religiões em que predominam os muçulmanos sunitas, a Norte, seguidos dos discípulos de crenças tradicionais africanas e dos cristãos, a Sul. Estas características humanas, a sua posição geoestratégica e a exploração de petróleo, recentemente iniciada, têm sido factores de uma história acentuadamente conflituosa. Ocupado por egípcios, turcos e britânicos e desejado pelos franceses, acabou por ver proclamada a independência em 1955.
Desde os primeiros dias de Estado independente, ainda não houve uma paz verdadeira devido à luta pelo poder, entre várias facções islâmicas e ao desejo de estas oprimirem os povos do Sul. Desde 1983, está em curso uma rebelião dos povos do Sul, de maioria cristã, contra o regime muçulmano de Cartum. É a guerrilha mais antiga de África que tem continuado, apesar de muitas tentativas de apaziguamento, aconselhadas e mediadas por países ocidentais e africanos. Os combates já fizeram mais de um milhão de mortos.
Após o golpe militar apoiado pela Frente Islâmica Internacional, em 1989, a insegurança passou a ser permanente, com um medo doentio em cada coração. Por pressão daquela Frente Islâmica, foi dado asilo em mansões luxuosas, nos arredores da Capital, a proscritos como Osama bin Laden e a Carlos o Chacal. O poder foi partilhado, de forma informal, pelo Presidente general Omar al-Bashir e por Hassan Turabi, o pai intelectual do movimento islamista do Sudão, antes de este ser colocado em prisão domiciliária.
Em 2002, os rebeldes do SPLA (Exército de Libertação do Povo do Sudão) - que lutavam há 20 anos contra a opressão do Governo no Sul do país - pressionados pelo Ocidente a terminar com a guerra civil, assinaram um frágil cessar-fogo, de curto efeito. Apoiando várias iniciativas para o apaziguamento do Sudão, o Secretário de Estado norte-americano Colin Powell deslocou-se, em Outubro de 2003, ao Quénia para reabilitar as relações com Cartum e dar um impulso às negociações de paz que ali decorriam entre o Governo e os rebeldes do Sul chefiadas pelo Coronel John Garang. C Powell manifestou esperança de a assinatura de um tratado de paz se efectuar em Dezembro seguinte, mas a esperança foi gorada. Outras tentativas posteriores tiveram resultado semelhante. Quando foram assinados acordos, pouco demorou até serem desrespeitados.
Entretanto, agravou-se a situação na província de Darfur, antigo sultanato cuja independência foi esmagada, em 1916, por uma expedição britânica, na zona ocidental, vizinha do Chade. A população, que pretende a autonomia, tem sido muito mal tratada e bombardeada pelos aviões governamentais que, em quatro anos de guerra civil, provocaram mais de 200 mil mortos e 2,4 milhões de deslocados e refugiados lem fuga para lugares onde a falta de água e de outras condições de vida tornam difícil a sobrevivência, sendo mesmo difícil a chegada de socorros de organismos internacionais. As forças islâmicas governamentais apoiam milícias árabes que praticam as piores violências sobre o povo, embora o governo de Osmar al-Bashir desminta. Em Agosto de 2004, foi assinado entre o Governo sudanês e as Nações Unidas, para o Darfur, um acordo contendo sete pontos, mas que ficou letra morta.
Tanto a ONU, como a União Africana, como a UE (União Europeia), como as grandes potências, têm mostrado vontade de ver restabelecida a paz neste grande país, mas a sua boa vontade não tem conhecido êxito e as pessoas continuam a sofrer privações inclusive da própria vida. Interrogamo-nos até quando o mundo, os poderes internacionais se manterão impotentes para pôr termo ao genocídio levado a cabo pelo poder islâmico do Sudão nas partes Sul e Oeste, onde vivem populações que não são muçulmanas. Os títulos da imprensa, embora pouco frequentes, são bem elucidativos do pouco interesse que o mundo tem pelo continente africano e das táctica dilatórias do Governo de Cartum, com desprezo de tudo e de todos. Os próprios funcionários da ONU têm sido obrigados a cessar as suas funções por falta de segurança e por estarem a correr riscos desproporcionadamente elevados.
O conceito geral em que podemos inscrever este e muitos outros casos evidenciam claramente que a humanidade está afastar-se dos bons valores morais e éticos que deviam reger as relações entre as pessoas. Infelizmente, apesar de haver muitas entidades de boa vontade que aconselham o civismo e a solidariedade, como foi o caso de Madre Teresa de Calcutá e é o de Nelson Mandela e do Dalai Lama, o mundo continua em guerra, movido por ambição de poder de riqueza pessoal, de vaidade e de ostentação, sendo difícil que as mais santas palavras entrem nos corações dos poderosos. A grande praga da humanidade nos tempos modernos é o endeusamento dos interesses pessoais traduzidos em bens materiais em vez da prioridade ao pensamento, aos sentimentos e às emoções naturais que as tradições mais salutares colocavam em primeiro plano. Os valores morais e éticos fazem falta aos governantes de todo o Mundo.
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A. João Soares
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