quinta-feira, 12 de abril de 2007

OTA. Opinião de quem sabe

Recebi por e-mail de remetente identificado e, pelo valor dos argumentos, julgo com interesse para conhecermos mais pormenores do problema da OTA.

Não ouvi se o Prumero falou no assunto (deixei-me dormir), mas inicialmente foi anunciado. Porque me parece oportuno, transcrevo do Blog O VELHO DA MONTANHA. Os sublinhados são meus.
JGarcia

FILHOS DA P...OTA!

Ao que parece a decisão está tomada e, jura o Governo, nada impedirá o projecto de ir para a frente. Várias questões se põem sobre a eventual bondade desta obra, sendo que apenas tenho ouvido argumentos inteligentes "contra" e argumentos indigentes "pró".
Em primeiro lugar, se é que isso serve de indicador, tenho corrido Portugal de lés-a-lés e ainda não encontrei ninguém, mas mesmo ninguém, a quem o projecto agradasse. Depois, este Governo, pela pessoa sebosa de Mário Lino, tem-nos enfiado pela goela abaixo uma série de estudos, nos quais são omitidas questões da maior importância. Ao que nos dizem, a obra vai ser financiada por privados, mas de que forma estes privados se vão resarcir do investimento? Irão fazer uma obra de caridade? Mesmo que assim fosse, este novo aeroporto terá de ter acessos dedicados, os quais têm altíssimos custos que inevitávelmente vão sair de vários OGE's. Qual a perda de competitividade de Lisboa em relação a outras cidades Ibéricas? Como irá ser afectado o Aeroporto Sá Carneiro após a sua faustosa remodelação? Quem irá pagar os 400 milhões de Euros para a expansão – ao que parece inútil – da Portela? E já agora, para quê investir numa linha de Metro para o actual Aeroporto? Será para servir "à priori" as futuras urbanizações previsivelmente programadas para os terrenos da Portela?
Bom… Penso que mais vale deixar estas perguntas no ar, pois não lhes conheço as respostas e acredito que ninguém mas vai dar.
Vou pois falar de algo que conheço, e conheço muito bem, a própria Ota.
Em primeiro lugar devo começar por informar de que não sou nenhum ignorante no que respeita a aeronáutica e como passei três belíssimos anos da minha vida na Base Aérea nº 2 – a Base da Ota - onde aterrei e descolei muitas centenas de vezes, acho-me com alguma autoridade para abordar o assunto e embora os tempos não sejam os mesmos, há questões imutáveis que me suscitam a maior das perplexidades.
Começo por falar no Monte Redondo, ou "Mamelão", uma colina bem elevada que se encontra a escassa distância, no enfiamento da pista 36, ou seja na direcção Norte-Sul. Como oiço falar em duas pistas paralelas, decerto serão neste sentido, já que é o que corresponde à direcção dos ventos dominantes. Neste caso, só haverá duas hipóteses: Ou deslocam estas pistas para nascente – para poente é impossível por causa da Serra de Meca – e estas ficariam assentes em terreno pantanoso e alagadiço, com necessidade de complexas fundações, ou pura e simplesmente desmantelam e aterram o " Mamelão", o que se me afigura uma tarefa hercúlea e de custos exorbitantes. Mesmo com as pistas desviadas para nascente, o dito "Mamelão" continuaria a ser sempre um sério entrave à operação comercial de aeronaves de grande porte.
Sendo os ventos dominantes de Norte, a maior parte das descolagens seriam feitas em direcção a uma verdadeira barreira montanhosa: A Serra de Montejunto, a Serra de Aire e a Serra dos Candeeiros. Não se podia escolher melhor terreno para o caso de uma falha de potência à descolagem, ou outro tipo de emergência grave!
Por fim, mas não menos importante, é o caso dos nevoeiros. Quem costuma andar pela A23 e A1 conhece muito bem a formação e persistência de nevoeiros cerrados naquela baixada, e embora os modernos equipamentos de ILS consigam trazer o aparelho até ao início da pista de forma automática e segura, não conheço um único piloto que prossiga na aterragem se a não conseguir ver o terreno à sua frente. Não poucas vezes tive de ir aterrar em Alverca ou a Monte Real por causa desses espessos nevoeiros nascidos nas bandas do Tejo.
Poderia continuar com aspectos de detalhe, mas são minudências técnicas que decerto pouco interessam às pessoas em geral, mas uma coisa posso afirmar sem grandes dúvidas: A Ota é dos lugares menos adequados que eu conheço para construir um Aeroporto Internacional, que além de só conseguir a sua eventual viabilidade através de taxas altíssimas que inviabilizarão em grande medida os voos " low cost", apresenta sérios problemas de segurança e de viabilidade construtiva.
Um projecto destes só pode ter saído de uma postura megalómana do actual Governo, apostado em deixar a sua marca na História através de uma grande obra de regime, na melhor das hipóteses, pois a pior seria conhecer em detalhe a propriedade dos terrenos, as contrapartidas dos investidores e todo o cortejo de sinais que costumam acompanhar o mundo nebuloso da corrupção (lembrem-se do Aeroporto de Macau).
Caspité! Não conseguiriam arranjar uma coisinha mais barata e com menos impacto negativo?
Pelos vistos não, pois na realidade não passam de uns Filhos da P…Ota!

Publicado por JM - 11:03 PM | Comentários: (10)

Realmente é deplorável que os "encanudados" deste País acordem tão tarde para uma evidência que um mero leigo já tinha constatado em 2005.
Depois estranham que o Salazar ganhe concursos...

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quarta-feira, 11 de abril de 2007

A Bem Dizer...

Gosto das ideias claras e procuro afastar dúvidas e suspeições que possam criar confusões e interpretações nocivas. Por isso, pretendo tornar explícito que não digo mal por prazer, nem para ferir, mas sim com a intenção de alertar para a necessidade de ponderação e reflexão, segundo a minha modesta opinião e simples critério. Mesmo as críticas aparentemente ácidas têm sempre uma sugestão construtiva, um lampejo que poderá ajudar a soluções mais sensatas. E como observador imparcial com preocupações de isenção, não me coíbo de elogiar situações que me pareçam constituir bom exemplo a seguir. É caso da referência a M P Marques, a A Neves e ao Governo, recentemente trazidas a público neste espaço.


Hoje, por exemplo, fiquei sensibilizado com mais uma atitude louvável do ministro da Agricultura, perante um grupo de agricultores que o «agrediram» verbalmente. Teve uma atitude muito meritória, no oposto da peixeirada da ministra da Educação, recentemente, em Vila da Feira. O ministro explicou o seu critério de distribuição dos dinheiros vindos da União Europeia (EU), em que pretende dar prioridade aos sectores que melhor possam contribuir para a substituição de importações e para aumentar as exportações, graças às suas capacidades produtivas e de rentabilidade, como são: florestas, vinho, frutas e produtos hortícolas, entre outros.

É compreensível o descontentamento dos seareiros que estão habituados a ser altamente beneficiados, há vários anos, sem qualquer resultado positivo a não ser para eles próprios, como é comprovado pelo estagnado poder económico do sector ao invés das moradias, piscinas, jipes de luxo, boas roupas como se viu nas imagens da TV, etc.

A clarividência e o sentido de estado deste ministro já tinha saltado aos nossos olhos mais atentos quando encarou frontalmente o efectivo excessivo do seu ministério face à sua pouca produtividade, propondo a mobilidade de grande número de funcionários para postos de trabalho onde podem ser mais úteis. Não quero ser prolixo em adjectivos, embora ele os mereça, e termino aqui.

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Consumidor descontente

Para todos os que me enviam e-mails a insultar e a dizer que não vale a pena reclamar nem se deve ter rancor, que o amor pelos outros é muito bonito, etc etc.
Cá vai um bom exemplo do que deve ser, para mim, a resposta de todos os que são aldrabados por outros:
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Eles correm riscos

A última curva...

Manel do Montado,in http://montadoaltaneiro.blogspot.com

Acordei sobressaltado com um estrondo que depois constatei ser proveniente do rebentar de um balão. As crianças, essas eternas fontes de riso e brincadeira arrancaram-me um sorriso adormecido. Lembrei os meus filhos…os gémeos tinham agora um ano e há seis meses e quatro dias que não os via. O mais velho lembrava-se de mim, dizia a mãe nos dois minutos que tinha por semana de telefone para ligar para casa. Encontrava-me no aeroporto de Milão – Malpenza, aguardando voo para Lisboa. Três dias antes, ainda em Sarajevo, havia recebido um convite para mais um tour de seis meses. Obviamente recusei, apesar de me garantirem que seria no Quartel-General da Missão e que não haveria patrulhas nem missões esquisitas. Para mim chegava.

Faltavam ainda quatro horas para o voo e decidi beber umas “bejecas” num daqueles bares de aeroporto. Afinal haviam passado seis meses e quase não gastei dinheiro nenhum…não havia onde fazê-lo.
Bebi durante mais de duas horas… Estava atascado de cerveja e de grapa… A velha anestesia do soldado era agora aplicada para ajudar a passar o tempo. Procurei assento junto à porta de embarque, faltava agora pouco mais do que uma hora.
Adormeci por breves momentos e só acordei com o “basqueiro” de uma grupo desportivo qualquer que embarcaria também para Portugal.

A bordo informei a hospedeira que não queria comer nada e que precisava de dormir. O tal grupo desportivo não deixou e pus-me a recordar…Era estranho, vinha-me embora mas sentia saudades dos que lá ficavam. Um turbilhão de sentimentos deu-me a certeza de que não voltaria mais…nem de férias. Pedi uma heineken à hospedeira.
Recordei a minha saída de Sarajevo e os meus últimos tempos adido a uma unidade militar inglesa. Conheci-os o suficiente nas mais de duas dezenas de patrulhas que fiz integrado na sua unidade. Aliás, estranhei que alguns deles, que logo ao início olham tudo o que não é british de soslaio, me saudavam militarmente e tratavam-me com deferência. Evans, esse meu grande amigo e irmão de armas, havia-se encarregado de os “brifar” sobre nós, os “velhos”.

Não sei o que lhes disse, só sei que me imitavam em tudo quando em patrulha, quer nas ruas de Sarajevo, quer nas montanhas em redor. Até os próprios sargentos ingleses e o oficial comandante de pelotão me tratavam de forma diferente do formalismo militar.

Um dia, numa dessas patrulhas nos arredores a norte de Sarajevo, encontrámos um pontão destruído mesmo antes de uma grande curva para a direita, ladeada de montanha de um lado e de uma várzea do outro. Ao fundo, a uns duzentos metros, uma casa de campo destruída indicava que aquela várzea havia sido terreno de cultura.
O tenente Higgins, comandante de pelotão, ordenou que um pequeno grupo avaliasse das condições da várzea para a passagem dos seis “Land-Rovers”. Cortam-se uns ramos de árvore, desbastam-se as ramadas e depois servem de espeto para aferir da macieza da terra para poder suportar ou não o peso dos carros.
Três soldados meteram-se à várzea, não antes de se estabelecer a segurança, tendo uma equipa passado a curva através da encosta da montanha, evitando assim alguma emboscada daquele lado.
A imagem lembrou-me as fotografias do meu pai da guerra em África, com os pica-minas sempre a picar o itinerário…Pequenos grupos de passarinhos pousavam aqui e ali à busca de alimento…De repente despertei naquela manhã calma e berrei para os “picas”:
- Stay where you are, stop!
O sargento Edwards veio ter comigo e perguntou-me se havia visto algo. Nem lhe respondi, corri até aos três rapazes e gritei para toda a gente ficar quieta. Passaram-se uns cinco minutos até que os pássaros, que haviam levantado com a algazarra e com o movimento do pessoal a tomar posições, regressaram em pequemos grupos a determinadas partes da várzea. Disse aos três rapazes para regressarem colocando os pés precisamente no local onde haviam pisado antes.
Expliquei ao tenente Higgins que acreditava que havia minas naquela várzea. Que na minha opinião o facto do pontão estar rebentado e não haver relatório da patrulha anterior sobre o facto, o que nos obrigava a passar através da várzea, aliado ao facto dos pássaros pousarem em sítios específicos, indicava que a terra havia sido mexida recentemente.
O ter sido criado no campo e o me ter lembrado das fotografias do meu pai, salvara a vida a alguns de nós. Aguardámos quase duas horas pela chegada do “heli” com os sapadores de engenharia. Naquela várzea foram encontradas e destruídas três minas anti-carro e oito anti-pessoal. O Pontão foi reparado.

Chegou o dia da partida e, inexplicavelmente, conduziram-me para outra parte do Aeródromo de Butmir. A hora de apanhar o avião militar para uma base italiana nos arredores de Milão aproximava-se e não percebia o motivo porque estava ali. Talvez me fossem dar uma recordação…
Uns minutos depois entrou o capitão William Hartmann e disse-me que estava na hora.
Cá fora o pelotão dos Royal Green Jackets em que estava integrado estava formado em uniforme de parada e prestou-me honras militares não protocolares. Não consegui articular uma palavra, postei-me na sua frente e recebi, eu um sargento, a continência de um tenente. Um militar não forma de óculos de sol mas naquele dia quebrei a regra. Olhei-os através das lentes para não me “desmanchar” na sua frente. Retribui a continência, virei-lhes as costas e quis sair dali para fora.
O major Barrows acompanho-me até ao avião, apertou-me a mão e disse-me qualquer coisa sobre as minhas capacidades militares…não o quis ouvir…de emoção já chegava.
Guardarei na memória aquelas imagens até que um dia me vá reunir aos outros que partiram antes. Guardo também o diploma/louvor que me deram e que não entreguei cá para o meu processo. Geraria invejas e ódios desnecessários e isso não era importante. Quem me conhece sabe o que é verdadeiramente importante para mim.

Soube depois que por cá um sargento fora condecorado por “bravura” por ter reagido a uma emboscada sérvia, quando na realidade, após o processo de averiguações, se concluiu que os tiros na sua viatura eram da sua própria arma e havia que justificar os disparos. Como o processo já ia adiantado e era tarde para desmanchar o logro, o homem lá foi condecorado pelo PR. Um outro, este oficial, que tinha o azar de adoecer na véspera das patrulhas que lhe competia fazer, para além de se esconder debaixo de uma mesa de snooker quando dos bombardeamentos e gritar que nem um desalmado, foi agraciado com a medalha de serviços distintos e colocado num posto no estrangeiro. Um outro ainda, também oficial, cuja fama de negociante na Bósnia lhe valeu vários comentários pouco abonatórios por parte de oficiais estrangeiros, tentou suicidar-se há pouco tempo com veneno. Pesar-lhe-á a consciência?
Quando regressei disseram-me, à laia de justificação nem sei do quê, e sem que eu tivesse perguntado alguma coisa, que só havia cota para condecorar um oficial e um sargento.
Foram condecorados um mentiroso e um cobarde…

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terça-feira, 10 de abril de 2007

A Pedagogia da ministra

Recebido por e-mail de pessoa identificada

Com a Cortesia do "Educação do meu Umbigo" "(...) O motivo que me leva a enviar este e-mail tem a ver com o facto de no passado fim de semana um colega meu, professor, ter abdicado do seu fim de semana familiar com uma criança e a mulher, para poder acompanhar um grupo de alunos que iriam participar no Corta Mato, inserido no Desporto Escolar em Sta Maria da Feira, onde a nossa cara e digníssima Sr.ª Dr.ª Ministra de
Educação esteve presente com a sua comitiva.

Quando esta senhora. se é que podemos designar de tal (desculpem o meu desabafo) se dignou a proferir algumas palavras, foi vaiada com um valente "hhhhhuuuu", por parte do público ali presente, constituído na sua grande maioria por alunos do ensino básico. Perante tal comportamento, a senhora teve a reacção mais admirável, pedagógica e sensata que algum adulto, pedagogo e acima de tudo uma pessoa bem formada e responsável poderia fazer: simplesmente desafiou-os dizendo que saberia fazer mais barulho que eles e pegando no seu enorme instrumento de trabalho (microfone) desatou aos berros, gritando uns valentes "hhhuuusss", referindo-se às crianças deste país que conseguiria gritar mais que elas.

ISTO é a nossa EDUCAÇÃO!

Gostaria que levassem este e-mail em consideração e sem querer qualquer protagonismo. analisem o que vos conto e divulguem este e-mail a quem de direito entendam que o deva assistir. A nossa política educativa não
poderia estar em melhor mãos..

NÃO ACHAM?

Façamos algo de concreto. reflictam sobre o que se passa, comentem este vídeo, tal como a política educativa com os vossos amigos, amigos dos amigos, pessoas que estejam em posição de analisar o que se sucede no nosso ensino. O meu obrigado pelo que venham a fazer!(...)"

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Os militares e a G3

Segundo o Diário de Notícias de hoje, «Militares vão continuar a utilizar as velhas 'G3'» que já é companheira de várias gerações, há mais de 40 nos, nas mais difíceis circunstâncias e agora vêm o processo de aquisição de nova arma para a substituir emperrado por razões administrativas há mais de dois anos e terão de esperar mais uns tempos.

Poderá haver opiniões contra a aquisição de nova espingarda, mas convém pensar primeiro se Portugal quer ou não ter Forças Armadas. Se as quiser ter, é bom ponderar o seguinte:
- Quantos portugueses usam ainda, na sua vida diária, um automóvel ou uma mota de modelo dos anos 60?
- Quantos usam a televisão do modelo original (dessa época)?
E, como a maior parte dos parelhos que hoje se usam só apareceram após essa data, pergunto:
- Qantos portugueses usam televisão a cores, ou leitores de vídeo, ou telemóvel, ou computador dos modelos originais?
Certamente têm trocado por modelos mais recentes por diversas vezes!!!

Os equipamentos antigos podem ser bonitos como peças de museu mas, obviamente, não serão eficazes nem fiáveis para os momentos actuais e os condicionamentos vigentes. Não é por acaso que as novas gerações de equipamentos domésticos e de uso corrente introduzem sucessivos melhoramentos no seu funcionamento. E a arma para um militar é a sua melhor amiga com a qual tem de contar sempre que necessário, pois pode ser uma questão de vida ou de morte.

Ter um Exército mal equipado e armado é um mau «negócio» para o País. Será preferível um mais pequeno mas eficiente quanto às qualidades dos materiais e à preparação do pessoal. Sem isso, será melhor pensar em deixar de ter Forças Armadas, o que não sendo curial perante os nossos parceiros europeus e da NATO, constituirá no entanto uma inovação muito ao gosto de alguns políticos e opinadores que têm dificuldade em analisar as situações reais com todos os seus condicionamentos e implicações.

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Convém saber sempre PORQUÊ

Recebido do e-amigo H Ferdinando
Como nasce um paradigma?

Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula.
No centro dela puseram uma escada e, sobre esta, um cacho de bananas.
Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão.
Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada.
Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas.

Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos.
A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram.
Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada.
Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato.
Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato.
Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.
Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:
- Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui...

NOTA:
1. E você? Pensa, e muito bem, que os políticos são todos iguais só governam os seus interesses pessoais dos familiares e amigos, estando-se nas tintas para os interesses colectivos os cidadãos. E porque vai às eleições? escolher o quê? entre o quê?
- Há muito tempo que as coisas são assim!!!!

2. Mas a lição é muito mais vasta do que a constante do parágrafo anterior orientada para os políticos. Andamos na vida a ter comportamentos muito educadinhos sem sabermos porquê. É o perigo de seguir cegamente as tradições, o que vinha do antecedente, sem as colocarmos em causa. É necessário, pensar nos porquês. Temos de perder a vergonha de perguntar PORQUÊ? de procurar saber as razões e passar a agir com mais racionalidade, tendo em vista finalidades válidas.

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segunda-feira, 9 de abril de 2007

Assaltos a bombas de gasolina

O Diário de Notícias de hoje traz mais uma notícia de assaltos a bombas de gasolina,
«Mulher baleada tentou retirar o capuz a um dos assaltantes». Parece este tipo de violência e criminalidade está na moda. Não são surpresa para quem estiver atento à vida da nossa sociedade. Efectivamente, foram preparados todos os condimentos culinários para este cozinhado poder ir ao lume. Quem os preparou?. Por um lado foram os proprietários das bombas e as associações que os representam e, por outro lado, o ministro da Justiça. Há dúvidas? Basta recordar que, quando o combustível era pago por cheque ou por cartão multibanco sem qualquer acréscimo da conta, a caixa da bomba chegava ao fim do dia praticamente vazia, não compensando qualquer assalto. Agora, o dinheiro em notas e moedas amontoa-se na caixa, porque não aceitam cheques não visados e porque o uso do cartão é pesadamente onerado para o cliente. Quanto à recusa dos cheques, deve-se à brilhante decisão do ministro da Justiça de descriminalizar a falta de provisão, a fim de aliviar os tribunais. A poupança que os «bombistas» conseguem ao atribuir ao cliente o custo da utilização do cartão, acaba por lhes trazer os danos provenientes dos assaltos. Parece ter sido um péssimo negócio! Talvez seja de voltarem a preferir e facilitar o pagamento com cartão de débito ou de crédito.

Perante isto, de que se estava à espera? Nada acontece por acaso, e os assaltantes não são estúpidos e, como exercem uma actividade de alto risco, têm que planear bem as suas acções e procurar que estas sejam compensadoras (o que não acontece com os governantes que não arriscam nem a vida nem o seu dinheiro).

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Fogos florestais. Helicópteros. Pilotos

A época de maior perigo de fogos florestais aproxima-se passos rápidos. Todos os anos é prometido que o problema será resolvido melhor do que nos anos anteriores, mas a catástrofe, concretiza-as ao invés dessas promessas políticas. A zona do pinhal desaparece pra ser substituída por florestas de giestas, acácias e outras infestantes, a não ser nos locais em que a indústria das celuloses decide plantar eucaliptos, com os inconvenientes conhecidos para a infertilidade dos solos próximos.

Promessas de aquisição de aviões e de helicópteros, são conhecidas, feitas no auge das emoções sem base em estudos sérios quanto aos factores que levaram à escolhe de uma solução em detrimento de outras, melhores ou piores. As decisões sobre os joelhos têm sido uso corrente, levando por vezes a recuos ou, o que é pior, à continuação teimosa por caminhos errados. Agora, segundo o JN, estão «Por definir a cedência de pilotos para fogos». Segundo fontes militares,«o protocolo entre o Ministério da Administração Interna (MAI) e o Ministério da Defesa, a propósito da cedência de pilotos de helicópteros do Exército para a unidade de combate aos fogos e socorro, ainda está por assinar.» Parece estar em a vontade do MAI em estender a requisição dos pilotos do Exército por três anos, para ter tempo de preparar guarnições próprias para as aeronaves, que deverá começar a receber este ano e que deverão estar disponíveis para a próxima época de fogos.

Mas a Unidade de Aviação Ligeira do Exército (UALE) de onde sairiam os oito pilotos para o Mai, não obstante nunca ter voado em helicópteros próprios, continua a ser mantida absorvendo verbas públicas sem um contraponto no produto operacional. E o que é pior, todos os pilotos e mecânicos da UALE perderam as qualificações aeronáuticos e alguns deles poderão ter demasiada idade para corresponder aos requisitos operacionais.

Entretanto o Exército espera o fornecimento de helicópteros ligeiros, para abrir caminho aos NH-90, mas a verdade é que o concurso para aquelas aeronaves ainda não foi lançado, por o caderno de encargos dever ser elaborado em conjunto com a Força Aérea, que também quer receber "helis" ligeiros e os requisitos finais de ambos os ramos ainda não estarem estabelecidos.

Quanto à aquisição de 10 hélis NH-90, o contrato foi assinado em 2001, entre o Governo português e a NAHEMA (NATO Helicopter Management Agency), a entidade da OTAN que ficou responsável pela gestão do programa NH-90, onde entram mais cinco países, além de Portugal. Porém, o Governo deve à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) um valor que poderá chegar aos 40 milhões de euros , na sequência da decisão governamental de suspender o pagamento de prestações no âmbito do programa de aquisição. Em causa estarão dificuldades financeiras sentidas pelo Executivo, que levaram ao adiamento da recepção dos aparelhos de 2008 para 2012.

A formação de pilotos do Exército para o NH-90 estará dependente dos helicópteros ligeiros para instrução, dois processos que oficialmente aparecem associados. No entanto os pilotos poderão receber formação ou reciclagem na Força Aérea ou na unidade aérea do Exército espanhol (FAMET), tal como já aconteceu antes de os pilotos do Exército terem perdido as qualificações de voo.

Com mais estes pormenores por resolver, não podemos esperar que a eficácia do combate aos incêndios, durante o próximo Verão, seja muito superior à verificada nos anos mais recentes. Só a redução dos focos de incêndio nos poderá valer, mas essa não será fruto de qualquer acção planeada e coordenada pelo Poder. No entanto, não deixará de haver visitas de governantes aos fogos mais mediáticos, com direito a aparecimento nos telejornais com palavras politicamente correctas mas que não deitam sumo quando espremidas, à semelhança das proferidas em ano transacto, nomeadamente da Serra d’Aire que originaram comentários duramente polémicos. Os recordes de afirmações enfáticas de governantes não param de ser batidos, a cada passo.

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GNR. Regimento de Cavalaria

A pedido do autor, coloco aqui esta carta enviada à PR, à AR e ao MAI.

Exmos. Senhores

Tive ontem a honra (e também muita tristeza) em assistir ao 85º aniversário do Regimento de Cavalaria da Guarda Nacional Republicana. Mais uma vez ali foi apresentado um programa que evidenciou as extraordinárias vantagens de Portugal e a Guarda terem uma Unidade como o Regimento. Quer através das suas inúmeras capacidades operacionais nas áreas do policiamento urbano e territorial a cavalo, quer nas capacidades de intervenção na manutenção da ordem pública, no patrulhamento florestal prevenindo fogos e actos criminosos (com acesso a locais onde o homem não vai nem a pé nem em viatura, com uma visão privilegiada de cerca de 3 metros de altura e 360º de ângulo), o policiamento da orla marítima e tantas outras e variadas tarefas de missão onde se incluem as Honras de Estado e a segurança a Altas Entidades e suas residências oficiais.

Não posso acreditar que o resultado dum estudo levado a efeito por uma empresa civil, sem o mínimo conhecimento do que é a hierarquia duma força militar e seus escalões de comando, sem saber o que querem dizer as funções Comando, Controlo e Coordenação, que apenas se preocupou com a relação custo/benefício e com a obtenção de verbas através da venda de património de edifícios históricos e tradicionais, possa levar à extinção duma das Unidades mais antigas e representativas da Guarda e de Portugal. Certamente não sabem que esta Unidade é um dos 8 únicos Regimentos a cavalo existentes na Europa, o único na Península Ibérica e em Portugal que importa manter a todo o custo não só aproveitando as suas inúmeras capacidades operacionais, mas também para termos mais algo igual àquilo que se mantém como valores importantes europeus em países como a França, a Itália, a Holanda, a Suécia, a Grã-Bretanha, a Roménia e a Áustria.

É certo que é preciso modernizar e actualizar a Guarda, não estou contra e, sim, muito a favor. Mas destruir é que NÃO. Cuidado. Pensem bem e reflictam melhor.

Carlos Pires da Costa, Coronel de Cavalaria (reformado) ex-Comandante do Regimento de Cavalaria da GNR

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domingo, 8 de abril de 2007

Transparência e honradez

Nós, portugueses, em vez de nos debruçarmos na análise dos problemas mais graves para o futuro do País e da qualidade de vida das gerações vindouras, somos aliciados para as fofocas da Ota e dos eventuais interesses particulares envolvidos, das ligações da Independente a vários políticos, da regularidade dos diplomas académicos que tem passado, da idoneidade dos seus dirigentes, de um curriculum académico que, como tal, não contém referência a um cargo altamente remunerado durante mais de duas décadas, mas que, estranhamente, fala de prática de ioga e horticultura, e do facto de um senhor ser ou não licenciado.

É de lamentar que se despendam tantas energias com tantas suspeições de importância mínima. É de lamentar que se coloque em dúvida a idoneidade, a honradez, a sinceridade de pessoas que deviam estar acima de qualquer suspeita. Mas, caindo na realidade vigente, há uma explicação muito simples para que isso aconteça: o povo foi-se habituando a não acreditar nos políticos porque estes têm dado motivos para tal, com a sua falta de transparência, arrogância, demonstrações de incompetência que os leva a terem de fazer sucessivos recuos, não cumprimento do prometido, faltas à verdade, etc.

A única forma de evitar dúvidas e suspeitas, parece não consistir na mordaça do povo, mas sim na transparência, na clareza das decisões, na explicação honesta, séria, verdadeira, em palavras simples para que o povo saiba o que se passa e não seja tentado a desconfiar.

A solução está, pois, na mão dos políticos, tornando evidente, com verdade, que são honestos e dedicados ao serviço público a bem da qualidade de vida de todos os portugueses e a preparar um futuro melhor para os vindouros.

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sábado, 7 de abril de 2007

Páscoa. Religiões. Reflexões

O homem, desde sempre, teve necessidade de encontrar explicação para as suas dúvidas acerca de tudo o que o cerca. Criou Deuses, umas vezes autoritários e exigentes, outras vezes amorosos, mas, com frequência, em grande quantidade como ocorreu nas teologias grega e romana, em que cada situação da vida humana ou da Natureza tinha um Deus poderoso que representava as explicações que as pessoas desejavam ou temiam. Os filósofos antigos canalizaram esses sentimentos das populações para diversos cultos, facilitando os comportamentos mais civilizados de vivência em sociedade. De uma forma geral, cada religião tem muito de semelhante com as outras no sentido de orientar os comportamentos para a solidariedade para com os seus crentes, os bem comportados, com vista a criar o melhor funcionamento das sociedades, em paz e harmonia. Mas, em relação aos que não são seus crentes, todas têm manifestado aversão, hostilidade, por vezes traduzida em guerras sanguinárias e duradoiras. Com o progresso da história e da ciência, assiste-se ao aperfeiçoamento das religiões, no sentido do monoteísmo em que três se situam à volta de uma base comum, o que levou o Papa João Paulo II a desenvolver notável esforço em direcção ao ecumenismo.

Nas religiões primitivas, politeístas, a influência astral e a sucessão ritmada das estações foi determinante, e as religiões organizavam festas especiais próximas do solstício do Inverno e do equinócio da Primavera, além de outras menores relacionadas com as sementeiras, as colheitas e outros momentos visíveis da natureza agrícola.

Os filósofos, doutores da lei, que criaram o cristianismo tiveram a inteligência e o cuidado de aproveitar o entusiasmo religioso dos povos da época e o seu calendário para que a conversão na nova doutrina não obrigasse a alterar os costumes ou a criar novas festas em paralelo com as «pagãs» já enraizadas. E, assim, localizaram o nascimento do Redentor nas festas do solstício de Inverno e a sua morte e Ressurreição (Páscoa) no primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia depois do equinócio da Primavera. Estes pormenores e a coerência do Antigo Testamento e dos quatro evangelhos do Novo Testamento são merecedores da maior consideração e respeito pela inteligência, racionalidade e sentido prático dos filósofos da época, por terem criado um corpo de doutrina coerente merecedor do apreço dos seguidores durante muitos séculos.

Estas palavras poderão chocar muitas pessoas, mas a fé não perde com elas, a não ser em pessoas fanáticas sem a elasticidade suficiente para ir além dos textos preparados pelas autoridades eclesiásticas. A necessidade de Deus é, hoje, muito semelhante à dos gregos e romanos, indianos ou chineses, e , perante a crise moral e social em que o mundo se encontra, ela está mais acrescida. Há, no entanto, a particularidade de a rebeldia e libertinagem afastar muitas pessoas da disciplina rígida dos rituais e levando cada um a ter o seu próprio conceito de Deus, o que não favorece as religiões que exigem actividades de massa, de multidão, de emotividade colectiva, com ostentação de obediência e de fausto. Outro mal que ameaça as religiões é o radicalismo de minorias que retiram respeito e credibilidade ao valor de algumas religiões por parte dos seguidores de outros credos. Os radicalismos e fundamentalismos são demasiado exclusivistas para poderem subsistir por muito tempo e aumentar as adesões livres e voluntárias.

A crise em que o Mundo está mergulhado afectará também as religiões que, para sobreviverem, terão de se adaptar aos sentimentos da população actual, embora mantendo os dogmas e os conceitos fundamentais.

A católicos praticantes daqueles que recitam os prontuários do catecismo e participam regularmente na parte espectacular dos rituais, não é fácil raciocinar sobre as religiões nos termos em que a elas se refere este texto. A generalidade das pessoas recusam aceitar que uma religião é um assunto virtual. Mas, o facto é que Deus é uma ideia, não é materializado por medidas e pesos. As pessoas têm necessidade de Deus, um Deus que existe dentro do nosso espírito, à medida das nossas dúvidas, ansiedades, ambições, receios, princípios éticos etc. A própria religião diz que Deus está no céu, na terra e em toda a parte. Está dentro de nós, é nosso, à nossa medida, à medida da nossa fé. Mas as religiões vivem de manifestações de massas, de rituais espectaculares e, para isso, exploram a nossa credulidade. Isto não é defeito nem virtude de uma ou de outra, é de todas e é isso que os partidos políticos em democracia procuram imitar, com os comícios e outras manifestações. A fé, para se «dilatar», precisa de actos públicos que criem emotividade nas pessoas.

A Páscoa, tendo aproveitado a festa que constituía o anúncio do fim do Inverno e a chegada da Primavera, a passagem de um tempo escuro e triste para um mundo iluminado, de vida nova na Natureza, como que o renascer, é uma festa móvel, devido ao condicionamento da primeira lua cheia após o equinócio. Daqui a dúvida que se gera quanto à idade com que morreu Cristo, 33 anos e quantos dias? Estes podem variar de 22 de Março a 25 de Abril, devido ao ciclo das fases da Lua. Mas nada retira ao símbolo da celebração da morte e ressurreição, mesmo que tenha ocorrido em dia muito anterior ou muito posterior.

Nesta estação do ano, os antigos povos pagãos europeus homenageavam Ostera, ou Esther.
Ostera era a Deusa da Primavera, que segurava um ovo na mão. A deusa e o ovo eram símbolos da chegada de uma nova vida. Ostera equivale, na mitologia grega, a Perséfone e, na mitologia romana a Ceres. Nessas datas distantes, festejar a Primavera sempre representou a alegria, tal como hoje a Páscoa, no que a Natureza florida na sua melhor gala muito contribui.

A palavra "páscoa" vem do hebraico "pessah" e significa "passagem", "mudança", refere-se ao êxodo do Egipto dos hebreus, há cerca de 3 mil anos, quando iniciaram pela mão de Moisés o "êxodo", a viagem de libertação do seu povo no reinado do faraó Ramsés II, depois de terem sido escravos dos faraós durante 400 anos. A «pessah» constitui uma das mais importantes festas do calendário religioso judaico. Comemoram assim a passagem da escravidão para a libertação, da tristeza do Inverno para a alegria da Primavera. A comemoração inclui, entre outras coisas, uma refeição, onde se come o Cordeiro Pascal, pão sem fermento (o "matzá"), ervas amargas e muito vinho.

Devido ao aproveitamento das tradições anteriores atrás referidas, seguiu-se o hábito de comemorar a chegada da Primavera e a Páscoa com os ovos símbolo da fertilidade, da vida e que, para maior simbologia eram pintados e decorados representando a luz solar. Mas o costume de os decorar para dar de presente na Páscoa foi incentivado na Inglaterra, no século X, tendo o rei Eduardo I o hábito de banhar ovos em ouro e oferecê-los aos seus amigos e aliados.
Acreditava-se que receber ovos pintados trazia boa sorte, fertilidade, amor e fortuna. A oferta de ovos manteve-se até hoje e de várias formas. Também, o coelho está relacionado com os aspectos profanos da Páscoa, devido a ser um símbolo de fertilidade, de fecundidade, relacionado com a época em que toda a Natureza germina para uma nova fase de criação.

A Páscoa cristã

Para entender o significado religioso da Páscoa cristã, é necessário recordar que muitas celebrações antigas foram integradas nos acontecimentos relacionados com Cristo.
A festa da Páscoa integra a última ceia de Jesus com os Apóstolos, a sua prisão, julgamento e condenação à morte, seguida da sua crucifixão e ressurreição. A celebração começa no Domingo de Ramos (quando Jesus entra em Jerusalém e é aclamado com ramos de palmeira) e acaba no Domingo de Páscoa (com a Ressurreição de Cristo): é a chamada Semana Santa.
A data da Páscoa foi fixada pela Igreja no ano 325, de modo a "cair" no primeiro domingo posterior à primeira Lua Cheia depois do equinócio da Primavera. Com esta definição, a data da Páscoa varia de ano para ano, situando-se entre 22 de Março e 25 de Abril, sendo uma festa "móvel".

O Domingo de Páscoa celebra a ressurreição de Jesus Cristo que, depois de morrer na cruz, e de o seu corpo ter sido colocado num sepulcro, onde permaneceu, ocorreu quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. É o dia santo mais importante da religião cristã, indo as pessoas às igrejas e participando em cerimónias religiosas, mais do que durante o resto do ano. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.


Na elaboração deste texto, além de conhecimentos gerais e de reflexões baseadas em várias leituras, contaram os seguintes posts:

A Festa de Natal tem 4.000 anos!, por A. João Soares
A Páscoa... , por Ludovicus Rex
O significado da Páscoa ..., por Mário Relvas

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sexta-feira, 6 de abril de 2007

Sócrates, «engenheiro»?

Demita-se Sr. " Eng" Socrates
Isto é o minimo que o Sr. pode e deve fazer para dar um exemplo de moralidade politica.
O Sr. Procurador Geral da Republica deve investigar imediatamente toda esta confusão e levar até às ultimas consequências o apuramento desta pouca vergonha.

O Sr. Presidente da Republica, deve correr com o Sr. "Eng" caso este não tome a iniciativa de sair pelo seu pé!

São Bento remeteu explicações para a UnIEstudo diz que não houve nenhum diplomado no curso de Sócrates em 1996 04.04.2007 - 23h30 Ricardo Dias Felner
Um estudo do Ministério do Ensino Superior revela que em 1996 não houve nenhum aluno diplomado em Engenharia Civil, pela Universidade Independente (UnI). Este dado contraria os documentos, apresentados ao PÚBLICO como fazendo prova da licenciatura do primeiro-ministro, que indicavam que José Sócrates havia concluído o curso no dia 8 de Setembro de 1996.

Para ler mais clique em Democracia em Portugal?

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quinta-feira, 5 de abril de 2007

Governo sem bússola nem leme?

Embora o actual Governo tenha prometido levar a cabo um Plano de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE), de que já havia necessidade há vários anos, ela está a ser mais lenta do que o desejável e a sair com defeitos de fabrico que, em muitos casos, tem sido retirada do mercado! Para os observadores mais pessimistas, pode parecer que os governantes, apesar da inquestionável boa vontade e recta intenção, pairam sem compasso nem leme ao sabor de ondas, ventos e marés, sem descortinarem para que lado pretendem avançar.

Deparamos, dia-a-dia, na sequência de promessas e decisões recentes, com o anúncio de que não são confirmadas ou com declarações de recuo num ou outro caso. Tudo isso em consequência de decisões mal fundamentadas, voluntaristas, desajustadas das realidades nacionais que não resistem às primeiras manifestações de desagrado por parte dos eleitores. Fica a pergunta silenciosa para que servem as centenas de assessores que enxameiam os gabinetes e são pagos principescamente? Parece que não estão a apoiar sensatamente o respectivo patrão e a evitar que ele erre. Por outro lado, teria sido mais prudente, eficaz e prestigiante, negociar antes de ser tomada a decisão definitiva, o que evitaria erros crassos e facilitaria a compreensão e a aceitação pelos destinatários, do que ter de recuar, perante as reacções de autarcas e populares. Perante estas reacções, após autoritarismo e arrogância, vai-se reforçando a dúvida de se os políticos alguma vez falam verdade e como conseguir saber quando o fazem, e se a arrogância e as referências a milagres não passam de fumaça para camuflar as suas fraquezas. É certo que «errar é humano», mas, neste sentido, os governantes estão a evidenciar ser demasiado «humanos», mais do que o desejável.

A «ocasional» incoerência, incapacidade e irracionalidade fica demasiado evidente, por exemplo, no desprezo a que está a ser votado o interior do País, com fechos de escolas, maternidades, urgências, tribunais, repartições de Finanças, etc. Em vez de criar estímulos para atrair habitantes ao Portugal profundo, como foi intenção da presidente da câmara de Vila de Rei, está a ser feito precisamente o contrário, retirando os apoios mínimos aos poucos resistentes que teimam em continuar ali até ao fim. A continuar neste rumo, dentro em pouco, mais de metade do País ficará inteiramente despovoada, à mercê de quaisquer grupos estranhos que ali queiram instalar-se clandestinamente e desenvolver actividades marginais.
Poderei estar enganado e ao contrário do que atrás é referido, possa haver uma estratégia governamental coerente e inteligente, mas, se assim for e como estamos em democracia convinha que o povo fosse esclarecido das finalidades pretendidas, se é que são confessáveis, a fim de a elas aderirem de forma positiva e construtiva.

Para melhor compreensão da situação referida, será conveniente ler os seguintes posts:
- O Interior abandonado pelo Governo
- Governo demitiu assessor
- Saúde. Erro na portaria das taxas
- Saúde. Governo sente-se orgulhoso
- Justiça. Fecho de tribunais sem confirmação
- Educação. Não fechem as escolas
- Na pele de quem dói o reformismo
- Não fechem escolas!
- Bruxelas com reservas sobre nova localização

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Universidade tolera violência contra docente

Por solidariedade com a generalidade dos professores, nomeadamente, os que visitam este blogue, transcrevo este artigo do Diário de Notícias de hoje, apesar de já ter trazido aqui este tema, que mereceu comentários interessantes de alguns visitantes. É lamentável que as universidades estejam, com demasiada frequência a dar uma péssima imagem de instituições de que era esperado um comportamento exemplar, dada a sua responsabilidade na formação de futuros dirigentes e gestores da vida nacional, nos mais diversos sectores. As Universidades deveriam ser os últimos locais de onde saíssem actos de menor idoneidade. Não é admissível que delas saiam actos de bandalheira inqualificáveis, mas sim de alta dignidade e honradez, na senda da excelência no culto dos mais altos valores éticos e cívicos.

Universidade acusada de branquear agressão
Pedro Sousa Tavares, DN, 070405

Um aluno da Universidade de Évora (UE), já condenado pelo crime de ameaça de forma continuada a um professor, continua a frequentar as aulas sem ter sofrido qualquer sanção. A vítima, Carlos Cupeto, que está de baixa médica há quatro meses, garante que, entretanto, as ameaças evoluíram para agressões físicas. E acusa a universidade de ter branqueado este caso.

"A universidade reagiu sempre, mas nunca agiu", disse, durante uma conferência de imprensa promovida pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof). "O reitor, depois de ter recebido 200 e-mails e telefonemas, emitiu um comunicado, em Novembro, onde dizia que a lei não lhe oferecia soluções para actuar".

A instituição sustenta não poder actuar, por ainda não existir estatuto disciplinar dos alunos do ensino superior. A Fenprof desmente a tese: "Existe legislação de 1932 que se enquadra nestas situações e há pareceres jurídicos a comprová-lo", defendeu João Cunha e Serra, responsável deste sindicato para o ensino superior.

"Esmurrado e pontapeado"

Os incidentes remontam a Junho de 2004, quando Carlos Cupeto reprovou o aluno Rui Robalo à disciplina de Geologia do Ambiente. Das ameaças que se seguiram resultou a primeira condenação em tribunal. Mas, desde essa altura, garantiu o professor, as intimidações sucederam-se. "Acentuavam-se sobretudo nas épocas de atribuir as classificações. Cheguei a receber dez telefonemas por noite".

O culminar destes casos, contou, aconteceu no dia 16 de Outubro, em que o aluno o terá agredido: "Fui atacado pelas costas. Esmurrado e pontapeado", acusou. "Entretanto", acrescentou, "no dia 1 de Abril, o meu irmão foi agredido por ele e ameaçado com uma arma branca".

Actualmente, quatro queixas aguardam julgamento. Os advogados de Carlos Cupeto já pediram ao tribunal que Rui Robalo, actualmente sujeito a termo de identidade e residência, seja impedido de contactar o docente ou de entrar na universidade. O visado já desmentiu ter praticado qualquer agressão. Não foi possível contactar a UE.

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quarta-feira, 4 de abril de 2007

O Interior abandonado pelo Governo

Um texto muito explícito evidenciando uma situação extremamente preocupante. É certo que o litoral acumula o maior número de eleitores, mas os partidos deviam pensar em algo mais do que votos, deviam pensar mais no País, nos cidadãos, como pessoas..

Portugal está mais estreito

Cá se fazem..., Paulo Baldaia, Chefe de Redacção do Jornal de Notícias

Se olharmos individualmente para a reforma da Justiça, podemos aceitar que a falta de dinheiro nos cofres públicos justifica que sejam fechados alguns tribunais.

Se fizermos o mesmo em relação à reforma das polícias, podemos concluir o mesmo. E se seguirmos na análise para a reforma da Educação, também podemos perceber a lógica dos encerramentos. E carregamos na mesma tecla quando falamos da Saúde.

Mas, que diabo!, por que será que quando olhamos para todas estas reformas em conjunto, e colocamos pontinhos negros nos locais onde vão encerrar serviços públicos, ficamos com a sensação de que o país está a ficar mais estreito?

O Interior do país, em 30 anos de democracia, pouco mais recebeu do que estradas que conduzem ao Litoral ou à vizinha Espanha.

O Litoral já está superlotado, mas vive sob a ameaça de receber cada vez mais "refugiados" do Interior, e Espanha não pode valer-nos para tudo.

É fácil atravessar a fronteira para fazer compras ou meter gasolina. Também não parece muito complicado ter filhos nas maternidades de "nuestros hermanos". Mas não estou a ver como é que os espanhóis vão julgar os nossos crimes ou ensinar os nossos alunos. Voltamos a empurrar os portugueses do Interior para o Litoral.

É claro que o Estado tem de gastar menos, mas não é nada claro que tenhamos de continuar a viver com uma visão centralista em que os investimentos acontecem, apenas, em Lisboa e nas restantes grandes cidades do Litoral.

É a "pescadinha de rabo na boca" desinveste-se no Interior porque já tem pouca gente e as pessoas fogem para o Litoral porque é aí que o poder político investe.

É preferível vender a faixa interior aos espanhóis; pode ser que o movimento de "refugiados" se inverta. Quem é que não gostaria de viver em Espanha?!

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terça-feira, 3 de abril de 2007

O virtual de uns e o de outros

O mundo virtual

Entrei apressado e com muita fome no restaurante. Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, porque queria aproveitar os poucos minutos que dispunha naquele dia, para comer e acertar alguns bugs de programação num sistema que estava a desenvolver, além de planear a minha viagem de férias, coisa que há tempos que não sei o que são.
Pedi um filete de salmão com alcaparras em manteiga, uma salada e um sumo de laranja, afinal de contas fome é fome, mas regime é regime não é?
Abri o meu portátil e apanhei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:
- Senhor, não tem umas moedinhas?
- Não tenho, menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, eu compro um.
Para variar, a minha caixa de entrada está cheia de e-mail. Fico distraído a ver poesias, as formatações lindas, rindo com as piadas malucas. Ah! Essa música leva-me até Londres e às boas lembranças de tempos áureos.
- Senhor, peça para colocar margarina e queijo.
Percebo nessa altura que o menino tinha ficado ali.
- Ok. Vou pedir, mas depois deixas-me trabalhar, estou muito ocupado, está bem?
Chega a minha refeição e com ela o meu mal-estar. Faço o pedido do menino, e o empregado pergunta-me se quero que mande o menino ir embora. O peso na consciência, impedem-me de o dizer. Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pão e, mais uma refeição decente para ele. Então sentou-se à minha frente e perguntou:
- Senhor o que está fazer?
- Estou a ler uns e-mail.
- O que são e-mail?
- São mensagens electrónicas mandadas por pessoas via Internet (sabia que ele não ia entender nada, mas, a título de livrar-me de questionários desses):
- É como se fosse uma carta, só que via Internet.
- Senhor você tem Internet?
- Tenho sim, essencial no mundo de hoje.
- O que é Internet ?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem de tudo no mundo virtual.
- E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, sabendo com certeza que ele pouco vai entender e deixar-me-ia almoçar, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos tocar, apanhar, pegar... é lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos as nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.
- Que bom isso. Gostei!
- Menino, entendeste o significado da palavra virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Tens computador?! - Exclamo eu!!!
- Não, mas o meu mundo também é vivido dessa maneira...Virtual. A minha mãe fica todo dia fora, chega muito tarde, quase não a vejo, enquanto eu fico a cuidar do meu irmão pequeno que vive a chorar de fome e eu dou-lhe água para ele pensar que é sopa, a minha irmã mais velha sai todo o dia também, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, porque ela volta sempre com o corpo, o meu pai está na cadeia há muito tempo, mas imagino sempre a nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de natal e eu a estudar na escola para vir a ser um médico um dia. Isto é virtual não é senhor???
Fechei o portátil, mas não fui a tempo de impedir que as lágrimas caíssem sobre o teclado.
Esperei que o menino acabasse de literalmente "devorar" o prato dele, paguei, e dei-lhe o troco, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que já recebi na vida e com um "Brigado senhor, você é muito simpático!".
Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e fazemos de conta que não percebemos!

Recebido por e-mail

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Cheias vão ser mais graves

No Diário de Notícias de ontem anunciava-se que a Europa está preocupada com o aumento da gravidade das cheias e das secas devido às alterações do clima. Está a aperfeiçoar-se um sistema de alerta que permita evitar demasiadas perdas em vidas e haveres. Um dos cuidados a ter é reduzir os falsos alertas, de forma a manter a confiança da população.
Mas, além de melhorar cada vez mais as previsões, é indispensável actuar na prevenção de danos. As grandes pluviosidades não podem ser evitadas, mas é relativamente fácil não colocar obstáculos nos leitos de cheia. As imagens televisivas de estragos em ocasião de cheias mostram ter havido muita incúria na construção de habitações e outros obstáculos no caminho natural da água.
Não basta respeitar os riachos e ribeiros, é preciso manter limpos os talvegues e as linhas de água, que estão secos quase todo o ano, mas que quando chove um pouco mais, têm de permitir o escoamento da água que, por natureza é por ali que tem de passar. E se encontra um obstáculo, pára, avoluma-se e ganha força arrasadora que depois leva tudo à sua frente.
Grande parte das obras são projectadas em gabinetes só se vai e ao terreno quando não chove, o que leva a cometer erros por ignorância ou negligência.
É indispensável que nas Câmaras Municipais haja pessoas bem preparadas para, em colaboração com a Protecção Civil, aconselhar a população de forma a serem evitados erros perigosos.
Presentemente, devido às alterações do clima e ao facto de as serras estarem desprovidas de vegetação de grande porte e, por isso, não poderem reter muita água, esta escorre rapidamente encosta abaixo provocando deslizamentos de terras e caudais volumosos, com os perigos inerentes. Recordo com dor, a imagem de um café de aldeia do Norte, construído numa linha de água, onde durante a chuva, estavam reunidos a jogar as cartas, alguns homens que foram levados pela enxurrada que, depois de esperar encostada à parede e de aumentar o volume, rebentou com esta e fez a limpeza de todo o rés-do-chão.
Aplica-se nestes casos, a frase Deus perdoa sempre, os homens perdoam às vezes, mas a Natureza nunca perdoa. É preciso respeitá-la sempre.

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segunda-feira, 2 de abril de 2007

O último cigarro é o mais prejudicial

Embora o título possa induzir em erro, Não vou dissertar acerca do perigo da nicotina e do alcatrão nos pulmões como origem de cancro. Isso está muito debatido e cada um tem o direito de se suicidar com essa arma, se isso for do seu agrado. O que quero abordar é o prejuízo para terceiros, com o primeiro e, principalmente, o último cigarro de cada maço e quanto isso representa na definição dos maus costumes dos portugueses e de outros Países menos civilizados. Ao abrir o maço para tirar o primeiro cigarro, o fumador corta uma pequena parte da embalagem que deita para o chão, quando se encontra em local público ou que não é sua propriedade exclusiva. Quando tira o último abandona da mesma forma o maço que se tornou inútil, mesmo que ali a dois metros esteja um recipiente para papéis e pequenos lixos.

Isto diz muito da falta de civismo e de educação, lições que deviam ter sido recebidas dos pais em casa e dos professores nas escolas. As pessoas esquecem-se, ou nunca souberam, que devemos respeitar os outros e usar a sua própria liberdade sem ferir a dos outros. Essa seria a forma educada e cívica de viver na humanidade em que todos têm o direito de não ser incomodados desnecessariamente pelos abusos de seus companheiros conterrâneos, terráqueos.

Não estou a vaguear sonhadoramente, mas sim a reflectir naquilo que aconteceu com um grupo de estudantes a que se refere o editorial do Diário de Notícias de hoje, os quais, para festejarem o fim do Ensino Secundário, viajaram de autocarro até Lloret del Mar, onde se instalaram num hotel. Depois de uma noite de cenas «dramáticas de rapazes e raparigas, reais e frágeis nos seus 17 anos, a emborcar álcool pelo gargalo de garrafas de litro», entregaram-se, depois do pequeno-almoço, a uma batalha campal com a respectiva algazarra, nos corredores do hotel, atirando entre si ovos cozidos, açúcar e rolos de papel higiénico. «Não é difícil calcular a algazarra durante a batalha campal». Como em «casa dos outros, um hotel, por exemplo, não é lugar para atirar ovos cozidos, açúcar e papel higiénico nos corredores» os « seguranças do hotel entraram nos quartos de cerca de cem jovens portugueses, obrigaram-nos a fazer as malas de imediato e expulsaram-nos». Uma estudante que relatou o caso à TV, e que acaba agora o ensino Secundário e se encontra preparada para enfrentar a vida como trabalhadora ou estudante universitária, «não compreendia a rispidez dos funcionários do hotel», talvez esperando que o hotel, pelo contrário, felicitasse os campeões e lhes oferecesse trofeus para nunca esquecerem tal acto desportivo!!!

«Fossem todos os funcionários de hotéis em Lloret del Mar como os daquele hotel, estas viagens de finalistas deveriam ser consideradas cadeira obrigatória do curso. Podiam chamar Educação à disciplina ensinada. Coisa aparentemente desconhecida - na escola e em casa - daqueles jovens. Deviam agradecer a quem lhes proporcionou a aula». «E sem propinas, de que tantos se queixam».

E assim vai a nossa sociedade. O cenário é muito coerente, em selvajaria, desde o maço de tabaco e outras pequenas embalagens ou o guardanapo de papel que acompanha o croquete que se come na rua, ou a garrafa ou lata de refrigerante ou água que se abandona logo que vazia, e agora este caso em Lloret del Mar, demonstramos, a cada passo não merecermos pertencer à União Europeia e ficamos mal cotados quando comparados com os povos mais atrasados do terceiro mundo. O País está doente. Temos que melhorar, e isso começa por os pais se sensibilizarem de que devem melhorar o seu comportamento para poderem educar os filhos, dando-lhes bons exemplos e exigindo deles boas maneiras e respeito pelos outros.

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Opinião curiosa sobre «O maior português»

Uma opinião interessante sobre o concurso da RTP1, recebida por e-mail

Há diversas ironias em tudo isto. A primeira é que Salazar, pela primeira vez, ganhou uma eleição sem chapeladas. Pelo telefone, é certo, mas sem chapeladas

A escolha de Salazar como a nossa principal figura histórica tem valido, valha-nos isso, belíssimas conversas.
Dessas conversas pude concluir um fenómeno muito interessante: a direita conservadora, mais velha, que respeitava Salazar, não votou ou não votaria em Salazar.
Não porque não tenha guardado respeito por ele, mas porque nos seus quadros de referência as grandes figuras da História portuguesa são outras e são intocáveis.
Foi esta a herança de Salazar.
A educação recebida no seu tempo exaltava os feitos das nossas grandes figuras. Havia uma galeria de verdadeiros heróis, associados, em geral, aos Descobrimentos.
De algum modo, neste concurso, para a direita conservadora, Salazar derrotaria Salazar. A educação recebida antes do 25 de Abril dava tal dimensão e nitidez aos nossos heróis que seria impensável pôr outros no seu lugar, incluindo o próprio Salazar.
Um salazarista desinteressado, por respeito a Salazar, votaria em D. João II ou no Infante D. Henrique e não em Salazar.
A par desta percepção, que colhi de uma geração mais velha, surpreendeu-me e derrotou-me a ignorância dos mais novos, não só relativamente a Salazar mas sobretudo relativamente às grandes figuras de nossa História.
Cheguei a ouvir, nestes dias, de uma licenciada, “não sei bem o que fez o Infante D. Henrique”.
O ensino da nossa História conduz a esta pobreza: nem o jovem recolhe informação mínima sobre as personagens marcantes da História do nosso país, nem é conduzido, pela investigação e pelo entusiasmo, a seleccionar, ao longo da sua aprendizagem, os verdadeiros méritos históricos de cada uma delas.
Há diversas ironias em tudo isto.
A primeira é que Salazar, pela primeira vez, ganhou uma eleição sem chapeladas. Pelo telefone, é certo, mas sem chapeladas.
A segunda é que Salazar não teria votado em Salazar. Pela educação que nos transmitiu, a História de Portugal tinha uma hierarquia e no topo, inacessíveis, estavam os únicos portugueses que, verdadeiramente, influenciaram a História Universal: a geração das Descobertas.
Finalmente, Salazar deve estar desesperado. É certo que deixou o país com mais de 30% de analfabetos, mas da sua herança fazia parte aquela clareza sobre os verdadeiros heróis nacionais.
Clareza essa instrumental, aliás, de uma ideia de grandeza sobre a missão e a presença de Portugal no mundo.
Este concurso, desfocando a nossa História, arrasou aquela ideia grande sobre Portugal. Imagino o seu desespero.

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