Conta-nos uma parábola que certo dia a mentira e a verdade se encontraram.
A mentira disse para a verdade:
- Bom dia, dona Verdade!
E a verdade foi conferir se realmente o dia estava bom. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, vários pássaros cantavam e assim, vendo que realmente era um dia bom, respondeu para a mentira:
- Bom dia, dona mentira!
- Está muito calor hoje, disse a mentira.
E a verdade, vendo que a mentira falava verdade, relaxou.
A mentira então convidou a verdade para se banhar no rio. Despiu-se das suas vestes, pulou para dentro de água e disse:
-Venha, dona Verdade, a água está uma delícia!
E assim que a verdade, sem duvidar da mentira, tirou as suas vestes e mergulhou, a mentira saiu da água, vestiu-se com as roupas da verdade e foi-se embora.
A verdade, por sua vez, recusou vestir-se com as vestes da mentira e, por não ter do que se envergonhar, foi nua que saiu, a caminhar na rua.
Constatou, porém, que, aos olhos das pessoas, era muito mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade crua e nua.
quarta-feira, 21 de março de 2018
A MENTIRA VESTIDA DE VERDADE
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A. João Soares
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Perguntas pertinentes
O partido do orador não tem relevância para este post. Perguntar não ofende. O povo diz, na sua velha sabedoria: «Mais depressa de se apanha um mentiroso do que um coxo».
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A. João Soares
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segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Verdade e sinceridade? Onde? Quem?
Mas, como escreveu o poeta, temos:
UM POVO IMBECILIZADO E RESIGNADO...
"Um povo imbecilizado e resignado,
humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo,
burro de carga,
besta de nora,
aguentando pauladas,
sacos de vergonhas,
feixes de misérias,
sem uma rebelião,
um mostrar de dentes,
a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas
é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante,
não se lembrando nem donde vem,
nem onde está,
nem para onde vai;
...........................................
Guerra Junqueiro, in "Pátria", escrito em 1896
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Etiquetas: fumaça, mentira, propaganda
domingo, 30 de maio de 2010
Mentem mesmo com estrangeiros???!!!
Pensava que as viagens ao estrangeiro dos governantes e as suas grandes comitivas, tão caras aos contribuintes, serviriam para melhorar a imagem de Portugal, ultimamente apenas beneficiada pelo Mourinho! Mas, a ser verdade o que diz a notícia «Acaba mal encontro com Chico Buarque», a imagem sofreu mais um hematoma grave!
Segundo ela, Sócrates foi tomar um café a casa do músico. O seu gabinete disse que foi a pedido de Chico Buarque, mas este desmentiu-o categoricamente.
Dizia quem acompanhava o PM que o momento se proporcionou por um pedido brasileiro do próprio cantor/compositor a Lula da Silva, seu amigo de longa data. Ao caso, uma cunha antiga: se lhe marcava um café com Sócrates.
Porém, Chico Buarque desmentiu esta versão e disse ao Público que foi Sócrates quem o quis conhecer. "Foi o vosso ministro quem pediu o encontro. Nem faria muito sentido eu pedir um encontro e o primeiro-ministro vir ter à minha casa", afirmou, mostrando-se indignado com a versão da história contada pelo staff de Sócrates.
O gabinete, que não se apercebera que não convinha tratar um estrangeiro como se fosse relva do estádio de futebol, como faz com os portugueses, deu uma resposta atabalhoada, um «erro de transmissão». Mais um erro. Devido a quê? Desleixo, incompetência, incapacidade, falta de dedicação ao serviço, falta de sentido da responsabilidade? Qual das palavras escolher?
Mas a notícia narra outros pormenores do passeio ao Brasil. Vale a pena ler tudo, bastando fazer clic no título da notícia.
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Etiquetas: mentira, sentido de Estado, verdade
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Ministro perdeu a compostura
Ontem, numa mirada fugaz à televisão que temos e de que sou fraco consumidor, vi um deputado da oposição, na AR, afirmar ser todos os dias bombardeado com notícias de criminalidade violenta, cada vez mais frequentes e mais graves e, de seguida, ser violentamente agredido verbalmente pelo ministro da Administração Interna que, esquecendo que estava perante um elemento do segundo órgão de soberania (o ministro é do terceiro!), o chamou mentiroso de forma bem soletrada e lhe disse que o deputado não estava a ofender o ministro, mas sim a GNR, a PSP e a PJ que o têm informado da redução do crime violento. Disse isto depois de lhe estalar o verniz, de arriar a giga e de colorir a face que ficou com aspecto apopléctico usando um tom irado impróprio daquilo que é desejável de um governante.
Não era de esperar uma tão ardente defesa dos polícias (não dele). Mas, pelo que tem chegado a público das queixas dos polícias, pode dizer-se que quando se tem um tal amigo não se precisa de inimigos.
Porém, o que muito me espantou foi encontrar hoje no jornal diário «Destak» o seguinte pequeno texto:
CRIME. O DIRECTOR NACIONAL DA PJ AFIRMOU QUE SE ASSISTE A «UMA CRIMINALIDADE VIOLENTA A QUE NÃO SE ESTAVA HABITUADO ASSOCIADA AOS NEGÓCIOS DA NOITE» E ADMITIU EXISTIR «UM CONTEXTO FAVORÁVEL A ESSE TIPO DE CRIMES».
Estou perplexo. Então quem é o MENTIROSO? O deputado da oposição? Ou o director nacional da PJ? Ou o Sr. MINISTRO?
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terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Notícias do PREC
Manuel António Pina, JN
Portugal, cliente habitual dos últimos lugares das estatísticas europeias, aparece finalmente no primeiro lugar de uma delas.
Segundo dados revelados pelo Eurostat, somos o país da UE onde o desemprego mais cresceu no último ano, e estamos já no pódio dos países com mais desempregados (neste momento só a Eslováquia e a Polónia nos batem, mas nós ainda teremos o mesmo Governo durante mais dois anos).
De facto, enquanto na UE, entre Outubro de 2006 e Outubro de 2007, a taxa média de desemprego desceu de 7,8% para 7,2%, em Portugal subiu de 7,8% para 8,2%. Claro que pode acontecer que o Eurostat esteja dominado por sindicalistas da Função Pública apostados em denegrir o sucesso do PREC (Processo de Reformas em Curso) e das políticas sociais do Governo e desmentir a "estabilização dos números do desemprego" anunciada pelo ministro Vieira da Silva.
De qualquer modo, como disse Sócrates durante a campanha eleitoral que o levou ao Governo (quando a taxa de desemprego ia em 7,1%, um "número trágico"), "7,1% de desempregados é bem a marca de uma governação falhada, de uma economia mal conduzida". Já 8,2% é, nenhum português duvida hoje disso (basta andar na rua ou ir ao supermercado), a marca de uma governação de sucesso e de uma economia bem conduzida.
NOTA: Um curto texto, com muita perspicácia que enfatiza vários aspectos da incapacidade dos governantes e da sua propaganda entorpecedora das mentes menos atentas.
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domingo, 29 de julho de 2007
Políticos cultores da mentira e do cinzentismo
Jardim e os pintalegretes
Fernando Marques, Jornalista do JN
Todos os políticos se reconhecem em Alberto João Jardim. Quando o atacam, quando se envergonham dele, atacam-se a si mesmos, envergonham-se de si mesmos. Jardim é o seu alter-ego inexorável. Como não suportam o peso daquela imagem burlesca dentro de si, projectam-na para um alvo fácil, longínquo e oferecido. E depois sacodem os ombros, convencidos de que são o que não são.
O que é um político? É um tipo que faz trinta por uma linha para alcançar um lugar de poder e depois faz trinta por uma linha para o conservar. É um tipo que, sabendo cem por cento de uma verdade ou de uma mentira, usa apenas a fracção que mais convém à sua estratégia. Não há nenhuma diferença entre o comportamento político de Alberto João Jardim e o de José Sócrates, Cavaco Silva, Rui Rio ou António Costa. Defendem todos as suas percentagens da verdade e da mentira.
Jardim distingue-se dos outros por ser uma ilha. Casa a sua expressão pública com o temperamento exuberante do arquipélago que governa. É colorido, é montanhoso, é quente, é duty free. Não precisa de conter o pintalegrete dentro dele. Solta-o, exibe-o, dá-lhe asas. É a sua força, o seu batuque, o seu feitiço, o seu swing. Nada disto altera a essência do que ele faz enquanto presidente do governo regional manobra no seu tabuleiro da verdade e da mentira, como todos os políticos. A Madeira adora-o. Dá-lhe maiorias absolutas. Quem vê nele apenas um arlequim, que juízo faz do povo que o elege?
Os políticos sisudos renegam o pintalegrete de João Jardim porque, revendo-se nele, compreendem que são exactamente o que ele é. Então, envergonhados, despojam-se das cores traiçoeiras do pedantismo e da leviandade e tornam-se cinzentos. Têm vozes cinzentas, discursos cinzentos, fatos cinzentos e carros cinzentos. Contratam especialistas em sorrisos cinzentos, olhos cinzentos e vidas cinzentas. O pintalegrete a fervilhar por dentro, eles a contê-lo por fora. Miram-se no espelho e vêem-se cinzentos, embora se sintam amarelos, verdes, vermelhos, azuis, cor-de-rosa. Nada disto, porém, altera a essência do que eles fazem enquanto políticos manobram no seu tabuleiro da verdade e da mentira.
Os olhos cinzentos dos políticos cinzentos vêem no líder madeirense um louco, um arrivista, um provocador, um espadachim, um fanfarrão. E vêem-no assim porque, no fundo, se vêem assim. Como bem sabe o líder cinzento do PSD, Marques Mendes, que hoje posará ao lado de João Jardim na festa do Chão da Lagoa, um ano depois de ter sido impedido de participar no evento. Estou certo que o seu pintalegrete oculto sabe o que está a fazer.
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A. João Soares
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Etiquetas: cinzentismo, embuste, mentira, político
