LUZ
Naquele quintal,
encavalitado entre as casas
De uma aldeia beirã,
há dois diospireiros.
O verde das folhas
há muito
que se tornou avermelhado
e caiu.
Agora o alaranjado
Dos diospiros
Ilumina
- como o sol –
aquele pobre e triste aldeia
de gentes velhas,
trajadas de negro.
NOTA. Transcrito do livro «Outonalidades» de José Amaral, amigo bloguista do ad litteram
Além de um retrato da sociedade de uma aldeia do interior desprezado do nosso País, este poema constitui uma imagem interessante do Outono, das ressonâncias luminosas da cor predominante desta estação – símbolo da beleza do amadurecimento em que é enfatizada a sabedoria acumulada durante uma existência. Nesta região beirã, os vinhedos e pomares apresentam-nos, à luz do dia e ao entardecer, os reflexos barrocos do ouro enriquecedor da Natureza.
Mas, por outro lado, caro Amaral, a perfeita integração da cor do diospiro na ambiência das folhas laranja faz pensar também na obediência incondicional e acomodada do funcionalismo público, em que as ameaças do género da que vitimou o professor Charrua são uma constante, mais ou menos velada, a ter em conta, as quais constituem um travação à inovação e à produtividade voluntariosa.
Tudo nas realidades da vida pode suscitar reflexões do tipo «prós e contras».
domingo, 18 de novembro de 2007
Luz – Poesia de José Amaral
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A. João Soares
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Etiquetas: luz, obediência, Outono, sabedoria
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Manhã de Novembro
A estação do ano que, muito lentamente, se está despedindo deste lado do globo em que as minhas raízes foram criadas e se desenvolveram, como que em jeito de despedida, resolveu "brincar" com esta que se te dirige. Uma rajada de vento, por acaso não muito forte, o que achei simpático da parte do elemento, veio direita a mim juntamente com um pequeno pedaço de papel quadrado que, em movimentos graciosos mas apressados resolveu aterrar junto dos meus pés. Por curiosidade, peguei e olhei. Ali estava um poema, "Manhã de Novembro", sem autor, poema húmido e enevoado, triste, frio, com vento, com chuva... Como sabia o vento que me presenteou com este poema triste mas belo que eu tinha uma ligação forte com Novembro? E porque veio ter comigo em Março? É para mim um mistério como misteriosos são também os sonhos!
Começa assim:
Que manhã de Novembro triste e fria!
Gemia o vento...o chão todo molhado...
Era tudo cinzento enevoado,
naquela hora amarga em que eu partia...
O céu também chorava nesse dia...
a terra tinha o ar atribulado
de alguém que padecesse abandonado
na hora derradeira da agonia!
Meu Deus! Em tudo havia uma tristeza,
um desconforto enorme, uma frieza,
que doutra semelhante não me lembro!
Que mão secreta havia destinado
ficar meu coração amortalhado
nas brumas desse dia de Novembro?...
Autora: Adelaide Quintas, uma colega e colaboradora muito criativa do CVS - Sempre Jovens a quem já devemos muitos trabalhos, de grande sensibilidade. Mas atenção! Outono também muitas belezas, como se pode ver noutros posts aqui existentes!!!
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A. João Soares
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Etiquetas: Outono
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
A velhice existe?
Alguns de nós envelhecemos, de facto, porque não amadurecemos.
Envelhecemos quando nos fechamos a novas ideias e nos tornamos radicais.
Envelhecemos quando o novo nos assusta.
Envelhecemos quando pensamos demasiadamente em nós próprios e nos esquecemos dos outros.
Envelhecemos quando paramos de lutar!
Ora, todos estamos matriculados na escola da vida, onde o Mestre é o tempo.
E, a vida só pode ser compreendida olhando-se para trás. Mas, só pode ser vivida, olhando-se para a frente.
Na juventude, aprendemos; com a idade, compreendemos.
Os homens são como os vinhos: a idade estraga os maus mas melhora os bons.
Envelhecer não é preocupante: O ser olhado como velho é que o é.
Envelhecer é passar da paixão à compaixão.
Nos olhos do jovem arde a chama. Nos do velho brilha a luz.
Não existe, pois, idade, já que somos nós que a criamos. Se não acreditares na idade, não envelhecerás até ao dia da tua morte.
Pessoalmente, eu não tenho idade: Tenho vida!
Não deixes que a tristeza do passado e o medo do futuro te estraguem a alegria do presente.
A vida não é curta, as pessoas é que ficam mortas tempo demais.
A passagem do tempo deve, assim, ser uma conquista e não uma perda.
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A. João Soares
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
Poema do Outono
O OUTONO chegou
que lindo dia!
Vem, amor,
vem passear comigo pela rua,
que bom vai ser
sentir a minha mão na tua.
Olharemos o céu
com o mesmo olhar extasiado,
que bom vai ser
pisar as folhas a teu lado.
Ouvir o pássaro cantar
por sobre o ramo despido
e o sussurrar do teu amor
no meu ouvido.
Gente irá passando
alheada junto a nós,
que bom vai ser
sentir o mundo
e estarmos sós.
Num banco de jardim
soprado por fresca brisa
falar-te-ei de mim
serei poetisa.
Mas, se a brisa soprar
mais fresca e mais agreste,
irei buscar
o xaile que me deste.
E o brilho do nosso olhar
que em ternura se reflecte
será poesia, canção,
magia que se repete.
Poema oferecido por Brizíssima http://brizissima.blogs.sapo.pt/
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A. João Soares
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Outono
Chegas amanhã, Outono, e como eu te esperei...
Setembro vai caminhando já com sinais de cansaço, desmaiando aqui e ali em cores que o sol não domina nem protege.
A brisa vai soprando já com prenúncios de mudança. Sopra mais ligeira, mais atrevida. Sem o peso de canículas e chuvas de Verão. Agita uma folhagem perdida no alvoroço do seu destino, sem tréguas e sem esperança, caindo em solo alheado.
Sinfonia triste de uma balada todos os anos repetida.
Doce aquietar de sonhos vividos em partilha aceite e consumada.
Tempo de vindimas. Os bagos inchados de seiva de ternura e temperados de alegria apetecida. Uma apoteose de néctares e cantigas, risos e danças.
Outono...
O recomeço das aulas.
Batas vestindo risos, moldando emoções. Bandos de criançadas. Pássaros chilreando em algazarra colorida. Alguns saídos de ninhos acolchoados de amor para um primeiro voo, numa aventura que ainda amedronta mas excita.
Reencontro de amigos. Mistura ruidosa de jeans e abraços. Um reviver de momentos passados na partilha de gargalhadas e soluços. O relato de férias férteis em sol e lazer.
Outono...
O cheiro das castanhas assadas. Quentura estaladiça entre mãos que se tisnam de cinza escaldante.
E a brisa fresca empurrando fumos de assadura, perdidos depois em ruído e poeira.
Choram já as folhas pisadas em gemidos, sem eco na indiferença da multidão em faina apressada.
O sol com um brilhar mais cálido e suave, perdendo-se em acenos rubros e silenciosos lá bem nos confins do horizonte...
Como te esperei, Outono, para uma vez mais te celebrar em veleidades de poeta.
E amanhã, só amanhã poderás ler o meu poema.
Extraído do blog Brizíssima http://brizissima.blogs.sapo.pt/, de uma amiga nossa futura companheira do CVS
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A. João Soares
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