quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Próxima Guerra Mundial. Sinais de perigo

A situação na Síria, além do grande número de vítimas e do elevado grau de destruições e das condições de vida de muita gente – Três milhões de sírios precisam de ajuda alimentar imediata - está a assumir proporções internacionais que podem configurar um conflito de notáveis alterações no equilíbrio de poderes ao mais alto nível da estratégia mundial. No ponto em que se encontram as discordâncias entre os membros do Conselho de Segurança da ONU – Assembleia Geral da ONU condena impotência do Conselho de Segurança - e as notícias das posições explícitas e as dúvidas quanto a outras ainda ocultas, fica-se com a noção de que tudo pode acontecer, bastando uma centelha que «faça arder a seara».

A gravidade da situação interna levou a Cruz Vermelha Internacional a dizer que Síria está em guerra civil.

Embora o regime tenha o apoio confessado de grandes potências – Rússia e China vetam resolução sobre a Síria na ONU, Rússia garante que não discute planos para Síria pós-Assad - e o vizinho relativamente próximo Teerão diz que não deixa cair Assad, os rebeldes continuam a levar a cabo acções de grande efeito como a quantidade de militares sírios mortos num só dia e o ataque que em meados de Julho visou a célula de comando de crise de Assad e abateu várias figuras gradas da equipa de Assad.

Por outro lado, há figuras sírias proeminentes que estão a desertar, o que contribui para colocar mais esperanças de vitória do lado dos revoltosos - Primeiro-ministro sírio desertou para ser "um soldado da oposição", Mais um general e outros oficiais sírios desertaram para a Turquia, Primeiro cosmonauta sírio refugia-se na Turquia – e Diplomata sírio desertor diz que Assad não hesitará em usar armas químicas.

Tendo sido declarados os apoios ao regime por Rússia, China e Irão, estão por esclarecer os apoios aos rebeldes. Qual será a posição dos Estados Unidos, e de Israel? Qualquer Governo, para não criar antecedentes indesejados, é tentado a defender as entidades que estão legitimamente no poder e, portanto, não é cómodo confessar o apoio a revoltosos a não ser em casos demasiado escandalosos em termos de interesses internacionais, da estratégia de poderes mundiais.

Mas mesmo ocultos, tais poderes não estão distraídos e quando surgir um sinal mais significativo será ultrapassado o ponto de não retorno. E, então, será mais uma Guerra Mundial, com mais crise, mais sacrifícios em vidas e património e, a seguir, surgirá uma nova estrutura e hierarquia do poder mundial. Incógnitas, dúvidas, incertezas, angústias, que seriam evitadas se o Conselho de Segurança conseguisse funcionar pelo diálogo, pelas conversações e negociações entre os que fazem parte de mal entendidos, de atritos, que podem levar a conflito mais musculado.

E, neste caso actual, não pode ser negligenciado o facto de esta ebulição estar a ocorrer no Médio Oriente, próximo do Golfo Pérsico, a área geográfica de maior produção de petróleo, produto que tem estado, desde há muitas décadas, ligado aos maiores problemas mundiais.

O que é dramático e desumano é que o sofrimento da população síria não constitui grande preocupação para as potências mundiais. Nenhum jogador de futebol pensa na dor da relva que por ele é pisada, mas sim na vitória desejada.

Imagem do Google

5 comentários:

José Pires disse...

AMIGO e HOMEM João Soares, está tudo a programar-se para que tal aconteça :’(

Um grande abraço.

http://jose-pires-um-ser-livre.blogspot.pt/2012/08/faz-hoje-67-anos.html

A. João Soares disse...

Amigo José Pires,

Nenhuma guerra é igual à mais recente. Há quem diga que já estamos em guerra há algum tempo - uma guerra económica e financeira - em que o petróleo tem um papel importante e em que o mercado de capitais constitui uma ferramenta terrível que o Bilderberg está a manusear com vontade de impor a sua doutrina de ditadura mundial.

No caso concreto da Síria, em que o Conselho de Segurança se encontra inoperante, esboça-se a acção de alguns dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a quererem subir à mais alta posição de grandes potências, ultrapassando os Estados Unidos.

A Rússia com a China e o Irão parecem apostados em enfrentar a América e Israel. Isto poderá terminar numa luta e galos em que não será obrigatório usar armas nucleares. Aliás a China não tem mostrado propensão para a guerra armada, preferindo a conversação, a negociação, inclinando-se para a variante económica em que tem obtido êxito.

O pior que pode vir a acontecer, nesse duelo de gigantes é os EUA não terem «bom perder», embora os Chineses tenham habilidade para usar a sua sabedoria do diálogo para lhes amaciar a exaltação.

Dentro em breve se verá a evolução da situação entre eles. Mas seja qual for o resultado, os pequenos ficarão sem beneficiar com as mudanças. São como a relva dos estádios.

Abraço
João

Mentiroso disse...

O problema não é fácil de resolver pela existência de outras razões a adicionar às aqui citadas, que por elas mesmas já justificam o impasse que se conhece. Os EUA sobretudo, mas os outros ocidentais não exercem grande pressão para travar a carnificina em marcha na Síria porque milhares de combatentes extremistas chegados à Síria, provenientes dos países do Golfo e do Norte de África entraram na Síria para combater ao lado dos revoltados, segundo imensos relatos. Há testemunhos de que estão a perseguir e a massacrar as famílias cristãs, que fogem para os países vizinhos. Raptam os homens, exigem resgates e depois de os receberem matam-nos.
Estes acontecimentos esvanecem os interesses dos países ocidentais, que se limitam ao discurso. Alguns países do Golfo, como a Arábia Saudita querem ver cair a família reinante da Síria e dão apoio aos rebeldes. Israel apoia o regime e diz-se que a Mossad foi ajudar o regime. O jornal The Daily Star, do Líbano, afirma que adquiriu um sistema mais sofisticado de defesa antimíssil para eventuais futuros ataques da Síria e do Irão, com financiamento parcial dos EUA (que novidade!). Outros jornais da região têm publicados artigos idênticos.

A parte final do artigo é aquela que encerra o problema. O petróleo no Próximo-Oriente (Médio-Oriente para os EUA, não para os europeus) e a ganância dos EUA é a causa permanente dos conflitos na região. As alegadas razões que avançam para a defesa daquele que é o país mais racista do mundo, que rouba tudo à sua volta, esclavagista e pior do que os nazis da II Guerra mundial não tem outro fundamento. O mal que esse povo causa na região permite-nos afirmar que se por um lado foi uma barbaridade ter morto mais de 1,5 milhões (a lenda dos 6 milhões é um número repetitivo e está provado como falso) quando podiam simplesmente expulsa-los, presentemente seria uma das maiores vantagens mundiais se o irão os fizesse desparecer do mapa Porque não deixam que os povos da região resolvam os seus próprios diferendos dentro dos valores humanitários? Até hoje nunca aconteceu.

Mentiroso disse...

Este passou, mas é importante porque demonstra a hesitação dos defensores do neo-nazis:

David Bukay, um professor of Middle East studies da Universidade de Haifa, em Israel, disse:
«As pessoas devem compreender que a alternativa a Bashar al-Assad é a Al-Qaeda.»

http://www.thedailybeast.com/articles/2012/08/09/in-israel-fear-of-a-jihadi-menace-along-the-sinai-and-syrian-borders.html

A. João Soares disse...

Notícia de hoje vem mostrar como as forças interessadas estão a definir-se. Para ler a toda a notícia faça clic neste link

Dirigentes de 57 países reúnem-se na terça-feira, por iniciativa da Arábia Saudita, numa cimeira destinada a mobilizar o mundo muçulmano a favor da revolta na Síria.

Como se entenderão em confronto com chineses e russos e o próprio Irão? Por outro lado, como se sentirão ao lado dos árabes a América a Turquia e Israel, assim como alguns países da NATO?

Para o problema estar mais confuso,
EUA e Turquia criam grupo de trabalho sobre a Síria

Os sinais de perigo agudizam-se.