sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

PREPARAR O FUTURO

Preparar o futuro
(Publicado em O DIABO nº 2198 de 22-02-2019, pág 16)

 Há muitos indícios de que Portugal vive, há demasiado tempo, numa pasmaceira ou pântano, sem sinais de projecto que conduza a uma reforma estrutural que eleve o país a um desenvolvimento e crescimento adequado a melhor qualidade de vida das pessoas e crescimento da economia com resultados melhor distribuídos com justiça social, por forma a criar uma justificada credibilidade de governos e partidos inspiradores de maior confiança dos cidadãos em quem os governa. É frequente ouvir-se falar da conveniência de comparar as obras realizadas e as decisões tomadas para bem dos portugueses nos últimos 44 anos com as do período de igual duração anterior ao 25 de Abril, apesar do esforço de guerra no Ultramar.
E são referidos novos hospitais, tribunais, quartéis para militares e para GNR, Polícia, bombeiros, escolas, aeroportos, etc. E na situação financeira havia uma reserva de barras de ouro de valor histórico, e agora há uma dívida que sobrecarregará várias gerações.

A falta de sentido de Estado e de preparação para encarar o futuro com correcta definição de objectivos a atingir e escolha de boas estratégias, geral e sectoriais, para os alcançar, conduziu a um “deixa andar e depois se verá”, com o resultado que Guterres definiu como “pântano” e utilizou como pretexto para deixar o Governo que chefiava. Depois veio Durão Barroso, que não detectou forma de brilhar à frente do Governo e aproveitou a oportunidade de ir ocupar alto cargo na União Europeia, sendo substituído por Pedro Santana Lopes, que tentou iniciar a descentralização do poder executivo, com uma decisão imponderada e ridícula de deslocar uma Secretaria de Estado para Portalegre. Esta decisão foi recordada com a recente e esquisita promessa de mudar o INFARMED para o Porto, o que deu despesas para pagar pareceres a amigos coniventes, mas que, mesmo assim, foi esquecida. Santana Lopes acabou por ser demitido pelo PR, que mostrou não ser contemporizador nem recear tomar decisões. Depois veio Sócrates, que se deixou pressionar por construtores, deixando-se levar a construir auto-estradas, algumas sem necessidade e até paralelas a outras já existentes, e a criar uma alternativa ao Aeroporto de Lisboa, na OTA, apesar de a orografia não ser nada adequada a tal obra, mas para isso tinha o apoio de amigos que, entretanto, compraram terrenos para serem expropriados por alto preço ou para serem urbanizados, com bons lucros. Também a auto-estrada para o Algarve teve três alternativas, não por razões correctas mas devidas a pressões de políticos que tinham comprado terrenos que, nessas hipóteses, dariam grandes lucros na expropriação. Custou conseguir que a escolha fosse a mais lógica.

Quanto aos anos mais recentes, não é preciso fazer esforço de memória porque as pessoas não esqueceram com facilidade, e a prometida reforma estrutural está em todas as cabecinhas pensadoras, tal como a ausência de decisões para bem da nação, a insatisfação generalizada que tem gerado greves, com graves prejuízos para utentes de serviços públicos, como universidades, escolas, jardins de infância, hospitais e centros de saúde, transportes rodoviários e ferroviários, finanças, serviços da segurança social ou de estrangeiros e fronteiras, etc.

Está a ser necessário, com urgência, alguém com dedicação a Portugal, competência e coragem para ordenar o estudo de uma reforma estrutural abrangente, com uma estratégia bem definida para atingir finalidades coerentes com os interesses nacionais. Essa estratégia geral deve ser decidida e depois preparadas as estratégias sectoriais, por forma a haver uma coerência e convergência de todos os sectores para serem obtidos resultados em perfeita harmonia entre si e sem necessidade de paragens e recuos que são sempre custosos, pelo menos no factor tempo que constitui o tesouro mais precioso por ser irrecuperável. ■

António João Soares
15-02-2019

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

SOLIDARIEDADE HUMANA E MIGRAÇÃO

Solidariedade humana e migração
(Publicado em O DIABO nº 2198 de 12-02-2019, pág 16)

Em todas as civilizações é defendida uma ética semelhante à que os cristãos resumem nos “mandamentos”, de respeitar os outros e tratá-los como se deseja ser tratado. Se cada um cumprir esses deveres, será assegurado o direito a não ser agredido e a não ser roubado por bandidos e por corruptos ou maus políticos que priorizam os seus próprios interesses para satisfação de vaidade e ambição, desprezando o dever de defender os interesses dos cidadãos e dar-lhes melhor qualidade de vida.

Estes conceitos estimulam a reflexão sobre diversos temas da vida real, muitas vezes ocultos e camuflados por uma comunicação social desvirtuada que, em vez de informação e divulgação de cultura edificante, é viciada pelo “politicamente correcto” que serve interesses inconfessados.

Um desses temas, actual, centra-se na movimentação de pessoas gerida ao sabor de interesses que procuram ficar ocultos, mas que dão lucro aos traficantes humanos tolerados por poderes internacionais sob a capa de “ajuda humanitária”.

Embora o assunto ganhe acutilância em cada dia que passa, recordo o texto “Refugiados, solidariedade e respeito pelos outros”, aqui publicado em 08-11-2016, e o mais recente “Refugiados: apoiar sem fuga ou depois dela”, publicado em 03-072018. Embora se tenha passado bastante tempo, as sugestões ali alvitradas não foram partilhadas por outros amigos da humanidade, com poder de decisão, embora alguns pensadores já tenham defendido pontos de vista semelhantes, a propósito de casos concretos. Um desses casos é a posição de “chefões” da União Europeia a propósito da recepção de migrantes ou refugiados.

As vantagens de investir no apoio à política social interna nos países de origem são notórias e podem sintetizar-se em poucas linhas: manter a comodidade de as pessoas continuarem a viver no seu meio familiar e ambiental, com as suas tradições, a mesma Língua, os mesmos hábitos; evitar as dificuldades da viagem, do pagamento aos traficantes, do risco de acidentes em que tantos têm perdido a vida, da adaptação a um ambiente diferente e, por vezes, hostil, com dificuldades de contacto e de solidariedade, nos diversos aspectos da vida em sociedade, da ocupação, da produtividade para sobrevivência, etc.

Por outro lado, os países de acolhimento, com o apoio no país de origem, não teriam mais despesa porque deixariam de sustentar pessoas improdutivas, com subsídios, alojamento, alimentação, apoio de saúde, segurança, etc. Não teriam de fazer face a conflitos de segurança e a contactos agressivos com polícias que algumas vezes levantam preconceitos racistas, porque não se convencem que a lei existe para todos e não tem obrigação de ser igual à que existia no país de origem. Mas nos casos de acolhimento, a criação de bairros para migrantes é um erro de autarquias e governo sendo preferível a inserção em bairros existentes para naturais onde a comunicação com vizinhos facilita a transição.

Uma das dificuldades da integração dos imigrantes é a sua falta de sensibilidade e do saber popular do ditado “na terra onde chegares faz como vires fazer para não aborrecer”. Essa noção será melhor absorvida se a morada for em urbanização normal e não em bairro isolado.

Outro aspecto negativo, além de cenas de violência perante polícias que têm por missão obrigar ao cumprimento de leis iguais para todos, pode provir de actos de terrorismo por elementos infiltrados ou que tenham sido usados por forças estranhas interessadas em convulsões.

Trata-se de um assunto extremamente sensível e complexo que necessita de profunda reflexão. Não é por acaso que muitos Estados se têm manifestado em oposição aos intuitos da ONU traduzidos no acordo de Marraquexe e de na UE existirem claras divergências quanto a isto e ter havido alteração quanto a posições tomadas há algum tempo, quer por países mediterrânicos quer pela própria direcção continental. ■

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

POLÍCIA, SEGURANÇA E HARMONIA SOCIAL

Polícia, segurança e harmonia social
(Publicado no Semanário DIABO em 5 de Fevereiro de 2019)

A canção que ataca o “polícia racista” já é antiga, mas agora, com apoio de “patriotas” do BE, tornou-se estrondosamente ruidosa, com palcos nos subúrbios mais ou menos afastados da capital e mais ou menos dominados pela esquerda. Está a chegar ao ponto de o agente da autoridade de segurança pública, ao presenciar um delito lesivo da segurança e da boa ordem pública, ter que observar o malandro a quem devia ser aconselhada serenidade, porque se ele tiver cor escura, é melhor fingir que não o vê, cruzar os braços e deixar o “imune” totalmente impune e intocável a fim de não incorrer no risco de ser considerado racista, fascista, nazista, tudo menos comunista.

E, mesmo que, estando imóvel e seja alvo de pedradas arrancadas da calçada e que, ao seu lado, um outro agente esteja a sangrar por ter sido atingido na cara por uma dessas pedras, a Comunicação Social, vocacionada para o politicamente correcto, leva-o ao conhecimento público como um terrível facínora e racista. E os do Poder logo falam de inquérito e a Justiça condena-o, ao mesmo tempo que manda em liberdade um dos malandros que se tenha deixado deter.

E quando se chegar a tal estado de inoperância dos agentes, para não serem acusados e condenados por racismo e abuso de autoridade, com que podem contar os contribuintes como garantia da sua segurança pessoal e dos seus haveres? Nesse ponto, para que servem as forças policiais e a Justiça?

Mas, afinal, que papel atribuem ao polícia? Será que em vez de levar o malandro a tribunal, deve deixar-se apedrejar, insultar, etc, por ele? Ou só pode exercer a sua autoridade em pessoas brancas, para não ser acusado de racismo? Ou será tais tipos são, como os deputados, imunes e impunes? Há estrangeiros que não devem permanecer em Portugal, para não serem infectos no meio do nosso povo. Haja sentido de Estado nas decisões dos governantes.

Precisamos de uma polícia consciente dos seus deveres para com a sociedade e, para isso, os comandantes da PSP devem mostrar coragem perante os seus homens e perante os portugueses a fim continuarmos a dispor de profissionais bem preparados e com sentido do dever para garantir a indispensável segurança e merecer a confiança e o respeito na autoridade policial.

A Polícia não pode estar condenada a manter-se de braços cruzados ou a dar protecção e segurança a malfeitores e condenados. Deve ser apreciada pela administração pública, sempre que agir para segurança do povo e dos seus bens. Os apóstolos, PR e PM recomendam-lhe serenidade (!!!) que é uma linda pregação, que não tem sido explicada nem aplicada para defesa dos interesses nacionais e da boa qualidade de vida dos portugueses. Em vez de conselhos práticos e bem ponderados ligados a acções exemplares, dizem palavras vãs sem exemplos práticos. E a serenidade não deve apenas ser exigida à polícia mas, principalmente, à generalidade da população em que há energúmenos que não respeitam os direitos das pessoas nem a lei nem os agentes da autoridade que se arriscam a grandes sacrifícios para apoio da harmonia e paz social em benefício de todos. O futuro de Portugal precisa de acções racionais, correctas e coerentes e não de palavras e intenções falaciosas e sem aplicação prática. A melhor propaganda do valor dos partidos deve assentar em acções em benefício da generalidade dos portugueses e elogios dos bons resultados.

Será bom que a comunicação social e pessoas eleitas e pagas pelo povo, em posições de responsabilidade, deixem de vir a público, sem qualquer pudor nem sensatez, deixar a mensagem aos delinquentes de que não têm que cumprir as leis do País, nem respeitar as autoridades mandatadas pelo Estado para as fazer cumprir. Sem mudança de comportamentos iremos tentar sobreviver em anarquia! ■

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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

DECISÕES PORQUE SIM

Persistência em decisões erradas, porque sim
(Publicado no Semanário DIABO em 29 de Janeiro de 2019)

Como terminará o problema do Brexit, ou a birra dentro do PSD, ou o aeroporto para o Montijo ou para Alverca ou para Alcochete, o muro na fronteira com o México, ou a guerra comercial com a China ou a confrontação dos EUA com o Irão ou com a Coreia do Norte, etc. Poderá resultar de um azar de lotaria ou até de um estudo racional bem elaborado assente nas vantagens e inconvenientes de cada solução dando possibilidade de escolher a melhor. Esta última hipótese só pode vir de uma cabeça sonhadora e um tanto ingénua quando se trata de enfrentar um decisor teimoso que não gosta de recuar, por vaidade.

Mas, em política, esta decisão inteligente, seguindo uma metodologia semelhante à que expus no artigo aqui publicado em 29 de Setembro de 2016, não é muito do gosto de governantes. Não foi por acaso que nas tricas no PSD, os apoiantes de cada um dos litigantes acusaram o rival de nada ter feito senão política, com o que queriam significar que, na política, não paciência nem vontade para lutar por uma estratégia, bem estudada e bem definida e concretizada com rigor, que leve Portugal a bons resultados para o desenvolvimento e para uma melhor qualidade de vida. Na política, nada se aprende para melhorar o desempenho das funções e o que impera é a decisão rápida (em cima dos joelhos), a teimosia do «quero, posso e mando» e a vaidade leva a recusar dar um passo atrás, para não lhe chamarem tolo.

Faço sobre isto referência a um conto de George Orwell, intitulado «Abatendo um elefante» em que um agente da polícia imperial britânica na então Birmânia foi chamado para abater um elefante que a população em geral afirmava estar descontrolado. Quando finalmente chegou perto do bicho feroz, este já estava longe de qualquer aldeia e calmo, pelo que matar aquele belo animal seria cruel e desnecessário. Mesmo assim, o agente disparou sobre ele, e matou-o. Perguntaram-lhe porquê? E ele respondeu “para evitar fazer figura de tolo”.

Assim gira a engrenagem política.

Não devemos esquecer: a “bomba mãe de todas as bombas”, explodida pelos EUA no Afeganistão, em 13 de Abril de 2017, contra o grupo extremista Estado Islâmico, sem depois se ver, como resultado, os efeitos benéficos desejados, com tal vaidade e arrogância. O uso da bomba GBU-43 / B foi para "minimizar o risco" quer para as forças afegãs, quer para as forças norte-americanas que combatiam o Estado Islâmico em Achin, por se desejar que destruísse os abrigos em túneis e outros subterrâneos, onde o inimigo se escondia. Provavelmente, oficiais experientes em trabalhos de estado-maior, desaconselharam tal atitude arrogante por não serem garantidos resultados compensadores. Mas nada impediu a explosão da qual não resultou a destruição esperada no inimigo e, pelo contrário, este encheu-se de ódio vingativo e, nove dias depois, lançou um ataque contra uma base militar afegã, no norte do país, numa altura em que soldados estavam reunidos para rezar, tendo causado a morte a mais de 100 soldados e ferimentos em muitos mais. Tratou-se de uma dezena de assaltantes fortemente armados e que durou pelo menos cinco horas. Isto mostra que a teimosia arrogante raramente traz resultados compensadores.

Mas, apesar de todos esses inconvenientes, na política usa-se a insensatez de decidir por impulso ou capricho, prometer e depois, se não conseguem que o povo esqueça o prometido, acabam por cumprir. Ainda há poucos dias alguém dizia «está decidido, a solução é esta e não se fala mais noutras modalidades». Porque sim, para não o chamarem tolo.

O contista George Orwell sabia que os vaidosos não gostam mostrar sinais de fraqueza.

António João Soares
22 de Janeiro de 2019

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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

CRISE E EVENTUAL AUSTERIDADE

Crise e eventual austeridade
(Publicado no Semanário DIABO em 22 de Janeiro de 2019)

Tentar fazer face à falta de mão de obra recorrendo a imigrantes é uma solução com graves perigos. Além de ser difícil escolher os especialistas mais necessários para certas tarefas e de eles virem em busca de remunerações elevadas, pondo em perigo a reivindicação dos nacionais por elevação substancial do salário mínimo nacional, há o risco de entrarem indivíduos vulneráveis a incitamentos para a execução de actos lesivos da segurança das empresas ou mesmo de terrorismo. Convém recordar que o Império Romano caiu nas mãos dos godos que tinham sido recebidos amigavelmente, como refugiados, após terem sido derrotados pelos hunos.

Actualmente, há vários parceiros europeus a braços com o inconveniente de terem recebido imigrantes, como é o caso da França, da Inglaterra, da Alemanha, o que levou a Itália, assim como outros países europeus, a recusar a entrada de mais.

Antes de recorrer a essa solução extrema para obtenção de mão de obra, devem dar-se incentivos para reduzir o desemprego, criando nas empresas prémios para os trabalhadores mais produtivos, o que irá fazer subir os salários mínimos para os melhores e melhorará a produtividade e a qualidade do trabalho.

Tal como está a ser pensado, agravam-se as diferenças entre trabalhadores nacionais e imigrados, o que pode contribuir para aumentar o número dos nossos emigrantes que saem à procura de melhores remunerações e condições de trabalho. A tentativa de aliciar os nossos actuais emigrantes a regressar não parece resultar por eles se encontrarem em condições mais favoráveis no estrangeiro do que as que aqui iriam ter. Não foi por acaso que emigraram.

Para se evitar aspectos ameaçadores de crise ou condições de maior austeridade, será útil auscultar, com serenidade, as opiniões dos trabalhadores nacionais, por todo o lado, a fim de se concluir sobre a necessidade de pequenas reformas que melhorem a produtividade do trabalho e desencorajem a emigração e, possivelmente, incitem ao regresso de alguns emigrantes que se encontrem menos satisfeitos lá fora. Infelizmente, os governantes parecem demasiado confinados à capital, mais interessados em se manter no Poder e desprezando algumas das suas funções essenciais, como a defesa dos interesses dos cidadãos e a melhoraria da sua qualidade de vida.

Por vezes, há governantes que, viciados no seu alheamento da vida real nacional, aconselham pessoas descontentes, como foi dito aos professores em Dezembro de 2011 “olhem para o mercado de língua portuguesa para encontrar lá uma alternativa”. Se eles não encontravam vaga cá, seria preferível optarem por outra actividade, provisoriamente, até poderem regressar ao ensino.

Devido a o ensino secundário ter deixado de dispor de ensino técnico, acabou por haver jovens que abandonaram os estudos e outros que, depois de licenciados, tiveram de se empregar em serviços de menor exigência escolar, mas a seu gosto. É preferível procurar emprego a ficar de braços caídos a viver de esmolas de familiares ou de qualquer generoso. E a ociosidade é mãe de todos os vícios e de muitos crimes.

Há alguns anos, dois ou três professores do secundário decidiram, nos tempos livres, cultivar uns terrenos de familiares com métodos mais modernos, optando pela agricultura biológica e cultivando produtos que eram raros na região. Estavam satisfeitos com os resultados. Muitos outros poderiam imitar essa iniciativa.

Enfim, há formas diversas de se lutar contra o desemprego e contra a falta de mão de obra, sem ser necessário receber migrantes que buscam outras coisas. E a propósito, a solução de meter os jotinhas em tudo o que é serviço público, onde apenas vão receber o salário ou aumentam a burocracia e criam confusão, também não parece ser solução sensata. ■

António João Soares
15.01.2019

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

INCÓGNITA DE AMANHÃ

Inógnita de amanhã
(Publicado no Semanário O DIABO em 15 de Janeiro de 2019)

Na mesma manhã surgiram-me três textos que me ajudam a reflectir sobre as preocupações quanto ao futuro da Humanidade, relacionadas com o mau uso das tecnologias que tem sido permitido nos anos mais recentes por governantes distraídos quer no ensino quer no jogo de interesses menos éticos. São: a entrevista dada pelo filósofo José Gil a jornalista do Diário de Notícias, a opinião de Gordon Brown acerca da encruzilhada em que se encontra a globalização, com reequilíbrios geoeconómicos e geopolíticos, e as palavras de Unamuno, reitor da universidade de Salamanca, em 12 de Outubro de 1936, com 77 anos, a uns agitadores franquistas: “Vencereis porque tendes, de sobra, a força bruta. Mas não convencereis. Para convencer há que persuadir. E para persuadir necessitaríeis de algo que vos falta: razão e direito na vossa luta”.

José Gil afirma que era tradicional um conjunto de valores e uma moral que suportavam um arsenal tradicional de categorias de direitos, de cidadania, de tolerância e de justiça. Mas esses valores, embora se tornassem universais, não foram eficazes, porque os humanos não somos capazes de nos transformar de modo a que a nossa sociedade, perante a história conflitual se modifique racionalmente. E também pode haver um falhanço teórico por alguns pensadores criticarem tais valores.

Todo o ser vivo é inteligente, mas a inteligência desenvolve-se em conformidade com o seu contexto natural e as suas necessidades vitais. A inteligência dos humanos “manifesta-se na técnica e na ciência e na articulação entre as duas”. A técnica é neutra e dá bons ou maus resultados conforme a sua utilização e tem sido usada ao máximo na exploração capitalista do planeta, pondo em risco a extinção da vida na sua superfície. A evolução da técnica tem uma vocação de não parar e tudo leva a temer “que estamos cada vez mais perto de um perigo iminente”.

Os anunciados desequilíbrios ecológicos podem originar desequilíbrios funcionais da espécie humana e não se vê um plano possível de inverter a sua evolução. Para isso seria indispensável acordo político para encarar os problemas, nas suas causas, mas os atritos constatados nas cimeiras para o clima, mostram a impossibilidade de ser encontrada a solução mais adequada. Isso faz prever, para breve, a extinção, a não ser que ocorra uma catástrofe ecológica que, sem provocar o desastre final, exija mais consciência ecológica mundial sobre os erros e omissões que têm ocorrido e origine uma benéfica convergência de esforços.

Torna-se urgente a adopção de medidas eficazes e aplicadas imediatamente. Há intenções e propostas para acabar com o aumento de mais de um grau e meio na temperatura média global, mas os políticos não as têm usado. Porque não são cumpridas? Eles esquecem que os tempos são outros e vivemos numa urgência de evitar uma morte iminente. As causas de tal negligência são múltiplas e têm de ser bem analisadas, para serem ultrapassadas sem demora. Todos os problemas sociais e políticos devem ser devidamente analisados nas suas causas a fim de os efeitos serem controlados de forma pacífica, benéfica e harmoniosa.

Segundo Gordon Brown, no ano passado, houve uma viragem na globalização, levando ao aparecimento de pequenos movimentos nacionalistas de que a China está a beneficiar com infiltrações em África, na Europa e na América do Sul, preparando um mundo de dois sistemas em vez da ordem internacional liderada, durante várias décadas, pelos EUA. Na última década marcou uma mudança notável no equilíbrio do poder económico. O centro de gravidade económico do Mundo mudou, o Grupo dos sete mudou, e originou o G24. O FMI irá mudar a sede, possivelmente dentro em pouco para a China. A estrutura mundial será alterada não apenas no aspecto económico mas também geopolítico. De unipolar, com os EUA no topo, passará para bipolar com a China a falar alto. E depois? ■

António João Soares
8 de Janeiro de 2019

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

VERDADE E TRANSPARÊNCIA

Verdade e transparência
(Publicada no Semanário O DIABO em 8 de Janeiro de 2019)

Não gosto de perder tempo com leituras que não tragam informação credível e útil. Mas, infelizmente, tal material enriquecedor do saber é demasiado raro, perante o amontoado de fantasias ilusórias que nos são atiradas aos olhos a cada momento. A verdade e a transparência são cada vez mais raras e, por isso, mais preciosas.

Os discursos de Natal do PR e do PM, perante os poucos extractos que vi, são demasiado falaciosos quanto à vida nacional actual, que pintam com cores de tal forma optimistas que parece virem de estranhos que desconhecem as realidades em que vivemos. Será que acham que tudo tem melhorado e pretendem a continuidade? Continuidade de quê? Das greves que tanto têm prejudicado os inocentes cidadãos, na saúde, nos transportes, na Justiça e em vários serviços públicos, dos incêndios, dos acidentes rodoviários, de actos de violência, de falta de manutenção das estradas (caso de Borba e outros), de deficiente preparação da população para prevenir situações de risco, do aumento da dívida, etc.?

Em vez de continuidade, na fase de mudança em que o Mundo se encontra devido à rápida evolução das tecnologias, será preferível planear e executar uma reforma estrutural que faça o País desenvolver-se para proveito dos mais carentes, acabar com a dívida pública, inverter o crescimento escandaloso dos impostos, dos quais apenas tem resultado benefício para os políticos e os apêndices criados com nomes de “observatórios” e muitos outros, e de que não se vê proveito para os contribuintes, mas apenas para os tachistas amigos dos titulares do Governo.

Os governantes, como agentes do poder executivo, devem servir com eficiência o povo que governam e que deles espera segurança e melhor qualidade de vida, em vez de o tratarem como coisas possessivas e hipotecáveis, e não concentrar-se numa imensa teia clientelar em torno de familiares, amigos, compadres, afilhados, todos sedentos de riqueza e imagem.

E para servir o povo com verdade e transparência, não devem ser feitas promessas que depois são esquecidas. Por exemplo, é caricato e degradante “prometer” que em fins de 2019 serão iniciadas obras para resolver as carências da pediatria do hospital de S. João, em vez de informar e pedir desculpa por o problema não ter ainda sido resolvido.

As promessas feitas aos cidadãos ficam, na sua maioria, esquecidas pouco tempo após a sua afirmação. É certo que o povo, que em democracia é considerado detentor da soberania, é na sua maioria crédulo e deixa-se enganar por aldrabões que, usando de discursos fantasiosos, o levam a suportar as piores atrocidades que virá a sofrer. Mas acabará por despertar da sua actual apatia, ver que o País em vez de produzir riqueza e reduzir o número de pobres, aumenta os impostos que divide pelos ricos, e acabar por se revoltar, de forma mais ou menos violenta. Convém reflectir nesse risco.

Mas o deficiente sentido de Estado, a falta de sensatez e de conhecimento das realidades parece tornar os discursos mais fantasiosos e orientados para campanha eleitoral relacionada com eleições ainda distantes, mas que já estão a lesar a vida real dos cidadãos. Seria mais prudente e mais conducente à obtenção de resultados o estudo, planeamento e execução de obra visível, enriquecedora do património nacional. Alguém já sugeriu que se faça uma lista das obras realizadas após o 25 de Abril e outra, com igual critério, das realizadas em igual período de 44 anos e meio, anterior a essa data, para se poder comparar. E além desse resultado, desse período veio uma quantidade de toneladas de barras de ouro e no período actual fica uma dívida pública que irá pesar no bolso de várias gerações. Pesada herança que os governantes se recusam a encarar com seriedade e transparência. ■

António João Soares
2 de Janeiro de 2019

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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

DEVERES E DIREITOS

«Deveres e direitos»
(Publicada no Semanário O DIABO em 2 de Janeiro de 2019)

Ultimamente tem havido muitos acidentes que são consequência do desprezo pelos deveres relacionados com a carência de preparação para o cumprimento de tarefas da própria função assumida. Isto verifica-se a todos os níveis da vida nacional, desde os trabalhadores mais humildes aos governantes de mais altos cargos.

Reflectindo sobre o caso, conclui-se ter havido uma mudança dramática depois do 25 de Abril que levou as pessoas a falar abusiva e teimosamente de direitos e esquecendo os deveres. E não são apenas os enfermeiros grevistas que, para defenderem aquilo que dizem ser seu direito, se esquecem de que colocam as vidas e a saúde de muitos doentes em perigo, por não cumprirem os seus deveres profissionais, o respeito pelos direitos das pessoas aos cuidados de saúde, o dever ético de sensibilidade, solidariedade, ajuda, colaboração, prevenção e contributo para uma humanidade mais feliz e harmoniosa.

Conheci o Regulamento de Disciplina Militar (RDM) cujo artigo 4º continha inúmeros deveres e não havia nenhum artigo a falar de direitos. Mas hoje apenas se ouve falar de direitos e ninguém se refere a deveres nem a responsabilidades. E, ao mais alto nível da sociedade, há quem se considere imune e impune, desprezando as próprias leis, como se elas fossem apenas para os outros e chegando a acções inqualificáveis, como tem acontecido com alguns deputados, segundo consta nos jornais. Até já ouvi, com muito espanto, governantes afirmarem que o Governo não era responsável pelo acidente na estrada de Borba, pelos incêndios destruidores de vidas e de haveres, como o de Pedrógão ou pela demora da reacção à queda do helicóptero do INEM em que morreram quatro pessoas qualificadas. E o espanto assenta no facto de o Poder Executivo ser o mais alto responsável por tudo o que acontece ou deixa de acontecer no País. Não pode sacudir a responsabilidade para ninguém, a não ser pedir contas a instituições que dele dependem.

Mas muitas dessas instituições não foram dotadas de direcções escolhidas pela competência e pela experiência assente no sentido do dever que as levasse à procura da correcção das acções a praticar, com sentido de responsabilidade, preocupação na excelência dos resultados, para bem de Portugal e dos portugueses.

E, já que referi o RDM, ele tem contribuído para a formação ética de gerações de heróis nacionais que se distinguiram pela moralidade e dignidade dos seus comportamentos na qual se baseava a sua promoção aos sequentes cargos, inclusivamente a promoção a General que era decidida pelo Conselho Superior do seu Ramo. Infelizmente, há poucos anos, o Governo decidiu intrometer-se em tal gestão de pessoal, sobrepondo critérios políticos aos da experiência e competência, o que já deu resultados criticáveis. Os jornais referiram que o anterior CEME da simpatia do PM, retirou das funções o comandante do Regimento de Comandos por, no discurso que proferiu numa cerimónia militar da Unidade, ter referido o modelo exemplar de seu antecessor que tinha morrido recentemente poucos dias depois de ter sido condecorado no leito do hospital pelo PR pelo seu comportamento meritório. Esse falecido, apesar da sua competência, não era da simpatia do CEME.

Desde os bancos da escola e nas diversas profissões deve haver o cuidado de alertar cada trabalhador, cada funcionário, para os seus deveres e a forma de efectuar correctamente as tarefas. A notícia da demora de duas horas da chegada dos socorros ao local do acidente do helicóptero, traduz falta de sentido de responsabilidade e de cumprimento do dever dos intervenientes no funcionamento das comunicações. Pode até ter acontecido que, se tivesse havido um comportamento excelente pudessem ter sido poupadas algumas vidas.

Não esquecer que, mais do que os direitos, valem os deveres.

António João Soares
25 de Dezembro de 2018

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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

A GUERRA ESTARÁ IMINENTE!

A guerra estará iminente?
(Publicada no Semanário O DIABO em 26 de Dezembro de 2018)

Li, há dias. O artigo “Fukuyama enganou-se redondamente”, do Major-General Carlos Branco, no ‘Jornal Económico’. Gostei da análise elaborada, mas acho que o título é demasiado duro para o filósofo que deixou à Humanidade uma possibilidade desejável, uma sugestão e uma proposta às grandes potências, para orientarem todos os seus projectos e planos no sentido da Paz e da Harmonia universal.

Mas, infelizmente, os destinos dos Estados não estão em mãos de competentes e com boa formação ética, e nada as levou à rejeição dos maus instintos primários da vaidade e da ambição de poder financeiro e de imagem social de ostentação e arrogância sobre os mais fracos.

O maior obstáculo surgiu logo após a II Guerra Mundial quando, com a aparência de uma estranha interpretação de democracia, foi criada a ONU, com um Conselho de Segurança em que, entre 193 parceiros, foi dado poder ditatorial a 5 (cinco), que se consideraram vencedores da II GM, a quem é permitida a arrogância de serem membros permanentes do CS, com direito a veto. Isto significa que nada poderá ser decidido para bem da paz mundial sem a concordância destes cinco imperadores.

Uma decisão tomada sem que a maioria dos restantes membros se tivesse oposto, foi a imposição da “desnuclearização” a todos os Estados, excepto aos cinco. Não se pode pôr em dúvida o enorme perigo do emprego de armas nucleares, principalmente após as modernizações e aumentos de potência que têm recebido. Mas, como qualquer lei, esta decisão devia ter sido geral e obrigatória, devendo os cinco dar o exemplo, destruindo as que tinham, de forma bem testemunhada por grupos de cientistas nomeados pelo conjunto dos restantes estados membros da ONU, com liberdade ilimitada para observação de todos os possíveis esconderijos e com a máxima segurança, para dar credibilidade ao assunto. Mas os cinco não caem nessa e, daí, a conclusão do artigo atrás referido de que a próxima guerra mundial pode ocorrer dentro em pouco, dada a agressividade já em curso entre os poderosos, quer com ofensas verbais quer com ostentação de poderio militar.

Perante esta aberração, em ambiente que pretende ser democrático, a Coreia do Norte quis evidenciar tal erro e mostrou ter direito a ter uma arma nuclear. Por esta denúncia da anormalidade atrás referida, feita por este pequeno país sem grande poder financeiro, bem merecia o Prémio Nobel, não pelo fabrico da bomba mas pela atitude de evidenciar a caricata decisão do Conselho de Segurança com discriminação entre os cinco e os restantes, Se a arma é perigosa nas mãos dos outros, não o é menos na mão de cada um dos cinco.

Não esqueçamos as ameaças à Coreia do Norte, com exercícios militares de grande poderio nos mares seus vizinhos. Não devemos esquecer: a “bomba mãe de todas as bombas”, recentemente explodida pelos EUA no Afeganistão, sem depois serem referidos quaisquer efeitos benéficos de tal arrogância; a Guerra contra o Iraque e a Líbia, com efeitos altamente nocivos para ambos estes Estado que ainda não recuperaram; os bombardeamentos à Síria com apoio da Grã-Bretanha e da França a pretexto de pretenso uso de gases tóxicos; as saídas ostensivas da América dos acordos de Paris, do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), do acordo comercial com a China, do acordo nuclear com o Irão, etc. E, pelo outro lado, não esqueçamos o recente agravamento entre a Rússia e a Ucrânia, e a criação de uma completa base aérea russa na Venezuela, na proximidade dos EUA. Qualquer guerra pode eclodir devido a qualquer erro de interpretação e pequeno incidente.

As convulsões sociais que estão a ocorrer no Ocidente, consequentes da “ideologia de género” e completa e artificial igualdade de todas as pessoas, podem complicar todas as análises e vir em apoio da conclusão retirada no referido artigo. ■

António João Soares
11 de Dezembro de 2018

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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

INCÊNDIOS E O OBSERVATÓRIO

Incêndios e o observatório
(Publicada no Semanário O DIABO em 18 de Dezembro de 2018)

Achei merecedora de reflecção a notícia de que foi «aprovada lei para remunerar Observatório independente dos incêndios» e na qual consta que o observatório é composto de 10 membros, sendo 60% da escolha do Presidente da AR e que vão ser “equiparados a dirigente superior de 1º grau para efeitos remuneratórios”.

Parece que se está a abusar da quantidade destes apoios ao Governo e há dias passou-me pela vista uma lista de tal género de entidades, com nomes variados, talvez para camuflar a quantidade, além de «observatórios», «comissões», «autoridades», «agências», «polícias», «entidades reguladoras», «instituições», etc. Com tantas entidades a fornecer informação, sugestões e propostas ao Governo para serem adoptadas medidas tendentes a melhorar dificuldades existentes ou situações de perigo eminente, é estranho que o Primeiro Ministro tenha dito que nada sabia da situação de perigo existente na estrada de Borba devido às pedreiras, o mesmo tendo declarado antes em relação ao roubo de Tancos e aos fogos de Pedrógão Grande e suas consequências e medidas de apoio à população.

Na lista atrás referida, havia casos de, para um mesmo fenómeno, existirem vários observatórios, alguns sem condições de apoio de secretariado para poderem fazer algo com interesse. Parece serem soluções apenas para garantir salário mensal aos protegidos sem capacidade de trabalho. Este caso faz recordar, pela antítese, aquele que deu lugar à criação da ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) durante 2005 para entrar em funções no início de 2006, e que resultava da conveniência de eliminar a sobreposição de vários serviços que perderam utilidade por darem aso a que cada um recusasse aceitar trabalho de cidadãos que se lhe dirigiam, aconselhando-os a dirigir-se a um dos outros. E eram muitos: Inspecção-Geral das Acitividades Económicas, Direcção-Geral de Fiscalização e Controlo da Qualidade Alimentar, Agência Portuguesa de Segurança Alimentar, etc. E se, antes, os problemas se iam agravando sem solução, a ASAE, tem feito apreensões de «toneladas de uvas transportadas sem documento de acompanhamento obrigatório», e vários produtos alimentares em más condições higiénicas, equipamentos de conservação, artigos de vestuário contrafeitos, etc. A sua actividade mantém-se regular e rigorosa desde transporte irregular de vinhos ou produtos vitivinícolas, ao incumprimento dos requisitos de higiene no transporte de produtos alimentares, a ausência ou irregularidades nas rotulagens de produtos alimentares, a falta de controlo metrológico obrigatório, a falta de número de controlo veterinário, a falta de requisitos no transporte de pescado, a temperatura não regulamentar e a falta de comunicação intracomunitária”. Vale mais um válido do que muitos incapazes.

Para proceder à prevenção de incêndios e proporcionar rápido e eficaz combate antes de os que possam surgir se tornarem difíceis de extinguir, o meu amigo Dr. José Rebelo apresentou na tese de mestrado um trabalho muito interessante sobre a forma de os bombeiros saberem do incêndio no primeiro momento e iniciarem logo a deslocação e o combate. Agora, encontra-se a realizar o doutoramento na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa cujo tema é: Instrumentos de Gestão de Risco de Incêndio Florestal. Em Janeiro, irá iniciar um estágio (6 a 12 Meses) no Instituto de Meio Ambiente e Segurança Humana das Nações Unidas (UNUEHS) em Bonn (Alemanha).

A colaboração dada à Protecção Civil por uma competência como esta é menos pesada no orçamento e mais eficaz do que uma dezena de ex-jotinhas à procura de salário à custa dos contribuintes. ■

António João Soares
11 de Dezembro de 2018

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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

REDUZIR OS ACIDENTES RODOVIÁRIOS

Reduzir os acidentes rodoviários
(Publicada no Semanário O DIABO em 11 de Dezembro de 2018)

É raro o dia em que não aparecem notícias de acidentes rodoviários, com mortos e feridos. É grave. Como será possível reduzir esse perigo tão trágico para muitas famílias. A GNR está cumprindo a sua missão. Mas não pode eliminar o perigo que a realidade nos evidencia. Há que esclarecer a população para usar de sensatez e precaução a fim de evitar tais tragédias. A GNR pode controlar o excesso de velocidade ou o grau de alcoolémia, mas isso não é tudo.

O excesso de velocidade, só por si, pode não causar acidente, quando se aproveita uma recta, sem risco de colisão nem de despiste, etc. mas, em caso de acidente, agrava extraordinariamente os efeitos pessoais e materiais. A sensatez e a precaução permanente é indispensável, uma quebra de atenção à condução, ao movimento da circulação, às curvas, etc, pode ser fatal para o condutor, para os que com ele viajam e para outras viaturas que circulam na estrada.

A mais pequena distração, com programas de rádio, com o telemóvel, com a conversa dos companheiros, ou com o que se vê nas margens da rodovia, pode causar acidente.

Há que «educar» as pessoas que conduzem e que as acompanham. Os esclarecimentos devem começar em casa com as crianças, continuar nas escolas primárias, nos diversos graus de ensino, nos conselhos difundidos pelas Forças de Segurança, pelas seguradoras, pelos órgãos de Comunicação Social, e pelas instituições que contactam pessoas, como religiões, clubes desportivos, organismos culturais, etc.

E os cuidados preventivos não se resumem ao condutor como operador da máquina, mas também como responsável pelo estado de manutenção dela. Ao mínimo sintoma de que algo não está nas melhores condições de funcionamento, deve procurar recuperar o bom estado de manutenção e de funcionamento. Por vezes um simples aperto ou ajustamento pode evitar uma imobilização em plena via ou uma falha de travões que origine acidente ou desobediência no comando da direcção ou da caixa de velocidades, etc. Um bom conhecimento da máquina permite decidir se uma reparação é urgente ou pode ser adiada até ao fim da viagem.

Trata-se de um problema social, humano e, por isso, cada pessoa deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para reduzir este perigo que ameaça a nós todos e aos nossos familiares. Devemos divulgar a necessidade de respeito pelo próprio, pelos seus familiares e amigos e por todos os seres vivos. Quando esse respeito estiver generalizado, deixará de haver acidentes e ameaças a pessoas, a animais e ao ambiente e a vida será maravilhosa em harmonia e em segurança. Não nos cansemos de agir para bem da humanidade.

E o Governo, tal como tem tentado fazer para reduzir os fogos florestais, deve usar todas as suas disponibilidades e as das autarquias para esclarecer as pessoas a fim de diminuir a quantidade de vítimas de acidentes rodoviários.

Tal como em outros sectores da vida nacional, tem se sentido a falta de programas na TV nacional a ensinar pormenores de condução e de manutenção das viaturas em bom estado. O conhecimento do funcionamento da mecânica automóvel é indispensável para a sua boa utilização e condução. Aprendi muito nas aulas de física no Liceu, na cadeira de motores dada pelo mestre Faria Leal, nos programas de TV (quando a TV tinha programas úteis) e na prática de muitos anos. Tive que conduzir uma viatura pesada com a embraiagem inoperacional, durante cerca de 15 Km em picada africana e metia as mudanças com alteração da rotação do motor para não danificar a caixa de velocidades.

Trave-se a tragédia nas estradas.

António João Soares
4 de Dezembro de 2018

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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

ORGANIZAÇÃO COERENTE E SIMPLES

Organização coerente e simples
(Publicada no Semanário O DIABO em 4 de Dezembro de 2018)

Uma organização, além de outras características, deve ser simples, clara e coerente com o objectivo pretendido e os seus factores. A simplicidade é uma virtude indispensável que deve ser respeitada por qualquer instituição pública ou privada. A complexidade desnecessária é desaconselhada por encarecer os custos de funcionamento, por criar confusão e aumentar a burocracia que dificulta ou impossibilita a inovação e a produtividade, pondo em risco os objectivos desejados. A simplicidade da estrutura organizativa deve repercutir-se na preparação das decisões, as quais deverão seguir uma metodologia semelhante à referida no artigo “Preparar a decisão” n’O DIABO de 27/9/2016 e, por estarmos em democracia, para que os objectivos sejam bem recebidos e alvos de luta para serem bem conseguidos e para que os factores e os condicionamentos da decisão a tomar sejam bem interpretados e nada fique esquecido, há vantagem em que as pessoas e os serviços relacionados com o cumprimento da decisão sejam ouvidos durante a elaboração do estudo a fim de este ser devidamente preparado com análise exaustiva de todas as condicionantes. Quem está dentro do problema tem muito a dizer e a sugerir. Vale mais esse contributo oportuno do que a posterior crítica que fere a competência de quem preparou a decisão ou assumiu a sua autoria.

E, para gerir com eficiência, é preciso uma informação permanente da evolução dos condicionamentos dos diversos sectores da organização. Esse conhecimento da realidade permite tomar decisões adequadas a prevenir percalços, evitar acidentes, e decidir os passos seguintes a fim de obter melhores resultados. No recente acidente na estrada de Borba houve conhecimento dos perigos prováveis mas a imprudência e a falta de sentido de responsabilidade do autarca e do ministério que, quatro anos antes, reconheceu a situação de risco que conduziu à tragédia ocorrida agora.

Ao contrário das atitudes desleixadas e desrespeitadoras dos direitos humanos que deram lugar à tragédia ocorrida recentemente na estrada de Borba, os concelhos de Aveiro e de Oliveira do Bairro tomaram uma decisão exemplar de cortar o trânsito na rua do Ribeirinho, que liga os dois municípios, quando a circulação automóvel foi colocada em perigo, devido a chuvadas que provocaram arrastamento de solos e destruição de parte da «passagem hidráulica» ali existente. Os dois municípios comprometeram-se, em cooperação, à elaboração do projecto, já em fase de conclusão, de intervenção para construção da nova passagem hidráulica, e prevê-se que os trabalhos para execução da obra tenham início ainda durante o mês de Dezembro. Esta decisão concretiza o que atrás foi dito, pois demonstra sentido de responsabilidade e respeito pela segurança das pessoas.

Mas, infelizmente vemos o governo, responsável pelo que acontece no País, a fechar os olhos às realidades que exigem intervenção urgente e, depois, se desculpar por ignorância do que se passa, como nos fogos de Pedrógão Grande, o roubo de Tancos e, agora, a tragédia de Borba.

E quanto à preparação de decisões é significativo o que está a sensibilizar os bombeiros a propósito da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), e da Autoridade Nacional de Protecção Civil que não os convence. Isso insere-se na tendência para criar instituições sem utilidade visível a não ser a de dar salário aos ex-jotinhas, as quais tomam designações variadas como actividades, agências, observatórios, comissões, polícias, entidades reguladoras, etc. São muitas dezenas e, do muito que custam aos contribuintes, não são vistos resultados na melhoria da qualidade de vida das pessoas, nem aumentam a informação do Governo sobre as realidades. ■

António João Soares
27 de Novembro de 2018

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terça-feira, 27 de novembro de 2018

GERIR PARA UM FUTURO MELHOR

Gerir para um futuro melhor
(Publicada no Semanário O DIABO em 27 de Novembro de 2018)

O passado pertence à história e apenas serve, na gestão quotidiana, como experiência, para aproveitarmos o mais positivo e evitar repetir os erros que levaram a maus resultados. Não devemos hesitar e recear planos de longo prazo, perdendo tempo e oportunidades a repisar o lamaçal do pântano. As grandes obras demoram muito tempo desde a ideia inicial até os resultados estarem bem visíveis. Assentam num plano abrangente que parte de um estudo cuidadoso, abarcando todos condicionamentos, de forma a reduzir a necessidade de, durante a execução, serem feitos aditamentos de relevo. Depois, esse plano geral deve ser traduzido em pequenos planos sectoriais destinados aos técnicos responsáveis por cada aspecto particular da obra, para agirem na sua especialidade de forma convergente com o desejado resultado geral da obra. E, para ser realizado adequadamente, devem ser feitas directivas com esboços de maneira a que os obreiros finais de cada pormenor possam agir com segurança e perfeição.

Daqui deduz-se que desde o artista autor da globalidade da obra até ao mais simples operário, existe uma escala de valores humanos diversificada, o qual precisa de possuir uma formação, preparação, fiável para as funções que terá de desempenhar, com competência e sentido de responsabilidade, a fim de cumprir com a máxima eficiência a parte que lhe cabe na construção da obra.

Isto aplica-se à construção de um palácio, ou de uma catedral, de uma moderna urbanização ou de um paquete de cruzeiros e também à gestão de uma grande empresa ou de um Estado.

Do escalonamento das tarefas e das responsabilidades diferenciadas deduz-se que a preparação e formação dos responsáveis pelos diversos graus de técnica não terá de ser igual mas, sim, adequada à sua função. O ensino no regime anterior tinha uma estrutura dentro de tal espírito, com um ensino médio dividido numa parte mais científica e outra mais dedicada à técnica, com escolas industriais, escolas comerciais e escolas agrícolas. Mas, depois, foi decidido, insensatamente, tornar o ensino todo igual, orientado para a parte científica e desprezando a preparação técnica, e sem flexibilidade para satisfazer alunos especiais com vocações para técnicas diversas. Queixam-se agora de muitas desistências dos estudos, de desmotivação, de fracassos, por serem desprezados e não estimulados os gostos e as vocações dos alunos. Nas tardes de 4ª-feira e aos sábados, havia actividades variadas, da escolha dos alunos, em que se descobriam vocações úteis para a vida posterior. E, agora, quanto a actividades económicas, é referido um desemprego vultuoso de jovens com estudos de grau elevado mas que não têm nem preparação nem vocação nem vontade de encarar tarefas necessárias para empresas com algum tecnicismo ou mesmo com características pouco exigentes. E o desenvolvimento da economia nacional, para bem de todos os portugueses, exige ensino e formação adequada a fim de em cada profissão e escalão haver pessoas com preparação adequada e vontade de realizar as tarefas indispensáveis para haver produtividade e o país poder ter competitividade na economia mundial de forma a poder desenvolver a exportação em nível remunerador.

Infelizmente, além de terem sido extintas as escolas secundárias de carácter técnico, acabaram também na TV as palestras apresentadas por bons técnicos como o Engenheiro Sousa Veloso em problemas agrários, José Megre na manutenção técnica de automóveis, Júlio Isidro no aeromodelismo, etc., etc.

E para cúmulo, em vez de o Estado incentivar os jovens desempregados a aceitarem formação e oferta de trabalho de muitas empresas, está a pensar-se na entrada de imigrantes, sem critério de selecção e com apetência para boas condições de vida superiores às de muitos cidadãos. ■

António João Soares
20 de Novembro de 2018

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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

PORTUGAL ALGEMADO

Portugal algemado
(Publicada no Semanário O DIABO em 20 de Novembro de 2018)

Portugal precisa de governantes com vistas estratégicas à altura, por exemplo, do Infante D. Henrique, Vasco da Gama ou Duarte Pacheco. Mas, em vez de homens de vistas largas e sentido de planeamento como os que fizeram os descobrimentos e deram novos Mundos ao Mundo, temos pequenos e hesitantes surfistas que não se afastam da praia. E, em vez de engenheiros que vêem para lá do horizonte, como os que planearam as estradas A1 e A2 que ligaram o Minho e Trás os Montes ao Algarve ou que criaram obras públicas essenciais para o País, temos apenas calceteiros e pedreiros que não se afastam muito de casa com medo de avançar.

E essa carência não se nota só no poder actual, pois há dias, o líder do partido mais votado nas últimas legislativas disse, com ar ufano e arrogante, que as suas palavras não são como o iogurte que apenas tem uma validade de trinta dias mas, pouco depois, verificou-se realmente que elas não são comparáveis ao iogurte porque, muitas vezes, nem sequer têm validade de trinta horas, a não ser que queira manter as palavras por simples teimosia, sem lógica e racionalidade.

A necessidade de preparar o futuro com vontade de acertar, usando as melhores metodologias de preparação das decisões, exige rapidez porque não se pode perder tempo que é dinheiro e não é recuperável. E vemos, no dia-a-dia, que o tempo é desperdiçado com miudezas secundárias e laterais, esquecendo os assuntos essenciais que, por incompetência, timidez ou cobardia, servem para enganar o povo, tornando ineficazes serviços que deviam merecer alta prioridade para melhor se preparar a qualidade de vida das pessoas, na educação, no ensino, na saúde, na justiça social, na segurança, etc.

Essa incapacidade é assumida ao tentarem evitar comparações com os momentos mais altos da nossa história, atacando os homens mais válidos do passado, há muito falecidos. E foge-se à análise dos assuntos determinantes com «infantilidades» laterais. Por exemplo, o governo fala do envelhecimento da população, da falta de mão de obra e da natalidade, mas toma medidas conducentes a que esta não melhore, antes se agrave, como a legalização de «casamentos» entre pessoas do mesmo sexo que, sendo contra a natureza, nem devia ter esse nome, e são pessoas que recusam a procriação ou a natalidade e preferem a masturbação mútua. Além disso, está a procurar difundir-se, nas crianças a “idiotologia” do género, com ideias que só podem ser consideradas como destinadas à destruição da cultura ocidental ou, mesmo, da antecipação do apocalipse, ou aniquilação total da humanidade. Até uma ministra, recentemente empossada, teve o arrojo de evidenciar a sua anormalidade e de querer adaptar a cultura nacional ao seu gosto, desprezando o gosto nacional pelas melhores tradições e hábitos que vêm do antecedente. A cultura nacional não é coisa que possa manipular-se ao gosto de qualquer tirano, pois foi criada lentamente, acumulando-se com comportamentos das pessoas, ao longo dos tempos. Ora governar é agir em benefício do povo e não forçá-lo para uma via que ele pode não estar interessado em seguir. Para os grandes projectos de desenvolvimento, deve conhecer-se a vontade do povo e não lhe impor nada que o contrarie, como ditam as regras democráticas. Não deve haver muitas hesitações em fazer mudanças mas, para elas serem aceites, devem ser apropriadas e explicadas por forma a obter o consentimento e a colaboração dos seus destinatários, isto dentro dos mais elementares princípios da democracia de que muito se fala mas que poucos parecem conhecer e estar dispostos a aceitar e pôr em prática.

Com a corrente imposta por falsos sábios que se referem à falta de inteligência do povo e a submissão a ela pelos governantes indecisos, Portugal está a ser aguilhoado arriscando a sua sobrevivência.■

António João Soares
13 de Novembro de 2018

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quarta-feira, 14 de novembro de 2018

«FAKE NEWS», COMO EVITÁ-LAS?

Fake news, como evitá-las
(Publicada no Semanário O DIABO em 13 de Novembro de 2018)

Desculpem, mas faço esforços para não me deixar influenciar por notícias falsas, procurando raciocinar sobre cada “idiotologia” que me chega a fim de tentar descobrir o que é verdadeiro e o que devo recusar. Mas, infelizmente, há muita gente, que era suposto assumir a responsabilidade das suas funções, mas deixa-se arrastar por manobras difíceis de aceitar, como se o “politicamente correcto” estivesse a seu lado.

Na terceira semana de Outubro, três perigosos criminosos fugiram, rocambolescamente, do tribunal onde iam ser ouvidos por terem roubado, usando meios violentos, diversos idosos tendo na sua posse quarenta mil euros em notas de 500€. A polícia conseguiu mostrar dedicação e competência, ao conseguir, em menos de 24 horas, proceder à sua recaptura. Mas nos jornais apareceu uma fotografia dos três detidos fotografados sob a guarda da polícia. É certo que a publicação da imagem não correspondeu aos princípios e regras da polícia e logo apareceu uma quantidade de apologistas da moderna “idiotologia” a denegrir a Polícia e a lamentar a falta de respeito pelos criminosos, procurando esquecer que estes desrespeitaram de forma imoral e selvagem as vítimas dos seus roubos, e foram poucas as pessoas que elogiaram os agentes da autoridade pela forma meritória como os detiveram evitando que mais inocentes fossem vítimas das suas acções condenáveis, pelo menos por algum tempo. Os agentes da segurança interna nacional, das pessoas e do património, mostraram que podemos ter esperança na forma como cumprem a sua missão para podermos viver com mais esperança de estar mais seguros.

Mas estamos numa época em que há “especialistas” na destruição de valores éticos, sociais, culturais, históricos, que se agarram a qualquer pormenor que lhes possa servir para amachucar a imagem de instituições que devem ser respeitadas. Neste caso, a Polícia foi o alvo.

Não surpreende tal animosidade contra a Polícia por parte de tais “especialistas”, mas do ministro da Administração Interna esperava-se que fosse dada prioridade ao elogio à rapidez e competência da actuação dos agentes, embora depois dissesse que não ficou bem terem permitido a fotografia. Mas seguiu a linha dos ideólogos do anarquismo e destruidores do sistema cultural e limitou-se a ameaçar os agentes com processos disciplinares e criminais. Será falsa a notícia que refere esta reacção do ministro? Afinal, quem merece mais respeito, os bandidos ou os agentes da autoridade?

Em fins de Outubro, quando se discutia no Parlamento o OE para 2019, uma deputada procedia cuidadosamente à pintura das unhas, o que foi fotografado e publicado em jornais, como falta de dignidade e de respeito ao local e ao momento. Já foram vistos deputados a dormir, ou entretidos com os seus computadores a verem coisas divertidas. E já foi publicado que deputados registam a presença e saem para a sua vida privada na empresa em que trabalham. Serão notícias falsas?

E as que se referem a deputados que vivem em Lisboa e declaram a residência fiscal num local o mais afastado possível da capital a fim de terem direito a mais alto subsídio de deslocamento? E as que se referem a deputados das ilhas que atestam muitas viagens à terra, sem saírem de Lisboa? Serão notícias falsas?

E a candidata a líder da JotaS com problemas na sua declaração de graduação académica e com muitos milhares de euros recebidos de autarquias do partido por “serviços” nelas prestados? Serão notícias falsas? ■

António João Soares
6 de Novembro de 2018

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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

A TECNOLOGIA ESCRAVIZA

A tecnologia escraviza
(Publicada no Semanário O DIABO em 06 de Novembro de 2018)

Os séculos passaram, o conhecimento aprofundou-se, as tecnologias permitem melhorar o nível da civilização, mas a maioria das pessoas está cada vez mais dependente de ideias tóxicas, que alguns pseudo-intelectuais distribuem, sem cerimónia, a todos os que têm acesso à comunicação social e redes electrónicas. E isto não se passa apenas com o povinho menos esclarecido, pois há governantes e doutores a evidenciarem sintomas e indícios de tal toxicidade.

Há dias foi a encenação de Tancos que serviu para expandir o tóxico de que o Exército embarcou numa manobra de apagamento da sua imagem de dignidade que parecia bem consolidada. Depois, veio a aversão à PSP que tem sido duramente vilipendiada devido a uma fotografia de três criminosos fugidos do tribunal em que iam ser ouvidos e que, num prazo curto foram recapturados por agentes daquela força de segurança que tem por missão a defesa de todos os cidadãos. A rapidez da recaptura devia ter sido motivo de elogio da competência e do espírito de missão que evitaram que os criminosos fossem fazer mais atropelos contra a segurança das pessoas, como tinham feito antes. Poucas pessoas se manifestaram com apreço. Houve alguém que lançou uma campanha de acusação à fotografia porque ela era crime contra o direito de privacidade dos criminosos que têm mostrado não respeitar qualquer direito das suas vítimas. E nisso embarcou muita gente de mente atrofiada, vítima da toxicidade difundida pelos fanáticos da ideologia anti-social que pretende demolir todos os valores da Humanidade. Até o Ministro da Administração Interna, em vez de elogiar a rapidez e eficiência dos seus agentes policiais, embarcou na campanha demolidora do respeito que eles devem merecer da Nação, reduzindo o seu discurso à fotografia que não devia ter sido vista nos jornais.

Critica-se o PM por ter aceite o pedido de demissão de um ministro de quem se disse que concordou com a encenação dos acontecimentos atribuídos a militares no caso Tancos e, antes, houve quem o aplaudisse por manter o MDN e o CEM dizendo que mereciam a sua confiança, mas logo se iniciaram campanhas demolidoras contra estas entidades, dizendo que a decisão pecou por tardia. Ele acabou por encarar a realidade com coragem, ultrapassando possíveis inconvenientes eleitorais e tomar a decisão lógica, certamente convicto de que “errar é humano” e “vale mais tarde do que nunca” e aceitar os pedidos de demissão e fazer a escolha de substitutos. Teimar na protecção de amigalhaços é positivo mas não deve ser demasiado nem incondicional.

A tecnologia sujeita o ser humano e regras e condições impostas pelo uso da máquina mas, quando usada na comunicação, ela presta-se a violência psíquica de domínio de multidões, com a agravante de estas, subjugadas a forças insistentes e poderosas, se transformarem em cordeiros obedientes que se deixam arrastar para situações dramáticas, como explica a juíza brasileira Andrea Barcelos no vídeo que explica a ideologia do género e a cultura da morte e deixa visualizar os primeiros passos para um apocalipse, mais moderno do que o profetizado na Bíblia.

No Brasil as eleições presidenciais mostraram a força de tal ideologia. Na primeira volta, um candidato mostrou ter muita aceitação por defender a ordem, a segurança, o respeito pela dignidade das pessoas, a legalidade para terminar com a série de abusos que permitiram a uma minoria explorar impiedosamente a maioria. Mas o seu opositor pôs em marcha uma estratégia, não com a ostentação das suas capacidades e intenções, mas com a demolição da imagem do rival, pintando-o como ditador, autoritário, fascista, etc., ocultando que a alternativa seria a continuação dos erros recentes, a instabilidade social, a violência, a insegurança e os atropelos à dignidade das pessoas.

Com a liberdade dada a tais procedimentos o futuro seria muito problemático. ■

António João Soares
06-11-2018

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sábado, 3 de novembro de 2018

GOVERNAR É ZELAR PELAS PESSOAS E PELO TERRITÓRIO

Governar é zelar pelas pessoas e pelo território
(Publicada no Semanário O DIABO em 30 de Outubro de 2018)

Governar consiste num esforço intenso e persistente orientado para melhorar a qualidade de vida da população, como em tempos se dizia, “tudo a bem da Nação”. Para o bom desempenho de tão importante missão, cada decisão deve ser precedida por adequado estudo, seguindo uma metodologia semelhante à que ficou explicada no texto “preparar a decisão” publicado aqui, em 27-9-2016.

Para isso, há que evitar falsos videntes ou profetas evangélicos que estejam mais interessados em demolir tudo o que existe, sem terem uma visão realista, clara do futuro que é pretendido. A teoria de tais “sábios” é arrasar tudo e “depois se verá”. Mas as mudanças não podem ser feitas por impulso, às cegas.

A missão de governar é muitas vezes parecida com a marcha a corta mato em terreno acidentado, em que é essencial evitar precipícios e outros obstáculos, como o que emerge de algumas faculdades em que se procuram professores e educadores, eivados de vícios doutrinários semelhantes aos que já foram relegados pela Rússia, pela China, por Cuba e outros Estados e que estão a dar péssimo resultado na Venezuela e noutros países governados por míopes que não conseguem vislumbrar nem imaginar, com algum pormenor o futuro a que estão a abrir as portas. É certo que o passado não deve ser copiado e tornado presente e futuro, porque “parar é morrer”, mas dele devem aproveitar-se os lados bons e tirar conclusões, mesmo dos erros acontecidos, para se criar uma sociedade nova e saudável, perante os condicionamentos actuais e previsíveis. É imperioso que se procure evitar que a democracia continue a degenerar e a degradar-se com tendências trágicas geradoras de corrupção e pobreza insuportável, aspectos em que Portugal parece estar a aproximar-se do fim da escala de valores ou a caminho de um fim apocalíptico. Para evitar percursos trágicos, devem seguir-se exemplos de alguns nossos parceiros na EU, como República Checa, Eslovénia, Eslováquia, repúblicas bálticas, Croácia, Hungria, Polónia, etc.

Para reduzir a pobreza e aumentar o crescimento, o desemprego deve ser diminuído de forma bem ponderada, começando por mentalizar os jovens com o velho ditado “só manduca quem trabuca”, ensinar o essencial para um trabalho produtivo, através de formação profissional e apoio a vocações reveladas. A produtividade deve ser incentivada e, em conformidade com os lucros da empresa, ser recompensada com proporcional aditamento ao salário. Porque o aumento dos lucros não se deve totalmente aos administradores mas, em grande parte, ao esforço dos trabalhadores mais dedicados e produtivos.

Os governantes devem dar o exemplo da sua dedicação aos melhoramentos da vida nacional, concretamente dos cidadãos, com mais eficientes serviços públicos de saúde, educação, segurança pública, justiça e devem evitar fazer promessas que, se não forem concretizadas, descredibilizam e afastam o respeito e apreço que devem merecer aos cidadãos. Numa conversa relacionada com o Orçamento do Estado, foi referido que há repetição de promessas já feitas em anos anteriores, o que evidencia que não foram cumpridas e retiram credibilidade a quem as fez e a quem tem o desplante de as repetir.

Depois de esboçar este texto soube que, no dia 20, houve uma festa de recriação histórica da batalha do Forte de Alqueidão, em Sobral de Monte Agraço contra os franceses da terceira invasão, como justa homenagem à resistência do povo português e elogio da estratégia militar, por nesse dia de 1809, Lord Wellington ter entregue ao coronel Fletcher um memorando em que explicava a estrutura das linhas de Torres Vedras, como linha avançada para a defesa afastada de Lisboa. Boa lição de planear com vistas largas à distância de espaço e tempo. ■

António João Soares
23 de Outubro de 2018

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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

RESPEITAR ANIMAIS MAS PRIORIDADE ÀS PESSOAS

Respeitar os animais mas dar prioridade às pessoas
(Publicada no Semanário O DIABO em 23 de Outubro de 2018)

Amoral, a ética, o civismo, exigem que se respeite os outros da forma que se deseja ser respeitado. O desenvolvimento da sensibilidade ecológica tem sugerido respeito pelos animais e pela Natureza em geral que, de certa forma, se devem integrar no conceito de “outros”.

Porém, topamos, com indesejável frequência, excessos de zelo em relação aos animais ditos irracionais, em oposição com o desleixo na apreciação dos direitos das pessoas. A lei condena violências contra animais, carências de tratamento veterinário e abate, o que é aplaudido pelas pessoas que gostam de animais e os tratam como se fossem pessoas de família. Mas, pelo contrário, há defensores acérrimos da eutanásia que ficaram irados por esta não ter sido autorizada (foi rejeitada no Parlamento em 29-5-2018), e há ausência de apoio concreto a muitas pessoas idosas, crianças ou fragilizadas em diversos aspectos. Há falta de moral e ética e de condenação dissuasora, para evitar a violência doméstica e a quantidade de crimes de homicídio, ultimamente tão frequentes. Há deficiente funcionamento da saúde, da segurança pública, da segurança social, da Justiça, etc.

Em defesa das pessoas devia haver um conjunto de acções que contribuam para reduzir os acidentes rodoviários que tantas mortes e ferimentos têm causado, deixando famílias sufocadas com sofrimento. A GNR, através do controlo de velocidade e de grau de alcoolemia, cumpre uma missão importante, mas não pode eliminar os perigos que a realidade evidencia. É indispensável que se esclareça a população para usar de sensatez e precaução a fim de evitar tais tragédias. A consciência da moral e da ética social é fundamental, para o respeito pela vida do próprio condutor, dos familiares e amigos que o acompanham e dos outros utilizadores da estrada.

O excesso de velocidade, quando usado com consciência e sensatez, só por si, não provoca acidente. Mas quando falha a sensatez e há uma quebra de atenção, mesmo que rápida, à condução, ao movimento na estrada, às curvas, ao estado do piso, pode ser fatal para os ocupantes da viatura ou para outros utentes da estrada. Uma pequena distracção com o programa de rádio, o telemóvel, a conversa dos companheiros, ou com o que se vê para lá da berma, pode ser causador de acidente.

Para garantir mais segurança e menos acidentes, é preciso “educar” as pessoas que conduzem e as que as acompanhem, isto é, toda a população. Isso tem que ser levado a efeito pelas escolas primárias, pelos diversos graus de ensino, por conselhos difundidos pelas Forças de Segurança, pelas seguradoras, por todas as instituições que contactam pessoas, como religiões, clubes desportivos e outros, organismos culturais, comunicação social, etc.

Trata-se de um problema social, humano e, por isso, cada um de nós deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para reduzir esse perigo que ameaça a todos. Ao escrever isto estou a cumprir esse dever e desejo que cada um dos leitores me imite por todos os meios ao seu alcance. O Governo e serviços públicos têm o dever de respeitar os direitos dos seres humanos que vivem na sua dependência, tal como se preocupam com a redução dos fogos florestais, com medidas preventivas adequadas.

E, dentro do tema desta reflexão, a prevenção de incêndios defende também os animais que vivem e se alimentam de produtos da floresta, além das pessoas e dos seus haveres. Para ela ser eficaz, exige iniciativas do Governo das Autarquias, e de empresas locais em divulgação de conselhos aos residentes e de acções adequadas e bem orientadas.

E nestes assuntos de respeito por pessoas e pela Natureza, como em tudo mais, deve ter-se cuidado com os processos de decisão que devem ser sustentados em avaliações económicas, financeiras e de ordenamento do território. ■

António João Soares
16 de Outubro de 2018

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terça-feira, 16 de outubro de 2018

ALERGIA AOS MILITARES

Alergia aos militares
(Publicada no Semanário O DIABO em 16 de Outubro de 2018)

Há notícias públicas de que o Hospital das Forças Armadas sofre degradação das instalações, de várias carências sendo, agora, as mais indesejáveis relacionadas com o sistema de água quente e com o funcionamento da cozinha. O hospital deve obedecer a normas legais, mas não tem condições para tal, estando em incumprimento. Já em Julho de 2016 foi transmitida ao Presidente da República, em visita que ali fez, a necessidade de obras diversas, para o que deviam ser libertas verbas cativas. As diabólicas cativações! Isto vem juntar-se às carências das Forças Armadas quanto a equipamentos militares, desde a espingarda automática a armas pesadas e viaturas de combate.

A ausência de preocupação de órgãos do Governo não admira, ao ver o desprezo tido para com os militares bem visível no desrespeito pela dignidade e alto significado das guardas de honra. Há tempos, o Ministro da Defesa passou revista a uma GH sem gravata, com a camisa desabotoada e, mais recentemente o PM repetiu esse desacato na chegada a Luanda, tendo passado revista a uma Guarda de Honra, sem gravata, camisa desapertada, calças de ganga e mocassins, ao lado de um governante local dignamente apresentado. E estas ‘gaffes’ protocolares foram cometidas perante militares que, como é regulamentar, estavam rigorosamente uniformizados, formados disciplinadamente, fazendo o manejo de arma regulamentar, com postura correcta, compenetrados do momento cerimonioso.

Li, há tempos, que os políticos detestam os militares, tal como uma dona de casa desprovida de beleza evita contratar uma empregada com formosura, a fim de, quando juntas, não se sujeitar a comparações que lhe sejam desfavoráveis.

Essa imagem parece real ao vermos as atitudes reincidentes dos políticos. Conta-se que o CEME, na sequência da polémica acerca de problemas com alunos do Colégio Militar, pensou pedir a demissão do cargo e que repetiu essa disposição, quando da confusão do roubo de material de guerra em Tancos e, mais recentemente, do problema da demissão do comandante do Regimento de Comandos. Mas a sua disponibilidade para aceitar a sua substituição foi rejeitada pelo PM, que gostou de continuar com a sua colaboração por ser um general progressista!

Nisto recordamos uma frase antiga mas adaptada à realidade nacional actual: “se os não puderes vencer, junta-os a ti” E, assim, as Forças Armadas estão a ser progressivamente destituídas do prestígio e da aura de que sempre usufruíram desde o tempo do Condestável Nuno Álvares Pereira, e a transformar-se numa coisa desprezível e incómoda sem independência para a sua organização, disciplina e justiça, com generais promovidos por critérios políticos, em vez de o serem por decisão do Conselho Superior do Ramo, bem como a escolha para funções de responsabilidade, com base na confiança política em vez do critério de valor militar.

E, desta forma, as Forças Armadas, em vez da sua ética patriótica de defender Portugal, acima de tudo, mesmo com sacrifício da própria vida, seguem uma tendência degradante de se sujeitar ao “politicamente correcto”. Com governos eivados de tais preconceitos, Portugal não pode ir longe e não pode esperar eficiência de umas Forças Armadas sem dedicação total da parte do seu pessoal, por ele se sentir desprezado pelos governantes.

E, apesar deste desmazelo e degradação nacional, ouvem-se repetidamente os despropositados slogans do PR “nós somos os melhores do mundo”. Das primeiras vezes em que este apelo à valorização dos portugueses foi pronunciado talvez tenha tido algum efeito mas, agora, dá para rir e esquecer. A fase em que estamos da degradação nacional já não se atenua com palavras, sendo indispensáveis acções bem preparadas e reformas estruturais bem estudadas e aplicadas com rigor. ■

António João Soares
9 de Outubro de 2018

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terça-feira, 9 de outubro de 2018

PRAXE ACADÉMICA

Praxe civilizada
(Publicada no Semanário O DIABO em 9 de Outubro de 2018)

Têm surgido notícias pouco agradáveis da praxe académica em Coimbra e em Évora em que os caloiros são menosprezados, talvez como vingança das praxes sofridas em anos anteriores, pelos seus colegas mais antigos. E assim, com esta mentalidade de retaliação, se mantém a degradação da imagem dos homens e mulheres de amanhã, alguns destinados a cargos em que devem tornar-se merecedores de respeito e admiração da generalidade da população.

Por outro lado, em Coimbra aparece uma ideia de usar a praxe para melhorar a adaptação e inserção dos caloiros. Essa evolução tornará a praxe útil para incentivar os caloiros a um relacionamento saudável e construtivo com os colegas mais experientes, com vista a serem melhores utilizadores das bibliotecas e arquivos, por forma a tornarem-se melhores alunos e posteriores investigadores, cientistas e professores, enriquecedores dos valores culturais nacionais. E, ao mesmo tempo, aprenderem a cultivar a solidariedade para com os outros, porque a felicidade de cada um de nós depende, em grande parte, daquela que ajudarmos a criar nos outros, à nossa volta.

Nas condições tradicionais, a praxe não ajuda ninguém e apenas contribui para que no próximo ano seja ainda mais degradada e geradora de ódios e outros sentimentos rejeitáveis, e para gerar técnicos com deficiente preparação humanista e de convivência.

A propósito da preparação dos jovens oriundos da Universidade, recordo um caso que, há alguns anos, me chocou, quando eu ainda perdia tempo a ver TV. Um programa, com intenções culturais, constava de colocar uma pergunta ao candidato previamente inscrito que ansiava ganhar o prémio anunciado. Neste caso, o candidato era uma jovem que se descreveu como finalista de Direito que desejava fazer o doutoramento e vir a ser catedrática. Com esta definição, à partida, esperava-se que a sua cabeça, bem recheada de sabedoria, lhe garantisse o prémio que desejava. A pergunta era “qual é o rio que passa pela cidade de Leiria, Tejo, Lis ou Ave?”. O conteúdo do seu cérebro teve oportunidade para brilhar, até porque o assunto estava ao alcance de qualquer miúdo com a instrução primária em que se aprendiam os rios de Portugal, os seus afluentes e o seu curso desde a nascente à foz. A candidata hesitou e timidamente optou pelo Tejo. O apresentador do programa tentou ajudar e, entre outras coisas, disse que o Tejo passa por Santarém e Lisboa e, ao ver que ela continuava distante da resposta certa, perguntou se alguma vez tinha ido a Leiria, ao que ela respondeu que tinha passado por lá, provavelmente pela auto-estrada. Depois de outras tentativas de ajuda, ela confirmou a resposta definitiva: Tejo.

Contra esta descuidada preparação da juventude, de onde sairão as pessoas de amanhã de quem o Estado espera as mais correctas acções, úteis e oportunas, para o máximo desenvolvimento económico, social e cultural, pergunta-se quais são as medidas previstas pelo Governo através do Ministério da Educação? Se nada for deito, de forma eficaz, o futuro dos cidadãos fica condenado à mais dramática degradação.

Uma sugestão para valorizar a praxe. O praxador, com base num trabalho que está a fazer ou que deseja vir a fazer, apresenta ao caloiro uma pergunta e exige que a resposta contenha referência das fontes consultadas. Isto pode vir a ser útil ao autor da pergunta, mas é, de certeza útil ao caloiro porque experimenta consultar as fontes adequadas, como enciclopédias, internet, etc. O praxador pode também servir-se de temas culturais diversos exigindo respostas imediatas ou alguma investigação. Deixo aqui esta ideia que seria conveniente para servir de estímulo a outras formas de fazer praxe com utilidade para o arranque da formação académica do caloiro que inicia uma vida nova. ■

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