No Jornal de Negócios, encontrei textos que definem um cenário optimista em 2023 originado pelas lições aprendidas com a experiência da crise crise que estamos vivendo. Isto faz pensar no livro 1984 de George Orwell, com a diferença de que este pintava um quadro pessimista e ficou aquém da realidade advinda. Seria óptimo que 2023 ultrapassasse as previsões em optimismo. Os tópicos de Isabel Jonet, presidente da Entreajuda e do Banco Alimentar coincidem na sua essência com escritos já aqui publicados em diversos posts.
Com a devida vénia, vou servir-me de palavras da autora de em 2023 viveremos melhor com menos, regressando à essência para que sirvam de «mandamentos» para melhorar os comportamentos que conduzam ao cenário edénico por ela desenhado para daqui a 10 anos. Esse cenário só poderá ser realidade se nos convencermos dos caminhos a trilhar para nosso bem e dos nossos filhos e netos.
Eis os ensinamentos e sugestões:
Na vida temos que saber separar o essencial daquilo que é secundário, desnecessário supérfluo, isto é aprender a viver com o possível e essencial e procurar valorizar a ética;
A experiência enrique-se com a aprendizagem e as ilações que possamos e consigamos elaborar e retirar de cada um dos momentos vividos, dos melhores e dos piores.
Isso nos permite ter uma melhor qualidade de vida no futuro, sem doentio apego a coisas sem real importância. Valorizar o SER acima do TER.
Com tal aprendizagem conseguiremos ultrapassar os momentos mais difíceis e criar melhores oportunidades de vida, com uma gestão mais racional de poucos recursos e o desprendimento em relação aquilo que não é essencial.
O que é secundário, os sinais de riqueza, de ostentação, o esbanjamento, impedem muitas vezes de valorizarmos aquilo que é fundamental, os valores éticos e a simplicidade. O apego às coisas materiais não essenciais absorve tempo e energias que fazem falta para construção da verdadeira felicidade.
Para bem da sociedade, todos e cada um de nós, uns mais responsáveis do que outros, com maior ou menor capacidade de intervenção, enquanto decisores ou meros agentes económicos ou políticos, mas todos imbuídos do mesmo dever cívico, devemos procurar ser capazes de apresentar e de propor soluções que permitam preparar um futuro em que seja menos provável o aparecimento de crises devidas à hipervalorização das condições financeiras e materiais.
Com a boa gestão de recursos materiais, a Redução de desperdícios, a sua Reutilização, Reparação e Reciclagem, a gestão individual, familiar e empresarial será mais económica e reduz-se a hipótese de carência de recursos.
É provável que surja escassez de recursos mas será bom que eles tenham uma repartição mais justa e equitativa para deles fazermos uma melhor utilização com um critério são de valorização do que é essencial e secundarizando o que é supérfluo, dispensável, não essencial. Assim, com menos, somos capazes de fazer mais e melhor. E,, depois do sacrifício de cada crise, podemos reflectir naquilo que vínhamos fazendo errado e na forma de rectificarmos o comportamento. Podemos, assim, lançar novas bases para uma sociedade em que se transmita aos vindouros o saber adquirido pela experiência e criar uma civilização sustentável.
O regresso à essência das coisas permite deixar aos descendentes uma herança menos pesada e hábitos mais racionais.
Estas reflexões e o hábito de pensar antes de agir permitirá uma nova reestruturação e um novo desenvolvimento das economias, contribuindo para recuperar confiança e tornar mais rigoroso o acesso ao crédito, na medida absolutamente indispensável e devidamente controlada, crucial para criar emprego e gerar crescimento conveniente, sem obsessão.
Com a indispensável intervenção do Estado reeducam-se comportamentos cívicos e de sobriedade na forma de viver em sociedade e nas opções pessoais. Assim se recuperam valores que são pedra basilar de todas as sociedades, se humanizam as interacções e se coloca o Homem no centro das decisões.
O civismo, assim fortalecido, pressuposto fundamental da sociedade ou da humanidade, levará à definição de um objectivo comum, que funcionará como mola impulsionadora e mobilizadora de toda a colectividade, o que, numa lógica de bem comum, reinventa a solidariedade, recupera a noção da responsabilidade colectiva, fomentando a certeza de que os nossos actos individuais são importantes, determinantes, para o bem-estar social, colectivo, global, fazendo interiorizar que existem direitos e deveres que não podem ser menosprezados.
Enfim, é imprescindível um regresso ao essencial, um despojamento de tudo aquilo que tem invadido as nossas vidas, sem lhes acrescentar qualquer valor efectivo. Paralelamente ao esforço individual e aos benefícios daí advenientes, será promovido o desenvolvimento e a redução das desigualdades a nível social e mundial.
Eis alguns títulos de posts já aqui publicados abordando estes ideais:
Pensar antes de decidir
http://domirante.blogspot.pt/2008/12/pensar-antes-de-decidir.html
- Simplicidade de vida e justiça social
- Dinheiro não é o essencial
- Dinheiro não dá felicidade
- Mark Boyle: Há um ano sem dinheiro
- Lição de vida dada por um Tuareg
- Dispensar excessos, consumismo e ostentação
- O Homem sensato e a Avestruz
- Simplicidade de vida e justiça social
- A Simplicidade é louvável
- Simplicidade na vida
- Viver sem dinheiro, de trocas
- Obras faraónicas para ostentação
- PM Holandês usa bicicleta
- Marques Mendes persiste e insiste
- Gestão moderna é o inferno
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sexta-feira, 28 de junho de 2013
VALORES ÉTICOS, SIMPLICIDADE E FELICIDADE
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A. João Soares
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Etiquetas: essencial, felicidade, moral, ser, simplicidade, supérfluo, valores éticos
domingo, 16 de outubro de 2011
Não governam para o povo
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A. João Soares
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Etiquetas: governar, valores éticos
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Responsabilidade democrática !!!
Efectivamente, a vida prática nem sempre se orienta pelos sãos princípios que serviram de apoio ao homem na senda do progresso desde a era da pedra lascada até ao século XXI. Hoje estamos em recessão financeira e moral, devido ao esquecimento de normas de conduta essenciais. Mas se a ignorância de valores sociais e éticos por parte dos assaltantes de ourivesarias e de outros marginais pode não surpreender muito, o mesmo não deve ser tolerado àqueles em quem o povo, detentor da soberania democrática, delegou poderes para governarem os interesses do País, dos seus habitantes.
Um delegado, um representante, sério deve manter o seu representado a par dos problemas existentes, das soluções adoptadas e dos resultados obtidos com a aplicação das medidas postas em prática. Para isso está instituído como dever da AR fiscalizar a actividade do Governo.
É, por isso, estranho que o Governo esteja a criar tantas dificuldades para tornar públicas as contas públicas e declarar o valor do défice. Isso gera dúvidas preocupantes que a ausência de informação credível amplia perigosamente. O que se passará dentro dos gabinetes governamentais e nos serviços públicos que tutela? No tempo do «Magalhães» em que tudo é fácil e rápido de computar, contabilizar, resumir e concluir, e havendo tantas centenas de doutos assessores pagos como craques de futebol, e tantos contratos de estudos e pareceres a gabinetes de profissionais amigos de confiança, como se poderá compreender tal dificuldade? O que existirá de tão tenebroso que tenha de ser ocultado de olhos indiscretos? E em democracia haverá olhos que possam ser considerados indiscretos? Onde está a tão falada transparência democrática?
Perante esta ocultação de dados, da forma como desempenham as funções que lhes foram confiadas, com que cara se apresentam a pedir votos à população que estão a desconsiderar e desrespeitar?
E não deixa de ter significado o facto de a oposição estar a usar o caso como munição de combate interpartidário, sem dar muita relevância aos fundamentos da Democracia e aos interesses das pessoas de quem esperam receber o voto no próximo acto eleitoral.
Haja verdade, franqueza, sinceridade, para se tornarem merecedores dos nossos votos, se é que se consideram competentes e eficientes para os merecerem.
Para os mais curiosos e desejosos de pormenores eis links de alguns artigos recentes da Comunicação Social.
PS rejeita avaliação extraordinária do défice público
Défice do Estado quase duplicou no espaço de um mês
Ministro garante que não há descontrolo das contas públicas
BE diz que o défice vai ficar muito acima do previsto
PSD quer saber “cálculo real do défice”
PS e oposição no braço-de-ferro das contas públicas
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A. João Soares
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14:46
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Etiquetas: Democracia, transparência, valores éticos
