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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Três casos de auto-punição

Por vezes ouve-se que os casos de auto-punição traduzem grandeza de carácter e de dignidade, mas teria mais valor a continuidade de um comportamento correcto com dignidade e honradez que evitasse crimes ou infracções.

Agora quase em simultâneo vieram a público três casos de auto-punição:

-O Presidente alemão, Christian Wulff, acaba de apresentar a demissão do cargo, por causa do seu envolvimento num alegado caso de corrupção.

-O suspeito do triplo homicídio de Beja (homicídios da mulher, da filha e da neta) foi encontrado morto na cela do Estabelecimento Prisional de Lisboa, nesta sexta-feira, por se ter enforcado com os lençóis da cama.

- O ministro da Cultura grego Pavlos Geroulanos apresentou a demissão, na sequência do assalto por dois homens armados ao museu da antiga cidade de Olímpia, roubando mais de 60 objectos antigos e arqueológicos de valor incalculável. O museu com património artístico e arqueológico de alto valor tinha apenas uma vigilante.

Isto trouxe á memória dois casos passados no Oriente:

- Em Maio de 2007, o ministro japonês da Agricultura, Toshikatsu Matsuoka, enforcou-se no seu apartamento de Tóquio, após ter sido envolvido num escândalo financeiro.
- Em Junho de 2011, o ex-ministro sul-coreano da Agricultura e presidente da Universidade de Sunchon National, Lim Sang-gyu, investigado num caso de corrupção foi encontrado morto, no interior de um carro, em Seul.

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Combatentes por Portugal


Transcrição tal como foi recebido por e-mail

Reencaminho, com todo o gosto.
(Desconheço o autor)

HOMENS E BESTAS

O Presidente da República, em atitude inédita entre os seus pares, resolveu comparecer numa cerimónia de homenagem aos combatentes do Ultramar, louvando-os e dignificando-os enquanto soldados de Portugal.

Eanes, “o capitão de Abril”, tinha um certo pudor em relação a este tipo de coisas.
Soares, o demagogo, contemplava-as com falsa “tolerância”.
Sampaio, o rasca, tinha-lhes um pó de morte.

O Estado Português ignorou os combatentes, isto quando não lançou o seu anátema contra a geração que sacrificou boa parte da sua juventude a uma guerra que “os ventos da história” condenavam, mas que quinhentos anos de História largamente justificariam.

A “geração de África” foi abandonada a si própria, renascendo de vez em quando nos nossos dias tão só para alimentar as lamúrias e a caça ao subsídio dos patrões de uma “solidariedade” que nada tem a ver com a sua honra nem com o seu sacrifício.

De resto, nada. Ao contrário do que se passa em países civilizados que nos são próximos - Reino Unido e França, por exemplo - em que os combatentes, qual seja a razão ou o resultado das guerras que travaram, merecem reconhecimento, glorificação e compensação moral, quando não de outra natureza, Portugal riscou os combatentes da sua história recente, quando não os acusou de males de que jamais foram culpados.

As guerras do Ultramar perderam razão de ser com o tempo? É possível. O poder político instalado não soube solucionar os problemas com patriótico pragmatismo? Sem dúvida. Que tem isto a ver com a geração que combateu? Nada.

O que fez o politicamente correcto de tais guerras e de tais combatentes?

Um massacre, de contornos duvidosos, propagandeado à exaustão para demonstrar a “crueldade”, a “brutalidade” e a “estupidez” dos soldados portugueses, foi o que conseguiram arranjar para os condenar, depois de vasculhados treze anos de guerra.

O arrastar na lama do “colonialismo português”, ou seja, a santificação das hordas que o quiseram destruir, condenando à miséria, à fome e à doença milhões de indefesos seres humanos, sacrificados à ganância, à fome de poder e de dinheiro de hordas de bandidos, seus “legítimos representantes”, foi o que fabricou sem escrúpulo nem respeito pela verdade.

A mais incrível manipulação da História em favor da ideologia e do oportunismo político, foi o que resultou do politicamente correcto à portuguesa. Mais nada.

Por isso que, das alfurjas onde o ignóbil se junta à desonestidade, surgem a banditagem rasca dos “donos” de verdades que desconhecem e que têm a ver com o que propositadamente ignoram: a dignidade.

O senhor Louçã (Pedro Lomba chama-lhe Danton - melhor diria Robespierre) veio à liça dizer que o PR cometeu “um nada responsável exercício de reescrita da história”. A besta defende que os “jovens de hoje não têm nenhum exemplo a recuperar de quem foi para a guerra”.

Isto é, a besta mistura as suas apreciações políticas sobre a tal guerra com o valor, a dignidade, o sacrifício e a humanidade dos que a travaram. Para a besta, se a guerra era mal movida, os que nela entraram em vez de desertar, eram tão maus como ela. Mais não vale a pena dizer.

Outra besta insiste, no “Público”, na crítica ao Presidente, que, com o seu “apelo aos jovens”, dividiu os portugueses.

Como se eles não estivessem já divididos entre homens e bestas.

Imagem do Google

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sábado, 27 de novembro de 2010

Governante honrado e descontente

Quando, em análises gerais e abstractas, se atribuem vícios e erros aos políticos, de forma abrangente, nunca devemos esquecer de que há excepções, como em toda a regra. Temos que admitir que existem políticos que são homens com sentido de Estado e que não cedem a irregularidades no respeitante aos deveres da POLÍTICA com maiúsculas e, quando evidenciam as suas qualidades positivas, devem ser destacados e elogiados, pelo exemplo de dignidade que representam.

Vem hoje no Público a notícia de que João Correia Secretário de Estado da Justiça demitiu-se por identificar uma “cultura contra a Justiça” e refere-se a entrevista dada pelo próprio ao jornal «I»em que afirma sair porque o objectivo central, quer do convite quer da sua permanência no Governo, era contribuir para as reformas, nesta fase delicada da administração da Justiça em Portugal, que lhe foi entregue a missão de concretizar a reforma do mapa judiciário, fazer a reforma do processo civil, do processo penal, da lei da arbitragem. E que, além do mandato que recebeu, inovou também ao nível dos tribunais da concorrência, regulação e supervisão e tribunal da propriedade intelectual, para além das normais miudezas de qualquer ministério, que resultavam da tutela da direcção-geral da administração da justiça, da reinserção social, do instituto de medicina legal, da comissão para a protecção às vítimas de crimes violentos.

Deve salientar-se que, apesar de ter formalizado o pedido de demissão no dia 22 de Novembro, teve o cuidado de, por razões de fidelidade, coerência e respeito pelo Governo, isso não ser publicitado até que fosse votado o Orçamento, para não criar ruído, para isso não poder ser aproveitado como um factor de enfraquecimento da política do Governo no seu todo.

João Correia evidencia, desta forma, elevado teor ético, sentido de missão, da honra, da dignidade, do dever. Um governante exemplar deve colocar o Estado, o Portugal de todos os portugueses, acima das tricas partidárias, acima das pressões que têm levado à impunidade dos políticos.

Como cidadão português, presto a minha homenagem a este exemplo de bom português que não se vende por mordomias ou por tachos dourados.

Imagem do Público.

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terça-feira, 22 de junho de 2010

Família dos combatentes

Sentimentos de viúva e de neta de um herói, nas «Comemorações do 18ª Encontro Nacional de Combatentes» em Belém

Palavras da senhora D. Maria do Carmo Oliveira e Carmo, viúva do Cte. Jorge Oliveira e Carmo

Esta foi a narrativa breve de um acto de sacrifício e coragem de um português que morreu, conscientemente, pelos seus valores.

Um homem que, além de fiel aos valores transcendentes que justificam desde tempos imemoriais “morrer pela pátria”, era também filho, pai e marido.

É nesta perspectiva que quero aqui, com a memória da minha história, dirigir-me às Famílias, sobretudo às Mães e Mulheres que, como eu, vêem a vida bruscamente, brutal e definitivamente mudada.

Somos as mulheres e as famílias, dos que escolhem o ofício de servir o país pelas armas; as que temos que viver uma angústia diária, silenciosa e discreta quando eles partem para missões de risco. Eles contam connosco, pensam em nós, e também servem por nós.

Foi o exemplo de fidelidade e coerência aos valores espirituais, vividos até ao limite da vida a grande Herança que a nossa família aqui presente recebeu de um desses homens.

Esta é a nossa herança: crença nos valores espirituais, difícil e duradoura experiência, partilha tranquila de um sacrifício muito nosso e muito rico.

Uma herança que só faz sentido porque são os valores espirituais que fazem a diferença e a dignidade dos homens; e, porque acreditamos no futuro destes valores, sabemos que feitos como o do Jorge Oliveira e Carmo orgulham todos os portugueses, e já fazem parte das páginas que honram a História de Portugal.

E é esta herança que queremos – a minha Família e eu aqui presentes – oferecer hoje à Nação, neste dia de Portugal, partilhando-a com todos os nossos compatriotas, especialmente com todas as Mulheres Portuguesas.

Que Deus nos abençoe a todos.

10 de Junho de 2010


Mensagem lida por uma neta de doze anos do Cte. Jorge Oliveira e Carmo durante a missa por intenção de Portugal e de sufrágio pelos que morreram ao Serviço da Pátria, celebrada na Igreja de Sta. Maria de Belém, nos Jerónimos, em 10 de Junho de 2010.

“Não conheci o meu avô, mas sei o quão fantástico ele era.

Sei que ao ir para a guerra só estava a pensar no seu país. E também sei que, mesmo não estando vivo, nunca será esquecido.

Sim, eu não conheci o meu avô, mas conheço a minha avó e admiro-a muito, pois é difícil ir para a guerra e combater por aquilo que se ama, mas ainda é mais difícil ficar cá enquanto alguém que nós amamos do fundo do coração partiu para lutar pelo seu país.

Pelo seu acto de coragem o meu avô trouxe lágrimas aos olhos de muitos portugueses. E, claro, também aos meus.

Obviamente ficámos todos tristes com a morte de Jorge Oliveira e Carmo, mas sempre que ouvirem a história de como ele morreu ao tentar defender o seu país, não chorem, sorriam.

Sorriam de orgulho, sorriam por respeito, sorriam porque tenho a certeza que ele não queria lágrimas nos vossos olhos.

O que ele queria? Deixar Portugal orgulhoso.

E na minha opinião a sua missão foi cumprida.”

É esta a herança de esperança no futuro que queremos – a minha família e eu aqui presentes – oferecer hoje à Nação, neste dia de Portugal, partilhando-a com todos os nossos compatriotas, especialmente com todas as Mulheres Portuguesas.

Que Deus nos abençoe a todos.

Imagem da Internet

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Espírito de missão e ética militar

Intervenção do Presidente da Comissão Executiva das «Comemorações do 18ª Encontro Nacional de Combatentes» em Belém, Almirante Francisco Vidal Abreu

Combatentes

Combatentes de ontem, de hoje e de amanhã

Portugal continua e continuará sempre a precisar de vós. Quem, um dia, jurou perante o estandarte nacional, servir a Pátria, mesmo com sacrifício da própria vida, certamente está disponível para de novo lutar por um Portugal melhor. Não com armas na mão, porque não é disso que se trata. Mas com o mesmo espírito de dádiva e entrega, lutando por princípios e valores que tornem a nossa sociedade melhor e mais digna, para que tenhamos orgulho na herança que deixamos aos nossos filhos e netos.

Combatentes

Pelo 17º ano consecutivo, num verdadeiro exercício de cidadania, encontramo-nos junto a este monumento para comemorar o dia de Portugal. Porque a forma mais nobre de o fazer será homenagear todos quantos, ao longo da nossa história, chamados um dia a Servir Portugal, tombaram no campo da honra, em qualquer época ou ponto do globo. E não se julgue que estes sacrifícios terminaram. Já se combateu para alargar fronteiras, já se combateu para manter fronteiras, hoje combate-se para defender princípios civilizacionais, para garantir a liberdade.

Por isso estas homenagens fazem sentido e devem continuar a ser feitas. Homenagear os combatentes no Dia de Portugal é mostrar que temos orgulho na nossa História e em sermos portugueses.

Mas nesta homenagem não esquecemos também os deficientes das Forças Armadas, nem todos os que dão o seu melhor pela causa dos combatentes. Aqui fica pois uma palavra de agradecimento e estímulo não só à Liga dos Combatentes, mas também a todas as Associações de Combatentes, sem o apoio das quais esta cerimónia não seria possível.

Combatentes

A melhor forma de honrar todos os que deram a vida por Portugal é meditar junto a este sublime monumento se os nossos actos, em cada dia que passa, são dignos do sacrifício que todos os que têm os seus nomes inscritos nestas lápides, frente a vós, um dia fizeram, por Portugal. E que melhor lugar para esta meditação que este, frente à “Chama da Pátria”, que nunca deixaremos apagar, com o mar como respaldo, esse mar de tantas glórias, de tantos sacrifícios, que já foi futuro e que tem que voltar a ser futuro.

Combatentes

Porque a memória dos mais velhos é traiçoeira e os mais novos ainda têm pouco em memória, decidimos de novo, este ano, homenagear todos os que tombaram pela Pátria, através de um deles, um português maior, um homem com H grande, cujo exemplo de conduta, de valores e de virtudes não devemos esquecer e manter como referência – o Senhor Comandante Jorge Manuel Catalão de Oliveira e Carmo, morto em combate em 18 de Dezembro de 1961, nos mares de Diu, então Índia Portuguesa.

Um texto descritivo da sua acção em combate será lido por um oficial que entrou para a Escola Naval menos de um ano depois, em 1962, e teve este herói nacional como patrono de curso. Convido-vos a ouvir este texto no maior silêncio e com o maior respeito. Vão descobrir nele o Portugal nobre, que dá valor à honra e à verdade, corajoso, e que continua a existir, por muito que nos custe a acreditar. Cabe a nós fazê-lo despertar, para que não mais se tenha vergonha de falar em Pátria ou em Patriotismo. Basta quebrar o silêncio dos bons. Basta lembrarmo-nos de que somos perto de um milhão. E acreditaremos que esta tarefa é possível.

Combatentes

Todos nós, quando estávamos em missão, tínhamos sempre alguém que nunca nos esquecia e que também sofria, embora de forma diferente, a nossa decisão de ter aceite ser combatente. A nossa família, mas muito particularmente as nossas mães e as nossas mulheres, no seu silêncio, sempre de forma discreta, viviam sofridamente, certamente com enorme angústia, o dia-a-dia dos seus filhos ou maridos. E sempre o fizeram e continuarão a fazer porque sabem e sentem que a família é um dos pilares essenciais de uma sociedade de princípios e valores.

Por isso, também hoje e aqui, queremos homenagear a Mãe e a Mulher do combatente, fontes da sua força, referências para a sua acção e importantes pilares da família militar, tão esquecida, tão ignorada, por uma teimosa recusa em aceitar o seu importante papel. Ela constitui parte do segredo da estabilidade emocional necessária ao combatente. Ela é a segurança dos vivos, o imprescindível apoio dos que ficaram deficientes, a única alternativa para cuidar dos filhos dos que, em missão, antes do tempo já nos deixaram.

Esta homenagem à Mãe e Mulher do combatente, neste dia de Portugal de 2010, será feita através da presença nesta cerimónia da Senhora Dona Maria do Carmo de Oliveira e Carmo, viúva do Senhor Comandante Oliveira e Carmo, que hoje homenageamos, e que vos vai falar. Oiçam as suas palavras. Meditem nelas e no seu significado. É que as mães e mulheres dos combatentes, pelo papel essencial e insubstituível que desempenham na construção e equilíbrio da família, também muito podem fazer por um Portugal melhor, que fale verdade, um Portugal de princípios, e de dignidade, um Portugal de esperança, de valores, de ética, e de que todos nos possamos orgulhar. Por isso, também é tão importante contarmos convosco.

Combatentes de ontem, de hoje e de amanhã

Termino como comecei. A vossa missão não acabou. Portugal continua e continuará sempre a precisar de vós. Saibamos honrar os que se sacrificaram por Portugal.

Viva Portugal
Lisboa, 10 de Junho de 2010

Imagem da Internet

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Amizade ou honra e dignidade


No meio da variada campanha de tricas, suspeitas, acusações, réplicas, insinuações, «verdades», «mentiras» e referência insultuosas a entidades que deviam ser mantidas acima de qualquer vexame, já aqui expressas por várias pessoas, surge esta apreciação de um factor que merece ser tido em consideração. Segue-se a transcrição:

Guardiões da honra
Correio da Manhã. 16 Fevereiro 2010 - 00h30. Eduardo Dâmaso

Uma das coisas mais escandalosas que a ‘Face Oculta’ tem revelado é a ligeireza com que se multiplicam os insultos de dirigentes do PS aos investigadores e magistrados do caso. O mais irrelevante do que tem sido dito está na multidão de rapaziada embasbacada com Sócrates que pulula pela Internet.

Uns mais desinteressados, outros puramente empenhados em defender umas migalhas, todos muito encandeados com a luminosidade da propaganda governamental. Agora veio o advogado Proença de Carvalho, que há anos diaboliza polícias e magistrados. Habitualmente com opiniões respeitáveis, desta vez com adjectivos inqualificáveis. Por fim, o candidato do PS rotundamente derrotado nas Europeias, Vital Moreira, que despejou todo o desprezo que é capaz na expressão "agente local", qualificativo aplicado ao Ministério Público de Aveiro. Estes continuadores da prosápia governamental fazem tábua rasa do trabalho e da seriedade de pessoas que servem o Estado, algumas há mais de 30 anos, e com inegável competência e prestígio. Alguns dos prestimosos guardiões da honra de Sócrates são só patetas, mas outros têm responsabilidades públicas e políticas sérias. Mais valia que soubessem estar calados quando não sabem conciliar a defesa de amigos com o respeito pelo trabalho dos outros.

Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto

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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Egas Moniz respeitava a palavra dada

Este exemplo dos primeiros tempos da nacionalidade mostra apurado sentido da honra, da dignidade e do respeito pelo valor da palavra. Pelo contrário, os políticos de hoje são aquilo que vamos conhecendo.

Nada de pessoal tenho a favor do autor do artigo que cito nem do político nele destacado e, infelizmente, este é apenas um dos muitos que poderiam ser referidos por casos semelhantes. Se alguns são considerados mais mentirosos do que a média, poderá ser por terem maior incontinência nas palavras e promessas ou por ocuparem cargo de mais visibilidade. Como os valores éticos têm sido tão vilipendiados nos últimos tempos!

Vejamos o que diz o artigo:

Uma corda para Alberto Martins!
Jornal de Notícias. 15-02-10. Por Honório Novo

A fundação da nacionalidade está ligada a Egas Moniz, homem para quem a palavra dada era compromisso firme, que não hesitou em pôr uma corda ao pescoço quando soube que o que avalizara não seria cumprido.

É isto que está a acontecer a Alberto Martins, ministro da Justiça, ex-líder parlamentar do PS, candidato do PS no Porto nas eleições de 27 de Setembro. Por três vezes, Martins disse que o PS não iria privatizar a ANA, empresa pública que gere os aeroportos. Na RTP-N, no Porto Canal e na Associação Comercial, em três debates eleitorais, Martins repetiu o compromisso, afirmando que, quando muito, o PS poderia privatizar a parte comercial da ANA...

É pública a polémica sobre este tema. A reboque da privatização da ANA, há por aí uns "trutas" - apadrinhados pela Junta Metropolitana do Porto -, preparados para "sacar" os lucros dos 400 milhões do investimento feito no Aeroporto do Porto e do facto da sua gestão pública ter transformado o "apeadeiro de Pedras Rubras" num dos melhores aeroportos mundiais. Daí a relevância política das afirmações de A. Martins, comprometendo-se, e ao PS, a não privatizar a ANA! Mas, para Sócrates, a palavra pouco interessa.

Teixeira dos Santos disse esta semana que o Governo vai afinal privatizar a ANA. Estranhou então o Ministro a insistência no tema, em ligá-lo à honra de A. Martins. Já sabíamos o que significa a palavra dada para T. dos Santos: recordamos que se comprometeu a representar o Porto na Assembleia Municipal mas que, no dia seguinte às eleições, deu logo "às de vila-Diogo"! Só que não deve medir os outros pela sua própria bitola…

Mas, não obstante os tempos que correm, pensamos que há ainda homens com honra. Por isso, acreditamos que Alberto Martins se irá explicar, com ou sem corda, como Egas Moniz.

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