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quarta-feira, 29 de maio de 2013

«PATRIOTISMO» SEGUNDO GASPAR


Transcrição de artigo:

Incómodos de Gaspar
Correio da Manhã. 29-05-2013. Por: Eduardo Dâmaso, Director-Adjunto

Já sabíamos que o dr. Gaspar acha pouco patriótico que os jornalistas façam perguntas sobre a crise a políticos estrangeiros quando ele está presente.

Já sabíamos que o dr.Gaspar está convencido que a sua missão de endireitar as contas do burgo é a coisa mais patriótica que pode haver. Lá no fundo acha que somos uns ingratos.

O que não sabíamos é que também tinha aquele viciozinho salazarista de impor um catálogo patriótico, muito seu, aos jornalistas e aos portugueses em geral. O dr..Gaspar tem de entender que, para quem já paga tanto imposto, perguntar ainda é um exercício de liberdade. E rir dos seus incómodos, então, é um verdadeiro prazer.

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terça-feira, 9 de abril de 2013

GOVERNO NÃO QUER COLABORAÇÃO !!!


O Governo pretende apenas aplausos às suas teimosias do «custe o que custar» fazendo recordar o slogan «orgulhosamente sós» de tempos idos.

Não tem falta de colaboração, quer da oposição quer de comentadores quer manifestações populares mais ou menos numerosas, em que ao lado das críticas construtivas aparece a afirmação do descontentamento e da indignação, mas também sugestões de medidas adequadas à melhoria do bem-estar das pessoas e do crescimento da economia.

Mas a essas sugestões e conselhos, o Governo gaba-se de estar na melhor rota e afirma, garante, assegura, que vai continuar sem se submeter aos protestos de manifestações de indignação, nem outras pressões, nem às sugestões da oposição.

Repare-se nas propostas de comentadores e homens sabedores e experientes da própria área dos partidos da coligação, algumas delas referidas neste blogue. Está tudo dito. Estão listadas todas as alternativas, mas o Governo só quer aplausos e recusa as colaborações patrióticas, bem intencionadas que lhe chegam gratuitamente sem ter que pagar aos gabinetes dos seus amigos para onde tem fluído caudalosamente o dinheiro público que agora faz falta.

Têm sido aqui citados artigos de Luís Marques Mendes, de Paulo Morais e muitos outros que, se fossem apreciados com a devida atenção, pelos decisores do Governo, nos estudos que deveriam preceder as suas tomadas de posição, o País não estaria, certamente, no actual estado crítico. Mas como é que os «sábios» do Governo poderiam tirar disso as conclusões mais úteis se, nem sequer, se dão ao trabalho de observar a Constituição da República e obedecer aos seus ditames?

Por isso é caricato que uma entidade da cúpula do partido maioritário aparecesse na TV a atacar a oposição com palavras agressivas, mas balofas e despropositadas, em vez de aproveitar esse tempo de antena para mostrar aos portugueses algum trabalho útil feito nos passados 21 meses, isto no caso de algo ter sido feito de positivo para evitar a espiral recessiva que tem sido dolorosamente sentida no corpo e na alma pela maior parte da população.

É pena que o Governo não queira seriamente a colaboração dos portugueses em geral e das instituições oficialmente formalizadas.

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segunda-feira, 25 de março de 2013

Sócrates comentador


Segue-se a transcrição de um artigo de opinião sobre este tema que está gerando muita controvérsia. Deixo-o à consideração dos leitores, visitantes, deste blogue, na esperança de serem aqui colocados comentários pró e contra, aos quais, como é meu hábito, procurarei dar a resposta que entender mais adequada. É um desafio aos leitores e a mim próprio. A vida é mesmo isso, uma sequência de desafios. Haja quem aproveite esta oportunidade para dizer o que sente e pensa.

O regresso de Sócrates, o lobo mau
Jornal de Notícias 25-03-2013. Publicado às 00.43. Por Alfredo Leite

Afinal, quem tem medo do lobo mau? Vamos esquecer o Capuchinho Vermelho ou os Três Porquinhos porque esta não é uma história para crianças. É a história de um país bacoco que lida mal com o carisma alheio, procurando justificar o desmoronamento político que se avizinha com um passado já devidamente escrutinado. É, também, a história de um país que, à falta de outros argumentos e entretenimento, avança com patéticas petições públicas por tudo e por nada. A mais mediatizada dos últimos tempos é, pasme-se, para impedir que um ex-primeiro-ministro seja contratado (e, ainda por cima, probono) por uma televisão para um novo espaço de comentário político. A aparição de José Sócrates deverá ser analisada a dois níveis distintos, ainda que estas coisas estejam todas ligadas.

O primeiro é político. O insuspeito social-democrata e, por sinal, comentador Marques Mendes acha que o regresso de Sócrates pode ser "mortífero" para o Governo. É certo que o peso do antigo primeiro-ministro vai transformar, ainda mais, a oposição de Seguro numa brincadeira de meninos, mas Mendes tem razão quando afirma que será Passos o verdadeiro alvo de Sócrates. O ex-líder socialista ferve em pouca água vezes de mais para evitar ajustar contas de tudo o que dele foi dito pelos membros do atual Governo. Nesta revisão do passado recente, Sócrates não deverá igualmente deixar Cavaco Silva em sossego.

O segundo nível do regresso de José Sócrates é jornalístico. Ao ir buscar para o ecrã o mais odiado - mas também amado - dos ex-primeiros-ministros, a RTP protagonizou uma contratação surpreendente. E, de uma só vez, atirou para segundo plano os políticos comentadores da concorrência: Marcelo Rebelo de Sousa na TVI (e as suas mais do que previsíveis análises com direito a réplicas na generalidade da imprensa); e Marques Mendes, recentemente seduzido pelos encantos da SIC e que aos espectadores se apresenta muito mais como a correia de transmissão de um qualquer 'garganta funda' da esfera governativa do que como o comentador que quer ser.

Sócrates no ecrã vai eclipsar os seus pares e garantir, sem grandes margens de erro, audiências à RTP.

Eram, portanto, previsíveis as reações à ousadia da televisão pública. José Sócrates foi, para o bem e para o mal, o mais carismático dos líderes portugueses dos últimos anos e esse é um património que uma (breve) ida para Paris não apaga. O que não se esperaria é que o seu eco transbordasse as fronteiras nacionais.

A sua contratação televisiva mereceu ontem generosas referências na imprensa de Direita no país vizinho. O "La Vanguardia", de Barcelona, escreveu que "em Espanha ninguém poderia imaginar que no canal 1 da TVE, logo após o Telejornal, aparecesse José Luis Zapatero [ex-chefe do Governo socialista] para comentar a atualidade política semanal". O "El Mundo", de Madrid, refere a multiplicação de petições online contra e a favor da passagem de Sócrates "de primeiro-ministro a tertuliano" televisivo, referindo ainda as suas responsabilidades na crise iniciada em 2008, mas sem admitir que, se Sócrates cá tivesse continuado, haveria sempre a hipótese de, tal como em Espanha, estarmos sem resgate e hipotecados à troika.

Por tudo isto, a diabolização do regresso de Sócrates era inevitável. Essa fatalidade não pode é servir para atirar alguém para uma lista negra onde aos proscritos está vedado o regresso à vida pública.

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Arrogância versus persuasão


Em democracia, a soberania reside na Nação, nas pessoas, nos eleitores e a estes deve ser dada conveniente explicação das medidas tomadas pelos seus mandatários, os eleitos que ocupam os poderes, principalmente o executivo. Este não precisa de utilizar a arrogância nem propaganda com promessas falaciosas, pois ninguém ignora a força de que ele dispõe para impor as medidas mais convenientes para bem do povo. Em vez de arrogância, será mais democrática, mais diplomática a persuasão, com informação leal, em diálogo bem conduzido, ouvindo o povo e explicando os factores menos explícitos.

Uma decisão deve ser explicada de forma semelhante a esta: «O problema (objectivo) é o seguinte… havia três hipóteses de solução, A, B e C… a que pareceu melhor é a A, embora a C parecesse aceitável não foi escolhida por ter o inconveniente de … Agora vamos pô-la em prática com as seguintes fazes…».

Os fortes não precisam de estar sempre a mostrar os músculos e falar dos seus arsenais bélicos, perante os seus dependentes. A persuasão, mesmo que não possa ser completamente aberta, amacia os contactos e reduz o sofrimento de eventuais sacrifícios que tenham de ser suportados.

Mas, contrariamente a estes procedimentos democráticos, temos assistido à táctica da arrogância totalitária, do custe o que custar, doa a quem doer, eu posso quero e mando.

As medidas excessivas de austeridade foram mais dolorosas do que foi sugerido pela ‘troika’, o que suscitou críticas de conceituados observadores, técnicos e políticos nacionais e estrangeiros. Tal austeridade asfixiante cortou o poder de compra da classe média, a mais consumidora, daí que o comércio tenha diminuído a facturação, levando à travagem da indústria, ao encerramento de empresas, ao desemprego e à diminuição das receitas fiscais e aumento de despesas com subsídios de desemprego.

Para fazer face a resultados tão lógicos, previsíveis e desanimadores, houve a arrogância de não mudar de solução, de insistir no uso do tóxico causador do mal-estar. Os discursos com promessas falaciosas talvez com a intenção de criar esperança ao rebanho que estava a ser conduzido para o abate, não pararam de subir como balões de hélio. A arrogância foi percorrendo o percurso de espiral recessiva, inicialmente negada e de que nem se queria falar, como quem pretende tapar o sol como uma peneira. E isso passou-se apesar de repetidos alertas de +pessoas bem informadas aquém e além fronteiras.

A emigração passou a ser a esperança mais consistente dos jovens e, assim, se perdem cérebros e mão-de-obra bem cotados, não se tratando, agora, dos emigrantes da mala de cartão de outros tempos. É um grave empobrecimento que retira forças de recuperação do desejado crescimento.

Os governantes, na sua tão convicta como irracional arrogância, parece que consideram que na população só burros e, em vez da elucidação realista, e da persuasão discreta e suave, nem têm evitado expor-se infantilmente às manifestações de indignação que tem estado a surgir nas poucas pessoas pensantes, com energia transbordante e tendência infecciosa como se viu na diferença entre a manifestação no «Clube dos Pensadores» em Vila nova de Gaia e a do dia seguinte no ISCTE em Lisboa, face ao mesmo ministro que dias antes tinha feito um discurso sem nada de concreto mas com muitas alusões vagas a ideias, projectos, guiões…

Perante esta segunda manifestação, o governo, antes de ponderar e analisar o fenómeno em questão, reagiu de imediato, evidenciando a insensata arrogância de quem mostra o chicote à fera enfurecida. Precisam-se domadores que actuem com realismo, pela simpatia cativante, atracção esclarecedora.

Em vez da arrogância deve haver informação leal, persuasão, mas, depois de tomadas racional e metodicamente as melhores soluções, o mais consensualmente possível, não pode haver perda de firmeza na concretização, sistematicamente controlada, para evitar desvios perniciosos e abusos de corruptos.

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Santana em debate com Rosas



Não é raro os «intelectuais» da política darem exemplos daquilo que uma pessoa educada deve evitar. A força dos argumentos deve resultar da lógica destes e não dos maus modos dos dialogantes.

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

«Toma que é democrático !!!»

Há algumas décadas, um dos humoristas portugueses, não me recordo se era Raul Solnado ou Camilo Oliveira, numa série televisiva, sempre que o agente da autoridade levantava o Cassetete ouvia-se nitidamente «toma que é democrático.

Esta frase vem agora á memória quando vi a notícia Passos Coelho foi vaiado e insultado em Matosinhos. A população desabafou assim da sua indignação e do seu descontentamento:

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho foi esta tarde vaiado e insultado por dezenas de pessoas, à entrada e saída do Centro de Arte Moderna (CAM) Gerardo Rueda, que inaugurou em Matosinhos.

À saída foi mesmo necessária a intervenção policial para afastar uma mulher mais exaltada, com uma criança ao colo, que ainda bateu por algumas vezes com a mão na viatura onde se encontrava já o primeiro-ministro
(...)

Curiosamente, aqueles populares, com a exteriorização da consciência preocupada, embora de forma menos protocolar, manifestaram-se e mostraram estar sintonizados com o pensamento do Primeiro-Minitstro, quando este disse que ‘Cada oportunidade perdida é uma pequena tragédia de que nunca recuperamos’. E esses populares quiseram aproveitar a oportunidade da proximidade do PM.

Dizia-se há algumas décadas que o povo é quem mais ordena, que a democracia é o poder do povo. No entanto, tem havido ausência de DIÁLOGO entre o Governo e os portugueses, do que resulta uma adulteração da democracia e torna o regime numa ditadura, mais ou menos disfarçada, em que os governantes armam-se em detentores únicos da verdade absoluta e decidem sem atender aos interesses colectivos do povo. Sacam dinheiro aos contribuintes da classe média para dar aos bancos, enquanto os mais ricos do país fogem descaradamente ao fisco como foi noticiado acerca de Américo Amorim. Mas poderá haver milhares como ele.

Desta falta de transparência, desta ausência de esclarecimento honesto e eficaz surge a angústia do povo, a sua indignação, o seu descontentamento e o resultado começa a ser notado. Este caso de Matosinhos não deve ser interpretado como caso isolado e episódico, pois pode ser o primeiro sinal visível do descontentamento popular e não pode ser ignorado pelos governantes que devem rever os seus comportamentos.

O Diálogo serve para conhecer o mais completamente possível a situação com todos os factores e as causas do problema actual e serve, depois, na análise e avaliação das hipóteses de solução com vista á escolha fundamentada da melhor. Há que evitar o diálogo sem saída do estilo do usado por António Guterres, em que não se avançava para a escolha da melhor solução e para a decisão e sua implementação. Marcava-se passo em vez de marchar para o objectivo. Perdia-se tempo que é um recurso muito valioso e irrecuperável. Assim se criou o pântano a que o PM Guterres se referiu.

E o povo quando vê demoras na chegada da decisão que lhe interessa, pode gritar «toma que é democrático!». Pode exigir, de forma musculada, mudanças que não serão devidamente ponderadas e, portanto, inconvenientes. Como foi dito no post anterior, não se deve «mudar por mudar». Infelizmente, na realidade recente e actual, tem havido mudanças destinadas apenas a enganar os pacóvios, pois acabaram por deixar ficar tudo na mesma, senão pior.

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pensar antes da decisão e recusar tabus

Transcrição de notícia seguida de NOTA:

Jerónimo de Sousa: Saída do Euro “não deve ser tema tabu”
Público. 30.05.2011 - 17:44 Por Nuno Sá Lourenço

O secretário-geral do PCP, defendeu em Santiago do Cacém um “amplo debate” sobre a moeda única europeia. “É um debate que deve ser feito, não deve ser tema tabu”. Questionado pelos jornalistas nas oficinas da câmara, o candidato comunista disse que o assunto deve ser “equacionado com transparência, frontalidade”: “Não podemos recear o debate.”

O líder comunista não quis expressar a sua posição sobre a permanência ou saída do euro, tendo antes insistindo na necessidade do debate. “Com base naquilo que for apurado se tirarão as conclusões”, rematou.

Jerónimo de Sousa afirmou hoje ao PÚBLICO, em entrevista, que “mais tarde ou mais cedo vamos ter de sair do euro”, questionando os juros aplicados pela União Europeia no resgate financeiro, traindo o princípio da coesão económica e social.

NOTA: Já há muito tempo foi referida uma metodologia para a decisão, Pensar antes de decidir, em que no ponto 3 consta: «Depois, esboçar todas as possíveis formas ou soluções de resolver o problema para atingir o resultado, a finalidade, o objectivo ou alvo; nestas modalidades não deve se preterida nenhuma, por menos adequada que pareça.» Não há lugar para tabus. Tudo deve ser analisado antes de vir a ser aprovado ou rejeitado, e só então então teremos a certeza de que foi escolhida a melhor solução, a modalidade mais justificada e defensável.

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Esclarecimento gera confiança

É favor besuntarem-se
DN. por Vasco Graça Moura 18 Novembro 2009

Supondo, por mera hipótese de raciocínio, serem verdadeiros os vários factos que, segundo o semanário Sol, envolvem José Sócrates, as consequências de tal situação estão à vista: o Governo, o Estado e as instituições ficariam a tal ponto descredibilizados que a solução seria, pura e simplesmente, a demissão do primeiro-ministro pela prática reiterada de batotas várias, de todo incompatíveis com a lei e com a ética, com a dignidade do seu cargo e com o interesse nacional.

É evidente que toda a gente, incluindo os titulares de altos cargos políticos, tem direito à sua privacidade. E também é evidente ter havido uma grave violação (apenas mais uma…) do segredo de justiça.

Os apaniguados de Sócrates desmultiplicaram-se, numa operação mediática sem precedentes, a invocar razões puramente jurídicas em tudo quanto é sítio, procurando desviar as atenções do problema político e da sua real dimensão.
Mas o problema tornou-se escandalosamente político. E tornou-se também uma questão de decência. As coisas são o que são e são assim mesmo.

O presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o procurador-geral da República viram-se metidos num verdadeiro imbróglio. Trata-se de dois altos magistrados, cuja idoneidade, rigor, competência e experiência são absolutamente indiscutíveis.

Por muitas explicações que sejam dadas agora quanto ao calendário das remessas e da apreciação das certidões, foi nítido o embaraço decorrente da situação, aliás protelado ao longo de vários dias e artificialmente pontuado por reenvios de competências que deixaram toda a gente perplexa. Ora nada disto terá decorrido da evidente inocuidade dos conteúdos das certidões enviadas. Se fossem inócuos tais conteúdos, qualquer deles poderia ter vindo logo a público dizer isso mesmo, dissipar dúvidas com a sua palavra autorizada e acalmar a opinião pública. Ninguém discutiria então a aplicação da lei.

Mas agora, mandadas destruir as certidões (e quem sabe se algum jornal tem cópia delas...), pode sempre pairar a suspeita de que esses conteúdos não eram afinal tão inócuos quanto isso e apontavam para qualquer coisa de política e juridicamente tão desconfortável que só um procedimento meramente formal conseguiu travar outros desenvolvimentos. No plano político, isso é desastroso e vira-se contra José Sócrates.

E afinal quem é que mandou fazer as escutas e analisou o resultado desses procedimentos. Terão sido políticos da oposição? Jornalistas de tablóides? Paparazzi desempregados? Jovens e ineptos utilizadores do Magalhães?

A resposta é confrangedoramente simples: foram magistrados portugueses, o procurador-coordenador do DIAP de Aveiro e o juiz de instrução criminal, no exercício das respectivas funções, quem sustentou existirem indícios da prática de um crime de atentado ao Estado de direito. Tratar-se-ia de puros incompetentes? De estagiários sem saber nem experiência? De loucos furiosos de justicialismo ultra-esquerdista a dispararem contra revoadas de mosquitos na outra banda? Ou antes de gente que achou ser de tal gravidade a matéria de que lhe chegavam indícios que entendeu do seu dever não agir de outra maneira?

Fosse como fosse, independentemente de apreciações formais, os factos que, pelo processo ínvio e lamentável da violação do segredo de justiça, vieram a público, adquiriram a maior relevância política e não há argumentação jurídica, por muito fundamentada que seja, que possa dissipar o seu efeito negativo.

O que é que faz com que José Sócrates e o seu naipe de ventríloquos e demais criaturas de serviço finjam não perceber o que se passa? Não há "salto à vara" que lhes permita passar airosamente por cima da situação criada, sem um esclarecimento muito sério que, dadas as circunstâncias, devia ser um imperativo político para o primeiro-ministro.

O mais deprimente é a sensação generalizada com que se fica de que Portugal está a caminho de se transformar numa república em que as bananas crescem num lodaçal. É nesses lugares que os valores se evaporam, as leis são impunemente violadas, tudo se degrada, todos os responsáveis são cúmplices e nada nem ninguém consegue evitar isso.

Mas é muitíssimo bem feito. Elegeram essa gente? Pois têm o que merecem… Assoem-se lá a esse guardanapo. Besuntem- se com o resultado. Amanhã ainda vai ser pior...

NOTA: Há quem contrarie este ponto de vista do autor dizendo que se está a tentar praticar crimes de "assassinato político", de "assassínio de carácter", de "homicídio de carácter", de "homicídio por audiovisual", e de «tentativa de decapitação do Governo».

Mas o autor diz sabiamente que é preciso esclarecer, porque sem esclarecimento, todo o rol de suspeições se vira contra o PM. Por outro lado, devemos aplaudir o Presidente do Afeganistão porque
Karzai promete “fim da cultura de impunidade” no Afeganistão. Que belo exemplo de sensatez e sentido de Estado!

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

«Deserto» da margem sul dá azar aos políticos

No tal «deserto», como lhe chamou Lino, estão a surgir problemas como cogumelos: Portucale com abate de sobreiros, Freeport com adaptação do limite da área protegida e celeridade do processo, e agora, Vale da Rosa ou Nova Setúbal, com abate de sobreiros e «utilidade pública». São presentes em demasia para uma área deserta»

O megaempreendimento do Vale da Rosa, projectado pela Pluripar SGPS para 125 hectares, está previsto ter 7500 habitações, centro comercial e complexo desportivo, mas para avançar com o projecto terão de ser cortados cerca de 1300 sobreiros. Ontem de manhã foram abatidas cerca de 900 árvores em três horas. Já não há providência cautelar que as salve! Mas o abate foi suspenso à hora de almoço, por ordem de um juiz. Este texto é apoiado nos artigos
«Judiciária investiga projecto viabilizado por José Sócrates» e «Vale da Rosa mais barato que o centro da cidade».

Enquanto isto se passa, estima-se que na cidade existam mais de oito mil imóveis - entre novos e usados - para venda. Ou a cidade fica despovoada ou o empreendimento não vende as casas, ou terão que ser chamados muitos imigrantes, mas não existem postos de trabalho para lhes dar.

O mega-projecto, polémico desde o primeiro dia, é promovido pela Pluripar, que ofereceu, como contrapartida, a construção de um estádio municipal (para o Vitória de Setúbal). A aprovação do Plano de Pormenor do Vale da Rosa e Zona Oriental de Setúbal (PPVRZOS) dependeu de uma declaração de "imprescindível utilidade pública", que foi concedida por despacho conjunto dos então ministros do Ambiente, José Sócrates, e da Agricultura, Capoulas Santos, a menos de um mês das autárquicas de 2001 e publicado no Diário da República a 3 de Dezembro de 2001. Com tal declaração superiormente concedida, os sobreiros foram condenados à morte, e se as organizações ambientais esbracejarem, já chegam tarde! Por acaso? Ou tudo previsto e preparado?

Parece, porém, que há aspectos a esclarecer, à semelhança do caso Freeport pois a Polícia Judiciária já está a investigar os contornos do empreendimento imobiliário "Nova Setúbal", por suspeitar da prática de corrupção passiva para acto ilícito, prevaricação, participação económica em negócio e abuso de poder.

Segundo o estilo já conhecido do caso Freeport, no passado dia 2, a Procuradoria-Geral da República (PGR) informou o JN de que "não há arguidos constituídos no processo" e, "entre os eventuais suspeitos, não figuram" os dois ministros que assinaram o despacho. Nem tal seria de esperar!!!

O titular do inquérito é o DIAP de Évora que, sobre a data da abertura do inquérito, respondeu apenas que ela sucedeu "com base numa denúncia apresentada pela Quercus e também numa denúncia anónima". A da Quercus foi apresentada em 2005, contou o ambientalista Francisco Ferreira, portanto há mais de 3 (três) anos! Como no Freeport!

Para Francisco Ferreira, o despacho referido constitui "uma ultrapassagem do ordenamento do território demasiado flagrante, que parece ter objectivos políticos". "Se houve financiamento, não sei", acrescenta. Na sua opinião, é estranho que tenha sido declarada a "imprescindível utilidade pública" de um instrumento de planeamento, à data, inexistente. O Plano de Pormenor do Vale da Rosa foi aprovado em Assembleia Municipal em 2004 e publicado, no Diário da República, a 3 de Março de 2008.

"Este despacho é nulo, dado que não foi efectuada a Avaliação de Impacte Ambiental do projecto", sustenta ainda a Quercus, que requereu essa nulidade ao Tribunal Administrativo de Almada, num processo que aguarda sentença.

Francisco Ferreira estranha ainda a rapidez da emissão do despacho, depois de os serviços do Ministério da Agricultura terem negado, várias vezes, o corte de sobreiros no Vale da Rosa. Requerido a 7 de Novembro de 2001, pelo então presidente da Câmara de Setúbal, Mata Cáceres (PS), foi assinado a 19 de Novembro e publicado a 3 de Dezembro em 2001, duas semanas antes das autárquicas. "É caso único", observa.

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domingo, 16 de dezembro de 2007

Liberdade e Democracia

Nem a liberdade nem a democracia podem significar que as opiniões das pessoas sejam condicionadas e submetidas, obediente e cegamente, aos ditames dos partidos a que eventualmente pertençam ou com que mais simpatizem. Como em democracia é suposto que a soberania reside nos cidadãos, estes devem esclarecer-se para que, no momento em que são chamados às urnas, emitam o seu voto conscientemente de que estão a contribuir para a solução que pensam ser a melhor para o futuro do País. Essa preparação obtém-se no dia-a-dia adquirindo o máximo de informação que for possível e digerindo-a, comparando com o conhecimento possuído do anterior e indagando os «porquês» e os «para quês».

É costume ouvir-se que o povo não está esclarecido e apenas se interessa por telenovelas e pelo futebol, mas quando se indaga se deve haver ou não referendo ao tratado europeu, muitos populares dizem que sim, mas o diálogo morre logo a seguir com a declarada total ignorância do conteúdo do tratado e da sua importância para as nossas vidas.

Mas o meu «optimismo» mostra-me sinais de esperança de que começa a haver tendência para os eleitores se interessarem por assumir a propriedade das suas ideias e digerir a informação que lhes chega. Há dias, em Felgueiras, a proposta orçamental apresentada pela presidente da câmara foi chumbada por 34 dos 65 deputados municipais. Talvez aqui não fosse propriamente a liberdade de voto dos deputados mas sim a obediência aos respectivos partidos, o que não reforça o optimidsmo. Mas já antes neste conselho os eleitores votaram pela sua convicção em sentido contrário aos dos partidos elegendo um candidato independente… talvez pelas piores razões, as sentimentais.

Também, uns dias antes, Manuel Alegre, vice-presidente da Assembleia da República em representação do PS, votou - ao lado de todas as bancadas da oposição - a revogação dos dois decretos-leis do Executivo que promoveram a reestruturação da empresa da Estradas de Portugal, entretanto transformada em sociedade anónima. Declarou não estar de acordo com esta solução, que não o convence e ter muitas dúvidas, pelo que votou em consciência.

É justo referir também as preocupações em evidenciar isenção nas análises e comentários que alguns colaboradores fazem nas televisões e nos jornais, não citando nomes para não cometer o pecado de omissão. É inquestionável que Portugal precisa do voto de cada um e é imprescindível que cada um assuma a sua responsabilidade individual, esclarecendo-se com vistas largas e imparciais, e emita um voto em consciência e não porque lhe foi exigido, em nome de valores menos democráticos. Terá que agir em função daquilo que realmente afecta a vida dos portugueses, porque o futuro do País depende de cada um e não podemos ficar à espera de um milagre que nos torne um Estado evoluído com uma população feliz e com boa qualidade de vida. O milagre tem de ser feito pelo esforço persistente e bem intencionado de cada um, segundo as suas capacidades.

Ontem ao almoço uma senhora professora reformada, quando o marido comentava um acontecimento nacional, disse que não se interessa pela política. Mas quando lhe perguntei se vota, disse que sim, o que me fez perguntar em que baseia a sua decisão de voto. Ficou atrapalhada, e a minha convicção é que ela, como a grande maioria do povo ignorante, vota da forma que lhe é aconselhada nas campanhas eleitorais pelo partido de que se habituou a gostar!!! Desta forma nunca mais se sai da cepa torta e os vindouros irão dizer muito mal dos seus avós, que não serão considerados «egrégios avós»

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domingo, 27 de maio de 2007

Ota. Porque ter medo de esclarecer?

O Presidente da República, Cavaco Silva, considera necessário fazer uma debate profundo sobre o novo aeroporto de Lisboa, assunto sobre o qual têm surgido grandes dúvidas nos aspectos geográfico, topográfico, orográfico, geológico, segurança de voo nas descolagens e aterragens, mas o Governo está irredutível em relação à escolha da Ota. Vá lá saber-se o porquê desta teimosia!

Essa teimosia chegou ao ponto de o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, ter dito que "jamais" o aeroporto será construído na Margem Sul, região que apelidou de "deserto faraónico". Perante esta teimosia arrogante que levanta dúvidas sobre as razões que lhe assistem e os interesses que estarão por detrás, Cavaco apressou-se a pedir imediatamente "um debate profundo" e "consenso técnico e político" sobre o novo aeroporto. Com efeito, quem tem medo de esclarecer este tão grande investimento? Porquê? Terão mesmo argumentos válidos para defenderem a Ota? Se têm, porque não os apresentam?

O Presidente merece apoio geral quando defende que o Parlamento não se deve demitir da intervenção permanente nas grandes questões da actualidade, e esta é uma delas. Os deputados não devem abdicar da sua função fiscalizadora, independentemente da sua cor política. É imperioso incutir "factores de racionalidade" na discussão sobre a localização do futuro aeroporto internacional de Lisboa ao contrário da argumentação utilizada por Lino em defesa da Ota no almoço na Ordem dos Economistas.

Quanto ao colóquio previsto na AR para o dia 11, Helena Pinto, do BE, avisa que "não pode ser um espaço onde o Governo vai fazer propaganda". "O colóquio não substituiu o debate político. Não é ali que se vai chegar a um consenso alargado, como pediu o Presidente. O Governo tem que ir ao Parlamento, mas ao plenário ou à comissão", sustenta Helena Pinto.

António Carlos Monteiro, do CDS, após as declarações sobre o "deserto" da margem Sul., acusa o ministro de "arranjar desculpas para fugir ao Parlamento". "Isso é censurável", acusa, insistindo no pedido de audição parlamentar de Mário Lino.

O deputado do PCP Bruno Dias defendeu esta sexta-feira a suspensão do processo para a construção do novo aeroporto de Lisboa, exigindo novos estudos, e responsabilizou o PS pela falta de um debate aprofundado sobre o tema. O comunista defendeu que o processo seja suspenso até à realização de novos estudos que sirvam de base «a um debate aprofundado», como sugeriu o presidente da República.

Também Miguel Relvas do PSD apoia o debate na AR e diz "espero que o PS não desrespeite o presidente da República como já desrespeitou o presidente da AR, quando chumbou o pedido a universidades para fazerem estudos sobre o aeroporto".

Marques Mendes descreveu a intervenção do Presidente da República, sexta-feira, como «muito importante», ao dizer que «é urgente um debate aprofundado sobre o novo aeroporto e em torno de toda esta questão». «Julgo que o apelo do Presidente da República foi dirigido ao Governo e aos vários responsáveis políticos». «Penso que é possível e desejável todo o consenso sobre o investimento do novo aeroporto. Estamos preparados e esperamos que o senhor primeiro-ministro tenha a mesma abertura e mostre a mesma disponibilidade acima dos interesses e da teimosia». Considerou as declarações de Mário Lino acerca do deserto na margem Sul «não apenas como um delírio, mas como uma provocação e um insulto de alguém que já não está bom da cabeça».

Mas, apesar de tudo isto, José Junqueiro, do PS, em defesa da obstinação obscurantista do seu partido, alega que "o debate político com especialistas não pode ser outro que não o do colóquio do dia 11. O que vamos fazer é um debate correctíssimo", e considera que Cavaco "não pediu uma coisa político-partidária, pediu um debate no Parlamento". Uma máscara, pois todos sabemos que Cavaco ao pedir a intervenção do Parlamento, estava consciente que naquele Palácio se faz política partidária.

Qual é a dúvida de Junqueiro? Que interesses tão importantes existem para exigir tanta blindagem por parte do Governo e do Partido que o apoia? Porquê tanto medo de clarificar o processo da escolha do local do Novo Aeroporto Internacional de Lisboa?

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