quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
EDP paga a Pinho e povo paga mais à EDP
Estes três milhões têm que sair de algum lado e, como os administradores não querem ver reduzidas as suas mordomias, nem querem diminuir o valor dos dividendos aos donos do dinheiro, vão buscar para isto e outras fantasias o pouco que os consumidores têm, depois de saqueados pela «austeridade» que lhes foi dirigida com boa pontaria, tendo poupado os mais poderosos..
Com este sistema de funcionamento da vida económica portuguesa, não admira que a dívida soberana venha crescendo consecutivamente e que o descontentamento popular aumente de forma alarmante, fazendo prever algo de grave e incontrolável. Os governantes devem colocar os olhos naquilo que tem acontecido na Tunísia, na Albânia, na Bélgica e no Egipto. Governar é prever, é ter os olhos no futuro para reduzir as dificuldades e potenciar as possibilidades.
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A. João Soares
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Etiquetas: EDP, Manuel Pinho
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Como é possível?
A nomeação de Manuel Sebastião pelo ministro Manuel Pinho para presidente da Autoridade da Concorrência tem dado lugar a variados comentários. Hoje, à primeira vista, apareceram-me os dois seguintes «o regime dos amigos» do jurista Pedro Lomba e «Sócrates sai em defesa de Sebastião e Pinho» de Márcio Alves Candoso.
Ficam os links para quem desejar ver os argumentos neles constantes. Mas uma coisa me chocou. Não estranho que o clã dos políticos ignore a existência de concursos públicos como regra geral e opte por relações de família, de nome, de amizades, de trocas de favores, de conivências, etc. Mas uma desculpa saída da boca de Manuel Pinho brada aos céus. Alegou, em abono da competência, o facto de Manuel Sebastião ter obtido um grau académico na mesma universidade em que se formou Barack Obama. Nunca esperei ouvir um tal argumento de um ministro. Será que aquele senhor está convencido de que todos os estudantes que frequentaram a universidade em que se formou Albert Einstein, são génios da mesma craveira deste? Ou que os estudantes que obtiveram grau académico na universidade onde Víctor Constâncio fez o doutoramento, são «sumidades» como ele?
Claro que qualquer pessoa pode ter o azar de cometer uma gaffe, qualquer político pode usar de demagogia para iludir o Zé Povinho ignorante e pacóvio (como eles julgam que os cidadãos são), mas dizer um tal argumento com tanta convicção e convencimento de que tem poder de persuasão, é motivo para humor muito negro. Se os seus colegas políticos aprenderem essa lição passam a evitar Independente e Moderna para se doutorarem e correm aquelas em que se formaram os mais recentes laureados com o prémio Nobel. Se assim fizerem, segundo este ministro, terão o maior êxito na vida, mesmo que nada estudem e passem à tangente.
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A. João Soares
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domingo, 3 de agosto de 2008
Submarinos e sentido de Estado
Recebido em fotocópia de artigo de jornal (DN de 080802), como anexo de e-mail enviado por amigo.
Sentido de Estado. Merecíamos mais
Nuno Vieira Matias, ex-chefe do Estado-Maior da Armada, almirante reformado
Se não tivesse visto, não teria acreditado no que o ministro da Economia, senhor Manuel Pinho, disse acerca dos submarinos portugueses no programa televisivo Prós e Contras. Fiquei perplexo com a ignorância demonstrada e também com a falta de sentido de Estado que alardeou. Insistentemente, o senhor ministro acusou com veemência a "oposição de direita de aprovar a compra de submarinos por mil miIhões de euros... compra disparatada, porque os três submarinos não servem rigorosamente para nada".
Pelos vistos, ignorou, ou quis ignorar, que o Sistema de Forças Nacional aprovado em 1998, sob proposta de um governo PS, já previa, como anteriormente, três submarinos.
Ignorou, igualmente, que o Dispositivo de Forças, aprovado nesse ano por um ministro da Defesa desse mesmo Governo, incluiu "três submarinos diesel eléctricos", com a anotação "em processo de substituição".
Ignorou também que a Assembleia da República aprovou, em sucessivas leis de programação militar (LPM), o programa de aquisição de três submarinos, com notável consenso. Cito apenas a Lei Orgânica 5/2001, de I4 de Novembro, que aprovou a LPM onde foram apontados quase
360 milhões de contos para esse programa. ao longo de um largo período de tempo.
Voltou a ignorar que foi um Govemo do PS que lançou o demorado processo de aquisição dos submarinos e até chegou a seleccionar os dois concorrentes finais, de entre os cinco que apresentaram propostas de fornecimento.
Ignorou, e isso é ainda mais grave, que o processo de aquisição dos submarinos impõe um programa de contrapartidas para a economia nacional, de valor pelo menos igual ao custo dos navios.
O desconhecimento, se foi disso que se tratou, teria sido rapidamente ultrapassado com uma explicação séria, caso tivesse havido vontade de a procurar. Já a falta de sentido de Estado, ostentada repetidamente, é mais difícil de suprir. Não é que a um ministro se deva exigir que saiba de submarinos, mas de um cidadão é de esperar que conheça o País que somos e que muitos de nós exigimos que continue a ser.
Esse País, Portugal, tem um território descontínuo com a maior zona marítima da UE e, amenos que alguém pretenda alienar os seus direitos soberanos ou jurisdicionais em favor de qualquer outro Estado, é ao nosso que incumbe proteger, também nesse espaço, os nossos interesses contra velhos e contra novos e imprevisíveis riscos e ameaças.
Para isso, como para a participação em forças de alianças e coligações de que Portugal faz parte, é preciso uma Marinha e esta, para ser minimamente eficaz, tem de ter submarinos, como o prova o que se passa no mar de todos os países que se prezam de o ser. Esperar que sejam outros, apenas, a defender os nossos interesses já deu mau resultado, várias vezes, ao longo da nossa história.
Ler o Conceito Estratégico de Defesa Nacional é útil. Entendê-Io, ainda o é mais. Evitaria que o senhor ministro usasse o demagógico "argumento" da troca de meios militares por hospitais, estratagema sempre exemplificado nos manuais de planeamento de forças, como fazendo
parte do grupo das razões mais primitivas. É que, para decidir entre hospitais e qualquer outro
bem, é preciso que o Estado tenha independência e segurança para o poder fazer. Já agora, seriam só dois hospitais, uma vez que estão em aquisição dois e não três submarinos.
Saiba também isso, senhor ministro.
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A. João Soares
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Etiquetas: Manuel Pinho, sentido de Estado, submarinos

