terça-feira, 6 de junho de 2017

ECOLOGIA, AMBIENTE E RELIGIÃO


Ecologia, ambiente e religião
(Publicado em O DIABO em 6 de Junho de 2017)


De manhã fui num grupo à cidade próxima, onde uns aproveitaram para fazer compras e utilizei para tratar da actualização da morada no cartão de cidadão. Depois tirei algumas fotografias e visitei duas igrejas situadas nas proximidades do local de reencontro para o regresso.

De tarde, participei numa «excursão» para ver a procissão da quinta-feira da Ascensão, dia da espiga, que saiu e entrou na ermida da Nossa Senhora dos Milagres, situada num monte sobranceiro ao lugar de Milheiros da Freguesia de Dois-Portos. Vários aspectos me impressionaram e incitaram a meditar e a referir neste espaço.

A ermida, erigida no século XVI localiza-se no «vértice» de uma pirâmide ou cone, levando a nossa vista a muitos Km de distância independentemente do azimute para que estejamos virados. Só isto já merecia a viagem. Mas o interior da ermida possui revestimento de azulejos de reconhecido valor artístico e bem conservados, bem como as pinturas do tecto e a capela-mor, o que demonstra uma arreigada e continuada devoção da população local e da região.

O que mais me impressionou, foi a intenção da procissão, constituída principalmente por mulheres, a maior parte de idade madura, que percorreu por caminhos pedestres rurais os campos bem visíveis lá do alto em que durante uma paragem junto à fonte que, segundo a lenda, está ligada à decisão de construir ali a ermida, o pároco prestou a sua homenagem e aspergiu água benta em direcção não apenas à fonte e às pessoas que integravam a cerimónia, mas também aos campos em geral. Gesto ecológico, de amor à Natureza, que é mãe de todas as vidas animal e vegetal.

Fiquei sensibilizado por esta homenagem à Natureza e saltou-me à memória a interrogação do Papa Francisco, durante a homilia em Fátima, se as pessoas estavam ali reunidas para agradecer e pedir pequenos favores para lhes retirar sofrimentos pontuais ou se era para manifestar respeito e homenagem e agradecer os bons conselhos e sugestões para viverem com mais civismo, bom entendimento e amizade para com os seus semelhantes.

Nunca é demais desenvolver a ética, reforçando o respeito pelos outros, sejam humanos, animais, vegetais ou minerais, isto é a Natureza em que fomos gerados e de que vivemos. Nisso se devem basear as religiões, procurando aperfeiçoar os sentimentos, as emoções, as palavras e as acções de todos e de cada racional. Infelizmente tem havido excepções de movimentos ditos religiosos, que perderam o rumo avançam nas piores direções.

Espero que não deem por mal empregue o tempo gasto nesta leitura, mas não resisti ao apelo íntimo de partilhar esta meditação que desejo contribua para melhorar a postura perante o tema.

5 comentários:

Celle disse...

GOSTEI DE SABER QUE ESTÁ BEM E SE ADAPTANDO NO NOVO AMBIENTE
BJS

Manuel Bernardo disse...

Caro A. Soares:
Gostei de ler este texto "ligth" que se debruça sobre a religião e a ecologia. Também se nota a preocupação de estar sempre em "ordem" como cidadão. Eu despassarado como sou, nunca me lembraria de ir alterar a morada no "cartão do cidadão". Que corra tudo pelo melhor e até à próxima semana, no dia de St. António. MB

Gisele Claudya disse...

Acho Portugal um país bem aconchegante onde é mais fácil reunir pessoas. Na cidade grande tudo se torna difícil. Mas aí, em Portugal, há sempre regiões assim, onde o povo participa mais.
Amo Portugal por tudo.
Beijos

Fernanda Maria disse...

Esta sim é a direcção que devia ser seguida, não só pelas religiões mas por todos nós.
Dar graças pelo que temos, ter respeito por tudo que nos rodeia.
Excelente esta sua reflexão amigo João.

Beijinho
Fernanda Maria

A. João Soares disse...

Agradeço estes comentários simpáticos e a sensibilidade para compreenderem as minhas magicações sobre o que se passa em meu redor e no Mundo.
Beijos às senhoras Circele, Gisele e Fernanda e Abraço para o Bernardo