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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Uma Nova Etapa Nacional

Depois de seis anos, Portugal inicia uma nova etapa de estilo de Governo. As condições sócio-económicas em que a mudança tem lugar são uma fonte rica em ensinamentos e reflexões ao dispor dos novos escolhidos pelo povo para conduzirem a vida nacional.

Convém não se ufanarem demasiado com a vitória eleitoral e não se tornarem arrogantes e abusadores do Poder a que têm acesso, devendo pensar que muitos votos não foram de apoio a um projecto, a uma estratégia, mas de punição ao governo cessante. Esta punição mostra uma realidade muitas vezes despercebida de que os «donos de Portugal» são os portugueses e não os governantes, e estes apenas se limitam a ser intérpretes (por vezes pouco atentos) dos legítimos desejos dos cidadãos que devem procurar satisfazer da forma mais eficaz, em justiça social e em desenvolvimento e felicidade geral.

É indispensável inspirar confiança para aumentar a esperança numa rápida e sólida recuperação da actual crise e congregar todas as vontades para a reconstrução de Portugal. O povo é soberano e, agora, decidiu mudar de mandatários e, se as coisas não correrem a seu gosto, poderá haver mudanças por métodos menos ortodoxos, como temos visto recentemente em países geograficamente próximos.

A preocupação de agir com o mais rigoroso sentido de Estado e sentido de responsabilidade deve ser constante, mas a vontade de decidir correctamente, não deve ser travada pelo receio de errar, como por vezes se nota em altos responsáveis, pelo que é indispensável Pensar antes de decidir. Para bem decidir, um governante não deve isolar-se, mas conhecer a realidade de forma completa e imparcial. No entanto, é preciso não se submeter a pressões vindas de pessoas do género das que votaram sonolentamente, por unanimidad,e a «Lei da rolha» e que, logo a seguir,  se arrependeram também por unanimidade.

Convém não colonizar a máquina do Estado em benefício de «boys» mas, sim, eliminar os tachos referidos por Marques Mendes , que foram fruto de acções de alquimia que transformaram o dinheiro dos impostos em riqueza para os amigalhaços do anterior governo. Mas à eliminação destes sumidouros de dinheiro público deve seguir-se um activo repúdio à repetição de tais sacrilégios.

E se ao nível político interessa dinamizar a coesão, o diálogo e o espírito de compromisso, para criar mais convergência de esforços e ultrapassar a crise, a nível geral, é preciso que a economia produza mais e melhor, que aumente as exportações e crie mais emprego. É urgente que a Justiça corresponda, em isenção e rapidez,  às legítimas esperanças do povo, que a Educação prepare devidamente a juventude para os diversos sectores da vida profissional, cultural e científica e que seja organizado e posto em acção um eficaz combate à corrupção e aos crimes financeiros e fiscais.

O importante não é prometer, mas cumprir o prometido, governar sem despesas evitáveis e excessivas.

Imagem do Google

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Uma nova sociedade está a nascer

Os posts «Já estamos na nova Era» e «A sociedade está em mudança» originaram comentários, quer directamente no blogue quer por e-mail, que variaram desde o receio do termo ’revolução’ até à esperança optimista de uma purificação dos comportamentos que tragam uma vida mais pura, honesta e digna, aos vindouros.

Embora compreenda o tradicional receio de muita gente a qualquer perspectiva de mudança, temendo o pior, ou apenas pelo esforço de adaptação a novas maneiras de viver, tenho grande esperança de que a inteligência colectiva funcione no melhor sentido. Poderá não ser visível já, para a maioria das pessoas, mas dentro em pouco teremos sinais iniludíveis da boa mudança. E os mais atentos já os encontram na vida colectiva.

Com efeito, são bons sinais os seguintes:

O post «A convergência (união) faz a força» que se baseia no almoço-reunião do Presidente eleito dos EUA, com o actual ainda em exercício, e com os anteriores, independentemente dos respectivos partidos de origem, é um sinal de abertura, de democracia, no melhor sentido do seu significado original. Estando acima de tudo a defesa dos interesses do Estado, não deve haver cores a separar os esforços das pessoas que, pelo seu saber e experiência, melhor podem influenciar as soluções. A união, a convergência de esforços, é imprescindível, porque gera força, aumenta a eficácia.

Por cá, também se notam alterações nomeadamente no esforço para reduzir as imunidades mal interpretadas e abusivamente aproveitadas, diminuir os casos de impunidade, embora sejam frequentes as lamentações do mau funcionamento da justiça em vários aspectos, por deficiência das leis e acomodação dos juízes. Mas mesmo assim, também aí se notam sinais da evolução da sociedade, como indicam as notícias: «Governador investigado por acumulação de funções», «Câmara em risco de perder mais de metade dos eleitos». O Tribunal de Contas cuja actividade meritória tem pouca divulgação e desperta pouca atenção à vulgaridade da população é motivo das notícias «Tribunal de Contas chumba dois primeiros anos de Santana em Lisboa» e «Dívidas aumentaram com Santana Lopes». Também as finanças estão a apontar os óculos para os gestores públicos, até agora imunes e impunes, como mostra a notícia «Gestores públicos locais na mira da Inspecção-Geral das Finanças». O caso da Gebalis, muito falado há poucos dias, bem como a casa social da Câmara de Lisboa ocupada por Isabel Soares durante quase duas décadas também são casos sintomáticos.

E, se Portugal não souber ou não quiser sanear os seus processos de gestão dos dinheiros públicos, a União Europeia mostra-se atenta como se deduz da notícia «Ajuste directo nas obras públicas é um risco e vai irritar Bruxelas»

Enfim, há vários indícios de que os posts atrás referidos não são tão utópicos como alguns pensam. O mundo vai melhorar para as novas gerações e estas, como as principais beneficiadas, mostram estar atentas e interessadas na recuperação de valores que ultimamente têm sido desprezados e deram lugar à competição selvagem a ver quem enriquece mais depressa e mais habilidosamente.

É preciso que as vozes que são ouvidas e, portanto, os blogs, apontem de forma estimulante os sinais positivos que vão surgindo. Dessa forma, o percurso será mais curto por o progresso ser mais rápido.

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