Mostrar mensagens com a etiqueta lógica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta lógica. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 24 de julho de 2018

SENSATEZ, LÓGICA E MÉTODO

Sensatez, lógica e método
 (Publicado no Semanário O DIABO em 24 de Julho de 2018)

 A vida real oferece lições que não devemos desperdiçar: casos como o dos rapazes bloqueados em gruta na Tailândia, o da crise do Sporting e a falhada tentativa de eliminar as touradas mostram que, ao decidir uma acção vistosa, é indispensável utilizar os ensinamentos da vida para a preparação da decisão. É conveniente não deixar de usar sensatez, uma finalidade bem ponderada, uma lógica assente na análise das vantagens e inconvenientes e uma estratégia correcta no percurso desde o ponto de partida até ao objectivo.

 Ser lunático, utópico ou sonhador, é aceitável quando se é coerente consigo próprio, com a natureza e com um futuro melhor. Foi com base em sonhos lunáticos que se realizaram grandes passos em frente ao longo da história da ciência, da tecnologia, da arte, etc., mas a concretização prática foi obtida por técnicos pragmáticos bons conhecedores das realidades e das ferramentas de trabalho para darem à ideia um plano e um projecto realista.

 Infelizmente, o mundo tem sofrido as consequências de aventuras fúteis e precipitadas por entusiasmos de pessoas, com poder, que se consideraram competentes e detentoras de toda a verdade e saber e cometeram erros graves cuja recuperação teve que ser demorada e com muitos danos para a Humanidade. O caso da gruta na Tailândia pode ter resultado de curiosidade, mais ou menos científica, ou colectiva ou apenas do treinador que induziu os seus discípulos a uma situação irreflectida e com riscos incompatíveis com as suas capacidades de solucionar. Felizmente para eles, tudo acabou bem, mas deixaram a lição de que aventuras deste género devem ser tomadas apenas por grupos de dois ou três, tendo atrás um apoio para socorro imediato no caso de dificuldade inesperada.

O caso do Sporting Club de Portugal foi grave e inconveniente, lesando a sua história relevante, não apenas na imagem, mas também nos próximos resultados. Estiveram em foco a falta de sensatez, de ponderação, de lógica, sem método nem finalidade racional e coerente, que alguns jornalistas apelidaram de loucura. Os conflitos geradores de hostilidades entre pessoas que devem usar convergência de esforços, são de evitar a todo o custo, para não estragar o espírito de equipa. O consenso deve ser a ferramenta a usar com lealdade e espírito construtivo para conseguir o maior êxito do trabalho conjunto. O respeito pelos outros e a vontade de obter vitórias devem ser desenvolvidos em permanência no espírito de todos os elementos de um clube.

Quanto à tentativa de acabar com o espectáculo das touradas, foi mais um exemplo da mentalidade de políticos que se consideram donos de todo o bom senso e querem impor ao povo as suas idiotices, custe a quem custar. A vida não pode ser gerida por caprichos. Tive animais domésticos e gosto de todos os animais, como se deduz do texto publicado recentemente, “Os ‘ditos irracionais’ e nós”, mas discordo que se faça a antropomorfização dos animais. Cada macaco em seu galho. Se se pretende chegar ao ponto de proibir as pessoas de se alimentarem de carne para não sacrificar a vida de animais, como se vai condenar o leão que come a zebra, ou outros animais carnívoros que seguem as forças da natureza para se alimentar? E qual é o bom senso de um político que quer proibir a tourada, divertimento do touro que nela mostra a sua valentia e combatividade, mas ignora o sacrifício de muitos desportistas que arriscam a vida para vencer uma prova? E que preocupação sente pelas pessoas que vivem com grandes dificuldades de subsistência? Devem ser escolhidos objectivos de VALOR, com SENSATEZ, e procurar concretizá-los com LÓGICA e MÉTODO. ■

António João Soares
17 de Julho de 2018

Ler mais...

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Brincando com o Fogo…

Brincando com o fogo…

A notícia do dia saiu há cerca de duas horas Governo aumenta contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social, passando a contribuição dos trabalhadores dos actuais 11% para 18%, fazendo bem as contas, trata-se de um aumento de 63,6% (18:11-1x100) . Isto é mesmo brincar com o fogo.

E não lhe faltaram conselhos de pessoas prestigiadas da sua área ideológica. Por exemplo o PR disse que «mais sacrifícios devem ser para os que ainda não os suportam, mas o governo decidiu causticar mais ops que já têm sido mais penalizados e sem resultados visíveis na melhoria do défice (a obsessão das finanças). Por outro lado Feitas do Amaral, ex-líder do CDS e ex-parceiro do PPD na AD defende subida dos impostos para os mais ricos.

Isto faz lembrar a frase de John Bradshaw (1933-….) Educador americano « "Vergonha" é uma emoção que nos deixa saber que somos finitos.» Mas os nossos políticos, vindos da carreira política, consideram-se infinitos, usando da mais refinada arrogância, impondo os seus caprichos «custe o que custar», chamando aos cidadãos piegas, histéricos, etc. e rodeando-se de assessores oriundos da mesma «carreira», autênticos «yesmen» que aconselham ao chefe aquilo que ele goste de ouvir e depois procuram tapar os erros com desculpas esfarrapadas do tipo crescimento positivo em oposição ao crescimento negativo.

E porque não se explica quais os factores decisivos que impediram a concretização das expectativas criadas em relação com as parcerias público-privadas, os observatórios, as fundações, as empresas públicas e as autárquicas? Não estaria aí uma solução socialmente mais justa e menos causticante para o desemprego o empobrecimento das pessoas e o défice orçamental?

Se houvesse um pouco de bom senso ou de vergonha, teria sido mais lógico e patriótico seguir as sugestões de Cavaco Silva e de Freitas do Amaral, em vez de brincar com o fogo.

Imagem de arquivo

Ler mais...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Causalidade e Rã Surda

Transcrição de artigo do Público, seguida de NOTA:

  "Nos países desenvolvidos"
Publicado no Jornal de Notícias de 19-04-2012, às 00.00. Por Manuel António Pina

É conhecida a anedota da singular noção de causalidade daquele investigador que cortou as patas a uma rã e lhe disse: "Salta!"; e que, como a rã não saltasse, concluiu que, quando se cortam as patas às rãs, elas deixam de ouvir.

Ocorreu-me essa história ao saber do estudo que sustenta mais uma nova redução das indemnizações por despedimento que o ministro Álvaro (quem haveria de ser?) anunciou que levará à Concertação Social, estudo que conclui que... nos países desenvolvidos indemnizar trabalhadores despedidos não é obrigatório. Assim, acabam-se com as indemnizações por despedimento e, zás!, passamos a "país desenvolvido". E poder-se-ia ainda aumentar também os salários para os níveis praticados nos países desenvolvidos e então é que ficaríamos tão desenvolvidos, ou mais, que os países desenvolvidos. A ideia, no entanto, não ocorreu ao ministro Álvaro, como não lhe ocorreu a ideia de se demitir, pois nos países desenvolvidos ninguém salta da blogosfera para ministro...

A mesma provinciana lógica causal foi recentemente invocada pelo secretário de Estado da Saúde para justificar uma nova cruzada antitabagista: nos países desenvolvidos - mais um esforço, portugueses, se quereis ser nova-iorquinos! - é proibido fumar na rua, no automóvel, na própria casa de cada um.

E, já agora, por que não restaurar também a pena de morte, seguindo esse exemplo extremo de país desenvolvido que são os Estados Unidos?


NOTA: Infelizmente, a «pressa» dos governantes leva-os, frequentemente, a conclusões inconsistentes acerca da essência dos problemas esquecendo que «não se deve tomar a nuvem por Juno». As soluções eficazes não podem reduzir-se a colocar em peça velha remendos vistosos mas inadequados.

Sobre o mesmo ministro sugere-se a leitura do artigo de opinião de Fernando Santos com o título Álvaro e o canto de sereia (basta fazer clic). Tem estilo diferente e aborda aspectos de grande fantasia.

Imagem de arquivo

Ler mais...

sábado, 15 de maio de 2010

Equilíbrio e acção

O post A Balança colocado no Sempre Jovens por Fernanda Ferreira (Ná) suscitou-me as seguintes reflexões sobre a confusão que muitas vezes se vê fazer entre equilíbrio, estabilidade, e estagnação.

Há dias em, conversa com uma pessoa que se gabava de ser equilibrada sempre igual a si própria, tive a frontalidade de a comparar a uma peça de olaria que, sem flexibilidade, continuará sempre igual até ser destruída, até ser transformada em cacos, mesmo que seja uma preciosidade de arte antiga.

A vida não é estagnação, é movimento, flexibilidade, jogo de cintura, adaptação ao ambiente, às circunstâncias, movimento com curvas, subidas e descidas, travagens e acelerações.

Viver em equilíbrio é atravessar o obstáculo em cima do arame, sem parar, é andar de bicicleta em que não se pode parar sem um apoio externo (pôr o pé no chão ou encostar à parede) e o desvio do volante é que nos dá o equilíbrio sendo este mais fácil com o aumento da velocidade.

Por vezes, temos a tentação de elogiar o equilíbrio, a estabilidade, quando apenas se trata da estagnação, do pântano, da putrefacção, do «cada vez mais do mesmo».

Tal como o equilibrista do circo em cima do arame é preciso ter um objectivo bem determinado, com valores éticos, e depois orientar todos os passos, todos os gestos, de forma a conduzir para lá, sem cair dramaticamente pelo caminho, sem se deixar derrotar pelas pequenas contrariedades.

Na busca do equilíbrio, é verdadeira a frase «parar é morrer». É indispensável fazer face da forma mais correcta aos pequenos desequilíbrios que ocorrem permanentemente. O equilíbrio é o resultado dessa dinâmica.

Ler mais...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Fazer contas na era da calculadora

O professor iniciou a aula distribuindo uma folha com um problema: Tês amigos lancharam na pastelaria do seu bairro. Ao pedirem a conta o empregado disse quee eram 30 euros. Cada entregou uma nota de 10 euros. O empregado entregou o dinheiro ao patrão que estava junto da caixa registadora e este disse que , por aqueles clientes serem antigos e com bons consumos, a conta ficava nos 25 euros, e entregou 5 euros aos empregado para lhes devolver Perante isso, o empregado, para facilitar as contas de divisão por três, ficou com 2 euros e entregou 3 aos clientes.

Fazendo as contas, verifica-se que depois da conta de 30 euros ser reduzida para 25, e da devolução dos 3 euros, cada cliente pagou 9 euros o que perfaz 27 euros, a somar a isso, o empregado ficou com 2 o que perfaz 29 euros e pergunta-se onde está o euro que falta para os 30.

Ao fim da aula nenhuma aluno tinha respondido à pergunta. O professor disse que pensassem nisso em casa e, se precisassem, pedissem ajuda a familiares e amigos. No dia seguinte voltariam ao problema.

E você, sabe responder?


No dia seguinte, não havia resposta e, então, o professor explicou.

O problema é simples. Não falta nada. Houve apenas um mau emprego da calculadora, porque ela faz contas depressa, mas não pensa que contas devem se r feitas. Não sabe se deve somar ou subtrair, se deve multiplicar ou dividir.

Vejamos: cada cliente pagou 9 € o que multiplicado por 3 perfaz 27€, dos quais, 25€ foram destinados ao patrão da pastelaria e os restantes 2€ ficaram nas mãos do empregado. Portanto, ficou tudo certo.

Ler mais...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Ota. Justificação mal contada

São frequentes, na Comunicação Social e na Internet referências a interesses obscuros na defesa do NAL (novo aeroporto de Lisboa) vir a ser localizado na Ota. Há quem critique azedamente o emprego do adjectivo «obscuro». Mas, perante tão vultoso investimento e argumentos tão convincentes nos aspectos negativos de construção, de segurança nas fases inicial e final dos voos e na distância a Lisboa, ninguém tem dúvidas de que, forçosamente, terá de haver grandes interesses. Quanto à sua obscuridade, esta vai sendo clarificada com o tempo, mas talvez não ficando totalmente transparente em data útil.

Efectivamente, já vieram a lume os interesses de empresas e autarquias da região, incluindo mesmo autarcas de partidos da oposição, e bem evidenciados pelos delineados investimentos na área do turismo. Num futuro relativamente próximo, os turistas em vez de virem a Portugal visitar os Jerónimos irão ver a capela de Ponde do Rol.

Quanto aos interesses ainda ocultos e embiocados, o véu começa a mexer-se deixando entrever indícios significativos. Ontem ouvi na TV o inefável, ofuscante, imperscrutável, insondável, Dr. Almeida Santos opor-se à construção do NAL na margem Sul do Tejo visto que «a OTA é uma boa opção porque não há pontes e, no caso de atentados ficava-se com um aeroporto isolado na margem sul, se fosse ali construindo». Enfim, uma indicação de alvo remunerador aos terroristas e nada mais de válido. Tão inteligente que ele era ! e como está agora tão diminuído pela idade! Mesmo que uma ponte fosse destruída, Lisboa não ficaria isolada do seu aeroporto na outra margem porque a ele está ligada por várias pontes ( e estão previstas outras) e há sempre a possibilidade da travessia por barco.

E, se o Sr. Dr. actualizasse as dioptrias dos seus óculos, talvez conseguisse vislumbrar que entre Lisboa e a Ota passa-se por, não uma mas, entre grandes e pequenas, dezenas de pontes todas vulneráveis a actos terroristas. Além de que a pista do NAL na Ota terá de ser construída sobre várias pontes dado que irá ser colocada sobre, pelo menos, três ribeiras importantes, além de outras linhas de água criando vãos menores.

Mas além deste ilustre causídico e político nos querer lançar poeira aos olhos para não vermos os seus interesses, o «engenheiro civil inscrito na Ordem», ministro das Obras Públicas, iberista e sabendo umas palavras de francês, argumentou de forma muito «elucidativa» que o aeroporto não devia ser construído na margem Sul por aquelas paragens serem um deserto sem população, escolas, hotéis, etc. Ora o Sr. ministro, a quem não atribuo adjectivos para não ser perseguido como o Dr. Fernando Charrua, para evitar o deserto, podia manter o aeroporto na Portela, em Lisboa, bastando demolir alguns prédios para a sua ampliação. E, para o instalar em local ainda menos deserto, podia situá-lo no centro de Lisboa, em que Avenida da Liberdade, após alguns trabalhos de engenharia, mais baratos que os da Ota, dava uma bela pista. E a Fontes Pereira de Melo dava outra pista para ventos de direcção diferente. Afinal, ao querer sair-se de Lisboa, não se pretende sair de uma área densamente povoada?!!! Onde está a lógica Sr. ministro?

Se os interesses das gentes o Oeste são claramente visíveis, os destes políticos, argumentados de maneira tão infantil e incomprensível, têm de ser classificados de «ocultos». Se alguém achar que estou errado, agradeço que me ajude a compreender que neste caso estão em jogo verdadeiros interesses nacionais, integrados numa estratégia patriótica consistente. Sem essa explicação continuo confuso, cheio de dúvidas e considerando tudo isto muito pouco transparente.

Ler mais...