O aumento das capacidades em Matemática, por parte dos estudantes nacionais, é hoje um dos pontos fortes da Comunicação social, intitulado como milagre. A preocupação exagerada com as estatísticas e a sua manipulação, para impressionar os incautos, estão a tomar proporções de escândalo.
Por um lado, as manigâncias da estrutura governamental da Educação conseguiram que, num simples ano, os jovens portugueses do secundário ultrapassassem as suas dificuldades com a Matemática e de uma média de 9,4 passaram para 12,5. E, ainda mais positivo, parece ser o facto das próprias reprovações terem baixado de 18% para 7%.
Parece um duplo êxito! Mas a Associação Portuguesa de Matemática, obviamente, desconfia. Cotejando estes dados com declarações pouco caras de representantes do ministério, fica-se na dúvida de existir uma mudança de critérios, agora mais "amigos" na avaliação da ignorância.
São sinais claros de que os governantes pretendem mostrar a convergência com a Europa através de um simples exercício numérico. Para eles, se as estatísticas forem melhores e permitirem comparações mais favoráveis com a Europa, tudo será mais bonito! Tem se visto nas declarações dos responsáveis pela Saúde, pela Justiça, pela Segurança Interna, etc.
Sobre este título, sugere-se a leitura de:
Milagre na matemática
Alunos internos chegam aos 14 valores de média na Matemática
Exames Nacionais: Taxa de chumbos a Matemática A cai para 7%
No entanto, as estatísticas não podem ser totalmente manipuladas nem escondidas e, assim, aparecem notícias como as seguintes:
Receitas de IMI subiram 50% entre 2003 e 2007
Promessas fiscais de José Sócrates para as famílias terão efeitos marginais
Quase metade dos portugueses está vulnerável à pobreza
Portugal é o país da "Europa rica" com mais desigualdades salariais
O conhecimento da Matemática permite à população não se deixar enganar pelas estatísticas que lhes são atiradas à cara. Talvez por isso tenha havido tanto cuidado em não lhes dar muita sabedoria sobre esta disciplina.
sábado, 5 de julho de 2008
Ilusionismo usa a estatística como ferramenta
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A. João Soares
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Etiquetas: estatística, ilusionismo, matemática, propaganda
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Uso insensato da estatística
Transcrição do seguinte artigo, do «Globalnottícias» de 18Out2007
Estatística não gosta de Alicínio
Por: Rafael Barbosa
Alicínio, 60 anos, vive na aldeia de Redondelo, em Valpaços, Trás-os-Montes. É homem de poucas posses, aspecto franzino e doente. Vive sozinho e sobrevive com cerca de 400 euros. Levantara aliás a pensão no dia anterior. Estava em casa a dormir. Acordou quando o sangue já lhe escorria pelo corpo.
Como se não fosse violência suficiente deixar um homem sem o dinheiro que lhe garante a sobrevivência, o jagunço que lhe entrou em casa esfaqueou-o e espancou-o selvaticamente. A população de Redondelo ficou chocada, mais do que com o assalto, com a violência usada. Mas Alicínio e a população de Redondelo pouco contam para quem pode e manda. O que conta é a estatística. E segundo a estatística, que o ministro Rui Pereira gosta de citar, a criminalidade está a descer. Alguém tem de explicar isso a Alicínio.
NOTA: Os senhores políticos deviam ter mais senso ao falar de estatísticas em problemas de pessoas. As estatísticas são úteis para efeitos de estudo, planeamento e controlo, mas não para argumentar com as pessoas que, logicamente, sentem o seu caso pessoal com subida importância. Para referir um exemplo clássico, será doloroso o Sr a que, num restaurante, «almoça» um croquete e um copo de água, enquanto o outro cliente presente come um frango de churrasco com meia garrafa de vinho, dizer-lhe que estatisticamente cada um comeu meio frango de churrasco. O Sr. ministro seria capaz de dizer frontalmente ao Sr. A essa estatística? Imagina qual seria a reacção desse cidadão?
Por favor senhores políticos, deixem de considerar parvos todos os cidadãos. É certo que alguns poderão sê-lo. Mas, apesar de tudo o que se diz, poucos cidadãos estão na política.
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A. João Soares
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Etiquetas: arrogância, estatística, insegurança, insensatez
quarta-feira, 6 de junho de 2007
A armadilha das estatísticas
Sempre gostei da matemática e nada tenho contra as estatísticas, Porém, fico eriçado quando se utilizam os números estatísticos para lançar poeira aos olhos das pessoas. Já é velho o exemplo de que quando dois amigos comem um frango de churrasco se diz que cada um comeu meio frango, o que pode ocultar a triste realidade de um ter comido todo o frango e o outro só o ter cheirado ou nem isso.
O aumento do PIB per capita não significa obrigatoriamente que todas as pessoas melhoram o seu poder de compra, pois o mais provável é que haja muitos que pioram a sua situação financeira em compensação de outros que aumentam grandemente a sua riqueza. A cada aumento do PIB per capita há, forçosamente, uma maior diferença entre os mais ricos e os mais pobres.
Moralmente, seria defensável que os aumentos beneficiassem os mais carentes para ser obtida uma mais justa e equilibrada distribuição da riqueza. Mas tal só seria conseguido por uma intervenção autoritária do Poder político, contra-natura, e que seria injusta e desincentivaria o desenvolvimento, pois este advém, normalmente, das capacidades dos mais aptos, dos mais preparados, dos mais ousados, que se sentiriam desmotivados e explorados se lhes retirassem o fruto da sua actividade meritória, com medidas tendentes à igualização da riqueza. E, pelo seu poder económico, exercem uma pressão incontornável sobre os governantes.
A recompensa do mérito não é de hoje e já a Bíblia (Mateus 25.14.30 e Lucas 19.11-27) nos relata a «parábola dos dez talentos», segundo a qual cada um deve receber o prémio da sua produtividade, o fruto da sua capacidade de gestão.
Daí que as manifestações contra a globalização, ocorridas durante a reunião do G8, sendo a expressão de uma justa preocupação dos menos favorecidos na economia mundial, poucos resultados palpáveis obterão. Mas se forem bem conduzidas com elaboração de informação credível poderão tornar as condições menos punitivas para os explorados, devendo para isso apontar sugestões que beneficiem também os mais ricos, como a protecção do ambiente e tipos de actividade que, dando lucros aos tubarões, melhorem as economias mais débeis, elevando a qualidade de vida dos habitantes dos países menos desenvolvidos. Mas nunca perder de vista que os poderosos só são sensíveis ao aumento dos seus lucros, o que conduz a que a argumentação terá de ter isso em conta e sugerir actividades que sejam aceitáveis por eles e, ao mesmo tempo, úteis aos mais pobres. Há que seguir a estratégia dos navegadores das caravelas, não enfrentando os ventos dominantes mas utilizando-os para progredir com sucesso.
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A. João Soares
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Etiquetas: estatística, G8, globalização
