Mostrar mensagens com a etiqueta análise. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta análise. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 17 de abril de 2012

Porquês da crise…

Não pode aceitar-se que a crise tenha surgido por acaso ou acidente e, embora tenha afectado quase todo o Ocidente, há países onde ela se revestiu de maior gravidade e onde a recuperação se apresenta mais difícil e problemática.

Sem se identificarem as causas e sem serem tomadas medidas para se eliminarem os seus efeitos e evitar a sua repetição, a solução não pode, logicamente, ser encontrada.

Parece não haver dúvidas de que ela não surgiu por acidente, por acaso, por efeito de algo inesperado e grave, mas que se foi criando e agravando em consequência de vícios e manhas desenvolvidos e continuados ao longo do tempo. O tempo oxida, fermenta, apodrece, desgasta e envelhece tudo aquilo que não for beneficiando de manutenção, actualização cuidada e ajustamentos adequados. É esse universo de factores que deve ser analisado e corrigido correctamente.

Citam-se quatro notícias que merecem, alguma atenção:
- Ferreira Leite, referindo-se a medidas que já deviam ter sido tomadas em relação às 578 fundações privadas e 135 entidades públicas com estatuto de fundação, acusa governo de dar “caldos de galinha” a alguns…

- A condizer com a opinião de Ferreira Leite, Reis Campos, presidente da AICCOPN garantiu que, em 2011, Estado entrega a quem quer 90% das obras, por ajuste directo, beneficiando alguns e esquecendo muitos.

- O FMI, fazendo eco daquilo que os partidos da oposição e muitos colunistas e comentadores têm vindo a alertar, avisa que demasiada austeridade pode ameaçar a retoma. Realmente, sem poder de compra, não há comércio, sem este fecham lojas e empresas de produção e, com este estiolar da economia aumenta o desemprego e a miséria e a recessão torna-se difícil de parar.

- A confirmar este raciocínio, durante o IV Congresso da Indústria Portuguesa Agro-Alimentar, em Lisboa, foi vaticinado que o aumento do IVA vai eliminar 11 mil postos de trabalho na indústria agro-alimentar.

Mas muito preocupante e difícil de alterar é o que respeita aos números que circulam por e-mail e que a seguir se transcrevem, porque parece não haver vontade nem coragem de quem pode decidir para os corrigir, em virtude de esperar vis a beneficiar de «tachos» semelhantes. Os números poderão não estar certos, e provavelmente não estarão muito errados, e mostram alguns factores que explicam como se chegou a este tipo de crise:


«Se os números estiverem certos, se não houver demagogia... então fizemos muitos progressos em 37 anos de Democracia (financeiro-empresarial).

Como é que Portugal poderia estar de outra maneira?

1º Exemplo:
- O Presidente dos EUA recebe por ano $400.000,00 (291.290,417 Euros);
- O Presidente da TAP recebeu, em 2009, 624.422,21 Euros;
- O Vice-Presidente dos EUA recebe por ano $ 208.000,00 (151.471,017 Euros);
- Um Vogal do Conselho de Administração da TAP recebeu 483.568,00 Euros;
- O Presidente da TAP ganha por mês 55,7 anos de salário médio de cada português.

2º Exemplo:
- A Chanceler Angela Merkel recebe cerca de 220.000,00 Euros por ano;
- O Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 560.012,80 Euros;
- O Vice-Presidente da Caixa Geral de Depósitos recebeu 558.891,00 Euros;
- O Presidente da Caixa Geral de Depósitos ganha por mês 50 anos de salário médio de cada português.

3º Exemplo
- O Primeiro-Ministro José Sócrates recebeu cerca de 100.000,00 Euros por ano;
- O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS recebeu 249.896,78 Euros;
- O Presidente do Conselho de Administração da Parpública SGPS ganha por mês 22,3 anos de salário médio de cada português.

4º Exemplo:
- O Presidente da República recebe cerca de 140.000,00 Euros por ano;
- O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal recebeu 205.814,00 Euros;
- O Presidente do Conselho de Administração da Águas de Portugal ganha por mês 18,4 anos de salário médio de cada português;

5º Exemplo:
- O Presidente Sarkozy recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
- O Presidente de Administração dos CTT - Correios de Portugal, S.A. recebeu 336.662,59 Euros;
- O Presidente de Administração dos CTT ? Correios de Portugal, S.A. ganha por mês 30 anos de salário médio de cada português.

6º Exemplo:
- O Primeiro-Ministro David Cameron recebe cerca de 250.000,00 Euros por ano;
- O Presidente do Conselho de Administração da RTP recebeu 254.314,00 Euros;

7º Exemplo:
- O Presidente da Assembleia da República recebe cerca de 120.000,00 Euros por ano;
- O Presidente de Administração da ANA Aeroportos de Portugal SA. recebeu 189.273,92 Euros;
- O Vice-Presidente de Administração da ANA Aeroportos de Portugal SA. recebeu 213.967,23 Euros.»

Imagem de arquivo

Ler mais...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Falta autocrítica

Mesmo que não queiramos aderir a uma ou outra das grandes ideologias, encontramos em qualquer delas umas pílulas de sabedoria concentrada que nos são úteis. É o caso do «exame de consciência» católico, da «autocrítica» marxista ou da «análise da situação» nas doutrinas de gestão, preparação da decisão, organização, planeamento, programação e controlo.

Sem este cuidado de abrir os olhos para as circunstâncias envolventes, o passado recente e os objectivos desejados, pode cair-se no erro de seguir, teimosamente, às cegas, sem espírito crítico, uma pista errada que conduzirá a um ponto sem retorno, ao abismo irremediável. Estas reflexões surgem depois de ter passado os olhos por dois casos focados em jornais diários.

Na rubrica semanal do Diário de Notícias, «Dias contados», do sociólogo Alberto Gonçalves, ressalta a referência à irritação, exacerbada e sem justificação suficiente, do ministro dr. Santos Silva, cujas palavras revelam um zelo e uma adoração pelo PM que já o levara a «confessar o "especial prazer" que lhe dá "malhar na direita" e "nesses sujeitos e sujeitas" que "se dizem de esquerda plebeia ou chique". Como, de caminho, o dr. Santos Silva malha igualmente nos socialistas descontentes, é legítimo deduzir que o homem espanca qualquer criatura que não beije o chão pisado pelo eng. Sócrates. E que o faz por gosto.»

Parece tratar-se de uma obsessão cega e incontrolável em que é notória ausência de espírito critico, autocrítica, exame de consciência e análise da situação e, sem estes predicados, não lhe é fácil dar uma colaboração válida ao PM, e pode desperdiçar o crédito que o Bilderberg lhe tem dado. Ser bom colaborador não é dizer apenas e sempre «sim senhor», mas alertar para atitudes menos correctas e ajudar a corrigi-las.

No Correio da Manhã, Luís Oliveira, no artigo “Há tradição de abdicação cívica”, escreve sobre Manuel Alegre que disse que a resposta à crise actual exige "homens de nervos de aço e grande estatura ideológica", reconhece que no País "há uma tradição de abdicação cívica, para não falar de cobardia". Parece que estas palavras de um pensador que, normalmente, mede o que diz significam que é indispensável evitar a «abdicação cívica» e ter «estatura ideológica». Despreza o servilismo, o endeusamento incondicional, o «malhar» em todos os que pensem de forma ligeiramente diferente e, portanto, adopta o seguimento do conceito que no início citei com várias designações conforme a origem ideológica.

No mesmo tom deste, encontrei no Público um artigo também interessante com o título. «Manuel Alegre: são precisos "homens de grande estatura" e "soluções de esquerda" para combater a crise»

Ler mais...

sábado, 4 de outubro de 2008

Sinais da área militar - 6

Com a devida vénia, transcrevo o post seguinte, do blog Fio de prumo, da autoria do Sr Coronel Luís Alves de Fraga, a quem apresento os melhores cumprimentos.

União

O adágio popular diz que «a união faz a força». É certo que toda a união representa mais do que o somatório da força de cada elo da cadeia; poderíamos dizer, de forma tosca, que a união de uma qualquer cadeia é igual à soma da força dos elos da mesma mais a força do conjunto. Uma tal verdade genérica pode ter várias aplicações. Ocorreu-me, hoje, uma sobre a qual vou discorrer em discurso breve, mas conciso.

Mais do que noutros tempos já passados, têm sido os militares, nas suas diferentes categorias e Ramos, atacados por este Governo maioritário e dito socialista nos direitos que julgavam adquiridos. Tudo começou pela assistência sanitária e pelas comparticipações específicas que lhes eram dadas quer aquando da aquisição de medicamentos quer nos chamados actos médicos. De uma forma perfeitamente arbitrária o Governo retirou direitos que eram formas indirectas de pagar sacrifícios de uma vida ao serviço da Pátria. Pessoalmente essa arbitrariedade governamental passou a pesar-me na carteira mais de mil e duzentos euros no final do ano em despesas de farmácia!

Quando o militar está na efectividade de serviço pode, de acordo com os regulamentos que pautam a sua actividade, fazer chegar ao comando competente a manifestação da sua discordância em relação ao que afecta a sua vida. Pode dizer por escrito: «Exmo. Senhor, o que me é pago por mês não chega para satisfazer as despesas normais de sustento da minha família. Solicito que dê conhecimento do facto a quem de direito e que sobre o assunto seja tomada a resolução que se achar conveniente».

Pode dizer isto e o comandante ou chefe, se não for completamente inapto, deverá fazer chegar este desabafo ao escalão mais alto que lhe for possível. Talvez o militar reclamante nada ganhe com a reclamação, mas teve a oportunidade de, com lealdade, informar sobre a sua desmotivação. Ora, o que é verdade para um militar na efectividade de serviço já o não é para um que esteja na situação de reforma. Esse não tem para quem reclamar! Resta-lhe, então o quê? Juntar-se com os velhos camaradas em iguais circunstâncias e, em conjunto, carpirem as suas mágoas. Mas só isto? Na minha opinião, não.

Os militares reformados detêm um direito inestimável: o de livremente poderem reclamar em público contra o que acharem por bem. Confere-lhes esse direito a Constituição Política da República. Uma República democrática que ajudaram a construir há 34 anos. As amarras castrenses já estão soltas.

É verdade que o direito de reunião e de manifestação pode ser usado por todos os militares, reformados ou na efectividade de serviço, mas também é certo que sobre os primeiros já não tem a autoridade militar qualquer tipo de alçada. Isso dá àqueles um mais largo espectro de liberdade!

Se nós, militares reformados, soubermos tirar proveito da possibilidade de protesto público formamos uma cadeia que tem a força de cada um e mais a força do conjunto.
Aproxima-se a altura de podermos mostrar quanto valemos. Deixemo-nos de velhos pruridos e saltemos a juntarmo-nos engrossando a cadeia que nos dá força. Deixemos de lado a velha frase que fez escola aqui há alguns anos e que resumia a ideia de que o «chefe do sindicato» era o Chefe do Estado-Maior do respectivo Ramo. Está mais do que provado que eles não são «chefes de sindicato» nenhum e, até, se calhar, já mal representam os direitos e interesses daqueles que comandam.

Camaradas de armas unamo-nos!

Luís Alves de Fraga

NOTA: A liberdade só tem significado se for utilizada. Se o não for, não serve para nada.

Ler mais...