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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

REGIONALIZAÇÃO É CASO A PONDERAR


Regionalização poderá ser uma solução a escolher de entre outras possíveis. Um amigo, pessoa muito esclarecida, receia que ela «não passe de um expediente para aumentar os tachos políticos» E que, «perante casos como a Madeira, com a tendência portuguesa para as coisas correrem mal, o melhor (e mais barato) será deixar as coisas como estão».

Não me comprometo com qualquer solução sem que sejam bem apreciadas todas as possibilidades para, de entre elas, ser escolhida a melhor quanto a quociente de vantagens e inconvenientes. Mas não consigo deixar-me vencer pela tentação da rotina, do deixa andar, do mudar para ficar tudo na mesma. Parar é morrer. É certo que a mudança traz riscos e obriga ao esforço da adaptação da vista à nova paisagem, à criação de novas rotinas. Não me comprometo com um qualquer tipo de mudança, mas no artigo aqui publicado anteriormente, citei vários pensadores para se meditar que a mudança não deve ser um faz-de-conta, mas sim uma alteração profunda de procedimentos de sistemas, de pessoas, de partidos.

Há que acabar com um Estado despesista e inoperante, que vive da política de fachada e nada muda, promete reformas e nem lhes toca. Onde está a limitação do abuso de «FUNDAÇÕES» financiadas pelo Estado?. Onde está o decisivo corte da burocracia e da CORRUPÇÃO que ela gera? Onde está a legislação que permite condenar o enriquecimento ilícito?. Parar é morrer. A mudança é significado de vida, de seguir a lição da Natureza. A água do rio não para (a não ser ocasionalmente, para ganhar força e vencer um obstáculo que não pode tornear. Quando pára, morre, num pântano pestilento.

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domingo, 11 de março de 2012

Heranças indesejadas

Um dia, em viagem pelo interior, um companheiro lamentava que os donos de um solar em ruínas fossem tão desleixados que não trataram da manutenção do palacete rural e não evitaram que entrasse em ruína. A conversa decorreu e chegou-se à conclusão que quem herdou a propriedade teria, certamente, muito prazer e vaidade em possuir o solar nas melhores condições, mas os seus rendimentos talvez fossem pouco mais que suficientes para manter a família e pagar os estudos dos filhos, pelo que a herança do solar constituiu um problema para ele. Mas, não tendo possibilidade de o rentabilizar, inclusive alugando a um hoteleiro que o quisesse utilizar para turismo rural, teve que optar por desprezá-lo.

Realmente, o mundo está em permanente evolução ou mudança e não podemos teimar em manter os hábitos e as rotinas que herdámos. Há que raciocinar serenamente na busca de melhoramentos que nos sejam mais vantajosos em conformidade com os factores das novas situações reais.

Estas reflexões vieram à tona a propósito da resposta de um amigo a uma mensagem que repassei, acerca do pesado orçamento do palácio de Belém (163 vezes superior ao do tempo do General Eanes, descontando a inflação) e da quantidade de pessoal que ali pesa na folha de pagamentos, cerca de 500. Escreveu esse amigo «mas o actual PR apenas herdou o sistema que vinha de trás - e é óbvio que não tem capacidade para o modificar. Por isso, pouca responsabilidade lhe pode ser assacada».

Gostava que me explicassem como é que o PR, sendo a entidade superior do país, o Supremo Magistrado da Nação, não tem poder para reduzir a obesidade da Presidência. Quem é que o impede de estruturar a Presidência, de forma económica, eficaz e adequada às necessidades, sem tantas centenas de colaboradores, que, infelizmente para ele e para o País, não o têm impedido de cometer gafes e limitar-se muitas vezes a dizer banalidades.

Custa-me aceitar que os políticos tenham criado condicionalismos legais que impeçam o PR de estruturar da forma mais conveniente, em termos custo/eficácia, os serviços da Presidência e o obriguem a dar seguimento à herança, com os vícios e erros, que encontrou na burocracia e compadrio de uma instituição demasiado pesada, opada, obesa, em relação ao «pouco» que produz para bem dos cidadãos, com excepção para os que constam na folha de pagamentos.

Não é lógico nem moral que o Supremo Magistrado da Nação seja escravizado pela máquina cara e obsoleta, engordada, impunemente, ao longo do tempo por sucessivos interesses inconfessados, que encontrou, sem poder alterá-la.

Há, realmente, heranças indesejadas.

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Peso paralisante da rotina

Era um domingo de Outubro de 1955. O jovem alferes Figueiredo tinha chegado há dois dias à Unidade, em Viseu, perto do Rossio, no antigo convento de S. Francisco. Sem ainda conhecer os cantos à casa, os espaços e as tradições, viu-se investido com o braçal encarnado de oficial de dia e inteiramente responsável pelo quartel.

Meticuloso dedicado e com vontade de ser eficiente, logo que rendeu a parada procurou iniciar a aprendizagem rápida da segurança da unidade, começando pelas funções do pessoal de serviço. Rondou o quartel, analisou as funções de cada sentinela e plantão e foi-se integrando no espírito da Unidade.

Mas chocou com uma situação que não conseguiu perceber. No vasto espaço que era mais do que uma simples parada, estava um plantão a pouca distância dos frondosos carvalhos. Para quê? Nenhum dos presentes lhe conseguiu responder. Já era assim quando ali se apresentaram.

O capitão Lopes, muito dedicado ao quartel, quando saiu da missa na Igreja da Ordem Terceira, ali ao lado, passou para ver se o novo Alferes estava atento ao serviço, mas ele também não sabia esclarecer o papel do plantão à parada. Quando ali foi colocado havia uns bons pares de anos, já era assim.

O Figueiredo não estava disposto a amordaçar a sua curiosidade, mas não tinha pistas para a investigação, até porque, sendo domingo, não podia consultar arquivos ou biblioteca, devido à ausência dos responsáveis pelas chaves.

Mas,pouco tempo depois de almoço, a ordenança veio dizer-lhe: Mê alferes está ali um velhote que lhe quer falar. Manda-o entrar. Era um octogenário com um neto e uma bengala em que se apoiava: Saiba Vossa Senhoria que sou sargento ajudante reformado que aqui passei todo o meu tempo de serviço activo e gostava de mostrar ao meu neto o quartel onde prestei serviço.

Para o Figueiredo, acendeu-se uma luz. Contou-lhe a sua curiosidade acerca do plantão à parada. O velhote com os olhos brilhantes: Não me diga que ainda ali há um plantão! Ali havia um pequeno lago com três bancos à volta e jardim. Um dia os bancos foram pintados e, para que nenhuma militar neles se sentasse e sujasse a farda, foi lá colocado um plantão para evitar tal percalço. Mas, pelos vistos, já não há jardim nem lago nem bancos, e continua a ser escalado um plantão para lá!!!

O Figueiredo, com o seu zelo e dedicação juntou em anexo à parte do Oficial de dia, a descrição do sucedido, do que resultou um elogio verbal do comandante e a alteração no esquema de serviço passando a haver um plantão a menos.

Em período de balanço de 2011 e de planeamento do 2012, esta recordação tem interesse. Como dizia João Duque em artigo no Expresso de 23 deste mês, haverá por aí muitos organismos governamentais ou autárquicos ou mesmo em empresas privadas que apenas existem devido a rotinas e tradições obsoletas, paralisantes, estupidificantes, sem realizarem qualquer serviço para a sociedade, ou para os fins das instituições de que fazem parte.

Muitos serviços apenas produzem trabalho meramente burocrático que sobrecarrega outros serviços e acaba por ser arquivado, ocupando espaço, depois de ter empatado muitas horas de vários funcionários cuja actividade poderia ter sido útil noutra finalidade e constituir um bom investimento do salário respectivo.

Neste momento de passagem do ano, deve ser feita uma análise fria e desapaixonada, e substituir o passado desnecessário por um futuro mais racional e eficaz. Dito de outra forma, é preciso eliminar as obesidades desvantajosas, inconvenientes que só têm como resultado a manutenção de parasitas e a lentidão do funcionamento da máquina.

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terça-feira, 10 de março de 2009

Felicidade sem rotina

A felicidade é algo mal definido, desejado por todos, que se presta a reflexões de profundidade variada e raramente conclusivas. Mas não é ocioso olhar para os estímulos que contribuam para criar esse sentimento de paz e harmonia interna e pessoal.

Em qualquer actividade é indispensável parar por breves instantes ou criar um intervalo suficiente para fugir à rotina, pensar na racionalidade daquilo que está a ser feito e procurar respostas concretas às perguntas: O quê? Para quê? Porquê? Como? Onde?

A rotina enfraquece a actividade cerebral, afasta o espírito do controlo do corpo, das mãos e dos pés, etc. É preciso analisar o passado com os seus sucessos e fracassos, a fim de retirar lições para uma melhor gestão do presente e abrir pistas para o futuro, mas não devemos ficar agarrados ao que já não tem interesse vital para as decisões a tomar hoje, nem continuar a festejar os êxitos nem prolongar o sofrimento dos erros cometidos. O passado passou e já não merece muita atenção a não ser as lições aprendidas que contribuam para obter sucesso ou evitar fracassos..

Temos que ser felizes e acertar hoje, agora. Não somos felizes com aquilo que sonhámos mas não alcançámos, não somos felizes com aquilo que não temos. A felicidade depende apenas daquilo de que agora dispomos, mesmo que seja pouco, mesmo que seja apenas o sol, a paisagem, as flores... Se não formos capazes de sentir prazer com aquilo que temos à nossa volta, à nossa vista, ao nosso alcance, à nossa disposição, então não somos felizes. Mas podemos sempre potenciar os factores de bem-estar, utilizando melhor os recursos de que dispomos. A felicidae na rotina, na apatia, na concordância incondicional com tudo o que nos impingem é uma atitude de patetas. O cérebro e os sentimentos positivos devem sem mobilizados para a verdadeira felicidade, a que resulta do sucesso depois de serem assumidos alguns riscos calculados.

A felicidade não depende do exterior mas da nossa forma de ver e sentir, de nós próprios. Há pobres que vivem alegres e satisfeitos com o pouco que têm, mas há ricos a quem nada falta mas que nunca se sentem felizes, porque lá por dentro não estão satisfeitos com a vida, querendo aquilo que não têm e por que anseiam. Não quer isto dizer que devamos cristalizar naquilo que somos e temos, pois um pouco de ambição ajuda a melhorar a vida, a ambição de ser melhor, mais generoso, mais humano, mais perfeito, mais comunicativo, mais colaborante, mais produtivo, etc.

Recordemos a história do sultão, doente sem ninguém atinar com a cura do seu mal. Um curandeiro de fama internacional aconselhou-o a vestir a camisa ainda quente de homem que seja feliz. Os servidores foram à procura de um tal homem. Depois de muitos dias de caminhadas, em vão, por montes e vales, ouviram um camponês longe cantar que era feliz. Pensaram ter encontrado o remédio que procuravam, dirigiram-se para o local de onde vinha o canto e acabaram por encontrar um cavador sem camisa. Não havia solução. A felicidade não precisa de camisa, nem de riqueza nem de valores materiais.

Sem nunca nos considerarmos vencidos pelos fracassos, temos de continuar a luta pelo êxito, realçando a importância dos valores, de um sistema de verdadeiros Valores.

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