Trago aqui o comentário que ontem coloquei no post muito interessante de Celle PROVOCAÇÃO: TU ACEITAS???, por julgar merecer maior visibilidade do que no espaço em que está.
Este post é de grande interesse e elevado nível e muito dignifica o blogue. Parabéns Amiga Celle.
O texto alia o plano teórico ao prático das relações entre pessoas e instituições, incluindo os aspectos familiares.
Nos casos concretos, aceitar ou reagir é um dilema que deve resolver-se de forma correcta, através do melhor entendimento.
Nas relações entre as pessoas, deve seguir-se a norma: Respeitar os outros como queremos ser respeitados, não fazer aos outros o que não queremos que nos façam.
Aceitar, tolerar, ilimitadamente acaba por ser uma atitude patológica, de masoquismo com foros de martírio suportado voluntariamente. A fim de contribuirmos para um relacionamento social saudável devemos compreender os outros, as instituições, mas exigirmos respeito por nós próprios, pelos nossos direitos e não permitir que alguém abuse do seu poder em nosso prejuizo. Isto conduz-nos ao acto de reclamar.
Reclamar serenamente, mas com a intensidade e consistência adequadas de modo a impedir a continuação e a repetição dos actos lesivos dos nossos direitos. Reclamar ou criticar deve ter sempre como finalidade contribuir para que se dê o melhor rumo aos assuntos em questão. Toda a crítica deve conter, mesmo que apenas implicitamente, uma sugestão positiva, construtiva.
Por vezes, comete-se o erro de aceitar continuadamente até ficarmos com o saco cheio e depois, sob o efeito da ira, reclamar sem racionalidade, sem proporcionalidade com o motivo da ocasião e tal excesso acaba por fazer perder a razão ao reclamante. Há, por isso, que reclamar atempadamente com a serena força da razão e exigir que o respeito mútuo seja restabelecido ou nem sequer chegue a ser quebrado.
E se reclamar é considerado um direito, tem que passar também a ser tido como um dever, porque tal atitude contribui para o melhor relacionamento na sociedade e para a mais equitativa justiça social. Mão compete ao homem perdoar ou castigar mas apenas compreender e exigir que se cumpra a norma referida no início desta reflexão. Reclamar ou criticar não deve ser feito de forma foleiro, ressabiada, crispada, mal-educada, infantil e sem sentido de responsabilidade, no estilo evidenciado por José Lello.
Imagem do Google
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Aceitar versus reclamar
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Crítica positiva precisa-se
Há pouco ouvi o Dr. Mário Soares, como velha raposa, macaco de rabo pelado, homem de cabelos brancos a quem a vida deve ter ensinado muito, dizer que no momento presente, mais do que criticar e destruir o que existe, é fundamental apontar novas soluções, propor novas pistas para construir um País mais rico e justo. As palavras não foram estas, mas foi esta a ideia que captei por estar sintonizada com o muito que aqui tenho escrito insistentemente. Entendo que criticar de forma positiva é isso.
Curiosamente, hoje o jornal gratuito «Global Notícias», traz na página 2 dois pequenos textos com muito interesse pela forma como tratam a crítica positiva. Aqui os deixo para consulta e apreciação dos visitantes.
DEFENDER A CULTURA DA RECLAMAÇÃO
Silva Pires
Reclamar é um acto legítimo que, para os portugueses, as mais das vezes se resume a uma discussão sem efeitos. Ir até às últimas consequências é trabalho a que poucos se prestam, seja por comodismo, seja porque a burocracia complica aquilo que devia ser simples.
Nos meses de Agosto e Setembro, 21 cidadãos reclamaram o reembolso de portagens de auto-estrada, sobretudo devido ao tempo de espera provocado pela realização de obras. Ninguém foi reembolsado. Ainda assim, é de louvar a atitude destes 21 automobilistas. Todos ganhamos com o simples facto de haver quem leve até ao fim o direito de se sentir mal servido.
Faltam mais pessoas assim.
CRÓNICA EM JEITO DE MANIFESTO
José Jaime Costa
Era uma vez a “choldra”, como dizem que dizia o rei barbaramente assassinado no Terreiro do Paço.
Era uma vez o país estreito dos “brandos costumes” que nunca o foram.
Era uma vez a feliz confusão do Abril inevitável.
Era uma vez o “bom aluno da Europa” que em vez de crescer inchou com os mesmos vícios de sempre.
Era uma vez...
Mas agora é a sério! A cabeça já bateu no chão!
Chega pois de choradinhos, corrupções descaradas e impunes e mitologias sebastianistas.
Chegou o tempo dos que são iguais aos demais, e nada têm a dever ou a temer.
Chegou o tempo de usar tudo o que ensinámos e aprendemos.
Chegou enfim o tempo de nos voltarmos a “inscrever” no mundo.
Publicada por
A. João Soares
à(s)
16:18
0
comentários
