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domingo, 6 de junho de 2010

Guterres profeta do sistema

Transcrição

O profeta Guterres
Jornal de Notícias. 06-06-2010. Por António Freitas Cruz

Não sei o que pensava o engenheiro Guterres quando fugiu do Governo aterrado por um fantasma a que chamou "pântano". A verdade é que, daí para cá, tudo se passou como se o antigo primeiro-ministro tivesse proclamado uma profecia.

Não quero especular sobre a natureza do "pântano". Nem preciso: é mais do que certo que se tratava de qualquer coisa ameaçadora.

De facto, quando olhamos hoje para a sociedade que somos sem os óculos cor-de-rosa dos que apenas se interessam pela conservação do Poder, a visão configura um quadro assustador: a corrupção anda à solta a todos os níveis, é visível a promiscuidade obscena entre a política e os negócios, todos os dias se conhecem novos exemplos de favoritismos, amiguismos e compadrios sem quaisquer disfarces.

Enquanto tudo isto atinge as raias da sem-vergonha, acentuam-se desigualdades tremendas entre os que podem e os que não podem, entre os que têm e os que não têm. E a mentira é o manto diáfano que não consegue esconder uma situação desesperada!

Não me digam que desenhei um exagero deprimente e que a realidade não confirma o pesadelo. Acredito que Guterres teve consciência de que jamais lhe seria possível varrer o pântano para debaixo dos tapetes.

Então, preferiu fugir. Tinha gasto sete anos a inventar uma geração de governantes incapazes e estouvados de quem os portugueses nunca sentirão saudades.

Aí, sim, teve um enorme sucesso!

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Guterres é desejado

Depois de ter recusado o convite para representante da ONU no Afeganistão, António Guterres deverá ser reconduzido no cargo de alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, de acordo com a proposta feita hoje pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que informou a Assembleia Geral das Nações Unidas da sua decisão.

António Guterres, antigo primeiro-ministro português, será reconduzido para um segundo mandato de cinco anos, que começa a 15 de Junho. Esta recondução é uma honra para os portugueses, por demonstrar a eficiência com que o nosso compatriota desempenhou as suas funções durante o mandato que agora termina.

Desejamos que continue o seu êxito e que o seu trabalho seja facilitado pela desejável redução de pessoas a necessitarem da sua intervenção, sinal de que o mundo passaria a ser mais pacífico, integrado e tolerante, sem conflitos internos devidos a má gestão dos direitos humanos e da igualdade de oportunidades entre todos os cidadãos.

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Guterres possível representante da ONU no Afeganistão

Kai Eide, actual chefe das Nações Unidas em Cabul termina o seu mandato em Março e não quer ser reconduzido. António Guterres que foi primeiro-ministro português entre 1995 e 2002 e é chefe do ACNUR (Alto Comissariado da ONU para os Refugiados) desde 2005, faz parte da curta lista de cinco nomes em apreciação.

Amado, MNE, disse que se a opção sobre Guterres se confirmar, esta significará “o reconhecimento do mérito indiscutível que o engenheiro António Guterres tem assumido à frente de uma das agências mais importantes da ONU”.

Quanto ao enviado da ONU agora cessante, Kai Eide, os EUA criticaram a sua actuação em várias ocasiões, tendo havido um debate sobre o seu perfil: os norte-americanos queriam alguém que “mandasse”, que coordenasse os esforços do Governo com os das forças militares da NATO e dos embaixadores dos países importantes, mas outros temeram que essa figura anulasse Karzai.

O cargo não é fácil, mas Guterres é perito no diálogo e paciente para esperar resultados a seu tempo. A experiência no ACNUR tem-lhe dado traquejo nos contactos com gentes diferentes dos ocidentais, o que constitui um trunfo e uma garantia de bom desempenho nas suas funções.

Portugal beneficia com a nomeação por ser mais um cartaz bem visível da nossa existência e dos valores de que dispomos.

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