A notícia de que Cavaco põe de lado figura do mediador é evidencia de que quando este foi referido na comunicação ainda não correspondia a algo já decidido e que a posterior referência a Ramalho Eanes foi abusiva.
Parece que a incompetência continua. Não é sensato tornar públicos projectos e promessas antes de acertar os pormenores que os tornem viáveis. Nada pior para a credibilidade do que tornar públicas ideias que depois não podem ser concretizáveis.
Passos já está a defender-se e a colocar em cheque o PR quando diz que “É preciso trocar declaração de Cavaco Silva por miúdos” E ninguém melhor do que o autor da declaração a pode explicar nos pormenores, para depois não ter de desaprovar qualquer interpretação vinda dos três partidos. Mas mesmo isso não seria correcto porque, no nosso regime democrático, cabe ao poder legislativo, que reside na Assembleia da República, a fiscalização dos actos do executivo.
Também o cronista do Jornal de Negócios, António Costa apresenta dúvidas sobre As saídas de Belém, em que tece considerações merecedoras de reflexão.
Está assim gerado um imbróglio para o qual José Miguel Júdice sugere a solução de “Um golpe de estado ou uma revolução” que instale o “presidencialismo”, mas sublinha que, para isso é preciso que o PR seja «“uma grande figura humanista” que, podendo ser do PSD ou do PS, seja “respeitada pelas elites”. Só um Presidente com esse perfil daria “algum sossego aos conservadores e algum sonho àqueles mais favoráveis à mudança”».
Em conclusão, nos últimos anos, tem ficada bem demonstrado que não bastam sonhos e fantasias prometidas aos portugueses para que a vida nacional passe a ser mais saudável em todos os aspectos. É preciso definir o objectivo pretendido, estudar seriamente os problemas, escolher as melhores soluções, planear, programar as acções concretas e controlar os resultados a fim de ir limando as pequenas arestas que forem detectadas, a fim de os objectivos pretendidos que serviram de alvo ao processo sejam obtidos. Tal metodologia consta aqui desde 4/12/2008, mas já consta de manuais muito mais antigos.
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sábado, 13 de julho de 2013
CAVACO DESISTE DE MEDIADOR
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A. João Soares
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sexta-feira, 12 de julho de 2013
CAVACO SILVA AGIU COM DISCERNIMENTO
O facto de Cavaco Silva ter apresentado de surpresa a sua proposta de Compromisso de Salvação Nacional deixou os responsáveis políticos e a Comunicação Social embrulhada em completa incredulidade. Isso ficou patente na avalanche de notícias destrutivas de que constam títulos como LoboXavier acusa Cavaco Silva de "instaurar o caos" e Pedro Silva Pereira "Cavaco deixou uma bomba atómica ao retardador".
A primeira análise optimista que me apareceu foi a de Henrique Monteiro em Cavaco: O surpreendente bom senso, mas não explicava os motivos de a comunicação ter aparecido de forma chocante e inesperada pelos próprios líderes partidários.
Procurando compreender o que se passou e sem se deixar arrastar pela generalidade das palavras nada abonatórias dirigidas ao PT. Uma pessoa mais realista poderia descortinar uma hipóteses de solução que fosse menos absorvedora de energias e de tempo para convencimentos dos partidos intervenientes. Assim, com a proposta do «Compromisso» esboçado, o problema passou a ser de imediato dos três partidos. Ou aceitavam colaborar para bem de Portugal ou, perante a população, ficariam considerados culpados dos males que adviriam do impasse criado, com os advenientes inconvenientes para a vida dos cidadãos e para a actividade económica e o emprego.
E essa ideia foi apanhada e esclarecida por Marcelo Rebelo de Sousa em Cavaco Silva “deu um estalo à classe política”.
Dele se transcreve:
"Foi, à sua maneira, um estalo grande na classe política toda, Governo e oposição. Um estalo no PC e no BE ao dizer que não há eleições, no Governo ao não dizer claramente que esta é a solução que dura até 2015 e no PS ao não dar eleições, mas que talvez dê em 2014, sabendo que isso divide o PS".
"O Presidente achou que tinha força para dar esses estalos construtivos, esperando que os partidos pegassem. Acho que os partidos devem devolver a bola. Vamos negociar, mas vamos esclarecer dois ou três pontos que estão por esclarecer".
"Não é de risco no sentido de que o Presidente tentava encontrar uma fórmula que fosse a linha intermédia entre tudo o que ouviu. Foi a procura do menor risco possível no imediato. Pode ser um risco a prazo".
Também António Capucho manifestou regozijo pela iniciativa presidencial em Temos Presidente.
Entretanto não demoraram as reacções dos partidos que parece terem feio a escolha mais racional segundo a visão de Helena Garrido traduzida na frase aproveitar a «oportunidade para renascerem e dar ao País a possibilidade de se manter no euro. A escolha que enfrentam PS, PSD e CDS é entre a morte a prazo ou a regeneração. É entre regressarem às raízes da sua existência, o combate com o povo e pelo povo, ou continuarem a atirar o País com eles para o precipício.»
E assim surgiram sinais de que Passos, Portas e Seguro estão abertos a negociar, Passos “totalmente empenhado” em conseguir acordo pedido por Cavaco, PS reitera disponibilidade para processo de diálogo e, por seu lado, o CDS diz que Abertura ao diálogo é uma "posição de princípio".
E na sequência da clarificação do processo, veio a saber-se que Cavaco Silva convidou António dos Santos Ramalho Eanes como seu trunfo para mediar o compromisso. Em conformidade com a Crónica de Fernando Dacosta é uma óptima solução por se tratar de um «Ser Decente», um homem sério, isento, patriota que ama Portugal, que se guia pelos mais altos valores morais e sociais, que respeita as pessoas sujeitas aos efeitos dos actos do Governo e da máquina do Estado. Ele saberá, com o seu saber, a sua sensibilidade e o seu portuguesismo, contribuir para a resolução de qualquer hesitação ou controvérsia acerca da missão que está entregue aos três principais partidos, para ser ultrapassada a crise que nos tem preocupado.
Oxalá nos regozijemos daquilo que começar a ser feito para bem de Portugal.
É momento para fazer reviver a frase: Todos não seremos demais para fazer ressurgir a força de Portugal.
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A. João Soares
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