Nenhum português bem intencionado terá dúvidas em desejar que a presidência portuguesa da União Europeia tenha sucesso e prestigie o País. Para ser alcançado esse resultado, terá de haver um esforço de cooperação de todos os partidos políticos e organizações sociais no sentido nas posições a serem tomadas pelo Governo este evite imperfeições mais ou menos graves. A preparação das decisões deve assentar em estudos cuidados e na consulta dos parceiros políticos e sociais a fim de saírem com elevado grau de excelência. Há que evitar a repetição de erros devidos a arrogância, teimosia («jamais») e vindas a público de decisões que, devido á sua inadequação, suscitam controvérsia e acabam por originar recuos.
O consenso necessário não pode ser interpretado como um cheque em branco entregue nas mãos do Governo; terá que ser conquistado com o diálogo, em que são limadas arestas e obtida a concordância ou, no mínimo, evitada a discordância paralisante.
A tarefa do Governo não vai ser fácil, por se tratar de um semestre em que metade do tempo vai ser vivido em regime de férias, com o calor entediante, e a tentação do «trabalho» na posição horizontal, para o bronze. São três meses em que pouco pode esperar-se de muito positivo. Daí, a necessária acção motivadora e estimulante dirigida a todos os intervenientes nas tarefas governativas.
Mas, envolvendo tudo isso, uma lição deveria ser aprendida pelos políticos, durante estes seis meses de frequentes contactos com os seus congéneres europeus, principalmente o dos países que recentemente deram um notável salto em frente no sentido do desenvolvimento. Com esses, muito se deve aprender de positivo. O seu exemplo merece ser devidamente analisado, adequado ao nosso caso e aplicado com um são critério. Oxalá não venha a ocorrer o contrário, como tem sido hábito, em que se importam as soluções que já provaram ser desajustadas às finalidades construtivas de que necessitamos.
Diz que ser português é
Há 2 horas
