Portugal dos Pequeninos
Pelo jonalista Manuel António Pina
As boas notícias tardam mas chegam. Num só dia, foram duas de uma assentada o DIAP de Lisboa decidiu não abrir inquérito criminal ao financiamento ilegal do PSD pela Somague e o comendador Berardo construiu um prédio ilegal no Bombarral mas o presidente da Câmara já afirmou que não irá embargar a obra.
O financiamento da Somague ao PSD (duzentos e tal mil euros) foi de facto, diz o DIAP, ilegal mas parece que não era punível criminalmente na altura. O caso do prédio clandestino do comendador Berardo é igualmente uma questão de altura: foi construído sem licença mas, segundo o "Público", "a grandiosidade do projecto" terá levado a Câmara a "fechar os olhos".
São instrutivas notícias para o Portugal dos Pequeninos. O mal dos portugueses é a falta de grandeza, e é louvavelmente pedagógico que as leis e o Ministério Público sejam implacáveis com pequenos delitos e que as câmaras embarguem marquises e galinheiros mas "fechem os olhos" se a coisa tem "altura".
Não é o crime que não compensa (o crime compensa e bem, como se sabe), mas a pequenez de propósitos. Não fomos nós à Índia, não entrámos pelo Brasil dentro à espadeirada, não trouxemos de África ouro, escravos e especiarias? E alguém nos embargou tais obras? Algum DIAP nos pôs um processo?
MAP
NOTA: Um texto compacto, contendo uma análise soberba num pequeno espaço. A «nobreza» desta «monarquia» está isenta perante a lei que é só para ser obedecida pela plebe, os pequeninos. Recordam-se os casos de excesso de velocidade por gente da «alta». Será que já deixámos de viver num Estado de Direito?
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