A degradação social e o futuro das actuais crianças
(Foi publicado em O DIABO de 13-12-2016, pág. 10)
Como ídolo de crianças, adolescentes e graúdos, existe na actualidade um rapaz cantor que causa histeria demasiado visível por onde passam cantigas, fáceis para um ouvido destreinado de qualquer futuro amante de música, com muitas batidas ritmadas.
Há muitos papás e mamãs com filhos a partir dos quatro ou cinco anos de idade, a colocar tais cantigas em tudo quanto é smartphones e demais equipamentos. O passo seguinte, como era previsível, é reservar bilhete para o concerto mais perto de casa, porque é considerado legítimo levar os filhos a ver o ídolo e quanto mais cedo melhor para não ficarem mal vistos pelos colegas de escola.
Na degradação social em que vivemos e em que os jovens pais têm vivido com tolerância e aceitação, é considerado que os filhos não podem ser contrariados nem desiludidos para não correrem o risco de terem uma crise de ansiedade, stress ou alguma outra maleita psicológica mais grave. E assim vão crescendo uns pequenos ditadores sem noção das realidades da vida, sem respeito pelos outros e sem saberem lutar por objectivos sociais, de solidariedade e de trabalho de equipa, com moral e com ética para viverem numa sociedade agradável para todos.
Para os objectivos de construção de um mundo melhor, as letras das cantigas atrás referidas nada ajudam, antes pelo contrário, a cultivar a mente infantil no sentido de levarem uma vida feliz, olhando para o que mais lhes convém, com vista a um desenvolvimento agradável de livre escolha, tendo em foco o que mais lhes puder interessar no futuro que desejam. Apoiar nas crianças a mentalidade de rebanho de imitação daquilo que lhes seja nefasto, não é boa regra para pais e educadores. É preferível ensinar a fazer escolhas.
Diz quem as conhece que as letras das referidas cantigas são impróprias para crianças ou adultos com recato, e os pais vão ter dificuldade em explicar às crianças perguntas que estas lhes façam acerca de excertos das letras, mesmo que lhes tentem iludir a compreensão.
Se não forem evitados às crianças contactos com procedimentos impróprios para consumo moral, não se pode estanhar a agressão nas escolas, crianças que não sabem brincar umas com as outras, crise de valores, desrespeito mútuo, agressão a professores, que são queixas frequentes dos encarregados de educação sobre o comportamento dos seus educandos.
Mas, infelizmente, há pessoas, que dão tempo de antena, que se deslocam para assistir a manifestações que vão contra todos os conceitos da moral e dos bons costumes, acompanhadas de crianças em idade de frequentarem o ensino básico ou nem isso. O que esperam desses futuros cidadãos, quando forem adultos em cargos de responsabilidade social?
O “artista”, num país livre, actua segundo a sua veia e não deve ser inibido de a manifestar mas o que é criticável é a decisão, nada didáctica, de pais e encarregados de educação de proporcionar momentos altamente duvidosos a crianças de tenra idade, que deveriam estar a receber bases sãs para um futuro digno.
Não é tempo de aconselhar métodos antiquados, mas deve ser evitado que as crianças percam o tempo a ver séries televisivas com muito sangue, focadas em crises de pré-adolescentes a maltratar os pais a toda a hora, telenovelas em que já não existe maneira de descer a um nível mais rasca, e artistas com letras que deveriam levar um sinal sonoro de censura em cima de certas palavras que surgem em cada parágrafo.
Estes espectáculos deveriam levar os pais a agir. E os pais de agora não devem deixar de orientar os filhos para coisas belas e instrutivas, a fim de travarem e evitarem a degradação social a que estamos a assistir. Esta é missão de todos e de cada um dos seres humanos, a recuperação de valores cívicos que, independentemente de eras, são sempre indispensáveis.
Todo o esforço é pouco para se travar a degradação social e para se criar uma humanidade mais digna e harmoniosa.
A João Soares
6 de Dezembro de 2016
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
A DEGRADAÇÃO SOCIAL E O FUTURO DAS CRIANÇAS
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A. João Soares
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Etiquetas: degradação social, educação
terça-feira, 22 de maio de 2007
Economia caseira
Não se fica rico a ganhar dinheiro, mas a poupar!
José Travassos Valdez- Nisa, in «Portugal Club»
Já aqui abordámos a forma simples e exequível de acesso à propriedade, à posse de algo, uma transferência de poder e de distribuição de riqueza. Mas tal não chega para garantir nem a felicidade a que todos têm direito, nem a riqueza, nem o bem-estar é apenas um princípio.
Diz o ditado “que de médico, de sábio e de louco todos temos um pouco” se fizermos uma análise de onde se escoa a maior fatia do rendimento de uma família, temos em primeiro lugar a casa, depois a alimentação, transportes, saúde, educação, etc.
Se analisamos onde é que o estado gasta a maior fatia do orçamento descobrimos que é nas despesas de saúde.
Apesar disto a saúde das populações em geral está muito pior e degrada-se de dia para dia. Um dos principais motivos deve-se ao facto de o estado, ao longo dos anos, ter negligenciado um conjunto de medidas educativas e profiláticas deixando-se ir na onda da indústria farmacêutica cujo único móbil é vender.
De forma ao estado e ás famílias reduzirem os custos nas despesas de saúde e ao mesmo tempo obterem melhores resultados, temos de cortar o mal pela raiz e isso significa, sem duvida alguma, ter a coragem de tomar as decisões certas.
Uma nação não pode assistir indiferente, por exemplo, à questão da obesidade infantil, são milhares de jovens que estão a ficar com a sua saúde e futuro empenhados e estes vão ser também uma sobrecarga para o Sistema Nacional de Saúde.
No meu entender, a tomada de decisões certas implica a criação de disciplinas obrigatórias no curriculum escolar onde as crianças aprendam, desde a mais tenra idade, o básico sobre a saúde, a alimentação e até formas de terapia simples que possam em sistema de auto tratamento resolver inúmeras patologias em casa, sem as idas constantes ao médico e aos hospitais.
Falando na base de tudo, a alimentação, todos temos consciência de que o ambiente está contaminado e, em grande parte, isso deve-se aos agro tóxicos, fertilizantes e pesticidas. Mas então antigamente as coisas não se criavam na mesma sem estes venenos? Obviamente que a resposta é sim. Com estes venenos obtém-se frutas e legumes de maior tamanho mas, para além de encherem o olho comparativamente aos produtos de antigamente, nada valem e são mesmo um perigo para a saúde.
A fruta é mesmo uma desgraça; não dura nada, e não cheira a nada, se tivermos a oportunidade de sentir o cheiro da fruta biológica na natureza, nada há de mais agradável que essa sensação. Ainda no ano passado tive uns pêssegos que lhes sentia o cheiro a 200m e arrancados da árvore fiz uma experiência com 2 pêssegos para ver quanto tempo duravam sem apodrecer, para meu espanto secaram e mirraram e não apodreceram. Com as maçãs é o mesmo. Alguém consegue ter fruta do supermercado 3 dias sem começar a apodrecer?
Do ponto de vista nutritivo, inúmeros estudos já o demonstraram claramente, os produtos biológicos são ricos em oligoelementos, minerais raros, essenciais para o metabolismo celular, em resumo essenciais para a saúde.
Para resolver este problema e tornar a agricultura biológica predominante actuaria com a arma dos impostos, onde os produtos biológicos não pagariam nada ou muito pouco e os de agricultura química seriam taxados a 30% e ainda com uma taxa suplementar de 20% destinada à protecção ambiental. Isto faria com que os agricultores e consumidores se voltassem para o que é bom, o biológico!
Na questão pecuária teremos de actuar no mesmo sentido, da produção biológica, ao mesmo tempo que tem de haver uma reeducação sobre a quantidade de proteína animal que o nosso organismo suporta sem se intoxicar que corresponde a 1/7 do que comemos.
A consciencialização desta realidade faz com que se perceba que não só não precisamos de produzir as toneladas actuais de carne, como também com racionalização não é preciso recorrer à importação de carne.
Ao mesmo tempo os produtores podem valorizar o seu produto na qualidade (biológico) e depois no preço, vendendo mais caro. Para o consumidor não altera grandemente as coisas uma vez que vai comer de melhor qualidade, menos quantidade, mais caro é certo, mas o que gastará em carne por mês devido à redução da quantidade, kg per capita, vai ficar com dinheiro no bolso e melhor saúde. Melhor saúde porque a carne em excesso é prejudicial e melhor saúde porque comendo uma carne com certificação biológica não ingere as quantidades de hormonas e, mais grave, antibióticos que destroem o sistema imunitário.
O segundo ponto onde é preciso atacar é o açúcar, está mais que estudado que o açúcar branco retira minerais do organismo durante o processo de digestão, o açúcar de cana integral não provoca estes malefícios. Por que é mais caro um kg de açúcar de cana natural do que um de açúcar refinado? Não se entende a não ser que por detrás disto esteja um interesse sombrio de que as pessoas fiquem doentes, já se sabe desde há muito que o açúcar branco é um dos principais responsáveis pelas depressões nervosas.
Outro alimento altamente prejudicial é o leite de vaca, já pensaram se existe algum animal na natureza que beba leite depois de desmamado? Eu não conheço, só os estúpidos dos humanos que não sabem olhar para a natureza. Beba-se leite vegetal, soja, arroz, amêndoa, avelã, etc. feito em casa fica a menos de 20 cêntimos o litro e é muito nutritivo e saboroso.
Para finalizar deve ser dirigido um ataque sobre a forma de imposto para toda a comida artificial, desde os enlatados, refrigerantes ao fast food. Taxar estes alimentos a ponto que se torne pouco apetecível o seu consumo.
As crianças devem ser educadas e reorientadas na escola e a própria escola deve dar o exemplo nomeadamente nos refeitórios e inclusive organizando cursos de cozinha racional para os pais, reeducando-os.
Ainda no campo da saúde, as crianças devem ser treinadas, desde a mais tenra idade, a saber um conjunto de técnicas simples mas eficientes e deter conhecimentos para auto tratamento e os pais devem também, numa primeira fase, ser reeducados.
Por exemplo, hoje em dia, uma criança tem um bocadinho de febre e os pais correm logo para o hospital, sem perceberem que a febre é, antes de tudo, um mecanismo de auto cura onde o organismo através da elevação da temperatura se procura libertar dos agentes infecciosos. Até 39º não há crise o velho truque da avozinha de colocar a criança num banho tépido funciona, porque encharcar a criança de antibiótico diminuindo as defesas imunitárias se com uma banheira de água tépida se obtém o mesmo resultado?
Estas noções deveriam ser dadas e aprendidas na escola. Para além disso, eu iria mais longe e penso que as crianças poderiam perfeitamente aprender técnicas de massagem e até algumas técnicas de acupunctura mais simples como a auricular, estes ensinamentos nas mãos da população permitem aliviar o Sistema Nacional de Saúde e responsabilizar a sociedade pela defesa desse bem impagável que é a saúde. Ao cidadão, a primeira responsabilidade pelo tratamento do seu corpo!
Com a aplicação de medidas do tipo das anunciadas anteriormente, os cidadãos mais saudáveis tornam-se mais felizes, logo, mais produtivos. Ao mesmo tempo, economizam nas despesas pessoais de saúde e com isto fazem o estado poupar milhões que podem e devem ser desviados dos chorudos e imorais lucros das farmacêuticas para benfeitorias públicas como por exemplo melhor protecção ás crianças e idosos.
É preciso governos com coragem para quebrarem a cadeia de lucro da indústria química/ farmacêutica. Primeiro vendem os agro tóxicos, as hormonas de crescimento rápido, os antibióticos para animais, etc. e depois de nos porem doentes, lá vêm vender o medicamento… grandes espertalhões… mas então andamos todos a dormir ou já não há tipos com coragem.
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A. João Soares
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